Conab libera R$ 73,6 milhões para arroz na atual safra, e RS concentra recursos
Claudio MedagliaRepórterA Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou nesta quinta-feira (26) a liberação de R$ 73,6 milhões para apoiar a comercialização de arroz da safra 2025/26. A medida prevê o escoamento de cerca de 300 mil toneladas das regiões produtoras para os centros consumidores e contempla produtores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão.
Principal produtor nacional, o Rio Grande do Sul concentrará a maior parte dos recursos: R$ 61,3 milhões, com foco no escoamento de aproximadamente 250 mil toneladas — mais de 80% do volume total previsto.
O anúncio foi feito pelo presidente da estatal, Edegar Pretto, durante a 36ª Abertura da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, em Capão do Leão. Segundo ele, a decisão ocorreu após nova rodada de diálogo com entidades do setor.
“Escutamos mais uma vez o setor e, como estamos atentos à realidade dos produtores, atuamos no núcleo do governo em busca do orçamento. A Conab cumpre seu papel de proteger quem produz alimentos e assegurar equilíbrio ao mercado”, afirmou Pretto.

Durante o anúncio em Capão do Leão, Pretto (Centro) e Nunes (Direita) sinalizaram sintonia com demandas do setorCATIANA MEDEIROS/CONAB/DIVULGAÇÃO/JC
No Estado, a iniciativa ocorre em um contexto de preços abaixo do mínimo oficial. O valor médio recebido pelo produtor gaúcho está em R$ 53,27 por saca de 50 quilos, enquanto o preço mínimo estabelecido é de R$ 63,74 — diferença superior a R$ 10 por saca.
Os recursos serão operacionalizados por meio do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e do Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), mecanismos da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). No Pepro, o produtor ou cooperativa vende pelo valor de mercado e recebe um prêmio complementar até atingir o preço mínimo, mediante comprovação do escoamento. No PEP, o incentivo é concedido à empresa compradora, que adquire o produto pelo preço mínimo e recebe subvenção para transportá-lo ou destiná-lo ao beneficiamento.
As operações dependem da publicação de portaria interministerial pelos ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Fazenda. Após isso, a Conab divulgará as regras e o cronograma de leilões.
O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grade do Sul (Federarroz), Denis Dias Nunes, observou que a demanda foi levada à Conab em janeiro, diante da necessidade de apoio para o setor suportar os baixos preços do mercado. "Temos conversado e encontrado o melhor caminho no orçamento da Conab. Essa medida ajuda a trazer suporte financeiro para aliviar situação dos produtores e auxiliar no escoamento da safra para que os preços comecem a reagir", observou o dirigente.
Ele acrescentou que não faltará produto para o abastecimento interno. "Tenho dito ao governo que não se preocupe. Nós temos capacidade de virada de chave para garantir segurança alimentar com arroz para o Brasil", complementando que os recursos serão essenciais para socorrer a economia principalmente da Metade Sul do RS.
Com o novo aporte de R$ 73,6 milhões, o volume de recursos destinados ao setor arrozeiro desde 2024 chega a R$ 716,8 milhões. Desse total:
- R$ 162,2 milhões foram aplicados em 2024 por meio de Contratos de Opção de Venda (COV).
- Em 2025, os aportes somaram R$ 481 milhões, sendo R$ 181 milhões em novos COVs, R$ 200 milhões para Aquisição do Governo Federal (AGF) e R$ 100 milhões para operações de PEP e Pepro, instrumentos voltados à sustentação de preços e ao escoamento da produção.
Ao todo, as medidas contemplaram 1,13 milhão de toneladas de arroz.
As projeções indicam retração na área e na produção. A Conab estima colheita de 7,5 milhões de toneladas no Rio Grande do Sul, em 905,2 mil hectares. Já o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) divulgou números mais recentes apontando área plantada de 891,9 mil hectares no Estado, redução de 8,06%. A produção gaúcha deve ficar entre 7,5 milhões e 7,8 milhões de toneladas.
Mesmo com a menor oferta projetada, a pressão sobre os preços mantém a necessidade de instrumentos de apoio à comercialização, especialmente no Rio Grande do Sul, responsável pela maior parcela do arroz produzido no País.


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