terça-feira, 31 de março de 2026

Liquidação da Piá mobiliza investidores em busca de parceria

Jorge Dinnebier, liquidante da cooperativa Piá, de Nova Petrópolis

Jorge Dinnebier, liquidante da cooperativa Piá, de Nova Petrópolis

COOPERATIVA PIÁ/DIVULGAÇÃO/JC

JCAna Esteves
especial para o JC
Na mesma noite em que os associados da Piá aprovaram por unanimidade a liquidação da cooperativa, com a continuidade dos negócios, empresas interessadas em firmar parceria com o laticínio de Nova Petrópolis retomaram contato, na busca por dar encaminhamento nas negociações. A declaração é do ex-presidente da Piá e agora liquidante da cooperativa, Jorge Dinnebier.
A reação foi imediata, sinal de que o processo de liquidação mal começou e já surtiu o feito que esperávamos: o de reestabelecer a confiança da Piá e dar segurança para possíveis parceiros”, disse o dirigente.
Nessa entrevista, concedida com exclusividade para o Jornal do Comércio, o liquidante da Piá fala sobre os próximos passos no processo de liquidação e sinaliza sobre o destino da cooperativa.  
Jornal do Comércio - Quais serão as principais medidas adotadas após a aprovação da liquidação da Piá, com continuidade dos negócios?
Jorge Dinnebier - Temos todo um rito: a ata da assembleia foi encaminhada para publicação no Diário Oficial, depois precisa ser aprovada na Junta Comercial e só então será juntada aos processos que os terceiros têm contra cooperativa, para realmente segurar o andamento desses processos, durante um ano. A segunda coisa é de internamente, junto com o jurídico, montar um plano de reestruturação, onde vamos qualificar a dívida, separar os credores por grupos.
JC - O plano de recuperação anterior passa a não valer mais?
Dinnebier - Não é uma mudança totalmente radical, mas vão mudar os fluxos de caixa. Vamos conversar com os credores. Não é dar calote, é sentar e conversar, rever multas, rever juros, rever prazos, rever taxas, levar propostas de renegociações das dívidas, suspensão dos processos de cobrança e execução. Mas o mais importante de tudo é, concomitantemente a isso, fechar uma parceria. Porque essa liquidação com continuidade do negócio, é um fato novo para os investidores que têm contratos de confidencialidade assinados, se movimentarem, o que já está ocorrendo diante dessas alterações.
JC – E os parceiros já se movimentaram? Houve alguma manifestação de algum deles, depois desse novo momento?
Dinnebier - Vários, e de forma muito positiva. Mas eles precisam ter uma garantia, uma segurança para poder investir na Piá. A liquidação com continuidade aumentou a segurança deles de não ter uma sucessão de dívidas.
JC - De onde são esses potenciais parceiros?
Dinnebier - Tem do Estado, tem de fora e tem de fora do País também. Existe interesse, mas não é um processo rápido. Então, vamos ver quem é que vai ser o mais rápido para a coisa poder andar. A movimentação dos possíveis parceiros aconteceu na noite após a assembleia: na sexta-feira, no sábado, hoje (30/03), pois a divulgação do resultado da assembleia foi muito boa.
JC – Quais são os resultados da cooperativa, nos últimos anos, sob sua administração?
Dinnebier - Não divulgamos, justamente em função desses contratos de confidencialidade assinados. As próprias empresas não querem que a gente fale. E esse número muda muito.
JC – E como está o ânimo dos associados fornecedores de matéria-prima?
Dinnebier - Se o associado não confiar mais na sua cooperativa, é um problema, pois quem vai tirar a cooperativa dessa situação são os associados. Sabemos que temos dificuldades, cada um tem que saber o tamanho do seu bolso, mas os que estão conosco nos últimos meses estão firmes. A medida que firmarmos a parceria vamos buscar mais leite, pagar o que está atrasado para que muitos retomem conosco. O pagamento dos associados que estão entregando leite está em dia.
JC – O leite da Piá praticamente sumiu das gôndolas dos supermercados. O foco agora são os produtos de maior valor agregado, como doces e iogurte?
Dinnebier - Quando tu estás em dificuldade tem que focar em produtos que tenham uma margem de contribuição positiva, ou seja, rentabilidade melhor. O leite é um produto de suma importância, mas ele tem boa rentabilidade por poucos meses, então não dá para focar num produto em grande escala sem margem positiva. Tivemos uma safra maravilhosa, com um excesso de leite muito grande no mercado, em função do inverno menos rigoroso e pastagens muito boas, o que fez com que caísse o preço, só que o custo do produtor não caiu. Então não tem condições de uma empresa, que está com graves dificuldades, continuar batendo nisso.
JC - Qual é o papel do liquidante nesse processo?

Dinnebier - Eu era presidente da cooperativa até a aprovação da liquidação com continuidade do negócio. A partir desse momento caiu a diretoria e o conselho e a assembleia me nomeou como liquidante, me dando amplos poderes para comprar, vender, alienar e assim sucessivamente. E temos três conselheiros fiscais, pois é uma operação bastante complexa e difícil de ser trabalhada. A cada seis meses temos que fazer uma assembleia na qual o liquidante presta contas para os associados do que foi feito nesse período. Eu quero fazer uma inovação: manter o meu conselho, o mesmo eleito no ano passado, com caráter consultivo, porque eles estão por dentro dessas negociações também. 

Juro médio do rotativo do cartão de crédito sobe a 435,9% ao ano em fevereiro, mostra BC

Considerando o juro total do cartão de crédito, houve alta de 89,7% para 96,4%

Considerando o juro total do cartão de crédito, houve alta de 89,7% para 96,4%

MARCO QUINTANA/JC
Agências
O juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito subiu de 424,5% ao ano em janeiro para 435,9% em fevereiro, informou o Banco Central nesta segunda-feira (30). A taxa do parcelado subiu de 194,9% para 200,2%.
Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, aumentou de 89,7% (revisado, de 89,6%) para 96,4%.
O Congresso definiu em lei que os juros do rotativo e do parcelado não poderiam ultrapassar 100% do principal da dívida. O teto para os juros e encargos da modalidade passou a valer em janeiro de 2024.
Para chegar às taxas anuais, a autoridade monetária extrapola o juro cobrado ao mês pela instituição financeira para o ano. Essa taxa nem sempre é efetivada, já que os consumidores normalmente ficam "pendurados" no cartão por apenas dias ou semanas.
O BC não pretende descontinuar essa série histórica, que serve como referência para mostrar a velocidade de aumento ou redução dos juros e também é um dos componentes para se chegar à taxa cobrada pelo sistema como um todo.

 Docile inicia novo ciclo de investimentos para aumentar eficiência da fábrica

Fabricante de doces prevê aporte de R$ 50 milhões entre 2026 e 2027

Fabricante de doces prevê aporte de R$ 50 milhões entre 2026 e 2027

Docile/Divulgação/JC
Eduardo Torres
Eduardo TorresRepórterFinalizado o significativo investimento de R$ 100 milhões, que permitirá à fabricante de doces, Docile, em Lajeado, aumentar em 50% a sua capacidade produtiva, a empresa líder brasileira em exportações do setor agora inicia um novo ciclo de investimentos que prevê o desembolso de R$ 50 milhões entre 2026 e 2027. O objetivo agora, aponta o presidente da empresa, Ricardo Heineck, é garantir o crescimento da produção com o máximo de eficiência possível.
"Nossas atenções, em investimentos, agora estarão voltadas especialmente para melhorias de equipamentos, desenvolvimento de produtos e melhorias em embalagens", diz o executivo.
Segundo ele, haverá a ampliação de cinco mil metros quadrados de área construída no município do Vale do Taquari a serem ocupados com a área de armazenagem, deslocada de outro espaço, que agora será ocupado pela produção, com a instalação dos novos equipamentos que estão em fase de instalação e, aí sim, permitirão à Docile chegar a uma capacidade de 300 toneladas produzidas por dia.
Entre as ações previstas para este novo ciclo, aponta Heineck, está a avaliação de todo o portfólio de produtos da Docile. Hoje, são 180 itens no Brasil e 400 no mercado externo. Mas isso não significa deixar de inovar.
"Na feira supermercadista de São Paulo em maio, por exemplo, teremos um produto inédito no Brasil. Uma das nossas principais estratégias para seguirmos crescendo no mercado é nos diferenciarmos. Desde o aroma, a textura, a embalagem. Sempre trabalhamos para gerar experiências novas ao consumidor", garante o presidente.
Neste ano, a Docile já lançou ao mercado, por exemplo, as chamadas "tortinhas", que reproduzem sabores de sobremesas clássicas em balas de gelatina. Conforme o levantamento Nielsen, a Docile garantiu um crescimento de 19,3% em 2025. Resultado, segundo Heineck, do trabalho intenso nos últimos anos para consolidação da marca e presença em canais de venda mais modernos. Agora, segundo ele, o plano é estar mais presente nos pontos de venda do País.
Docile representa hoje 11,6% do mercado brasileiro de doces. Em dois anos, a meta é chegar a uma fatia de 15% deste mercado.

Na liderança das exportações

No ano passado, mesmo com o tarifaço dos Estados Unidos, a Docile manteve a liderança como principal exportadora brasileira do setor. As vendas para o mercado externo representam 35% do faturamento da empresa.
"Durante o tarifaço, saltamos de uma taxa de 5,6% no mercado dos Estados Unidos para 55,6%, foi muito pesado, mas conseguimos negociar e manter clientes por lá, inclusive com volumes de venda semelhantes. Nossa dificuldade é a competição com países que não tinham sobretaxa. Agora, voltamos para 15,6%, com perspectiva ainda de ir a 20,6% de taxa. É um patamar de igualdade com outros países, exceto o México", explica Ricardo Heineck, que agora também tem atenção voltada ao avanço do acordo entre União Europeia e Mercosul.
A Docile tem boa participação no mercado da Inglaterra, que está fora da União Europeia, onde a marca gaúcha ainda está em fase inicial das relações de vendas.
"É um mercado de nicho ainda, para produtos de baixos índices de corantes, de aromas artificiais e com ingredientes sem modificações genéticas. É um trabalho que temos desenvolvido há dois anos. Não acredito que, com o acordo, essa característica e rigor nos produtos vá mudar. Nós, da Docile, estamos prontos para produzir este produto diferenciado", afirma.

FICHA TÉCNICA

Investimento: R$ 50 milhões
Estágio: Em execução até 2027
Empresa: Docile
Cidade: Lajeado
Área: Indústria
Investimento em 2025: R$ 100 milhões
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