Indústria do aço brasileira está sob ataque das importações desleais, diz André Gerdau
Cláudio IsaíasRepórter"Os desafios do setor do aço no Brasil estão relacionados ao aumento das importações. Existe uma demanda doméstica importante, mas a importação cresceu demais, praticamente quase triplicou nos últimos anos e isso tirou uma parte importante do mercado doméstico dos produtores nacionais. O grande desafio tem sido a defesa comercial porque muito desse aço que tem entrado no País é aço que vem da China". A análise é do presidente do Conselho de Administração da Gerdau, André Gerdau Johannpeter. "O aço vem da Ásia a preço abaixo de custo, dumping e práticas desleais. A indústria do aço brasileira está sob ataque das importações desleais", destaca. Nesta quinta-feira (3), Johannpeter participou da primeira reunião-almoço de 2026 da Associação do Aço do Rio Grande do Sul (AARS).
O executivo da Gerdau abordou o tema "Aço Brasil - desafios do setor". De acordo com ele, é difícil concorrer com os chineses porque os subsídios do governo de Pequim possibilitam que as usinas chinesas reduzam seus preços abaixo do custo de produção. Gerdau destaca que o impacto das importações chinesas no Brasil resultou na perda de 5.100 empregos e investimentos de R$ 2,5 bilhões.
- LEIA MAIS: Conflito no Oriente Médio aumenta risco de alta no preço da gasolina no RS, aponta especialista
De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Gerdau, a indústria do aço tem tido um bom diálogo com o governo federal, através do Ministério da Indústria e Comércio e com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para adoção de medidas contra a ameaça das importações predatórias, especialmente o aço chinês, que satura o mercado nacional com preços desleais devido ao excesso de capacidade produtiva na Ásia. "É necessário diante desse cenário a adoção urgente de mecanismos de defesa comercial e tarifas protetivas para garantir a sobrevivência dos produtores locais", ressalta. De acordo com Gerdau, as importações diretas atingiram 5,7 milhões de toneladas em 2025, 160% acima da média histórica, tomando 27% das vendas internas. "As importações de aço contido em bens atingiram 6,1 milhões, totalizando 11,8 milhões de toneladas que ingressaram no País em 2025", acrescenta.
Para Gerdau, a sustentabilidade da indústria do aço e da cadeia metalmecânica requer continuidade da aplicação de medidas de defesa comercial mais eficazes e políticas de conteúdo local. "A redução do Custo Brasil é fator essencial para a recuperação da competitividade sistêmica da indústria e a retomada do crescimento econômico do Brasil", ressalta.
Gerdau destaca que a China é o maior produtor e consumidor de aço no mundo, mas o consumo diminuiu no país asiático. "O governo de Pequim para não parar suas máquinas e para não causar desemprego exporta muito aço para o restante do mundo", comenta.
O presidente em exercício da AARS, Sergio Neumann, disse que o Brasil importou mais aço no ano passado - 64% da China e segue a tendência de crescimento. "Esse movimento ameaça a produção nacional e corremos o risco de redução de investimentos e corte de empregos se nada for feito no curto e médio prazo", acrescenta. Segundo Neumann, a importação do aço está entre as maiores preocupações da indústria brasileira. "O aço chinês entrando no Brasil com tarifas reduzidas e subsidiado pelo governo de Pequim bate de frente com o produzido no Brasil", lamenta.
A Gerdau no Brasil conta com 24 mil funcionários e 13 plantas industriais no Ceará, em Minas Gerais, no Paraná, em Pernambuco, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. São 73 filiais de distribuição de aço, 11 centros de reciclagem, oito hubs e quatro Centros de Serviço. A empresa atua nos mercados da construção (civil, metálica, fundações e contenções), indústria (energia, agricultura) e distribuição. No Rio Grande do Sul, são 3.900 funcionários e duas plantas de produção de aço (Charqueadas e Sapucaia do Sul). A empresa possui uma unidade de corte e dobra e seis unidades da Comercial Gerdau. A Gerdau é líder na reciclagem de sucata ferrosa no Rio Grande do Sul.


Nenhum comentário:
Postar um comentário