sábado, 28 de outubro de 2023



28 DE OUTUBRO DE 2023
SARA BODOWSKY

DE VOLTA À ESTRADA

Feliz da vida de contar pra vocês que o Na Estrada está de volta! A versão televisiva da nossa página aqui em Donna e do programa na 102.3 FM visita, a partir deste sábado, a Costa Doce gaúcha.

Vocês vão se apaixonar, como eu, por essa região que recebe cada vez mais a atenção e o carinho dos turistas. Tem doces e gastronomia ímpares, muita natureza e opções surpreendentes de passeios.

Nesse sábado, o destino é um povo acolhedor e que responde sempre um "obrigada" com um "merece": sim, a gente começa essa temporada do Na Estrada com a deliciosa Pelotas (na foto, nossa gravação por lá).

Ainda vão rolar episódios em Rio Grande, São José do Norte e Tavares, com a Lagoa do Peixe. Começa neste sábado, às 14h10min, logo depois do Jornal Hoje, dentro do programa Que Papo é Esse?, na RBS TV.

TCHÊ DELÍCIA!

Fazia tempo que não trazia dica das minhas amadas marmitinhas congeladas para vocês, não é mesmo?

Pois anota aí: provei várias delícias da Tchê Gourmet e virei cliente. Tem bife à parmegiana, massa com molho branco e frango, estrogonofe, sucos naturais, pizzas, pães recheados e até sorvetinhos em forma de pudim. O sabor é bem caseirinho.

A marca nasceu em 2015 pelo amor que a Thayrine Knoll tem pela cozinha. Ela saía oferecendo quentinhas pelos comércios da Zona Sul e assim criando sua clientela.

Hoje os produtos são todos oferecidos por meio do processo de ultracongelamento, que em menos de uma hora congela a comida a -40 C. Isso evita o acúmulo de água e a perda de textura, sabor e nutrientes.

A Tchê Gourmet fica na Av. Otto Niemeyer, 1.699, e está aberta de segunda a sexta, das 9h às 20h e aos sábados, das 9h às 18h. Entrega em toda Porto Alegre e Região Metropolitana. Encomendas pelo WhatsApp (51) 99196-6695. Perfil do Instagram: @tche_gourmet.

EVENTO NO CÉU

E domingo tem feirinha no Céu Bar + Arte. É mais uma edição do Brick de Desapegos, das 17h às 22h, com mais de 20 expositoras entre brechós e marcas autorais.

As comidinhas ficam por conta do Real Fucking Burger e tem chope duplo das 18h às 20h, show do Alemão Douglas a partir das 18h e flash tattoo do estúdio Black Yellow ao longo da feira.

A entrada é franca. O Céu fica na Rua General Lima e Silva, 1.487.

SARA BODOWSKY

28 DE OUTUBRO DE 2023
CARPINEJAR

Não é só um banheiro

Se eu entro num banheiro com quadrinhos na parede, com objetos fofos nas estantes, com tapetes bonitos forrando o chão, sei que a casa é de uma moradora. Só a mulher para decorar o banheiro de um jeito caprichoso e detalhista.

Mesmo que seja um cubículo, ela é capaz de pôr um lustre no teto. Ou lâmpadas de LED de moldura no armarinho. Na visão feminina, é o aposento mais importante da casa: uma extensão do quarto, uma área de convivência, um provador de roupa, um altar da maquiagem, um closet dos produtos para pele e cabelos.

Ela potencializa o espaço físico com a sua fantasia, transforma o trailer em morada. Não tem como convencê-la de que são apenas pouquíssimos metros quadrados. Nunca se contenta com o tamanho das superfícies. Entornará a pia com sabonete líquido, álcool gel, florzinhas, velas, aromatizadores.

Não se consegue enxergar a torneira, perdida num território próspero de esbarrões, a exemplo do excesso de penduricalhos em loja de decoração. Se há uma fresta na parede, inventará de colocar ganchos para toalhinhas, roupões e toucas de banho.

Além da farmacologia básica, tem que encontrar um canto seguro para o secador, para o babyliss. Costuma guardá-los dentro das caixas da loja.

Alegra-se com gavetas e estantes. Não sobrevive sem um armário. Nada mais frustrante para ela do que um espelho sem nada por trás. Um espelho sem fundo. Um espelho de elevador. É como não ter alma. As prateleiras estarão abarrotadas de toneladas de cremes, perfumes, hidratantes e pomadas. Os frascos seguirão estranha hierarquia de recorrência e predileção. Predomina uma ciência na aparente aleatoriedade.

Já para o homem, é o aposento de menor destaque da residência. É visto como mais uma porta entre os corredores. Sequer pensa nas suas condições de uso para os outros, não raciocina que ele pode ser frequentado, reparado e analisado por uma visita.

Não realiza checklist do que falta de provisão. De acordo com a sua mentalidade, o rancho para municiá-lo se resume a pasta de dente, sabonete, xampu, gilete, cotonete e papel higiênico. Se pudesse, deixaria o lugar abandonado tal sanitário de posto de gasolina.

Não faz nenhuma diferença para ele na hora de escolher um imóvel. É funcional, para necessidades biológicas. Não envolve o seu espírito. Não diz respeito ao seu bem-estar emocional. Não compromete a sua felicidade.

Tenho esse falhado software em mim: banheiro é banheiro, desde que conte com uma ducha forte e quente funcionando. Mal permaneço dentro dele, discreta garagem para ir e vir.

Não me preocupo com mais nada. Não ficarei nele por mais do que 10 minutos. Meus produtos de higiene cabem num pequeno estojo. O que me leva a crer que banheiro para as mulheres é camarim, com acesso direto ao palco dos seus sonhos.

CARPINEJAR

28 DE OUTUBRO DE 2023
FLÁVIO TAVARES

DO APLAUSO À CRÍTICA

Há males que vêm para bem, diz o velho refrão. Mas há, também, atos em que o bem não redime os males. É o caso de agora, quando o governador Eduardo Leite instituiu o ProClima 2050, destinado a que nosso Estado participe do combate às mudanças climáticas. Cria-se um "gabinete de crise climática" para enfrentar o problema que leva à destruição da vida no planeta. Até aí, aplausos.

A crise climática, porém, não brota das nuvens. É provocada (direta ou indiretamente) pelos atos do dia a dia. Para localizar os erros e evitá-los ou mitigá-los, os códigos ambientais estaduais definem o que é permitido e o que é vedado. Nosso Código Estadual do Meio Ambiente, redigido originalmente ao longo de anos, ouviu diferentes setores, de produtores agrícolas a industriais, ambientalistas, geólogos e outros especialistas. E assim, serviu de modelo a outros Estados.

Na anterior gestão de Eduardo Leite, porém, este código modelar foi revogado por iniciativa do governador e substituído pelo atual, que abranda uma série de medidas que impediam (ou mitigavam) os efeitos do aquecimento global. O novo código instituído pelo governo estadual abre caminho a exploração e uso dos combustíveis fósseis, num momento em que todos no mundo apontam o petróleo, o carvão e o gás natural como responsáveis diretos pela crise climática.

Dias atrás, 130 grandes empresas como Nestlé, Bayer, Heineken e Volvo pediram que a próxima COP-28 estabeleça um cronograma para proibir gradualmente os combustíveis fósseis.

Ao revogar o anterior Código Ambiental, o governo de Eduardo Leite divergiu da própria Constituição Federal que instituiu o meio ambiente como um direito de todos.

Passamos a desconhecer que a crise ambiental provém de um conjunto de fatores geradores do horror, mas que o antigo código estadual (revogado por iniciativa do governador) buscava resolver ou até proibia. Indago: solucionaremos o que foi provocado por erros de décadas em apenas sete anos, como prevê o ProClima 2050? Ou, como diz o presidente da associação dos técnicos da Fepam, trata-se de mero "marketing" governamental?

O terrível e inominável na política nacional continua a ser sua transformação em balcão de negócios. Ou não é isso que explica que o presidente Lula da Silva leve ao governo o chamado centrão, dando-lhe a presidência da Caixa Econômica? Ou é um perene estilo de governar?


28 DE OUTUBRO DE 2023
OPINIÃO DA RBS

O PAPEL DO LIVRO

Compreender a complexidade, as nuances e as razões históricas que cercam os temas mais candentes da atualidade no país e no mundo exige a busca de conhecimento aprofundado. Em uma era de informações superficiais nem sempre confiáveis, que chegam em velocidade alucinante pelas redes sociais, a leitura de fôlego permanece como a melhor forma de acumular o conhecimento necessário para o entendimento sobre o que se passa no Estado e no outro lado do planeta. Este é um dos grandes atributos dos livros, outra vez reverenciados na Capital.

A 69ª Feira do Livro de Porto Alegre foi oficialmente aberta na sexta-feira e vai até o dia 15 de novembro, na Praça da Alfândega. Lá é possível garimpar obras que contextualizam o conflito hoje em curso no Oriente Médio. Podem ser encontradas publicações que contam como surgiram e se fortaleceram as milícias do Rio Janeiro. Exemplares que refletem sobre os dilemas e tendências da inteligência artificial, um dos temas fascinantes da época atual. E outros trabalhos que convidam o leitor a compreender o desafio existencial de mitigar as mudanças climáticas, problema que os gaúchos têm bem presente após as enchentes e enxurradas dos últimos meses.

Sim, há a opção cômoda de pesquisar livros e adquiri-los por meios virtuais e recebê-los no conforto do lar. E também ler em formato e-book. Mas para os apreciadores do enlevo da leitura, ainda são difíceis de substituir os demais aspectos que fazem a escolha, como a possibilidade de folhear as obras nas mãos e trocar impressões com o livreiro. Mais ainda quando se está ao ar livre em um cenário como o da Praça da Alfândega na primavera, rodeado de jacarandás em flor, e muitas vezes com a oportunidade de encontrar o próprio autor do livro desejado.

Conforme a entidade organizadora, a Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL), a edição deste ano - que tem como patrono o escritor e cineasta Tabajara Ruas - terá a participação de mais de 140 autores gaúchos, de outros Estados e internacionais. Como já virou tradição, a área infantojuvenil, voltada a ajudar a forjar o hábito da leitura em crianças e adolescentes, também terá ampla programação.

As atividades da feira incluem sessões de autógrafos, oficinas, palestras e atrações musicais. Visitar o evento, portanto, não se resume a apenas consumar um ato de consumo, mas viver um programa cultural completo, ainda mais em uma região, como o Centro Histórico de Porto Porto Alegre, cercada de outros atrativos, como vários museus e espaços para exposições.

Aos trancos e barrancos, vencendo dificuldades de patrocínio e a mudança de perfil do mercado editorial, a Feira do Livro de Porto Alegre persiste ininterrupta, prestes a completar sete décadas. Não é apenas um dos símbolos da Capital, mas um dos eventos culturais mais importantes do Estado e talvez o mais democrático do setor literário do país. O melhor reconhecimento será a presença expressiva de visitantes. A essência da feira, afinal, é o burburinho do público em meio aos livros.


28 DE OUTUBRO DE 2023
CONSELHO EDITORIAL

OS RISCOS DA IMPORTAÇÃO DA GUERRA

A Guerra do Vietnã, o "imperialismo" americano, o embargo econômico a Cuba e as violações do regime, a crise na Venezuela, o conflito Rússia x Ucrânia. Não é de hoje que temas internacionais - uns mais do que outros - são "importados" para o contexto brasileiro e, em geral, instrumentalizados por atores políticos domésticos.

Com o confronto entre Israel e Hamas não é diferente. Desde o infame 7 de outubro, cada palavra e ação no Oriente Médio alimenta, do lado de cá, a 16 mil quilômetros de distância, discussões apaixonadas (e por vezes raivosas) turbinadas pelo ambiente de polarização nacional.

Recém-chegado do front, onde atuei como correspondente nos primeiros dias da guerra, desembarquei na última terça-feira na reunião mensal do Conselho Editorial do Grupo RBS. Entre os vários desafios que a atual confrontação impõe ao jornalismo, o fenômeno da "abrasileiração" do conflito é um dos que mais preocupam.

São vários os riscos de se olhar rivalidades no Exterior sob as lentes de nossa compreensão do mundo: o primeiro é o de se cair na simplificação da disputa, relegar uma crise ao duelo direita x esquerda, que não só reduz a complexidade da guerra a uma lógica de "mocinho x bandido", como ignora que o Oriente Médio tem dinâmicas regionais próprias. Os movimentos no front ou nos gabinetes são influenciados por variáveis internas e externas e disputas de poder que não cabem em simplificações - tampouco se adaptam à realidade brasileira e a seus dilemas.

Ao "abrasileirarmos" o conflito desconsideramos nuances, ignoramos a História e descontextualizamos decisões. Este é o primeiro passo para que visões obtusas sobre a guerra se cristalizem.

O jornalismo profissional é antídoto para que se evite essa armadilha. Neste Conselho, firmamos posição em torno da necessidade de explicar, contextualizar, lançar luzes sobre fatos nebulosos, buscar diversidade de opiniões e propor soluções. Nossa linha editorial é a favor da paz, contra o terrorismo e em defesa da solução de dois Estados - um israelense e um palestino - legítimos. Buscaremos, em nossos espaços, evitar ao máximo a importação do conflito e o reducionismo desses dias insanos a disputas partidárias e ideológicas brasileiras.

RODRIGO LOPES

28 DE OUTUBRO DE 2023
BALANÇO DE 12 ANOS

Número de idosos cresce 50% no RS

Rio Grande do Sul tem o maior percentual de pessoas acima de 60 anos entre os Estados, aponta o Censo de 2022

O Rio Grande do Sul é o que tem o maior percentual de idosos entre os Estados brasileiros, afirma o Censo Demográfico divulgado na sexta-feira. Em 2022, o RS tinha 2.193.416 pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 20,15% da população.

Ou seja: um em cada cinco moradores do RS era idoso, segundo as informações coletadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano passado. O levantamento traz detalhes sobre sexo e idade da população e é um acréscimo à contagem que começou a ser divulgada em junho.

A idade mediana do gaúcho, 38 anos, foi a mais alta na comparação com as outras unidades na federação, o que faz do Estado o "mais velho". O cálculo separa a metade mais jovem da metade mais velha dos moradores e obtém um número, que ajuda os estudiosos no estudo da evolução etária de um grupo de pessoas.

No caso do RS, 50% da população tem idade até 38 anos e o restante está acima disso. Em 2010, a idade mediana no Estado foi 33. A idade mediana do brasileiro passou de 29 anos no censo anterior para 35 anos no mais recente.

O crescimento do grupo dos idosos no RS é observado na comparação com o censo de 2010. Naquele ano, eram 1.459.597 idosos (13,65% do total). O grupo aumentou em 733.819 pessoas em 12 anos, salto de 50,27% entre os dois estudos.

Coqueiro Baixo, no Vale do Taquari, é o município que tem maior percentual de idosos na população: 38,91% dos 1.290 moradores têm 60 anos ou mais. A parcela de idosos no Brasil aumentou 55,96% entre 2010 e 2022: de 20.590.597 para 32.113.490.

Comparação

Ao mesmo tempo, o IBGE também indica que há a menor proporção de pessoas entre 0 e 14 anos em relação ao total da população (17,5%) no RS, na comparação com outras unidades da federação. O grupo representava 32,4%, em 1980, e 20,8%, em 2010. A pesquisa informa também queda no grupo de 15 e 24 anos: em 2022, havia 321.929 pessoas a menos na comparação com o estudo anterior, queda de 18,43% (de 1.746.643 para 1.424.714).

VINICIUS COIMBRA

Do que precisamos

No início do mês, morreu Charles F. Feeney, um bilionário que chegou a acumular U$ 8 bilhões mas que nos últimos anos andava de metrô e táxi e vivia em um apartamento alugado em San Francisco. Feeney fez fortuna com free shops e tecnologia, mas não quebrou e nem era um excêntrico velhinho de 92 anos. Em 1986, depois de contar sete palácios, de Nova York à Riviera Francesa, ele decidiu em sã consciência doar seu patrimônio em vida, reservando para si U$ 2 milhões, uma quantia que considerava suficiente para viver bem.

A história de Feeney me veio à cabeça ao ler o belo relato de minha vizinha de página em Zero Hora, Juliana Bublitz, sobre Nora Teixeira. Como também celebrou o editorial de ZH de 21 passado, ela e o marido, Alexandre Grendene, doaram R$ 80 milhões e puxaram contribuições de outras famílias que garantiram R$ 230 milhões para a construção do mais moderno hospital do complexo da Santa Casa.

O casal é o expoente de um fenômeno que, felizmente, está se tornando rotina no Rio Grande do Sul. Por meio de doações a saúde, educação, segurança e obras sociais, um bom número de famílias com recursos vem retribuindo de forma direta, e sem as ineficiências estatais, à terra que os ajudou a erguer patrimônios. Na base do movimento, há a constatação de que apenas empilhar dinheiro não compra felicidade nem assegura a transferência de bem-estar de geração para geração: antes de tudo, vêm os valores morais e familiares que dão solidez a empreendimentos perenes.

Nossas caixas postais estão infestadas de e-mails que prometem "multiplicar o patrimônio" sem esforço, enquanto as redes sociais são inundadas de influenciadores que pescam incautos com o apelo desmesurado de que o prestígio e a felicidade estão associados a carrões ou megaiates. O tema é bem pesquisado. Um famoso estudo da Universidade de Princeton estabeleceu em U$ 95 mil anuais a renda para se ter "satisfação com a vida". O estudo vem sendo torpedeado por outros desde então, porque há muita satisfação com rendas bem abaixo disso e insatisfação com rendas bem acima. No que todos parecem convergir é que emoções positivas antecedem - e não o contrário - a formação de fortunas.

Como já entrei na fase de dizer "no meu tempo", lembro que podíamos ser felizes com um Conga gasto, sem precisar de um tênis para cada esporte. E que uma viagem à praia tinha a mesma adrenalina do primeiro pouso em Paris. E, sim, uma infância feliz era possível sem 17 assinaturas de canais de streaming. Minha vizinha de página aqui produziu também uma emotiva crônica sobre sua relação com a enciclopédia Larousse Cultural. Como sou mais velho, meu Google era o Tesouro da Juventude, que eu e meu irmão devoramos e nos deliciamos. A felicidade também pode caber numa prateleira.

MARCELO RECH 

sexta-feira, 27 de outubro de 2023


27 DE OUTUBRO DE 2023
CARPINEJAR

Ciúme sem orgulho

O ciumento encontra disfarces para não ser identificado. Transfere a possessividade para a preocupação.

A preocupação parece amor, mas é ciúme. Em vez de dizer a verdade, que não gostaria que você saísse, diz, quando você sai, que está preocupado com a falta de notícias. Cria um jeito de vestir o controle com um ideal de segurança e de cuidado. Assim a triste manipulação está maquiada numa benquista proteção.

Mas você pode mandar uma cascata de avisos da sua localização a cada cinco minutos, e o ciumento continuará insatisfeito. Não tem solução. Não foi você que errou antes com o laconismo de notícias, é que ele não é suficientemente sincero. Porque o que ele quer é que permaneça em casa. Só deste jeito ficará tranquilo: você ao lado dele, na cama, debaixo das cobertas.

Odeia a concorrência de amigos e colegas de trabalho, uma vez que vê a todos como ameaças a sua exclusividade. Não admite que você seja feliz em diferentes momentos. Como se a felicidade fosse infidelidade. Para o ciumento, o riso longe de sua presença já é chifre.

Ao não nomear esse mal, ao não tratar esse mal, ao não combater esse mal, você passará a se sentir culpado pela própria liberdade. Ao se divertir numa reunião ou numa festa, mentirá para seu parceiro que não foi legal. Entrará na loucura de se antecipar a possíveis questionamentos. Sofrerá com a prevenção ao ciúme. Chegará a apagar mensagens inofensivas apenas para não gerar suspeitas. Depois, ainda precisará justificar o motivo de ter eliminado as mensagens. Sua gestão de conflitos tornará sua honestidade confusa e incoerente, dificultando suas explicações. Será incriminado tentando não discutir.

Na maior parte das situações, o ciúme não é escancarado, mas silencioso e reprimido.

Monto um breve detector de sintomas do apego excessivo: - Ciumento não diz "alô" ao telefone, já sai falando: "Onde você está?".

- Ciumento manda mensagem e liga ao mesmo tempo, por vídeo, para fazer flagrante.

- Ciumento não expõe que está magoado. Fecha a cara, arma a careta de birra, deixa de falar de repente, e você tem que ir atrás para descobrir o que aconteceu.

- Ciumento é caseiro de propósito, para se prevenir dos seus inimigos imaginários. Quando passeia, é apenas com casalzinho de amigos.

- Ciumento conversa com a sogra mais do que com a mãe.

- Ciumento arruma a casa, guarda as suas coisas, ajeita a bagunça, lava o seu carro, para investigar por onde você andou.

- Ciumento confere os bolsos de suas calças e cheira as suas camisas antes de pôr na máquina de lavar.

- Ciumento odeia ser chamado de ciumento.

CARPINEJAR

27 DE OUTUBRO DE 2023
ARTIGOS

FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO: PORTABILIZAR OU NÃO?

Há três anos, o coronavírus impôs mudanças que até hoje impactam nossas vidas. Além da questão sanitária, o momento foi de reorganização financeira e busca por melhores condições econômicas nas contas. No mercado imobiliário, não foi diferente.

O período proporcionou queda histórica na Selic e resultou em créditos imobiliários com excelentes patamares - entre 2020 e 2021 operamos na ordem de 6,9%, o que atraiu algumas pessoas a optarem pela portabilidade de financiamento imobiliário. Já no pós-pandemia, a Selic chegou aos 13,75% e, desde então, o Copom já a reduziu para 12,75% - uma boa notícia para o mercado imobiliário.

De forma geral, o resultado foi um aumento nos juros imobiliários. Quem financiou imóvel entre 2020 e 2022 não tem motivos para pensar em portabilidade - com exceção dos financiamentos realizados na modalidade pós-fixada (juros vinculados à poupança e ao IPCA), uma vez que essas taxas acompanharam a variação dos índices citados e, por isso, em alguns casos, a mudança pode ser uma boa opção.

Mas o que é portabilidade de crédito imobiliário? Resumindo, é a transferência de uma dívida de financiamento para outro banco. Quando é assegurado ser a melhor opção, a vantagem é a redução dos custos das parcelas e a economia financeira. Já a desvantagem é uma série de burocracias entre os bancos, necessitando tempo e atenção, além de custos adicionais nos trâmites de registros imobiliários.

É sempre importante realizar um estudo de cada cenário. O suporte de um consultor imobiliário pode auxiliar nas comparações dos novos financiamentos, além das simulações, que devem ser realizadas em mais de uma instituição, pois as taxas variam de acordo com o perfil do comprador. O profissional trará a ajuda necessária para o processo, como na análise das parcelas atuais e as do novo banco, levando em conta o custo efetivo, seguros habitacionais, prazo e demais taxas.

O atual momento econômico e financeiro requer atenção e cuidados redobrados. As altas taxas de juros exigem uma pesquisa mais ampla pelas melhores condições que o mercado pode oferecer, pois a busca por um novo credor deve ser realizada com toda a tranquilidade. Assim, o sonho do imóvel tão desejado não se tornará um pesadelo.


27 DE OUTUBRO DE 2023
OPINIÃO DA RBS

O INSACIÁVEL

Após meses de negociações, pressões e protelamentos, enfim o Palácio do Planalto capitulou e entregou a Caixa para o centrão, grupo hoje sob a batuta do presidente da Câmara, Arthur Lira. O banco será comandado por Carlos Antônio Vieira Fernandes, servidor da instituição. Mas o bloco parlamentar não está saciado. Exige agora o poder de indicar os nomes para as 12 vice-presidências da Caixa. Porteira fechada, como se diz no jargão da política.

Em meio ao noticiário sobre as tratativas, até agora nada se ouviu ou leu acerca de eventuais planos para um dos maiores bancos público do país, responsável por grande parte do crédito imobiliário, financiamento para projetos de saneamento e que faz o pagamento de programas sociais. Inexiste qualquer discussão sobre melhorar a gestão, os resultados do banco ou a prestação de serviços. Resta claro que o grande interesse do centrão em controlar a Caixa é manejar e ter influência sobre o grande volume de recursos intermediados.

Não por coincidência, no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou a entrega da Caixa, Lira colocou em votação na Câmara o projeto de lei que altera a tributação de fundos de investimento de alta renda, matéria de interesse do governo. É o velho toma lá dá cá, sem nenhuma dissimulação.

O centrão, aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro contra Lula na eleição do ano passado, tem fatias gordas de poder no novo governo. Já controlava os ministérios das Comunicações e do Turismo e, mês passado, ganhou as pastas do Esporte e de Portos e Aeroportos. Na passagem de gestão, manteve o comando da estatal Codevasf, loteada ainda na administração Bolsonaro e alvo de recorrentes suspeitas e operações da Polícia Federal.

Engana-se quem imagina que o centrão, grupo com mais de 200 deputados, considera-se satisfeito e, daqui para a frente, será fiel ao governo. A gula pelo controle de emendas e espaços permanece. Mira agora a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Lula, eleito junto a uma base de não mais do que 130 parlamentares entre os 513 na Câmara, acabará por ceder para garantir o apoio ao menos à pauta econômica. Ou enfrentará novas chantagens.

O centrão não é novidade na política brasileira e tem por vocação servir e ser servido por qualquer governo, pouco importa a ideologia do hospedeiro. Diferentes presidentes da República, devido à fragmentação do Congresso, têm recorrido ao fisiologismo para assegurar apoio ou sobrevivência.

Ocorre que, nas últimas legislaturas, parlamentares passaram a ter mais poder e avançaram em atribuições que eram do Executivo. Assim, o custo do apoio inflacionou. O controle de emendas é um exemplo desse empoderamento. São vultosos recursos distribuídos em grande parte para obras paroquiais pulverizadas, sem critérios lógicos. A finalidade é garantir a reeleição e obter vantagens, com prática de natureza patrimonialista. Como o centrão não tem programa de país, mas somente instinto de sobrevivência, ao fim os recursos são mal alocados e fazem falta em projetos estruturantes. Não raro, viram objeto de escândalos em contratos suspeitos.

Era prenunciado que o grupo político formado por integrantes do PP, Republicanos, União e membros de outras siglas, inclusive o PL, aderisse ao governo Lula. As dúvidas eram o cronograma e o preço. Os órgãos de controle terão trabalho.

OPINIÃO DA RBS


27 DE OUTUBRO DE 2023
+ ECONOMIA

Corsan dará desconto de 50% a dívidas

Começa em 6 de novembro o programa Corsan Negocia, para facilitar a regularização de dívidas de consumo dos serviços de água e esgoto nos 317 municípios atendidos pela empresa. A ação vai até o dia 11. O desconto chega até a 50% do valor original de faturas vencidas, ou a juros ou multas aplicadas. Será possível parcelar as pendências em até 60 vezes, sem entrada. Poderão aderir os clientes das categorias residencial, comercial e industrial com dívidas há mais de 150 dias.

Os pagamentos poderão ser feitos à vista, por código de barras ou Pix, em parcelas incorporadas nas faturas mensais de consumo subsequentes ou mesmo pelo cartão de crédito.

Para participar, os consumidores interessados devem procurar uma das 18 unidades de negociação do programa entre 6 e 11 de novembro. Vai haver atendimento em Santa Maria, Alegrete, Capão da Canoa, Tramandaí, Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Vila Santa Isabel, Santa Rosa, Santo Ângelo, Canela, Gramado, Montenegro, Santiago, Passo Fundo, Campo Bom, Sapiranga e Rio Grande. Até o dia 10, será possível negociar em qualquer unidade de saneamento (US) da Corsan.

foi a alta da bolsa, ontem, alavancada pelo resultado do IPCA-15, que veio moderado, de 0,21%, e bem comportado nos componentes internos. Foi lido pelo mercado como um conforto para o corte de juro do Banco Central na próxima semana. Mas em linha com o aviso do BC, de 0,5 ponto percentual, nem mais, nem menos.

Dólar baixa de mil pesos na Argentina

Depois de trafegar acima de 1 mil pesos durante duas semanas, o dólar blue - principal tipo de paralelo na Argentina - fechou ontem em 970. O Banco Central da República Argentina (BCRA) acumula intervenções de US$ 352 milhões em quatro dias. Foi possível por uma decisão de Sergio Massa, ministro da Economia e candidato à presidência, no dia seguinte à eleição, de permitir que exportadores internalizem dólares com um tipo de câmbio cotado a 867.

Na política, começa a se especular que os "radicais" se tornem decisivos na eleição à presidência, que será definida em segundo turno no dia 19 de novembro. O apoio de Patricia Bullrich, ex-candidata à presidência por Unidos por el Cambio, a Javier Milei provocou divisão na coligação e até em seu próprio partido, o PRO (Proposta Republicana).

Como resultado, os "radicais", como são chamados os integrantes do partido de centro Unión Cívica Radical, que estavam na coligação, oscilam entre neutralidade e apoio a Massa. Um apoio dos "radicais de centro" pode reforçar a ideia de um governo de união nacional, já proposto por Massa. Mesmo com o apoio de Bullrich, antes a preferida do mercado financeiro, há avaliações nesse meio de que Massa seria mais confiável - desde que reitere seu antikirchnerismo.

MARTA SFREDO

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Os avós que não querem ser explorados: 'Cuidar dos netos pontualmente é diferente de virar cuidador principal'

Estresse, ansiedade, exaustão e insônia são os sintomas mais comuns entre avós após longos períodos cuidando dos netos.


o passar perto de um parquinho, em qualquer tarde de um dia de semana, é possível ver uma cena típica: avós cuidando dos netos depois da

O que a princípio pode parecer uma bela imagem, para alguns se tornou uma obrigação, com consequências até para a saúde. 

Cayetana Campo deixou claro desde o início que não queria ser uma daquelas avós e comunicou isso aos quatro filhos, quando começaram a ter parceiros estáveis, para evitar problemas futuros.

"Eu fui clara sobre isso. Tenho quatro filhos e se você faz com um tem que fazer com todos", explica em conversa com a BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

Para essa mulher de 71 anos, que vive entre Benavente (no norte de Espanha) e Madrid, uma coisa é ajudar os filhos quando surge um problema específico e outra é estar sempre com os netos.

"Se um dia eles não puderem e precisarem que eu vá buscar a criança na escola, tudo bem. Mas pegar o neto de manhã e ficar com ele o dia todo até os pais voltarem do trabalho definitivamente não é correto, porque eu tenho a minha vida e agora que me aposentei tenho tempo para fazer outras coisas", afirma.

"Tenho visto avós que vão buscar os netos de manhã, levam eles à escola, dão alimentação e às vezes até os filhos saem de férias e deixam os netos com eles", acrescenta sobre os idosos que passam a ser os principais cuidadores dos netos.

Embora admita que seus filhos gostariam de poder contar mais com ela, eles não reagiram mal. "Pra mim, essa de deixar o filho comigo e viver a vida, não é o certo. É por isso que eles têm filhos, certo? Para que eles possam cuidar deles."

Cayetana tem quatro filhos (dois homens e duas mulheres) e seis netos

Estou ocupada

Ela critica a crença que muitos carregam de que "você pode ter filhos, porque os avós irão cuidar deles".

"Eu tinha quatro filhos  trabalhava, e eles (os avós) não cuidavam deles para mim. Eles cuidavam quando podiam."

"Na minha época pode ter havido uma avó que poderia ter feito mais, mas em geral foi como o que aconteceu comigo: os avós não estavam lá o tempo todo como estão agora. Agora há avós que os estão criando."

Cayetana teve o primeiro filho aos 23 anos e o quarto aos 41 anos. "Já fiquei ocupada por um bom tempo", diz ela, que tem seis netos. 

Ao longo da vida, a mulher sempre teve outras ocupações, além da maternidade: trabalhou com o pai na pastelaria da família e depois com o marido em um açougue.

Longe do que muitos possam imaginar, ela tem um relacionamento muito bom com os netos, com quem passa bons momentos.

"Temos uma relação avó-netos. Curtimos juntos, é para isso que servem os avós", afirma Cayetana ao contar como divide o seu tempo entre ajudar o filho na sua loja em Benavente, algo que adora, e passear com as amigas.

"Em Madri faço ginástica de manhã no Parque do Retiro e à tarde ou fico em casa fazendo coisas ou encontro as amigas para ir ao teatro ou dar um passeio", detalha.

Ela gosta de aproveitar o tempo livre para passear com as amigas, ir ao teatro ou simplesmente sair para tomar uma bebida

Ela gosta de aproveitar o tempo livre para passear com as amigas, ir ao teatro ou simplesmente sair para tomar uma bebida

Ela tem muitas amigas que, assim como ela, se recusam a cuidar dos netos o tempo todo, mas também conhece avós que cuidam dos netos em tempo integral, porque senão os filhos vão ficar bravos com eles.

"Cuidam um pouco como uma obrigação e isso não pode acontecer", comenta.

"Conversando com as pessoas você percebe que sempre tem alguém explorado."

Medo do que vão dizer

Mas nem todos têm a força de Cayetana. Estabelecer limites nem sempre é fácil e movidos pelo sentimento de culpa, muitos avós acabam imersos num turbilhão de escolas, atividades extracurriculares, refeições, férias e outras atividades, quase sem tempo para mais nada.

“Eles se sentem culpados por não quererem cuidar tanto dos netos”, explica à BBC News Mundo o psicólogo Ángel Rull sobre as pessoas que ele atende.

“Eles chegam como se houvesse algo de errado com eles por não querer cuidar dos netos, por imporem limites, por precisarem de um pouco mais de espaço, de poder viajar”.

“E é aí que a gente realmente se reestrutura para que eles saibam que o que eles sentem é normal, mas que socialmente não falamos tanto sobre isso, porque somos tradicionalmente obrigados a cuidar do silêncio, do ‘minha obrigação é cuidar de você e não posso reclamar disso’”, pontua, sobre um tema que continua tabu, como pôde constatar a BBC News Mundo ao procurar avós que decidiram estabelecer limites.

Sempre houve avós que se recusaram a estar o tempo todo com os netos, mas quando questionados se estariam dispostos a contar isso publicamente, a maioria recusou. O medo do que as pessoas vão dizer continua a ter um grande peso. Uma coisa é comentar sobre o tema confidencialmente e outra é contar ao mundo.

“É muito difícil para eles dizerem: ‘Bom, eu não cuido dos meus netos’, porque parece que dizer isso é como dizer que não quer contribuir com a família”, afirma José Augusto García Navarro, presidente da Sociedade Espanhola de Geriatria e Gerontologia.

Manuel Sánchez Pérez, presidente da Sociedade Espanhola de Psicogeriatria, enxerga a situação da mesma forma:

“O avô muito autônomo, que faz a vida, que viaja, que não quer começar a assumir aquela função de cuidar dos filhos, ainda é visto culturalmente como um avô, digamos, egoísta. Um avô que prioriza o próprio conforto, o próprio bem-estar e que, um pouco, deixa os filhos à margem. É uma avaliação injusta em muitos casos.”

“As pessoas que optam por esse tipo de posição estão defendendo o seu direito a uma velhice digna e saudável, e a poder usufruir do tempo extra que o não ter de trabalhar lhes proporciona, e isso é perfeitamente legítimo”, acrescenta.

Os especialistas insistem que a melhor alternativa é encontrar um meio caminho, em que as pessoas mais velhas possam desfrutar da autonomia, do seu tempo e da saúde que possuem e também possam, de forma razoável, ser um ponto de apoio para os seus filhos. Porém, em muitas situações não há esse equilíbrio.

A síndrome do avô explorado

Na Europa, um em cada quatro avós cuida dos netos e faz isso, em média, sete horas por dia, porcentagem que aumenta nos períodos de férias, segundo a Pesquisa de Saúde, Envelhecimento e Aposentadoria realizada no continente.

A dificuldade de conciliar vida profissional e familiar devido à escassez de creches públicas e aos longos horários, à precariedade laboral, bem como à falta de recursos econômicos de muitas famílias e ao aumento da esperança de vida, que em 2020 era de 82,2 anos em Espanha, segundo dados oficiais, fez dos avós um fator fundamental no cuidado das crianças, chegando ao extremo em alguns casos.

“A síndrome do avô explorado é aquela obrigação moral, aquela pressão que os avós sentem para cuidar dos netos, que pode vir imposta diretamente pelos filhos ou porque enxergam que os filhos realmente precisam de ajuda, porque estão em situação de precariedade no trabalho. ou numa situação de necessidade de conciliação impossível com os empregos que ocupam”, explica García Navarro.

Essa necessidade de as famílias contarem com os avós na criação dos filhos não é algo novo, mas, segundo Sánchez Pérez, é uma situação que “embora sempre tenha ocorrido, é cada vez mais observada.”

“Constatou-se que uma percentagem significativa de idosos pode passar entre 6 ou 7 horas por dia, o que é quase um dia útil de qualquer outro trabalho, cuidando dos netos. E de fato a proporção, segundo diversos estudos realizados, de avós que fazem isso voluntariamente ou por prazer ou porque decidem, é muito pequena. Apenas 1 em cada 9 que fazem com essa intensidade faz por prazer, por decisão própria”, detalha.

“Agora há mais casos, porque há mais jovens que têm empregos mais precários e com conciliação mais difícil, embora a lei tente garantir a conciliação, na prática nem sempre isso acontece. Além disso, o seu poder de compra é menor e isso os impede de receber apoio. Acho que isso acontece claramente por esses dois motivos”, explica García Navarro. 

Entretanto, Rull destaca que algo importante é que agora estamos conscientes do problema. “Nas últimas décadas nem sequer pensávamos que os avós pudessem estar sofrendo com isso. Agora vemos que existe sofrimento e é por isso que tentamos estabelecer limites.”

Isso acontece, sobretudo, nos países mediterrânicos e na América Latina. “Nesses países existe mais o sentimento de que somos todos uma família e que todos devem contribuir em qualquer idade”, afirma García Navarro.

Os efeitos na saúde          

“Essa obrigação moral de cuidar dos netos muitas vezes acaba resultando em uma situação de maior estresse do ponto de vista psicológico que pode ter repercussões reais como a ansiedade. Em alguns casos pode levar à insônia e, principalmente, àquela sensação de cansaço e sobrecarga”, acrescenta.

A insônia e a fadiga intensa podem causar efeitos colaterais, como erros de direção ou falhas de memória devido ao estresse e à ansiedade. Além disso, se o idoso tiver doença cardíaca isquêmica, pode ter maior propensão a sofrer um ataque cardíaco.

“A saúde física deles está sempre deteriorada porque uma pessoa de uma certa idade sofre mais cansaço, mais dores ou doenças, que pioram. E depois a nível psicológico aparece com muita frequência a frustração, a raiva, a culpa, a tristeza , ansiedade e o estresse. Normalmente são emoções que variam entre a tristeza e a raiva”, afirma o psicólogo Rull.

“A nível psicológico seria próximo do que se conhece como síndrome de burnout, quando se fica sobrecarregado por uma tarefa com pouca gratificação”, explica Sánchez Pérez, ao mesmo tempo que insiste em ter em conta que existe uma grande diversidade de pessoas com mais de 65 anos de idade.

Como não cair nessa

A Sociedade Espanhola de Geriatria e Gerontologia (SEGG) recomenda cuidar da comunicação com as crianças para informá-las sobre quaisquer problemas que possam surgir, tendo espaço e tempo próprios, conhecendo as condições de saúde de cada uma e até onde podem ir, e a maioria o mais importante é aprender a dizer “não” aos seus filhos.

Doenças como depressão, diabetes e hipertensão podem ser agravadas por esse excesso de trabalho

É importante que você aponte seus limites desde o primeiro momento e os deixe claros desde o início. Diga: 'Vou poder ficar com os netos um dia por semana, que será terça-feira', por exemplo, ou 'todos os dias das 10 às 12, mas depois não', porque aí sempre virão exceções e você muitas vezes terá que cobrir essas exceções, mas faça um acordo muito bom com seus filhos. Diga: ‘Sim, quero ou não quero, mas se quero são nessas condições’”, explica o presidente da SEGG.

É importante também que você entenda que não está fazendo nada de errado ao fazer isso, mas sim está fazendo uma coisa muito boa para todos, porque quando estão sobrecarregados também cuidam mal do neto. Não há nada de negativo em estabelecer limites”, afirma.





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26 DE OUTUBRO DE 2023

CARPINEJAR

"Olé"

Atravesso a Espanha em viagem com Beatriz. Vim conhecer as cidades de meus poetas prediletos: Luis de Góngora y Argote e Federico García Lorca, respectivamente Córdoba e Granada. Ali, em cada uma delas no sul andaluz, ambos nasceram e morreram.

Pensei que deixaria o futebol de lado, mas não consegui.

Numa apresentação de música flamenca, em tradicional cueva, espécie de salinha escura com duas filas indianas de cadeiras encostadas nas paredes, em que os dançarinos bailavam no centro com seus sapateados maravilhosos e alucinados, eu descobri o que anda faltando para meu Internacional na última década. Veio como um lampejo.

Os dançarinos não se apresentavam para o público, mas para eles. Um queria impressionar o outro. Um incentivava o outro. Um motivava o outro. Um desafiava o outro. Pareciam se xingar com elogios.

Eles se entreolhavam para decidir os próximos passos, as próximas músicas, os próximos números. Nem lembravam que estavam sendo olhados.

Nós, cerca de cem pessoas, éramos convidados secretos para espiar uma festa que se desenrolava unicamente entre eles. Estávamos presentes para testemunhar uma sintonia antiga, uma parceria de giros e dramas. Não brilhavam por nós, mas para o colega ao lado.

Trocam-se os saltos pelas chuteiras e emerge uma grande verdade sobre o sucesso.

O plantel do Inter não deveria entrar em campo pela torcida, pelo técnico, pelo presidente, pelo salário, sequer por algum título, mas pela admiração de atuar junto. Que eles tenham a satisfação da parceria, de fazer o melhor para quem se encontra fardado com a camisa vermelha.

Os bailarinos flamencos se exaltam para se superar em toda a exibição. Eis a senha da beleza, da fúria, do arrebatamento, dando o máximo de si para surpreender o seu par, e mais ninguém. Que a mágica se aplique ao grupo colorado: que esqueça os comentaristas, que esqueça os palpiteiros, que esqueça os resultados.

Que possua o contentamento de merecer um suspiro de seu companheiro pelo desarme, de provocar a gratidão pelo passe perfeito, de gerar um sorriso pelo cruzamento exato na cabeça. Que eles se idolatrem. Que eles se encantem com o que são capazes de produzir como elenco.

É desfrutar da dimensão de um momento único, irrepetível, da vida profissional.

Daqui a 10 anos, encher a boca para dizer que dividiu o campo com a visão exuberante de Alan Patrick, ou com as defesas seguras de Rochet, ou com as arrancadas avassaladoras de Enner Valencia.

Acima de tudo, formam uma turma de amigos. É algo que nenhuma derrota pode arrancar. Nenhuma eliminação pode tirar.

Os jogadores precisam recuperar a comemoração interna, a vibração mútua pelo entrosamento, por realizar uma jogada longamente ensaiada nos treinos, por antever a posição futura em infiltração na pequena área.

É a explicação para a goleada histórica do Inter diante do Santos. Inter jogou somente para o Inter. É a origem do "olé!". E assim, com o feitiço que iguala o tablado ao estádio, continuar jogando do mesmo jeito: com o espírito coletivo do dueto.

CARPINEJAR

26 DE OUTUBRO DE 2023
OPINIÃO DA RBS

POSIÇÕES DESALINHADAS

Teria coerência o governo Luiz Inácio Lula da Silva se afastasse do cargo de conselheira de Itapu Binacional a tesoureira do PT, Gleide Andrade de Oliveira. A filósofa, nomeada pelo Planalto para o posto na estatal, onde ganha R$ 37 mil mensais, se manifestou em uma rede social no último fim de semana chamando Israel de "Estado assassino" e "vergonha para a humanidade". 

Seria condizente com a atitude no caso do jornalista Hélio Doyle, demitido da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) após compartilhar mensagem que classificava apoiadores de Israel de "idiotas". Destino semelhante teve o assessor parlamentar Sayid Marcos Tenório, exonerado do gabinete do deputado federal Márcio Jerry (PCdoB-MA) por ironizar uma israelense sequestrada pelos terroristas do Hamas.

Noticiou-se que, após estes dois últimos episódios, o governo orientou colaboradores a usarem o bom senso quando se referirem à guerra entre Israel e o Hamas, conforme a postura de neutralidade do país e por buscar ser um facilitador nas negociações diplomáticas voltadas à paz. A tentativa de alinhamento, pelo jeito, foi ignorada por Gleide Oliveira, que depois até se desculpou. Lamentavelmente não se pode negar que as declarações do gênero têm amparo em setores da esquerda que, no mínimo, encontram margem para relativizar a barbárie perpetrada pelo grupo que controla a Faixa de Gaza.

São visões que, aqui e ali, escapam inclusive nas entrelinhas, mesmo quando há uma tentativa de mostrar sobriedade e, de público, condenar os atos do Hamas. Foi problemático, por exemplo, um paralelo feito pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta, em entrevista ao programa Roda Viva. Questionado sobre se o governo acreditava que o Hamas teria algum papel ao fim do conflito como representante dos palestinos, o ministro comparou o grupo ao Exército Republicano Irlandês (IRA, na sigla em inglês) e ao ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela. Pimenta ressaltou que tanto o IRA como Mandela foram rotulados como terroristas. 

No caso do IRA, que renunciou à luta armada em 2005, o partido Sinn Féin, um dia braço político da organização, hoje participa da vida institucional da Irlanda do Norte, inclusive vencendo eleições. E Mandela, após 27 anos preso por lutar contra o apartheid, foi reconhecido como um dos maiores estadistas do século passado.

O IRA, é verdade, usou métodos terroristas como atentados a bomba, sempre injustificáveis, seja qual fora a causa. Calcula-se que conflitos em que se envolveu causaram cerca de 3,6 mil mortes, a maioria de civis. Seu maior objetivo era a independência em relação ao Reino Unido - não a aniquilação do Reino Unido. 

Bastante disparatada é a comparação com Mandela, um líder reconhecido com o Nobel da Paz e que pregava a resistência não violenta, a reconciliação dos sul-africanos e a convivência harmoniosa de negros e brancos. O Hamas, ao contrário, tem como razão da existência o extermínio de Israel e é contra a solução de dois Estados, sendo um para a população palestina.

A pergunta dirigida ao ministro tinha como contexto o fato de o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, ter prefaciado a versão brasileira de um livro sobre o Hamas. No texto, avalia que o grupo - que no último dia 7 matou indiscriminadamente e sequestrou não apenas israelenses, mas cidadãos de outros países - poderia ter papel central na restauração dos direitos palestinos. Os fatos já colidiam com a perspectiva de Amorim. Não se sabe se o assessor hoje se arrepende do que escreveu.

Deve ser repetido à exaustão que o Hamas não representa os palestinos. A causa palestina de ter um Estado próprio, soberano, com a autodeterminação do seu povo, é justa e deve ser apoiada. Os radicais em armas, no entanto, sequer cogitam a convivência pacífica com os israelenses defendida pelo mundo civilizado como melhor forma de encaminhar o fim das hostilidades históricas.

Lula, que deveria dar o tom das manifestações de sua equipe, tem condenado o ataque terrorista do Hamas e apontado excessos na resposta de Israel, por também produzir vítimas civis. Mas parte de seus comandados e seguidores ainda deriva para posturas de fundo antissemita e malabarismos retóricos para encontrar justificativas para o massacre do dia 7 de outubro.

OPINIÃO DA RBS

Banco público não é moeda de troca

O que era especulação foi confirmado: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu a presidente da Caixa, Rita Serrano, e a substituiu por Carlos Antônio Vieira Fernandes, servidor do banco público indicado para o cargo pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em nome do centrão. O bloco parlamentar sem o qual nenhum governo parece capaz de aprovar projetos no Congresso havia se apropriado da pauta legislativa no período Bolsonaro, e segue recebendo nacos de poder. Além dos dois ministérios abocanhados, ganha o comando do maior banco do Brasil em operações de crédito (R$ 800 bilhões) e em número de clientes (150 milhões) e quarto em ativos (R$ 1,5 trilhão).

Mas a Caixa é mais do que uma instituição financeira portentosa nos números. Administra e distribui recursos de programas sociais - especialmente do Bolsa Família - e financia obras públicas, principalmente na área de saneamento básico, destinando recursos a Estados e municípios. É fácil de entender porque é tão cobiçada.

Mesmo depois que assumiu dois ministérios, em setembro, o centrão não comparecia com sua parte do acordo, ou seja, não fazia fluir ao menos a pauta econômica do governo no Congresso. A reforma tributária travou, propostas de reforço na arrecadação - como a tributação dos super-ricos - criaram teias de aranha nas gavetas. Até ontem, quando enfim avançou. Faltava a Caixa. Não falta mais. Em maio, Lira havia feito o diagnóstico: o governo Bolsonaro "descentralizava, acreditava e delegava", mas o de Lula "tem centralizado, não tem delegado e não tem acreditado".

A instituição vinha se recuperando do estrago de imagem provocado por um antecessor de Rita Serrano, Pedro Guimarães, que espetou conta de R$ 10 milhões nos cofres por indenizações pagas por assédio sexual. Transformar banco público em moeda de troca em negociação de apoio político é um mau sinal por princípio. Em um governo que proclama seu compromisso social, entregar uma instituição com tantos recursos e tantos braços, especialmente em ações destinadas a quem mais precisa, só acentua distorções que existem há décadas.

MARTA SFREDO

26 DE OUTUBRO DE 2023
TÚLIO MILMAN

Falar é fácil

Questões binárias são simples de resolver. Mesmo que sejamos absolutamente ignorantes, a chance de acerto é de 50%. O conflito do Oriente Médio não é assim. A complexidade é a única certeza. Vejamos o caso dos reféns. Calcula-se que existam hoje mais de 200 civis sequestrados pelo Hamas na Faixa de Gaza. Abaixo, algumas das opções postas no tabuleiro:

1) Não negociar e atacar até que todos sejam libertados, correndo o risco de, nos ataques, matar pessoas inocentes e os próprios reféns ou de que os terroristas os assassinem por vingança.

2) Não negociar, não atacar e apostar que a diplomacia resolva. Pode levar anos, ou nunca acontecer, o que motivaria uma avalanche de acusações de omissão e de fraqueza.

3) Negociar e tentar a libertação de todos, correndo o risco de, ao ceder, incentivar que mais sequestros ocorram.

4) Negociar, mas dizer que não negociou. Isso pode ser feito por terceiros, sejam eles americanos, europeus ou até mesmo por países árabes que já assinaram a paz com Israel. Mais cedo ou mais tarde, todos ficariam sabendo.

5) Não negociar, mas parecer que está negociando, para reduzir a pressão das famílias e da parcela da opinião pública que considera a preservação das vidas dos reféns o mais importante nesse momento.

Complicado? Tem mais. Em nome desse exercício simulado, escolha em qual papel você se colocaria na hora de decidir o que fazer:

1) Refém nas mãos do Hamas.

2) Filho ou pai de um refém.

3) Governo de Israel.

4) Pacifista.

5) Cidadão brasileiro que está a milhares de quilômetros de Israel, mas tem sua opinião.

6) Árabe-palestino que reivindica o seu Estado, mas é contra o terrorismo.

7) Jornalista de opinião.

8) Soldado do exército de Israel.

Uma dezena de outras variáveis poderiam ser acrescentadas a esta equação. Não há alternativa sem dor. O que há, e divide o conflito claramente em dois lados, são os valores. Nesse caso, e em tantos outros, tão importante quanto a escolha de um caminho, é a base moral e ética que leva à decisão. Mais do que a raiva ou o desejo de vingança, é preciso pensar no futuro. Não como um objetivo romântico e utópico, mas como uma oportunidade de construir um mundo com mais valor humano, econômico, cultural, social e político. 

Pessoalmente, sou contrário a qualquer negociação que envolva terroristas. Mas se estivesse nas situações 1 ou 2 da minha segunda lista, provavelmente eu passaria por cima dessa crença. Gritar e brigar é fácil. Difícil é compreender as muitas razões em jogo. Isso quando há razão, o que não é o caso dos que apoiam, relativizam ou se calam diante da barbárie.

TULIO MILMAN

26 DE OUTUBRO DE 2023
GRÊMIO

DE LAVAR A ALMA

tricolor vira sobre o flamengo em cinco minutos na arena, encerra sequência de quatro jogos sem vitória no brasileirão e se mantém no g-6

Quando o sonho da vaga à Libertadores parecia se afastar, o Grêmio mostrou sua força. Na Arena, em partida válida pela 29ª rodada do Brasileirão, o Tricolor venceu o Flamengo por 3 a 2 de virada e se manteve no G-6, em sexto lugar. Ferreira, Nathan Fernandes e André Henrique marcaram os gols da vitória. Com 47 pontos, o time de Renato Portaluppi quebrou a série de quatro jogos sem vitórias e terminou a noite com um ponto de vantagem para o sétimo colocado, o Atlético-MG. Além disso, voltou a vencer o Flamengo, algoz de eliminações na Libertadores e na Copa do Brasil, pela primeira vez na Arena depois de cinco anos.

Renato recorreu novamente a uma série de trocas para escalar o Grêmio contra o Flamengo. Ao todo, em relação ao time goleado pelo São Paulo na última rodada, cinco caras novas começaram a partida na Arena. Geromel retornou para formar o trio de defensores com Bruno Alves e Kannemann. Reinaldo foi o ala esquerdo, com Pepê e Villasanti como volantes. No lado direito, João Pedro seguiu no time. O trio de ataque foi totalmente alterado. JP Galvão foi o substituto de Suárez e teve Galdino e Besozzi ao seu lado.

Jogo

O problema é que o Grêmio começou o jogo concedendo oportunidades ao adversário. Um vacilo de João Pedro deu uma chance claríssima com apenas um minuto de jogo. O lateral tentou proteger a saída de bola pela linha de fundo, mas Cebolinha foi mais rápido. O cruzamento encontrou Gerson na área, mas o desvio do meia não foi preciso e a bola passou por cima do gol de Grando.

O Flamengo adotou uma estratégia diferente dos outros jogos do ano no início da partida. O time carioca deixou os zagueiros do Grêmio com a bola e não pressionava. A marcação dos visitantes começava apenas a partir do meio de campo. O que criou alguns problemas para o time de Renato para levar a bola até o campo de ataque.

A estratégia pensada por Tite fez o time carioca tomar conta da primeira parte da partida. Apesar de ver o adversário com a bola, o Grêmio evitava finalizações mais perigosas. Aos poucos, o Tricolor começou a se desvencilhar da marcação flamenguista. Buscando os lados do campo, principalmente na combinação entre Besozzi e Reinaldo pela esquerda, o time de Renato passou a conseguir algumas investidas no campo de ataque.

Quando a estratégia do Grêmio parecia que manteria o jogo sob controle, o talento de um jogador revelado na base do clube fez a diferença. Só que a favor do Flamengo. Cebolinha disparou do próprio campo, deixou Geromel caído e evitou outra tentativa de desarme de Villasanti. O atacante driblou Grando e bateu para o gol vazio aos 41 minutos.

Mil

Na volta do intervalo, Renato fez uma troca. Colocou Ferreira no lugar de Besozzi. Só que o goleiro que precisou trabalhar foi Gabriel Grando. Após cobrança de escanteio, Pablo cabeceou e exigiu boa defesa com 11 minutos de segunda etapa.

Incomodado com a baixa produção ofensiva de sua equipe, Renato recorreu novamente ao banco. Cristaldo, Nathan Fernandes e André Henrique entraram nos lugares de Kannemann, Galdino e João Pedro Galvão. As trocas deram novo ânimo para o Grêmio. Mais no ímpeto do que na técnica, o time passou a rondar a área do Flamengo.

O ânimo dos jogadores que entraram contagiou os 22 mil torcedores na Arena. E o público conseguiu comemorar uma reação. Após tabela na entrada da área, Ferreira recebeu de Villasanti e chutou no ângulo para empatar a partida aos 30 minutos. O gol, além da importância pelo resultado, também foi histórico. Foi o milésimo gol do Grêmio na era dos pontos corridos do Brasileirão.

A festa nas arquibancadas aumentou de vez cinco anos depois. Nathan Fernandes recebeu de Cristaldo na área e bateu no canto de Rossi para confirmar a virada do Grêmio, aos 35. O Tricolor ainda fez o terceiro. André Henrique aproveitou passe de Villasanti e marcou um golaço. O chute acertou o poste direito de Rossi e morreu no canto esquerdo: 3 a 1.

Nos minutos finais, um susto. Luiz Araújo descontou para o Flamengo. Nada que abalasse a festa da torcida. Uma vitória que impulsiona o Tricolor em busca do objetivo da temporada: a América.

MARCO SOUZA