sábado, 7 de fevereiro de 2015


07 de fevereiro de 2015 | N° 18066
CLÁUDIA LAITANO

Vacinados

“A ciência é clara: a Terra é redonda, o céu é azul e vacinas funcionam.” Parece slogan do tempo da Revolta da Vacina, mas é um post da última segunda-feira no Twitter da ex-secretária de Estado americana Hillary Clinton. De olho nas eleições presidenciais de 2016, Hillary não poderia deixar de entrar no debate que tem mobilizado a opinião pública americana já há algum tempo e que esquentou nas últimas semanas depois que um surto de sarampo, doença que estava praticamente erradicada no país, atingiu mais de 30 pessoas que visitaram os parques da Disney na Califórnia.

Como os “céticos” do aquecimento global, os “céticos” da vacinação encontram pouco ou nenhum respaldo científico. O estudo que ajudou a espalhar o medo de que a vacina tríplice (sarampo, caxumba e rubéola) pudesse estar relacionada a casos de autismo, publicado em 1998, foi rejeitado pela comunidade científica, e os autores, condenados por fraude. Mas o estrago já estava feito.

Nos EUA, os pais que têm se recusado a vacinar seus filhos dividem-se em três grupos: os que ouviram falar na conexão entre vacina e autismo, os que acreditam que tudo que não cresce em horta é, em princípio, suspeito, e os radicais do não intervencionismo do Estado na vida privada.

Pode-se questionar os interesses comerciais dos grandes laboratórios e mesmo colocar por terra uma teoria a partir de novas pesquisas, mas tanto para uma coisa quanto para outra é preciso apresentar evidências – e não palpites. Por trás de debates como evolucionismo x criacionismo, mudanças climáticas causadas pelo homem ou vacinação, parece haver uma perigosa tentativa de empurrar evidências científicas para o pantanoso campo das convicções pessoais, o que é um triste retrocesso.


Decidir o que é melhor para os nossos filhos nunca é uma tarefa fácil. Muitas vezes, fazemos escolhas sem ter acesso às mais completas informações e é impossível acertar sempre, mesmo com as melhores intenções. Agir com base na chancela da ciência, porém, sempre será mais seguro do que comprar como verdade aquilo que não resiste ao teste da comprovação.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015


HÉLIO SCHWARTSMAN

Impeachment é golpe?

SÃO PAULO - "Qualquer deputado pode pedir à Mesa da Câmara a abertura de processo [de impeachment] contra o presidente da República. Dizer que isso é golpe é falta de assunto." A frase não é de um tucano em busca do 3º turno, mas de um petista insuspeito. Ela foi articulada por José Dirceu em 1999, quando o PT liderava um movimento para afastar o então recém-reeleito Fernando Henrique Cardoso, que, como Dilma, perpetrara um estelionato eleitoral ao manipular o câmbio em favor de sua candidatura.

Trago essas incômodas lembranças numa tentativa de flagrar o militante, petista ou tucano, no ato de aplicar pesos diferentes à mesma medida. Se deixarmos de lado a paixão política para tentar pensar os conceitos com rigor, teremos de concordar com Dirceu. O impeachment é o contrário de um golpe. Trata-se de um mecanismo constitucionalmente previsto que pode ser utilizado para sair de certas crises. Embora seja um processo traumático, é certamente preferível a tanques nas ruas.

Como toda relíquia institucional, o impeachment encerra ambiguidades. Ele surgiu na Inglaterra medieval como um procedimento penal. Para que seja aplicado, a autoridade precisa ser acusada de um "crime de responsabilidade". Mas a definição do que seja esse tal de crime de responsabilidade é suficientemente aberta para comportar qualquer coisa, o que permite que o instituto seja utilizado como instrumento político.

Na prática, o impeachment é um mecanismo de revogação de mandato travestido de trâmite judicial. Seria legal trocá-lo pelo mais moderno recall de voto, que existe na Venezuela e em porções dos EUA, mas é improvável que legisladores transfiram à população um poder que hoje é seu.

Quanto a Dilma, não creio que ela será afastada nem o desejo. É sempre mais didático quando o governante conclui seu mandato. É nessas horas que o eleitor decide se vai ou não rejeitar as políticas por ele adotadas.

helio@uol.com.br



ELENA LANDAU - TENDÊNCIAS/DEBATES

Às escuras

O governo, em sua realidade paralela, diz que há energia sobrando. Trabalha como se o planejamento funcionasse de acordo com seu Power Point

O setor elétrico está vivendo uma crise sem precedentes, consequência da intervenção desastrosa do governo via medida provisória nº 579. A seca apenas agravou o desequilíbrio criado com a mudança nas regras contratuais e o cancelamento do leilão de energia no final de 2012.

O nível dos reservatórios é só mais um resultado da política populista que estimulou o consumo mesmo frente aos evidentes sinais de problemas na oferta. Em pouco mais de dois anos, o setor acumula desequilíbrios financeiros acima de R$ 100 bilhões e a Eletrobras se inviabilizou, sem que isso pudesse impedir aumentos extraordinários de tarifas em 2014 e 2015.

A MP 579 conseguiu algo quase impossível: fazer todos perderem ao mesmo tempo. Consumidores, concessionárias, acionistas e contribuintes estão piores do que estavam em 10 de setembro de 2012.

Enquanto isso, o governo, em sua realidade paralela, diz que há energia sobrando no sistema. Trabalha num mundo em que o planejamento funciona como no seu Power Point, esquecendo-se de que, por conta de falhas na gestão e na fiscalização, vários empreendimentos não entraram em funcionamento.

Trata dos atrasos nas licenças como se órgãos ambientais fossem ONGs fora do controle do Executivo e lava as mãos. Vive num mundo em que o acionamento da totalidade das térmicas de forma contínua é natural, independentemente de custos econômicos ou ambientais. Onde os avisos e alarmes regulatórios criados para limitar o risco de deficit são ignorados.

Ano passado, e de novo em janeiro deste ano, o custo marginal de operação atingiu o nível de alerta que recomenda um corte de 5% na carga do sistema. A tradição no setor é esperar o fim do período úmido para decidir atuar sobre a demanda de energia e evitar um racionamento desnecessário.

Abril chegou e o resto de 2014 passou com as condições climáticas se agravando sem reação do Operador Nacional do Sistema Elétrico ou do órgão regulador --que deveriam atuar de forma independente da agenda política do governo, mas não o fizeram. A situação de hoje era totalmente previsível.

Não é preciso tirar as crianças da sala para falar em racionamento. Ninguém gosta e ninguém quer, mas é obrigação do governo estar preparado para situações críticas como a atual. Quanto mais tarde começar a atuar, mais profunda será a crise.

Em 2001 foi criada uma instância de gestão para enfrentar a crise, juntando governo e sociedade. Não só introduziu um sistema de incentivos que gerou uma queda no consumo e mudança de hábitos, como mudou o setor. Em 2003 a equipe atual recebeu de herança uma sobre oferta de 7.000 megawatts e um programa de termelétricas e energia alternativa em implementação.

Dez anos se passaram e uma sequência de erros gerou um cenário de escassez e alto endividamento. O governo só oferece paliativos, como o corte seletivo e não programado de energia. Uma política ineficiente e injusta, que não dá ao usuário a chance de administrar seu consumo, atingindo consumidores eficientes e perdulários igualmente.

Agora acena, sem dar detalhes, com uma campanha de racionalização e anuncia soluções descoordenadas para aumentar a oferta.

Nada sugere um plano de ação definido. A precária situação financeira das empresas, criada pelo próprio governo, também não parece fazer parte da agenda.

Oferecer incentivos para tornar a operação do sistema elétrico mais limpa, barata e eficiente deve ser objetivo permanente, e não apenas uma resposta à crise atual. Recuperar a confiança dos investidores com estabilidade e transparência nas regras também é crucial. Sem isso, investimentos não voltarão.

Antes de tudo é preciso reconhecer que a crise existe e que é grave, além de, especialmente, mostrar respeito às opiniões dos agentes do setor, evitando que empresas e consumidores sejam mais uma vez prejudicados com decisões unilaterais do governo. Talvez a maior lição de 2001 tenha sido a importância do diálogo. Este governo, infelizmente, prefere falar sozinho.


ELENA LANDAU, 56, é sócia do escritório de advocacia Sergio Bermudes e presidente do Instituto Teotonio Villela do Rio
BERNARDO MELLO FRANCO

O PT e as freiras

BRASÍLIA - O PT celebra seu aniversário nesta sexta (6) com uma festa em Belo Horizonte. O noticiário sobre o partido deveria envergonhar os militantes que participaram de sua fundação há 35 anos, no auditório de um colégio de freiras.

Não há outra reação aceitável diante das novas revelações que vinculam a legenda à roubalheira na Petrobras. Em depoimento à Polícia Federal, o ex-gerente Pedro Barusco afirmou que as propinas destinadas ao PT foram de até US$ 200 milhões. Ele disse que os desvios ocorreram de 2003 a 2011, do início do governo Lula ao início do governo Dilma.

As afirmações do delator são reforçadas por documentos apreendidos pela PF. Em uma planilha que registra a partilha do dinheiro, o PT aparece como destinatário de comissões em nada menos que 71 contratos. A lista inclui obras bilionárias como as construções da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro.

O protagonista desse enredo é o tesoureiro do PT, João Vaccari. Com Barusco, já são três os integrantes da quadrilha que o apontam como o responsável por recolher propina para a sigla. O tesoureiro nega tudo, mas o que ele diz não condiz com o que faz.

Após prestar depoimento à PF, na manhã desta quinta (5), Vaccari afirmou em nota que "há muito ansiava pela oportunidade de prestar os esclarecimentos que nesta data foram apresentados à Polícia Federal".

Poucas horas antes, agentes da PF haviam tocado sua campainha na zona sul de São Paulo. Embora os visitantes tivessem em mãos um mandado judicial, o petista se recusou a abrir a porta. Os policiais tiveram que pular o muro da casa para conduzi-lo à força até a delegacia.

Na mesma nota, Vaccari declarou piamente que o PT "não tem caixa dois nem conta no exterior", "não recebe doações em dinheiro e somente recebe contribuições legais". Com o histórico recente do partido, não conseguirá convencer nem as freiras do Colégio Sion.


A quem será esse povo quer enganar ainda... Deveria de há muito tempo estar preso também, mas deverá chegar a hora...
Jaime Cimenti

Gilberto Werner e a paixão pelo Moinhos

O Moinhos de Vento é um dos bairros mais antigos e importantes de Porto Alegre. Muitos o consideram o mais charmoso e, atualmente, o metro quadrado de suas construções segue como um dos mais caros  da Capital. Unindo passado e presente, prédios residenciais e comerciais, mas sempre de olho no futuro, o Moinhos é um patrimônio de todos.

Moinhos de Vento – Memória e Reconhecimento (Edição do Autor, 126 páginas, com patrocínio da Goldsztein Patrimonial), do pesquisador e escritor Gilberto Domingues Werner, nascido e criado no bairro, traz dezenas de belas fotos em cores e em preto e branco da região, cedidas pela Fototeca Sioma Breitman, pelo Acervo Laudelino Medeiros e por Neila Sanches.

As imagens permitem visualizar como era o Moinhos e como ele se apresenta nos dias de hoje. A beleza das áreas verdes e das construções, em especial os prédios da Hidráulica, de inspiração francesa, está bem retratada no livro, que certamente serve e servirá de apoio a estudantes, pesquisadores e leitores em geral.

A obra conta, também, com textos do autor, de Antoine de Saint Exupéry, Dante de Laytano, Sérgio Goldsztein e Mario Rozano, entre outros. Luiz Fernando Coufal, morador símbolo do bairro, um dos fundadores da lendária Confraria Listo da Padre Chagas e até hoje residindo nele, muito colaborou com o autor, assim como os demais integrantes da histórica confraria: Sérgio Mariante, Paulo Silveira Martins e Marcelo Coufal, entre outros.

História, Chácara Mostardeiro, hipódromos, hidráulica, hospital alemão, baixada tricolor, Praça Júlio de Castilhos, Colégio Bom Conselho, Parcão, Associação Leopoldina Juvenil, Caixeiros Viajantes, Sociedade Germânia, rua 24 de outubro, Independência, Florêncio Ygartua e Sociedade Filantrópica Suíça estão no volume, que, diga-se, foi fruto da paixão e do amor que Gilberto Werner tem pelo Moinhos.

Os gremistas vão adorar as várias páginas dedicadas à Baixada Tricolor, primeiro imóvel que o time adquiriu. Ocupado em 1904 e escriturado definitivamente em 1911, foi o primeiro campo do Grêmio e onde ele comemorou seu cinquentenário, em 1953. O local foi palco de muitas glórias, que a família tricolor certamente gostará de lembrar e relembrar.

Também emociona a todos a história do Parcão, área desapropriada pelo prefeito Loureiro da Silva em 1962 e denominada Parque Moinhos de Vento pelo prefeito Telmo Thompson Flores em 1972. No local existia o Hipódromo do Moinhos de Vento. O último páreo foi em 15 de novembro de 1959, com vitória da égua Ouro Selva, do stud Ouronegro, de propriedade do sr. Arthur Germano Schiell, conceituado “turfman”. O Parcão, hoje, é dos nossos espaços mais simpáticos, saudáveis, elegantes e inspiradores. Ali marcham, trotam e galopam os cavalos da memória. Ali estão nossas memórias afetivas, os prazeres do presente e os tesouros do futuro.

O livro de Gilberto Werner permanecerá como registro histórico e amoroso do lugar onde ele viu pela primeira vez a luz do sol. Os leitores vão sentir isso, com certeza.

A propósito...

Bem que a prefeitura municipal de Porto Alegre poderia estabelecer uma política diferente em relação aos prédios listados como patrimônio histórico no Moinhos de Vento.

Simplesmente listar e nada oferecer ou propor aos proprietários não é justo nem razoável. Melhor seria tombar ou não, ao invés de só listar e nada dar em troca. Melhor estabelecer uma legislação adequada e dialogar com os donos das casas, no sentido de que eles possam utilizar imóveis tombados ou não.

Já é tempo de pensar nisso, para, paralelamente, preservar o patrimônio cultural e desenvolver o bairro. É o que se faz, com sucesso, no exterior.


Jaime Cimenti

Petrarca, o modelo da poesia lírica
REPRODUÇÃO/JC

Este ano já começa com um desses lançamentos de peso: Cancioneiro, do gênio renascentista italiano Francesco Petrarca, com primorosa tradução do professor e escritor José Clemente Pozenato, autor do clássico romance O quatrilho. Pozenato também assina uma introdução em que relata a vida e a obra do poeta.

A bela edição em capa dura (Ateliê Editorial e Editora da Unicamp, 534 páginas) conta com prefácio do professor, tradutor e poeta Armindo Trevisan, ilustrações de Ênio Squeff e centenas de utilíssimas notas de rodapé. A cuidadosa edição nasce já clássica e referencial e permite aos leitores brasileiros entrar em contato direto com uma das obras seminais da poesia universal.

Esta obra-prima da literatura universal foi concluída por volta de 1370 e logo se colocou como o principal modelo de poesia lírico-amorosa no Ocidente. Sua primeira edição impressa data de 1470. Nos 30 anos seguintes, houve dez edições da obra, com diferentes títulos.

Nela, o poeta nascido em Arezzo em 1304 abriu caminho para uma poesia do sentimento num jogo emocionante com a razão, com uma nova linguagem que há de solene, de quase escultural em Dante torna-se variado, por vezes esvoaçante, em Petrarca. A sorte favoreceu mais Dante, mas o fato é que Petrarca deixou marcas mais fundas na poesia do Ocidente, que perduram até hoje.

O tema central dos 366 poemas - são 117 sonetos, 29 canções, 9 sextinas, 7 baladas e 4 madrigais -, é o amor em vida e depois da morte de Laura. Mas há também poemas que nos situam no cotidiano do poeta, como o da velhinha, de manhã bem cedo, rodando seu tear. No grande poema não há personagens ou enredo. O que avulta é a grande aventura sentimental e poética de Petrarca.

Logo no início da apresentação, Armindo Trevisan cita a monumental História da Literatura Ocidental, de Otto Maria Carpeaux, que referiu que Petrarca era o primeiro lírico moderno e o mais original de todos os poetas líricos da literatura universal. Para Trevisan, Petrarca é o poeta que nunca morreu e que merece uma revisitação, e que a gente o reencontre na poesia contemporânea. Trevisan ressalta que Petrarca deve ser lido com novos olhos e, sobretudo, com novos ouvidos.


Enfim, a Ateliê Editorial e a Editora da Unicamp colocam nas mãos dos leitores brasileiros esse patrimônio da poesia universal. A nova e criativa tradução, que buscou a coloquialidade perseguida por Petrarca e que utiliza rimas “modernas”, torna Petrarca contemporâneo e vem acompanhada, adequadamente, das ilustrações que reconstroem uma visão do ambiente da poesia petrarquiana.

06 de fevereiro de 2015 | N° 18065
OLHAR GLOBAL | Luiz Antônio Araujo

Face risonha

Encomendado pelo Kremlin e executado pelo escultor russo-georgiano Zurab Tseretelli, foi inaugurado ontem o monumento ao 70º aniversário da Conferência de Yalta, realizada entre 4 e 11 de fevereiro no balneário da Crimeia imortalizado por Tolstói e Tchekhov.

A obra, baseada na célebre foto dos Três Grandes da II Guerra Mundial, foi esculpida em bronze, tem mais de três metros de altura e pesa 10 toneladas. Não é uma casualidade que o monumento tenha sido aberto ao público no momento em que os Estados Unidos consideram a possibilidade de entregar armas letais a um combalido exército ucraniano.

A cúpula de Yalta marcou o último momento em que os Estados Unidos estiveram firmemente empenhados, pela mão do presidente Franklin D. Roosevelt, em apaziguar as já explícitas pretensões territoriais do líder soviético Jozef Stalin. Foi em Yalta que Roosevelt, numa descontraída conversa lateral, chamou o ditador de “Tio Joe” (Uncle Joe), numa tirada abraçada com entusiasmo pela mídia americana que ajudou a dourar a aliança americano-soviética perante o público ocidental. Consta que Stalin, acostumado a manter frieza diante de outros chefes de Estado, ficou deliciado e deu uma sonora gargalhada.

O episódio irritou o terceiro retratado no monumento de Tseretelli, Winston Churchill, o premier britânico que, pouco mais de um ano depois, denunciaria a descida de uma “cortina de ferro” (a expressão era de Joseph Goebbels) sobre metade da Europa.


Passados 70 anos, sabe-se que Yalta foi a face risonha daquilo que o historiador americano Timothy Snyder chamou de “Terra Sangrenta”. Quando a foto hoje consagrada em bronze foi tirada, milhões de europeus que haviam sobrevivido à guerra estavam sendo tangidos para longe de seus lares e pátrias naquilo que Stalin gostava de chamar de “troca de populações”. É por isso que os tártaros da Crimeia, cujos antepassados foram deportados para a Ásia Central pelo regime soviético, protestaram contra a inauguração do monumento de Yalta.

06 de fevereiro de 2015 | N° 18065
DAVID COIMBRA

Contra o impeachment

Nós não conhecíamos esta palavra, impeachment. Foi o Collor quem nos ensinou. Trata-se de palavra pedregosa para escrever, com suas tantas sílabas e, entre elas, três consoantes solertemente encadeadas, e ainda mais pedregosa para falar: “impítima”.

Bem. Collor foi “impichado”, e agora, 22 anos depois, fala-se em impeachment de Dilma. O atento jurista Ives Gandra inclusive deu um parecer afirmando que há precedentes legais para tanto. Não duvido. Querendo, juristas atentos encontram precedentes legais para quase tudo.

Querendo. Eis o problema: o querer.

Muita gente quer Dilma fora da Presidência. Compreensível – Dilma não faz um bom governo. Os programas sociais criados ou incrementados por Dilma e Lula são bons, mas o PT perdeu a chance de transformar as estruturas do país.

Uma tristeza, esse tempo que se foi. Em 2002, Lula era a esperança. Até Fernando Henrique foi acusado de dar-lhe apoio velado. De lá para meados de 2014, foram 12 anos praticamente sem oposição. Ou seja: com as mais propícias condições políticas que um presidente poderia esperar. Na economia, melhor ainda. A estabilidade do Plano Real foi saudavelmente mantida e o crescimento da China arrastou junto o do Brasil. Quadro igual, tão azul e cor-de-rosa, só se viu nos anos 70, com o Milagre Econômico.

Estava tudo pronto para a grande virada. Haveria pouca resistência às reformas de que o país precisava: a reforma tributária, a reforma do Código Penal, a reforma da Previdência, a reforma da educação básica e fundamental e até a menos importante e mais propagandeada, a reforma política.

Mas o PT não tinha estofo para essa tarefa. O PT tinha apenas um projeto de poder, não de país. O mensalão e o petrolão são frutos desse projeto de poder, que não é nada senão o velho clientelismo e o velho coronelismo, ambos tão conhecidos do povo brasileiro, mas desta vez rearranjados organicamente, com método e com o lustro da esquerda.

Tudo isso é ruim, mas não é motivo para destituir um presidente da República legitimamente eleito. Collor, quando caiu, não foi por causa do famoso Fiat Elba, como se apregoa, mas foi por causa do que provou o Fiat Elba: ali estava configurado o envolvimento pessoal de Collor com a corrupção de seus assessores.

A corrupção de setores de um governo ou a incompetência de todo o governo não pode abalizar a derrubada de um presidente. Se abalizasse, teríamos um novo presidente a cada semestre.

O impeachment de Dilma só poderia ser cogitado se houvesse prova concreta de sua participação na corrupção, o que duvido que haja. Ou de seu conhecimento da corrupção, o que provavelmente havia, mas que dificilmente pode-se provar.


É muito importante para o Brasil a justa punição de todos os culpados pela corrupção deste governo, desde que a punição seja precisamente isto: justa. Querer derrubar um presidente eleito sem todas as provas concretas para fazê-lo é repetir o erro do PT: é ter um projeto de poder, não de país.

06 de fevereiro de 2015 | N° 18065
MOISÉS MENDES

Quem roubou o quê

Chegaram ao Vaccari, o tesoureiro do PT. Vão chegar a outros que não terão a chance de se fingir de vítima do esquema que saqueava a Petrobras. Só um grupo pode fingir, o dos empreiteiros, e isso é o que preocupa seu Mércio.

Imagine se os empreiteiros pedirem indenização da Petrobras. Seu Mércio acha que só o que falta no Brasil é alguém pagar indenização a empreiteiro corruptor. Os empreiteiros têm dito que, sem a propina, o Cerveró, o Costa, o Duque, o Barusco e seus parceiros não fechariam os contratos das obras. É dano moral. O clube das grandonas ficaria sem serviço.

Seu Mércio raciocina. Isso quer dizer que outras firmas, como a Zé & Irmãos Unidos para Reformas em Geral, poderiam assumir as grandes obras? Seu Mércio é guarda de rua na Aberta dos Morros. Ele sabe que o juiz Sérgio Moro fará o serviço completo porque mirou o foque na área sombreada das propinas.

É nas sombras que estão as empreiteiras e outras predadoras (aparecerão mais adiante?) que se apossaram da Petrobras. Todas pagavam comissões para superfaturar obras.

O superfaturamento inflou artificialmente o patrimônio da estatal em R$ 88 bilhões. A propina era a mesada que os corruptos recebiam e compartilhavam com políticos e amigos.

Só para comparação, os R$ 88 bilhões equivalem a duas fortunas de Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil. Os R$ 88 bilhões são o dinheiro roubado pelos empreiteiros. O resto é o troco da máfia da propina. Sim, a máfia corporativa ficava com o troco.

Por respeito à inteligência alheia, seu Mércio pede que parem de ver os empreiteiros como vítimas. Seu Mércio sabe que os diretores da Petrobras eram capachos dos empreiteiros de grife presos na carceragem da PF em Curitiba.

Todos os corruptos trabalhavam para os homens da Camargo Corrêa, OAS, Odebrechet, Queiroz Galvão, Mendes Júnior, Iesa e outras. Não fique com pena deles, nem da Graça Foster, do Cerveró ou do Vaccari.

Tenha pena do doleiro Alberto Youssef, flagrado fumando maconha na cadeia. Ele ficará sem o baseado. Sem erva da boa, pode entrar em depressão e ser hospitalizado de novo no dia da eleição, como aconteceu no ano passado. E teremos, bem na hora da votação, o boato de que o doleiro foi envenenado, desta vez com maconha estragada.


Mas isso só acontecerá em 2018, porque a turma do Youssef não perde tempo com hospitalizações às vésperas de eleição municipal.

06 de fevereiro de 2015 | N° 18065
MARCOS PIANGERS

Vento no Litoral

Final de semana passado, aquela coisa de Planeta Atlântida, pensei comigo mesmo que 72 carros por minuto não podiam estar errados e toquei com a família toda para o até então desconhecido litoral gaúcho, visto que mesmo depois de oito anos morando em Porto Alegre nunca me pareceu valer a pena pegar a estrada para presenciar com mulher e filhas todo aquele cenário à beira-mar terrível que os amigos gaúchos sempre descreveram meio brincando, meio falando sério, e que as capas da Zero Hora sempre confirmaram visualmente desagradáveis, por mais esforçado e competente que seja o fotógrafo.

O litoral gaúcho é provavelmente a única coisa gaúcha que os gaúchos reconhecem não ser a melhor coisa do mundo.

Na tarde daquele sábado nublado, me senti no segundo planeta visitado pelo Matthew McConaughey no filme Interstellar: um ambiente tão inóspito, que não consigo entender como pode ser habitado. O vento era como se Deus pegasse areia com as mãos e enfiasse um punhado em meu olho aberto.

A maresia trazia até minhas narinas o aroma de peixe morto e a fumaça do queijo coalho, saindo do carrinho do ambulante. Muitos carros tocavam música e nos meus ouvidos demônios imaginários jogavam flechas com versos como “te ensinei certim” e “eu prefiro estar aqui te perturbando”, esta última uma frase que, não posso negar, combinava com meu desconforto.

Estávamos há cerca de cinco minutos na praia quando minha filha mais velha, brincando na areia, foi atacada por ondas negras violentíssimas, que tentavam levar embora a menina. A mais nova estava mexendo com uma espuma amarela provavelmente cheia de coliformes fecais. Minha mulher corria atrás da canga e eu tentava ajudar as três ao mesmo tempo, com os olhos cheios de areia, a cara cheia de fumaça de queijo coalho e os ouvidos cheios de hits nacionais. Tenho certeza de que algumas pessoas na praia fotografaram meu desespero, com celulares a distância, elas acham que eu não noto, mas eu noto e só não sei se me fotografam porque sou famoso ou tenho um aspecto de náufrago.

(Falando nisso, uma vez estava no Rio de Janeiro, subi em uma grande pedra para olhar a vista, só de calção e barba, e a praia toda lá embaixo, cheia de cariocas sacanas, começou a gritar: “Wilsoooon! Wilsoooon!”. Mas isso é outra praia.)


Depois daqueles ataques sistemáticos, resgatamos as pequenas (a mais nova já com espuma na boca), deixamos a canga como oferenda a Iemanjá e corremos pro hotel, onde precisamos de três banhos para tirar totalmente aquele litoral gaúcho impregnado em nossa pele. Temos agora um psiquiatra marcado pra semana que vem e com muita conversa vamos superar tudo isso.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015



Em sessão plenária desta quarta-feira (4) na Câmara Federal, o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE) reproduziu no microfone da Casa um áudio da então candidata Dilma Rousseff, no qual ela sobre promessas e um país totalmente fora da realidade.

CONTARDO CALLIGARIS

O Oriente muito próximo

Degolas e massacres são uma ameaça contra o islã, bem mais séria do que as sátiras em filmes e escritos

1) Acabo de devorar, em dois dias, "Impérios do Mar", de Roger Crowley (Três Estrelas). Subtítulo: "A Batalha Final Entre Cristãos e Muçulmanos pelo Controle do Mediterrâneo (1521-1580)".

Crowley conta a história violentíssima de um choque entre homens e nações. Os homens, o leitor descobrirá no livro. As nações eram, de um lado, a Espanha (com os mercenários de Gênova), os cavaleiros da ordem de Rodes e Malta, o papa e Veneza; do outro, havia o Império Otomano, com o apoio da França.

Ora, cuidado: a história que Crowley conta não é nem a de um conflito de culturas, nem a de uma guerra entre religiões. Certo, na hora do vamos ver, alguns invocavam Cristo, e outros, Alá, mas, para todos, segundo Crowley, o que estava realmente em jogo era o domínio do Mediterrâneo --militar e comercial.

Você já deve suspeitar que, desde o século 11, as nove cruzadas fossem mais projetos de conquista e de saque do que sonhos religiosos de retomar o Santo Sepulcro. Para Crowley, no século 16, tanto a Espanha quanto o império Otomano queriam ser a nova Roma, os venezianos queriam que a guerra parasse e todos voltassem a fazer negócios, e só o papa parecia acreditar que a guerra fosse "santa".

Será que o conflito de hoje entre o Ocidente e o mundo islâmico pode ser "apenas" uma guerra entre impérios?

Nos anos 1950, depois da crise de Suez, a União Soviética parou de defender Israel e passou a defender os países árabes, e o Ocidente fez o inverso. Talvez Israel e o mundo islâmico fossem apenas peões na luta entre impérios.

Mesmo assim, eu tendo a pensar que o conflito entre o Ocidente e todos os fundamentalismos (não só o islâmico) seja hoje um enfrentamento de culturas e princípios opostos, mas...

2) "¦Eis que, nesta mesma semana, li o novo romance de Michel Houellebecq, "Submissão", a ser publicado no Brasil em 2015 pela Alfaguara.

O romance, no qual a França acaba sendo governada por um partido islâmico, foi publicado em 7 de janeiro deste ano. Em quatro dias, 250 mil exemplares foram esgotados. Claro, 7 de janeiro foi o dia do massacre da redação de "Charlie Hebdo". Mas esse ato de terror não era necessário para "sensibilizar" os leitores franceses.

Dois exemplos. O livro de Éric Zemmour, "Le Suicide Français" (o suicídio francês, em português; editora Albin Michel), publicado em outubro de 2014, já vendeu 400 mil exemplares: é um ensaio de 520 páginas sobre a dissolução progressiva da França pelo pensamento de maio de 1968 e pelo descontrole da imigração.

Fato mais significativo, acaba de sair outro romance, "Les Événements" (os eventos, editora P.O.L.), de Jean Rolin, que apresenta uma França transformada em campo de batalha de milícias armadas (entre as quais as muçulmanas).

Alguns desavisados anteciparam que o romance de Houellebecq incentivaria a islamofobia --talvez porque o título lembre que "submissão" é o sentido da palavra islã. Não é o caso.

Houellebecq imagina uma França em que um partido islâmico toma o poder por via eleitoral, com o apoio da esquerda e de sua consciência culpada, e com a única oposição da extrema direita.

No romance de Houellebecq, como na visão de Crowley, a vitória do partido islâmico francês tem pouco a ver com um sonho de primazia religiosa, e tudo a ver com um projeto de expansão imperial, Mediterrâneo afora.

Para confirmar essa visão materialista do conflito, o protagonista de Houellebecq, na hora de considerar a possibilidade de uma conversão, não pensa em princípios e crenças, mas em vantagens salariais.

Enfim, talvez a batalha relatada por Crowley em "Impérios do Mar" não tenha sido a batalha final...

3) Em matéria de Oriente, a outra novidade da semana é "Timbuktu", o filme de Abderrahmane Sissako. Por uma vez, o absurdo (tragicômico) fundamentalista é exposto por um cineasta muçulmano. Imperdíveis: os diálogos entre os jihadistas e o xeque da mesquita de Timbuktu, assim como as reações populares às regras da polícia religiosa.

Em 2006, quando o "Charlie Hebdo" reproduziu as caricaturas de Maomé publicadas inicialmente na Dinamarca, a capa da revista era um desenho de Cabu, em que Maomé, exasperado, com as mãos na cabeça, dizia: "É duro ser amado por babacas"... Maomé, em Timbuktu, não diria diferente.

Depois do atentado contra "Charlie Hebdo", o líder do Hizbullah, que não é um moderado, declarou que as degolas e os massacres são hoje uma ameaça contra o islã bem mais séria do que as sátiras em filmes, desenhos e escritos.

ccalligari@uol.com.br



Análise: Depoimento faz crise subir de patamar

IGOR GIELOW
05/02/2015  13h33 - DIRETOR DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Se algo pode piorar, não há duvida de que irá. A velha máxima pegou em cheio o PT e o governo Dilma hoje com a condução coercitiva do tesoureiro João Vaccari Neto para depor à PF e a revelação de detalhes da delação premiada do "gerente de US$ 100 milhões", Pedro Barusco.

O ex-gerente de Engenharia da Petrobras confirmou e apresentou documentação sobre o esquema operado por Vaccari para sangrar a estatal em pelo menos US$ 200 milhões ao longo de dez anos. O "pelo menos" fica por conta de que Barusco é apenas um dos envolvidos nas tramoias apuradas pela Operação Lava Jato.

A pergunta seguinte, que certamente já foi feita a Vaccari, é: para onde foi o dinheiro? Sendo ele o homem das finanças do PT, substituto do notório Delúbio Soares, a resposta é quase óbvia.

Isso tudo ocorre na véspera do encontro que celebraria os 35 anos do PT com a presença de Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, sob cujos governos foi arquitetada e executada a corrupção gigante na Petrobras.

Véspera também do prazo para a escolha da nova diretoria da estatal, que substituirá a derrubada trupe de Graça Foster. Fica muito batido usar "tempestade perfeita" para descrever o que acontece no entorno do PT e do Planalto.

Por ora, alheamento é a palavra de ordem. Dilma passou a posse de Mangabeira Unger na Secretaria de Assuntos Estratégicos falando algo sobre o "passaporte do pré-sal", como se estivesse em 2009. Próceres do PT afirmam que farão uma "defesa enfática" de Vaccari na sexta em BH –como são escaldados, talvez mudem de ideia com a leitura do noticiário ao longo do dia.

Seja como for, o Partido dos Trabalhadores chega aos 35 anos sob uma crise que é, antes de tudo, existencial. Se mantiver o padrão de negação e continuidade nos erros que assumiu durante o mensalão, quando tudo era "culpa da mídia golpista", entrará num beco sem saída.


Enquanto isso, o resto da base aliada do governo mostra como o jogo será jogado ao instalar a CPI da Petrobras na Câmara. A crise, se é que isso parecia possível, subiu de patamar.

A demissão de Graça Foster, o esculacho de Dilma e o novo presidente da Petrobras

No final, Graça Foster foi demitida pelo que fez de certo, ao reconhecer uma perda de R$ 88 bilhões nos ativos da companhia, e não pelo que fez de errado

JOSÉ FUCS
03/02/2015 19h50 - Atualizado em 05/02/2015 09h57
Kindle
Share1 
SOB FOGO Máscara de Graça Foster confeccionada a pedido de ÉPOCA. Sem poder brincar com Nestor Cerveró, foliões escolheram um novo mote para o Carnaval (Foto: Ilustração: Lovatto)
Depois de se recusar, estranhamente, a demitir a presidente da Petrobras, Graça Foster, contra todas as recomendações que lhe foram feitas por correligionários do PT e até por Lula, a presidente Dilma Rousseff mudou de ideia e decidiu finalmente defenestrá-la.
Não porque Dilma tenha se convencido de que a permanência de Graça Foster tornou-se um empecilho para ela dar a volta por cima do escândalo que abalou a Petrobras e chacoalhou o seu governo. Mas sim porque Graça resolveu deixar de lado o papel submisso que desempenhou durante toda a crise na companhia. De repente, Graça Foster surpreendeu a todos e desafiou a chefe e os caciques petistas, ao anunciar na semana passada uma perda de R$ 88 bilhões (!!!) no valor dos ativos imobilizados da Petrobras, equivalentes a mais de três vezes os gastos anuais do Bolsa Família.
Provavelmente, ao manter Graça no cargo, Dilma imaginava que ela continuaria a ser uma espécie de escudo para o governo, como aconteceu durante a campanha eleitoral e em seu depoimento à CPI da Petrobras, em meados de 2014, no Congresso Nacional. Só que Graça, vendo a sua reputação descer ralo abaixo, tentou salvar o próprio nome, se é que isso ainda é possível nesta altura do campeonato, ao reconhecer a extensão dos problemas contábeis que afetaram a Petrobras nos últimos anos. 
Embora os investidores tenham reagido com euforia à virtual saída de Graça Foster, puxando uma alta de 15% nos papéis da empresa nesta terça-feira, é curioso que, ao final, ela deixe o comando da empresa pelo que fez de certo, ao admitir que os ativos da companhia podem devem um deságio bilionário, e não pelo que fez de errado, dificultando ao máximo a apuração dos fatos do Petrolão.
Agora, o difícil será encontrar um abnegado ou uma abnegada que aceite assumir o pepino – uma missão que teria sido confiada por Dilma ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Só mesmo um executivo kamikaze aceitaria comandar a Petrobras, em meio à série de escândalos que atingiram a empresa, envolvendo não só as grandes empreiteiras mas os partidos políticos da chamada “base aliada”, em especial o PT.
Além de enfrentar os "aliados" que aparelharam a Petrobras como nunca se viu antes neste país, quem aceitar o cargo precisará  ter estômago para trabalhar sob a batuta de Dilma, cujoestilo pitbull é conhecido por todos que interagiram com ela desde os tempos em que esteve à frente do Ministério das Minas e Energia, no primeiro governo Lula.  O problema é que, neste caso, nem o tal adicional de insalubridade, pago pela Petrobras a seus trabalhadores de campo, parece suficiente para compensar o mau humor da chefe no dia a dia. Graça Foster que levou um esculhacho medonho de Dilma após reconhecer as perdas da Petrobras na semana passada, que o diga.