Supermercados gaúchos não devem instalar 'farmácias completas' dentro das lojas
Patrícia ComunelloOs supermercados gaúchos não devem ter dentro das lojas farmácias. Apesar da aprovação da instalação dessas operações que ganharam o nome de "farmácias completas" e até da empolgação em outras regiões do País, as redes no Rio Grande do Sul estão sendo bem pragmáticas e também têm mais focos para colocar energias e preocupação.
O pragmatismo é porque ter esse tipo de venda vai elevar custos, mais do que só ter a possibilidade de vender remédios sem prescrição. Precisa ter farmacêutico. Também é preciso ter muito relacionamento com fornecedores (leia-se laboratórios), que as farmácias normais têm e dominam bem. Aliás, o presidente do grupo Passarela, Alexandre Simioni, lembrou no videocast da coluna Minuto Varejo um detalhe: cerca de 10 redes concentram o mercado de varejo farmacêutico no Brasil - no Estado, estão duas gigantes: São João e Panvel.
O outro item que entra na cesta de prioridades é lidar com outros concorrentes dentro do canteiro dos Supers. As plataformas de e-commerce (Mercado Livre, Amazon, Shopee e companhia) vendem cada vez mais produtos que eram território do autosserviço físico. A Amazon anunciou esta semana uma forte cartada com seu Amazon Now, entrando definitivamente na venda de alimentos.
A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) emitiu nota sobre a "farmácia completa" e assinalou que a proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados e agora pode ser sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "não trará mudanças efetivas aos consumidores gaúchos".
"Para a Agas, o PL 2158/23 não equilibrará concorrência entre supermercados e farmácias", diz o comunicado da entidade. "Restrições na área de exposição e exigência de farmacêutico em tempo integral inibirão venda de medicamentos em supermercados", justificou a Agas.
"Entendemos que não temos muitas vantagens. Muitas redes já têm farmácias próprias ou de terceiros na área das lojas (fora do espaço do supermercado). A grande vitória seria podermos vender os Medicamentos sem Prescrição (MIPs) ou que as farmácias voltassem a ser locais exclusivos de venda de itens de saúde e não como é hoje que muitas vendem alimentos e refrigerantes e outros segmentos", reforça o presidente da entidade, Lindonor Peruzzo Junior.
Leomar Rehbein, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Rio Grande do Sul (Sinprofar-RS), avalia que o projeto aprovado "ficou dentro do entendemos ser o correto". Para Rehbein, os supermercados podem ter suas farmácias seguindo o que a lei já prevê para as farmácias, como ter farmacêutico em tempo integral. O dirigente também acredita que a adesão dos supermercadistas "não será muito grande". "O custo para cumprir com toda legislação é alto", associa Rehbein.
Sobre a promessa de ter preços mais em conta de medicamentos, argumento de entidades nacionais e até redes de outras regiões, o presidente do Sinprofar-RS opina que poderia ser viável se tivesse ocorrido a liberação para venda sem as exigências aprovadas. "Com certeza, eles (supermercadistas) têm assuntos mais interessantes e preocupantes, pois, a concorrência dos marketplaces e a questão dos alimentos frescos (no caso da Amazon) também é preocupante", completa o dirigente farmacêutico gaúcho.


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