sábado, 10 de agosto de 2024



10 DE AGOSTO DE 2024
PRESIDÊNCIA

PRESIDÊNCIA

Lula inaugura obra em SC e questiona a ausência de governador

Com aporte de R$ 3,9 bilhões, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou, na sexta-feira, o Contorno Viário da Grande Florianópolis. A mudança proporciona uma alternativa ao trânsito intenso da BR-101, que corta a região metropolitana.

Durante o evento, Lula fez contraponto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, sem citá-lo nominalmente, e criticou o governador de SC, Jorginho Mello. O Estado é considerado um dos maiores redutos bolsonaristas do país.

- Em apenas 18 meses a gente fez quase que metade dessa obra aqui. Numa demonstração de que eu gosto de trabalhar, e não gosto de jet ski. Que gosto de trabalhar, e não gosto de motociata - disse Lula.

A menção a "jet ski" e a "motociata" são referências a Bolsonaro.

- Esse governador que está aí, Jorginho Mello, eu não o conheço, portanto não posso falar mal dele, ele perdeu a oportunidade de participar da inauguração da obra mais importante do Estado de Santa Catarina. Eu não consigo entender - declarou o presidente, sobre a ausência do chefe do Executivo estadual no evento.

Lula afirmou que, como faz em todos os Estados que visita, convidou o governador para participar do evento. Aliado de Bolsonaro, Mello não compareceu, mas enviou a vice-governadora Marilisa Boehm. Ele justificou a ausência por causa de encontro entre os governadores das regiões Sul e Sudeste, no Espírito Santo.

- Se o governador viesse aqui, seria tratado com respeito. Ia fazer o discurso que quisesse fazer, ninguém ia pedir ou controlar o que ele fosse falar. E o prefeito, a mesma coisa. Lamentavelmente, tem gente que pensa pequeno, tem gente que age pequeno e não enxerga a necessidade do povo brasileiro - disse Lula.

Foi a primeira vez que o presidente foi a Santa Catarina neste terceiro mandato. A última vez que ele havia estado em SC foi em 2022, antes das eleições.

Lula também participou da cerimônia de lançamento da Fragata Tamandaré, primeiro dos quatro navios-escolta que serão incorporados à frota da Marinha do Brasil nos próximos anos. A cerimônia ocorreu em Itajaí (SC). 


10 DE AGOSTO DE 2024
NOTÍCIAS

NOTÍCIAS - Retorno no sistema de Justiça do Estado ainda é gradativo

Danos da cheia

De oito instituições na capital gaúcha, quatro retomaram expediente em suas sedes: TRF4, TRT4, TJM e Ministério Público. As demais - Tribunal de Justiça do Estado, TCE, Defensoria Pública e TRE - ainda operam em trabalho remoto ou espaço cedidos

Maior órgão judicial do Estado, o Tribunal de Justiça (TJRS) foi também o mais atingido.

O acesso ao edifício-sede e ao prédio anexo, ambos na Avenida Borges de Medeiros, só será permitido em 30 de agosto. Até lá, entram apenas servidores de áreas estratégicas, envolvidos nas obras de recuperação.

A água invadiu o térreo dos dois imóveis, comprometendo o funcionamento de elevadores, iluminação e climatização. No prédio anexo, os três subsolos também ficaram submersos. O sistema de processo eletrônico só não ficou inoperante graças à atuação de uma força-tarefa que migrou para a nuvem 10 milhões de ações judiciais.

Só serviços de plantão

A situação é semelhante no Foro Central I, situado na Avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, a duas quadras do TJ. Ainda sem operação integral dos elevadores, o acesso está liberado apenas para os serviços de plantão ou julgamentos do Tribunal do Júri.

No Foro Central II, na Avenida Ipiranga, e no Foro Regional do Sarandi, o trabalho voltou à normalidade.

Para acelerar a retomada, a administração criou uma diretoria extraordinária de Enfrentamento à Calamidade.

A gestão da reforma é conduzida do Palácio da Justiça, na Praça da Matriz, único prédio da instituição que restou incólume à enchente na Capital.

Na Defensoria Pública, apenas a administração superior retornou ao trabalho presencial. Situado a duas quadras do Guaíba, o edifício-sede ficou 15 dias sem sistemas internos e com água atingindo dois metros de altura.

Boa parte do atendimento ao público está sendo feito pelo telefone 129, e o ajuizamento de ações foi centrado em uma sala cedida pelo Exército na Rua Bento Martins, no Centro.

Outra instituição que está operando de forma híbrida é o Tribunal Regional Eleitoral. A sede, na Avenida Duque de Caxias, não foi atingida pelos alagamentos, mas teve o data center desligado por prevenção. O expediente interno no local está sendo retomado gradualmente desde o último dia 5, enquanto nas demais unidades os danos ainda estão sendo reparados. Como o depósito também foi atingido, nenhuma urna eletrônica antiga será usada na eleição de outubro. Essas urnas serão substituídas por equipamentos novos.

Serviço presencial

No Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4), o recomeço foi duas semanas antes.

Desde 9 de julho todos os servidores despacham normalmente da sede, na Avenida Praia de Belas. Todavia, o plenário, invadido pela cheia, segue em manutenção, com previsão de término das obras em setembro.

Localizado na mesma via, o Tribunal de Justiça Militar sofreu impacto semelhante, com comprometimento da rede elétrica, alagamento e perda de documentos, mobiliário e equipamentos. O atendimento já foi normalizado, com os servidores atuando presencialmente desde 25 de junho. Já o prédio da 2ª Auditoria Militar, na Rua André Belo, foi mais afetado e segue sem condições de uso, com magistrados e servidores atuando de forma remota.

A primeira instituição a retornar ao espaço original foi o Ministério Público. O prédio principal, na Avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, voltou a receber os servidores em 25 de maio. Durante o período crítico, a operação foi mantida a partir de um prédio do MP no bairro Santana e por home office. 

FÁBIO SCHAFFNER

10 DE AGOSTO DE 2024
CONSTRASTES

CONSTRASTES

Conselhos do avô e mudança para uma sede na cidade vizinha

Com uma economia pujante, a cidade de Lajeado possui empresas robustas e conhecidas mundialmente. Fundada em 2006, a STW Soluções em Automação produz peças, células robóticas, esteiras, softwares, entre variados itens, utilizados por outras fábricas. Em menos de 10 meses, resistiu a três enchentes.

- Nunca pensamos em desistir. Vamos continuar independente da situação da região. Entendemos que vai levar tempo para reconstruir. Mas isso inevitavelmente vai acontecer, seja pelas pessoas que aqui estão, seja pelo poder público - assegura um dos sócios-fundadores da STW, Junior André Sulzbach, 41 anos.

Desde o final de setembro do ano passado, os administradores decidiram transferir as principais operações, de forma provisória, para outro ponto, no bairro Campestre. Só permaneceram no endereço antigo de 2,2 mil metros quadrados a parte administrativa e a base de softwares.

A decisão se mostrou acertada. A última cheia do Rio Taquari destruiu a sede anterior que ficava na Rua Bento Rosa, no bairro Hidráulica. Os prejuízos na soma das duas últimas cheias chegam a quase R$ 8 milhões.

Crescimento registrado

Na terça-feira, o empresário acompanhou a reportagem de Zero Hora até o terreno de 8 mil metros quadrados em Estrela, onde será erguida a nova fábrica com pavilhões pré-moldados. Trata-se de uma região alta e sem riscos de inundações, junto ao 386 Business Park. A inauguração deve acontecer no primeiro semestre de 2025.

A STW, que conta com 150 funcionários e não demitiu nenhum durante a enchente, tem linha de exportação para países da América Latina, Itália, Alemanha, Rússia, Turquia, Portugal e Coreia do Sul. Apesar dos imprevistos, a projeção é de encerrar 2024 com 20% de crescimento. A empresa tem ainda filial em Toledo, no Paraná, para onde cogitou se transferir depois da cheia mais recente, e um escritório em São Paulo.

Sulzbach, que chegou a ser resgatado de bote junto de outros dois sócios na inundação de setembro, jamais subestimou o poder do Rio Taquari. Ele traz guardado na lembrança conselhos do avô, que foi barqueiro na região e conhecia o fluxo das águas e das inundações:

- Meu avô estava aqui em 1941. E ele sempre me dizia que após uma enchente vinha outra na sequência. E foi o que aconteceu agora - relata.

Para o empresário, a maior lição deixada é a determinação das pessoas do Vale do Taquari:

- Teve um período de luto, porque morreram pessoas. Mas logo na sequência foi aquele espírito de retomada. Ninguém solta a mão de ninguém. Chego até arrepiar ao lembrar. _

Para empresário, determinação das pessoas da região é lição que foi deixada

Famílias atingidas por deslizamentos de terra em compasso de espera

A reconstrução na Linha Benjamin Constant, na zona rural de Roca Sales, está em compasso de espera. No dia 30 de abril, um deslizamento de terra atingiu a região, que fica escondida entre vales verdes em uma área de geografia verticalizada. Morreram 11 pessoas na região e duas ainda seguem desaparecidas.

Em razão do deslize de solo, árvores e rochas, algumas propriedades rurais foram interditadas pela Defesa Civil municipal. O motivo é por se encontrarem em áreas de risco. E é nessa parte da história que entra o produtor Darcy Funk, 64 anos.

Com as mãos ásperas e cheias de profundos vincos, ele ganha a vida preparando porcos para o abate em sua propriedade de 18 hectares. As terras foram colonizadas pelos seus bisavós, que vieram da Alemanha há mais de um século e subiram o morro abrindo picadas a golpes de facão. Toda a sua vida, história e lembranças estão concentradas na lida da terra e dos animais. Agora, em uma zona de risco, ele não sabe o que fazer, nem para onde ir.

- Não podemos abandonar tudo de uma hora para outra. Vamos sair para onde se não temos ajuda? - questiona.

O deslizamento isolou seu Darcy, a esposa Dulce, 50, e o filho Daniel Mateus Funk, 22. Naquele 30 de abril, parte do morro veio abaixo.

- Parecia um vulcão - recorda seu Darcy.

Os três viram rochas maiores do que tratores rolando abaixo, em meio a toneladas de terra e a troncos de árvores. Saíram correndo em direção à parte mais baixa, onde buscaram abrigo nos vizinhos. Não tiveram tempo de pegar nada. Escaparam com vida.

Por três semanas, a família não teve água, luz, telefone ou sinal de internet. Para descer, especialmente para buscar diesel para o gerador, foi preciso ir de trator pelo meio da vegetação. E dormir se tornou impossível. Qualquer barulho diferente ou começo de chuva deixava todos tensos.

Na propriedade há um chiqueiro com capacidade para abrigar 1,1 mil animais, mas nenhum deles se encontra ali. Desde que houve a interdição, a cooperativa recolheu os porcos e parou de os enviar para o colono. O rendimento dele era de R$ 150 mil por ano apenas no trabalho de engorda dos suínos. Também há 75 animais bovinos, sendo alguns ainda terneiros.

As vacas produzem leite e carne. Os colonos ainda contam com galinhas e plantam milho. Dos 20 hectares plantados, três se perderam em razão do deslizamento. Após o morro descer com força, muitos vizinhos abandonaram as terras e não pensam em voltar. O filho Daniel chegou a investir em terra perto da casa do pai. Agora também está em compasso de espera. O deslizamento chegou perto da casinha que ajeitava em outra parte do morro.

- A ideia é ficar, não é abandonar tudo o que foi construído. Desde meus 10 anos ajudo meu pai na propriedade - menciona.

O Morro do Bicudo apresenta diversas rachaduras. Árvores de grande porte que não sucumbiram exibem as raízes para fora do solo.

- Precisamos de ajuda do município, do governo e das autoridades. Seguir sozinho não vai dar. Estamos em uma zona de risco - preocupa-se Daniel.

"Inviabilizada" O chefe do setor de Engenharia da Defesa Civil de Roca Sales, Jonas Haefliger, confirma que algumas propriedades permanecem interditadas por tempo indeterminado e diz que laudos sobre os riscos estão sendo elaborados. Segundo a Defesa Civil, foram identificados 500 pontos de deslizamentos na região. Será solicitado auxílio ao governo estadual para monitorar e orientar os moradores da zona atingida.

- Hoje, não se tem nenhum programa do tamanho dessa complexidade. A propriedade dele está inviabilizada - observa o coordenador da Defesa Civil do município, Silvio Norberto Zart Neto. _

Dormir se tornou impossível. Qualquer barulho de chuva deixava todos tensos


10/08/2024 - 09h00min

Lucas Uebel / Grêmio FBPA/Divulgação

A última chance para o Grêmio encontrar um norte para esta temporada

Após eliminação da Copa do Brasil, Tricolor tem decisão da Libertadores pela frente em agosto

Grêmio foi eliminado da Copa do Brasil pelo Corinthians.

Afora continuar lutando por tempo indeterminado contra o reingresso e permanência no Z-4, o Grêmio tem uma decisão a enfrentar num prazo bem mais curto. Até a metade da próxima semana, o time de Renato Portaluppi terá definido se vai às quartas de final da Libertadores ou passa a ter só o Brasileirão até o fim de um ano que todo gaúcho só quer que termine e, se a mente for generosa, que seja esquecido.

Enchentes, mortes, desabrigo, sensação de que tudo saiu do lugar para nunca mais voltar, gaúchos e gaúchas em escala variada de dor sabem bem do que se trata. No futebol, o episódio climático ainda vitima o Grêmio, único clube da Série A do Brasil que continua sem casa para jogar e, quando tiver de volta no primeiro momento, será como se pudesse ocupar poucos cômodos e com luz fraca e água intermitente nas torneiras.

O treinador gremista recorda esta dificuldade em todas as entrevistas, faz de modo institucional. Porém, a eliminação para o Corinthians na Copa do Brasil passa menos pelo fator local e mais pela extraordinária incompetência que o time revelou para propor e criar jogo.

Quando Grêmio e Corinthians trocaram de papéis entre os jogos de ida e volta, desenhou-se a classificação do time que por último pôde se valer da estratégia mais antiga da Humanidade. Por ela, na vida e no esporte, é muito mais fácil destruir do que construir.

Escalado para não jogar nem deixar jogar, o Corinthians levou aos pênaltis e lá se valeu da leveza emocional de quem estava desobrigado a se classificar. Ramón Díaz poupou titulares porque pretende sair de vez da zona do rebaixamento, preocupação maior da torcida corintiana.

Quem esteve em campo no Couto Pereira competiu. Jogar bola, ninguém jogou. Não é contra a regra montar uma estratégia de negação e mordaça, desde que cumprindo as leis do jogo.

O Corinthians passou, o Grêmio ficou. Renato Portaluppi não foi bem na entrevista pós-eliminação, deu uma entrevista muito menor do que seu próprio gigantesco tamanho de profissional competente e vitorioso.

Talvez tenha feito de caso pensado para poupar seus jogadores e ser ele, Renato, o alvo exclusivo das críticas. Agora, sua tarefa é restabelecer algum equilíbrio para os enfrentamentos imediatos. Contra o Cuiabá, combate direto no objetivo de não cair.

Terça-feira (13), contra o Fluminense, a última chance para o Grêmio encontrar um norte mais nobre do que só permanecer na Série A. Renato não utilizou nenhum dos reforços recentes que a diretoria lhe entregou.

A decisão de tirar o centroavante Arezo do banco foi bem equivocada. Monsalve, que jogara bem na estreia dele em Curitiba domingo (4) passado, não entrou. Aravena, que ninguém viu jogar, também não. Para quem se queixava até bem pouco tempo de falta de opções de elenco, sair da Copa do Brasil sem um minuto em campo dos jogadores contratados é incompreensível.

De agora em diante, nem que seja por necessidade para evitar o pior, o treinador gremista terá que voltar os olhos para os jovens talentosos e inexperientes que lhe foram entregues.

O adversário

Já o Fluminense acaba de ser eliminado com justiça para o Juventude. Joga o mesmo Brasileirão do Grêmio, o da segunda página da tabela.

Tem bons a excelentes jogadores, metade deles na parte final da carreira. A consequência é uma queda drástica de intensidade física na parte final dos jogos. Também conta com jovens promissores a dar esperança de que há sobrevida na Libertadores. Kauã Elias, atacante, é o mais fulgurante deles. Jovens recém afirmados, como o volante André, também alentam a torcida para o que vem por aí.

Para o Grêmio e para o Fluminense, o 2024 com algum glamour se decide ainda em agosto.

sexta-feira, 9 de agosto de 2024


09 de Agosto de 2024
CARPINEJAR

Achado é roubado

Todo mundo tem um objeto maldito, que sempre desaparece. A reincidência é absurda. Some uma, duas, três vezes e você não cansa de comprar. Como diz a poeta americana Elizabeth Bishop: acostume-se com a arte de perder. Perder, ao longo dos anos, deixa de ser um mistério. Você passa a perder algo todo dia.

Você é campeão de extraviar o quê? Boné, óculos de sol, casaco, celular, canetas, brincos, chaves, controle remoto da televisão, do portão? Não há quem não perca a cabeça junto.

A minha esposa é colecionadora de caixinhas de AirPods. Ela solta os fones em território misterioso e ignoto - pensa que ficaram no bolso de uma jaqueta, numa bolsa, numa mochila, no porta-luvas do carro, mas nunca estão lá - e conserva aquelas ostras brancas de recordação, sem mais nenhuma pérola para colocar nos ouvidos. Fones viraram seu presente fixo do Dia dos Namorados.

Quando criança, eu só esquecia guarda-chuva. O tempo abria, o sol vinha, a utilidade dele acabava, e eu o abandonava num canto qualquer. As garrafinhas térmicas de água (nada baratas) e os copos isolantes para manter o café aquecido são meus guarda-chuvas da vida adulta.

Eu não consigo preservá-los. Sequer com hipnose sou capaz de melhorar a minha atenção. Ocorre um bug do sistema nervoso, uma falha geral que me impede de lembrar de trazê-los de volta para casa.

Já estou na minha quinta garrafinha. Vivo repondo a sua ausência, pois é um item obrigatório para a academia e viagens. O pessoal da loja me conhece: "Lá vem ele de novo!". Deveria existir uma promoção: depois da quinta garrafinha perdida, ganhe uma de graça.

Variei o produto de cor, buscando controlar a sua existência, cristalizar a necessidade, curar-me do desleixo e da distração, mas eu sempre largo no console do Uber ou do táxi, na academia, no balcão de um comércio ou na mesa de um restaurante.

Quando me dou conta de que perdi, corro para reaver e então constato o que jamais entenderei da nossa cultura do desrespeito: nunca está onde deixei. Ninguém pegou. Ninguém viu.

Como uma pessoa toma para si algo que não é seu? Como ela se apropria de um bem que não lhe pertence? Qual o descaramento para usar sem culpa nenhuma? Não tem educação? Não possui decência? Não vale aquela regra de não fazer com o próximo o que não gostaria que fosse feito com você?

E quem leva embora o artigo alheio, na maior parte dos casos, não é um pé-rapado, desfruta de condições financeiras, estabilidade, segurança familiar. Simplesmente quer lucrar com a casualidade. É alguém que, ao cruzar conosco pela rua, jamais nos despertaria desconfiança pela aparência.

Em países escandinavos (Noruega, Suécia, Dinamarca), você pode se descuidar da sua carteira, largá-la num banco de praça, e vai estar no mesmo lugar horas depois. Nem precisa se desesperar. Apesar de ser um ambiente público, com fluxo constante de pedestres: não se mexe naquilo que é do outro.

Tente agir assim num parque, num shopping, num cinema, num teatro da sua cidade. Ainda não absorvemos uma lição básica de cidadania: achado é roubado. Como uma pessoa toma para si algo que não é seu? Como ela se apropria de um bem que não lhe pertence?

CARPINEJAR

09 de Agosto de 2024
Juliana Bublitz

Gêmeos do Hampel

Famoso pelas churrascadas memoráveis no Parador Hampel, considerado o hotel mais antigo da Serra, em São Francisco de Paula, o chef Marcos Livi anda orgulhoso. Seus dois filhos, os gêmeos Guilherme e Frederico, que vivem em São Paulo, estão cada vez mais próximos do RS: assumiram a pilcha, mergulharam na cultura gaúcha e atraem a atenção de quem visita o lugar.

A dupla de 15 anos é craque no assado e na lida campeira. Guilherme tem acompanhado Livi em palestras sobre a cozinha do fogo e comanda a grelha com maestria. Fred tornou-se expert em cavalos crioulos. Ambos fizeram até curso de doma.

Por um mês, nas férias de inverno, os guris recepcionaram hóspedes, preparam a "boia" e conduziram cavalgadas. Vestiram bota, bombacha e chapéu e dão pinta de que vão dar continuidade aos negócios de Livi, um dos chefs mais requisitados do Brasil.

Expointer

- Eu nunca forcei nada, porque acho que não devemos transferir nossos sonhos para os filhos. Eles devem trilhar o caminho deles, mas estou muito feliz com essa conexão - conta o assador, que fará uma edição especial de Dia dos Pais do evento A Ferro e Fogo no próximo domingo, no pátio do Parador.

Por dificuldades de deslocamento devido à situação do Aeroporto Salgado Filho, os gêmeos vão acompanhar a festa a distância, mas já avisaram: não abrem mão de assistir ao Freio de Ouro de camarote na Expointer e já estão prontos para o desfile de 20 de Setembro. Ao lado do pai, claro. E de cavalo. _

"Mob Brasil" no píer da Usina do Gasômetro

O píer da Usina do Gasômetro, que ficou submerso na enchente de maio deste ano, em Porto Alegre, vai voltar a receber uma exposição fotográfica. É uma ótima notícia para a Capital, que segue no caminho da retomada.

A partir das 16h de amanhã, será inaugurada a 3ª edição da mostra Mob Brasil, com imagens de 49 fotógrafos de diferentes regiões do país feitas pelo telefone celular. A iniciativa tem a curadoria do produtor cultural e fotógrafo Marcos Monteiro.

Originalmente, Monteiro deu vida à Galeria Escadaria, no viaduto da Avenida Borges de Medeiros, no Centro Histórico, mas migrou para a área à beira do Guaíba, com painéis espalhados pelo deque. A antiga estrutura foi levada pela água. Agora, é o recomeço.

A exposição segue em cartaz até 30 de setembro, 24 horas por dia, com entrada franca. Vale o passeio. _

O evento A Ferro e Fogo especial do Dia dos Pais, neste domingo, no Parador Hampel, terá novidade: uma receita de "curanto" (espécie de assado no buraco, no calor das pedras). Mais detalhes no perfil @paradorhampel no Instagram.

Canta, diva

Luiza Hellena já passou por tudo na vida. Depois de anos se apresentando em bares, entoando sambas-enredo na Escola Praiana, da Capital, e liderando o Sindicato dos Músicos do RS, ela estava prestes a realizar o sonho em 2023: lançar o primeiro álbum, aos 78 anos. O destino pregou uma peça, e não deu certo. Aí veio a enchente e levou tudo. Luiza ainda não conseguiu voltar para casa.

Agora, na luta pela retomada, ao lado de Paulinho Parada, ela vai cantar Lupicínio Rodrigues no Dia dos Pais. Será às 12h de domingo na Don Dieguito (Rua Olavo Bilac, 243, Cidade Baixa). Vai por mim: é um baita programa. _

Em quatro idiomas

Vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura e uma das mais talentosas de sua geração, a escritora gaúcha Morgana Kretzmann, de Três Passos, será a primeira autora brasileira publicada pelo selo HarperVia, da tradicional editora HarperCollins, de Nova York.

O título escolhido é Água Turva, cuja história se passa na maior reserva florestal do Rio Grande do Sul, o Parque Estadual do Turvo, em Derrubadas, onde a paisagem é dominada pelo Salto do Yucumã.

Além da versão em inglês na segunda maior editora do mundo (fundada em 1817, nos Estados Unidos), a obra será traduzida para o francês, o espanhol e o alemão.

Isso é que é estreia no mercado literário internacional. E o melhor: o Rio Grande do Sul vai junto. _

água turva

É o segundo livro da autora gaúcha. Foi lançado em março pela Companhia das Letras, com obra de Iberê Camargo na capa.

360 GRAUS

09 de Agosto de 2024
EDITORIAL

EDITORIAL - O poder da mobilização

A importância da pressão da sociedade gaúcha para cobrar ritmo adequado nas obras e projetos indispensáveis para a recuperação do Estado após a cheia de maio pode ser ilustrada pela mobilização em torno da reabertura do aeroporto da Capital, tomado por semanas pelas águas. No início de junho, um mês após o início do alagamento, a concessionária Fraport e o governo federal informaram que a previsão era reabrir o Salgado Filho em dezembro. O prazo foi considerado inaceitável, como assinalou de forma veemente este espaço. Iniciou-se um forte movimento para instar empresa e poder público a encontrar formas de agilizar os trabalhos necessários para a volta dos voos. A previsão, então, passou para outubro, embora ainda de forma parcial.

O retorno a pleno das operações no aeroporto é basilar para a recuperação do Estado. O quadro atual impõe prejuízos e transtornos à economia gaúcha e aos cidadãos. Reportagem publicada ontem em ZH mostra que, entre maio e junho, o fluxo de passageiros na Região Metropolitana caiu 92% ante os mesmos meses de 2023. Reflexo do Salgado Filho paralisado e do uso limitado da Base Aérea de Canoas. Para a maior parte dos usuários, chegar ou sair do Rio Grande do Sul virou uma maratona custosa. É preciso embarcar ou desembarcar em outras cidades gaúchas e catarinenses, o que exige deslocamento rodoviário e causa perda de tempo. 

O Painel da Reconstrução, do Grupo RBS, aponta que, nesses dois meses, o fluxo de passageiros na base aérea e nos aeroportos da malha emergencial foi de 967 mil pessoas. Em 2023, neste mesmo recorte temporal, esses terminais alternativos, mais o Salgado Filho, movimentaram mais de 1,9 milhão de viajantes. Fica evidente a oferta de assentos muito aquém da demanda. A consequência foi a explosão dos preços das passagens.

As perdas econômicas são significativas, como bem sabem os setores de turismo, eventos e cultura, entre outros. Ligação aérea rápida com outros centros urbanos importantes do país e do Exterior é essencial para fazer negócios e tornar o Estado atrativo para investimentos. O transporte aéreo de cargas, que vinha em crescimento, talvez demore ainda mais para se recuperar, gerando custos logísticos extras às empresas.

A operação parcial, a princípio a partir de 21 de outubro, começa com 128 voos diários. A reabertura total, inclusive para voos internacionais, é prevista para dezembro. Trata-se de uma questão de tamanha relevância que não basta a sociedade gaúcha manter-se atenta para exigir o cumprimento do cronograma. É cabível reivindicar da Fraport que se esforce ainda mais para antecipar os prazos atuais, desde que respeitadas as normas de segurança. O Rio Grande do Sul está sem o Salgado Filho desde 3 de maio. Para abreviar o reerguimento do Estado e os contratempos de quem precisa do aeroporto, cada dia conta.

A mesma cobrança incisiva precisa ser repetida em outras frentes essenciais à recuperação do Estado, como as promessas de crédito às empresas, reconstrução de pontes, entrega de moradias e auxílio às populações atingidas. 


09 de Agosto de 2024
RELAÇÕES ESTREMECIDAS

RELAÇÕES ESTREMECIDAS

Lula reage a Ortega e expulsa embaixadora da Nicarágua no Brasil. O governo Luiz Inácio Lula da Silva decidiu ontem expulsar a embaixadora da Nicarágua no Brasil, Fulvia Patricia Castro Matu. O Itamaraty se valeu do princípio da reciprocidade depois de a ditadura de Daniel Ortega ordenar que o embaixador brasileiro Breno Souza da Costa deixasse o país.

A expulsão da embaixadora da Nicarágua foi anunciada após reunião entre Lula e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Fulvia apresentou suas credenciais ao Itamaraty no fim de maio e não chegou a ser recebida pelo presidente.

A ordem de Ortega para expulsar o embaixador brasileiro foi retaliação pela ausência de Costa na celebração dos 45 anos da Revolução Sandinista. Ao ser notificado sobre a queixa, o governo brasileiro chegou a pedir à Nicarágua que ponderasse, mas ficou sem resposta.

O gesto de expulsar embaixadores, algo grave em linguagem diplomática, marca o distanciamento entre Lula e Ortega. O brasileiro tem com o ditador relação de longa data, tensionada pela perseguição a líderes católicos na Nicarágua.

Lula disse há pouco mais de duas semanas que Ortega não atende às ligações desde que ele se propôs a interceder pela liberação do bispo Rolando Álvarez a pedido do papa Francisco. O religioso foi condenado a 16 anos de prisão após se recusar a deixar o país e cumpre pena em regime domiciliar.

Crises em paralelo

O acirramento da tensão com a Nicarágua ocorre no momento em que o Brasil tenta se posicionar como mediador diante de outro regime autoritário de esquerda, o de Nicolás Maduro, na Venezuela. E as crises têm relação entre si.

É preciso analisar essa situação muito em paralelo com o que está acontecendo na Venezuela - afirma Daniel Buarque, jornalista, doutor em Relações Internacionais e editor-executivo do portal Interesse Nacional.

O rompimento das relações da Nicarágua com o Brasil e a tensão após reeleição de Maduro sob suspeita de fraude evidenciam a radicalização desses regimes - o que representa desafio, mas também oportunidade ao governo:

- É uma oportunidade para o governo Lula adotar postura menos leniente do que estava tendo com esses governos autoritários de esquerda. Oportunidade para demonstrar que vai defender a democracia e não vai ficar aceitando governos autoritários apenas por questões ideológicas.

Ao mesmo tempo, ele pondera que as relações com esses países são importantes para o Brasil se posicionar como líder na América Latina, como almeja Lula.

Ontem, a eleição na Venezuela foi um dos temas debatidos na segunda reunião ministerial do governo federal em 2024, no Palácio do Planalto. O encontro com os 39 ministros teve como objetivo organizar a atuação de sua equipe nas eleições municipais e cobrar o andamento de projetos. Em discurso inicial do encontro, Lula disse que busca "encontrar uma situação pacífica para a questão da Venezuela".

Em nova nota conjunta publicada ontem, ministros das Relações Exteriores de Brasil, Colômbia e México voltaram a cobrar atas eleitorais da Venezuela. _

Relações estremecidas

Governo federal adota princípio de reciprocidade após país da América Central ter ordenado saída de representante diplomático por se ausentar de celebração sandinista


09 de Agosto de 2024
FUNDO DE GARANTIA

FUNDO DE GARANTIA

Caixa começa hoje a distribuir R$ 15,2 bi do lucro do FGTS de 2023

O conselho curador do FGTS aprovou, ontem, proposta apresentada pelo governo federal de distribuir aos trabalhadores R$ 15,2 bilhões dos lucros do fundo registrados em 2023. O valor representa 65% do resultado recorde obtido pelo FGTS no ano passado, de R$ 23,4 bilhões.

A Caixa Econômica Federal começa a distribuir os valores a partir de hoje nas 218,6 milhões de contas vinculadas com direito à distribuição, de titularidade de 130,8 milhões de trabalhadores.

De acordo com a Caixa, com a distribuição dos resultados, as contas do FGTS em 2023 terão rentabilidade de 7,78%, mais alta do que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do período, que ficou em 4,62%. Caso não houvesse a distribuição, a remuneração básica do fundo, que atingiu 4,96%, já seria suficiente para superar o IPCA de 2023.

O dinheiro é distribuído proporcionalmente ao saldo de cada conta do trabalhador em 31 de dezembro de 2023. Para saber a parcela do lucro que será depositada, o trabalhador deve multiplicar o saldo por 0,02693258.

Ou seja, a cada R$ 1 mil de saldo, o cotista recebe R$ 26,93.

O restante do lucro, de R$ 8,2 bilhões, será usado para garantir, futuramente, que a remuneração reponha ao menos o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a legislação, a remuneração do FGTS é baseada em TR (Taxa Referencial) mais 3% somada à distribuição de resultados.

Reserva técnica

A Corte determinou que, quando esse cálculo não repuser o IPCA, caberá ao conselho curador do fundo estabelecer a forma de compensação. Na prática, a inflação será uma espécie de "piso" na correção dos saldos - mas apenas para os depósitos feitos a partir da decisão do Supremo. Ou seja, não vale para o saldo que já estava nas contas nesta data.

A reserva técnica, que será formada com os recursos restantes do lucro, servirá para compensar os anos em que a TR mais 3%, somada à distribuição de resultados, estiver abaixo da inflação. Em 2023, R$ 6,4 bilhões do lucro decorreram da valorização dos ativos do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. 



09 de Agosto de 2024
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Dois pesos, duas medidas

Herdeiro do Palácio de Miraflores, Maduro erigiu uma estrutura de poder que, aos poucos, abocanhou as demais instituições. Mas, ainda assim, o Brasil seguiu respaldando as ações autoritárias, evitando caracterizar o regime como uma autocracia e desfraldando o tapete vermelho para o líder venezuelano. Nas semanas anteriores à eleição no país vizinho, Lula disse estar assustado em relação à promessa de Maduro de que haveria um banho de sangue, caso perdesse a disputa. Passado o pleito do dia 28 de julho, primeiro afirmou não ver nada grave, enquanto o governo empurra com a barriga uma tomada de posição, pedindo a divulgação das atas.

No caso nicaraguense, a esquerda brasileira (e latino-americana) sonhou e viveu a Revolução Sandinista de 45 anos atrás, que derrubou a ditadura de direita de Anastasio Somoza. Líder do movimento, Daniel Ortega, em segundo mandato, foi mordido pela mosca azul: sucumbiu à tentação de muitos outrora heroicos revolucionários que, ao assumirem, entronam-se no poder. Lula foi próximo de Ortega, mas mantém relação cada vez mais distante no atual governo.

Mais um ponto de enregelamento ocorre agora, diante da notícia de que o governo nicaraguense decidiu expulsar o embaixador brasileiro Breno de Souza da Costa, depois que o diplomata, sob orientações do Itamaraty, não compareceu à cerimônia de aniversário da Revolução Sandinista. No pano de fundo, o desconforto de Ortega devido à tentativa de mediação de Lula para a libertação do bispo católico Rolando José Álvarez, a pedido do papa Francisco. O Brasil cobra explicações sobre o caso do embaixador, e as relações estão congeladas.

Há diferenças de tratamento entre Venezuela e Nicarágua. No caso venezuelano, a situação é mais sensível para o governo brasileiro. Os dois países são mais próximos geograficamente - compartilham uma porosa fronteira terrestre nos Estados de Roraima e Amazonas. Uma guerra civil no país vizinho significa, certamente, um fluxo ainda maior de refugiados para o Brasil. Sob delegação dos EUA, o Brasil é considerado o interlocutor natural da crise. Daí, a postura do Itamaraty de não romper relações com Caracas, buscar manter os canais diplomáticos ativos e o diálogo com a oposição.

No caso da Nicarágua, a relação é mais distante - não só porque Ortega já é mera efígie da Revolução, mas também porque o endurecimento do regime mexe com uma dinâmica geopolítica muito mais relacionada com os vizinhos centro-americanos, como Honduras, Costa Rica e Panamá. Além disso, esse é entendido como um problema que está na alçada dos Estados Unidos - e não do Brasil. _

Presente de São Paulo para Porto Alegre

Capital em ação com São Leopoldo

Como noticiado em Zero Hora em maio, havia um convênio entre a União e o município para que o órgão federal realizasse os serviços, contudo, o acordo foi rompido em 2015.

Agora, Porto Alegre entra com o pedido para "apoiar" São Leopoldo na ação, requisitando responsabilização da União no enfrentamento da enchente.

- O resultado nos interessa, pois o que acontece lá repercute aqui - explica o procurador-geral adjunto de Domínio Público, Urbanismo e Meio Ambiente, Nelson Marisco. - A União é responsável por conceder recursos.

O pedido aguarda decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). _

Mudanças climáticas elevaram em 40% chance de fogo no Pantanal

A iniciativa foi de professores da comunidade Redelê, em parceria com a Associação Quatro Cinco Um.

A Secretaria Municipal de Educação (Smed) recebeu os itens, que foram distribuídos para 14 escolas próprias e seis parceirizadas com o apoio de militares e caminhões da Marinha. _

Médicos do RS elegem Chapa 2

TJ-RS garante medalha de bronze

Os médicos Carlos Sparta e Gerson Junqueira, titular e suplente, respectivamente, foram eleitos representantes do RS no Conselho Federal de Medicina (CFM). Eles são integrantes da Chapa 2 (Autonomia - Valorização - Respeito).

A eleição ocorreu entre terça e quarta-feira. Os mandatos, que começam em outubro, são de cinco anos. 

A migração de mais de 10 milhões de processos para a nuvem durante a enchente rendeu destaque internacional para o TJ-RS. O órgão ficou em terceiro lugar entre 20 cases na Expojud USA 2024, evento com foco em transformação digital no setor da Justiça, nos EUA. Com essa migração, o TJ foi o único tribunal do Judiciário do RS que não saiu do ar. _

Um estudo feito pelo World Weather Attribution (WWA) aponta que as mudanças climáticas agravaram em 40% as condições que levaram aos incêndios em junho no Pantanal.

O relatório também mostra que os focos estão de quatro a cinco vezes mais prováveis que ocorram do que antes.

A mesma organização internacional apontou, em junho, que a mudança climática dobrou a chance de chuva extrema no RS. Também há dois gaúchos no grupo: João Biehl e Miqueias Mugge, que atuam na Princeton University. 

INFORME ESPECIAL

quinta-feira, 8 de agosto de 2024


08 de Agosto de 2024
CARPINEJAR

O exílio amargo dos venezuelanos

Os incomodados que se retirem? Não é bem assim. Quem abandona um país adota uma atitude extrema. Realmente é quando há violação dos direitos básicos da cidadania, é quando há insalubridade, desemprego, miséria e supressão da autonomia. Trata-se de uma medida urgente, que desencadeia o brutal afastamento de parte da sua família e de suas raízes.

O pensador palestino Edward Said talvez tenha melhor definido o que é essa sensação de ruptura de vínculo. Ele a concebe como a quebra de um osso em Reflexões sobre o Exílio (Companhia das Letras, 2001): "É terrível de experienciar. Ele [o exílio] é uma fratura incurável entre um ser humano e um lugar natal, entre o eu e seu verdadeiro lar: sua tristeza essencial jamais pode ser superada".

Os estilhaços não se recompõem. Se a dignidade humana está representada em tudo o que foi construído com o suor do trabalho ao longo da existência, perde-se subitamente a identidade da memória. Ao morar em qualquer local, você também percebe a si como qualquer pessoa.

O exílio é o gosto amargo de uma derrota coletiva. É uma saída forçada, jamais cogitada. É aquilo que o filósofo italiano Giambattista Vico dizia de "se sentir um estrangeiro em sua própria pátria".

No caso da Venezuela, aqueles que saíram do país estão inseridos em duas categorias: os que foram expulsos e impedidos de voltar (exilados na acepção literal da palavra); e os que moram voluntariamente em outro país, geralmente por motivos sociais (na condição de expatriados).

É uma situação muito diferente da dos emigrados, com liberdade de escolha, que optaram por deixar seu país por questões pessoais. Se, apesar das irregularidades escandalosas da nova eleição de Nicolás Maduro, alguém tem dúvida (e segue a conduta periclitante e melindrosa do presidente Lula) de que a Venezuela mergulha numa tirania sem precedentes, basta ver o contingente de evasão de seus habitantes.

Como explicar que existam 7,7 milhões de venezuelanos vivendo fora? De acordo com a Agência da ONU para Refugiados (Acnur), eles migraram desde 2014, no maior êxodo da história recente da América Latina, cobrindo a extensão do primeiro ao terceiro mandato de Maduro.

7,7 milhões de uma população de 28,3 milhões! Um número expressivo que evidencia a opressão. 27,2% da nação atravessou as fronteiras, um a cada quatro moradores procurou refúgio no estrangeiro.

Se fôssemos comparar com o Brasil, proporcionalmente, seria o equivalente a 54 milhões de brasileiros no Exterior. Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações, há cerca de 586 mil venezuelanos acolhidos no nosso país. É só falar com um deles para entender a natureza nada turística do asilo.

Não são indivíduos que buscaram simplesmente uma alternativa de sobrevivência, porém escaparam de um regime autoritário que castiga a pluralidade, censura manifestações, pune dissidentes, persegue artistas e jornalistas de tendências críticas e prende opositores.

Até o Tribunal Supremo de Justiça e o Conselho Nacional Eleitoral têm atitudes suspeitas, condicionadas pelo Executivo. Nem o WhatsApp é recomendado pelo ditador, que pediu para a população excluir o aplicativo e usar os serviços do Telegram, criado na Rússia, e do WeChat, desenvolvido na China.

Não sobra esperança, essa luz no fim do túnel. O findar da esperança é o mais profundo desterro. As trevas da pátria. _

CARPINEJAR


08 de Agosto de 2024
ELEIÇÃO CONTESTADA

ELEIÇÃO CONTESTADA

Opositor de Maduro não comparece a audiência

O candidato de oposição Edmundo González Urrutia desobedeceu, ontem, a uma convocação do tribunal supremo de justiça da Venezuela. A convocação era para "certificar" a questionada eleição na qual o presidente Nicolás Maduro foi declarado vencedor. González, representante da líder inabilitada María Corina Machado, denunciou fraudes e afirma ter provas que mostram sua vitória nas eleições de 28 de julho.

- Se eu for à câmara eleitoral nestas condições, estarei em absoluta vulnerabilidade devido ao desamparo e à violação do devido processo. E colocarei em risco não só a minha liberdade, mas, mais importante ainda, a vontade do povo venezuelano expressa em julho - destacou o opositor nas redes sociais.

A audiência foi realizada sem González Urrutia. Uma cadeira vazia com seu nome foi exibida pela TV estatal.

- É importante que o seu não comparecimento e o não cumprimento da convocação fiquem registrados em ata - disse a presidente do tribunal, Caryslia Rodríguez, que já havia alertado para "consequências" em caso de não comparecimento.

Prisão mostrada em vídeo

María Oropeza, colaboradora da líder da oposição María Corina Machado, registrou ontem, em uma transmissão ao vivo, o momento em que é levada por militares. A detenção ocorreu horas depois de ela criticar uma campanha oficial que pede a denúncia de casos de "ódio" em meio aos protestos contra a questionada reeleição de Maduro.

- Eu não sou uma criminosa, sou apenas mais uma cidadã que quer um país diferente - disse María Oropeza, antes do corte da transmissão. _


08 de Agosto de 2024
CONCURSO NACIONAL

CONCURSO NACIONAL

Candidatos podem conferir local de prova a ser realizada no dia 18

Os mais de 2,11 milhões de candidatos do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) já podem conferir, desde ontem, o seu local de realização da prova, que será realizada no próximo dia 18. No Rio Grande do Sul, que conta com 78,6 mil inscritos, o exame será aplicado em 10 municípios. São 6.640 vagas abertas em 21 órgãos federais.

O local e horário da prova estarão presentes no Cartão de Confirmação de Inscrição na Área do Candidato no site da Fundação Cesgranrio, organizadora do Concurso Nacional Unificado. Para acessar, basta realizar login no endereço cpnu.cesgranrio.org.br com os dados da conta cadastrada no portal gov.br.

Além de indicar o local, o documento apresenta o número de inscrição de cada candidato e informações sobre tratamento especial - como nome social, por exemplo.

O candidato pode solicitar a correção de informações do cartão de confirmação, de acordo com o que ele pediu no ato da inscrição, mas não é possível solicitar para mudar de município de realização da prova. Para pedir correções no documento, os candidatos devem entrar em contato com a empresa aplicadora do concurso, a Fundação Cesgranrio, pelo telefone 0800-701-2028. Embora não seja obrigatório, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) recomenda levar o cartão no dia da realização da prova.

Lista de espera

Além das 6.640 vagas, o certame terá um banco de candidatos com mais de 13 mil classificados que ficarão na lista de espera, com a possibilidade de novas convocações, inclusive para vagas temporárias que surgirem. As novas convocações para os cargos previstos neste concurso poderão ser feitas a cada seis meses ou conforme a necessidade e o fluxo de liberação e desocupação dos cargos. Os salários básicos iniciais dos aprovados variam de R$ 4.407,90 a R$ 22,9 mil. _

Candidatos inscritos no RS

Porto Alegre 37.546

Pelotas 10.795

Santa Maria 8.778

Passo Fundo 4.943

Santo Ângelo 4.285

Caxias do Sul 3.096

Santa Cruz do Sul 2.922

Bagé 2.553

Uruguaiana 2.533

Farroupilha 1.228

Total 78.679


08 de Agosto de 2024
GESTÃO PÚBLICA

PGR pede ao Supremo que declare emenda Pix inconstitucional

Procurador-geral da República diz que mecanismo deturpa sistema republicano e destaca riscos de transferências especiais em períodos eleitorais

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que declare inconstitucionais as emendas Pix - a transferência direta de recursos federais sem transparência, controle de aplicação das verbas ou fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU).

Gonet diz que é patente a "deturpação do sistema republicano" de acompanhamento dos gastos públicos. A avaliação é a de que o mecanismo não é "admissível", considerando a falta de transparência e de rastreabilidade dos recursos.

A Procuradoria-geral da República (PGR) pede que a Corte suspenda imediatamente os dispositivos que regulam as emendas Pix destacando os riscos das transferências especiais em períodos eleitorais, como o que se inicia neste mês. A PGR vê possibilidade de danos "irreparáveis ou de difícil reparação ao erário", com "mal ferimento dos deveres estatais de transparência, máxima divulgação, rastreabilidade e controle social dos gastos públicos".

A ação foi impetrada na terça-feira, quase uma semana após o ministro Flávio Dino, do STF, determinar que o governo e o Congresso deem total transparência às emendas Pix. Dino ainda estabeleceu critérios para a liberação dos recursos, determinando que o Executivo federal só efetue os repasses quando forem preenchidos os requisitos constitucionais da transparência e da rastreabilidade.

Tal decisão foi proferida no bojo de uma ação movida pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. Segundo a PGR, há dúvidas sobre a legitimidade da Abraji para questionar as emendas Pix. Assim, a ideia de Gonet foi "garantir que o tema seja apreciado pelo STF". O chefe do Ministério Público Federal pediu que a ação seja distribuída também ao gabinete de Dino.

Sem fiscalização

Segundo Gonet, essas transferências geram "prejuízo inaceitável" ao modelo de controle sobre a aplicação de verbas federais. "As assim chamadas emendas Pix, desprovidas das ferramentas de fiscalização constitucionais, arriscam a se convolar em instrumento deturpador das práticas republicanas de relacionamento entre agentes públicos, propiciando o proveito de interesses distintos dos que a atividade política deve buscar", argumentou na ação.

Segundo Gonet, as emendas Pix implicam "inequívoca degradação" do papel do Executivo de planejar e executar o orçamento. A PGR destacou que, no caso das transferências especiais, a distribuição de recursos é imposta pelo parlamentar autor da emenda, "que não é cobrado a definir com mínima precisão a finalidade e a destinação do recurso e também escapa aos mecanismos de controle democrático sobre as vicissitudes desses recursos". 



08 DE AGOSTO DE 2024
INFORME - Rodrigo Lopes

Todos somos atores do trânsito

A EPTC divulgou nesta semana um relatório detalhado que serve de alerta para a população de Porto Alegre não só pelo elevado número de mortes no trânsito, o que já deveria, com o perdão do trocadilho, acender o sinal vermelho em todos nós, mas, principalmente, pelo caráter educativo por trás dos dados.

Nos sete primeiros meses de 2024, foram registradas 53 mortes no trânsito - 16 óbitos a mais do que no mesmo período no ano passado. Em todo o 2023, foram 71. Os principais fatores são conhecidos: velocidade excessiva; condutor sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) regular; comportamento imprudente e alcoolemia (teor alcoólico no sangue). Foram 7.349 incidentes, que resultaram em 3.556 pessoas feridas até julho.

Todos nós somos atores do trânsito - enquanto pedestres, ciclistas, usuários de patinetes, skatistas, motoristas e motociclistas. Ou seja, devemos colocar a mão na consciência sobre nossas condutas ao sairmos às ruas.

Conforme o relatório, o principal tipo de acidente de trânsito é abalroamento (colisão lateral em movimento): 3.143. A EPTC tem intensificado as ações de fiscalização e educação. Já foram 561 autuações, 128 casos de problemas com a CNH, 116 recolhimentos de veículos e 167 documentos recolhidos, além de 17 pessoas em que, nas abordagens, foi constatada a ingestão de álcool.

- Estamos com ações, mas a sociedade precisa se dar conta de que passou por um trauma ambiental e isso parece que segue refletindo no comportamento. O número de capotamentos, por exemplo, que observamos em ruas mais calmas e de colisões, resume bem esse cenário - diz o presidente da EPTC, Pedro Bisch Neto. 

quarta-feira, 7 de agosto de 2024


07 de Agosto de 2024
MÁRIO CORSO

Intersexo e transgênero

A Olimpíada da França está marcada pela polêmica. Após o mal-entendido sobre a Santa Ceia, agora o alvo é Imane Khelif, lutadora de boxe argelina. A acusaram de ser transgênero, uma mentira. Depois ela seria intersexo, alguém que nasce com genitália ambígua, quando não se sabe, ao nascer, qual é o sexo. Transgênero é quem não se reconhece com o corpo que nasceu.

Imane nasceu e foi criada como menina. Os boatos sobre ser intersexo começaram quando a Associação Internacional de Boxe (IBA) a desclassificou do mundial de boxe de 2023. Conforme eles: "tendo vantagens competitivas sobre outras competidoras femininas". Mas não foram claros quanto à razão.

Intersexo é uma palavra guarda-chuva. A genitália ambígua pode ter várias origens. Por exemplo, entre tantas possibilidades, nos extremos podemos ter um menino que depois se revela geneticamente XX, ou o contrário, uma menina depois revelada XY.

Nada nos permite concluir quanto a Imane, os fatos e os boatos se misturam. Além disso, o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a IBA não se entendem. O COI, e não só ele, dizem que a IBA não é farinha de se fazer hóstia. A acusam de manipular resultados.

A polêmica tem fundo político. Mas não é só isso, é difícil decidir sobre o tema, tanto no caso transgênero como no caso de intersexo. O COI é obcecado quanto a questão do uso de doping para obter vantagens físicas. Como eles fariam para classificar atletas, entre ser homem ou mulher, nos casos trans e intersexo, com o mesmo rigor que têm quanto ao doping?

A diferença entre os sexos não se resume apenas a quais hormônios estão ativos, mas quais estavam quando o corpo se constituiu. Os músculos de homens e mulheres são diferentes no volume e na distribuição dos tipos de fibras. O aporte de oxigênio para as células é diferente. As vantagens tendem para o corpo de genética masculina.

Enfim, é um tema complexo, daqueles em que somos felizes por não ser da nossa alçada. Na Grécia antiga só homens participavam das Olimpíadas. Na época moderna, as mulheres entraram depois da Primeira Guerra. A Olimpíada de Berlim foi marcada por derrotar o racismo. Talvez esse seja o desafio do momento. 

MÁRIO CORSO

07 de Agosto de 2024
EDITORIAL

EDITORIAL

À espera de maior aprofundamento

Debates entre postulantes a cargos públicos estão entre os momentos mais cruciais em uma campanha eleitoral. É nestes encontros que os candidatos são desafiados a responder à queima-roupa sobre projetos e explicar programas de governo. São confrontados com posturas contraditórias, opiniões e decisões pretéritas. Estão expostos ao embate de ideias frente a frente com os adversários. Para o eleitor, é a oportunidade de ter um panorama amplo das candidaturas, compará-las e decidir o voto com maior convicção.

Todos esses elementos apareceram ontem no primeiro debate entre os pré-candidatos à prefeitura da Capital, realizado pela Rádio Gaúcha. Participaram Felipe Camozzato (Novo), Juliana Brizola (PDT), Maria do Rosário (PT) e Sebastião Melo (MDB), pré-candidatos cujos partidos e federações têm representantes no Congresso Nacional. 

Como era esperado, o principal tema foi a enchente de maio e as formas de evitar novos alagamentos no futuro, com o fortalecimento do sistema anticheias. É a inquietação número 1 hoje dos porto-alegrenses. Mas aguarda-se que, nas próximas oportunidades, os pretendentes à tarefa de administrar o município entre 2025 e 2028 sejam mais objetivos e se aprofundem não apenas nesta questão, central para o futuro da Capital, mas em outros de grande relevância, como saúde, educação e mobilidade urbana.

Merecem registro, entre os pontos positivos, a manutenção do respeito entre os pré-candidatos, mesmo nos momentos mais tensos de contundência e de cobrança, além do dinamismo do debate possibilitado pelo número enxuto de participantes. Também é digna de nota a precedência da discussão em torno dos problemas reais da cidade, que afetam o dia a dia da população, mesmo que temas relacionados à polarização nacional tenham emergido em alguns instantes.

Ainda assim, é dever postular mais dos que estão em busca da confiança do eleitor de Porto Alegre. Será necessário que, daqui para a frente, as candidaturas esmiúcem melhor as suas propostas, apresentem de forma detalhada como irão cumprir os compromissos assumidos e digam de onde sairão os recursos. Os porto-alegrense estão à espera de soluções palpáveis. Jogo de empurra sobre responsabilidades e acusações mútuas nada resolve.

Cioso do dever de estar a serviço da sociedade gaúcha, o Grupo RBS centrará a sua cobertura eleitoral na apresentação de propostas. Veículos e plataformas abrirão amplos espaços para a exposição de ideias. Em setembro, o Gaúcha Atualidade fará entrevistas individuais com os quatro primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto. Entre a segunda quinzena de agosto e a primeira de setembro, no programa em vídeo Me Leva, em GZH, a gerente de Programação e Jornalismo da Rádio Gaúcha, Andressa Xavier, dará uma carona aos candidatos para circular pela cidade e tratar de respostas aos problemas de Porto Alegre. 

No videocast Zona Eleitoral, serão sabatinados os cabeças de chapa e os seus vices. Os concorrentes também responderão a temas do cotidiano da Capital na seção Vida Real, de Zero Hora, e voltarão a debater no dia 3 de outubro, na RBS TV. 


 07 de Agosto de 2024

TROCA DE GESTÃO - Leticia Mendes

TROCA DE GESTÃO

Começa a transição na última penitenciária sob comando da BM

Quase 30 anos depois de assumir o comando da Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), em Charqueadas, a Brigada Militar vai, gradativamente, deixar o local. A expectativa da BM é de que a transição completa para a Polícia Penal - que começou nesta segunda-feira - ocorra até abril de 2025.

Assim como ocorreu na Cadeia Pública de Porto Alegre (antigo Presídio Central), os policiais penais serão responsáveis pela administração. Com a saída da BM do antigo Central, a PEJ se tornou a única ainda gerida por PMs.

O futuro diretor da PEJ será Ricardo Vicent, que substituirá o major Glenio Daison Argemi Filho. A estimativa é de que sejam necessários 270 agentes para atuar na penitenciária, que abriga cerca de 2,5 mil presos.

A Polícia Penal é mais otimista em relação ao prazo e acredita que pode estar com a equipe apta a assumir a unidade ainda em janeiro. A confirmação depende da formação dos servidores.

- O governador deve encaminhar nos próximos dias a ampliação de forma emergencial dos cargos classe A de agente penitenciário. Deve entrar em votação e tão logo seja aprovado, e governador efetivar o chamamento dos servidores para a PEJ, vamos fazer a formação deles. Entre nomeação e formação leva-se uns quatro meses - afirma o superintendente dos Serviços Penitenciários, Mateus Schwartz.

Modelo de ressocialização

A PEJ se tornou modelo em projetos de ressocialização de presos. São fomentadas atividades como reciclagem, horta comunitária e criação de peixes. Segundo o comandante-geral da BM, coronel Cláudio dos Santos Feoli, o intuito é de que a transição seja realizada mantendo essas ações:

- A PEJ é uma das cadeias mais organizadas, do ponto de vista da disciplina, limpeza, dos processos e iniciativas mantidas ali. Para que permaneça tudo isso é que essa gestão compartilhada se iniciou. _

Brigadianos também deixarão a guarda dos muros de presídios

Além de transferir a administração da PEJ, a BM também deve deixar a guarda externa de outras prisões no Estado. O processo vem ocorrendo desde abril do ano passado. Ainda há 362 PMs em 29 cadeias.

- No início dessa jornada, tínhamos em torno de mil PMs exercendo essas funções e deixando de atender nossa missão, que é o policiamento ostensivo e a manutenção da ordem. Na última semana, a BM deixou a guarda dos muros de Santa Maria, vamos sair das duas cadeias de Caxias do Sul e até o fim do ano de Osório também - afirma Feoli.

Os soldados que deixarão as prisões retornarão para o policiamento em seus municípios.

- Temos PMs de todos os cantos do RS. Eles vão robustecer o policiamento nas pequenas cidades - diz o coronel.