terça-feira, 24 de fevereiro de 2026


O SILÊNCIO DA CUIA | Música Gaúcha |
Lançamento | Galpão de Milongas

"O Silêncio da Cuia" não é apenas uma música, é um retrato da alma de quem vive "mais pra dentro que fora". A canção explora a figura do homem do campo que, sob um rosto curtido e de poucas palavras, guarda um universo de sentimentos. É uma homenagem à varanda, ao galpão e ao companheiro de todas as horas: o chimarrão. Para quem sabe que o silêncio é a voz de quem conhece o peso exato da solidão. Se você também encontra respostas na poeira da estrada e no amargo do mate, essa milonga é para você. 👇 Comente abaixo: O que você costuma pensar quando está tomando seu mate sozinho? 

O silêncio da Cuia

O homem que sorve o mate no galpão,

Esconde um mundo atrás do seu olhar.

A água quente que corre na mão,

Não lava a mágoa que o faz calar.

Por fora é pedra, é rosto curtido,

Por dentro é sanga que busca o rio.

O verbo fica no peito contido,

Guardando o fogo pra espantar o frio.

A charla morre antes de nascer,

Pois há segredos difíceis de dizer.

 

O mundo é vasto, dizem os doutores,

Mas a varanda é o meu universo.

Aqui eu curo as minhas próprias dores,

Sem precisar de discurso ou de verso.

O amargo desce e adoça a memória,

De quem viveu mais pra dentro que fora.

Não sou herói de nenhuma história,

Sou só vivente que espera a aurora.

E nesse rito de encher e beber,

Eu vou tentando, aos poucos, me entender.

 

Se alguém pergunta o que penso da vida,

Eu passo a cuia e não digo nada.

A resposta certa, talvez perdida,

Está na poeira da longa estrada.

O silêncio é a voz de quem conhece,

O peso exato da solidão.

E enquanto a tarde devagar desce,

Eu me recolho no meu coração.

 

Eu me recolho...

No meu coração.

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