sábado, 4 de janeiro de 2020



04 DE JANEIRO DE 2020
FÉRIAS

14 destinos para curtir o verão na Região Metropolitana

Quem ficar em Porto Alegre ou na Região Metropolitana durante a temporada de verão tem diversas opções de lazer para escapar do ritual de deslocamento em massa para o Litoral.

Zero Hora selecionou 14 destinos, com distância máxima aproximada de 65 quilômetros da saída da Capital, para curtir, relaxar e explorar. Há sítios, cascatas e praias, gratuitos ou a baixo custo. Recomenda-se atenção para banho apenas em locais onde há presença de monitores ou guarda-vidas.

Detalhes dos locais

SÍTIO DO BETO

• O local é conhecido por seu parque aquático e pelas atrações relacionadas ao ecoturismo, esporte e lazer. São mais de 11 piscinas e 40 churrasqueiras  para curtir. Há serviço de guardavidas no local.

• Valor: R$ 15 por pessoa (de segunda a sexta); R$ 22 (aos finais  de semana e feriados); crianças de cinco a nove anos pagam R$ 10 todos os dias.

• Local: Estrada Beco do Pavão, 240, Gravataí.

• Horários: todos os dias, das 9h às 18h.

BURACO DO DIABO

• O local é tradição no turismode Ivoti. Localizado no Núcleo de  Casas Enxamiel, tipo de construção utilizada pelos imigrantes alemães, o Buraco do Diabo é uma expressão que faz referência aos próprios alemães, que moravam em uma parte mais baixa da cidade. Os barulhos escutados por eles durante a noite eram caracterizados como “sons do diabo”. Porém, na verdade, os causadores dos tais ruídos eram apenas tamanduás. A expressão se popularizou, e, hoje, trata-se de bom lugar para passeio, para tomar chimarrão, conhecer a cidade histórica e apreciar os artesanatos dos feirantes locais.

• Valor: acesso público sem custo.

• Local: bairro Feitoria Nova, Ivoti.

• Horários: acesso sempre liberado.

CASCATA DO MATO FINO

• Ideal para quem gosta de cascata (foto ao lado) e de lugares naturais. Localizado na Região Metropolitana, dispõe de várias churrasqueiras e muito contato com a natureza. Além disso, há lancheria, banheiros e monitoramento com guarda-vidas.

• Valor: R$ 25 por pessoa. Crianças de até seis anos não pagam.

• Local: Estrada da Cascata, 1.800, Gravataí.

• Horários: aberta todos os dias, das 8h às 18h.

PRAINHA DE MORUNGAVA

• Dispõe de piscina natural (foto acima) com águas do Arroio Ferreira, mata e vegetação com pedras e água corrente, além de 200 churrasqueiras e um galpão aberto. Também há quartos disponíveis para estadia. O local possui guarda-vidas.

• Valor: R$ 20 por pessoa (segunda a sexta); R$ 23 (fins de semana e feriados); crianças de cinco a 10 anos pagam sempre R$ 15.

• Local: Rua dos Schereiber, parada 96, Gravataí.

• Horários: de segunda a domingo, das 8h às 19h.

SÍTIO TRILHA DO SOL

• As piscinas são o destaque, além

das trilhas nativas para caminhada,

churrasqueiras em meio às árvores,

campos de futebol e de vôlei, cancha

de bocha, hortas orgânicas, centro

equestre para visitação e passeio

com cavalo e playgrounds. O banho é

supervisionado por monitores.

• Valor: R$ 20 por pessoa e R$ 10

para crianças de cinco a 10 anos (de

segunda a sexta); R$ 30 para adulto e

R$ 15 para crianças (fins de semana).

• Local: Estrada Frederico Dihl,

5.563, Viamão.

• Horários: aberto diariamente das

9h às 18h.

BARRA DO RIBEIRO

• O município é banhado pelo Guaíba

e pela Lagoa dos Patos. É possível

visitar o parque municipal e a reserva

ecológica, conhecida como Morro

da Formiga. O espaço tem trilhas

ecológicas. Há, ainda, o Cerro da

Cavalhada, um dos pontos altos da

cidade, com vista para a região. Há

Guarda-vidas no local, ainda que

segundo a Fepam, a praia de Barra do

Ribeiro não esteja própria para banho.

• Valor: acesso público sem custo.

• Local: RS-709, Barra do Ribeiro

• Horários: acesso sempre liberado.

SÍTIO CAPOROROCA

• Local oferece oficina de culinária com ingredientes colhidos na horta do sítio, além de trilhas com orientações e dicas sobre a área ambiental.

• Valor: a única taxa é a de consumo de alimentos e bebidas, que varia entre R$ 15 e R$ 40.

• Local: Estrada do Varejão, 2.630, casa 951, bairro Lami, em Porto Alegre.

• Horários: aberto no segundo domingo do mês, das 11h às 17h. Nos outros dias, é necessário fazer reserva. Contatos: www.facebook.com/sitiocapororoca

BALNEÁRIO SÍTIO DA LAGOA

• Há piscinas adulto e infantil com guarda-vidas, toboáguas, área de lazer com recreação, pedalinho, camping e lagoa, além de trilhas e passeio a cavalo. Tem restaurante, lancheria, salão de festas e churrasqueira.

• Valor: R$ 20 por pessoa (terçaaté sexta); R$ 25 por pessoa (fins  de semana e feriados). Crianças até cinco anos não pagam. De seis a 10 anos pagam sempre R$ 13.

• Local: Rua Henrique Closs, 2.628, Gravataí.

• Horários: de segunda a domingo, das 8h às 19h.

CAMPING CATAÚCHO

• Quem gosta de atividades como stand-up e canoagem pode curtir o camping. O lugar tem piscinas adulto e infantil, toboáguas e área de lazer com recreação. É possível acampar em determinadas áreas, à beira do Rio Gravataí. Possui guarda-vidas durante o final de semana.

• Valor: R$15 por pessoa; R$20 por pessoa para quem for acampar.

• Local: Rua Alcides Ferreira, 1.600, Gravataí.

• Horários: de segunda a domingo, das 8h às 18h.

OÁSIS CLUBE

• Conta com piscinas adulto e infantil com guarda-vidas, rampa molhada, toboáguas, playground e churrasqueiras. Tem restaurante, lancheria e sorveteria. 

• Valor: R$ 20 por pessoa de segunda a sexta; R$ 25 aos sábados, domingos e feriados) por pessoa; crianças a partir de cinco anos pagam o mesmo preço.

• Local: Estrada Henrique Closs, 5.050, Gravataí.

• Horários: de segunda a domingo, das 8h30min às 18h30min.

SÍTIO CARANGUEJO SELVAGEM

• Dispõe de diversas atividades, como campo de futebol e voleibol, cancha de bocha, passeio de mini-bug e tirolesa. São oito piscinas de água tratada e uma piscina de água natural, além de dois toboáguas para adultos e um para crianças. É possível consumir alimentos do bar. Todos os brinquedos funcionam com a supervisão de monitores, treinados para atuar como guarda-vidas.

• Valor: R$ 25 por pessoa; crianças

a partir de cinco anos pagam o mesmo preço.

• Local: Rua Orestes Basotti, 3.531, Novo Hamburgo.

• Horários: de terça a domingo, além de feriados, das 8h30min às 18h.

RESERVA ECOLÓGICA PICADA VERÃO

• Antigo sítio da Família Lima, o local conta com cinco quedas d’água que formam piscinas naturais. É indicado para tomar banho de cachoeira, junto às belezas da Mata Atlântica, além de atividades como trilhas com monitores. Há serviços de guarda-vidas disponível.

• Valor: R$ 17 nos dias de semana; R$ 20 aos sábados; R$ 25 aos domingos e feriados; crianças de cinco a 10 anos pagam R$ 12 todos os dias.

• Local: Vila Picada Verão, bem no limite entre Sapiranga, Dois Irmãos e Morro Reuter.

• Horários: entrada das 8h às 16h30min; a permanência é liberada até as 18h.

CAMINHO DAS SERPENTES ENCANTADAS

• O lugar é cheio de artes em mosaico. Há espécie de trilha por meio da mata, com degraus estilizados. Na arquibancada, também revestida por mosaico, é possível apreciar o horizonte, deixando o olhar se perder na paisagem. Ainda que não exista um restaurante no local, uma cozinha completa está disponível para quem quiser preparar ou armazenar algum lanche ou refeição.

• Valor: R$ 18 por pessoa; crianças abaixo de 10 anos não pagam.

• Local: RS-873, Morro Reuter.

• Horários: aberto aos sábados e domingos, das 11h às 18h.

04 DE JANEIRO DE 2020
FIÉIS ESCUDEIROS

Bo atende até em alemão


Os cães da Polícia Federal que deslizam as patas sobre as esteiras de malas no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, são capazes de detectar drogas até em embalagens fechadas a vácuo. Para prevenir o fluxo de narcóticos, dois pastores alemães e um pastor belga malinois fazem o trabalho de verificação nos terminais aéreos e nos Correios. Identificam drogas especialmente nos voos com destino a Lisboa, única conexão direta da Capital com a Europa, e no trecho recém- inaugurado para Cabo Verde.

- Nossos cães são de origem europeia e passam por seleção bem forte. Têm genética e pedigree bons para este tipo de trabalho - diz Felipe Contino, veterinário, policial federal e chefe do canil no RS.

A pastor belga malinois Bo já encontrou drogas escondidas em embalagem lacrada de tintura de cabelo. Ao detectar o odor, os cães deitam ou sentam. A Bo atende comandos em alemão, devido às tônicas fortes do idioma.

A identificação de explosivos por cães não é comum no país. Luna, uma pastor alemão de oito anos, demonstrou sua habilidade em identificar pólvora na visita do presidente Jair Bolsonaro a Pelotas, em agosto. Fez a inspeção nos carros do comboio presidencial e, em um deles, identificou cartuchos de armas de integrantes do Gabinete de Segurança Institucional:

- Demonstra a eficácia do cão. É um material próprio da segurança do presidente que continha pólvora e a cachorra identificou.

Um cão da PF deve ser dócil, mas não medroso. Ativo, sem ser agitado. Com um ano, passa a receber treinamento. Ao chegar em Porto Alegre, está pronto para atuar.

- O animal precisa ter vontade de achar a bolinha. Depois, substituímos pelo odor. Se detectar o cheiro que a gente quer, é premiado com a bolinha - explica Felipe.

Uma das facilidades de usar o cão, sinaliza Felipe, é que otimiza as buscas. Ao inspecionar malas, um agente precisaria abrir bagagem por bagagem, enquanto o cão faz indicação mais rápida e precisa.


04 DE JANEIRO DE 2020
+ ECONOMIA

Conta de ataque pode parar na bomba: ande de tanque cheio

O ataque que resultou na morte do principal líder militar do Irã em Bagdá terá como impacto econômico mais imediato, além da natural reação de estresse no mercado financeiro, uma forte pressão sobre o preço do petróleo e, em decorrência, nos combustíveis. Desta vez, até o presidente Jair Bolsonaro, que sempre diz não entender de economia, captou o tamanho do problema. Na sexta-feira, afirmou, sobre a escalada do conflito:

- Que vai impactar, vai. Agora vamos ver o nosso limite aqui. Já está alto o combustível. Se subir muito, complica.

Complica porque, caso gasolina e diesel subam muito, elevam preços em cadeia. Com a inflação em alta, o governo perde um dos poucos instrumentos que tem para estimular a economia: o juro baixo. Isso sem contar o efeito que altas súbitas de gasolina e diesel têm no humor da população e o risco de nova greve de caminhoneiros.

Antes do ataque, o petróleo havia subido cerca de 4% por causa do aumento da tensão entre Irã e Estados Unidos. Na sexta-feira, depois da ação, o valor do barril do tipo de referência no mercado, o brent, encostou em US$ 70, com aumento de 2,6% em um só dia.

- Vai ser bom para a Petrobras e os produtores de petróleo e ruim para os consumidores de combustíveis - resume João Luiz Zuñeda, sócio-fundador da consultoria de petróleo e petroquímica Maxiquim.

Se será "bom para a Petrobras" vai depender da atitude do governo. Embora a maioria dos economistas não veja condições para alguma intervenção, há uma exceção notável: Adriano Pires, um usual crítico desse tipo de medida (leia entrevista abaixo). Quanto gasolina e diesel vão subir ainda é cedo para saber. Vai depender dos desdobramentos do ataque. Pelas ameaças, um conflito grave pode estar nascendo. O primeiro-ministro do Iraque, Adel Abdel Mahdi, já avisou que a ação dos EUA provocará uma "guerra devastadora".

Analistas são céticos sobre o potencial bélico dos países do Oriente Médio, um devastado por interminável guerra civil (Iraque), outro submetido a sanções internacionais (Irã). Mas como todos aprendemos, qualquer sinal de fumaça no Oriente Médio, centro mundial de produção de petróleo, leva fogo às bombas de combustíveis. Na dúvida, mantenha o tanque cheio.

“Não pode passar tudo ao consumidor”
ADRIANO PIRES, Diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura

Com a carreira marcada por pesadas críticas a intervenções do governo na Petrobras, Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), está tão preocupado com as consequências do ataque que resultou na morte do principal líder militar do Irã em Bagdá (Iraque), que defende "medidas extraordinárias". Caso a cotação do petróleo chegue a US$ 90 por barril - cenário que contempla uma guerra de fato ou, o que considera mais provável, o fechamento do Estreito de Ormuz (única ligação entre o Golfo Pérsico e os oceanos, por onde passa todo o tráfego marítimo dos principais países exportadores de petróleo) -, a estatal não deveria repassar toda a alta, sugere Pires.

SEM REPASSE

"Se for a US$ 90 (a cotação de referência do petróleo), o governo não vai poder passar tudo para o consumidor. Eventos extraordinários exigem políticas extraordinárias. É bem diferente de quando o preço sobe por questões de mercado. Não se sabe o que pode acontecer."

USO DE ROYALTIES

"A Cide não pode ser usada porque foi deturpada pelo PT. Mas com o aumento da produção no Brasil, quando sobe o preço do petróleo, a arrecadação de royalty aumenta. Esse acréscimo poderia ser usado, de alguma forma, para formar um fundo de estabilização. Por um tempo, enquanto durasse o impacto, depois compensaria. Isso deveria ser estudado com calma. Já houve o ataque na Arábia Saudita no ano passado, neste ano esse conflito entre um grande produtor de óleo e a maior economia do mundo. O Brasil deveria se mexer para criar um mecanismo para que esse tipo de evento geopolítico não provoque impactos tão sérios na economia do país."

RISCO PARA O ANO

"Começamos o ano com o pé esquerdo. Ninguém sabe o que vai acontecer, será necessário encontrar um caminho. Temos de um lado o governo iraniano, focado em questões religiosas, ideológicas, e, do outro lado, um cara que não é nada normal. Há dois polos irracionais. Caso o (presidente dos EUA, Donald) Trump não faça declarações malucas e se o Irã tiver bom senso, podemos sair com poucos estragos. Mas isso pode ser pouco realista. Em três ou quatro dias será possível ver para onde vai. Se a temperatura não subir, ótimo, se subir, não se sabe onde pode chegar."

MARTA SFREDO


04 DE JANEIRO DE 2020
CARTA DO EDITOR

Cenário promissor

Cerca de 10 dias antes de o ano se encerrar, a editora de Notícias, Dione Kuhn, deu uma missão para Leonardo Vieceli, repórter especializado em economia: apresentar aos leitores de Zero Hora e GaúchaZH, no primeiro final de semana de 2020, o cenário do mercado de trabalho para o ano.

Afeito a números e a planilhas de Excel - habilidades incomuns entre os jornalistas profissionais -, Leo, como é chamado pelos colegas, é responsável por algumas das missões mais espinhosas do dia a dia da Redação Integrada, como destrinchar orçamentos públicos, analisar dados macroeconômicos, interpretar os humores do mercado e da economia. Para a missão dada por Dione, o repórter mergulhou nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), cruzou informações, falou com economistas e consultores em recursos humanos. Da apuração, emerge um cenário promissor, apesar do alto índice de desemprego que ainda atormenta os brasileiros. Aos poucos, setores intensivos em mão de obra, como o comércio e a construção civil, dão discretos sinais de retomada nas contratações.

A reportagem, que tem a colaboração do experiente repórter Fábio Schaffner, mostra também profissões e áreas em alta, como tecnologia e saúde destinada a idosos, e oferece dicas para quem tenta voltar ao mercado de trabalho.

- Um dos economistas mais respeitados na área reforça a leitura de que a geração de empregos vem ganhando fôlego. É uma melhora lenta. Ele não é o único otimista. Surpreende o fato de as opiniões de diferentes especialistas convergirem para o mesmo sentido - diz Leo, que entrevistou o economista José Márcio Camargo, consultor e professor da PUC-RJ.

Graduado em Jornalismo pela Unisinos, Leonardo, 26 anos, é prata da casa, como dizem os dirigentes de futebol quando se referem aos profissionais formados pelas categorias de base. Um dos vencedores do concurso Primeira Pauta de 2014, ele trabalha na Redação Integrada desde agosto de 2015. À época, ainda estudante de Jornalismo, assumiu vaga de assistente de conteúdo da editoria de Notícias. Em meados de 2016, quase um ano depois, passou a atuar como assistente da coluna +Economia, assinada por Marta Sfredo. Há dois anos, tornou-se repórter, com foco na produção de notícias e reportagens sobre economia.

- Meu primeiro contato diário com economia ocorreu em 2015, quando entrei no jornal. Com o passar do tempo, percebi que a análise de dados pode resultar em histórias interessantes para os leitores. Ao jornalista econômico cabe a missão de tentar traduzir os números para o público - sintetiza o repórter, que recentemente participou de curso de análise de estatísticas oferecido pelo IBGE.

Para quem convive com o desemprego - sentindo na pele a experiência de estar desocupado ou acompanhando a angústia de pessoas próximas -, as páginas 8 e 9 desta edição são alentadoras.

CARLOS ETCHICHURY

04 DE JANEIRO DE 2020
INFORME ESPECIAL

Eva Sopher vira personagem de livro escrito por sua neta


Ela fez o caminho inverso da avó. Letícia Sopher Pereyron, 39 anos, saiu do Rio Grande do Sul e atravessou o mundo. Viveu em Londres, na Filadélfia e, atualmente, mora em Sidney, na Austrália, com o marido e seus dois filhos. Nas suas andanças, conheceu mulheres que mereceriam um livro. Foi o que ela fez.

O lançamento de Mulheres e suas bagagens, da Artêra Editorial, será no dia 22 de janeiro, no Theatro São Pedro. Lá, na entrada da plateia, uma das personagens estará, pelo menos em espírito, acompanhando tudo. O capítulo dedicado à Eva Sopher conta a história de duas amigas judias perseguidas pelo nazismo. Uma conseguiu sair da Alemanha - Dona Eva. A outra, não. Além dessa, há histórias de inglesas, americanas, argentinas e uruguaias, todas com "vidas curiosamente interessantes".

Letícia é professora universitária, especialista em linguística e filha de Ruth - que faz pelo Theatro Treze de Maio, em Santa Maria, o que a avó, Eva, fez pelo São Pedro. Desafiada a descrevê-la em poucas palavras, nem precisou pensar: "Sabedoria, simplicidade e honestidade". A autora se considera parecida com a avó, especialmente na forma direta de dizer o que pensa.

Eva Sopher nasceu em Frankfurt, em 1923. Com a ascensão do nazismo, foi obrigada a emigrar para o Brasil aos 13 anos. Depois de passar pelo Rio de Janeiro, chegou a Porto Alegre em 1960. Na capital gaúcha, comandou com voz e mãos fortes a restauração do Theatro São Pedro que, em ruínas, foi salvo por ela da demolição.

Descartes

Li, sem sobressaltos, as notícias sobre as toneladas de lixo deixadas em Porto Alegre e no Cassino durante as festas de fim de ano. Tempos atrás, o dedos estariam apontados para as prefeituras. "Faltam lixeiras", eu diria, cheio de razão. As coisas mudaram, ainda bem.

Durante as Olimpíadas de Londres, em 2012, comprei uma garrafa plástica de água enquanto andava pela rua. Terminei de beber e passei a procurar um local apropriado para descartá-la.

Andei várias quadras, na região central da cidade. Nada. Concluí que era pelo medo do terrorismo. Uma bomba poderia ser colocada em uma lixeira.

De volta ao hotel, comentei com um amigo britânico. Sem perder a fleuma, ele me explicou que a ausência dos equipamentos tinha, de fato, outras motivações. "Deixemos que cada um cuide do seu lixo", disse. Tudo fez sentido. Compreendi, definitivamente, que o lixo em lugares públicos não é causado pelos governos, mas sim por nós.

Produzir menos lixo e assumir responsabilidade por ele. Esse é o futuro, para que haja um futuro.

TULIO MILMAN

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020



03 DE JANEIRO DE 2020
DAVID COIMBRA

New York, New York

Sabe quanto os restaurantes de Nova York queriam cobrar por um jantar de Réveillon? Duzentos e cinquenta dólares POR PESSOA! Ou seja: teria de desembolsar 750 dólares para eu, a Marcinha e o Bernardo jantarmos no dia 31 de dezembro. Mais de três mil reais!

O Ivan Pinheiro Machado vive repetindo uma frase do Millôr a respeito de refeições caras:

- Ninguém quebra com um jantar.

Já ouvi o Ivan proclamar essa sentença várias vezes, depois de uma sobremesa e antes de sacar o cartão de crédito. Concordo com ele. Mas tudo tem limite. Aqui, ó, que eu ia deixar 750 dólares num único jantar! Assim, propus que fôssemos a uma cantina do Little Italy. Essa é uma regra de ouro a seguir em viagens internacionais: se você tiver dúvidas gastronômicas, procure um restaurante italiano. Comida italiana sempre é boa e, em geral, não muito cara.

Então, lá estávamos nós, numa cantina da Mulberry Street, vendo as últimas horas de 2019 escorrerem por entre fios de espaguete com molho vermelho, quando pensei: tenho que melhorar essa comemoração. Tracei um plano. Ao sairmos, ainda faltava hora e meia para a virada. Não chamei o Uber. Aproveitamos que fazia uma temperatura amena para o inverno em Nova York, coisa de 4°C, e seguimos caminhando até o SoHo, em direção a um pequeno restaurante que conheço e sobre o qual já escrevi, o Piccola Cucina. É um lugar animado, tocado e frequentado por jovens italianos, tem música boa e é mezzo bar, mezzo restaurante. Tínhamos tentado reservar lá, mas estava lotado. Agora, porém, avancei confiante no meu poder de persuasão.

Marchamos, pois, até a ponta da Prince Street e, ao chegarmos, constatei, com alegria, que ninguém mais jantava. As luzes do restaurante piscavam como as de uma boate, os garçons levavam nas cabeças chapéus brilhantes, alguns clientes dançavam e outros bebiam em suas mesas. Não precisei de muita conversa para convencer o gerente. Ele nos deixou entrar e nos conduziu a uma mesa no centro da ação. Ação mesmo: havia ali um punhado de garotas italianas. Elas dançavam e cantavam e às vezes rebolavam até o chão. É estimulante entrar em um local em que garotas italianas dançam e cantam e às vezes rebolam até o chão.

Logo, nós nos deixamos contagiar por aquela empolgação latina. Também passamos a dançar e cantar, apesar de não rebolarmos até o chão.

Havia uma TV pendurada no teto, transmitindo a tradicional cerimônia da bola gigante que desce de um arranha-céu da Times Square, anunciando o Ano Novo. Um minuto antes da meia-noite, o gerente do bar encheu taças de champanhe e começou a distribuí-las. Empunhamos as nossas taças e ficamos aguardando a contagem regressiva, olhando para a TV. Faltando 10 segundos, contamos em coro, misturando italiano, português e inglês:

- DEZ! NOVE! OITO?

No zero, explodimos em abraços, como se fôssemos amigos de infância. E, em seguida, sem termos combinado, começamos a cantar New York, New York, a canção imortalizada por Frank Sinatra. Ali estávamos entre italianos e brasileiros, talvez houvesse algum americano entre nós, não sei, mas o certo é que a imensa maioria era de estrangeiros, e nós cantávamos uma música em homenagem àquela grande cidade que não era nossa, e, ao mesmo tempo, era.

Em meio à festa e aos abraços tantos, percebi que aquele hino que entoávamos não era só de reconhecimento às maravilhas de Nova York, era por algo maior que a cidade representa: por sua capacidade de aceitar todos os seres humanos, sejam de onde forem, como iguais. É esse o espírito da cidade, e é esse o espírito que se espera de uma data simbólica, como a virada do ano, uma data de renovação, de paz e de tolerância. Foi bonito aquilo. Foi surpreendente e emocionante.

Depois de cantarmos, o gerente deu a cada um de nós um pratinho de lentilhas.

- Pra termos bastante dinheiro em 2020! - ele explicou.

O que é também uma boa ideia. Mas, ainda que eu disponha de muito mais dinheiro no próximo dezembro, não vou pagar 250 dólares na festa da virada para 2021.

DAVID COIMBRA


03 DE JANEIRO DE 2020
NÃO ME PERTURBE

Bloqueio a ligações para ofertas de empréstimo

Consumidores brasileiros já podem incluir a oferta de serviços de crédito consignado na plataforma de bloqueios Não me Perturbe. O site foi criado por operadoras de telefonia no ano passado e, desde ontem, passou a incluir também os bancos. A promessa do sistema é de que, em até 30 dias após o cadastro do telefone, o cliente deixe de receber ofertas de empréstimos.

A inclusão dos bancos na plataforma de bloqueio faz parte do sistema de autorregulação das operações de consignado e foi prevista em acordo de cooperação assinado com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública no ano passado. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as 31 instituições que aderiram ao sistema respondem por 98% da carteira de crédito consignado no país.

O bloqueio valerá por um ano. O acesso é por meio do site naomeperturbe.com.br. Quem ainda não tiver cadastro deverá informar nome, CPF e e-mail ou telefone, além de criar uma senha de acesso.

Os consumidores que já estão cadastrados e tinham pedido o bloqueio de ligações de empresas de telefonia e serviços como TV por assinatura ou internet precisarão agora incluir os bancos e financeiras que ficarão proibidos de entrar em contato.

Quando o acordo foi assinado, em setembro de 2019, o presidente do INSS, Renato Vieira, afirmou que o sistema protegeria o segurado do INSS de práticas abusivas e assédio desmedido.

Vantagens

A autorregulação também acabou com a remuneração das instituições financeiras que recebem a portabilidade de crédito consignado ou que fazem o refinanciamento. Antes, os correspondentes bancários recebiam sempre que fechavam a transferência de uma dívida.

Para a Febraban, a medida vai desestimular o rodízio de contratos e a extensão de acordos que acabam sendo desfavoráveis ao cliente.

Desde agosto, o INSS e a ouvidoria do Ministério da Economia não recebem mais reclamações de concessão indevida ou fraudulenta de empréstimos em aposentadorias ou pensões. A orientação é para que os segurados afetados acessem o site consumidor.gov.br e registrem a queixa.

A adesão à autorregulação foi voluntária por parte dos bancos. Participam do sistema Agibank, Banco Alfa e Financeira Alfa., BMG, Cetelem, Daycoval, Digio, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco Estrela Mineira, Banco Inter, Banco Mercantil e Mercantil Financeira, Bancoob, Banco Pan, Banrisul, Barigui, Bradesco e Bradesco Financiamentos, BRB, BV Financeira, Caixa Econômica Federal, CCB Brasil, Facta Financeira, Itaú Unibanco e Itaú Consignado S.A., Paraná Banco, Safra, Santander e Olé Bonsucesso, e Sicred.

Monitoramento

Além do bloqueio à oferta de consignados, a Febraban criou uma base de dados para o monitoramento de reclamações feitas ao Banco Central, às ouvidorias dos bancos e ao site consumidor.gov.br. Em nota, a federação diz que o sistema permitirá identificar correspondentes bancários que cometam excessos ou concentrem reclamações, para que medidas administrativas sejam tomadas mais rapidamente.

Os bancos que não tomarem medidas poderão ser multados por conduta omissiva, e os valores das penalidades variam de R$ 45 mil até R$ 1 milhão.

03 DE JANEIRO DE 2020
ARTIGOS

PORTO ALEGRE: UM PORTO PARA A INOVAÇÃO



Em meados do ano passado, ousei falar que Porto Alegre possuía potencial para ser uma das cidades mais inovadoras do mundo. Fico contente de não ter cometido nenhum ato exagerado de otimismo. A cidade está no caminho de consolidar-se como o principal polo de inovação da América do Sul, em conjunto com São Paulo.

De lá para cá, 24 projetos inovadores propostos através do Pacto Alegre saíram do papel. A cooperação entre iniciativa privada, poder público, sociedade civil e universidades traz um ambiente saudável e próspero.

Aliás, arriscaria dizer que a principal inovação está sendo exatamente essa. Os maiores hospitais privados e públicos estão pensando uma solução digital conjunta para modernizar o atendimento aos cidadãos. A prefeitura está buscando parceiros para enfrentar problemas antigos, as universidades aproximando cientistas para promover impacto. Tudo isso, apoiado pela iniciativa privada, produz resultados importantes para o futuro.

Estamos aprendendo a cooperar. Estamos construindo uma estratégia de cidade inovadora nunca antes vista por aqui.

Avançou também o entendimento da política econômica focada em inovação. De passagem pelo Brasil, o pensador israelense Yuval Harari chamou a atenção da importância da reinvenção da economia através de estratégias digitais e da compreensão dos avanços tecnológicos nas áreas da inteligência artificial, ciência de dados e internet das coisas.

Recentemente, uma empresa gigante atraiu-se por Porto Alegre em razão do capital humano que aqui é formado. Duas semanas após, a prefeitura anunciava a criação de um fundo de R$ 20 milhões para fomentar o surgimento de startups. No dia seguinte, a mesa do Pacto Alegre aprovou um projeto ousado de treinamento para os profissionais do futuro. Isso certamente ecoa como música para grandes empresas do mundo todo. Iniciativas que apoiam negócios locais e atraem investimentos externos.

O ano que passou encerrou-se como se fosse o último capítulo de uma temporada eletrizante de série de TV. E as perspectivas para este início de 2020 são excelentes. 

Diretor de Inovação da prefeitura de Porto Alegre, empreendedor paulor@portoalegre.rs.gov.br
PAULO RENATO ARDENGHI RIZZARDI

03 DE JANEIRO DE 2020
OPINIÃO DA RBS

BARBEIRAGENS NO DPVAT



Os proprietários de veículos e os órgãos estaduais responsáveis pela arrecadação do Dpvat estão na linha de tiro entre o Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF) na questão que envolve o pagamento do seguro destinado a indenizar danos pessoais causados por acidentes de trânsito. A querela é reveladora dos maus hábitos administrativos brasileiros. O Dpvat era para ser um instrumento que garantisse a reparação a vítimas, mas, com o tempo, transformou-se em um campo fértil para fraudes. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) detectou que, apenas de 2005 a 2015, foram R$ 2,1 bilhões desviados por meio de indenizações indevidas e gastos administrativos irregulares. 

A presidente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Solange Vieira, recentemente classificou o Dpvat como ineficiente. Um estudo do governo detectou, por exemplo, que a maior parte das indenizações vai para o próprio motorista, mesmo que tenha sido o causador do acidente, ou é gasto em custeio e tributos indiretos. Se algo é ineficaz e presta-se a malfeitos, precisa ser alvo de intervenção.

O governo Jair Bolsonaro agiu de forma acertada ao tentar mudar esse cenário esdrúxulo, mas cometeu uma barbeiragem ao fazê-lo, mais uma vez, via medida provisória (MP). Como resultado, esbarrou no fato de a MP ter sido derrubada pela maioria do plenário do STF, no dia 19 de dezembro, por seis votos a três. O entendimento foi de que, para tratar do tema, o governo deveria ter enviado um projeto de lei para o Congresso. Ato contínuo, no último dia 27, uma resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) reduziu substancialmente o valor da taxa. Mas, na virada do ano, o presidente do STF, Dias Toffoli, de plantão, anulou também a iniciativa do órgão, alegando que ela esvaziava a decisão anterior da Corte.

Nessas idas e vindas, o contribuinte é a vítima. No caso do Rio Grande do Sul, só descobriu ontem quanto e quando deverá pagar. Mais do que isso, fica a permanente suspeita de que a taxa alimenta uma cadeia de beneficiários não unicamente interessados em proteger as vítimas de trânsito. O assunto agora tem de esperar uma solução definitiva do plenário do STF, mas não há data prevista para a sessão, prolongando o imbróglio.

O fato é que toda essa pendenga revela o excesso de normas, taxas e cobranças que se faz sobre o pobre contribuinte brasileiro. Melhor seria se o Executivo enviasse ao Congresso um projeto de lei simplificando de uma vez o pagamento do seguro obrigatório. Com a discussão no Congresso, será possível também esmiuçar melhor os interesses envolvidos nessa disputa e se definir quanto, de fato, cada dono de veículo deve pagar para assegurar a proteção a terceiros.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020



02 DE JANEIRO DE 2020
KELLY MATOS

Você não é santo

Da última conversa que tive com o meu avô antes de ele morrer após um acidente de carro, voltando de Santa Catarina, lembro que ele sorriu e disse que aquele era o primeiro dia de muitos em que ele não havia sentido dor, quando as enfermeiras o passaram de uma maca para outra no Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre. Seu Vitorino, como a gente o chamava, tinha 80 anos e havia pegado a estrada rumo ao Estado onde nascera em busca da farinha de mandioca de Santa Catarina, cuja produção se tornou uma tradição que tem quase três séculos e surgiu do encontro das culturas indígena e portuguesa. 

Meu avô enchia as garrafas PET com a tal farinha e voltava para casa distribuindo potes entre os quatro filhos, entre eles minha mãe - embora quem gostasse mesmo fosse meu pai, seu Erli, outro catarina que mistura farinha com feijão até hoje. Às vezes - Jesus! - no café da manhã.

Quis o destino que naquele dia, quando retornava pela estrada com a irmã e a sobrinha, meu avô perdesse o controle do carro, depois de uma visita ao Morro da Borússia, em Osório. Até hoje não temos certeza sobre o que aconteceu. Um primo que conseguiu estar no local pouco depois do acidente disse que a única coisa que meu avô pediu foi para que pegassem a tal farinha e um pedaço de carne, que estavam no porta-malas. Ele queria fazer o churrasco do Dia das Mães.

Vovô foi socorrido, levado para o hospital e no dia em que o acidente completaria uma semana, deu seu último suspiro. Pegou a todos nós de surpresa. Estávamos nos programando para levá-lo para casa. Como organizaríamos a rotina? Vai precisar de colete? Talvez se soubéssemos um mês antes, teríamos tido tempo para uma despedida.

Lembrei dessa história ao entrevistarmos o professor e historiador Leandro Karnal nesta semana no Timeline, da Rádio Gaúcha, ao lado da minha colega jornalista Juliana Bublitz, enquanto o titular desse espaço, David Coimbra, desfrutava de um merecido momento de regozijo ao lado de Bernardo e Marcinha, em Nova York. Parêntese aqui. Esse mesmo David que até bem pouco tempo esticava as pernas em Tramandaí ou, admitamos, anos mais tarde, em Garopaba, na casa do Ademar. Pois agora embestou-se que o quintal de casa é a tal de Big Apple. Francamente.

Voltemos à entrevista. Falávamos nós, eu, Juliana e o professor Karnal, sobre a chegada do novo ano e, com ele, a renovação de votos, metas e posturas para 2020. Por que afinal repetimos essas práticas a cada 31 de dezembro? São ciclos, explicava o professor. Se todos os dias fossem segunda-feira, se não houvesse Natal, Ano-Novo e Carnaval, a vida seria insuportável. Seguimos a reflexão divagando sobre a obrigação atual - e cafona, acrescentou Karnal - de sermos felizes, sorridentes e bem-sucedidos para os outros, nas redes sociais. Uma obrigação moral e social que não nos permite, de vez em quando, chorar um insucesso. Lamentar algo que deu errado.

A felicidade é um marketing. É preciso sorrir. É preciso postar. É preciso sorrir postando. Postar sorrindo. Você não arrumará emprego se não disser que é uma pessoa feliz, uma pessoa realizada, que tem uma família ótima, com dentes brancos e usa canudinho de metal. Pega mal. As redes sociais trouxeram uma cenografia de felicidade. Uma cafonice contemporânea. Antes, aceitávamos o fracasso. Hoje, é feio não ser feliz.

E em meio à ansiedade, que é também fruto dessa obsessão, Karnal propôs uma reflexão sobre aquilo que realmente importa. E se por alguns instantes, largássemos as redes sociais? Deixe de lado o WhatsApp. Esqueça a foto do prato pronto. Aproveite para saboreá-lo quentinho. Que tal celebrar junto à família? E por família, esclareceu, entendemos não somente pessoas de mesmo sobrenome, mas indivíduos que se amam e constroem, juntos, uma rede de proteção.

Foi falando sobre família que eu lhe disse que já havia perdido meus quatro avós, o último deles, seu Vitorino, em maio de 2018. E acrescentei que se pudesse voltar no tempo, queria ter tido mais momentos de paciência, para sentar e conversar por horas e horas com eles. Ouvindo histórias. Tomando café. Sem pressa. Sem redes sociais. Ao que ele respondeu:

- Eu perdi pai e mãe. Eu posso falar sobre esse vazio. Ninguém vai te amar como eles. Aos jovens, dou um conselho. Não é possível ser paciente o tempo todo. Você não é santo. Não é possível ouvir com carinho todas as pessoas. Você terá momentos difíceis. Recomendo o seguinte: eleja. Eleja as pessoas com quem você vai ter paciência. E no topo desta lista estão: pai, mãe, avós e irmãos. Eles te amam, apesar de te conhecerem.

De fato, não somos santos. Nem Jesus Cristo conseguiu ser paciente o tempo todo. No Vaticano, o papa Francisco perdeu as estribeiras. Mas depois pediu desculpas. Portanto, não se culpe. Perdoe-se. O novo ano chegou e temos a chance de começar de novo. Ou, simplesmente, continuar. Feliz 2020.

*David Coimbra retorna no dia 3 de janeiro - KELLY MATOS - INTERINA



02 DE JANEIRO DE 2020
O PRAZER DAS PALAVRAS

Mínion

A pergunta vem de dona Celeste, vizinha de outros tempos, professora veterana que hoje leva uma vida sereníssima num invejável refúgio na Serra Gaúcha: "Querido professor, aqui estou eu com mais uma daquelas minhas perguntas: como o senhor sabe, minhas netas criaram um perfil nas redes sociais para mim, e eu, burra velha, agora já me sinto mais ou menos à vontade no Facebook, onde aliás somos amigos. 

No começo estranhava, mas agora sei o que elas querem dizer com lacrar, sextou, mitar e outras novidades. Só empaquei em bolsomínion; reconheço o primeiro morfema como uma redução do nome do Presidente da República, mas não sei o que faz aí esse mínion. Meu dicionário só tem mínio, uma espécie de tinta vermelha, mas é claro que não pode ser isso. O senhor pode me ajudar de novo?".

Mas é claro, dona Celeste. Em primeiro lugar, o seu instinto continua afiado: este mínio do dicionário é um pigmento muito vivo, vermelho- alaranjado, semelhante ao zarcão, muito usado antigamente em ilustrações de manuscritos. Embora hoje esteja fora de moda, deixou filhos: miniar (pintar com mínio) e, surpreendentemente, miniatura, que, apesar da semelhança, nada tem a ver com nosso mínimo ou o moderno prefixo mini-. 

Na origem, o termo designava apenas ilustrações feita com mínio, especialmente as iluminuras, aquelas pinturas que ornavam as letras capitulares dos manuscritos medievais. Como eram de tamanho reduzido, porém, aconteceu o inevitável: a alquimia popular associou o termo a mínimo e a diminuir, atribuindo a ele o sentido hoje dominante de "objeto de pequenas dimensões".

Já mínion é palavra muito antiga, mas não na nossa língua. No ano em que Cabral chegou ao Brasil, a Inglaterra já usava mínion para designar o favorito de algum poderoso, um "queridinho" (com evidentes conotações sexuais - similar ao Francês mignon). Pouco a pouco, porém, o termo passou a designar um subordinado fiel, um leal seguidor, mas também - já pejorativo - um sequaz, um assecla. O termo entrou no Português trazido por um desenho infantil, Despicable Me (aqui transformado, num passe de mágica traducional, em Meu Malvado Favorito), cujo protagonista, Gru, um vilão bonzinho, tem a seu serviço um exército de mínions, criaturinhas amarelas que só fazem trapalhadas e vivem tagarelando numa linguinha incompreensível (pergunte às netas, que elas lhe darão o serviço completo). 

Nesta briga de bugio que virou a política nacional, quem usa o termo bolsomínion está fazendo uma crítica explícita aos apoiadores de Bolsonaro, assim como os outros usam petralha para criticar os apoiadores de Lula. Era isso, dona Celeste. Pois então: ouvi dizer que já começaram a colher os figos desta safra e não pude deixar de lembrar daquela chimia com nozes que a senhora me mandou no ano passado?

Ah, outra coisa: para a senhora e para todos os que se interessam pela mitologia clássica, acaba de entrar no ar o meu podcast Noites Gregas, que pode ser acessado em noitesgregas.com.br. Ao longo de quase uma centena de episódios, vou conversar sobre os personagens e as narrativas Grécia antiga, reunindo exemplos e comentários dos autores que mais prezo - Homero, é claro, Ovídio, e mais Heródoto, Plutarco e, evidentemente, o trio de ouro do teatro clássico, Ésquilo, Sófocles e Eurípides, para citar apenas os mais importantes.

CLÁUDIO MORENO


02 DE JANEIRO DE 2020

LITORAL NORTE

Perto do mar e bem longe da tranqueira

O fim do feriadão de Ano-Novo e a instabilidade do tempo não esvaziaram as principais praias do Litoral Norte ontem, especialmente à tarde. É que enquanto grande parte dos turistas lotava a freeway e a RS-040 no retorno para casa após a folga estendida (leia mais ao lado), muitos veranistas que já estão em férias e moradores aproveitavam o primeiro dia de 2020 à beira-mar.

Em Torres, as primeiras horas do novo ano foram marcadas por céu nublado, resquícios de lixo na areia e muito trabalho para as equipes de limpeza. Por volta das 9h, ainda havia, ao lado do palco montado para a festa de Réveillon, um numeroso grupo de pessoas que não escondia ter passado a virada na praia. Com música eletrônica, dançavam entre garrafas quebradas, rolhas de espumante esquecidas no chão e flores, já murchas após as homenagens da meia-noite. Com o serviço de cerca de 50 trabalhadores, grande parte do entulho já havia sido retirado às 8h.

Em Imbé, muita gente também não arredou pé da faixa de areia, enquanto o limite entre o município e Tramandaí registrava congestionamento de carros que tentavam sair do Litoral.

Entre nuvens e pequenas aberturas de sol, parte dos frequentadores aproveitou para jogar futebol, vôlei e frescobol sem sofrer com o calor intenso dos últimos dias. O vento soprava moderadamente e ajudou a baixar a sensação térmica, tornando mais atrativas as atividades que dependem de esforço físico.

Oscilação

Moradores de Imbé, o casal João Benites, 53 anos, e Ana Almeida, 43, curtiam o fim de tarde de frente para o mar, sem se incomodar com tempo instável, como contou João:

- Estava bom no começo do dia. Agora, mudou um pouco, mas tranquilo, a sensação na praia está bem agradável, e o pessoal, bem animado. Para mim, está ótimo.

Em alguns períodos da tarde, uma chuva fraca dava as caras, mas logo cessava, cedendo espaço para a aparição do sol.

Andrei Padilha, 48 anos, também não se importou com o tempo adverso na beira do mar. Morador de Porto Alegre, ele está em Imbé desde o dia 25 de dezembro e pretende retornar para a Capital no próximo domingo. Padilha disse que estendeu a permanência no Litoral para fugir da tradicional tranqueira registrada após a virada.

- Está tranquilo. Dá para aproveitar e curar a ressaca - brincou.

ANDERSON AIRES E TIAGO BOFF


02 DE JANEIRO DE 2020
ZONA DE CONFRONTO

Fora de Brasília, general volta ao front

Após passagem pelo governo Bolsonaro, gaúcho Santos Cruz retoma peregrinação por locais de risco e atuação em congressos

Quase meio ano após ser demitido do governo Jair Bolsonaro, o general gaúcho Carlos Alberto dos Santos Cruz, 67 anos, está como gosta, de volta à zona de conflito. Não de forma metafórica, como a maioria das pessoas, mas em performance real. Acaba de retornar do front que abala a República Democrática do Congo há pelo menos 21 anos.

Um lugar que conhece como nenhum outro militar brasileiro: entre 2013 e 2015, o oficial comandou em território congolês a Força Militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização (Monusco).

Trata-se da maior missão dos capacetes azuis na história das Nações Unidas (ONU): envolve 23 mil pessoas, incluindo, além de militares, 1,4 mil policiais e 4,5 mil civis. Santos Cruz retornou ao continente africano para avaliar a situação no local, um pedido da própria ONU.

O general já tinha comandado a Missão de Paz no Haiti, mas foi no Congo onde enfrentou a barra mais pesada. Enviadas para propiciar segurança, as tropas das Nações Unidas chegaram a virar alvo.

Em dezembro de 2017, 14 militares da ONU foram mortos em confrontos com guerrilheiros locais, um grupo chamado Forças Democráticas Aliadas (ADF, na sigla em inglês), mescla de radicais islâmicos com bandidos comuns.

Com 75 milhões de habitantes, o Congo teve 4 milhões de mortos em batalhas nos últimos 10 anos. Pudera: são mais de 40 grupos rebeldes em conflito, entre eles e deles com o governo. Mais do que política, a grande disputa naquela área é pelo controle de minérios.

É por saber que os militares da ONU são alvo de ataques deliberados que Santos Cruz, quando pisa em território congolês, se desloca com escolta reforçada, mesmo que a contragosto. Na visita ao front em Beni, próximo à fronteira do Congo com Uganda, o general acompanhou em meados deste mês um patrulhamento dos capacetes azuis. Usou colete à prova de balas nível quatro (capaz de resistir a tiros de fuzil) e capacete de aço. Em torno dele, um grupo de seis militares das Nações Unidas com armas pesadas: fuzis e, inclusive, metralhadora belga de cinturão capaz de derrubar avião.

Exagero? Nem um pouco. A ONU contabiliza 90 militares mortos no Congo. Em 2015, o helicóptero em que Santos Cruz se deslocava no país foi atingido por disparos de metralhadora. Ele não se feriu, mas o aparelho fez pouso forçado.

Em outra ocasião, ainda sob sua liderança na missão das Nações Unidas, a mesma guerrilha ADF fez emboscada. Santos Cruz perdeu dois soldados (da Tanzânia) e amargou saldo de 15 feridos.

Resposta

Quando um grupo rebelde tentou tomar a cidade de Goma, com quase 1 milhão de habitantes, os capacetes azuis lideraram reação, com militares do governo congolês, que resultou em 400 baixas de guerrilheiros. É um raro caso de tropa de paz que devolve tiros recebidos.

O fato é que, mesmo tendo passado à reserva há sete anos, Santos Cruz tem mais vivências em terreno bélico do que a maioria dos militares brasileiros da ativa. Isso acontece porque o general deixou a carreira das armas, mas as guerras parecem buscá-lo. Foi já como reservista que aceitou comandar a gigantesca força de imposição de paz no Congo, uma babel composta por militares de 20 nações. Queixo erguido num estilo e semblante marcial, que lembra o famoso general americano George Patton, Santos Cruz vai sempre na frente das marchas forçadas, o que rende admiração dos liderados.

HUMBERTO TREZZI

02 DE JANEIRO DE 2020
L. F. VERISSIMO

Martha Rocha


O Brasil avança para trás. Tem saudade de si mesmo. O que explica o ressurgimento no noticiário nacional do movimento integralista senão uma autonostalgia? Uma organização que se denomina integralista anunciou não ter nada a ver com os coquetéis Molotov atirados contra o prédio da produtora do Porta dos Fundos, programa humorístico da internet. O que espantou muita gente: por saber que o integralismo não apenas ainda existe como tem uma organização, e não só tem uma organização como uma dissidência que atira bombas.

O movimento integralista que deixou saudade foi o mais atuante dos movimentos filofascistas que cresceram nos anos 30, no Brasil. Ganhou alguma relevância politica - e chegou a tentar um golpe - com a ascensão do Getúlio Vargas, que endossava algumas das suas pregações totalitárias, aceitou sua ajuda, mas não lhe deu nada em troca. Tinham um líder, Plínio Salgado, chamado de carismático, mas cujo carisma não sobrevivia nas fotos dos jornais mal impressos. Usavam todos camisas verdes e um signo inspirado na suástica nazista e saudavam-se com o braço direito erguido, também como os fascistas. As manifestações dos camisas verdes atraíam multidões na época. Era grande a simpatia pelos integralistas

Há dias participei de uma festa de aniversário de criança em que a principal atração era uma enorme torta, saudada por todos com entusiasmo. "Oba!" exclamou alguém, "Uma Martha Rocha!". Uma o quê? Ninguém se lembrava de que chamavam a torta de Martha Rocha em honra da baiana que deixara de ser escolhida Miss Universo por ter dois centímetros a mais nos quadris, de acordo com o padrão internacional, o que causou uma revolta nacional. 

A maioria dos adultos na festa não se lembrava nem da própria Martha Rocha, que era linda, colorida, alegre e irresistível como... Bem, como uma torta. No caminho do passado que parecem estar querendo nos levar, pensei (mastigando o menor pedaço de torta que a dieta e a consciência me permitiam): que volte a Martha Rocha e que desapareça para sempre o integralismo, ou coisa parecida.

L.F. VERISSIMO

02 DE JANEIRO DE 2020
INFORME ESPECIAL

Deep fakes, a nova preocupação para as eleições de 2020


É conhecida a influência que as fake news tiveram em eleições como a americana de 2016, a brasileira de 2018 ou no referendo do Brexit, também em 2016. Mas, agora, um número cada vez maior de especialistas alerta para a disseminação das deep fakes, informações falsas ainda mais sofisticadas, e seus possíveis impactos nos pleitos de 2020. Consistem na manipulação de áudios e de vídeos. Uma forma é inserir o rosto de pessoas em cenas em que nunca estiveram, com o objetivo de constranger e prejudicar as vítimas da fraude. Ou alterar falas, tanto algumas frases como um pronunciamento mais longo, com o mesmo propósito.

A técnica, antes mais rudimentar e utilizada, por exemplo, para adulterar trechos de filmes pornográficos, envolvendo celebridades, vem aos poucos entrando na política e, com a ajuda da inteligência artificial, evoluindo. O problema está no fato de que os vídeos modificados cada vez mais parecem reais. 

A percepção de que se trata de algo forjado fica mais difícil. Diz-se que é preciso ver para crer. Assim, as deep fakes podem ser mais convincentes. E, desta forma, mais compartilhadas em redes sociais, disseminando rapidamente informações falsas. Ainda não há consenso sobre as melhores formas de detectar e combater as fraudes.

A preocupação aumentou em função da popularização, na China, de um aplicativo capaz de fazer este tipo de manipulação. Lançado no final de agosto, por enquanto está disponível apenas por lá. Mas, se antes a falsificação era restrita a quem detinha habilidades avançadas em recursos de informática, pode agora estar mais acessível, na palma da mão, em smartphones de milhares de pessoas, nem sempre bem-intencionadas.

CAIO CIGANA - INTERINO

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020



"Ser feliz é uma decisão", afirma Leandro Karnal 

Na manhã desta terça-feira, o historiador concedeu entrevista para a Rádio Gaúcha
31/12/2019 - 14h28min - Anderson Fetter / Agencia RBS - Anderson Fetter / Agencia RBS

Karnal afirmou que esta é uma época de ser um pouco menos mesquinho e de fazer concessões familiares

O historiador e professor gaúcho Leandro Karnal conversou com a Rádio Gaúcha na manhã desta terça-feira (31) e fez reflexões sobre o final de ano. Além disso, falou do seu novo livro Felicidade: modos de usar, escrito em parceria com Mário Sergio Cortella e Luiz Felipe Pondé. Karnal participou, por telefone, do programa Timeline. 

Em evento sobre Ensino Superior, Leandro Karnal destaca a inversão de papéis entre professores e alunosEm evento sobre Ensino Superior, Leandro Karnal destaca a inversão de papéis entre professores e alunos

Potter Entrevista Leandro Karnal: "Existem maus padres e más freiras como existem maus professores nas universidades"Potter Entrevista Leandro Karnal: "Existem maus padres e más freiras como existem maus professores nas universidades"

Para 2020, é possível prever imprevistosPara 2020, é possível prever imprevistos
Para Karnal, esta é uma época de ser um pouco menos mesquinho e de fazer concessões familiares: 

— Tentando fazer um exercício de crescimento: "eu não sou o centro do mundo, as coisas não giram ao meu redor, nem tudo tem que ser do meu jeito". Todas as pessoas que me dizem que detestam felicidade com hora marcada, eu detesto Ano-Novo e Natal, eu detesto ser feliz à meia-noite, todas as pessoas que dizem isso são infelizes o ano inteiro, o que elas detestam é a felicidade.  

O historiador destacou que a felicidade é um desafio de crescimento. 

— Ser feliz é uma decisão. "Mas aquela pessoa que vai na festa, aquele parente, não é uma pessoa que eu gosto". Não se preocupe, você também não é (a pessoa que ele gosta), logo, vocês se merecem, aceita isso – defendeu.  

Karnal explicou que concluiu que a felicidade é uma escolha observando as pessoas:  

— Eu escolho ficar triste ao enfatizar coisas tristes, ao pegar más lembranças, ao pegar fotos com gente que desapareceu. Ou eu escolho ser alegre, lembrando que eu estou aqui agora. Eu quero celebrar, eu posso sair de mim. Essa é uma escolha, para religiosos, para não religiosos. O Natal é de fato um desafio, pois as pessoas terão de avaliar quem elas são no final do ano.  

Aos jovens, Karnal recomendou que aproveitem a companhia de seus pais nesta época do ano:  

Por que você precisa resolver sua vida nesta época do ano?Por que você precisa resolver sua vida nesta época do ano?

— Não é possível ser paciente com todo mundo, você não é santo. Não é possível ouvir com carinho todas as pessoas, você tem momentos difíceis. Logo, recomendo o seguinte: eleja as pessoas com quem você vai ser totalmente paciente. E no topo desta lista estão pais, mães, avós e irmãos. Com os outros, tenha paciência seletiva. Pai e mãe são as pessoas que você não pode atacar moralmente, você tem que aceitar. Te deram a vida, te criaram, ninguém vai amar você mais do que eles e o mais incrível: eles te amam apesar de te conhecerem, isso é extraordinário (risos).  

Sobre o cenário político atual, Karnal afirmou que, historicamente, os brasileiros estão acostumados com anos conturbados. Logo, o momento atual não é nada excepcional: 

— O ano é conturbado sem sombra de dúvidas, mas quem tem mais idade, como eu, já passou por muitos anos conturbados. Já tivemos hiperinflação, dois impeachments, alguns mais velhos lembram de renúncia de presidentes. Na verdade, na história do Brasil, anos tranquilos são excepcionais, nós estamos acostumados com anos conturbados. Este não foi particularmente conturbado, não teve quebra-quebra nas ruas, não houve onda de saques, renúncia de presidentes, tivemos problemas, mas nós estamos, pelo menos desde 2013, com muitos problemas. Logo, não é nada excepcional.