segunda-feira, 4 de março de 2024


04 DE MARÇO DE 2024
INFORME ESPECIAL

O avesso do avesso

Deveríamos estar preocupados em formar leitores com pensamento crítico, não em tirar de circulação livros que causam "incômodo". O escritor Jeferson Tenório, ex-patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, está certo quando diz que O Avesso da Pele, obra premiada e vendida para mais de 10 países, merece respeito.

O texto aborda um tema que deve, sim, ser tratado em aula: o racismo estrutural, aquele que vive em nós, mesmo que a gente não se dê conta.

Escrevo isso, provocada por uma história que alçou minha terra natal, Santa Cruz do Sul, às manchetes do país.

A diretora de uma das principais escolas estaduais da cidade ficou revoltada ao encontrar no livro de Tenório - que integra o Programa Nacional do Livro e do Material Didático desde 2021 - trechos sobre sexo e palavras chulas. A professora gravou um vídeo expondo a indignação, e as 200 edições da obra (que ela própria havia mandado comprar) acabaram sendo retiradas de circulação por alguns dias - a decisão foi revertida pela Secretaria Estadual de Educação, em um ato de lucidez. Você pode dar o nome que quiser a isso e até concordar com a opinião da diretora. É seu direito.

Eu chamo de censura.

O livro faz parte da lista de obras que podem ser trabalhadas por professores com alunos do Ensino Médio. Não se trata de um texto sobre sexualidade, mas, ainda que fosse, em que ambiente você gostaria que seu filho adolescente conversasse sobre o assunto? Na rua? Ou na escola, sob o olhar cuidadoso do mestre?

Querer proteger os jovens de conteúdos considerados "inadequados" a partir de opiniões pessoais é um equívoco. A diretora argumenta, com razão, que pais poderiam reclamar. Não duvido. O tema não é fácil de ser digerido. Ainda assim, ler O Avesso da Pele é uma oportunidade para discutir racismo e violência. Termos "de baixo calão" não estão na história de forma gratuita. Eles são parte de uma realidade sobre a qual não devemos nos "escandalizar", mas tentar compreender para mudar.

JULIANA BUBLITZ

sábado, 2 de março de 2024


02 DE MARÇO DE 2024
MARTHA MEDEIROS

O avesso da egotrip

Quanto mais viajo, mais percebo que a recompensa visual - montanhas, lagos, monumentos - é um bônus, não o benefício premium. Claro que tudo que é belo encanta. Contrasta com o declínio, com a decadência, com o trágico que nos cerca. A beleza alivia a desesperança.

Mas hoje falo do aspecto paradoxal das viagens: vamos para longe a fim de sermos colocados em nosso lugar. Neste mundo de egos descontrolados, viajar tornou-se um exercício de humildade.

Estamos em outro país. Precisamos nos comunicar em um idioma que não dominamos. Com sorte, encontraremos nativos gentis que se esforçarão para nos entender e terão paciência com nossos erros - e erraremos à beça. Todos os dias, pequenos fracassos testarão nosso bom humor. Divertir-se com a própria ineficiência também pode ser relaxante.

Os aplicativos de celular respondem a quase todas as nossas dúvidas, mas eventualmente teremos que perguntar a um ser vivo se estamos mesmo próximos a determinado museu ou se aquela fila é a correta para pegar o teleférico. Precisaremos de ajuda para subir no trem com uma mala gigante, cheia de sapatos e roupas que não serão usados. Um fiscal poderá nos abordar numa blitz, dentro da estação de metrô. 

As lojas não oferecerão sacolas para colocarmos nossas compras, a não ser que paguemos um valor extra. Tomaremos banho de chuveirinho no hotel. Cansados de tantas selfies, pediremos a um estranho para que tire uma foto nossa com o ângulo mais aberto, torcendo para que ele não saia em disparada levando nosso aparelho.

Seremos surpreendidos por uma chuva diabólica na avenida mais luxuosa da cidade, o que nos obrigará a entrar no primeiro café. Para matar o tempo, sua mulher pedirá um suco e você tomará um capuccino. Na hora da conta, ao fazer a conversão da moeda, sentirá as pernas afrouxarem.

Pernas! Serão delas a incumbência de subir as escadarias que conduzem a santuários, de chegar ao último andar de um prédio histórico, de visitar arenas medievais e seus degraus de pedra com 50cm de altura, de percorrer rampas íngremes que levam a castelos ou a terraços com vista de 360 graus da cidade. O restaurante recomendado por uma prima talvez esteja a poucas quadras de distância, mas será preciso atravessar uma longa ponte até alcançá-lo e descobrir que a única mesa livre fica ao lado do banheiro.

Você não está em Pasárgada, não é amigo do rei e nenhum garçom lhe trata pelo nome. Se na sua terra você tem milhares de seguidores, lá fora é só mais um turista a superlotar as calçadas.

Por que sair de casa e se dar ao trabalho? Porque viajar não apenas nos faz transcender, também é uma ocasião oportuna de cair na real.

MARTHA MEDEIROS

02 DE MARÇO DE 2024
CLAUDIA TAJES

Conversas de canto de ouvido

Meu irmão sempre carregou o fardo de ouvir as conversas das pessoas, mesmo que não quisesse. Dentro de um ônibus, na mesa de um restaurante, tomando café no balcão de uma padaria, ele nunca podia estar a sós com os próprios pensamentos, as vidas alheias teimando em entrar pelos seus ouvidos.

Hoje se sabe que a sensibilidade auditiva é uma das características do autismo, mesmo o de grau mais leve, diagnóstico que o meu irmão teve recentemente. Mas até isso acontecer, ele não entendia por que diabos era obrigado a ouvir todos os desconhecidos que o cercavam. Isso quando não passava por fofoqueiro, enxerido, intrometido, bisbilhoteiro e mais tudo isso que a gente diz de quem fica de butuca no assunto dos outros.

Pelo sim, pelo não, faz muito tempo que ele não é visto sem seus fones de ouvido. Um abelhudo culposo em franca negação.

Já eu, que não tenho nenhum diagnóstico como álibi, espicho as orelhas para ouvir as conversas próximas, não para passar adiante, "prepara que eu tenho uma quente", mas porque não existe melhor matéria-prima para escrever do que a vida de verdade.

Para provar, aí vão alguns exemplos. Os nomes serão preservados porque nunca se sabe, vai que alguém tenha a mesma mania que eu e reconheça os personagens. Melhor evitar os processos.

Mulher ao celular no banheiro do shopping: "Guria, eu acho que o Fulano tá a fim da Beltrana, que foi contratada para o nosso setor. Trabalho com ele há cinco anos e parecia que há cinco anos o cara não tomava banho. Quando tirava os sapatos embaixo da mesa, a gente saía abrindo todas as janelas, era como se tivessem despejado um caminhão de parmesão vencido no meio da sala. Desde que a Beltrana chegou, ele muda de roupa duas vezes por semana e periga até lavar os pés. Rezando para eles ficarem juntos, já pensou se o Fulano começa a tomar banho? Vai melhorar demais o nosso ambiente de trabalho".

Rapaz e garota no bloquinho de Carnaval no sábado passado, na frente da linda Livraria Baleia:

ELE: Eu beijei aquele cara ali!

ELA: Eu também!

ELE: Então a gente se beijou por osmose!

Dois homens à mesa do restaurante, cada um com o seu drinque e os dois mexendo no celular enquanto conversam - sem se olhar:

HOMEM 1: Eu vou ter que demitir. Não tem outro jeito.

HOMEM 2: Situação chata. Por mais que se tenha experiência, é sempre difícil.

HOMEM 1: Que nada, eu gosto. É tipo um detox, de vez em quando, é bom fazer.

Duas amigas no banheiro da academia:

AMIGA 1: Vou ter que falar com o meu personal. O meu treino não rende mais.

AMIGA 2: Para com isso. Olha o tamanho dos teus bíceps. Tu quer ficar igual à Gracyanne?

AMIGA 1: Eu quero ficar igual ao Daronco.

É como se diz: a literatura não pode ser inverossímil, mas a vida pode. E é.

CLAUDIA TAJES

02 DE MARÇO DE 2024
LEANDRO KARNAL

Após um desmaio súbito, em 2003, Dona Antônia foi internada às pressas. Tinha 70 anos. O quadro parecia grave. Para os quatro filhos assustados, o médico informou que ela tinha entrado em coma. Teve um derrame, e o desenlace era previsto para pouco tempo. Lágrimas intensas na sala de espera... Dona Antônia era muito amada por amigos e parentes.

O corpo humano é complexo, a medicina sabe algumas coisas e desconhece muitas, as orações foram fortes, o plano de saúde, ainda mais robusto, e os dias vieram sem o passamento. O quadro comatoso se prolongou. Incríveis 20 verões iluminaram o corpo magro da imóvel senhora no leito. Um milagre!

Tão inexplicável foi a sobrevivência quanto o despertar surpreendente. Dois dias após completar 90 anos, a matriarca abriu os olhos e pediu água. Gritos no hospital! Família convocada. Como um rastilho de pólvora incendiada, o quarto foi enchendo-se de júbilo e de lágrimas.

Eram duas décadas de saudade! Passado o susto, lá estava dona Antônia, reinstalada na sala do Jardim América, em São Paulo. Alegria! Festas! Beijos e choro. Ninguém sabia nem queria a explicação. Bastava vovó estar consciente. Havia netos a conhecer, genros e noras novos, anos de notícias familiares. Os filhos estavam extasiados; os netos acharam a notícia interessante; os genros e noras classificaram como bizarra a história.

Pelo fato de ela ter "dormido" por duas décadas, não restara mais nenhuma amiga da sua geração. Também estava extinta a linhagem de irmãos. Ela ressuscitara solitária. Só havia dados novos à frente, nada para trás.

Os primeiros dias foram de euforia. Velhas fotografias, brindes, narrativas pungentes e muitas, muitas lágrimas. Não havia intimidade ou histórias com os netos. Nenhum convivera com ela. Era uma estranha para os nascidos no século 21. Os filhos de dona Antônia tinham viva saudade da mãe. Conversaram muito e, depois dos diálogos, começaram a retornar a seus mundos. Todos tinham uma vida.

A velha casa dela estava ocupada pela primogênita, Dulce. Ela era a mais entusiasmada, mas reconhecia que não tinha como atender integralmente a veneranda figura ressurgida. Um a um, nas semanas seguintes, os filhos deram-se conta de que ninguém possuía estrutura bastante para o acolhimento permanente. Ela voltara, mas era uma nonagenária que precisaria de remédios e de cuidados. Havia sequelas.

A novidade tornou-se um fardo. Todos tinham perdido o hábito do convívio. Cada filho tinha seguido com a vida após uma espécie de luto com a mãe viva dos primeiros anos. Poucos a visitavam no hospital.

Todos tinham filhos. Dulce já contava com dois netos. Dona Antônia era amada em coma, mas incomodava consciente. Como no livro Incidente em Antares, de Erico Verissimo, a volta dela pegara-os desprevenidos. Era um cadáver que andava, uma nova Quitéria Campolargo emergida das páginas do autor gaúcho.

Sensível, a velha senhora percebeu o clima ao redor. Sorriam quando ela entrava, ofereciam cadeira, traziam chás. Era como uma visita querida, que todos amavam, mas que quebrava o ritmo e a intimidade da casa que, num dia, fora dela. Irônica, ela se lembrou de ter ensinado aos filhos que os hóspedes "se assemelhavam aos peixes; depois de três dias, fediam de forma insuportável". Viva, rediviva, dona Antônia estragava o olfato das conveniências.

Os murmúrios começaram. Os jovens reclamavam. Vovó não tinha celular, não era fã de Taylor Swift, não comia sushi e não conhecia nenhuma série. Era impossível conversar com ela! Os mais velhos repreendiam os infantes e falavam de genealogia: "Vocês não estariam vivos se ela não tivesse existido". O mais cínico dos netos respondeu: "Ela existiu e, agora, poderia desexistir, né?". O neologismo ácido, "desexistir", foi recebido com repreensões, porém não saiu da cabeça deles. Aquele velho tronco, germinado de novo, atrapalhava os brotos e flores exuberantes.

O que fazer? Alguém citou o filme Parente É Serpente, mas foi apupado. Assassinada? Você está louco? Bem, não se pode matar alguém que, no fundo, tinha estado morta. E começava a hermenêutica jurídica.

Dona Antônia sentia-se solitária na própria casa. Sua chegada interrompia as conversas. Os netos fugiam. Pensou em Eclesiastes 3: tudo teria seu tempo e sua hora... Há um tempo de nascer e um tempo de morrer. Ela quebrara a ordem e renascera depois de morrer. Sua existência violentava a ordem das coisas. Ela deveria ter falecido há tempo. A ciência a manteve, o acaso a ressuscitou, o tempo a tinha sepultado por completo. Camadas de memórias haviam sido submersas. Ela não deveria estar ali.

Dona Antônia ficou sem esperança. Resignada, pediu a um neto que chamasse aquele negócio... Um tal de Uber. Entrou no táxi, voltou ao hospital. Foi recebida com festa, fora personagem silenciosa ali por duas décadas. Pediu para ver a cama onde estivera. Quis ficar sozinha e deitou-se lá, adormecendo profundamente e tranquila, morrendo uma segunda vez. Somos mortais. Tudo tem seu tempo e sua hora e, mesmo a esperança, num dia, deve dar lugar a outras formas. Ressurreição sim, desde que o ressuscitado suba logo ao céu, como fez Jesus.

LEANDRO KARNAL

02 DE MARÇO DE 2024
BRUNA LOMBARDI

O PODER REVELA

Dizem que o poder corrompe. Não concordo. O poder não corrompe, o poder revela. Coloquei isso na fala de um personagem da série A Vida Secreta dos Casais, que escrevi para a HBO. Tudo o que fazemos nos releva, mostra quem realmente somos.

Pessoas que mudam de caráter numa posição de mando, na verdade não estão mudando, sempre foram o que agora mostram abertamente.

Não é a ocasião que faz o ladrão, cmo dizia Machado de Assis. A ocasião faz o furto, o ladrão nasce feito. A maneira como a gente reage a cada oportunidade, problema ou conflito mostra quem somos, até para nós mesmos.

Quando a gente diz alguma coisa a respeito de alguém está, na verdade, dizendo muito mais a respeito de nós mesmos. O que eu digo a seu respeito reflete o que eu sou. Nem todo mundo presta atenção nisso, basta ver críticas espalhadas nas redes sociais, pessoas falando dos outros como se elas estivessem acima do que dizem.

Repare no comportamento de uma pessoa que assume algum posto de chefia e veja se ela se transforma. Ou um colega que trata mal as pessoas mais humildes que ele e é extremamente solícito com alguém no comando. Aquele que só é gentil com alguém que o possa prejudicar. Se em alguma ocasião uma amiga te traiu, não fique triste, machucada ou surpresa. Nunca é coisa de um momento de fraqueza ou necessidade. O caráter das pessoas não muda conforme o vento, mas aparece quando a gente menos espera.

Talvez eu não tenha percebido que aquela amiga era traíra, que na primeira chance mostraria do que é capaz. Talvez eu não quisesse ver. Tinha o prazer de confiar e acreditava que nada abalaria isso. Até que aconteceu.

Todo mundo tem histórias assim. A gente se sente ferida, chora, não entende. Até que aprende e aí diz para si mesma: não vou mais sofrer com isso. Porque gente que nos trai é melhor perder do que encontrar. Então a gente deveria comemorar a perda. Pode até perdoar, mas nunca confiar novamente.

Sabe a história do escorpião que pediu carona para o sapo pra atravessar o rio? Queria o favor, se mostrou um amor. O sapo confia, bota o escorpião nas costas e começa a travessia. No meio do rio, o escorpião dá uma picada no sapo, que mal consegue acreditar e entender depois da promessa feita e do favor prestado. E pergunta a razão para o escorpião, que responde: é mais forte do que eu, é a minha natureza. Tem muita gente assim com essa natureza, com esse caráter ou melhor, a falta dele.

E é duro de repente ter que dizer: não confio mais em você. O poder não está só num posto de comando, o poder está nas pessoas que deixamos entrar na nossa vida, no nosso coração, na nossa cama.

O poder de uma amizade que se revela falsa. Amiga de verdade é quem te diz as coisas ruins na cara, mas nas costas só fala bem de você. Vai te defender quando você não está vendo. Vai te ajudar e torcer por você.

A gente quer o sucesso de uma amiga, quer que ela seja feliz.

Sabe o que revela seu caráter? A maneira como você se comporta quando ninguém tá vendo. A consciência que você tem quando não tem ninguém te cobrando. As coisas que você faz para quem não pode fazer nada por você.

BRUNA LOMBARDI

02 DE MARÇO DE 2024
BRUNA LOMBARDI

TRANSTORNO NA TV

ENTENDA O QUADRO PSICÓTICO AGUDO, QUE ACOMETEU A EX-BBB VANESSA LOPES

A ex-participante do programa Big Brother Brasil 2024, Vanessa Lopes, chamou a atenção no programa com crises recorrentes de choro e conversas sobre teorias da conspiração. A influencer chegou a receber atendimento psicológico durante o confinamento, mas acabou desistindo e saiu da atração. Ao iniciar tratamento psiquiátrico, descobriu que teve um quadro psicótico agudo.

Segundo a psicóloga e especialista em Psicologia Clínica, Vanessa Gebrim, o quadro psicótico agudo se caracteriza pela ocorrência de sintomas como ideias delirantes, perturbação das percepções e por uma desorganização do comportamento.

- São comuns sintomas como desorganização do pensamento, alterações na percepção da realidade - explica a especialista.

Brasiliense criada em Recife (PE), 22 anos, ela tem mais de 30 milhões de seguidores nas redes sociais. Nas plataformas, compartilha coreografias e mostra seu cotidiano. Mas, no programa, exposta 24 horas por dia, o estresse e a ansiedade afetaram seu comportamento, como contou ao programa Fantástico.

- É como se a minha mente rompesse com a realidade. É como se eu já não entendesse mais o que é a imaginação da minha cabeça e o que é real. Isso aconteceu pelo medo do que acontecia dentro e fora no programa - revelou.

O quadro, de acordo com Vanessa Gebrim, pode acontecer em pessoas que sofrem com estresse exagerado e também é comum em diagnósticos de esquizofrenia, transtorno bipolar e transtornos de humor.

- Existem casos pontuais, que ocorrem em momentos muito extremos e distintos de tudo o que a pessoa já viveu antes, mas são raros. É o que chamamos de crise dissociativa, em que o estresse grave e pontual leva a uma desconexão com a realidade - pontua a especialista.

Para a psicóloga Munique Brandão, qualquer pessoa está sujeita ao quadro, mas é mais comum em pessoas que têm um histórico genético na família.

- Mas, se você estiver diante de uma grande medicação, um tratamento de uma doença muito grave, que precisa de medicação muito forte, pode simular quadros psicóticos controlados - alerta Munique.

u condição tem tratamento - e pode ser a curto prazo

De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID), esses transtornos se curam em poucos meses ou, até mesmo, em semanas ou dias. Mesmo assim, porém, o tratamento será contínuo.

Vanessa Gebrim diz que é fundamental fazer o acompanhamento com um psiquiatra:

- A ausência de tratamento contínuo pode piorar a saúde geral do indivíduo. Além da medicação, a psicoterapia também atua na melhora da qualidade de vida dessa pessoa, que sempre vai precisar de apoio e acolhimento para que seus sintomas não sejam agravados.

O tratamento é feito com o uso de medicamentos antipsicóticos associados à psicoterapia, segundo Munique. Ela destaca, ainda, a necessidade de diferenciar quadro psicótico de transtorno psicótico.

- Romper da realidade, me parece mais um transtorno. Após a pandemia, os transtornos ficaram muito mais severos. Foi um período em que nós nos privamos de muita coisa. O medo da morte, ficamos num estresse profundo, luta ou fuga. Isso favoreceu quadros mais graves e por isso estamos vendo patologias mais graves aparecendo. Então, é muito importante a gente diferenciar - complementa a psicóloga.

CHRISTIAN BUELLER

02 DE MARÇO DE 2024
J.J. CAMARGO

VAMOS CUIDAR DAS PESSOAS?

Os médicos modernos têm justo orgulho de admitir que sabem mais do que seus antecessores, mas não conseguem evitar o constrangimento ao depararem com pacientes idosos referindo-se, com nostalgia, aos doutores de antigamente.

Como médicos, resta-nos admitir que erramos ao ignorar que toda a tecnologia, que nos orgulha, não modificou o medo do desconhecido e as fantasias de morte dos nossos pacientes, porque essas condições são inerentes à espécie humana.

Minha percepção de que a formação médica estava deficiente foi despertada pela convivência com recém graduados, com excelente formação teórica, cheios de motivação e boa vontade, e que não conseguiam convencer nenhum paciente a aceitar condutas médicas elementares porque, obviamente, lhes faltavam as melhores palavras.

Comecei então a colocar, como último slide em cada aula da graduação, uma situação hipotética da relação médico-paciente. A aceitação dessa oferta pedagógica ficou evidente pelo interesse crescente daqueles que tinham percebido que o médico bem-sucedido que idealizavam não poderia ficar focado unicamente na doença, ignorando o sofrimento de quem tinha adoecido. Esse descontentamento revelado pelo número crescente de queixas e demandas judiciais mostrava que estávamos diante de um paradoxo: sabemos muito mais, mas os pacientes não nos percebem melhores.

Na verdade, os braços longos da tecnologia aumentaram a distância do cuidador, justamente no momento de maior fragilidade emocional de quem devia ser cuidado. Com razão, o paciente não entende que seja considerado um progresso sentir-se transformado numa doença ambulante, despojado de sentimentos, à mercê de aparelhos coloridos e sofisticados que podem encantar os médicos, mas que não despertam nele o estímulo à confidência, à confissão do medo que ameniza a tensão, ou a oferta de um abraço que afrouxa as amarras da solidão.

Assumindo que a humanização era o único caminho para o resgate da dignidade da nossa maravilhosa profissão, decidimos, aproveitando um relacionamento fraterno e profícuo com o grupo Humanidades na Saúde do Hospital Samaritano do Rio, pôr prática um projeto antigo: criar um Curso de Extensão sobre Medicina da Pessoa, contando com o respaldo acadêmico da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o apoio logístico do Centro de Ensino e Pesquisa da nossa Santa Casa e o patrocínio de Sindicato Médico do RGS (Simers) e Conselho Regional de Medicina (Cremers).

O objetivo é oferecer aos interessados a oportunidade de discussão com professores experientes, os meandros e labirintos da relação médico/paciente, certamente determinante de sucesso profissional neste mundo cada vez mais competitivo.

Em tempos de inteligência artificial, parece óbvio que o médico que melhor souber administrar os sentimentos humanos, mais inalcançável estará em relação ao robô. E desses sentimentos, ignorados nos livros técnicos, nos ocuparemos aqui.

O curso, que se destina a acadêmicos de Medicina e médicos jovens, sente-se lisonjeado com o apoio de 31 das melhores faculdades de Medicina do Brasil, e que na última edição (2023) contou com 906 alunos matriculados. As aulas são ministradas através da plataforma Zoom. O curso é gratuito e será apresentado em 10 sessões mensais, sempre na primeira segunda-feira do mês, de março a dezembro de 2024. Nesta segunda-feira (4/3), às 19h, daremos início à quarta edição. As inscrições e orientações do acesso virtual estarão disponíveis para os alunos através do site oficial: medicinapessoa.com.br. Venha ouvir aqui o que te fará um médico ainda melhor.

J.J. CAMARGO

02 DE MARÇO DE 2024
CARPINEJAR

Nunca cansaram de ser jovens

O amor acontece apesar de nós. Podemos criticar o outro. Combater o outro. Depreciar o outro. Competir com o outro. Controlar o outro pelo ciúme. Censurar o outro pela possessividade. E ainda assim o amor acontece, por instantes de beleza e de verdade.

Imagine, então, quando um casal não luta contra o amor. Luta a favor do amor. Como é o caso de Cíntia Moscovich e Luiz Paulo Faccioli. Completaram bodas de esmeralda, 40 anos juntos. E não somente melhoraram a relação, melhoraram a família, os amigos, todos que estão próximos. Somos muito melhores desde que esse casal tocou a nossa existência.

A inquietação é o combustível da longevidade sentimental. Qualquer amigo, por mais que tenha frequentado a casa deles na Marquês do Pombal, no Moinhos de Vento, jamais a conhece inteira. Porque nunca vi uma residência passar por tantas reformas. Não duvido de que Cíntia e Luiz Paulo tenham reformado um banheiro na semana passada.

Eles nunca pararam de reformar também o casamento, ou suas personalidades. São incansáveis. Quem os conhece desde longe, como eu, acompanhou suas inúmeras fases. Já fizeram churrascos, saraus, piqueniques, luaus. Engordaram grande parte dos autores de Porto Alegre. Depois começaram as obsessões por pilates, dança, bike.

De repente, eles estavam pedalando de noite com lanternas e capacetes. De repente, faziam coreografias na frente do espelho. Esses dois escritores vivem inventando fábulas. Fanáticos por viagens, só não viajaram mais do que a Glória Maria.

Fanáticos por MPB, recitam estrofes de Chico Buarque como poemas disfarçados. Fanáticos pelo bom humor, suas gargalhadas são de tenor e soprano. Fanáticos por uma boa prosa, buscam a frase perfeita até nas conversas - pescam metáforas.

Fanáticos por palavrões, cumprimentam os amigos com um afeto de baixo calão. Fanáticos por cachorros e gatos, espalham suas infinitas crianças pela cama. Fanáticos por oficinas, acreditam que podem aprender ensinando.

Fanáticos fantásticos: Cíntia e Luiz Paulo. Não há meio-termo. Eles se entregam com tudo o que têm para a música, para o cinema, para a literatura, para os esportes, para as amizades, para a família.

Já bateram cartão em banco, em assessoria, em redação de jornal. E foram se libertando das obrigações do mundo e dos escritórios para trabalhar em casa, num jardim botânico secreto. Casaram jovens e nunca cansaram do amor. Principalmente, nunca cansaram de ser jovens.

Dividiram as dores, revezando-se ao carregar a mochila: as pedras, as perdas no coração. Somaram as alegrias, não importando onde elas tiveram início, se no Luiz Paulo ou na Cíntia. Sobreviveram a lutos terríveis. Sobreviveram a doenças assustadoras. Sobreviveram a polêmicas. Sobreviveram se amando cada vez mais.

Porque, mesmo na maior agitação dos dias, na maior febre do corpo, nas maiores adversidades, o amor é admiração. Amar é quando você olha ao redor, percebe aquela pessoa predileta ao lado e não sente falta de mais nada na vida.

CARPINEJAR

02 DE MARÇO DE 2024
FLÁVIO TAVARES

CRIMES ESCONDIDOS

Há figuras e instituições que são exemplos a imitar. Recordo o bacteriologista Alexander Fleming, que, ao desenvolver a penicilina, abriu o mundo novo dos antibióticos, revolucionando a medicina e protegendo nossas vidas.

Em contraposição, existe o lado oposto, com figuras despreparadas (ou execráveis), que, até por ignorância e despreparo, usam e abusam do poder. Isso é comum na política, tal qual Hitler, Stalin e Pol-Pot, ou até (mesmo em forma atenuada) nos generais que se alternaram no poder no Brasil com o golpe militar de 1964.

Quero referir-me, porém, a casos aparentemente pequenos, mas relevantes, ocorridos em Porto Alegre, dias atrás, no bairro Rio Branco, em que as vítimas foram transformadas em algozes. Refiro-me às agressões a um porteiro e a um motoboy, ambos negros, por moradores brancos.

O motoboy tinha se defendido atirando pedras e o levaram no porta-malas a uma delegacia como se fosse o agressor. O verdadeiro agressor teve permissão para vestir-se convenientemente e registrar o "boletim de ocorrência" como se fosse o agredido.

Não se trata de casos do chamado racismo estrutural, tão comum entre nós. No Brasil, os negros foram incorporados tardiamente à sociedade e, muitas vezes, são vistos como "estranhos".

Indago: o núcleo de tudo, porém, não será o despreparo dos que exercem funções de segurança? Basta ler jornais, ouvir rádio ou ver TV para se ter ideia do crescimento de crimes e perversões.

Não repetirei o que já se conhece. Cito, porém, o caso de um jovem negro que, em São Gabriel, apareceu morto tempos atrás ao ser confundido com um assaltante. No Brasil não há pena de morte. Nenhum juiz com provas da sanha assassina pode condenar à morte.

A polícia, porém, parece ter direito de matar. Um exemplo são as "balas perdidas", incomuns aqui, mas que em São Paulo e Rio matam a esmo, até crianças. Falta preparar os policiais militares em cursos de capacitação para que entendam que sua missão é proteger a sociedade sem serem opressores.

A falta de preparo pode transformar-se em crime, não por maldade, mas por ignorância. Basta ler jornais, ouvir rádio ou ver TV para se ter ideia do crescimento de crimes e perversões

Jornalista e escritor - FLÁVIO TAVARES

02 DE MARÇO DE 2024
OPINIÃO DA RBS

O PIB PASSADO E O FUTURO

Com uma contribuição expressiva do campo, o PIB nacional cresceu 2,9% no ano passado, informou na sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Olhando em perspectiva, é um desempenho muito acima do projetado pelo mercado no início de 2023, quando a maior parte das projeções estimava uma alta inferior a 1%. A agropecuária, com um avanço surpreendente de 15,1%, foi o grande diferencial, sem dúvida. Mas, no decorrer do ano, outros fatores como o consumo das famílias (3,1%) e os serviços (2,4%) também desempenharam bem, evitando a retração da atividade no segundo semestre, quando ficou estagnada.

O resultado conhecido ontem, embora mereça ser celebrado pelas razões expostas acima, já é passado. Está no retrovisor, há uma distância de dois meses. Importa, neste momento, projetar 2024. Em relação ao futuro, tanto o próximo quanto o mais a longo prazo, inquieta a queda no investimento verificada no ano passado. Conforme o IBGE, a retração foi de 3%.

O nível de investimento indica a capacidade de uma economia avançar de forma sustentável ao longo do tempo. Quando o indicador cresce, significa ampliação da infraestrutura e aquisição de máquinas e equipamentos para aumentar a produção e a produtividade das indústrias. É um fator que amplia a competitividade e gera demanda em outros setores.

Também conhecido como Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), o investimento acende um alerta quando cai. Se há um crescimento econômico muito baseado no consumo interno, por exemplo, cria-se o risco de um descompasso entre oferta e demanda que crie pressões inflacionárias. Especialistas sempre citam que o Brasil necessita de uma taxa de investimento em relação ao PIB acima de 20%. No ano passado, fechou em 16,5%, muito abaixo do ideal.

Menos mal que, entre outubro e dezembro, o investimento subiu 0,9% ante o período de três meses imediatamente anterior. Assim, interrompeu uma sequência de quatro trimestres seguidos de retração. O juro é sempre um condicionante importante para esta variável. Espera-se que, com a continuidade do ciclo de corte da Selic, os empresários urbanos e rurais tenham maior confiança para a FBCF apresentar um desempenho melhor ante 2023. É o que o Brasil necessita para ter crescimento sustentado por elementos estruturais, menos sujeito às oscilações conjunturais. Outros fatores, como o fato de o país ser um dos protagonistas globais na transição energética, podem ajudar a melhorar a performance dos investimentos.

Para 2024, o PIB não terá o impulso do campo. Os problemas climáticos vão afetar a safra, com uma produção menor das lavouras. O mercado interno, no entanto, segue resiliente. Indicadores recentes, que já contemplam janeiro, apontam para a continuidade de um cenário de desemprego em queda e renda em alta. Conjugado com uma inflação controlada e juro em trajetória descendente, é um cenário benigno para as famílias. Ajuda a aumentar a renda disponível e tem o potencial de diminuir a inadimplência.

Por ora, o mercado espera um avanço de 1,75% do PIB em 2024. É o que aparece no mais recente Boletim Focus, do Banco Central (BC). Deve ser lembrado que, nos últimos três anos, o crescimento foi superior ao inicialmente projetado. O jogo, portanto, vai sendo jogado. O horizonte externo, cercado de incertezas e turbulências, sempre traz dúvidas. Internamente, aguarda-se que o governo federal amplie os esforços para chegar o mais próximo possível do déficit zero prometido, abrindo espaço para o BC a seguir cortando o juro. É um fator que pode trazer confiança a empresários, investidores e consumidores, por sinalizar estabilidade macroeconômica.


02 DE MARÇO DE 2024
PRÁTICAS ESG

Expansão dos biocombustíveis no RS mira renovação da matriz energética

Maior produtor nacional de biodiesel, Estado conta também com cinco usinas de etanol licenciadas e em vias de sair do papel

O lançamento de mais uma fábrica de biocombustíveis no Rio Grande do Sul, anunciado no início deste ano, em Viadutos, juntou-se a uma dezena de outros projetos já existentes e a uma lista de outros que ainda devem sair do papel nos próximos anos. Esse conjunto de iniciativas representa um passo importante para uma indústria que tem potencial para se desenvolver em solo gaúcho. Representantes do setor afirmam que o Estado tem todos os ingredientes para isso: matéria-prima agropecuária, força fabril e olhar de investimento.

No caminho irreversível rumo à energia do futuro, as iniciativas englobam um projeto ainda maior, o da sustentabilidade, que conversa com um compromisso de três letras cada vez mais forte na cultura das corporações. São as práticas ESG - sigla em inglês de Environmental, Social and Governance (Governança Ambiental, Social e Corporativa). Os fundamentos levam a um conjunto de boas práticas e aceleram a busca das empresas por ações de economia sustentável.

Na linha que compete à sustentabilidade, as indústrias de biocombustíveis estão entre as iniciativas que despontam. O setor é aposta do governo federal para a reindustrialização, e ganhou destaque na Nova Política Industrial anunciada no início do ano. O programa tem entre as metas ampliar em 50% a participação dos biocombustíveis na matriz energética de transportes até 2033. Atualmente, os combustíveis verdes representam 21,4% dessa matriz.

Expansão

A aposta industrial acompanha um crescimento de mercado que já vem ocorrendo. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as vendas de etanol hidratado cresceram 5,1% em 2023 (cerca de 16 bilhões de litros), depois de três anos seguidos de queda.

No Rio Grande do Sul, há um crescimento ainda mais expressivo: foram 66,8% a mais de etanol hidratado vendido nos postos, ou 55 milhões de litros. O volume, considerado ainda pequeno, foi recorde nos últimos cinco anos no Estado, pontua o economista-chefe da consultoria ES Petro, Edson Silva.

No mercado do biodiesel, a produção entregue às distribuidoras em 2023 superou em 20% o volume do ano anterior. Foram 7,3 bilhões de litros, conforme os dados consolidados da ANP.

A participação dos biocombustíveis nas bombas é significativa no momento em que se discute amplamente a transição energética e a necessidade de descarbonização dos veículos automotores.

- Em 2023, 28,2% do que foi consumido de combustíveis no Brasil foi de biocombustíveis. Teve meses, como dezembro, em que passou de 30%. Ou seja, parte importante do que foi consumido não agrediu ao ambiente. Isso é excepcional, nenhum outro país tem - avalia o consultor da ES Petro.

BRUNA OLIVEIRA


02 DE MARÇO DE 2024
CRISSIUMAL

Prefeito é alvo de fraude com IA no noroeste do RS

Um caso de fraude envolvendo utilização de inteligência artificial (IA) foi parar na polícia em Crissiumal, no noroeste do Estado. Um áudio deepfake usava a voz do prefeito Marco Aurélio Nedel em uma mensagem que tratava servidores da Secretaria de Obras como "pessoal analfabeto".

O termo deepfake se refere a conteúdo produzido por inteligência artificial que reproduz falsamente a voz e/ou a imagem de pessoas reais.

- Eu não tinha ideia do estrago que isso aí poderia causar. Mas, nos dias seguintes, isso foi se espalhando pelo WhatsApp, pela cidade, e eu fui me dando conta da gravidade do caso -afirma Nedel.

Assim que soube da fraude, o prefeito registrou um boletim de ocorrência, e a Polícia Civil confirmou que se tratava de uma farsa.

- A gente espera que a Justiça dê uma resposta rápida para que outros não se sintam encorajados a ir por esse caminho, de criar fatos que não correspondem à realidade e, com isso, tentar tirar proveito político e tirar da disputa candidatos - diz o prefeito.

Cassação

A preocupação com os potenciais riscos da inteligência artificial levou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a aprovar, na última terça-feira, uma regra que pode levar à cassação de candidatos em caso de uso irregular da técnica nas eleições.

JONAS CAMPOS

02 DE MARÇO DE 2024
CARTA DA EDITORA

CARTA DA EDITORA Presença na Expodireto

Uma das maiores feiras do agronegócio internacional, a Expodireto Cotrijal está de volta nesta segunda-feira em sua 24ª edição. Durante cinco dias, a cidade gaúcha de Não-Me-Toque receberá visitantes de todas as partes do país e do mundo interessados em buscar novos produtos e serviços relacionados ao setor. Como já é tradição nas grandes exposições realizadas no Rio Grande do Sul, os veículos da RBS estarão presentes cobrindo o dia a dia da feira, entrevistando líderes do setor e mediando debates.

A colunista de Zero Hora Gisele Loeblein ressalta que a importância da feira vai além do setor rural, pois movimenta serviços e a economia de toda a região. A rede hoteleira, por exemplo, fica lotada em um raio de mais de cem quilômetros, além dos inúmeros empregos gerados.

- Para dentro do parque é levado o que de mais novo há em tecnologia para a produção, das máquinas às sementes. Grandes lançamentos de fabricantes são feitos lá. É uma vitrine que traz ainda os debates dos principais temas da área. Um evento focado, profissional, que busca aprimorar o agro - diz Gisele, que estará em Não-Me-Toque durante toda a Expodireto.

Na segunda e na terça, o programa Atualidade, da Rádio Gaúcha, será transmitido direto da feira, com a presença das comunicadoras Giane Guerra e Rosane de Oliveira e com comentários de Gisele. Andressa Xavier irá ancorar o programa do estúdio, em Porto Alegre. A programação também se estende para a RBS TV, que terá transmissão ao vivo no Jornal do Almoço, com apresentação de Cristina Ranzolin, Marco Matos e Mateus Rodighero, âncora do bloco regional no norte e no noroeste do Estado. Também presentes no evento, a repórter Bruna Oliveira e o fotógrafo Jefferson Botega farão cobertura diária para GZH e Zero Hora.

A programação, as novidades em tecnologia e as expectativas de negócios para a 24ª Expodireto, o leitor encontra nas páginas 18 e 19 e no caderno especial encartado nesta edição.

DIONE KUHN

sexta-feira, 1 de março de 2024


01/03/2024
Jaime Cimenti

Palavras, tradução e poder

Babel ou a necessidade de violência:  um mundo onde quem domina as palavras detém o poder

Babel ou a necessidade de violência: uma história arcana da revolução dos tradutores de Oxford (Editora Intrínseca, 352 páginas, R$ 99,90, tradução de Marina Vargas), de R.F. Kuang, premiada escritora e tradutora de mandarim, romance vencedor dos prêmios Nebula e Locus, imagina um mundo onde quem domina as palavras detém o poder.

A autora é um fenômeno no TikTok, com mais de 40 milhões de visualizações, e ficou famosa pela trilogia best-seller A Guerra da Papoula, que foi indicada a diversos prêmios, incluindo o Hugo e o de Yellowface.

Babel mostra brilhantemente, com uma trama avassaladora, a magia da tradução e o uso das palavras como instrumento de poder. A obra revisita e reescreve a Revolução Industrial na Inglaterra e a história colonial da China na década de 1830. A obra tem forte inspiração na dark academia, estética que une culto ao conhecimento acadêmico e estilo vintage.

Um menino inglês é levado a Londres pelo misterioso professor Richard Lovell após perder sua família para o cólera. Ele recebe o nome de Robin Swift e é rigorosamente treinado em vários idiomas para ingressar no prestigiado Real Instituto de Tradução da Universidade de Oxford, conhecida como Babel. Lá são gravadas barras de prata, que, associadas ao poder das palavras, se tornam de alto valor e essenciais ao funcionamento das grandes cidades.

Robin tem sonhos, mas logo vai passar por um grande dilema: ou continua se encaixando com sua nova vida ou se manterá fiel a sua identidade de menino pobre de Cantão.

A densa narrativa de Babel aborda temas atemporais como racismo, machismo e a xenofobia e traz reflexões sobre amizade, pertencimento e individualidade ao retratar o encontro de Robin, Victoire, Ramy e Letty, colegas e amigos que tentam se unir, mas se veem atravessados por segredos perigosos e divergências irreconciliáveis.

A obra se relaciona com nossos dias atuais na medida em que uma questão vital aparece: existe revolução sem violência?

01 DE MARÇO DE 2024
CARPINEJAR

Olímpico jamais poderá ser destruído

Na Azenha, além de todos os cemitérios do bairro, foi criado mais um: o Olímpico Monumental. Um coliseu desprezado - dos leões da bola, acabou sendo entregue às moscas. Eu ando de carro pelas suas adjacências e, mesmo sendo colorado, não entendo o descaso com aquele monumento do futebol, que só tem sido visitado por fiscais de saúde para acabar com focos da dengue.

Fico triste, arrebatado por um pessimismo incurável. Sinto que nada na vida é valorizado. Olímpico deveria ser recuperado, deveria voltar a ser um estádio. Ele não é um prédio, mas a igreja mais antiga dos tricolores, um símbolo nostálgico de triunfos e alegrias coletivas. Ou, como esclareceu a leitora Lilian Dreyer, na nossa Opinião do Leitor, não se trata apenas de um imóvel, e sim de um ícone.

De 1954 a 2013, serviu de palco a taças e gols inesquecíveis, em ruidosas procissões pela Avenida José de Alencar. O Velho Casarão ofereceu 1.766 jogos e 21 títulos ao longo dos seus 58 anos de atividade. Ele é um personagem da nossa história, um dos mais célebres moradores da região central de Porto Alegre. Soma sozinho duas Libertadores, dois Brasileiros, quatro Copas do Brasil, uma Recopa Sul-Americana. 

Já bombeou a cidade por várias madrugadas, lotando as avenidas Carlos Barbosa, Gastão Mazeron e as ruas Aurélio Py e Dona Cecília. Já recebeu mais de 98 mil pessoas na semifinal do Campeonato Brasileiro de 1981. Suas arquibancadas de concreto, hoje mudas, hoje cobertas de musgo, heras e inços, desfiguradas pelo abandono, testemunharam a primeira Libertadores, na noite de 28 de julho de 1983, com a vitória do Grêmio sobre o Peñarol por 2 a 1.

Não há gremista que não lembre onde estava acomodado no estádio na hora dos gols de Caio e César. O título veio de um cruzamento do jovem ponta Renato. Quem não testou ali a resistência cardíaca com o gol do meia Aílton nos minutos finais da decisão do Brasileirão com a Portuguesa, no dia 15 de dezembro de 1996?

Da sua apoteose, mais de 62 mil torcedores viram Assis e Cuca fazerem o placar de 2 a 1 sobre Sport no dia 2 de setembro de 1989, conquistando o primeiro troféu da Copa do Brasil. Do seu caldeirão, no dia 10 de agosto de 1994, o atacante Nildo marcou o gol da vitória sobre o Ceará, que garantiu o bicampeonato da Copa do Brasil para o Grêmio.

A fama da imortalidade partiu de seu tapete. A proximidade da torcida favorecia feitos impossíveis. No dia 26 de julho de 1995, no jogo de ida das quartas de final da Libertadores, o Tricolor goleou o então bicampeão brasileiro Palmeiras pelo inacreditável escore de 5 a 0. O centroavante Jardel, autor de hat trick, estava possuído naquele embate.

O que ninguém entende é que o próprio Olímpico, há 11 anos desativado, não admite ser demolido. Ele lançou um feitiço para todos os envolvidos no negócio. Não chamaria de casa mal-assombrada, mas de palácio com a imunidade dos sonhos.

Os planos para sua implosão e criação de um condomínio de luxo não deram certo devido a impasses entre o clube e a construtora OAS, uma vez que o estádio Olímpico foi utilizado como parte do pagamento da Arena, cujos valores, financiamento e gestão não se encontram finalizados. Até a OAS não existe mais, passou a se chamar Metha depois de recuperação judicial, na esteira do escândalo da Operação Lava-Jato.

Não é casualidade que não tenha ocorrido a troca de chaves. Toda tentativa para destruí-lo será boicotada pela bendição. É uma área tombada espiritualmente como patrimônio histórico de cada torcedor gremista.

CARPINEJAR

01 DE MARÇO DE 2024
ARTIGOS

A AUDIÇÃO E O AMOR

"Doutor, meu marido não escuta bem!", disse-me a senhora Joana na consulta do senhor Oscar. Eles formam um simpático casal entre 70 e 80 anos de idade. Relataram que ele necessita do volume elevado na TV, no rádio e em mensagens do celular para conseguir entender, mas ao mesmo tempo isso incomoda outras pessoas. Ela disse que a palavra mais falada pelo senhor Oscar era "ãhnn?". Contaram que haviam construído uma família numerosa, com filhos, genros, noras e netos e que os almoços de família são alegres e barulhentos. 

Agora, nessas ocasiões, ele fica quieto e não participa mais das conversas divertidas. Também os encontros sociais com amigos ficaram mais raros. Então, a senhora Joana me surpreendeu com uma romântica declaração. Emocionada, ela conta que são um casal muito amoroso e que em momentos de intimidade, costumam frequentemente dizer que se amam: "Doutor, eu te amo é uma frase para se falar sussurrando, e não aos gritos!".

A consulta segue com o exame dos ouvidos, realizamos um teste auditivo e prescrevi o necessário aparelho auditivo. Mas a frase da senhora Joana não me saiu do pensamento. A presbiacusia é a alteração do órgão auditivo e das vias auditivas associada ao processo de envelhecimento. A prevalência aumenta com o avanço da idade e com o aumento da expectativa de vida. 

O diagnóstico é feito através de consulta com otorrinolaringologista e exames de audiometria. Infelizmente, por dificuldades do sistema de saúde público e pelo preconceito com o uso de aparelhos auditivos, ainda hoje, muitos idosos não são diagnosticados e sofrem as consequências na qualidade de vida. Muito importante é que estudos sugerem que a perda da audição é um fator de risco para as alterações cognitivas do idoso - demência e, particularmente, a doença de Alzheimer.

Em 3 de março comemoramos o Dia Internacional da Audição e o Dia do Otorrinolaringologista. Depois de mais de 35 anos como otorrinolaringologista, foi a primeira vez que alguém me chamou atenção de uma forma tão singela e real sobre o quanto nossa audição deve ser preservada também para momentos de intimidade e amor. Ainda hoje, muitos idosos não são diagnosticados e sofrem as consequências na qualidade de vida

EDUARDO TELLECHEA CAIROLI

01 DE MARÇO DE 2024
OPINIÃO DA RBS

CELULARES NA SALA DE AULA

Cresce em todo o mundo o debate sobre restrições ao uso de smartphones pelos alunos nas salas de aula. Um relatório publicado em meados do ano passado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) trouxe o alerta de que a utilização excessiva de telefones celulares impacta o aprendizado. Observou ainda que um em cada quatro países tem leis que proíbem aparelhos durante as aulas. 

Divulgado no final do ano passado, o relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes - Pisa na sigla em inglês -, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), chegou a conclusões parecidas. Alunos que passavam mais tempo distraídos em redes sociais e aplicativos de mensagem tiveram notas menores no teste. Por outro lado, aqueles que fazem uso moderado dos smartphones e os priorizam para finalidades pedagógicas apresentaram performance melhor.

Em um país como o Brasil, em que o desempenho escolar já deixa a desejar, é um fator a mais a preocupar. O Pisa detectou que, no país, o nível de dispersão na sala de aula devido ao acesso desmedido aos aparelhos é maior do que a média da OCDE. Diante desta realidade perturbadora, mais municípios brasileiros passaram a adotar legislações para inibir e regular a utilização de smartphones nas classes.

Limitações deste tipo podem contribuir, mas não há garantias de que serão observadas no dia a dia. Ou de que não acabarão negligenciadas com o passar do tempo. Em Porto Alegre, por exemplo, essa proibição existe desde 2011. Mesmo assim, é tema que segue preocupando escolas e professores, como mostrou reportagem de Sofia Lungui publicada ontem em Zero Hora.

Talvez a melhor forma de enfrentar este problema, com reflexos positivos para assimilação de conteúdos, seja um trabalho de conscientização e de estabelecimento de regras nos próprios colégios, incluindo acordos entre docentes e estudantes. Há exemplos de iniciativas em escolas com bons resultados. Os pais e responsáveis pelos alunos, da mesma forma, têm papel essencial na orientação a crianças e adolescentes. A tecnologia é uma aliada da educação quando utilizada de forma adequada e sob supervisão. Sem controle, leva à desatenção e prejudica o aprendizado.

Não pode ser esquecido que o uso excessivo de smartphones não é uma preocupação limitada à educação. Está presente nos mais variados aspectos do cotidiano. É uma chaga contemporânea. Em muitos casos se transforma até em uma espécie de dependência, batizada de nomofobia. Afeta a produtividade nas empresas, atrapalha no cinema e é um risco no trânsito. A cada dia, 57 motoristas são multados na Capital por uso irregular do celular enquanto dirigem, apontou outra reportagem de ZH publicada em dezembro último. Estudos mostram que esta é uma causa crescente de acidentes.

O tempo desmedido nas telas e a dificuldade para se desconectar dos dispositivos eletrônicos também afetam a sociabilidade. Afastam o diálogo pessoal nos ambientes públicos, como restaurantes, ou mesmo nos lares, quando cada familiar permanece absorto em sua bolha de conexões, ignorando a presença física dos que estão a sua volta. As crianças acabam absorvendo estes maus hábitos e os reproduzindo, inclusive na sala de aula. A solução, portanto, começa por bons exemplos em casa.

OPINIÃO DA RBS


01 DE MARÇO DE 2024
POLÍTICA +

Prefeitos escolhem hoje o próximo presidente da CNM

Prefeitos de todo o Brasil vão escolher hoje o futuro presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), maior entidade municipalista do país e responsável por defender os interesses das prefeituras junto ao governo federal, ao Congresso e ao Judiciário.

Líder da CNM em 24 dos últimos 27 anos, o gaúcho Paulo Ziulkoski tenta se eleger para o nono mandato. Ex-prefeito de Mariana Pimentel, Ziulkoski vinha sendo ungido por consenso, mas neste ano enfrenta uma chapa de oposição, liderada pelo 1º vice-presidente da entidade, o mineiro Julvan Lacerda, ex-prefeito de Moema (MG). Ambos são filiados ao MDB.

Embora seja ligado ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que é próximo do governo Lula, Lacerda promete conduzir a entidade com autonomia.

- Fui presidente da associação de municípios de Minas e tirei o vínculo que ela tinha com o governo do Estado. Tivemos uma relação de parceria, mas não de ingerência. Assim que vai ser. Queremos que a pauta da CNM seja construída em conjunto, ouvindo mais os prefeitos - afirma.

Ziulkoski tem evitado conceder entrevistas sobre a eleição. Nas conversas com os prefeitos, ele tem frisado que quer manter a entidade com postura de independência em relação ao Palácio do Planalto e contesta os argumentos da oposição, que o acusa de impedir a renovação na entidade.

- Dizem que sou velho, mas isso é sinônimo de coisa ruim? Velho não é velhaco. Temos de ter autoridade e firmeza para continuar atuando na defesa dos municípios - afirmou, em pronunciamento na quarta-feira, em evento da Famurs.

A votação será pela internet, das 8h às 18h, e o resultado será conhecido no fim da tarde. O vencedor comandará a instituição até 2027.

PAULO EGÍDIO INTERINO

01 DE MARÇO DE 2024
DANIEL SCOLA

Francisco e Milei

Num mundo tão belicoso, cheio de ódio, com guerras matando milhares de pessoas e presidente dando declaração inconsequente, um sinal de maturidade merece destaque. No início de fevereiro, Javier Milei, presidente da Argentina, se encontrou na cidade do Vaticano com o papa Francisco. Um encontro improvável serviu de símbolo de paz.

Durante a campanha eleitoral do ano passado, Milei atacou o Papa dizendo que ele era um imbecil. O Papa, cardel Jorge Mario Bergoglio, não respondeu. Mas estava claro para o mundo que os dois se desgostam. Ocorre que, no Vaticano, existe uma tradição: aconteça o que acontecer, o chefe da Igreja Católica recebe todo chefe de Estado. O Papa não representa só ele, há mais de 1,3 bilhão de católicos no mundo. O Papa é o chefe de uma instituição, assim como Milei é chefe de Estado. Ambos são argentinos e resolveram estender a bandeira branca em nome da civilidade institucional.

Francisco é o primeiro Papa não europeu e foi escolhido em 2013 num momento em que o catolicismo encolhia em todo o mundo. O professor universitário americano Richard Sennett escreveu, ainda em 2013, um ótimo livro chamado Juntos - os Rituais, os Prazeres e a Política da Cooperação. Sennett anteviu aquilo que hoje é uma obviedade: a polarização da sociedade. 

Normalmente, as consequências são brigas e afastamentos. Sennett nos alerta que o trabalho conjunto nos torna mais eficientes. Um pequeno trecho do livro ilustra a necessidade de entendermos o trabalho conjunto: "...procurei explorar a cooperação como uma habilidade. Ela requer capacidade de entender e mostrar-se receptivo ao outro para agir em conjunto?".

Receptividade é a palavra-chave. É isso que a imagem do encontro entre o Papa argentino e o presidente dos argentinos mostra. Durante a audiência, que durou uma hora, Milei pediu desculpas pelo que disse na campanha e presenteou o Papa com alfajores e biscoitos. Francisco pediu que o presidente olhe pelos pobres, que são os que mais sofrem na Argentina. O encontro foi um sinal de cooperação e civilidade, como o título do livro do professor Senett sugere: juntos.

DANIEL SCOLA


01 DE MARÇO DE 2024
INFORME ESPECIAL

"Honoris causa"

A PUCRS vai conceder, na próxima terça-feira, o título de doutor honoris causa ao cardeal português José Tolentino Calaça de Mendonça (foto). Poeta, teólogo, filósofo e prefeito do Dicastério para a Cultura e Educação da Cúria Romana, Mendonça é uma das vozes mais originais da literatura portuguesa contemporânea e um eminente intelectual católico. Próximo ao Papa Francisco, não será surpresa se, no futuro, o nome dele surgir como possível sucessor do sumo pontífice.

Pulmões

A boa notícia vem do doutor J. J. Camargo, médico da Santa Casa de Porto Alegre: nesta semana, o Grupo de Transplante Pulmonar da instituição bateu a marca de 750 procedimentos realizados desde sua fundação - incluindo 40 transplantes com doadores vivos.

Boa lembrança

Conhecida por unir gastronomia e arte, a Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança comemora 30 anos na próxima segunda-feira com um lançamento exclusivo: o espumante Ricordi 30 Cuvée Nature (foto), em parceria com a Miolo. Ricordi significa "lembranças" em italiano e diz tudo sobre a entidade, que reúne 86 estabelecimentos. Ao final das refeições, os clientes são convidados a levar para casa uma cerâmica pintada à mão, com design alusivo à receita de cada prato - mais de 2 milhões já foram produzidos. Mais detalhes em boalembranca.com.br.

JULIANA BUBLITZ