quarta-feira, 11 de março de 2026

 Fraport vê retomada do aeroporto de Porto Alegre mais rápida que o esperado

Gerente de Aviação Comercial na Fraport Brasil, Pedro Navega celebra volume de passageiros em 2025 quase igual ao de 2023

Gerente de Aviação Comercial na Fraport Brasil, Pedro Navega celebra volume de passageiros em 2025 quase igual ao de 2023

Divulgação Fraport Brasil/JC
Gabrieli Silva
Gabrieli SilvaRepórterApós meses de reconstrução da estrutura impactada pela enchente de 2024, o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, voltou a operar em plena capacidade no ano passado, e já apresenta sinais de recuperação da demanda.
Segundo o gerente de Aviação Comercial da Fraport Brasil, Pedro Navega, o movimento de passageiros em 2025 praticamente igualou os níveis registrados antes da tragédia climática. Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, o executivo avalia os desafios da retomada, o papel estratégico do terminal para a economia gaúcha e as perspectivas de expansão de rotas nacionais e internacionais.
Navega diz que a Fraport está constantemente buscando novas rotas, tanto nacionais quanto internacionais, salienta o rápido crescimento de rotas para outras capitais. E destaca o voo Porto Alegre-Recife, um dos mais longos no mercado doméstico, que opera diariamente e que tem perspectivas de expansão.
Jornal do Comércio - Como a Fraport avalia a recuperação do Aeroporto de Porto Alegre após a enchente de 2024?
Pedro Navega - A retomada foi muito positiva, até superior ao que esperávamos. Projetávamos um cenário mais moderado, mas a resposta da aviação foi imediata. O passageiro gaúcho tem um peso muito grande para as companhias aéreas e isso ficou claro durante o período em que o aeroporto esteve fechado. Conseguimos recuperar rapidamente o volume de passageiros e terminar o ano com perspectiva de crescimento das empresas.
JC - Quais foram os principais desafios operacionais nesse processo?
Navega - O maior desafio foi o período de transição entre maio e dezembro de 2024, quando operamos parcialmente na base aérea e com o terminal ainda incompleto. Após uma enchente dessa magnitude, sabíamos que haveria esse processo de reconstrução. Quando o aeroporto foi reaberto em 16 de dezembro, já estava com segurança plena e com capacidade para operar dentro da estrutura disponível.
JC - O movimento de passageiros em 2025 já pode ser considerado uma recuperação completa?
Navega - Sim. O volume de passageiros foi praticamente idêntico ao de 2023, então, podemos considerar que houve retomada. Mesmo em um cenário complicado para a aviação, com empresas passando por processos de recuperação financeira, conseguimos fechar o ano com resultados positivos.
JC - O aeroporto já está próximo do limite de capacidade?
Navega - Ainda estamos muito abaixo da capacidade total. Quando analisamos sistemas como raio-x, portões de embarque, esteiras de bagagem e check-in, vemos que existe bastante espaço para crescimento. Não chegamos nem perto de 50% da capacidade operacional do aeroporto.
JC - Há projetos de ampliação ou modernização previstos?
Navega - Esse é um processo contínuo. Sempre existem estudos para implantação de novos sistemas que aumentem eficiência e capacidade. Hoje não temos gargalos operacionais, mas analisamos constantemente melhorias tecnológicas e de infraestrutura para acompanhar o crescimento da demanda.
JC - Quais rotas tiveram maior crescimento recentemente?
Navega - Principalmente as rotas tronco, como São Paulo e Rio de Janeiro, que tiveram recuperação muito rápida. Mas também observamos crescimento em mercados que antes não eram tão fortes, como Curitiba (PR), Brasília (DF), Minas Gerais e alguns destinos do Nordeste.
JC - Alguma rota específica tem chamado atenção?
Navega - A ligação Porto Alegre–Recife é um exemplo interessante. É uma rota longa dentro do mercado doméstico e em alguns momentos chegou a ser interrompida no passado. Hoje voltou a operar diariamente e com expectativa de expansão.
JC - Quais fatores as companhias aéreas consideram para abrir novas rotas?
Navega - O primeiro é a demanda. Precisa existir volume de passageiros interessados em viajar. Mas também é necessário que o tíquete médio seja competitivo e gere receita para a empresa aérea. Além disso, a disponibilidade de aeronaves é fundamental. Se há aeronave disponível e demanda consistente, a rota pode acontecer.
JC - Existem negociações em andamento para novos destinos?
Navega - Sim, constantemente. Participamos de fóruns internacionais de desenvolvimento de rotas, como o Routes Americas, e conversamos com companhias aéreas que ainda não operam no Rio Grande do Sul. Já voltamos a discutir destinos mais longos, inclusive para Europa ou América do Norte.
JC - Qual é o impacto econômico do aeroporto para o Rio Grande do Sul?
Navega - O aeroporto é uma das principais portas de entrada para negócios e turismo. O Rio Grande do Sul tem um potencial turístico muito grande, com regiões como Serra Gaúcha, os Cânions e as Missões. Além disso, existe um turismo de negócios muito forte, com feiras e eventos.
JC - E para setores como indústria e agronegócio?
Navega - A conectividade aérea é fundamental. O agronegócio gera um fluxo constante de profissionais viajando para feiras e negócios em todo o País. Além disso, o Estado tem uma indústria relevante ligada a equipamentos agrícolas e um movimento importante de importação e exportação pelo terminal de cargas.
JC - Quais investimentos foram realizados recentemente no aeroporto?
Navega - Durante o período em que o aeroporto ficou sem operação plena, aproveitamos para realizar algumas melhorias. Redesenhamos o pátio de aeronaves, substituímos pontes de embarque por equipamentos mais modernos e ampliamos a capacidade para aeronaves maiores em algumas posições.
JC - Existe necessidade de ampliar a pista ou o terminal?
Navega - Hoje não. Tanto o terminal quanto a pista operam com bastante folga de capacidade. O objetivo é manter uma operação fluida, sem filas ou atrasos causados pela infraestrutura.
JC - Como Porto Alegre se posiciona em relação a outros aeroportos do País?
Navega - Temos um perfil muito forte de passageiro de negócios e eventos, que é bastante valorizado pelas companhias aéreas. Além disso, Porto Alegre possui um grande volume de passageiros emissores, ou seja, pessoas que partem da cidade para outros destinos.
JC - O aeroporto ainda recebe muitos passageiros de primeira viagem?
Navega - Sim. Nossas pesquisas mostram que muitas pessoas estão voando pela primeira vez. No Brasil, o número médio de viagens por habitante ainda é inferior a uma por ano. Em mercados maduros, como Europa e Estados Unidos, esse número passa de duas viagens por habitante, o que mostra o grande potencial de crescimento da aviação no País.

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