quarta-feira, 27 de maio de 2026

Proximidade do El Niño preocupa setor gaúcho de energia

Em 2024, catástrofe climática gerou mais de R$ 1 bilhão em prejuízos para o segmento no RS

Em 2024, catástrofe climática gerou mais de R$ 1 bilhão em prejuízos para o segmento no RS

RGE/ANEEL/Divulgação/JC
Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórter
Ainda está vívida na memória dos agentes do setor elétrico do Rio Grande do Sul a catástrofe climática de 2024 que na época, segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ocasionou danos que representaram um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão na infraestrutura do segmento. Por isso, a perspectiva de um severo El Niño (fenômeno que pode representar aumento de chuvas e condições adversas de clima no Sul do Brasil) ainda este ano causa apreensão no Estado.
Já no final de 2025 havia a projeção que um El Niño aconteceria em 2026 e agora praticamente não restam dúvidas que ele ocorrerá. O sócio-diretor e meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, detalha que o fenômeno ainda está em formação, mas possivelmente, em junho, mais tardar, em julho, deverá ser oficializado, com a perspectiva de ganhar gradativamente intensidade. “Principalmente no último trimestre do ano e no primeiro trimestre de 2027”, adianta Nascimento.
Confirmados os efeitos no Sul brasileiro do El Niño, que é causado pelo aquecimento excessivo das águas do Oceano Pacífico Equatorial, um dos principais receios é quanto aos sistemas de distribuição e transmissão de energia elétrica. Apesar desse temor, o vice-governador, Gabriel Souza (MDB), ressalta que o Estado está muito melhor preparado para enfrentar as adversidades climáticas que surgirem do que estava em 2024, quando aconteceu a maior enchente da história do Rio Grande do Sul. “Ao mesmo tempo em que estamos muito melhor preparados, estamos sempre atentos à questão climática”, diz Souza.
Ele ressalta que os sistemas de monitoramento do clima do planeta mostram a possibilidade da ocorrência de um El Niño forte a muito forte. “Mas as modelagens não indicam algo nem perto ou parecido com o que foi em 2024, não há motivo para pânico”, enfatiza o vice-governador.
Já o líder do governo do Estado na Assembleia Legislativa, deputado Frederico Antunes (PSD), acrescenta que, a partir desta semana, começa uma série de encontros regionais da Defesa Civil estadual com as Defesas Civis municipais para tratar da possibilidade de ocorrência do El Niño. “Para acertar alguns procedimentos que poderão ser acionados”, comenta o parlamentar.
Por sua vez, a presidente do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), Daniela Cardeal, admite que o setor de energia está preocupado com a ocorrência do El Niño. “Porque se trata de uma questão de segurança de Estado e da sociedade”, frisa a dirigente.

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