Lançamento | Galpão de Milongas
"O Silêncio da
Cuia" não é apenas uma música, é um retrato da alma de quem vive
"mais pra dentro que fora". A canção explora a figura do homem do
campo que, sob um rosto curtido e de poucas palavras, guarda um universo de
sentimentos. É uma homenagem à varanda, ao galpão e ao companheiro de todas as
horas: o chimarrão. Para quem sabe que o silêncio é a voz de quem conhece o
peso exato da solidão. Se você também encontra respostas na poeira da estrada e
no amargo do mate, essa milonga é para você. 👇 Comente abaixo: O que você
costuma pensar quando está tomando seu mate sozinho?
O silêncio
da Cuia
O homem que sorve o mate no
galpão,
Esconde um mundo atrás do seu
olhar.
A água quente que corre na mão,
Não lava a mágoa que o faz calar.
Por fora é pedra, é rosto
curtido,
Por dentro é sanga que busca o
rio.
O verbo fica no peito contido,
Guardando o fogo pra espantar o
frio.
A charla morre antes de nascer,
Pois há segredos difíceis de
dizer.
O mundo é vasto, dizem os
doutores,
Mas a varanda é o meu universo.
Aqui eu curo as minhas próprias
dores,
Sem precisar de discurso ou de
verso.
O amargo desce e adoça a memória,
De quem viveu mais pra dentro que
fora.
Não sou herói de nenhuma
história,
Sou só vivente que espera a
aurora.
E nesse rito de encher e beber,
Eu vou tentando, aos poucos, me
entender.
Se alguém pergunta o que penso da
vida,
Eu passo a cuia e não digo nada.
A resposta certa, talvez perdida,
Está na poeira da longa estrada.
O silêncio é a voz de quem
conhece,
O peso exato da solidão.
E enquanto a tarde devagar desce,
Eu me recolho no meu coração.
Eu me recolho...
No meu coração.
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