terça-feira, 27 de junho de 2023


27 DE JUNHO DE 2023
CARPINEJAR

Filhos adultos

Todos comentam a dificuldade de criação de adolescentes. Ou o desafio de cuidar de bebês, ou de se mostrar inteiramente responsável por crianças. O que não escuto muito é sobre a árdua empreitada de ser pai ou mãe de filhos adultos.

Você não tem mais como demonstrar o amor como antes. Não há mais reuniões de avaliação na escola. Não há mais apresentações para comparecer nas datas comemorativas. Não há mais noites de pijama para cozinhar para os colegas e ser simpático com a turma. Não há mais competições esportivas para vibrar na arquibancada. Não há mais necessidade de dar mesadas ou completar o valor de um ingresso para um show. 

Não há como buscá-los em festas, você não tem sequer noção de quando retornam para a cama. Não há mais como planejar as férias com eles. Não há mais como aconselhar na hora do café. Não há mais como sair junto no momento de comprar roupas. Não há mais recompensas, sorrisos, elogios de como "você é legal" ou do quanto é "a melhor mãe ou pai do mundo". Não há mais rastros oficiais da ternura, cartõezinhos e desenhos para postar nas redes sociais.

Eles não moram mais com você para ofertar a presença farta do olhar e do abraço. São independentes. São autônomos. Têm suas preocupações e desafios. Têm seus estudos e carreiras. Sobram pouquíssimos encontros para reforçar o vínculo. Você depende da sorte de um telefonema para expor alguma questão pontual e pendente do seu dia. Talvez a inquietação que gostaria de partilhar caduque ou fique acumulada para nunca mais.

Fofocas exigem disponibilidade. Você não dispõe de um pretexto para verbalizar alguma indiscrição de um amigo, ou de um familiar, ou de um vizinho. Deixará também passar. É uma amizade esparsa, regida por grandes acontecimentos. As miudezas escapam agora.

Perde de saber se estão amando ou na fossa, se estão amuados ou contentes. Não existe como reclamar da bagunça, das roupas espalhadas, da luz acesa, da louça suja, dos pés em cima da mesa. Tem certeza de que eles continuam do mesmo jeito, com a mesma desordem selvagem e individualista, mas está privado da influência para opinar e orientar. Não estão mais sob a sua responsabilidade, sob o seu campo de ação, sob o radar de suas emoções protetoras.

Cada um cuida de si. Cada um faz o que quer. Eles podem estar almoçando às três da tarde ou cabulando o almoço por excesso de obrigações profissionais. Eles podem ter a geladeira vazia por preguiça de ir ao supermercado. Eles podem dormir com fome ou só comer bobagem.

Você já imagina que estão magros, ossudos, porém encontra-se desfalcado de desculpa para aparecer com uma marmita. Recorda com saudade a época em que era útil e despertava de madrugada para cozinhar para eles.

Se os filhos estão gripados, logo imagina que não se agasalharam direito. Apesar da angústia, você não tem como atravessar a cidade como se fosse uma ambulância para providenciar o termômetro, o antitérmico e controlar a temperatura com a mão na testa.

Eles precisarão lidar sozinhos com as suas doenças e suas indisposições. Não tomarão o seu chá curativo, específico para os sintomas, tampouco o medicamento apropriado que está na ponta da sua língua para a rápida convalescença.

Hoje eles estão tentando se livrar da dependência por terapia. Não estranhe que desejem um pouco de distância para seguirem o próprio caminho. Perdura uma grande desinformação entre vocês. Não usufrui da cumplicidade dos pequenos e decisivos detalhes da convivência.

Eles tornaram-se novas pessoas, mais sérias, mais mal-humoradas, com menos tempo, enfim, mais parecidas com você. Não se trata de ninho vazio, mas de aprender a conversar com outra árvore carregada de frutos.

CARPINEJAR

27 DE JUNHO DE 2023
NÍLSON SOUZA

Piscou, perdeu!

Que não se negue um toque de humor aos quadrilheiros que roubavam carros na zona norte de Porto Alegre e usavam bonés com o grito de guerra característico dos integrantes do grupo na hora de render suas vítimas: - Piscou, perdeu!

A própria polícia, que fez um trabalho elogiável ao prender os bandidos, reconheceu a força do apelo e adotou a expressão como título da operação investigativa. Como um dia é da caça e o outro costuma ser do caçador, os delinquentes também piscaram e foram em cana.

O slogan é engraçado e menos preconceituoso do que o tradicional "perdeu, mané", adotado inclusive e desastradamente por um ministro do Supremo em hora imprópria. Mané é sinônimo de trouxa, otário, imbecil, condição imposta às vítimas pelos espertalhões, até para justificar seus atos autoritários ou criminosos. Mas é também o diminutivo do nome próprio Manoel (ou Manuel), muito comum entre os lusitanos que colonizaram nosso país. Também por isso, talvez, tenha virado pejorativo. Mané é mané em toda parte do Brasil, como cantou Moreira da Silva, menos em Santa Catarina, que se orgulha dos seus manezinhos da Ilha.

Mas o bordão da piscada também não chega a ser original. Algumas empresas já o utilizaram como apelo publicitário para anunciar ofertas - e, subliminarmente, pressionar os clientes a comprar. De perfumes a automóveis, o "piscou, perdeu!" funciona como chamada irresistível, pois no mundo do consumismo ninguém quer perder uma oportunidade de levar vantagem. Mais: nesta era do tudo aqui e agora, a gente vive constantemente com a sensação de que está perdendo alguma coisa.

Embora incoerente com o ato imprescindível para a saúde dos olhos, o primeiro verbo da expressão também virou sinônimo de descuido em nosso inseguro país. Nas 15 ou 20 vezes em que piscamos a cada minuto, por força de nossa natureza humana, sempre podemos deixar de ver alguma coisa importante (como, por exemplo, o ladrão se aproximando com a arma na mão). Infelizmente, essa é a nossa realidade - também porque muitas vezes piscamos demais na hora de escolher nossos governantes e representantes políticos.

Pode ser raro, mas, às vezes, também ganhamos. Bato ponto semanalmente na Zona Norte e talvez agora possa piscar com mais tranquilidade sabendo que pelo menos uma quadrilha de assaltantes, com seus bonés debochados, foi tirada de circulação. Como escreveu Manuel de Barros, há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.

Sábio poeta. Outra prova de que nem todo Mané é otário.

NÍLSON SOUZA

27 DE JUNHO DE 2023
OPINIÃO DA RBS

O APERTO FINANCEIRO DOS IDOSOS

É preocupante o movimento de aumento do número de idosos inadimplentes no Rio Grande do Sul. No último mês de abril, eram 745 mil gaúchos com 60 anos ou mais que não estavam conseguindo pagar os seus compromissos financeiros, quantidade 38% superior à observada no mesmo mês de 2019. Os dados são da Serasa Experian.

O avanço constatado no Estado é superior à média nacional (34,7%) no período. Deve-se atentar ainda que o Rio Grande do Sul tem a maior proporção do país de idosos na população. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a fatia passou de 13,8% em 2012 para 19,5% no ano passado. A inadimplência elevada é um fator que reduz a capacidade de consumo e limita o potencial de a economia crescer impulsionada pelo mercado interno.

Há uma série de fatores que podem estar contribuindo para essa situação inquietante e que merece atenção especial para que sejam encontradas saídas. Os ganhos das aposentadorias, em regra, não acompanham a inflação, em especial nos últimos anos, quando o país também passou por uma escalada no juro. Essa é uma faixa etária que despende muitos recursos com remédios e cuidados médicos. São classes de despesas que comprometem uma parte cada vez maior dos benefícios. Ao mesmo tempo, em muitos lares os idosos são o esteio financeiro. Acabam arcando com as contas cotidianas do domicílio e, não raro, familiares ainda fazem empréstimos em seus nomes, pela facilidade do consignado com desconto em folha.

Especialistas chamam atenção para este ponto do crédito. A população idosa segue como alvo preferencial de abordagens abusivas por parte de empresas de serviços financeiros. Vazamentos de dados cadastrais fazem com que sejam insistentemente procurados por estes agentes, que não prezam necessariamente pela ética na tentativa de fechar empréstimos. São recorrentes os relatos de idosos que se dizem surpreendidos ao descobrirem que tomaram crédito. Muitas vezes, por não compreenderem bem operações realizadas especialmente por contato telefônico. Assim se cria a bola de neve do endividamento, que se transforma em inadimplência e em dificuldades crescentes para ter disponível o básico para uma sobrevivência digna.

A solução ideal passaria especialmente por uma melhor educação financeira, mas sabe-se que pelo perfil diverso de instrução desse público, na prática é uma alternativa que seria difícil de se efetivar para uma grande parcela dos idosos. Mesmo assim, seria importante uma maior conscientização, com o auxílio dos familiares, sobre os riscos de ofertas que parecem tentadoras. Ainda é necessário, de outra parte, encontrar formas de inibir mais as abordagens maliciosas. Mas, mesmo assim, se o problema ocorrer, ainda é possível buscar apoio em órgãos de defesa do consumidor e na Defensoria Pública.

Quando estiver disponível, o Desenrola Brasil, previsto para entrar em operação no próximo mês, pode ser uma saída para tentar escapar do redemoinho das dívidas e da inadimplência. É um programa que promete beneficiar principalmente cidadãos com renda de até dois salários mínimos, negativados por não terem conseguido pagar débitos de até R$ 5 mil. A conferir se, de fato, será capaz de auxiliar dezenas de milhões de brasileiros, como promete. 

Em outra frente, o governo federal também editou na semana passada decreto que eleva o valor do chamado "mínimo existencial" de R$ 303 para R$ 600. Refere-se ao montante da renda do cidadão que não pode ser bloqueado por instituições financeiras ou cobrado no consignado. É uma medida voltada especialmente a proteger superendividados, que acabam com dificuldades para arcar com as despesas básicas. Um melhor cenário se confirmaria ainda se o país conseguisse entrar em um período duradouro de inflação mais baixa, casado com um ciclo de diminuição do juro.


27 DE JUNHO DE 2023
+ ECONOMIA - marta sfredo

Semana tensa com ata e meta para BC

Como o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) surpreendeu governo, empresários e até mercado financeiro, há grande expectativa sobre a ata (um relato mais detalhado sobre como a atual diretoria da instituição vê eventual ciclo de baixa do juro básico), que será publicada hoje.

Mas esse não é o único suspense ligado ao tema na semana: na quinta-feira, ocorre a esperada reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), que vai discutir a meta de inflação, ou seja, qual o limite de alta de preços que o BC tem de mirar ao definir a taxa Selic.

Como o Copom, desta vez, atuou para confundir, em vez de esclarecer, os ânimos estão exaltados, a ponto de o ex-presidente do BC Affonso Celso Pastore ter apontado "ataque à instituição" nas críticas dirigidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros - como fez questão de acrescentar.

É que, desta vez, até Fernando Haddad, da Economia, que atuava como mediador de relações respeitosas entre governo e BC, saiu do discurso conciliador. Disse que o comunicado foi "muito ruim", e contratou "problema futuro", sob a forma de inflação ou aumento de carga tributária.

A semana no mercado financeiro promete emoções mais fortes - com risco maior de que sejam negativas - do que as da semana passada. Inclusive com novas dúvidas que surgiram sobre a reunião do CMN e a polêmica mudança no sistema de meta de inflação. Vai haver alguma, disso já se sabe. Do ponto de vista mais ortodoxo, a mais provável é a simples oficialização do que o BC já faz: não haveria mais exigência formal de cumprimento do objetivo dentro do ano.

Mas exatamente por representar apenas a confirmação formal de uma prática - admitida pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, ao dizer que, se quisesse cumprir a meta no ano, a Selic teria ido a 26,5% -, não se sabe se vai parar por aí. Mesmo economistas ortodoxos consideram a meta para os próximos anos, de 3%, muito baixa para um país como o Brasil, que não pode cortar despesas de forma brusca por restrições legais.

Sem contar que esse patamar foi previsto - antes da pandemia e de seus efeitos sobre a cadeia global de suprimentos - e adotado nos anos que se seguiram a uma das mais desafiadoras situações de controle de preço para o mundo inteiro.

O problema é que, na lógica do regime do BC, se a meta é mais baixa, significa que o BC tem de manter o juro alto por mais tempo para alcançá-la.

enquanto todos batem cabeça na discussão da reforma tributária, o ministro da fazenda, fernando haddad, fez uma citação um tanto quanto inesperada. "Teve um economista que chegou a falar que pode ser o novo Plano Real do Brasil", afirmou, sobre os efeitos das mudanças no potencial de crescimento do país.

0,6%

foi a leve alta na cotação do petróleo ontem, depois do recuo do líder do Wagner, o grupo russo de mercenários que ensaiou um golpe contra Vladimir Putin. O barril do tipo brent, que chegou a encostar em US$ 140 quando ficou claro que a invasão à Ucrânia se prolongaria, fechou em módicos US$ 74,33. Menos mal.

Testes em condições extremas

Por trás de árvores, morros e até uma "tapadeira" de plástico, Caxias do Sul esconde um local estratégico no Estado: o Centro Tecnológico Randon (CTR), onde rodam veículos secretos e não tão confidenciais, que testam resistência, estabilidade, capacidade de frenagem e até a de sair inteiro de uma "típica" estrada de chão brasileira.

O segundo vídeo da série Feito no RS, iniciado com uma doce produção gaúcha, é para corações fortes. A jornalista que assina esta coluna ainda sente os solavancos da passagem sobre uma das pistas que desafiam pesos pesados do transporte. E lembra que, em outra, não foi possível passar, sob pena de o veículo não sair inteiro. Mas não é só no asfalto, nas pedras ou no chão que as montadoras submetem carros, utilitários, caminhões e ônibus a condições extremas. Sensores registram trepidação, desvios, aceleração ou desaceleração. Esses dados são levados a um sistema de computação que replica as experiências, permitindo antever problemas futuros.

O objetivo é não só simular o que ocorre no dia a dia, mas também projetar o que pode ocorrer ao longo de sua vida útil, se possível para eliminar o recall - o momento em que chama de volta o cliente para arrumar algum defeito de fábrica. Aliás, a equipe que visitou o CTR testemunhou um desses casos: um dos carros de apoio simplesmente não deu a partida. Vai entrar no relatório que será feito ao fabricante para evitar um defeito em série.

Risco Brasil está no menor patamar em quase dois anos

Além de estar com nota de crédito com possibilidade de melhora, o Brasil já mostra avanço em outra forma de medir o risco da negociação dos títulos públicos.

No indicador Credit Default Swaps (CDS), que mede o preço de uma espécie de seguro contra calote, o risco é o mais baixo em dois anos.

Quanto menor a pontuação, menor o risco. Os "pontos" são unidades básicas de uma escala que aponta o preço desse instrumento de proteção.

Quem compra títulos emitidos pelo governo de algum país - chamados de "soberanos" -, costuma fazer a operação com CDS para se proteger de eventual piora súbita nas condições de pagamento do devedor.

Conforme o site World Government Bonds, a pontuação atual atribui ao país probabilidade de calote muito pequena, de 2,91%. Apenas para comparar, os CDS da Argentina estão em 1.030,9 pontos, com risco de default em 17,2%.

+ ECONOMIA

27 DE JUNHO DE 2023
PASSAGEM DO CICLONE

Quase mil pessoas seguem ainda fora de casa no Estado

Onze dias após a passagem do ciclone extratropical pelo Rio Grande do Sul, 980 pessoas seguem fora de casa no Estado, conforme o mais recente balanço da Defesa Civil, divulgado ontem. Dessas, 21 estão desabrigadas (em locais providenciados pelos municípios), e outras 959 estão desalojadas (em residências de amigos e familiares).

Dezesseis pessoas morreram em decorrência do ciclone. O maior número de vítimas foi em Caraá, no Litoral Norte, onde foram registrados seis óbitos. Sessenta municípios já decretaram situação de emergência após a passagem do ciclone extratropical. Desse total, 21 cidades já tiveram o decreto homologado pelo Estado. Nove já tiveram a situação reconhecida pela União.

A medida permite que os governos federal e estadual enviem recursos para auxiliar na reconstrução das cidades. Além disso, as prefeituras podem fazer contratações para obras sem licitação.

Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, ontem, o prefeito de Caraá, Magdiel Silva, afirmou que, para evitar novos desastres, não será permitida a ocupação dos locais que foram alagados. Ele disse que pretende mudar o plano diretor da cidade.

Silva afirmou ainda que, possivelmente, será construído um condomínio habitacional onde serão colocadas as famílias que moravam nas cerca de 50 casas que foram completamente destruídas. Para tanto, contudo, será necessário auxílio dos governos estadual e federal.

Também em entrevista ao Gaúcha Atualidade, o prefeito de Maquiné, João Marcos Bassani dos Santos, falou sobre os prejuízos causados pelo ciclone na cidade. Segundo ele, nenhuma família está fora de casa no município, mas a preocupação no momento é em relação às perdas na agricultura.

- Semana que vem iremos a Brasília para pedir apoio ao governo federal. Dependemos da agricultura quase que 100% - disse o prefeito. - Essa foi a enchente que mais afetou a cidade. Precisaremos de um tempo para preparar as terras antes de poder plantar novamente - acrescentou.

TIAGO BITENCOURT


27 DE JUNHO DE 2023
APÓS PROIBIÇÃO DE BEBIDA ALCOÓLICA

Sem ocorrências na madrugada na Orla

O primeiro fim de semana após a publicação do decreto da prefeitura de Porto Alegre que proíbe a venda e o consumo de bebidas alcoólicas da 0h às 8h nos trechos 1, 2 e 3 da orla do Guaíba e também no Parque Marinha do Brasil foi sem registros de ocorrências ou detenções. A informação foi divulgada ontem pela Guarda Municipal.

- Optamos por uma postura mais orientativa, de conciliação e de diálogo, para que as pessoas tenham ciência do novo regramento nesse espaço público - explica o comandante da Guarda Municipal, Marcelo Nascimento.

O decreto também veda na região, das 22h às 8h, distúrbios sonoros ocasionados por qualquer tipo de equipamento de som. A proibição ocorreu duas semanas após dois homens serem mortos a tiros no trecho 3 da Orla.

- Durante o fim de semana, não tivemos intercorrência ou necessidade do uso de força para o cumprimento do decreto - acrescenta Nascimento.

Conforme a Guarda Municipal, as câmeras de videomonitoramento do Centro Integrado de Comando de Porto Alegre (Ceic) não flagraram nada de errado nos espaços englobados pelo decreto. Na avaliação do comandante, a questão climática também influenciou para o resultado positivo.

- Não tivemos um grande movimento dada a questão do clima, mas todos que estavam lá acataram as orientações e cumpriram o decreto - afirma.

De acordo com a Guarda Municipal, que não divulgou o número de abordagens realizadas, foram poucos casos de pessoas indo com bebidas para os trechos 1 e 3 da Orla. Após serem orientadas sobre o decreto, as pessoas se dirigiram para outro local. Quatro a cinco guarnições participaram do patrulhamento na região durante a madrugada no fim de semana.

No domingo, reportagem de GZH mostrou que os frequentadores perceberam incremento das forças de segurança na Orla. Guarda Municipal e Brigada Militar atuaram integradas no patrulhamento da região.

Além das rondas feitas de carro, motos e a pé, o ônibus da BM também estava estacionado em frente às pistas de skate, local de intensa circulação e presença de público. Procurada pela reportagem, a corporação informou que "todas as fiscalizações que abrangem o decreto foram realizadas pela prefeitura."

A secretária municipal de Esporte, Lazer e Juventude, Débora Garcia, esteve no local e coletou impressões dos skatistas.

- Todos estavam elogiando o decreto, dizendo que chegavam para andar de skate e havia garrafas na arquibancada e na pista - comenta a titular da pasta, citando que esteve na Orla no sábado, quando conversou com os frequentadores e famílias que estavam ali.

Inquérito concluído

A Polícia Civil divulgou ontem que remeteu para a Justiça o inquérito sobre o ataque a tiros na orla do Guaíba, em Porto Alegre, que aconteceu na madrugada de 10 de junho, na pista de skate, deixando dois mortos e seis feridos.

Dois homens - Gabriel Oliveira de Souza, 20 anos, e Kauan Silva de Quadros, 18 - foram indiciados por dois homicídios dolosos (com intenção de matar) e por seis tentativas de homicídio, com dolo eventual. Ambos estão presos. O trabalho foi concluído na sexta-feira, mas a investigação continua, porque há um terceiro envolvido, que aparece em imagens de câmeras de segurança, que ainda não foi identificado.

Um adolescente, que está solto, também deve ser responsabilizado por envolvimento no fato, mas nesse caso, conforme explica o titular da 6ª Delegacia de Homicídios da Capital, delegado Thiago Carrijo, por se tratar de uma pessoa com menos de 18 anos, será encaminhado à Divisão Especial da Criança e do Adolescente (Deca).

ANDRÉ MALINOSKI

segunda-feira, 26 de junho de 2023


26 DE JUNHO DE 2023
ENTREVISTA

"A descentralização do fomento é uma das nossas metas no ministério"

MARGARETH MENEZES ministra da Cultura

Pouco mais de seis meses após ter assumido o Ministério da Cultura, Margareth Menezes realizou na quinta e na sexta sua primeira visita a Porto Alegre como titular no cargo. Natural de Salvador (BA), a ministra trilhou trajetória artística não só como cantora, mas também no teatro e na gestão cultural. Aos 60 anos, ela aceitou o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir um ministério descaracterizado, que havia sido transformado em secretaria no governo anterior.

Em entrevista a ZH, Margareth falou sobre investimentos no Estado, Lei Rouanet e os desafios da pasta.

Você assumiu uma pasta que passou por um desmonte. Diante desse cenário, que balanço faz de seus primeiros seis meses como ministra?

Houve uma desestruturação. Realmente, um desmonte. Várias coisas foram deixadas sem finalizações de prestações de contas de projetos. Foram desconectadas as informações do ministério para a Receita Federal em relação aos projetos que recebiam patrocínios. Era terra arrasada mesmo. Com a redução do ministério a uma secretaria, a pasta não dava conta do tamanho das ações para todas as áreas que são necessárias para poder fazer políticas públicas. Havia também uma má vontade em fazer as coisas. O ministério foi usado para perseguir artistas, descontextualizar leis de fomento, perseguir a Lei Rouanet. Foi um trabalho muito grande que encontramos lá. 

Contando com o Márcio (Tavares) como secretário executivo, fomos montando uma equipe muito bacana, trouxemos pessoas de conhecimento técnico para as áreas mais sensíveis. Hoje, estamos com a estrutura montada, já colocando em ação editais em todas as secretarias, as vinculadas também, como Iphan, Ibram e Fundação Palmares. Esta última tivemos que providenciar outra estrutura. Também temos um cuidado muito importante de fazer tudo com diálogo com o meio. Em todos os decretos e ações, estamos abertos às críticas também.

O Ministério da Cultura, pelo que vejo, tem trabalhado em divulgar a aplicação da Lei Paulo Gustavo (criada para incentivar a cultura e garantir ações emergenciais). Mas, além disso, a Lei Aldir Blanc 2 estava para ser regulamentada. Qual a situação?

Exato, vamos começar essa regulamentação e lançá-la ainda este ano. Durante cinco anos, esse aporte continuará chegando às cidades, o que vai auxiliar bastante o setor.

Há planos do ministério visando o RS? A Lei Paulo Gustavo, por exemplo, prevê um investimento de cerca de R$ 200 milhões para a cultura do RS.

É o aporte da Lei no Rio Grande do Sul. É muito bom. Essa lei emergencial é um pertencimento ao setor. Ao todo, são R$ 3,8 bilhões que estão sendo distribuídos para todas as cidades, um momento importante para a retomada do ministério. Além disso, aqui em Porto Alegre, o ministério está auxiliando na recuperação do Mercado Público, com previsão de R$ 5 milhões para a próxima etapa, através do Iphan. Até o final das obras serão investidos 13 milhões. (Está auxiliando) na climatização geral e na restauração da cobertura do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), investimento de R$ 6,5 milhões, obras com recurso do Fundo de Direitos Difusos. Também um anúncio de investimento de audiovisual do MinC de R$ 1 milhão para o Festival de Cinema de Gramado deste ano.

Um discurso que tem se repetido entre as gestões culturais é o de descentralização. Para o ministério, como isso está sendo pensado?

A descentralização do fomento é uma de nossas metas. Durante muito tempo, houve uma concentração do fomento no Sudeste, concentrado em Rio e São Paulo. A gente entende que ali existe um setor da indústria cultural forte, com produtoras de cinema e emissoras de TV. Contudo, entendemos que existe essa necessidade de descentralização porque a cultura no Brasil acontece em todas as regiões. É preciso que se distribua isso de uma maneira coerente. Essa é uma das reclamações da população em relação à Lei Rouanet, então estamos focados nisso. Estamos mantendo diálogos com as empresas para conscientizar, porque nessa prerrogativa nova, o ministério também pode propor ações.

Falando sobre Lei Rouanet, esse fomento sofreu intervenções nos últimos anos. Houve uma concentração ainda maior na mão dos secretários da cultura sob a gestão de Bolsonaro. Em abril, o ministério reverteu algumas dessas questões. No entendimento de vocês, o que ainda pode ser aperfeiçoado?

Para fazer esse novo decreto, nós ouvimos o setor. Renovamos uma instrução normativa mais aderente ao fazer cultural. Isso dificultava muito tanto para o agente cultural quanto para a administração do ministério em relação à transparência com o fomento. A todos esses pontos nós demos atenção. Como acabamos de lançar, leva um tempo para o setor perceber essas mudanças positivas.

É uma lei que foi especialmente atacada por alguns setores.

Mais por uma falta de conhecimento da potência que existe nessa Lei, que tem mais de 30 anos (instituída em 1991). São tantos projetos bacanas que acontecem pelo Brasil por causa da Rouanet, de transformação social. Estamos falando de orquestras, de centros culturais, incentivos às carreiras de vários artistas, mas agora queremos fazer essa realidade repercutir no resto do país. Essa é a nossa grande meta. Tanto a Paulo Gustavo quanto a Aldir Blanc 2 já fazem parte dessa ação de descentralização.

Falando do setor audiovisual agora, você comentou ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, que a regulamentação das plataformas digitais está nos planos do ministério. De que maneira vocês visam aplicar essa regulamentação? Não teria nada a ver com o conteúdo, certo?

Tem a ver com a regulamentação dos direitos autorais do setor, dos trabalhadores da cultura. É uma pauta no mundo inteiro. Hoje, muitos países estão buscando esse processo de regulamentar. É um direito do setor. As plataformas têm tido uma lucratividade muito alta no Brasil, que é o segundo maior consumidor e não tem a contrapartida do direito autoral.

WILLIAM MANSQUE


26 DE JUNHO DE 2023
OPINIÃO DA RBS

A FILA DAS CIRURGIAS

Uma das primeiras iniciativas da pasta da Saúde sob a gestão ministra Nísia Trindade foi anunciar, no começo do ano, uma ação para diminuir a espera angustiante de centenas de milhares de pessoas que aguardam por cirurgias eletivas pelo SUS. É uma fila que cresceu de forma substancial no decorrer do período mais agudo da pandemia. Foi o resultado de uma circunstância incontornável. Grande parte da atenção dos hospitais e dos profissionais da área esteve voltada ao combate da emergência sanitária. Agora, parece enfim estar chegando o momento de começar a dar uma resposta efetiva a esse problema.

Os dados atualizados mostram que o Rio Grande Sul é um dos Estados com o maior número de beneficiários com cirurgias eletivas atrasados. São 180 mil intervenções represadas, quantidade superada apenas por Goiás e São Paulo. O governo gaúcho já recebeu do governo federal R$ 10,7 milhões para dar início ao mutirão. É a primeira das três parcelas, que totalizam R$ 32,2 milhões, com previsão de serem usados ao longo deste ano. 

Os recursos iniciais, agora, serão liberados para os hospitais gaúchos à medida que forem assinados os termos aditivos para a prestação dos serviços. A Secretaria Estadual da Saúde (SES) informa que não tem prazo estipulado para finalizar a parte burocrática, mas se espera que esteja em curso um grande esforço para esta etapa ser vencida rapidamente e a população começar a ser atendida o mais breve possível.

Em saúde, um problema que poderia ter solução relativamente simples e com tratamento com grandes chances de sucesso se agrava se não tem a devida atenção no momento adequado. Em situações mais graves, o desfecho pode ser fatal. É o caso, por exemplo, de exames para detectar câncer, nos quais o tempo é essencial. O mesmo vale para várias especialidades de cirurgia. Mas as filas são imensas. Em reportagem publicada na sexta-feira em Zero Hora, o secretário de Saúde de Canoas, Felipe Martini, revelou que, no município, há casos de cidadãos que aguardam desde 2017.

São 51 hospitais no Rio Grande do Sul que fazem parte do Plano Estadual de Redução das Filas. A SES observa que, enquanto esperam a distribuição dos recursos, agora uma questão de tempo, as instituições já podem começar a se organizar para dar início às cirurgias. Um bom exemplo é o do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), na Capital, que desde o mês passado já está convocando pacientes e realizando os procedimentos.

O Programa Nacional de Redução das Filas de Cirurgias Eletivas, Exames Complementares e Consultas Especializadas (PNRF) tem reservados cerca de R$ 600 milhões para serem utilizados ao longo deste ano em todo o país. Os recursos distribuídos neste primeiro momento às unidades da federação chegam a R$ 200 milhões, e o restante terá a divisão feita de acordo com o ritmo da demanda. Apenas os Estados que aderiram à iniciativa têm uma fila de 679 mil procedimentos. No Rio Grande do Sul, as maiores demandas são por intervenções oftalmológicas, cirurgias gerais e de traumatologia.

Como o período de atenção prioritária à pandemia passou e há recursos reservados pelo governo federal para a tarefa, passa a ser dever de gestores públicos e dos hospitais encontrarem meios de fazer finalmente a fila fluir. Há muito por fazer. Estima-se que a primeira remessa de R$ 10,7 milhões seja suficiente para suprir apenas 16% dos procedimentos represados. Por trás dos números frios existem pessoas que têm direito a um atendimento digno de saúde, dependem exclusivamente do SUS e padecem de uma longa e aflitiva espera. Em muitos casos, trata-se de recuperar a qualidade de vida, mas em outros o que está em jogo é a vida.


26 DE JUNHO DE 2023
ROTINA DE MISTÉRIOS

Cinco pessoas somem por dia em Porto Alegre

Porto Alegre registrou este ano mais de cinco desaparecimentos de pessoas por dia. Foram 807 casos, envolvendo tanto adultos (464), quanto crianças (343), entre janeiro e maio. No mesmo período, foram localizadas 772 pessoas.

O trabalho policial especializado na localização de indivíduos envolve um conjunto específico de técnicas de investigação e também resulta na descoberta de episódios de cárcere privado e até de homicídios que, antes, eram considerados casos de desaparecimento.

- A investigação que começa pelo registro de desaparecimento funciona como um filtro que separa situações de pessoas que se perderam ou resolveram mudar de convívio ou que podem ter sido vítimas de crimes graves - aponta o diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Mário Souza.

Criada em Porto Alegre em 2 de março 2021, a Delegacia de Polícia de Investigação de Pessoas Desaparecidas, que está vinculada ao Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), pretende ampliar sua estrutura e capacidade de atuação. Souza diz que há espaço para qualificação da produtividade e afirma que está sob análise o aumento de efetivo e equipamentos, principalmente viaturas.

- Podemos constituir uma máquina de localizar pessoas e processar com mais agilidade os registros que chegam diariamente. Mais que isso, seremos cada vez mais eficientes como uma barreira de investigação, para que nenhum homicídio escape ao olhar da polícia - define o delegado.

Subnotificação

Souza explica que pode haver variação na contagem entre sumidos e achados, entre meses e anos, porque parte das pessoas desaparecidas em determinado período acaba sendo localizada em outro.

Também alerta que ocorrem localizações realizadas pelos próprios familiares e, muitas vezes, esses encontros não são comunicado às autoridades, resultando em subnotificação. Souza alerta que o registro é preponderante para a conclusão das investigações.

 LUIZ DIBE


26 DE JUNHO DE 2023
CARAVANA EM PORTUGAL

Evento de Gilmar Mendes em Lisboa "esvazia" Brasília

O Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), que tem o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes como sócio-fundador, convidou uma caravana de ministros, governadores e deputados para viajarem a Portugal e participarem do 11º Fórum Jurídico de Lisboa. O evento será realizado em parceria com a FGV Conhecimento, hoje. Enquanto isso, haverá um apagão em Brasília. A Câmara dos Deputados só retoma os trabalhos no dia 3 de julho.

Lado a lado, o ministro Flávio Dino (Justiça), Cristiano Zanin (novo ministro do STF) e o afilhado político do ex-presidente, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), estão na lista de debates sobre democracia e investigações criminais. Na programação oficial do evento - além de Dino, Zanin e Tarcísio - constam mais ministros de Lula: José Múcio (Defesa), Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), Luiz Marinho (Trabalho e Emprego), Jader Barbalho Filho (Cidades), Vinicius Marques de Carvalho (Controladoria-Geral da União), Camilo Santana (Educação) e Alexandre Silveira (Minas e Energia). O encerramento do fórum está previsto para quarta-feira.

Ainda participa o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, além do ex-presidente Michel Temer (MDB), que vai falar sobre "defesa da democracia e das liberdades fundamentais".

O IDP também convidou a cúpula do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal de Contas da União (TCU) para o evento. Senadores como o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD- MG), Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Jaques Wagner (PT- BA) e Wilder Morais (PL-GO) foram chamados. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP- AL), vai falar sobre "defesa das instituições" e o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), sobre "responsabilidade das plataformas (digitais)".

Cinco governadores também vão a Portugal, segundo a programação: Paulo Dantas, de Alagoas, Ronaldo Caiado, de Goiás, Cláudio Castro, do Rio, Helder Barbalho, do Pará, Wanderlei Barbosa, do Tocantins, incluindo Tarcísio.


26 DE JUNHO DE 2023
CLAUDIA LAITANO

Constelação

O livro é grande (1.160 páginas), caro (R$ 200) e pesado (1,5 quilo). Antes de comprar Pessoa: Uma Biografia, de Richard Zenith, precisei calcular se o calhamaço cabia no orçamento, na mala (voltava do Brasil) e no tempo que eu estava disposta a dedicar à vida de um único escritor - ainda que extraordinário. Três meses depois, mal cheguei à metade da jornada (navegar é preciso), mas o tribunal de contas intangíveis aqui de casa já aprovou, sem ressalvas, o investimento.

Fernando Pessoa (1888 - 1935) era um mistério até para quem conviveu com ele, adverte o biógrafo logo na introdução. Depois de passar parte da infância na África do Sul, voltou para Lisboa e nunca mais viajou. Publicou apenas um livro em vida e deixou milhares de textos dispersos guardados em um baú (inclusive a obra-prima O Livro do Desassossego, que está chegando às livrarias brasileiras em novas edições da Cia. das Letras e da Todavia). 

Fumou, bebeu e torrou uma herança inteira em projetos de negócios que não deram certo. Era homossexual, mas provavelmente não teve relacionamentos sexuais nem com homens nem com mulheres. Morreu, aos 47 anos, sem receber a devida atenção de seus contemporâneos. À parte isso, tinha em si todos os sonhos do mundo.

O bom biógrafo é aquele que consegue reconstituir não apenas as coordenadas de espaço e tempo, mas a constelação de ideias e personagens que orbitam em torno do seu objeto de estudo. No caso de Fernando Pessoa, por motivos óbvios, há uma constelação de constelações a ser examinada. Vidas célebres como as de Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, três dos quatro maiores poetas de Portugal do século 20 (o quarto seria o pai-de-todos, o próprio Fernando Pessoa), mas também existências quase esquecidas entre tantas criações melhor desenvolvidas. 

É o caso do ultrarracionalista Barão de Teive, que cometeu suicídio por não aguentar tanta lucidez, da platônica Maria José, única mulher entre os heterônimos, ou do solitário Jen Seul de Méluret, que escrevia em francês. Incluindo trabalhos produzidos quando ainda era criança, Zenith calcula que Pessoa tenha criado mais de cem autores fictícios, dos quais usou ou planejou usar a assinatura.

Através de seus heterônimos mais conhecidos, o poeta explorou diferentes estilos, temas e visões de mundo. Isso pode dar a impressão de que Fernando Pessoa era apenas um autor genial testando os limites do seu talento, mas os heterônimos eram muito mais do que produtos de uma mente prodigiosa - como a nova biografia nos ajuda a entender. Para Pessoa, ser uma constelação era uma forma de existir e de apreender a realidade. Do único jeito possível em um mundo fraturado: aos pedaços.

CLÁUDIA LAITANO

26 DE JUNHO DE 2023
GRÊMIO

VICE-LIDERANÇA E MISTÉRIO

Após a goleada, renato portaluppi falou sobre as dores no joelho de suárez e disse que tem "muita coisa para acontecer" nos próximos dias

Quando se imaginava que o assunto Luis Suárez seria página virada, o jogador caiu no gramado da Arena aos 27 minutos do segundo tempo, colocou a mão no joelho e pediu para ser substituído. O placar já marcava 4 a 1, com um gol e uma assistência de Suárez, e viria a ser ampliado para 5 a 1 no final do jogo.

Na entrevista coletiva após a vitória que colocou o Grêmio na vice-liderança do Brasileirão, o técnico Renato Portaluppi ampliou o mistério sobre o futuro do uruguaio e indicou que o caso terá novos capítulos.

Questionado sobre a condição física de Suárez, o técnico gremista afirmou que o assunto é "delicado", valorizou a credibilidade dos jornalistas que publicaram a informação da possibilidade de encerramento de carreira do uruguaio e ainda indicou que "outras coisas" estão acontecendo.

- É um assunto muito delicado. Só as pessoas que estão aqui dentro sabem. A gente tem conversado, mas são certas coisas que procuramos segurar. Tem muita coisa ainda para acontecer. Não sou eu quem vai falar do assunto. Por isso não vamos crucificar o clube nem os jornalistas. A gente precisa dele. Ele tem dores no joelho, tem outras coisas acontecendo, mas isso foge de mim. É um problema da diretoria com o jogador - disse Renato Portaluppi.

O treinador destacou que está tentando auxiliar a diretoria e o jogador a encontrarem uma solução, mesmo que isso não seja competência de seu cargo. Novas conversas entre Suárez e o Grêmio devem ocorrer nesta semana.

- Estou tentando conversar de ambos os lados. Depende o estágio da conversa para me atrapalhar. Espero que ele continue com a gente. No que eu posso ajudar, de ambos os lados, estou ajudando. Mas não tenho o poder de decisão - afirmou.

Na comemoração do título do Gauchão 2023, Renato fez questão de salientar que conquistar o Brasileirão era a principal meta da temporada do Grêmio. Embora o maior poder financeiro de adversários como Palmeiras, Flamengo e Atlético-MG, o treinador demonstrava sua confiança na capacidade da equipe de pleitear o título.

Reforços

Com o passar das primeiras rodadas, quando o Tricolor oscilou de desempenho, ele mesmo chegou a colocar em dúvida esta condição diante da dificuldade do clube em buscar reforços - principalmente o tão sonhado atacante de velocidade. Agora, com a sequência e vitórias e a condição de vice-liderança, posicionamento que o clube não ocupava há quase seis anos, o cenário de otimismo voltou.

A frase em que afirma que "o Brasileirão é equilibrado" voltou a ser trazida pelo treinador. Na vice-liderança, o Grêmio está distante dois pontos das equipes que estão fora da zona de classificação para a Libertadores e diminui a diferença para o líder Botafogo, que é de sete pontos.

- Você vence dois jogos e cresce, mas se perde dois, cai muito também. Por isso o Brasileirão é muito equilibrado. Desta vez fizemos o dever de casa - disse o técnico gremista.

A janela de transferências abrirá 3 de julho. O Grêmio tem a negociação com Iturbe, porém espera a finalização do contrato do paraguaio com o Aris-GRE para concluir o negócio. Renato sonha com Michael, do Al-Hilal. No próximo sábado, o Tricolor irá enfrentar o Bahia, em Salvador, pelo Brasileirão. Por lá permanecerá para o jogo das quartas de final da Copa do Brasil, três dias depois.

PEDRO PETRUCCI

sábado, 24 de junho de 2023

Por que brasileiros que sonham em ser médicos estão indo para a Argentina

Estudantes afirmam que o acesso é facilitado e os preços são mais justos no país vizinho

Atualizado: 2.dez.2022 às 9h07
Priscila Carvalho

BBC NEWS NO RIO DE JANEIRO

A estudante Maria Alice de Oliveira, de 22 anos, chegou em Rosário, na Argentina, pouco antes da pandemia para cursar medicina. Como não queria fazer anos de curso pré-vestibular, começou a procurar faculdades estrangeiras onde pudesse ter uma formação de qualidade e sem pagar um preço exorbitante.

"Eu não queria ter que ficar seis anos no cursinho, pois essa é a média para passar numa faculdade pública. Já as particulares são caras e faturam muito", conta em entrevista à BBC News Brasil.

Maria Alice acredita que o acesso à universidade na Argentina é muito mais justo - Arquivo Pessoal via BBC

A jovem afirma que o acesso à universidade no país vizinho é muito mais justo e permite que estudantes com baixa renda possam ingressar nesse tipo de graduação.

Ao contrário das faculdades tradicionais brasileiras, que apresentam vestibulares próprios ou usam o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) como forma de nivelar e eliminar candidatos, nas instituições argentinas basta se inscrever no curso, seguir um ciclo com matérias específicas e, se atingir a nota exigida, o candidato de fato começa a estudar matérias de medicina.

Em algumas universidades esse ciclo básico comum pode durar três meses, seis ou até um ano.

"Na minha faculdade, fiz um curso de ingresso que tinha matérias que envolviam química, física, biologia, anatomia e para quem é estrangeiro tem o espanhol. A gente faz esse curso de ingresso, depois tem as questões e entrevista com o reitor e professor. No final, eles fazem um ranking com um número de pessoas aprovadas", explica a estudante.

Mesmo tendo opções públicas de ensino, Maria Alice optou por uma faculdade privada pelo intercâmbio cultural e oportunidades de trabalhar na Europa no fim da graduação.

Atualmente, ela estuda no Instituto Universitário Italiano de Rosário, uma faculdade italiana que fica a quase 600 quilômetros da capital Buenos Aires.

"Temos materiais em inglês e italiano e todas as matérias são em espanhol. Temos aula de inglês médico e italiano para conhecer a língua. Penso em ir para Espanha ou Itália depois da graduação, pois a Argentina tem um tratado com a Espanha", diz a jovem que paga R$ 1,2 mil de mensalidade na atual faculdade.

Mesmo tendo ajuda financeira dos pais e não podendo trabalhar por causa da carga horária puxada, ela conta que viver no país sendo estudante é uma realidade possível para muitos brasileiros que buscam qualidade de vida e ingresso em boas instituições.

Hoje, ela consegue morar sozinha em um apartamento, ter gastos com alimentação, passeios e mensalidade da faculdade com um custo mensal de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil.

FACULDADE PARTICULAR POR R$ 600

Cursando biomedicina no Brasil, Nattascha Dumke, de 30 anos, mudou seus planos quando começou a estagiar na área. Ao ter contato com os conteúdos práticos, percebeu que suas aptidões eram mais voltadas à medicina.

Nattascha paga R$ 600 de mensalidade pelo curso de medicina em Buenos Aires - Arquivo Pessoal via BBC

Estudante de escola pública, ela conta que seria quase inviável tentar prestar vestibular para uma faculdade pública ou pagar uma instituição privada.

"Eu estava muito longe do conteúdo do ensino médio. Não tinha uma base boa e teria que fazer muito tempo de cursinho. As particulares começavam em R$ 8 mil e tinha algumas que chegavam a custar R$ 12 mil", afirma.

Foi então que ela começou a procurar por faculdades na Argentina e se mudou para o país em 2018. No início, entrou na UBA (Universidade de Buenos Aires), uma das principais referências em ensino público na América Latina.

Assim como as particulares, não é necessário prestar um vestibular para ingressar na instituição de ensino.

Mesmo gostando do curso, ela conta que, assim como a maioria das faculdades públicas, sentia que a UBA carecia de estrutura em algumas modalidades. Por isso decidiu mudar a graduação para uma faculdade privada, na qual paga 600 reais de mensalidade.

"Eu estudo na Fundación Barceló. Senti uma diferença no número de alunos por sala, didática e achei mais moderna. Eu fiz a troca de faculdade quando estava indo para o terceiro ano", diz.

'Na minha sala tem 60% de brasileiros', diz Nattascha - Arquivo Pessoal via BBC

Ela também afirma que graças ao ensino do país, é possível ter uma qualidade de vida excelente e morar em um bom apartamento. Ela pretende fazer o Revalida ao voltar para o Brasil, mas seu maior desejo é trabalhar na Europa quando se formar.

Mariel Ramos, de 33 anos, também escolheu uma faculdade particular para seguir com os estudos em medicina. Morando na cidade de Buenos Aires há cinco anos, ela conta que os cursinhos pré-vestibulares a fizeram mudar os planos e optar por uma graduação no exterior.

"Tive vários gastos financeiros e emocionais. A pessoa acaba se dedicando muito e de forma intensa. Fora isso, o ingresso nas faculdades particulares acaba limitando o acesso e a pessoa tem que fazer um financiamento para entrar. É um ingresso extremamente difícil e você ainda fica com dívida", diz.

Formada em Ciências Sociais por uma faculdade federal do Paraná, ela resolveu trocar de área e planejou a mudança para a capital da Argentina. Porém, ao contrário de muitos estudantes que têm a ajuda dos pais ou conseguem seguir com a faculdade sem trabalhar, ela precisou fazer jornada dupla e tinha uma rotina estressante, conciliando trabalho e estudos.

"Já trabalhei de gerente administrativo em uma assessoria especializada em trâmites para brasileiros e equatorianos virem estudar aqui. Depois, como Inside Sales, em uma startup relacionada ao agro. Com a renda desses trabalhos, comecei um negócio próprio e desde maio estou só com ele", afirma.

Atualmente, ela estuda medicina no período noturno na UAI (Universidad Abierta Interamericana).

Sem ajuda dos pais, Mariel precisou conciliar o estudo de medicina com trabalho para se manter - Arquivo Pessoal via BBC

"Nas particulares até o quarto ano você consegue escolher o turno. Após esse período, a 'cursada' acontece nos hospitais e não tem opção de escolha". Ela conta que são seis horas todos os dias, incluindo aulas aos sábados, que vão das 8h às 14h.

Mesmo tendo um ritmo de vida mais puxado, ela afirma que vive muito bem com aproximadamente R$ 3 mil mensais.

"Pago R$ 1 mil por mês na minha faculdade e essa foi a melhor opção para mim. Tenho uma vida social bem ativa, gosto de bons restaurantes e entendo que hoje meu custo é um pouco elevado comparado com outras pessoas", diz.

Em relação aos cursos no Brasil, ela acredita não sair perdendo na escolha, pois as matérias são muito parecidas e até alguns termos usados também são semelhantes.

"Minha faculdade tem até hospital próprio e eu diria que 80% do vocabulário é o mesmo."

CONCLUIR O CURSO É DIFÍCIL

Embora o processo de admissão no curso pareça fácil, terminar a graduação de medicina no país pode ser bem demorado e complicado.

Ao contrário de muitas faculdades brasileiras, em que o professor passa as matérias para os alunos e há muitas aulas presenciais, em algumas instituições de ensino não há essa prática. No caso da UBA (Universidade de Buenos Aires) há métodos próprios e o estudante aprende muitas coisas sozinho.

Diego Alves Schmidt, de 20 anos, cursa o primeiro ano da carreira de medicina na instituição e defende os critérios adotados pela faculdade tanto na admissão dos alunos quanto nas provas.

Vindo de um ritmo "frenético" de aulas no cursinho pré-vestibular no Brasil, o estudante reforça que as matérias do primeiro ano foram bem tranquilas.

O jovem destaca que o método de entrada na faculdade é o mais adequado.

"Eu estava em um ritmo de cursinho, que hoje considero extremamente tóxico, e que consome sua saúde mental. A melhor coisa é não ter vestibular", diz.

'Eu estava em um ritmo de cursinho, que hoje considero extremamente tóxico, e que consome sua saúde mental', diz Diego - Arquivo Pessoal via BBC

Ela afirma ainda que as provas são orais, o que é considerado, na visão dele, um diferencial na graduação da Argentina. Além disso, é menos provável haver "colas" ou fraudes nos exames.

"O professor não vai correr atrás de ti. É bem diferente do Brasil e basicamente é muito do aluno", destaca.

O único ponto negativo destacado pelo estudante é a falta de contato com pacientes durante a graduação. Em alguns cursos de medicina no Brasil, o estudante tem uma troca logo no primeiro ano, enquanto que, na faculdade pública argentina, a prática clínica só irá ocorrer no quarto ano.

"No Brasil você começa cedo nos postinhos e UPAs, por exemplo", diz.

Assim como Diego, Gabriela Landini, de 18 anos, escolheu a UBA para cursar medicina na Argentina. Morando na capital há sete meses, ela conta que não achava justo ingressar em universidades por meio de um vestibular.

"Você fica muito tempo estudando em um cursinho ou pagando caro, no fim acaba não passando e se frustra. Eu conheço pessoas que fizeram cursinho por quatro anos, desistiram e mudaram de carreira", ressalta.

Ela desembarcou no país para realizar o sonho de ser médica e teve o apoio de toda a família, já que sua mãe também se mudou para o território argentino. A pesquisa para entrar na instituição pública começou com um ano de antecedência.

"Tivemos que legalizar todos os documentos escolares, pessoais e ainda tive que fazer uma prova de proficiência em espanhol, porque para fazer a inscrição na faculdade precisava ter pelo menos um certificado com um nível B2 no idioma", diz.

Ela também é a favor do método de ensino aplicado pela faculdade e ressalta que isso é um diferencial frente ao Brasil.

Gabriela também desembarcou na Argentina para realizar o sonho de ser médica - Arquivo Pessoal via BBC

"Aqui os estudantes são mais autônomos e vejo um incentivo para o aluno ir buscar e aprender sobre o assunto por conta própria", diz.

Mesmo estando no primeiro ano de ensino, ela afirma que não pretende exercer carreira em território nacional. "Quero ir para Espanha e mais para frente posso até escolher algum outro país da Europa", diz.

DEFICIÊNCIA COMEÇA NO ENSINO DE BASE

Mesmo o Ministério da Educação da Argentina e o governo do país não divulgando os números de quantos brasileiros entram todos os anos para cursar medicina em território argentino, a presença desses estudantes é muito forte por lá.

"Na minha sala tem 60% de brasileiros", destaca Nattascha. Já Maria Alice também afirma que pelo menos um quarto dos alunos da sua graduação são estudantes do Brasil. Essa debandada pode ser atribuída a questões sociais, econômicas e educacionais.

Segundo Evelise Labatut Portilho, pós-doutora em Educação e professora do programa stricto sensu de Pós-Graduação em Educação da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), o problema do acesso a faculdades de medicina no Brasil se dá, principalmente, pelas carências no ensino de base.

A especialista também afirma que métodos como vestibulares só servem ainda mais para excluir candidatos e aumentar a desigualdade educacional.

"Tem alunos que não conseguem ler e fazer um cálculo mental. A solução para isso é que as instituições deixem de ser empresas e voltem a ser instituições de ensino", opina.

Considerada uma profissão ainda elitista, cursar medicina no Brasil requer muito dinheiro se o candidato ingressar em uma faculdade particular ou anos de estudo para recuperar as matérias que não foram aprendidas durante o ensino médio em uma escola pública, por exemplo.

Sandro Schreiber, presidente da ABEM (Associação Brasileira de Educação Médica), ressalta que é necessário democratizar o acesso para que não haja essa "fuga" de estudantes.

"As políticas de cotas melhoraram muito, mas ainda é um curso muito elitizado. Investir nisso seria uma das formas e é até mais eficiente para mudar o perfil da formação médica no Brasil", diz.

Contudo, Schreiber não vê como uma problemática um profissional se formar em outro país. "Se o médico está bem formado, ele sabe onde buscar conhecimento das coisas que ele não aprendeu", diz.

Para ele, o mais importante é olhar para a formação médica que deve, sobretudo, cumprir um papel social na saúde da população.

"O médico no Brasil precisa ser um profissional que atue numa política social e não são todos os países que fazem isso. Isso não é verdade em qualquer lugar. Estados Unidos, por exemplo, não faz isso", destaca.

Ele ainda chama atenção para a melhoria das universidades que oferecem medicina no Brasil. Segundo o presidente da ABEM, falta fiscalização em relação ao ensino oferecido nessas instituições, incluindo as da rede pública e privada.

"O Estado precisa autorizar cursos em locais que haja necessidade e, claro, realizar avaliações periódicas. Isso não tem sido exercido e precisa ser retomado com urgência."

De acordo com os últimos dados divulgados pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), o Brasil tem atualmente 353 faculdades de medicina, sendo que 173 delas foram abertas entre 2011 e 2021.

É NECESSÁRIO REVALIDAR O DIPLOMA

Terminar a graduação no país vizinho e voltar para o território nacional não é tão simples, caso o brasileiro queira exercer a profissão de médico.

Ao retornar, é necessário prestar o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira, conhecido como Revalida. A prova é destinada aos estrangeiros formados fora do país e a brasileiros que se graduaram no exterior. A avaliação é dividida em duas etapas eliminatórias, que possuem provas escritas e de habilidades clínicas.

"É essencial que o Brasil tenha essa avaliação da qualificação. Em outros países são realizadas até outras exigências quanto à prática e o local de formação. Há uma perspectiva de que nos Estados Unidos só serão habilitados para fazer a prova, estudantes que tenham se formado em escolas de qualidade", explica Julio Braga, coordenador da Comissão de Ensino Médico do Conselho Federal de Medicina.

Schreiber também defende o modelo de prova e acredita que mesmo que o exame reprove muita gente, não é uma prova inatingível.

"Obviamente pode haver adequações e revisões, mas não é uma avaliação impossível", diz.

Braga acredita que o alto índice de reprovação se dá à baixa qualificação dos estudantes.

"Inicialmente, o exame é feito dentro de metodologias bem reconhecidas, a imensa maioria não questiona a qualidade do Revalida. Então, a baixa taxa de aprovação não é porque o exame seja ruim. Eu acredito que os formados no exterior na verdade não têm a capacitação adequada. Muitos fizeram medicina em países cuja metodologia e prática são questionáveis."

Atualmente, o Revalida pode ser feito duas vezes ao ano, no primeiro e segundo semestre. De acordo com dados divulgados pela instituição, no segundo semestre durante a primeira etapa, 5.259 brasileiros se inscreveram no teste, sendo que 680 foram aprovados, correspondendo a 12,93%.