sábado, 10 de agosto de 2024



09/08/2024 - 17h03min
PORTAL EDICASE

Veja o que acontece no cérebro na vitória e na derrota

Na reta final das Olimpíadas em Paris, diversos atletas tiveram a possibilidade de experimentar as sensações proporcionadas tanto pela vitória quanto pela derrota após as competições. O cérebro, por sua vez, reage de maneira diferente em cada uma dessas experiências.

Na vitória, conforme o Dr. Fernando Gomes, neurocientista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o órgão libera uma série de substâncias químicas, principalmente dopamina, que é frequentemente associada ao prazer e à recompensa.

“Essa liberação de dopamina cria uma sensação de euforia e satisfação, que incentiva a repetir comportamentos que levam ao sucesso. É como se o cérebro nos recompensasse com um prêmio interno por termos alcançado um objetivo”, explica.

Cérebro na derrota

Por outro lado, uma derrota provoca uma resposta diferente. O cérebro ainda libera dopamina, mas em níveis muito menores. Em vez disso, outras áreas do órgão, como a amígdala, que está associada às emoções e ao processamento do medo, tornam-se mais ativas. Isso pode levar a sentimento de frustração, tristeza ou, até mesmo, raiva.

“Essas emoções negativas não são apenas reações automáticas, já que elas têm um propósito evolutivo, porque provocam uma reflexão sobre os possíveis erros e incentivam na elaboração de estratégias que possam aumentar as chances de sucesso no futuro”, diz o médico.

Mentalidade e resiliência após derrota

Estudos de neurociência mostram que a maneira como a mente interpreta uma derrota pode influenciar a resposta do cérebro. “Pessoas que veem a derrota como uma oportunidade de aprendizado tendem a se recuperar mais rapidamente e a serem mais resilientes. Isso sugere que a mentalidade desempenha um papel crucial na forma como o cérebro processa falhas e sucessos”, explica o Dr. Fernando Gomes.

Ainda segundo o médico, a dinâmica entre vitória e derrota é fundamental para o crescimento pessoal, pois o cérebro, com sua capacidade de adaptação e aprendizagem, usa essas experiências para moldar o comportamento e redefinir a rota em direção aos objetivos. “Em última análise, tanto as vitórias quanto as derrotas são essenciais para o desenvolvimento humano, pois nos empurram a buscar constantemente o aprimoramento e a superação”, finaliza.

Por Mayra Barreto Cinel



09/08/2024 - 10h35min
Gilmar Fraga / Agencia RBS

Nada mais tem valor se não for documentado e exposto para centenas 

Ainda não me convenci de que existo mais dentro do celular do que aqui fora, onde espirro, tropeço, bocejo e digito.

Era 2009 e eu estava em Marrakech pela primeira vez, encantada com os tecidos, os tapetes e as especiarias do souk, o mercado a céu aberto da cidade. Em meio ao agito de vendedores e turistas, pedi a uma amiga que tirasse uma foto minha. 

Primeiro erro: não pedi licença para as senhoras que estavam posicionadas logo atrás de mim, expondo seu artesanato. Segundo erro: eu deveria saber que algumas religiões e culturas consideram que a fotografia rouba a alma das pessoas. Só me dei conta quando vi a foto depois: todas as figurantes involuntárias haviam tapado seus rostos com as mãos, a única arreganhada era eu.  

Houve um tempo em que celebridades também tapavam o rosto diante dos paparazzi, a fim de esconder as olheiras depois de uma noite forte ou o flagrante ao sair da boate às seis da manhã com o marido de alguém.  

Mario Quintana, idem, antipatizava com fotógrafos: não tinha interesse em ser eternizado e os enxotava. Até que, na véspera de seus 80 anos, uma fotógrafa de 23, de forma premeditada, se hospedou no mesmo hotel em que Quintana morava, em Porto Alegre. Encasquetou que o faria mudar de ideia e que conseguiria retratá-lo. 

Duelaram alguns dias. Por fim, ela saiu mais vitoriosa do que pretendia: tornou-se uma de suas melhores amigas. Essa aproximação entre eles virou um texto para teatro que foi publicado em livro, chama-se Minha Sombra Luminosa, do ótimo Tomás Fleck. Quintana teria completado, no último 30 de julho, 118 anos de idade, e devemos a Liane Neves as imagens que trazemos dele até hoje. 

Quem gosta de ser fotografado, está à vontade neste novo mundo. Já quem não gosta, paciência, é obrigado a se render: nada mais tem valor se não for documentado e exposto para centenas, milhares. Há quem fotografe a fatia de bolo que segura entre os dedos, há quem clique seus lençóis amarfanhados e escreva “aftersex” na legenda, para anunciar que transou. Até aí, por mais bizarro que pareça, é da vontade de cada um. 

O problema é quando você não quer aparecer numa foto abraçado a torcedores exaltados, não quer ser fotografado dançando solto na pista, tem motivo nenhum para sorrir para uma selfie forçada. Fazer o quê? Nada. É como envelhecer: a alternativa seria ter morrido antes. 

Virou prova de vida, do bebê recém-saído do útero ao moribundo antes de receber a extrema-unção: fotos para o Face, para o Instagram e para todos os porta-retratos digitais que a população vê e compartilha. Entrei nessa, claro, preciso manter meu público cativo, mas ainda não me convenci de que existo mais dentro do celular do que aqui fora, onde espirro, tropeço, bocejo e digito. Ainda preservo algumas camadas espectrais. Creio que apenas 30% da minha alma esteja em mãos alheias. 

Martha Medeiros



09/08/2024 - 08h49min
Atualizada em 09/08/2024 - 08h52min - LETÍCIA PALUDO

"Quero inspirar as pessoas a serem a sua melhor versão", diz a Miss Grand Brasil Talita Hartmann

Modelo gaúcha de 27 anos superou outras 26 candidatas na etapa nacional realizada em São Paulo. Agora ela inicia a preparação para o concurso internacional, que ocorre em outubro

Talita Hartmann foi eleita a Miss Grand Brasil na noite de quinta-feira.

Modelo de 27 anos é natural de São Vicente do Sul, no interior gaúcho. Talita agora irá se preparar para representar o Brasil no concurso internacional, em outubro. A gaúcha superou outras 26 candidatas na etapa nacional. Segunda colocada também é gaúcha. Loraine Silveira representou o Mato Grosso do Sul.

Natural de São Vicente do Sul, a gaúcha Talita Hartmann foi eleita a Miss Grand Brasil 2024 na noite de quinta-feira (8). Após a conquista, ela comentou o resultado em entrevista a Donna:

— Eu tenho certeza de que foi a minha essência, a minha personalidade e a minha autenticidade que me trouxeram até aqui. 

A modelo de 27 anos superou outras 26 candidatas brasileiras na final do concurso, realizado na casa de shows Tokio Marine Hall, em São Paulo.

— Eu quero construir um legado positivo, alegre e que influencie as pessoas para o bem, para serem fortes, guerreiras, para nunca desistirem de seus sonhos. Por mais que a vida nos leve para momentos e situações em que a gente deixe de acreditar, Deus está ali — afirmou Talita.

A mais nova Miss Grand Brasil projetou o que espera alcançar com o seu reinado:

— O legado que eu quero construir é de muito amor, de inspirar pessoas a serem a sua melhor versão, a se cobrarem a serem cada vez melhor, pessoas que inspiram e motivam, que sejam luz, que sejam amor. Eu aprendi que a elegância é na humildade e quero mostrar a minha verdadeira essência para o mundo.

A jovem de 1m88cm viveu a infância no Interior até ser descoberta e iniciar a carreira de modelo, aos 14 anos. Na seletiva nacional, ela enfrentou outra gaúcha, Loraine Silveira, que representou o Mato Grosso do Sul.

O próximo passo é a disputa do Miss Grand International, que será realizado em 25 de outubro na Tailândia e no Camboja.



Carta para não voltar a um relacionamento dependente. Se você passou por uma relação dependente, certamente já ouviu esta frase: "só eu para aguentar você". A princípio, a sentença se assemelha a uma jura romântica, a um elogio da tolerância, mas seu sentido é o inverso: baseia-se no ato de diminuir o outro, tirando-lhe valor, mérito e poder de decisão.

Com "só eu para aguentar você", o interlocutor faz questão de destacar que você é de temperamento complicado, difícil de amar. Faz questão de apequenar você, controlar os seus horários, manipular os seus silêncios, domesticar as suas intenções.

Faz questão de apontar que nada do que você realiza é correto, nada do que diz é apropriado, nada do que sonha é viável, nada do que deseja é justo. Faz questão de mostrar que ninguém mais iria querer estar com você. O envolvimento até parece uma caridade.

O que você festeja como intimidade ("o quanto ele me entende!") é dominação. Seu par começa a falar por você, antes de você, como se soubesse o que é melhor para você mais do que você mesmo. Cria uma simbiose, coagindo-o a pedir aprovação para qualquer gesto, licença para qualquer saída.

É uma hipnose disfarçada de telepatia, uma infantilização camuflada de proteção.

Ele transmite a imagem pública de que ninguém conhece tanto você - e se habilita como seu tradutor, seu facilitador, sua ponte com o mundo. Mas tudo isso, em vez da magia da cumplicidade, tem o objetivo perverso e particular de podar a sua existência, de fiscalizar as suas afeições, de amputar os seus espaços, de debilitar a sua iniciativa.

Sem perceber, você não comandará mais a própria vida, numa convivência de natureza coercitiva. Ele escolherá seus novos amigos, selecionará aqueles com quem precisa manter contato na sua família, com quem é adequado conversar entre seus colegas do trabalho, com quem é pertinente estreitar os laços. Nunca a sua lista e a dele coincidem. Ele sente medo do seu passado, dos seus conselheiros, dos bastiões de sua coragem.

Talvez você tenha apagado o tormento que foi o seu casamento. Por isso, pense bem antes de ter uma recaída. Jamais deve voltar a um lugar de onde se esforçou para sair. Caso ceda a uma reaproximação, será cada vez mais complexa a fuga. Terá que mudar as desculpas, as justificativas. Amargará o dobro de vigilância, de desconfiança.

Você dá uma outra chance para a relação não porque acredita que a pessoa vai mudar, mas pela expectativa de que ela vai se compadecer de todo o seu sofrimento anterior, de todo o seu sacrifício, de toda a sua renúncia.

Só que ela é insensível para se emocionar com qualquer apelo. Você é tratado como um troféu. Troféu não tem alma. Apenas será exposto na estante. Não poderá se mexer.

Quer se livrar definitivamente de um ex? 

Então, faça um exercício, você que somente se lembra das coisas boas e se esquece das ruins, você que está acostumado a perdoar e seguir adiante. Anote tudo de péssimo que aconteceu no relacionamento. Abra o caderno toda manhã, para ter sempre em mente os motivos para o término do romance.

Não seja pego por uma falsa saudade. Não seja raptado pela carência. Não seja subjugado pela esperança. O tempo longe é venenoso. Com a distância, é comum achar que aquilo que foi ruim não era tão ruim assim. Não seja pego por uma falsa saudade. Não seja raptado pela carência. Não seja subjugado pela esperança

CARPINEJAR 


10 DE AGOSTO DE 2024
COM A PALAVRA - Fran Winandy

COM A PALAVRA

Ativista no combate ao etarismo e psicóloga com MBA em Recursos Humanos e mestrado em Administração

"Quem ainda não enfrentou esse preconceito pode vir a enfrentar no futuro". Fran Winandy é uma das principais referências no Brasil quando se trata de diversidade etária. Ela foi a primeira a escrever um livro sobre a discriminação de idade. A obra Etarismo: um novo nome para um velho preconceito foi lançada em 2021 e relançada ano passado.

Como surgiu a ideia desses livros sobre etarismo e que contribuições as obras trazem?

Há muitos textos acadêmicos e científicos sobre esse tema, que têm uma linguagem que nem todo mundo consegue acessar. Eu quis escrever de uma forma mais simples, para que todos possam compreender e participar da luta contra o preconceito etário. E para mostrar que o etarismo não é só um preconceito voltado para pessoas mais velhas. Até então, tínhamos muitos textos sobre o preconceito contra idosos, mas nos meus estudos constatei que se trata de preconceito etário, independentemente da idade. 

Também quis abordar as intersecções do etarismo com outros pilares da diversidade, como questões de gênero, raça e da população LGBT+. Queria algo que conseguisse atingir as pessoas, para que se sintam desconfortáveis de não participarem desse movimento. Todo mundo pode contribuir de alguma forma, e quem ainda não enfrentou esse preconceito pode vir a enfrentar no futuro.

? Esse assunto ganhou muita repercussão nos últimos anos. Você acredita que esse movimento contra o etarismo vem ganhando força?

Fico em dúvida sobre isso. Quando saio da minha bolha, percebo que muitas pessoas não entendem o meu trabalho, ou nem mesmo sabem o que é preconceito etário. Isso é muito comum. Sempre digo que a velhice é um alvo em movimento. Conforme vou me aproximando do alvo, ele vai indo para a frente e ficando mais distante. 

Então, a gente nunca chega lá, porque a gente não quer chegar. A gente acha que envelhecer é algo ruim. Normalmente, um velho não se acha velho. Assim, do mesmo jeito que não falo da morte, não falo da velhice. É um tema que as pessoas evitam. E isso é estranho, porque a gente deveria se preparar para a velhice, assim como a gente se prepara para uma viagem, por exemplo. A velhice é uma etapa importante da vida.

? Com o processo de envelhecimento da população, você acredita que as pessoas vão passar a ter outro olhar para as gerações mais velhas?

Olhando para a nossa pirâmide etária, percebe-se que nós vamos ficar muito mais tempo velhos. Vamos passar mais tempo velhos do que jovens. E o preconceito etário só vai aumentando. A Organização Mundial da Saúde aponta que os idosos são os que mais sofrem com a discriminação etária. Porque nós ainda temos uma sociedade muito jovem-cêntrica. Existe uma associação da beleza com a juventude, e o medo de envelhecer. 

Os filtros nas redes sociais mostram isso. Todo mundo acha que vai ser eternamente jovem. As pessoas só começam a se preocupar com a questão etária quando elas entram nessa faixa cinzenta, de estar chegando na velhice. Por exemplo, aos 40 anos, você começa a se sentir excluído do mercado de trabalho, começa a perceber que as pessoas não querem te contratar por conta da idade. Isso começa a te incomodar e você começa a prestar atenção no envelhecimento.

? Qual é o impacto dessa discriminação no mercado de trabalho?

Existe uma dificuldade muito grande de trazer pessoas acima de 50 anos para dentro das empresas. O percentual é muito baixo. Acima dos 60, então, não chega a 1%. E essas pessoas recebem salários baixos, as coisas ainda estão andando bem devagar. Ao mesmo tempo em que existe essa luta para abrir mais espaço para pessoas acima de 50 anos nas empresas, entendo também que temos outra briga, que é entender que não necessariamente essas pessoas terão acesso a emprego, e sim a trabalho. A trabalhos mais flexíveis, como prestação de serviços, talent as a service, esse tipo de coisa. 

Porque as empresas ainda não estão com abertura para contratar pessoas acima de 50 anos. Só que se nós estamos envelhecendo e tendo menos filhos, então, temos menos pessoas no mercado. Hoje, ainda não é uma necessidade do mercado de trabalho trazer pessoas acima de 50 anos, mas amanhã será. E se eu, como recursos humanos, não preparo as minhas lideranças para isso, como é que vou resolver isso depois? Nos países desenvolvidos já existe esse problema da falta de mão de obra. E no Brasil não vai ser diferente.

? Como as organizações devem agir para combater essa discriminação?

Normalmente, as empresas querem ficar no raso. Elas querem uma palestra sobre etarismo na semana da diversidade, ponto. E aí você não avança, não aprofunda. As empresas têm de ser intencionais em tudo. Tem de ser feito um balanço etário, tenho que olhar como está a minha pirâmide dentro da organização, buscar pessoas para completar esse mapa dentro da empresa. Por exemplo, se só tenho pessoas abaixo de 50 anos dentro da empresa, ou tenho um percentual muito pequeno de pessoas acima de 50 anos, vamos mudar isso. No mínimo, vamos refletir o que a gente tem na nossa sociedade e o que temos dentro da organização.

? Se o etarismo não é só contra pessoas idosas, quais são os impactos para as demais faixas etárias?

As pessoas mais jovens sentem questões relacionadas à falta de credibilidade, dificuldade quando vão encarar um cliente, por exemplo. Ou quando você vai num médico, por exemplo, você leva seu bebê num pediatra e você acha que esse pediatra é muito jovem, não leva a sério. Comecei a ouvir relatos de pessoas trazendo esses preconceitos em relação a outras fases da vida. A pressão na mulher para que ela engravide, por exemplo. 

Nas empresas, vejo muito as pessoas mais velhas falando que a juventude não tem comprometimento, que não gostam de trazer a geração Z para o time porque as pessoas mais jovens perdem a paciência e saem da empresa, não querem fazer um trabalho profundo, não aguentam ouvir críticas, são cheias de "mimimi". Isso é etarismo, se eu digo que não vou contratar uma pessoa mais jovem no meu time porque ela não se compromete, porque é superficial. São estereótipos que os mais velhos atribuem aos mais jovens. Assim como os mais jovens dizem que os idosos são muito teimosos, ou que não conseguem aprender nada de novo.


10 DE AGOSTO DE 2024
MARCELO RECH

Nada de novo no falatório

Pela largada do comboio eleitoral de Porto Alegre, as campanhas vão se conduzir pelo retrovisor e, quando muito, olhar 10 metros à frente.

A ausência de uma visão estratégica para as metrópoles brasileiras não é deficiência exclusiva da Capital, mas aqui ela se agrava. Depois da catástrofe de maio, o que era um problema se tornou um dilema existencial para Porto Alegre, que, mais do que nunca, precisa de uma perspectiva de longo prazo sobre em que cidade viveremos daqui a 10, 20 ou 30 anos.

O debate da Rádio Gaúcha, na terça-feira passada, foi um aperitivo: menções óbvias à necessidade de recuperação, manutenção e aprimoramento da infraestrutura e dos serviços. É pouco, muito pouco, diante do que há pela pela frente. Não bastasse a tragédia das enchentes, o mundo do emprego começa a passar por uma revolução que vai criar algumas cidades vencedoras e produzir uma legião de metrópoles deserdadas.

Coincidentemente, Porto Alegre recebeu no dia seguinte ao debate o aclamado economista Nouriel Roubini para uma palestra no Fronteiras do Pensamento. O primeiro economista a vislumbrar a debacle de 2008 lançou o livro Mega-Ameaças, no qual enumera 10 potenciais causas de desastre econômico e social, que, por outro lado, podem virar oportunidades se absorvidas por estratégias eficazes de antecipação a crises.

Uma delas, e uma das mais avassaladoras, é a inteligência artificial, que vai pulverizar milhões de empregos nos próximos anos - e criar outros tantos. O que os candidatos a liderar a cidade planejam para que a próxima geração possa não só assegurar sua renda mas também prosperar? Quais são os diferenciais competitivos que precisam ser identificados e explorados para que Porto Alegre não seja levada de roldão? Como induzi-los?

Há muitas outras questões-chave a serem elucidadas por quem pretenda de fato liderar a cidade, na acepção mais profunda de líder. Vai aqui uma pista: Porto Alegre conta com uma excelente rede de universidades e de hospitais que ainda não se conectam com uma estratégia de gestão de futuro municipal, mas que podem ser molas-mestras do desenvolvimento, juntamente com o esporte e a cultura, outras duas vocações que dão certo por aqui.

Amarrar as pontas, como busca fazer o Pacto Alegre, e fazê-las trabalhar em prol da renda e da qualidade de vida dos cidadãos pode não ser tão emocionante para um candidato quanto prometer - sem detalhar como - transporte, saúde e educação de primeiro mundo. Mas todas essas promessas serão quimeras se não houver uma estratégia arrojada e factível que assegure os recursos para colocar o trololó de sempre em prática. _

MARCELO RECH

10 DE AGOSTO DE 2024
EDITORIAL

EDITORIAL

Olímpíada e demagogia Opiondam

Grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo e a Olimpíada, acompanhados com grande interesse pelos brasileiros, são uma oportunidade para a população deixar de lado por alguns dias os temas mais pesados e torcer pelo desempenho dos atletas nacionais. São acontecimentos que deveriam unir a sociedade, a despeito das diferenças existentes em qualquer coletividade. Não é o que acontece no Brasil, onde qualquer tema vira arena para a polarização desmedida e abre brechas para o exercício da demagogia.

Aconteceu outra vez, agora com a Olimpíada de Paris. Um destes episódios teve início com uma desinformação e acabou com uma medida populista. Começou com a oposição acusando o governo federal de pretender taxar as medalhas e as premiações conquistadas pelos desportistas na França. Como se pagar imposto de renda por esses ganhos fosse novidade. Em vez de apenas esclarecer, o Planalto preferiu tentar tirar proveito político. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva correu para editar uma medida provisória e isentar os atletas de IR. Parece simpático. Mas trata-se de uma demagogia. Os esportistas brasileiros sequer pediam o benefício.

A isenção aos atletas que subiram ao pódio e orgulharam o país não vai impactar o déficit das contas nacionais. É algo ínfimo. Mas a atitude simboliza a forma como o Brasil, ao longo do tempo, foi desequilibrando as suas contas. Além do aumento de despesas, Executivo e Legislativo não se fazem de rogados quando surge a oportunidade de fazer agrado por meio de gastos tributários. Ocorre que, se alguém deixa de pagar o que deveria, a diferença será exigida do restante da sociedade, com mais impostos.

A iniciativa de Lula, antecipando-se a projetos de lei apresentados por deputados, retrata o uso recorrente do esporte para angariar apoio popular. São inúmeros os exemplos na história brasileira. A ditadura militar buscou capitalizar o sucesso da Seleção de 1970, na Copa do México. O então prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, comprou fuscas com verba pública para presentear os tricampeões.

A Olimpíada de Paris não foi capaz de estabelecer um instante de trégua na batalha ideológica brasileira. Enquanto petistas atribuem as medalhas ao Bolsa Atleta, criado na primeira gestão Lula, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro lembram que muitos da delegação nacional, como a judoca Beatriz Souza, que conquistou o ouro, são militares. Em 2021, Bolsonaro fez uma cerimônia para homenagear atletas militares laureados em Tóquio. Na segunda-feira, foi a vez de Lula tirar proveito e postar uma foto com a ginasta Rebeca Andrade. A designação da primeira-dama Rosângela Lula da Silva como representante do governo na França, com gastos de mais de R$ 200 mil de sua comitiva, também é controversa.

O espírito olímpico que permeia os jogos pressupõe respeito ao adversário e às normas do jogo. Não tem nenhuma relação com os sentimentos que alimentam a disputa política brasileira, na qual o oponente é visto como um inimigo a ser destruído e o oportunismo é regra. 



10 DE AGOSTO DE 2024
PRESIDÊNCIA

PRESIDÊNCIA

Lula inaugura obra em SC e questiona a ausência de governador

Com aporte de R$ 3,9 bilhões, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou, na sexta-feira, o Contorno Viário da Grande Florianópolis. A mudança proporciona uma alternativa ao trânsito intenso da BR-101, que corta a região metropolitana.

Durante o evento, Lula fez contraponto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, sem citá-lo nominalmente, e criticou o governador de SC, Jorginho Mello. O Estado é considerado um dos maiores redutos bolsonaristas do país.

- Em apenas 18 meses a gente fez quase que metade dessa obra aqui. Numa demonstração de que eu gosto de trabalhar, e não gosto de jet ski. Que gosto de trabalhar, e não gosto de motociata - disse Lula.

A menção a "jet ski" e a "motociata" são referências a Bolsonaro.

- Esse governador que está aí, Jorginho Mello, eu não o conheço, portanto não posso falar mal dele, ele perdeu a oportunidade de participar da inauguração da obra mais importante do Estado de Santa Catarina. Eu não consigo entender - declarou o presidente, sobre a ausência do chefe do Executivo estadual no evento.

Lula afirmou que, como faz em todos os Estados que visita, convidou o governador para participar do evento. Aliado de Bolsonaro, Mello não compareceu, mas enviou a vice-governadora Marilisa Boehm. Ele justificou a ausência por causa de encontro entre os governadores das regiões Sul e Sudeste, no Espírito Santo.

- Se o governador viesse aqui, seria tratado com respeito. Ia fazer o discurso que quisesse fazer, ninguém ia pedir ou controlar o que ele fosse falar. E o prefeito, a mesma coisa. Lamentavelmente, tem gente que pensa pequeno, tem gente que age pequeno e não enxerga a necessidade do povo brasileiro - disse Lula.

Foi a primeira vez que o presidente foi a Santa Catarina neste terceiro mandato. A última vez que ele havia estado em SC foi em 2022, antes das eleições.

Lula também participou da cerimônia de lançamento da Fragata Tamandaré, primeiro dos quatro navios-escolta que serão incorporados à frota da Marinha do Brasil nos próximos anos. A cerimônia ocorreu em Itajaí (SC). 


10 DE AGOSTO DE 2024
NOTÍCIAS

NOTÍCIAS - Retorno no sistema de Justiça do Estado ainda é gradativo

Danos da cheia

De oito instituições na capital gaúcha, quatro retomaram expediente em suas sedes: TRF4, TRT4, TJM e Ministério Público. As demais - Tribunal de Justiça do Estado, TCE, Defensoria Pública e TRE - ainda operam em trabalho remoto ou espaço cedidos

Maior órgão judicial do Estado, o Tribunal de Justiça (TJRS) foi também o mais atingido.

O acesso ao edifício-sede e ao prédio anexo, ambos na Avenida Borges de Medeiros, só será permitido em 30 de agosto. Até lá, entram apenas servidores de áreas estratégicas, envolvidos nas obras de recuperação.

A água invadiu o térreo dos dois imóveis, comprometendo o funcionamento de elevadores, iluminação e climatização. No prédio anexo, os três subsolos também ficaram submersos. O sistema de processo eletrônico só não ficou inoperante graças à atuação de uma força-tarefa que migrou para a nuvem 10 milhões de ações judiciais.

Só serviços de plantão

A situação é semelhante no Foro Central I, situado na Avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, a duas quadras do TJ. Ainda sem operação integral dos elevadores, o acesso está liberado apenas para os serviços de plantão ou julgamentos do Tribunal do Júri.

No Foro Central II, na Avenida Ipiranga, e no Foro Regional do Sarandi, o trabalho voltou à normalidade.

Para acelerar a retomada, a administração criou uma diretoria extraordinária de Enfrentamento à Calamidade.

A gestão da reforma é conduzida do Palácio da Justiça, na Praça da Matriz, único prédio da instituição que restou incólume à enchente na Capital.

Na Defensoria Pública, apenas a administração superior retornou ao trabalho presencial. Situado a duas quadras do Guaíba, o edifício-sede ficou 15 dias sem sistemas internos e com água atingindo dois metros de altura.

Boa parte do atendimento ao público está sendo feito pelo telefone 129, e o ajuizamento de ações foi centrado em uma sala cedida pelo Exército na Rua Bento Martins, no Centro.

Outra instituição que está operando de forma híbrida é o Tribunal Regional Eleitoral. A sede, na Avenida Duque de Caxias, não foi atingida pelos alagamentos, mas teve o data center desligado por prevenção. O expediente interno no local está sendo retomado gradualmente desde o último dia 5, enquanto nas demais unidades os danos ainda estão sendo reparados. Como o depósito também foi atingido, nenhuma urna eletrônica antiga será usada na eleição de outubro. Essas urnas serão substituídas por equipamentos novos.

Serviço presencial

No Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), o recomeço foi duas semanas antes.

Desde 9 de julho todos os servidores despacham normalmente da sede, na Avenida Praia de Belas. Todavia, o plenário, invadido pela cheia, segue em manutenção, com previsão de término das obras em setembro.

Localizado na mesma via, o Tribunal de Justiça Militar sofreu impacto semelhante, com comprometimento da rede elétrica, alagamento e perda de documentos, mobiliário e equipamentos. O atendimento já foi normalizado, com os servidores atuando presencialmente desde 25 de junho. Já o prédio da 2ª Auditoria Militar, na Rua André Belo, foi mais afetado e segue sem condições de uso, com magistrados e servidores atuando de forma remota.

A primeira instituição a retornar ao espaço original foi o Ministério Público. O prédio principal, na Avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, voltou a receber os servidores em 25 de maio. Durante o período crítico, a operação foi mantida a partir de um prédio do MP no bairro Santana e por home office. 

FÁBIO SCHAFFNER

10 DE AGOSTO DE 2024
CONSTRASTES

CONSTRASTES

Conselhos do avô e mudança para uma sede na cidade vizinha

Com uma economia pujante, a cidade de Lajeado possui empresas robustas e conhecidas mundialmente. Fundada em 2006, a STW Soluções em Automação produz peças, células robóticas, esteiras, softwares, entre variados itens, utilizados por outras fábricas. Em menos de 10 meses, resistiu a três enchentes.

- Nunca pensamos em desistir. Vamos continuar independente da situação da região. Entendemos que vai levar tempo para reconstruir. Mas isso inevitavelmente vai acontecer, seja pelas pessoas que aqui estão, seja pelo poder público - assegura um dos sócios-fundadores da STW, Junior André Sulzbach, 41 anos.

Desde o final de setembro do ano passado, os administradores decidiram transferir as principais operações, de forma provisória, para outro ponto, no bairro Campestre. Só permaneceram no endereço antigo de 2,2 mil metros quadrados a parte administrativa e a base de softwares.

A decisão se mostrou acertada. A última cheia do Rio Taquari destruiu a sede anterior que ficava na Rua Bento Rosa, no bairro Hidráulica. Os prejuízos na soma das duas últimas cheias chegam a quase R$ 8 milhões.

Crescimento registrado

Na terça-feira, o empresário acompanhou a reportagem de Zero Hora até o terreno de 8 mil metros quadrados em Estrela, onde será erguida a nova fábrica com pavilhões pré-moldados. Trata-se de uma região alta e sem riscos de inundações, junto ao 386 Business Park. A inauguração deve acontecer no primeiro semestre de 2025.

A STW, que conta com 150 funcionários e não demitiu nenhum durante a enchente, tem linha de exportação para países da América Latina, Itália, Alemanha, Rússia, Turquia, Portugal e Coreia do Sul. Apesar dos imprevistos, a projeção é de encerrar 2024 com 20% de crescimento. A empresa tem ainda filial em Toledo, no Paraná, para onde cogitou se transferir depois da cheia mais recente, e um escritório em São Paulo.

Sulzbach, que chegou a ser resgatado de bote junto de outros dois sócios na inundação de setembro, jamais subestimou o poder do Rio Taquari. Ele traz guardado na lembrança conselhos do avô, que foi barqueiro na região e conhecia o fluxo das águas e das inundações:

- Meu avô estava aqui em 1941. E ele sempre me dizia que após uma enchente vinha outra na sequência. E foi o que aconteceu agora - relata.

Para o empresário, a maior lição deixada é a determinação das pessoas do Vale do Taquari:

- Teve um período de luto, porque morreram pessoas. Mas logo na sequência foi aquele espírito de retomada. Ninguém solta a mão de ninguém. Chego até arrepiar ao lembrar. _

Para empresário, determinação das pessoas da região é lição que foi deixada

Famílias atingidas por deslizamentos de terra em compasso de espera

A reconstrução na Linha Benjamin Constant, na zona rural de Roca Sales, está em compasso de espera. No dia 30 de abril, um deslizamento de terra atingiu a região, que fica escondida entre vales verdes em uma área de geografia verticalizada. Morreram 11 pessoas na região e duas ainda seguem desaparecidas.

Em razão do deslize de solo, árvores e rochas, algumas propriedades rurais foram interditadas pela Defesa Civil municipal. O motivo é por se encontrarem em áreas de risco. E é nessa parte da história que entra o produtor Darcy Funk, 64 anos.

Com as mãos ásperas e cheias de profundos vincos, ele ganha a vida preparando porcos para o abate em sua propriedade de 18 hectares. As terras foram colonizadas pelos seus bisavós, que vieram da Alemanha há mais de um século e subiram o morro abrindo picadas a golpes de facão. Toda a sua vida, história e lembranças estão concentradas na lida da terra e dos animais. Agora, em uma zona de risco, ele não sabe o que fazer, nem para onde ir.

- Não podemos abandonar tudo de uma hora para outra. Vamos sair para onde se não temos ajuda? - questiona.

O deslizamento isolou seu Darcy, a esposa Dulce, 50, e o filho Daniel Mateus Funk, 22. Naquele 30 de abril, parte do morro veio abaixo.

- Parecia um vulcão - recorda seu Darcy.

Os três viram rochas maiores do que tratores rolando abaixo, em meio a toneladas de terra e a troncos de árvores. Saíram correndo em direção à parte mais baixa, onde buscaram abrigo nos vizinhos. Não tiveram tempo de pegar nada. Escaparam com vida.

Por três semanas, a família não teve água, luz, telefone ou sinal de internet. Para descer, especialmente para buscar diesel para o gerador, foi preciso ir de trator pelo meio da vegetação. E dormir se tornou impossível. Qualquer barulho diferente ou começo de chuva deixava todos tensos.

Na propriedade há um chiqueiro com capacidade para abrigar 1,1 mil animais, mas nenhum deles se encontra ali. Desde que houve a interdição, a cooperativa recolheu os porcos e parou de os enviar para o colono. O rendimento dele era de R$ 150 mil por ano apenas no trabalho de engorda dos suínos. Também há 75 animais bovinos, sendo alguns ainda terneiros.

As vacas produzem leite e carne. Os colonos ainda contam com galinhas e plantam milho. Dos 20 hectares plantados, três se perderam em razão do deslizamento. Após o morro descer com força, muitos vizinhos abandonaram as terras e não pensam em voltar. O filho Daniel chegou a investir em terra perto da casa do pai. Agora também está em compasso de espera. O deslizamento chegou perto da casinha que ajeitava em outra parte do morro.

- A ideia é ficar, não é abandonar tudo o que foi construído. Desde meus 10 anos ajudo meu pai na propriedade - menciona.

O Morro do Bicudo apresenta diversas rachaduras. Árvores de grande porte que não sucumbiram exibem as raízes para fora do solo.

- Precisamos de ajuda do município, do governo e das autoridades. Seguir sozinho não vai dar. Estamos em uma zona de risco - preocupa-se Daniel.

"Inviabilizada" O chefe do setor de Engenharia da Defesa Civil de Roca Sales, Jonas Haefliger, confirma que algumas propriedades permanecem interditadas por tempo indeterminado e diz que laudos sobre os riscos estão sendo elaborados. Segundo a Defesa Civil, foram identificados 500 pontos de deslizamentos na região. Será solicitado auxílio ao governo estadual para monitorar e orientar os moradores da zona atingida.

- Hoje, não se tem nenhum programa do tamanho dessa complexidade. A propriedade dele está inviabilizada - observa o coordenador da Defesa Civil do município, Silvio Norberto Zart Neto. _

Dormir se tornou impossível. Qualquer barulho de chuva deixava todos tensos


10/08/2024 - 09h00min

Lucas Uebel / Grêmio FBPA/Divulgação

A última chance para o Grêmio encontrar um norte para esta temporada

Após eliminação da Copa do Brasil, Tricolor tem decisão da Libertadores pela frente em agosto

Grêmio foi eliminado da Copa do Brasil pelo Corinthians.

Afora continuar lutando por tempo indeterminado contra o reingresso e permanência no Z-4, o Grêmio tem uma decisão a enfrentar num prazo bem mais curto. Até a metade da próxima semana, o time de Renato Portaluppi terá definido se vai às quartas de final da Libertadores ou passa a ter só o Brasileirão até o fim de um ano que todo gaúcho só quer que termine e, se a mente for generosa, que seja esquecido.

Enchentes, mortes, desabrigo, sensação de que tudo saiu do lugar para nunca mais voltar, gaúchos e gaúchas em escala variada de dor sabem bem do que se trata. No futebol, o episódio climático ainda vitima o Grêmio, único clube da Série A do Brasil que continua sem casa para jogar e, quando tiver de volta no primeiro momento, será como se pudesse ocupar poucos cômodos e com luz fraca e água intermitente nas torneiras.

O treinador gremista recorda esta dificuldade em todas as entrevistas, faz de modo institucional. Porém, a eliminação para o Corinthians na Copa do Brasil passa menos pelo fator local e mais pela extraordinária incompetência que o time revelou para propor e criar jogo.

Quando Grêmio e Corinthians trocaram de papéis entre os jogos de ida e volta, desenhou-se a classificação do time que por último pôde se valer da estratégia mais antiga da Humanidade. Por ela, na vida e no esporte, é muito mais fácil destruir do que construir.

Escalado para não jogar nem deixar jogar, o Corinthians levou aos pênaltis e lá se valeu da leveza emocional de quem estava desobrigado a se classificar. Ramón Díaz poupou titulares porque pretende sair de vez da zona do rebaixamento, preocupação maior da torcida corintiana.

Quem esteve em campo no Couto Pereira competiu. Jogar bola, ninguém jogou. Não é contra a regra montar uma estratégia de negação e mordaça, desde que cumprindo as leis do jogo.

O Corinthians passou, o Grêmio ficou. Renato Portaluppi não foi bem na entrevista pós-eliminação, deu uma entrevista muito menor do que seu próprio gigantesco tamanho de profissional competente e vitorioso.

Talvez tenha feito de caso pensado para poupar seus jogadores e ser ele, Renato, o alvo exclusivo das críticas. Agora, sua tarefa é restabelecer algum equilíbrio para os enfrentamentos imediatos. Contra o Cuiabá, combate direto no objetivo de não cair.

Terça-feira (13), contra o Fluminense, a última chance para o Grêmio encontrar um norte mais nobre do que só permanecer na Série A. Renato não utilizou nenhum dos reforços recentes que a diretoria lhe entregou.

A decisão de tirar o centroavante Arezo do banco foi bem equivocada. Monsalve, que jogara bem na estreia dele em Curitiba domingo (4) passado, não entrou. Aravena, que ninguém viu jogar, também não. Para quem se queixava até bem pouco tempo de falta de opções de elenco, sair da Copa do Brasil sem um minuto em campo dos jogadores contratados é incompreensível.

De agora em diante, nem que seja por necessidade para evitar o pior, o treinador gremista terá que voltar os olhos para os jovens talentosos e inexperientes que lhe foram entregues.

O adversário

Já o Fluminense acaba de ser eliminado com justiça para o Juventude. Joga o mesmo Brasileirão do Grêmio, o da segunda página da tabela.

Tem bons a excelentes jogadores, metade deles na parte final da carreira. A consequência é uma queda drástica de intensidade física na parte final dos jogos. Também conta com jovens promissores a dar esperança de que há sobrevida na Libertadores. Kauã Elias, atacante, é o mais fulgurante deles. Jovens recém afirmados, como o volante André, também alentam a torcida para o que vem por aí.

Para o Grêmio e para o Fluminense, o 2024 com algum glamour se decide ainda em agosto.

sexta-feira, 9 de agosto de 2024


09 de Agosto de 2024
CARPINEJAR

Achado é roubado

Todo mundo tem um objeto maldito, que sempre desaparece. A reincidência é absurda. Some uma, duas, três vezes e você não cansa de comprar. Como diz a poeta americana Elizabeth Bishop: acostume-se com a arte de perder. Perder, ao longo dos anos, deixa de ser um mistério. Você passa a perder algo todo dia.

Você é campeão de extraviar o quê? Boné, óculos de sol, casaco, celular, canetas, brincos, chaves, controle remoto da televisão, do portão? Não há quem não perca a cabeça junto.

A minha esposa é colecionadora de caixinhas de AirPods. Ela solta os fones em território misterioso e ignoto - pensa que ficaram no bolso de uma jaqueta, numa bolsa, numa mochila, no porta-luvas do carro, mas nunca estão lá - e conserva aquelas ostras brancas de recordação, sem mais nenhuma pérola para colocar nos ouvidos. Fones viraram seu presente fixo do Dia dos Namorados.

Quando criança, eu só esquecia guarda-chuva. O tempo abria, o sol vinha, a utilidade dele acabava, e eu o abandonava num canto qualquer. As garrafinhas térmicas de água (nada baratas) e os copos isolantes para manter o café aquecido são meus guarda-chuvas da vida adulta.

Eu não consigo preservá-los. Sequer com hipnose sou capaz de melhorar a minha atenção. Ocorre um bug do sistema nervoso, uma falha geral que me impede de lembrar de trazê-los de volta para casa.

Já estou na minha quinta garrafinha. Vivo repondo a sua ausência, pois é um item obrigatório para a academia e viagens. O pessoal da loja me conhece: "Lá vem ele de novo!". Deveria existir uma promoção: depois da quinta garrafinha perdida, ganhe uma de graça.

Variei o produto de cor, buscando controlar a sua existência, cristalizar a necessidade, curar-me do desleixo e da distração, mas eu sempre largo no console do Uber ou do táxi, na academia, no balcão de um comércio ou na mesa de um restaurante.

Quando me dou conta de que perdi, corro para reaver e então constato o que jamais entenderei da nossa cultura do desrespeito: nunca está onde deixei. Ninguém pegou. Ninguém viu.

Como uma pessoa toma para si algo que não é seu? Como ela se apropria de um bem que não lhe pertence? Qual o descaramento para usar sem culpa nenhuma? Não tem educação? Não possui decência? Não vale aquela regra de não fazer com o próximo o que não gostaria que fosse feito com você?

E quem leva embora o artigo alheio, na maior parte dos casos, não é um pé-rapado, desfruta de condições financeiras, estabilidade, segurança familiar. Simplesmente quer lucrar com a casualidade. É alguém que, ao cruzar conosco pela rua, jamais nos despertaria desconfiança pela aparência.

Em países escandinavos (Noruega, Suécia, Dinamarca), você pode se descuidar da sua carteira, largá-la num banco de praça, e vai estar no mesmo lugar horas depois. Nem precisa se desesperar. Apesar de ser um ambiente público, com fluxo constante de pedestres: não se mexe naquilo que é do outro.

Tente agir assim num parque, num shopping, num cinema, num teatro da sua cidade. Ainda não absorvemos uma lição básica de cidadania: achado é roubado. Como uma pessoa toma para si algo que não é seu? Como ela se apropria de um bem que não lhe pertence?

CARPINEJAR

09 de Agosto de 2024
Juliana Bublitz

Gêmeos do Hampel

Famoso pelas churrascadas memoráveis no Parador Hampel, considerado o hotel mais antigo da Serra, em São Francisco de Paula, o chef Marcos Livi anda orgulhoso. Seus dois filhos, os gêmeos Guilherme e Frederico, que vivem em São Paulo, estão cada vez mais próximos do RS: assumiram a pilcha, mergulharam na cultura gaúcha e atraem a atenção de quem visita o lugar.

A dupla de 15 anos é craque no assado e na lida campeira. Guilherme tem acompanhado Livi em palestras sobre a cozinha do fogo e comanda a grelha com maestria. Fred tornou-se expert em cavalos crioulos. Ambos fizeram até curso de doma.

Por um mês, nas férias de inverno, os guris recepcionaram hóspedes, preparam a "boia" e conduziram cavalgadas. Vestiram bota, bombacha e chapéu e dão pinta de que vão dar continuidade aos negócios de Livi, um dos chefs mais requisitados do Brasil.

Expointer

- Eu nunca forcei nada, porque acho que não devemos transferir nossos sonhos para os filhos. Eles devem trilhar o caminho deles, mas estou muito feliz com essa conexão - conta o assador, que fará uma edição especial de Dia dos Pais do evento A Ferro e Fogo no próximo domingo, no pátio do Parador.

Por dificuldades de deslocamento devido à situação do Aeroporto Salgado Filho, os gêmeos vão acompanhar a festa a distância, mas já avisaram: não abrem mão de assistir ao Freio de Ouro de camarote na Expointer e já estão prontos para o desfile de 20 de Setembro. Ao lado do pai, claro. E de cavalo. _

"Mob Brasil" no píer da Usina do Gasômetro

O píer da Usina do Gasômetro, que ficou submerso na enchente de maio deste ano, em Porto Alegre, vai voltar a receber uma exposição fotográfica. É uma ótima notícia para a Capital, que segue no caminho da retomada.

A partir das 16h de amanhã, será inaugurada a 3ª edição da mostra Mob Brasil, com imagens de 49 fotógrafos de diferentes regiões do país feitas pelo telefone celular. A iniciativa tem a curadoria do produtor cultural e fotógrafo Marcos Monteiro.

Originalmente, Monteiro deu vida à Galeria Escadaria, no viaduto da Avenida Borges de Medeiros, no Centro Histórico, mas migrou para a área à beira do Guaíba, com painéis espalhados pelo deque. A antiga estrutura foi levada pela água. Agora, é o recomeço.

A exposição segue em cartaz até 30 de setembro, 24 horas por dia, com entrada franca. Vale o passeio. _

O evento A Ferro e Fogo especial do Dia dos Pais, neste domingo, no Parador Hampel, terá novidade: uma receita de "curanto" (espécie de assado no buraco, no calor das pedras). Mais detalhes no perfil @paradorhampel no Instagram.

Canta, diva

Luiza Hellena já passou por tudo na vida. Depois de anos se apresentando em bares, entoando sambas-enredo na Escola Praiana, da Capital, e liderando o Sindicato dos Músicos do RS, ela estava prestes a realizar o sonho em 2023: lançar o primeiro álbum, aos 78 anos. O destino pregou uma peça, e não deu certo. Aí veio a enchente e levou tudo. Luiza ainda não conseguiu voltar para casa.

Agora, na luta pela retomada, ao lado de Paulinho Parada, ela vai cantar Lupicínio Rodrigues no Dia dos Pais. Será às 12h de domingo na Don Dieguito (Rua Olavo Bilac, 243, Cidade Baixa). Vai por mim: é um baita programa. _

Em quatro idiomas

Vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura e uma das mais talentosas de sua geração, a escritora gaúcha Morgana Kretzmann, de Três Passos, será a primeira autora brasileira publicada pelo selo HarperVia, da tradicional editora HarperCollins, de Nova York.

O título escolhido é Água Turva, cuja história se passa na maior reserva florestal do Rio Grande do Sul, o Parque Estadual do Turvo, em Derrubadas, onde a paisagem é dominada pelo Salto do Yucumã.

Além da versão em inglês na segunda maior editora do mundo (fundada em 1817, nos Estados Unidos), a obra será traduzida para o francês, o espanhol e o alemão.

Isso é que é estreia no mercado literário internacional. E o melhor: o Rio Grande do Sul vai junto. _

água turva

É o segundo livro da autora gaúcha. Foi lançado em março pela Companhia das Letras, com obra de Iberê Camargo na capa.

360 GRAUS

09 de Agosto de 2024
EDITORIAL

EDITORIAL - O poder da mobilização

A importância da pressão da sociedade gaúcha para cobrar ritmo adequado nas obras e projetos indispensáveis para a recuperação do Estado após a cheia de maio pode ser ilustrada pela mobilização em torno da reabertura do aeroporto da Capital, tomado por semanas pelas águas. No início de junho, um mês após o início do alagamento, a concessionária Fraport e o governo federal informaram que a previsão era reabrir o Salgado Filho em dezembro. O prazo foi considerado inaceitável, como assinalou de forma veemente este espaço. Iniciou-se um forte movimento para instar empresa e poder público a encontrar formas de agilizar os trabalhos necessários para a volta dos voos. A previsão, então, passou para outubro, embora ainda de forma parcial.

O retorno a pleno das operações no aeroporto é basilar para a recuperação do Estado. O quadro atual impõe prejuízos e transtornos à economia gaúcha e aos cidadãos. Reportagem publicada ontem em ZH mostra que, entre maio e junho, o fluxo de passageiros na Região Metropolitana caiu 92% ante os mesmos meses de 2023. Reflexo do Salgado Filho paralisado e do uso limitado da Base Aérea de Canoas. Para a maior parte dos usuários, chegar ou sair do Rio Grande do Sul virou uma maratona custosa. É preciso embarcar ou desembarcar em outras cidades gaúchas e catarinenses, o que exige deslocamento rodoviário e causa perda de tempo. 

O Painel da Reconstrução, do Grupo RBS, aponta que, nesses dois meses, o fluxo de passageiros na base aérea e nos aeroportos da malha emergencial foi de 967 mil pessoas. Em 2023, neste mesmo recorte temporal, esses terminais alternativos, mais o Salgado Filho, movimentaram mais de 1,9 milhão de viajantes. Fica evidente a oferta de assentos muito aquém da demanda. A consequência foi a explosão dos preços das passagens.

As perdas econômicas são significativas, como bem sabem os setores de turismo, eventos e cultura, entre outros. Ligação aérea rápida com outros centros urbanos importantes do país e do Exterior é essencial para fazer negócios e tornar o Estado atrativo para investimentos. O transporte aéreo de cargas, que vinha em crescimento, talvez demore ainda mais para se recuperar, gerando custos logísticos extras às empresas.

A operação parcial, a princípio a partir de 21 de outubro, começa com 128 voos diários. A reabertura total, inclusive para voos internacionais, é prevista para dezembro. Trata-se de uma questão de tamanha relevância que não basta a sociedade gaúcha manter-se atenta para exigir o cumprimento do cronograma. É cabível reivindicar da Fraport que se esforce ainda mais para antecipar os prazos atuais, desde que respeitadas as normas de segurança. O Rio Grande do Sul está sem o Salgado Filho desde 3 de maio. Para abreviar o reerguimento do Estado e os contratempos de quem precisa do aeroporto, cada dia conta.

A mesma cobrança incisiva precisa ser repetida em outras frentes essenciais à recuperação do Estado, como as promessas de crédito às empresas, reconstrução de pontes, entrega de moradias e auxílio às populações atingidas. 


09 de Agosto de 2024
RELAÇÕES ESTREMECIDAS

RELAÇÕES ESTREMECIDAS

Lula reage a Ortega e expulsa embaixadora da Nicarágua no Brasil. O governo Luiz Inácio Lula da Silva decidiu ontem expulsar a embaixadora da Nicarágua no Brasil, Fulvia Patricia Castro Matu. O Itamaraty se valeu do princípio da reciprocidade depois de a ditadura de Daniel Ortega ordenar que o embaixador brasileiro Breno Souza da Costa deixasse o país.

A expulsão da embaixadora da Nicarágua foi anunciada após reunião entre Lula e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Fulvia apresentou suas credenciais ao Itamaraty no fim de maio e não chegou a ser recebida pelo presidente.

A ordem de Ortega para expulsar o embaixador brasileiro foi retaliação pela ausência de Costa na celebração dos 45 anos da Revolução Sandinista. Ao ser notificado sobre a queixa, o governo brasileiro chegou a pedir à Nicarágua que ponderasse, mas ficou sem resposta.

O gesto de expulsar embaixadores, algo grave em linguagem diplomática, marca o distanciamento entre Lula e Ortega. O brasileiro tem com o ditador relação de longa data, tensionada pela perseguição a líderes católicos na Nicarágua.

Lula disse há pouco mais de duas semanas que Ortega não atende às ligações desde que ele se propôs a interceder pela liberação do bispo Rolando Álvarez a pedido do papa Francisco. O religioso foi condenado a 16 anos de prisão após se recusar a deixar o país e cumpre pena em regime domiciliar.

Crises em paralelo

O acirramento da tensão com a Nicarágua ocorre no momento em que o Brasil tenta se posicionar como mediador diante de outro regime autoritário de esquerda, o de Nicolás Maduro, na Venezuela. E as crises têm relação entre si.

É preciso analisar essa situação muito em paralelo com o que está acontecendo na Venezuela - afirma Daniel Buarque, jornalista, doutor em Relações Internacionais e editor-executivo do portal Interesse Nacional.

O rompimento das relações da Nicarágua com o Brasil e a tensão após reeleição de Maduro sob suspeita de fraude evidenciam a radicalização desses regimes - o que representa desafio, mas também oportunidade ao governo:

- É uma oportunidade para o governo Lula adotar postura menos leniente do que estava tendo com esses governos autoritários de esquerda. Oportunidade para demonstrar que vai defender a democracia e não vai ficar aceitando governos autoritários apenas por questões ideológicas.

Ao mesmo tempo, ele pondera que as relações com esses países são importantes para o Brasil se posicionar como líder na América Latina, como almeja Lula.

Ontem, a eleição na Venezuela foi um dos temas debatidos na segunda reunião ministerial do governo federal em 2024, no Palácio do Planalto. O encontro com os 39 ministros teve como objetivo organizar a atuação de sua equipe nas eleições municipais e cobrar o andamento de projetos. Em discurso inicial do encontro, Lula disse que busca "encontrar uma situação pacífica para a questão da Venezuela".

Em nova nota conjunta publicada ontem, ministros das Relações Exteriores de Brasil, Colômbia e México voltaram a cobrar atas eleitorais da Venezuela. _

Relações estremecidas

Governo federal adota princípio de reciprocidade após país da América Central ter ordenado saída de representante diplomático por se ausentar de celebração sandinista


09 de Agosto de 2024
FUNDO DE GARANTIA

FUNDO DE GARANTIA

Caixa começa hoje a distribuir R$ 15,2 bi do lucro do FGTS de 2023

O conselho curador do FGTS aprovou, ontem, proposta apresentada pelo governo federal de distribuir aos trabalhadores R$ 15,2 bilhões dos lucros do fundo registrados em 2023. O valor representa 65% do resultado recorde obtido pelo FGTS no ano passado, de R$ 23,4 bilhões.

A Caixa Econômica Federal começa a distribuir os valores a partir de hoje nas 218,6 milhões de contas vinculadas com direito à distribuição, de titularidade de 130,8 milhões de trabalhadores.

De acordo com a Caixa, com a distribuição dos resultados, as contas do FGTS em 2023 terão rentabilidade de 7,78%, mais alta do que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do período, que ficou em 4,62%. Caso não houvesse a distribuição, a remuneração básica do fundo, que atingiu 4,96%, já seria suficiente para superar o IPCA de 2023.

O dinheiro é distribuído proporcionalmente ao saldo de cada conta do trabalhador em 31 de dezembro de 2023. Para saber a parcela do lucro que será depositada, o trabalhador deve multiplicar o saldo por 0,02693258.

Ou seja, a cada R$ 1 mil de saldo, o cotista recebe R$ 26,93.

O restante do lucro, de R$ 8,2 bilhões, será usado para garantir, futuramente, que a remuneração reponha ao menos o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a legislação, a remuneração do FGTS é baseada em TR (Taxa Referencial) mais 3% somada à distribuição de resultados.

Reserva técnica

A Corte determinou que, quando esse cálculo não repuser o IPCA, caberá ao conselho curador do fundo estabelecer a forma de compensação. Na prática, a inflação será uma espécie de "piso" na correção dos saldos - mas apenas para os depósitos feitos a partir da decisão do Supremo. Ou seja, não vale para o saldo que já estava nas contas nesta data.

A reserva técnica, que será formada com os recursos restantes do lucro, servirá para compensar os anos em que a TR mais 3%, somada à distribuição de resultados, estiver abaixo da inflação. Em 2023, R$ 6,4 bilhões do lucro decorreram da valorização dos ativos do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. 



09 de Agosto de 2024
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Dois pesos, duas medidas

Herdeiro do Palácio de Miraflores, Maduro erigiu uma estrutura de poder que, aos poucos, abocanhou as demais instituições. Mas, ainda assim, o Brasil seguiu respaldando as ações autoritárias, evitando caracterizar o regime como uma autocracia e desfraldando o tapete vermelho para o líder venezuelano. Nas semanas anteriores à eleição no país vizinho, Lula disse estar assustado em relação à promessa de Maduro de que haveria um banho de sangue, caso perdesse a disputa. Passado o pleito do dia 28 de julho, primeiro afirmou não ver nada grave, enquanto o governo empurra com a barriga uma tomada de posição, pedindo a divulgação das atas.

No caso nicaraguense, a esquerda brasileira (e latino-americana) sonhou e viveu a Revolução Sandinista de 45 anos atrás, que derrubou a ditadura de direita de Anastasio Somoza. Líder do movimento, Daniel Ortega, em segundo mandato, foi mordido pela mosca azul: sucumbiu à tentação de muitos outrora heroicos revolucionários que, ao assumirem, entronam-se no poder. Lula foi próximo de Ortega, mas mantém relação cada vez mais distante no atual governo.

Mais um ponto de enregelamento ocorre agora, diante da notícia de que o governo nicaraguense decidiu expulsar o embaixador brasileiro Breno de Souza da Costa, depois que o diplomata, sob orientações do Itamaraty, não compareceu à cerimônia de aniversário da Revolução Sandinista. No pano de fundo, o desconforto de Ortega devido à tentativa de mediação de Lula para a libertação do bispo católico Rolando José Álvarez, a pedido do papa Francisco. O Brasil cobra explicações sobre o caso do embaixador, e as relações estão congeladas.

Há diferenças de tratamento entre Venezuela e Nicarágua. No caso venezuelano, a situação é mais sensível para o governo brasileiro. Os dois países são mais próximos geograficamente - compartilham uma porosa fronteira terrestre nos Estados de Roraima e Amazonas. Uma guerra civil no país vizinho significa, certamente, um fluxo ainda maior de refugiados para o Brasil. Sob delegação dos EUA, o Brasil é considerado o interlocutor natural da crise. Daí, a postura do Itamaraty de não romper relações com Caracas, buscar manter os canais diplomáticos ativos e o diálogo com a oposição.

No caso da Nicarágua, a relação é mais distante - não só porque Ortega já é mera efígie da Revolução, mas também porque o endurecimento do regime mexe com uma dinâmica geopolítica muito mais relacionada com os vizinhos centro-americanos, como Honduras, Costa Rica e Panamá. Além disso, esse é entendido como um problema que está na alçada dos Estados Unidos - e não do Brasil. _

Presente de São Paulo para Porto Alegre

Capital em ação com São Leopoldo

Como noticiado em Zero Hora em maio, havia um convênio entre a União e o município para que o órgão federal realizasse os serviços, contudo, o acordo foi rompido em 2015.

Agora, Porto Alegre entra com o pedido para "apoiar" São Leopoldo na ação, requisitando responsabilização da União no enfrentamento da enchente.

- O resultado nos interessa, pois o que acontece lá repercute aqui - explica o procurador-geral adjunto de Domínio Público, Urbanismo e Meio Ambiente, Nelson Marisco. - A União é responsável por conceder recursos.

O pedido aguarda decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). _

Mudanças climáticas elevaram em 40% chance de fogo no Pantanal

A iniciativa foi de professores da comunidade Redelê, em parceria com a Associação Quatro Cinco Um.

A Secretaria Municipal de Educação (Smed) recebeu os itens, que foram distribuídos para 14 escolas próprias e seis parceirizadas com o apoio de militares e caminhões da Marinha. _

Médicos do RS elegem Chapa 2

TJ-RS garante medalha de bronze

Os médicos Carlos Sparta e Gerson Junqueira, titular e suplente, respectivamente, foram eleitos representantes do RS no Conselho Federal de Medicina (CFM). Eles são integrantes da Chapa 2 (Autonomia - Valorização - Respeito).

A eleição ocorreu entre terça e quarta-feira. Os mandatos, que começam em outubro, são de cinco anos. 

A migração de mais de 10 milhões de processos para a nuvem durante a enchente rendeu destaque internacional para o TJ-RS. O órgão ficou em terceiro lugar entre 20 cases na Expojud USA 2024, evento com foco em transformação digital no setor da Justiça, nos EUA. Com essa migração, o TJ foi o único tribunal do Judiciário do RS que não saiu do ar. _

Um estudo feito pelo World Weather Attribution (WWA) aponta que as mudanças climáticas agravaram em 40% as condições que levaram aos incêndios em junho no Pantanal.

O relatório também mostra que os focos estão de quatro a cinco vezes mais prováveis que ocorram do que antes.

A mesma organização internacional apontou, em junho, que a mudança climática dobrou a chance de chuva extrema no RS. Também há dois gaúchos no grupo: João Biehl e Miqueias Mugge, que atuam na Princeton University. 

INFORME ESPECIAL