sexta-feira, 20 de março de 2026

 Guerra não deve afetar abastecimento petroquímico no País

Plantas no Brasil atuam com ociosidade de cerca de 40%

Plantas no Brasil atuam com ociosidade de cerca de 40%

Divulgação Braskem/JC
Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórterDiferentemente dos setores de diesel e gasolina, que geram apreensão quanto às perspectivas de fornecimento no Brasil devido ao conflito bélico no Oriente Médio, o segmento petroquímico não receia no momento problemas para abastecer o mercado nacional. Porém, também nessa área o foco é o monitoramento quanto ao custo do barril do petróleo.
gerente de economia e comércio exterior da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Eder da Silva, confirma que o que tem causado mais instabilidade é o preço do petróleo. “Mas, ainda não tivemos registro de dificuldades de abastecimento”, afirma o dirigente.
Silva reforça que, apesar da pressão no preço do barril do petróleo ser percebida por diversas áreas da economia, esses reflexos são mais sentidos nos segmentos de combustíveis e fertilizantes nitrogenados. Ele recorda que boa parte da nafta petroquímica importada pelo Brasil vem dos Estados Unidos, que está distante do fluxo logístico mais comprometido do Oriente Médio.
De acordo com o integrante da Abiquim, os contratos petroquímicos normalmente são mais estruturados, de médio prazo, com precificação própria e que amortizam parte dos impactos do cenário a curto prazo. Além disso, ele comenta que as plantas petroquímicas atuam hoje no Brasil com uma ociosidade de 40%.
diretor da MaxiQuim Assessoria de Mercado, João Luiz Zuñeda, concorda que a situação da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã está afetando muito mais a questão dos combustíveis do que a petroquímica. Ele detalha que no caso do diesel e da gasolina o Brasil é um importador desses combustíveis. “As refinarias brasileiras, mesmo a gente tendo petróleo, não conseguem produzir o que o País precisa de diesel e gasolina”, explica o consultor.
Zuñeda salienta que, no campo de produtos petroquímicos, o Brasil tem uma produção maior do que o seu consumo. Segundo o consultor, não há como estimar até quando o conflito no Oriente Médio irá durar e impactar o panorama internacional do petróleo. Contudo, ele ressalta que o Brasil está mais preparado para enfrentar a situação atualmente do que estaria há três décadas, justamente porque o País, especialmente a Petrobras, fez investimentos no setor de petróleo nesses últimos anos.

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