sábado, 14 de março de 2026

 Setor de transportes do RS alerta para impacto do aumento do diesel

Aumento tem gerado preocupação em alguns setores da economia gaúcha

Aumento tem gerado preocupação em alguns setores da economia gaúcha

Dani Barcellos/ Especial/JC
Jamil Aiquel
Jamil AiquelRepórterNo próximo sábado, dia 14, a Petrobras vai aumentar o preço do diesel vendido às distribuidoras. O reajuste ocorre pela primeira vez desde maio de 2025, e é motivado pela guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do barril de petróleo de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100. Como o petróleo é a matéria-prima base para a produção de combustíveis, essa instabilidade internacional encareceu o produto, levando a Petrobras a aumentar o preço do diesel vendido às distribuidoras no Brasil. 
O resultado desse aumento tem gerado preocupação em alguns setores da economia gaúcha. Esse é o caso do setor do transporte rodoviário de cargas, que, segundo Francisco Cardoso, presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul), será diretamente impactado com a alta do diesel. 
“Impacta diretamente toda a estrutura de custos do transporte rodoviário de cargas, porque o combustível é o principal insumo da atividade. No Brasil, ele representa em média 40% a 45% do custo operacional de um caminhão. Quando o diesel sobe, o custo por quilômetro rodado aumenta imediatamente. Como o combustível é consumido diariamente, o impacto é praticamente automático nas planilhas das transportadoras”, explica Cardoso. 
Segundo o presidente da entidade, esse aumento deve gerar impactos imediatos para os transportadores. Na prática, a alta encarece automaticamente o custo por quilômetro rodado e sufoca as margens de lucro das empresas, tornando inevitável o reajuste nas tarifas de frete para reequilibrar as operações. Assim, essa imprevisibilidade eleva a pressão sobre os custos logísticos em toda a cadeia produtiva, exigindo negociações constantes entre as transportadoras e seus clientes para tentar mitigar os impactos finais na economia.
Buscando aliviar os efeitos do aumento do diesel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um pacote de medidas que inclui um decreto zerando as alíquotas de PIS/Cofins sobre o combustível, além de uma medida provisória que destina uma subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores. 
O governo também instituiu a tributação sobre a exportação de petróleo para priorizar o abastecimento e o refino interno, além de determinar que os postos de combustíveis adotem sinalização clara para informar o consumidor sobre a redução dos tributos e o impacto do desconto nas bombas. 
Para Cardoso, as medidas anunciadas pelo governo federal são importantes para aliviar a pressão sobre os custos do setor. No entanto, a entidade alerta que essas ações não são suficientes para neutralizar por completo o impacto. 
“O aumento anunciado pela Petrobras mostra que o mercado ainda está sob forte volatilidade, influenciado principalmente pela cotação internacional do petróleo e pelo câmbio. Isso significa que as medidas ajudam, mas não são suficientes para neutralizar completamente os aumentos recentes que vêm ocorrendo. Vamos seguir acompanhando o cenário com atenção e dialogando com nossos clientes, buscando preservar o equilíbrio econômico das operações”, destaca. 

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