Entardecer de Segunda-Feira
Há um antigo modo de medir as inquietações
humanas: o grau de neurose que
carregamos. Alguns vivem inteiros dentro do mundo das distrações. Outros,
porém, parecem estar sempre com um pé lá e
outro cá - um no cotidiano e outro no território das perguntas.
O mundo lá fora segue
ruidoso. Há quem, neste exato momento, esteja em um bar, rindo alto,
esquecendo-se das perguntas difíceis. E talvez isso não seja errado. Cada um
encontra sua forma de atravessar os dias. Mas há aqueles que não conseguem
ignorar certas inquietações.
Sentem que há algo
desalinhado - dentro de si e no mundo. Sentem a angústia de uma era acelerada,
confusa, quase caótica. Não é masoquismo olhar para isso. É consciência das limitações. E
curiosamente, é justamente essa consciência que abre uma possibilidade rara: a
chance de mudar.
Quem não percebe
suas próprias limitações vive como uma árvore que só cuida das folhas. Pode até
aparar um galho aqui ou ali, mas a estrutura permanece a mesma. Nós, porém,
quando nos dispomos a olhar mais fundo, percebemos que a transformação real não
acontece nas folhas. Ela acontece na raiz
e no tronco.
É ali que mora a
verdadeira mudança. Mais difícil, mais lenta - mas também mais verdadeira. Talvez
seja por isso que estamos aqui, conversando sobre coisas aparentemente
imprecisas. Porque, no fundo, sabemos que a vida não se transforma na superfície. Ela se
transforma quando temos coragem de mexer no que sustenta tudo.

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