terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Central Térmica Uruguaiana busca voltar a operar

Pertencente à Âmbar Energia, complexo na Fronteira Oeste está inoperante desde 2022 e participará de concorrência federal no dia 18 de março

Pertencente à Âmbar Energia, complexo na Fronteira Oeste está inoperante desde 2022 e participará de concorrência federal no dia 18 de março

/AMBAR ENERGIA/DIVULGAÇÃO/JC

Jefferson Klein
Jefferson KleinRepórterDepois de produzir energia pela última vez em 2022, a usina a gás natural de Uruguaiana, pertencente à empresa Âmbar Energia, pretende retomar a sua geração. Para isso, o complexo almeja disputar um leilão, promovido pelo governo federal, previsto para ocorrer em 18 de março.
A Âmbar Energia encaminhou na semana passada a solicitação ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para obter uma declaração de regularidade ambiental para a termelétrica. Procurada pela reportagem do Jornal do Comércio (JC), a Âmbar reforça que a térmica “está em plena conformidade com suas obrigações ambientais perante todos os órgãos responsáveis. A declaração solicitada é uma mera formalidade para a possível participação da usina em leilões de energia”.
A unidade tem capacidade instalada de 640 MW (o que corresponde a cerca de 15% da demanda média de energia do Rio Grande do Sul). O gás para alimentar a termelétrica, em caso de uma retomada das suas atividades, virá da Argentina e poderia ser oriundo da reserva de Vaca Muerta ou por meio de gás natural liquefeito (GNL), que pode vir do porto de Bahía Blanca.
O certame que a térmica gaúcha pretende disputar é um Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP). Esse tipo de mecanismo prevê uma energia de reserva, em que a atividade da usina ocorre em casos de limitações de gerações mais baratas ou picos de demanda elétrica, por exemplo. Uma ferramenta de segurança para o setor elétrico.
No total do leilão do dia 18 de março, foram cadastrados para a disputa 311 projetos de térmicas a gás natural, que somam uma potência de 112.870 MW, 16 ampliações de hidrelétricas (6.076 MW) e mais três térmicas a carvão (1.440 MW). Para o gerente de Transição Energética do Instituto Internacional Arayara, John Fernando de Farias Wurdig, o envolvimento das fontes fósseis nesse certame representa um retrocesso para o setor elétrico nacional. “Se era para ter um leilão de energia de reserva, essa reserva deveria ser feita por baterias”, defende Wurdig.
Essas baterias seriam alimentadas por fontes renováveis como a solar e a eólica. Para Wurdig, é necessária uma grande reforma e renovação do sistema elétrico nacional. Particularmente quanto à possibilidade da participação de usinas a carvão na disputa, o integrante do Instituto Internacional Arayara adverte que essa situação cria riscos para o certame de ser alvo de ações judiciais questionando essa situação.

Além da usina a gás natural de Uruguaiana, a Âmbar Energia possui no Rio Grande do Sul a térmica a carvão Candiota 3. No entanto, esse empreendimento já tem sua energia contratada e não participará do leilão de março. 

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