segunda-feira, 9 de março de 2026

 


Entardecer de Segunda-Feira

Há um antigo modo de medir as inquietações humanas: o grau de neurose que carregamos. Alguns vivem inteiros dentro do mundo das distrações. Outros, porém, parecem estar sempre com um pé lá e outro cá - um no cotidiano e outro no território das perguntas.

O mundo lá fora segue ruidoso. Há quem, neste exato momento, esteja em um bar, rindo alto, esquecendo-se das perguntas difíceis. E talvez isso não seja errado. Cada um encontra sua forma de atravessar os dias. Mas há aqueles que não conseguem ignorar certas inquietações.

Sentem que há algo desalinhado - dentro de si e no mundo. Sentem a angústia de uma era acelerada, confusa, quase caótica. Não é masoquismo olhar para isso. É consciência das limitações. E curiosamente, é justamente essa consciência que abre uma possibilidade rara: a chance de mudar.

Quem não percebe suas próprias limitações vive como uma árvore que só cuida das folhas. Pode até aparar um galho aqui ou ali, mas a estrutura permanece a mesma. Nós, porém, quando nos dispomos a olhar mais fundo, percebemos que a transformação real não acontece nas folhas. Ela acontece na raiz e no tronco.

É ali que mora a verdadeira mudança. Mais difícil, mais lenta - mas também mais verdadeira. Talvez seja por isso que estamos aqui, conversando sobre coisas aparentemente imprecisas. Porque, no fundo, sabemos que a vida não se transforma na superfície. Ela se transforma quando temos coragem de mexer no que sustenta tudo.


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