sexta-feira, 6 de março de 2026

 Supermercados gaúchos não devem instalar 'farmácias completas' dentro das lojas

Câmara aprovou projeto que prevê venda de remédios em supermercados

Câmara aprovou projeto que prevê venda de remédios em supermercados

JOâO MATTOS/ARQUIVO/JC
Patrícia Comunello
Patrícia ComunelloOs supermercados gaúchos não devem ter dentro das lojas farmácias. Apesar da aprovação da instalação dessas operações que ganharam o nome de "farmácias completas" e até da empolgação em outras regiões do País, as redes no Rio Grande do Sul estão sendo bem pragmáticas e também têm mais focos para colocar energias e preocupação.
O pragmatismo é porque ter esse tipo de venda vai elevar custos, mais do que só ter a possibilidade de vender remédios sem prescrição. Precisa ter farmacêutico. Também é preciso ter muito relacionamento com fornecedores (leia-se laboratórios), que as farmácias normais têm e dominam bem. Aliás, o presidente do grupo Passarela, Alexandre Simioni, lembrou no videocast da coluna Minuto Varejo um detalhe: cerca de 10 redes concentram o mercado de varejo farmacêutico no Brasil - no Estado, estão duas gigantes: São João e Panvel.    
O outro item que entra na cesta de prioridades é lidar com outros concorrentes dentro do canteiro dos Supers. As plataformas de e-commerce (Mercado Livre, Amazon, Shopee e companhia) vendem cada vez mais produtos que eram território do autosserviço físico. A Amazon anunciou esta semana uma forte cartada com seu Amazon Now, entrando definitivamente na venda de alimentos. 
A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) emitiu nota sobre a "farmácia completa" e assinalou que a proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados e agora pode ser sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "não trará mudanças efetivas aos consumidores gaúchos". 
"Para a Agas, o PL 2158/23 não equilibrará concorrência entre supermercados e farmácias", diz o comunicado da entidade. "Restrições na área de exposição e exigência de farmacêutico em tempo integral inibirão venda de medicamentos em supermercados", justificou a Agas.
"Entendemos que não temos muitas vantagens. Muitas redes já têm farmácias próprias ou de terceiros na área das lojas (fora do espaço do supermercado). A grande vitória seria podermos vender os Medicamentos sem Prescrição (MIPs) ou que as farmácias voltassem a ser locais exclusivos de venda de itens de saúde e não como é hoje que muitas vendem alimentos e refrigerantes e outros segmentos", reforça o presidente da entidade, Lindonor Peruzzo Junior.
Sobre a promessa de ter preços mais em conta de medicamentos, argumento de entidades nacionais e até redes de outras regiões, o presidente do Sinprofar-RS opina que poderia ser viável se tivesse ocorrido a liberação para venda sem as exigências aprovadas. "Com certeza, eles (supermercadistas) têm assuntos mais interessantes e preocupantes, pois, a concorrência dos marketplaces e a questão dos alimentos frescos (no caso da Amazon) também é preocupante", completa o dirigente farmacêutico gaúcho.

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