quinta-feira, 28 de maio de 2026

Gripe: Rio Grande do Sul vacinou menos da metade da meta estabelecida

Em Porto Alegre, cerca de 49% dos grupos já foram imunizados

Em Porto Alegre, cerca de 49% dos grupos já foram imunizados

Paulo Pinto/Agência Brasil/JC
Joaquim Porto
Joaquim PortoCom a campanha de vacinação contra a gripe iniciada em março, mais de 1,3 milhão doses já foram aplicadas nos grupos prioritários, que englobam os idosos acima de 60 anos, gestantes e crianças de 6 meses a menores de 6 anos. Esse número representa cerca de 42% de cobertura vacinal no Rio Grande do Sul, e está longe da meta estabelecida inicialmente na campanha, que é de 90%.
Apesar de estar longe da meta determinada, em doses gerais, é o terceiro Estado que mais aplicou o imunizante até o momento, com 2.095.903, atrás somente de Minas Gerais (3.709.288) e São Paulo (6.555.809). O RS já recebeu, aproximadamente, 3,8 milhões vacinas. Um novo lote será distribuído a partir desta quinta-feira (28). Durante parte de abril foi constatado a falta do imunizador, porém, as competências do Estado afirmam que o problema não é recorrente
Conforme Eliese Denardi, chefe da Seção de Imunizações do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), comparando os três grupos prioritários, a cobertura menor é das crianças, com apenas 24%. Por esse motivo e, apoiado na chegada do frio, ela acredita que a tendência é que as hospitalizações por Influenza aumentem.
“Os 42% ainda estão bastante abaixo da meta, porém, para crianças, gestantes e idosos, a vacina Influenza está no calendário de vacinação de rotina, e estarão disponíveis para estes grupos até o fim do ano. Então, essa cobertura deverá ser ampliada”, explicou Eliese.
Divulgado na última semana, o boletim InfoGripe, produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), concluiu que o Rio Grande do Sul está em alerta de risco para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Foi relatado que as hospitalizações por Influenza A continuam aumentando em território gaúcho, que contabiliza 237 mortes relacionadas às síndromes respiratórias em 2026.
Em 2025, foram registrados 598 óbitos por gripe no Rio Grande do Sul – número 106% maior do que em 2024. Atualmente, o Estado já reportou 67 mortes pela doença, sendo 55 idosos. Os sintomas mais comuns incluem febre alta, dor muscular, dor de garganta, dor de cabeça, coriza, tosse e fadiga.
No campo municipal, Porto Alegre tem, até agora, 329.428 vacinados dos principais focos prioritários. Destes, 175.164 idosos, 20.903 crianças e, 4.391 gestantes, que segundo Tatiane Bernardes, enfermeira da Coordenação de Enfermagem da Capital, é o público que causa mais preocupação, pela possibilidade de complicações à grávida.
Temos que incentivar cada vez mais que as gestantes busquem os postos de saúde para se vacinar, porque estará protegendo a ela mesma e o bebê”, afirmou. Ela avalia que falta consciência por parte da população. Com as 132 unidades de saúde da cidade disponíveis para vacinação, a enfermeira diz que “disponibilidade e acesso existem, mas o que falta mesmo é conscientização”.

Com a chegada iminente do frio, Caroline Deutschendorf, coordenadora da Comissão de Controle de Infecção do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, alerta: “classicamente há um aumento no número de casos de doenças respiratórias virais no inverno, por isso a imunização é importantíssima”.

Como solução para diminuir o contágio, Caroline cita que a população deve praticar medidas de etiqueta respiratória: evitar tossir ou espirrar sem cobrir a boca e o nariz, sempre higienizar bem as mãos com água e sabonete ou álcool gel.

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