Conectividade aérea limitada desafia aeroporto de Uruguaiana
Gabrieli SilvaRepórterCom uma única rota comercial regular e menos de 20 mil passageiros por ano, o Aeroporto Internacional Rubem Berta, em Uruguaiana, mantém operação limitada na malha aérea regional. Em 2025, o terminal registrou 18.974 passageiros, segundo dados da concessionária Motiva Infraestrutura de Mobilidade (antiga CCR), responsável pela administração do aeroporto.
O volume representa redução em relação a 2024, quando 27.342 passageiros utilizaram o terminal. O movimento naquele período ocorreu em um contexto de alterações na operação da aviação no Rio Grande do Sul após as enchentes que afetaram o Estado e interromperam temporariamente as atividades do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre.
Com a normalização das operações em Porto Alegre, o fluxo voltou a níveis mais próximos do padrão histórico do aeroporto da Fronteira Oeste.
Atualmente, a Azul Linhas Aéreas é a única companhia com operação regular no terminal. Os voos ligam Uruguaiana a Porto Alegre às segundas, quartas, sextas e sábados. A aeronave chega à cidade às 15h45min e decola às 16h15min com destino à capital. O aeroporto opera diariamente das 7h às 19h.
Segundo o prefeito de Uruguaiana, Carlos Delgado, a oferta atual de voos é considerada inferior à demanda observada na região. "A demanda por mais voos e horários existe. Em alguns períodos, as passagens se esgotam rapidamente", afirma.
A economia do município está associada principalmente ao comércio exterior, ao transporte rodoviário internacional e ao agronegócio. Uruguaiana é um dos principais polos brasileiros de produção de arroz irrigado e concentra intenso fluxo de cargas no eixo Brasil–Argentina.
Nesse contexto, o transporte aéreo funciona como alternativa para deslocamentos corporativos, participação em eventos e atividades institucionais, especialmente pela distância de cerca de nove horas por via terrestre até Porto Alegre.
De acordo com o prefeito, o município mantém diálogo com companhias aéreas sobre a ampliação da malha regional. As empresas, segundo ele, apontam restrições relacionadas à disponibilidade de aeronaves e às características operacionais do aeroporto.
Hoje, as operações comerciais utilizam principalmente aeronaves do modelo ATR, comuns em rotas regionais. A operação de aeronaves de maior porte dependeria de adaptações na infraestrutura da pista.
Entre os destinos considerados prioritários pelo município para eventual ampliação da conectividade estão São Paulo e Buenos Aires. "Já tivemos ligação direta com São Paulo no passado. Essa rota é considerada prioritária pela importância econômica da cidade", diz Delgado.
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A prefeitura também menciona a possibilidade de retomada de voos internacionais. Uruguaiana está localizada na fronteira com a Argentina e recebe fluxo significativo de visitantes estrangeiros por via terrestre.
Além do transporte de passageiros, o município avalia a possibilidade de desenvolver operações de carga aérea. Segundo a prefeitura, empresas do setor logístico já manifestaram interesse em utilizar o terminal para esse tipo de operação, caso haja ampliação da infraestrutura necessária.
O Aeroporto Internacional Rubem Berta integra o bloco de concessões federais administrado pela Motiva Infraestrutura de Mobilidade desde 2022. De acordo com a prefeitura, a concessionária realizou melhorias recentes na infraestrutura do terminal, incluindo intervenções na pista e modernização do prédio aeroportuário.
A administradora também anunciou a venda de sua plataforma aeroportuária ao grupo mexicano Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR), em operação avaliada em R$ 11,5 bilhões. A transação envolve a transferência de 100% da participação da empresa nos aeroportos administrados pela companhia.
A conclusão do negócio depende da aprovação de órgãos reguladores, incluindo a Agência Nacional de Aviação Civil e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Até lá, a gestão permanece sob responsabilidade da Motiva, mantendo as obrigações previstas nos contratos de concessão.
O governo federal também anunciou investimentos de R$ 389 milhões em infraestrutura aeroportuária no Rio Grande do Sul. Segundo o ministério, aeroportos localizados em regiões de fronteira, como Uruguaiana, são considerados estratégicos na política de aviação regional voltada à integração territorial e à ampliação da conectividade em áreas distantes dos grandes centros.


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