sexta-feira, 6 de março de 2026

Indústria do aço brasileira está sob ataque das importações desleais, diz André Gerdau

André Gerdau Johannpeter aponta a necessidade da adoção de medidas contra a ameaça das importações predatórias

André Gerdau Johannpeter aponta a necessidade da adoção de medidas contra a ameaça das importações predatórias

TÂNIA MEINERZ/JC
Cláudio Isaías
Cláudio IsaíasRepórter"Os desafios do setor do aço no Brasil estão relacionados ao aumento das importações. Existe uma demanda doméstica importante, mas a importação cresceu demais, praticamente quase triplicou nos últimos anos e isso tirou uma parte importante do mercado doméstico dos produtores nacionais. O grande desafio tem sido a defesa comercial porque muito desse aço que tem entrado no País é aço que vem da China". A análise é do presidente do Conselho de Administração da Gerdau, André Gerdau Johannpeter. "O aço vem da Ásia a preço abaixo de custo, dumping e práticas desleais. A indústria do aço brasileira está sob ataque das importações desleais", destaca. Nesta quinta-feira (3), Johannpeter participou da primeira reunião-almoço de 2026 da Associação do Aço do Rio Grande do Sul (AARS).
O executivo da Gerdau abordou o tema "Aço Brasil - desafios do setor". De acordo com ele, é difícil concorrer com os chineses porque os subsídios do governo de Pequim possibilitam que as usinas chinesas reduzam seus preços abaixo do custo de produção. Gerdau destaca que o impacto das importações chinesas no Brasil resultou na perda de 5.100 empregos e investimentos de R$ 2,5 bilhões.  
De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Gerdau, a indústria do aço tem tido um bom diálogo com o governo federal, através do Ministério da Indústria e Comércio e com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para adoção de medidas contra a ameaça das importações predatórias, especialmente o aço chinês, que satura o mercado nacional com preços desleais devido ao excesso de capacidade produtiva na Ásia. "É necessário diante desse cenário a adoção urgente de mecanismos de defesa comercial e tarifas protetivas para garantir a sobrevivência dos produtores locais", ressalta. De acordo com Gerdau, as importações diretas atingiram 5,7 milhões de toneladas em 2025, 160% acima da média histórica, tomando 27% das vendas internas. "As importações de aço contido em bens atingiram 6,1 milhões, totalizando 11,8 milhões de toneladas que ingressaram no País em 2025", acrescenta.
Para Gerdau, a sustentabilidade da indústria do aço e da cadeia metalmecânica requer continuidade da aplicação de medidas de defesa comercial mais eficazes e políticas de conteúdo local. "A redução do Custo Brasil é fator essencial para a recuperação da competitividade sistêmica da indústria e a retomada do crescimento econômico do Brasil", ressalta.
Gerdau destaca que a China é o maior produtor e consumidor de aço no mundo, mas o consumo diminuiu no país asiático. "O governo de Pequim para não parar suas máquinas e para não causar desemprego exporta muito aço para o restante do mundo", comenta. 
O presidente em exercício da AARS, Sergio Neumann, disse que o Brasil importou mais aço no ano passado - 64% da China e segue a tendência de crescimento. "Esse movimento ameaça a produção nacional e corremos o risco de redução de investimentos e corte de empregos se nada for feito no curto e médio prazo", acrescenta. Segundo Neumann, a importação do aço está entre as maiores preocupações da indústria brasileira. "O aço chinês entrando no Brasil  com tarifas reduzidas e subsidiado pelo governo de Pequim bate de frente com o produzido no Brasil", lamenta. 
Gerdau no Brasil conta com 24 mil funcionários e 13 plantas industriais no Ceará, em Minas Gerais, no Paraná, em Pernambuco, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. São 73 filiais de distribuição de aço, 11 centros de reciclagem, oito hubs e quatro Centros de Serviço. A empresa atua nos  mercados da construção (civil, metálica, fundações e contenções), indústria (energia, agricultura) e distribuição. No Rio Grande do Sul, são 3.900 funcionários e duas plantas de produção de aço (Charqueadas e Sapucaia do Sul). A empresa possui uma unidade de corte e dobra e seis unidades da Comercial Gerdau. A Gerdau é líder na reciclagem de sucata ferrosa no Rio Grande do Sul.

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