Setor de transportes do RS alerta para impacto do aumento do diesel
Jamil AiquelRepórterNo próximo sábado, dia 14, a Petrobras vai aumentar o preço do diesel vendido às distribuidoras. O reajuste ocorre pela primeira vez desde maio de 2025, e é motivado pela guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do barril de petróleo de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100. Como o petróleo é a matéria-prima base para a produção de combustíveis, essa instabilidade internacional encareceu o produto, levando a Petrobras a aumentar o preço do diesel vendido às distribuidoras no Brasil.
O resultado desse aumento tem gerado preocupação em alguns setores da economia gaúcha. Esse é o caso do setor do transporte rodoviário de cargas, que, segundo Francisco Cardoso, presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul), será diretamente impactado com a alta do diesel.
“Impacta diretamente toda a estrutura de custos do transporte rodoviário de cargas, porque o combustível é o principal insumo da atividade. No Brasil, ele representa em média 40% a 45% do custo operacional de um caminhão. Quando o diesel sobe, o custo por quilômetro rodado aumenta imediatamente. Como o combustível é consumido diariamente, o impacto é praticamente automático nas planilhas das transportadoras”, explica Cardoso.
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Segundo o presidente da entidade, esse aumento deve gerar impactos imediatos para os transportadores. Na prática, a alta encarece automaticamente o custo por quilômetro rodado e sufoca as margens de lucro das empresas, tornando inevitável o reajuste nas tarifas de frete para reequilibrar as operações. Assim, essa imprevisibilidade eleva a pressão sobre os custos logísticos em toda a cadeia produtiva, exigindo negociações constantes entre as transportadoras e seus clientes para tentar mitigar os impactos finais na economia.
Buscando aliviar os efeitos do aumento do diesel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um pacote de medidas que inclui um decreto zerando as alíquotas de PIS/Cofins sobre o combustível, além de uma medida provisória que destina uma subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores.
O governo também instituiu a tributação sobre a exportação de petróleo para priorizar o abastecimento e o refino interno, além de determinar que os postos de combustíveis adotem sinalização clara para informar o consumidor sobre a redução dos tributos e o impacto do desconto nas bombas.
Para Cardoso, as medidas anunciadas pelo governo federal são importantes para aliviar a pressão sobre os custos do setor. No entanto, a entidade alerta que essas ações não são suficientes para neutralizar por completo o impacto.
“O aumento anunciado pela Petrobras mostra que o mercado ainda está sob forte volatilidade, influenciado principalmente pela cotação internacional do petróleo e pelo câmbio. Isso significa que as medidas ajudam, mas não são suficientes para neutralizar completamente os aumentos recentes que vêm ocorrendo. Vamos seguir acompanhando o cenário com atenção e dialogando com nossos clientes, buscando preservar o equilíbrio econômico das operações”, destaca.


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