quinta-feira, 1 de agosto de 2024


01 de Agosto de 2024
360 GRAUS - 360 graus

O verde na busca por imóveis

Nada a ver com discurso "ecochato". Uma pesquisa da startup Loft, que atua no mercado imobiliário brasileiro, revelou um dado para lá de interessante sobre o Rio Grande do Sul. Realizada em parceria com a Offerwise, a enquete fez a seguinte pergunta aos entrevistados de 12 Estados: quando você pensa no imóvel ideal, quais são as características que mais valoriza?

Os gaúchos registraram o maior percentual na alternativa "arborização" (quantidade de árvores ou de áreas verdes nas proximidades). O item foi apontado como importante para 57% das pessoas ouvidas no RS. Na sequência, veio o Distrito Federal, com 55% das preferências.

O resultado é um indicativo de que cidades e empreendimentos que não priorizam questões ambientais tendem a se tornar menos atrativos, inclusive economicamente.

Da pior forma possível, todo mundo já se deu conta de que viver em bairros sem plantas (não só de grande porte, mas também jardins com flores e folhagens) afeta a qualidade de vida, em especial nos períodos de calor extremo, cada vez mais comuns em tempos de emergência climática. Árvores são fundamentais.

Onze opções

Além do item "arborização", havia outras 11 opções elencadas na pesquisa, entre elas "vizinhança segura", "infraestrutura do bairro", "fácil acesso a vias importantes", "quintal ou espaço para lazer" e "proximidade do trabalho ou da faculdade".

O estudo contou com mil entrevistas online, realizadas entre os dias 4 e 7 de junho, em uma amostra representativa da população brasileira adulta. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Em nível nacional, as opções mais citadas foram "vizinhança segura" (65% das respostas), "vizinhança tranquila" (61%) e "infraestrutura do bairro" (57%). Correndo sério risco de ser taxada de "bairrista", eu diria que os gaúchos estão pensando além do óbvio. _

Parque Itaimbé mais colorido em Santa Maria

O Itaimbé, principal parque de Santa Maria, localizado na área central da cidade, está mais colorido.

Quatro quadras esportivas foram reformadas com recursos da prefeitura e do governo do Estado. Três delas receberam pinturas especiais, inspiradas na lenda de Imembuí.

Segundo a história, Santa Maria teria nascido do amor da indígena Imembuí (integrante da etnia Minuano, que vivia às margens do riacho Itaimbé) por um bandeirante português aprisionado pela tribo. Os filhos do casal teriam sido os precursores do povoamento do município.

A obra tem a assinatura do artista Cauê Toledo, que teve o apoio de Israel Caetano, Rafael Itaqui e Onose na execução.

Se você reparar bem, a arte também ganhou um letreiro: "Eu amo Ita", uma declaração de amor ao parque urbano, muito querido dos santa-marienses. _

Medalha de bronze na China

Com apenas 19 anos, Rodrigo Mann Schaidt destacou-se no 38º China Adolescents Science & Technology Innovation Contest, em Tianjin. Ele é aluno do curso técnico em Eletrônica da Fundação Liberato Salzano Vieira da Cunha, em Novo Hamburgo, e foi o único brasileiro na disputa, graças ao Prêmio Killing de Tecnologia (que ele venceu em 2023 na Mostratec).

Schaidt projetou um software chamado SinaPort, para a tradução da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para o português, usando redes neurais. _

Projeto "Visitas Culturais"

Vem aí mais uma edição do projeto Visitas Culturais, uma baita iniciativa da Arquidiocese de Porto Alegre.

Dessa vez, o roteiro envolverá a Igreja Nossa Senhora da Conceição, o Museu de História da Medicina e o Centro Histórico-Cultural da Santa Casa, com foco na trajetória e no acervo de cada local.

Será no dia 10 de agosto, a partir das 9h. Inscrições gratuitas (e todos os detalhes) em gzh.digital/visitasculturais. _

A "hackathona" do Poder Judiciário

Cada grupo é desafiado a apresentar as melhores propostas para solucionar desafios reais. Por exemplo: como usar a inteligência artificial para automatizar a emissão de documentos, como agilizar a movimentação de processos, como melhorar a gestão de grandes volumes de dados etc. A premiação dos vencedores é amanhã. _

360 GRAUS

01 de Agosto de 2024
EDITORIAL

EDITORIAL

O lado em que o Brasil deve estar

O governo Luiz Inácio Lula da Silva deve uma posição clara sobre a eleição presidencial da Venezuela. É preciso que diga logo se está ao lado dos valores democráticos ou explicite as razões que vê para arbítrios cometidos por ditaduras de esquerda serem tolerados. Os indícios de farsa no pleito que oficialmente deu novo mandato ao autocrata Nicolás Maduro são abundantes.

Até aqui há dubiedade do Palácio do Planalto. Mesmo que o Itamaraty e o próprio Lula tenham referido a necessidade da divulgação das atas de votação, para que se possa conferir a informação divulgada pelo Conselho Nacional Eleitoral, o presidente brasileiro deu na terça-feira uma declaração desastrosa ao avaliar que o quadro na Venezuela seria de normalidade e a oposição poderia recorrer ao judiciário se considerasse a existência de fraude. Como se a justiça no país vizinho fosse um poder independente, e não controlada pelo regime, como de fato é. Além de minimizar os sinais gritantes de irregularidades, Lula ignorou as expulsões de representações diplomáticas, as centenas de prisões de adversários políticos e as mortes após a eclosão de manifestações.

A hesitação colide com o entendimento da esmagadora maioria das nações em que há respeito ao Estado democrático de direito e com a avaliação de observadores internacionais. É mais um episódio em que a política externa do atual governo põe o Brasil na contramão das principais democracias. Vem sendo assim nas manifestações sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia, igualando agressor e agredido. Repetiu-se com a condescendência com o grupo terrorista Hamas, após o ataque sem precedentes a Israel no ano passado.

Ao contrário de vacilações anteriores, o Itamaraty emitiu nota ontem em que "condena veementemente" o assassinato líder do Hamas, Ismail Haniyeh, em Teerã, capital do Irã. Trata-se do principal chefe de extremistas que não titubeiam em matar quem quer que seja para alcançar seus objetivos. Não há registro de condenações de países democráticos à eliminação do terrorista Osama bin Laden, pelos EUA, em 2011, no Paquistão. Haniyeh estava em Teerã para a posse do novo presidente do Irã. O vice-presidente Geraldo Alckmin foi enviado à cerimônia, no país que é o grande financiador do Hamas. Um constrangimento para um democrata como Alckmin e para o Brasil.

De volta à crise na América do Sul, convém lembrar que uma democracia autêntica pressupõe eleições competitivas, alternância de governos, poderes independentes, liberdade de expressão e de imprensa e respeito aos direitos humanos. Nada disso existe na Venezuela, que há um quarto de século está sob o tacão opressor do chavismo. O resultado até aqui foi a disparada da miséria e 7 milhões de refugiados.

Um dos motes da campanha de Lula foi alertar para o risco de uma ruptura institucional no Brasil. Teria sido um embuste? Na verdade, Lula considera que ditaduras amigas são aceitáveis? Chega o momento de o presidente decidir se permanecerá aferrado a um pensamento ideológico decrépito e envergonhará os brasileiros ou vai corrigir o rumo e alinhar o país à defesa dos princípios democráticos. 


01 de Agosto de 2024
BALANÇO DE 2023

BALANÇO DE 2023

Dois celulares foram furtados ou roubados a cada hora no RS

Balanço de 2023

Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que mais de 17,3 mil aparelhos foram levados por ladrões no ano passado no Estado. Número é ligeiramente inferior ao de 2022, mas o detalhamento da estatística indica aumento dos episódios em que há violência ou ameaça às vítimas

- Uma colega minha estava falando no telefone e o arrancaram da mão dela aqui na Voluntários. Depois disso, eu geralmente entro em uma loja ou farmácia para falar. Até evito tirar o celular da bolsa. Só falei agora porque estou esperando meu esposo - relata.

Assim a dona de casa evita entrar para uma estatística pela qual, a cada hora, dois celulares são levados por criminosos no Estado. A média se embasa nos dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que apontou o roubo ou o furto de 17.360 celulares no RS no ano passado. No Brasil, roubos e furtos somaram 937.294 registros no mesmo período.

O Anuário aponta que em 2023 houve aumento de 10,1% nos roubos de celulares (quando há violência ou ameaça) e redução de 2,8% nos furtos, que ocorrem de forma sorrateira, sem que a vítima perceba.

O comandante-geral da Brigada Militar, coronel Cláudio dos Santos Feoli, pontua que a maior parte dos casos registrados como roubo não tem violência física, mas ocorre porque os criminosos geralmente fazem alguma ameaça às vítimas.

Apesar do aumento nos roubos de celulares em relação a 2022, houve redução de 27% na comparação com 2019, quando o RS teve 4.822 registros.

Já os furtos, que tiveram queda expressiva durante a pandemia, chegando a 10,2 mil registros, aumentaram novamente e voltaram à faixa dos 14 mil casos em 2022. Já em 2023, retomaram a curva de redução.

Os dados do Anuário ainda apontam que, em 2023, 78,9% dos roubos e 20,3% dos furtos de celulares no Rio Grande do Sul ocorreram na rua. O levantamento nacional também aponta que o sábado é o dia da semana com maior incidência (18%) de casos no país.

Operação Mobile

O chefe da Polícia Civil gaúcha, delegado Fernando Sodré, destaca que esses crimes são combatidos pela Operação Mobile, ação permanente da Secretaria da Segurança Pública do Estado.

- A Polícia Civil fez várias operações envolvendo quadrilhas que furtavam celulares, com resultados positivos. A Brigada Militar intensificou o patrulhamento nas áreas -ressalta Sodré. _

Dados mostram que o sábado é o dia em que mais ocorrem crimes do tipo

Jean Peixoto

01 de Agosto de 2024
INFORME ESPECIAL

A cara e o cérebro do terrorismo

Ismail Haniyeh era o rosto e a mente do grupo terrorista Hamas. Mal comparando, era uma espécie de Osama bin Laden da organização extremista palestina.

Em um grupo que se esconde em túneis e usurpa a causa para espalhar o horror, Haniyeh era a figura mais conhecida. Também pudera, tendo fugido da Faixa de Gaza e protegido por regimes autoritários, como o Catar e a Turquia, desfrutava da liberdade da qual os palestinos comuns, refugiados em seu próprio território conflagrado, não dispõem.

Morto ontem em um ataque aéreo no Irã, provavelmente perpetrado pela aviação de Israel, Haniyeh era também o cérebro do Hamas. Nenhuma folha se movia em Gaza sem que ele soubesse.

Mesmo que o arquiteto dos ataques terroristas de 7 de outubro de 2023 contra o território israelense tenha sido Sahya Sinwar, Haniyeh era o comandante maior. A partir de seu refúgio de luxo, banhado pelo Golfo, ele atuava nos bastidores, buscava contatos internacionais e angariava recursos financeiros para a organização realizar suas ações armadas.

Ele só chegou aos 62 anos porque fugiu dos territórios palestinos - caso contrário, teria sido eliminado muito antes, como a maioria de seus lugares-tenentes, e alguns familiares. Em abril, por exemplo, seus três filhos e quatro netos foram mortos em uma ação israelense na Faixa de Gaza.

Era frio e calculista. Mesmo diante de perdas pessoais, adotava um tom pragmático: Você não precisa chorar. Deve ser firme e estar pronto para a vingança - costumava dizer.

Foi assim, por exemplo, que reagiu à eliminação de seu mentor espiritual e fundador do Hamas, sheik Ahmed Yassin.

Sua morte agora é, sem dúvida, um golpe para a organização terrorista - o maior desde a morte do próprio Yassin, em 2004. Mas não o seu fim.

Como uma hidra (o animal mitológico que quando tem cortada uma de suas cabeças surgem outras), o Hamas tem uma fileira de líderes entocados nos túneis de Gaza e fora dos territórios palestinos prontos para assumir sua posição. _

o que diz o brasil

O Itamaraty condenou, por meio de nota, o ataque aéreo que matou o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, em Teerã.

O comunicado afirma que o Brasil repudia o "flagrante desrespeito" à soberania e à integridade territorial do Irã, em clara violação aos princípios da Carta das Nações Unidas. Segundo o órgão, atos de violência, sob qualquer motivação, "não contribuem para a busca por estabilidade e paz duradouras no Oriente Médio".

Alckmin estava no evento representando o Brasil.

Além dele, outros 22 líderes mundiais participaram da cerimônia. Outros personagens que chamaram atenção em outros momentos ao lado do vice-presidente foram Mohammed Abdulsalam (porta-voz dos Houthis), Ziyad Al-Nakhalah (chefe da Jihad Islâmica) e Naim Assem (vice- líder do Hezbollah). _

Alckmin esteve com líder do Hamas horas antes do ataque

Computadores do STJ para o RS

O Rio Grande do Sul recebeu 1.180 equipamentos de informática doados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os itens serão encaminhados para escolas estaduais que perderam computadores durante a enchente de maio.

A doação foi mobilizada por meio do Escritório de Representação do RS, em Brasília. Agora, os itens, que chegaram na terça-feira ao Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), serão distribuídos pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc).

- Começamos a pensar em respostas rápidas. Se esperasse a água baixar para licitar os computadores, demoraria muito - explica o secretário-executivo Henrique Pires.

Com isso, foi formalizado um pedido ao STJ, que foi atendido pela presidência do órgão. _

Um quirguiz entre nós 

Ele é professor de matemática e já ensinou crianças na Bulgária e no Kuwait, além de ter lecionado em seu próprio país.

Para o ano letivo que começou ontem, a escola também está recebendo o sul-africano Ntuthuko Mazibuko. Ele é formado nos EUA e, antes de se tornar professor, atuou na indústria petroleira Schlumberger Oilfield Services, hoje conhecida como SLB.

Programa vai fomentar iniciativas afetadas na cheia

As inscrições vão até o dia 2 de setembro, e os projetos devem ser desenvolvidos em uma das 78 cidades contempladas no edital.

As iniciativas devem abranger eixos como Cultura e Integração; Educação e Capacitações; Florestas e Serviços Ambientais; Cidades Sustentáveis, entre outros. _

Rodrigo Lopes

31 DE JULHO DE 2024
CARPINEJAR

Vamos ao roteiro básico da jactância: um procurador do Estado de Minas Gerais estava acomodado no cinema de um shopping em Belo Horizonte. A pipoca e o refrigerante são servidos dentro da sala, naquelas mordomias de sala VIP. Você tem direito ao refil assim que termina, entretanto deve voltar para a bomboniere. O procurador não aceita, quer ser reabastecido na sua cadeira. Não pode se mexer por alguns metros, como todos ali. Ele, então, dirige-se para o atendimento disposto a xingar a funcionária e cobrar a injustiça. Repete a sina colonialista do carteiraço: "você não sabe com quem está falando?".

A atendente não o conhece e apenas responde educadamente: venho seguindo as regras. Na burocracia da onipotência, ele exige em vão falar com o gerente.

Sem receber as regalias, parte para a ignorância como um animal irado, solta desaforos, tenta agredir, é afastado por seguranças e cospe em direção ao rosto da moça. Depois, logo ele, que não admitia deixar de ver nem um minuto do filme, abandona a sessão e foge.

Descrevi fatos reais que aconteceram em início de julho. O cidadão foi encontrado pelo CPF que constava na nota. E tudo o que ele fez acabou devidamente gravado. Ele se retratou publicamente, estabeleceu indenização para a atendente e agora sofre sindicância profissional para apurar sua má conduta.

Mas o que eu desejo discutir é que, curiosamente, essas autoridades ou pessoas influentes nunca têm um chilique com o escalão de cima. Jamais explodem com seu chefe, ou com o coordenador de sua função. Sempre produzem um ataque de nervos, uma covardia moral contra alguém desfavorecido.

São surtos seletivos, hierárquicos. Não é tanta loucura assim, não perderam inteiramente a cabeça, porque mantêm o discernimento de quem eles podem atacar, tirando proveito da fragilidade e vulnerabilidade social de suas vítimas.

Escolhem as suas presas do térreo da sociedade. Não insultam seus pares de prestígio, seus iguais nas fileiras de favores. Jamais ele cuspiria no governador Romeu Zema. Ou no procurador-geral Paulo Gonet.

Ou seja, são atitudes premeditadas e controladas no interior da raiva.

Se ele não fosse filmado, se ele não registrasse o número do seu documento na nota, pediria desculpa espontaneamente? Haveria o peso da consciência? Ou o escândalo viral que circulou nas redes sociais é que precipitou a sua súbita e desesperada modéstia?

São acessos de menosprezo e preconceito próprios do elitismo, de abonados que se sentem numa posição superior, tendo como alvo preferencial trabalhadores do dia a dia.

Com infeliz frequência, testemunhamos maus-tratos a motoboys, a entregadores de delivery, a recepcionistas, a vendedores de lojas, a garçons, a frentistas. Os agressores nem sempre são descobertos, nem sempre existe uma câmera por perto. Estão acostumados com a impunidade das sombras. 

CARPINEJAR


31 de Julho de 2024
MÁRIO CORSO

A fábrica de TDAH

Você já teve, ou viu alguém tendo, dúvidas sobre se trancou a porta? Se desligou o forno? Ou que não sabe onde deixou as chaves? Não é um problema de memória, é falta de atenção. Quando você chaveou, ou não, a porta, estava com a cabeça em outro lugar. A ação funcionou no automatismo. Atos assim, em segundo plano, não são registrados, pois o foco estava no pensamento.

No caderno Vida, aqui na ZH, do dia 20/21 de julho, a psiquiatra Fabrícia Signorelli, esclareceu o que é o TDAH. Sua preocupação era o aumento de autodiagnósticos deste quadro clínico, vindos de informações superficiais nas redes sociais, causando uso de automedicação. Em resumo, temos pessoas que sofrem de algo, tomam medicações erradas e se afastam de um diagnóstico e tratamento correto.

O mundo digital é uma fábrica de falsos TDAH. As redes sociais induzem um funcionamento aleatório, o sujeito anda por vários assuntos sem foco. O tempo passa e ele não retém nada, mas é submetido a trocas constantes de assunto, sem nenhuma profundidade. É um fluxo mental que não cria uma hierarquia de importância, nem uma possibilidade classificatória dos temas. Essa diarreia mental é uma forma de hiperatividade que destrói a atenção profunda, não apenas dos portadores de TDAH, mas de todos usuários. 

MÁRIO CORSO

31 de Julho de 2024
DIRETO DA REDAÇÃO

Direto da Redação

A temporada de caça às medalhas está em pleno andamento. Até 11 de agosto, data de encerramento dos Jogos Olímpicos de Paris, o brasileiro só quer saber de ouro, prata e bronze. Não importa a modalidade: o essencial é ter compatriotas no pódio. Até aí, nada demais. Os outros países também torcem por seus representantes. 

O que me incomoda é a cultura do resultado imediato, que transforma atletas em heróis ou vilões num piscar de olhos. Rubens (Rubinho) Barrichello, Gustavo (Guga) Kuerten e Daiane dos Santos são exemplos emblemáticos desse comportamento injusto. Rubinho foi um dos mais longevos pilotos da Fórmula 1, onde permaneceu durante 19 anos. No entanto, mesmo reconhecido como talentoso, é até hoje motivo de piada por não conseguir repetir os feitos do lendário tricampeão Ayrton Senna, morto em 1994.

Três vezes campeão em Roland Garros, um dos templos sagrados do tênis mundial, o catarinense Gustavo Kuerten nunca foi motivo de gozação, mas sua trajetória também ilustra a instabilidade do apoio popular. Com suas vitórias, Guga colocou o tênis no calendário esportivo nacional. Porém, na medida em que uma lesão no quadril abreviou sua carreira exitosa, o interesse pela modalidade logo se esvaiu. O tratamento mais cruel foi reservado para a porto-alegrense Daiane dos Santos. A atual comentarista da TV Globo conquistou nove medalhas de ouro em copas do mundo de ginástica artística. 

Ela foi a primeira ginasta brasileira, entre homens e mulheres, a conquistar ouro no campeonato mundial. Figura reconhecida e exaltada na modalidade, Daiane possui dois movimentos batizados com o seu nome: o duplo twist carpado (Dos Santos I) e a evolução do primeiro, o duplo twist esticado (Dos Santos II). Pois, mesmo com esse vasto e brilhante currículo, ela foi impiedosamente criticada por ficar em quinto lugar e não conseguir uma medalha na Olímpiada de Atenas, em 2004.

Claro que ninguém está proibido de torcer, longe disso. Só não podemos transformar os atletas em produtos descartáveis, que só têm valor com uma medalha no peito. Precisamos entender nossos competidores como indivíduos, pessoas como nós, passíveis de sentimentos, falhas e limitações. Ao fazer isso, não apenas seremos mais justos: vamos contribuir também para o desenvolvimento de um ambiente esportivo mais humano, participativo e inspirador. _

Antonio Carlos Macedo

DIRETO DA REDAÇÃO


31 de Julho de 2024
EDITORIAL

EDITORIAL

Entre o anúncio e a entrega

A enchente de maio escancarou a exigência de reforço e recuperação dos sistemas anticheias existentes e de novas obras que preparem o Estado para futuros eventos climáticos extremos. São projetos ambiciosos e que demandam recursos vultosos. Mas, como mostram todos os cálculos sobre os prejuízos sofridos pelo Rio Grande do Sul, alguns na casa dos R$ 100 bilhões, negligenciar a prevenção é muito mais caro.

Só poderiam sair do governo federal, detentor da maior capacidade orçamentária, as verbas para este fim. É positiva, portanto, a informação de que serão destinados cerca de R$ 6,5 bilhões para drenagem urbana no Estado, por meio do PAC Seleções. São R$ 2 bilhões para recuperar e requalificar estruturas como diques e casas de bombas, hoje em condições precárias, e outros R$ 4,5 bilhões para novas proteções a partir de projetos já existentes, mas que terão de passar por uma revisão para adequá-los à nova realidade. Incluindo áreas como saneamento, mobilidade e regularização fundiária, o Rio Grande do Sul seria o destinatário de R$ 8,9 bilhões do PAC.

Feito o anúncio, etapa mais fácil de qualquer iniciativa governamental, deve-se passar à fase do detalhamento dos projetos e da divisão das responsabilidades para em seguida acompanhar a materialização das obras. O ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, disse ontem que o governo federal repassará as verbas, mas não será o executor. A tarefa caberá aos municípios, consórcios de prefeituras ou ao Estado, adiantou o ministro.

É preciso saber logo quem fará o quê. Trata-se de uma definição essencial. Há intervenções complexas, por exemplo, que contemplam mais de uma cidade ou toda uma região ligada a uma bacia hidrográfica. Espera-se que, em nome dos interesses do Rio Grande do Sul, os entes federados dialoguem e cheguem rapidamente a consensos para que todos os municípios e regiões vulneráveis do Estado possam ser beneficiados em prazo razoável. Também é importante a elaboração de projetos tecnicamente consistentes para mitigar os riscos de paralisação de obras. Seria inaceitável se desacertos envolvendo municípios, Estado e governo federal frustrassem essas iniciativas, criando apenas um jogo de empurra politizado em que um ente responsabiliza o outro pela obra que não anda.

Essa é uma preocupação derivada da constatação de que, no Brasil, costuma ser grande a distância entre o que é anunciado com estardalhaço e o que é entregue à população. O país é pródigo em projetos estruturantes audaciosos que dormitam em gavetas e obras de todos os portes iniciadas e inacabadas. Não cumprem as finalidades para as quais foram pensadas e se tornam mais um ralo por onde esvai o dinheiro dos contribuintes.

A sociedade gaúcha não deve tolerar que algo semelhante se repita. Pede-se clareza sobre as responsabilidades e a repartição de tarefas, celeridade na concepção e na readequação de projetos que protejam o Rio Grande do Sul de novas tragédias e agilidade na execução. 


31 de Julho de 2024
VITÓRIA DO PIRATINI

VITÓRIA DO PIRATINI

Novo confirma candidatura de Camozzato à prefeitura

Porto Alegre - Luiz Dibe

O partido Novo confirmou, em convenção ontem à noite, a indicação do deputado estadual Felipe Camozzato para concorrer a prefeito de Porto Alegre. Em ato no Palácio do Comércio, no centro da Capital, a legenda também anunciou que concorrerá com chapa pura, tendo a empresária do ramo gastronômico Raqueli Baumbach como vice.

Em seu pronunciamento, Camozzato fez menção à tragédia climática de maio, que trouxe prejuízos severos à cidade.

- Porto Alegre fracassou no sistema de proteção contra cheias. Gasta muito em educação e entrega pouco. Trata só 50% do esgoto. Sou a favor de concessão para que a população da Lomba do Pinheiro não precise pisar em esgoto. Acredito em educação e saúde com parceria - discursou.

Pedagoga de formação e sócia do restaurante Ratskeller Baumbach, um dos mais tradicionais da Capital e que também foi atingido pela enchente, Raqueli destacou sua disposição em participar da proposta de gestão municipal.

- É com muita alegria que aceito este novo desafio. Venho para somar e ajudar o partido. Queremos uma Porto Alegre melhor, que olhe para frente e para o novo - afirmou.

Nominata

Para o presidente do Novo em Porto Alegre, Carlos Molinari, a candidatura de Camozzato e Raqueli pretende ser competitiva e propositiva sob meta de impulsionar a maior nominata de candidatos a vereador já apresentada pela legenda:

- Serão 24 candidatos, dos quais nove são mulheres. Em 2020, foram 14 candidaturas e, em 2016, haviam sido 16 nomes. Seremos competitivos e queremos eleger uma bancada forte. _

Assembleia aprova reajuste e alterações nas carreiras

Vitória do Piratini

Projeto com impacto calculado em R$ 8 bilhões nos próximos três anos recebeu 48 votos favoráveis e dois contrários. Votação ocorreu após governo se ver obrigado a recuar e modificar o texto há menos de duas semanas. Mudanças atingem cerca de 106 mil servidores

Alteração nas carreiras, promoções e progressões, que serão atreladas ao desempenho.

Melhoria na remuneração dos servidores, alinhando a outros Estados e União.

Adoção do pagamento por subsídio, incorporando atuais salários e gratificações.

Carreiras serão escalonadas em seis graus (de A a F), com três níveis (I, II e III) em cada um deles.

Reajuste de 12,49% para a segurança pública, em três parcelas. Na Brigada Militar, reajuste no subsídio será compensado por redução na parcela de irredutibilidade, que reúne gratificações dos policiais; com isso, só um terço da corporação deve receber toda a correção.

Criação de 102 funções gratificadas para a Defesa Civil.

Contratação de 2,5 mil servidores temporários para auxiliar na reconstrução, além de 3 mil militares temporários para Brigada e Corpo de Bombeiros.

Paulo Egídio

As modificações abrangem inúmeras carreiras, dentre as quais estão engenheiros, servidores de escolas e médicos contratados pelo Estado. Também estão incluídas as chamadas "carreiras meio", como analistas, técnicos e especialistas em diferentes áreas. O governo garante que ninguém receberá menos do que a remuneração atual.

Outros 67 mil servidores da segurança pública terão reajuste de 12,49% nos subsídios. Para este grupo, não haverá mudanças na carreira. O texto ainda autoriza a contratação de 2,5 mil servidores temporários para ajudar na reconstrução do Estado (leia mais ao lado).

Oposição cobra mais Ajustes elevaram custo

A versão anterior previa repercussão financeira bem menor, de R$ 4,5 bilhões. O crescimento se deve à inclusão da contratação de militares temporários e criação de funções gratificadas.

Em rede social, Leite agradeceu aos deputados pela aprovação e afirmou que tudo "está sendo feito de maneira responsável com o caixa do Estado." 



31 de Julho de 2024
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

A ditadura escancarada

A bomba-relógio explodiu. Desde domingo, a Venezuela acumula todos os componentes para a consolidação de um golpe perfeito para a manutenção da ditadura. É quase um coquetel de ações articuladas nas entranhas do Palácio de Miraflores, sede do reino de Nicolás Maduro em Caracas: primeiro, uma vitória é anunciada sem detalhes dos números ou divulgação de atas de votação, após um apagão que o governo atribui a um ataque hacker. O objetivo prático dessa tática é criar desorientação, embaralhar as cartas, eventualmente apontar a culpa, se nada der certo, ao inimigo externo.

Diante da desconfiança internacional, o roteiro conhecido dos autocratas segue, com repressão interna, com feridos e mortes (ao menos 11 até ontem), que servem de argumento para o regime dobrar a aposta na violência - e justificá-la.

Terceiro, a prisão de líderes da oposição. O primeiro desse capítulo atual é Freddy Superlano, figura conhecida da política venezuelana. Não duvide, virão outros. Quarto, uma autoridade do governo vai à TV para afirmar que há uma tentativa de golpe em curso. O papel coube ao truculento ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, eminência parda do regime e, em geral, ventríloquo de Nicolás Maduro.

A ditadura inverte a realidade, colocando-se na figura de vítima, quando, na verdade, é algoz. _

Entrevista - Victor Del Vecchio

Analista político, advogado e mestre em Direito Internacional

"Mesmo em regiões maduristas, dessa vez havia opositores"

A coluna conversou com o analista político Victor Del Vecchio, de São Paulo. Ele está em Caracas e falou sobre o clima das ruas.

? Como você está acompanhando as informações das eleições?

A mídia aqui é muito cerceada, então felizmente existem hoje outras formas de nos informar, sobretudo mídias independentes, redes sociais, o que também traz uma outra questão que é a desinformação. Essas agências também têm, muitas vezes, um crivo de checagem menor, então tenho observado muita fake news em torno das eleições de todos os lados. Contudo, consegui, sobretudo nos atos da Maria Corina (líder da oposição), conversar com a imprensa que está aqui. E existem muitas pessoas, que inclusive são venezuelanas, mas estão vinculadas à imprensa de outros países que conseguem fazer uma apuração um pouco mais imparcial e com uma checagem de fatos também maior. E, claro, consumir também a informação que o governo oferece, sabendo do viés que ela entrega.

? Como foi o dia da eleição?

O clima no dia das eleições era de apreensão, mas pelo que pude acompanhar, foi um dia relativamente tranquilo na maior parte do país, claro, com alguns episódios isolados, mas que não comprometeram o processo eleitoral como um todo. Porém, ficou uma grande tensão e apreensão até o anúncio do resultado e quando, a partir disso, começou uma grande incerteza, que no dia seguinte já se tornou uma grande convulsão social com as ruas tomadas de protestos.

? Houve panelaços e protestos. O que mais chamou a atenção nos últimos dias?

Me chamou a atenção que ambos os lados têm um apoio muito grande, então presumir com base numa imagem do apoio popular que um lado ou o outro venceu seria impreciso, uma vez que ambos os lados possuem um grande apoio popular. Me chamou a atenção que mesmo em regiões que são historicamente chavistas ou maduristas, dessa vez havia opositores, tanto pessoas demonstrando apoio, quanto nos dias seguintes manifestando. _

Médicos do RS na disputa nacional

Nos próximos dias 6 e 7 de agosto, médicos gaúchos poderão escolher seus representantes para compor o Conselho Federal de Medicina (CFM). O RS conta com quatro chapas inscritas.

O processo se dará em formato online e a chapa eleita terá um mandato de cinco anos.

- Todos os Estados têm os seus representantes e isso é importante, pois podemos fazer reivindicações que outros não fazem - diz a presidente da Comissão Regional Eleitoral das Eleições para Conselheiro Federal do RS, Cláudia Muller. _

Chapa 1 - Fazendo a Diferença

Efetivo: Tatiana Bragança de Azevedo Della Giustina

Suplente: Marco Aurélio Grudtner

Chapa 2 - Autonomia-Valorização-Respeito

Efetivo: Carlos Orlando Pasqualotto Fett Sparta de Souza

Suplente: Gerson Junqueira Junior

Chapa 3 - CFM que Queremos

Efetivo: Rosângela Dornelles

Suplente: João Carlos Batista Santana

Chapa 4 - Tranforma CFM

Efetivo: Tânia Weber Furlanetto

Suplente: Luciano Haas

O reitor da UFRGS, Carlos Bulhões, faz mistério sobre seu futuro, quando deixar a gestão da universidade, após quatro anos. Sorri e desconversa até quando perguntado se irá descansar a partir de 20 de setembro, quando passa o bastão para a futura reitora Márcia Barbosa.

Equatorial em comitiva nos EUA

Uma comitiva brasileira está participando da Missão de Comércio Reverso de Tecnologias de Distribuição de Energia do Brasil, da Agência dos Estados Unidos para o Comércio e Desenvolvimento (USTDA). Entre os representantes, um membro da Equatorial Energia. A coluna apurou que esse representante cobre o Rio Grande do Sul.

A ideia é de que empresas dos EUA possam debater oportunidades de implantação de tecnologia digital no setor de energia elétrica do Brasil. Até a próxima semana, os representantes compartilham suas inovações. 

INFORME ESPECIAL

terça-feira, 30 de julho de 2024


30 de Julho de 2024
CARPINEJAR

25 anos de Sarau Elétrico

O Sarau Elétrico completa 25 anos, e sou o convidado especial de hoje, às 20h, no bar Ocidente, ao lado dos anfitriões Katia Suman, Luís Augusto Fischer e Diego Grando, com canja musical da cantora Izmália. O evento é um fenômeno sobrenatural de leitura. Um milagre. Um acontecimento cultural.

Integra o imaginário porto-alegrense. Dificilmente você encontrará vivente que nunca tenha ido. É como não ter provado o cachorro do Rosário, o PF do Tudo pelo Social, o sanduíche da Lancheria do Parque, o bauru do Trianon. É como nunca ter experimentado um xis na vida.

O público paga 40 pilas para ouvir livros. Não há nada semelhante no país. Dentro de uma casa noturna, acostumada a baladas, abre-se espaço semanalmente para um sarau, para que três amigos, sentados em banquetas altas num palco, repassem trechos de suas leituras prediletas.

Não são performances, não são esquetes: trata-se de um recital à moda antiga. Pela iluminação à luz de velas nas mesas, retorna-se magicamente ao século 19. - É o único evento regular, e o mais longevo do Brasil. Nunca carecemos de público, nunca deixamos de fazer - destaca Katia.

Já ocorreram 1.100 apresentações, já foram lidos aproximadamente 5 mil textos dos mais diferentes autores pelo trio de personalidades. Cinquenta mil pessoas passaram pela sua bilheteria, mais do que a lotação do Beira-Rio ou da Arena.

Desde 1999, antes mesmo dos audiobooks, do Spotify, dos podcasts, a voz é a protagonista. No ambiente de alta concentração, de afinadas emoções, não espere desavisados, tagarelas, perdidos, paraquedistas, gente sem noção. Ninguém trava conversas paralelas ou chega para fofocar. É o momento sagrado para escutar uma hora de narrativas e poemas.

- As pessoas vão para ouvir. O silêncio é letal. Se alguém fala alto, recebe censura dos outros - explica Katia. Certamente a oralidade do projeto aumentou a média de leitura na capital gaúcha. Seus efeitos colaterais são notórios: despertou a curiosidade por novos nomes da literatura e ampliou o debate sobre tabus de comportamento.

Além de contar presencialmente com cerca de cem testemunhas privilegiadas, o encontro é transmitido ao vivo pelo YouTube, em @saraueletrico, com a audiência de mais de mil internautas.

Existe um tema para nortear a escolha das obras, para garantir ordem à inspiração, para regrar a locução literária. Não se foge do assunto da noite, que pode ser fossa, ou solidão, ou recomeço, ou amizade, ou cancelamento, ou exílio, entre tantos.

- Já teve de tudo, haja criatividade para pautas - ri Katia. Os frequentadores assíduos formam uma comunidade de amor às letras. Correm boatos de que vários casamentos começaram ali, na mais profunda quietude, só na base da piscadela e do olhar cúmplice.

Estiveram no palco as mais distintas atrações, de Los Hermanos ao escritor português Gonçalo Tavares. O Sarau Elétrico, inclusive, alcançou a proeza de receber quatro vezes o tímido Luis Fernando Verissimo, num tetracampeonato de uma presença rara, já que o cronista é famoso pela discrição e recato.

Pergunto para Katia se falta convidar alguém. - Ah, sim, o Caetano Veloso podia aparecer lá. Quem sabe o cantor leia o apelo e se dê de presente no aniversário de um quarto de século do Sarau Elétrico. _

CARPINEJAR


30 de Julho de 2024
NÍLSON SOUZA

Um dia sem celular

O apagão cibernético do último dia 19, que prejudicou conexões e serviços essenciais em todo o mundo, incluindo aeroportos e hospitais, deixou a humanidade sobressaltada. O temido bug do milênio, que não passou de um pânico coletivo na virada de 1999 para 2000, mostrou sua cara real agora, embora sem a dimensão apocalíptica alardeada na ocasião. 

Mas causou estragos e deixou lições, especialmente para empresas e organizações que dependem de sistemas informatizados para funcionar - ou seja, quase todas. Muitas, pelo que sei, passaram a desenvolver planos próprios de prevenção e recuperação de desastres tecnológicos para garantir a segurança de seus dados e proteger seus ativos, o que inclui também treinamento adequado de pessoal para dar respostas imediatas aos clientes.

E nós, indivíduos, estamos preparados para um imprevisto desses? Se não estamos, deveríamos estar. Imaginemos, por exemplo, um apagão demorado de fornecimento de energia elétrica semelhante ao que aconteceu recentemente nas áreas mais atingidas pela enchente em nosso Estado. As filas para carga nos celulares nos raros pontos energizados deram uma ideia aproximada da nossa atual dependência da comunicação individual. Já não sabemos viver sem a telinha móvel.

Por isso, deveríamos prestar atenção numa experiência que vem sendo feita em algumas escolas do país como desafio à geração digital: passar um dia sem celular. Os defensores da ideia argumentam que é uma oportunidade para crianças e adolescentes se desconectarem, com o propósito de exercitar o corpo e a sociabilidade. Deveria ser também um treinamento para emergências, como nos desafios de grupos levados a lugares isolados com kit básico de sobrevivência.

Um dia sem celular, você consegue? Sem usar o aparelho como despertador pela manhã, sem consultar as horas nele, sem mandar zap para os amigos, sem chamar carro de aplicativo, sem fazer movimentação bancária online, sem vender nem comprar nada, sem ver as notícias do dia na palma da mão, sem passar a localização para familiares e amigos, sem postar nas redes sociais, sem se divertir com jogos ou vídeos engraçadinhos.

Se você é um analógico convicto, está dispensado deste treinamento para o apocalipse. _

NÍLSON SOUZA


30 de Julho de 2024
EDITORIAL

EDITORIAL - Uma eleição nada crível

São fartas as razões para suspeitar de que o resultado proclamado da eleição presidencial da Venezuela não traduz com fidelidade a vontade popular. Sequer se trata de desconfianças alardeadas somente por países com governantes identificados com a direita. Mesmo nações hoje lideradas pela esquerda, como Chile, Colômbia, Espanha, manifestam sérios questionamentos sobre a lisura processo. 

Conforme os números oficiais, divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) venezuelano, no momento em que a apuração estava 80% concluída, o autocrata Nicolás Maduro alcançava 51,2% dos votos. O oposicionista Edmundo González chegava a 44%. Os percentuais divergem da grande maioria das pesquisas de intenção de voto anteriores ao pleito.

A falta de transparência do órgão eleitoral, controlado pelo regime de Maduro, só reforça a suspeição de fraude em relação à contagem. O CNE, cujo site estava fora do ar até o início da noite de ontem por um suposto ataque hacker, informava apenas o resultado consolidado. Foi negado o acesso aos dados detalhados de cada urna. 

Sem a disponibilização das atas, que registram os votos por seção, não há como confirmar o desfecho. É o que pedem, de forma lógica e legítima, governos do Exterior e observadores internacionais. Somente desta forma será possível auditar o resultado. A oposição afirma ter obtido cerca de 40% das atas, e estas dariam a vitória a González. A resistência do CNE é sintomática.

A apuração sob forte suspeita está longe de ser o único elemento a contaminar a eleição venezuelana. Candidaturas inabilitadas sem justificativa plausível, perseguição e prisão de opositores e obstáculos para o voto dos desterrados se somam em um enredo que, desde o início, dava indícios de que o regime ditatorial de Maduro - com as forças armadas cooptadas e o judiciário e o parlamento dominados - faria qualquer manipulação e demonstração de força necessárias para permanecer no poder.

Pelas sombras que pairam, o governo brasileiro tem o dever moral de não reconhecer o autoproclamado triunfo de Maduro. O Itamaraty adotou uma postura de cautela, em um tom abaixo do esperado. Fala na necessidade da "verificação imparcial dos resultados" e diz que aguarda "dados desagregados por mesa de votação, passo indispensável para transparência, credibilidade e legitimidade do resultado do pleito".

O governo Luiz Inácio Lula da Silva e o próprio presidente da República pagam um preço alto por terem demorado a admitir as evidências de inexistência de um verdadeiro Estado democrático de direito na Venezuela. Resta agora a Lula escolher, sem hesitação, se vai cerrar fileiras ao lado dos princípios democráticos ou se permanecerá preso a dogmas ideológicos do tempo da Guerra Fria e chancelará um processo eivado de arbitrariedades.

Depois de 25 anos de chavismo, a permanecer a situação atual, com Maduro no poder por mais seis anos após uma eleição com um resultado inverossímil, são grandes as chances de o país voltar a sofrer sanções e o regime endurecer. A conta será paga pela população, com mais pobreza e repressão. 


SUSTENTABILIDADE

Agroflorestas crescem no Estado e se tornam alternativa após cheia

Sistema no qual árvores, cultivo de alimentos e até criação de animais ocupam o mesmo espaço vem se multiplicando no Estado nos últimos anos e é visto como estratégico diante das mudanças climáticas. Método permite a recuperação de áreas degradadas e pode auxiliar na contenção de cheias.

Um modelo de produção agrícola que, por meio da combinação de espécies, permite a recuperação de áreas degradadas em cidades. Embora o conceito não seja novo, os sistemas agroflorestais (SAFs) vêm sendo apontados, após a tragédia climática sem precedentes no Rio Grande do Sul em maio, como uma alternativa resiliente que contribui para conter cheias, manter a temperatura mais amena e, em casos de secas extremas, segurar a umidade. Além disso, o padrão é conhecido por auxiliar no controle de pragas e contribuir para a fertilidade do solo.

O sistema agroflorestal combina árvores perenes, que se mantêm ao longo do tempo, com plantas agrícolas de ciclo curto e até mesmo a criação de animais. Vários fatores devem ser considerados nesse consórcio, como o ciclo, a altura das plantas, a necessidade de sombreamento e a disponibilidade de água.

A certificação agroflorestal extrativista é disponibilizada desde 2013 pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema). Conforme o órgão, atualmente há 236 áreas cadastradas, com cerca de 1,5 mil hectares. Já dados do último Censo Agropecuário, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2017, apontam um crescimento de 23,6% nos estabelecimentos com SAF no Estado em um comparativo com 2006.

As experiências de sistemas agroflorestais no Estado envolvem, por exemplo, citricultura (no Vale do Caí), bananais (no Litoral Norte), erva-mate (na região nordeste) e doces coloniais, como compotas e geleias (no Sul).

A coordenadora adjunta do Mestrado em Ambiente e Sustentabilidade da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) e pós-doutora em sistemas agroflorestais Adriana Carla Dias Trevisan aponta que os sistemas agroflorestais são pensados a partir de desenhos técnicos, ou seja, há um planejamento para sua implementação, dependendo de características da região, do solo e até do vento.

- Eles têm como uma das premissas justamente a diversidade, enquanto o sistema produtivo tradicional da agricultura reduz essa pluralidade. Trabalha-se com plantas de diferentes alturas e necessidades nutricionais. A grande cereja do bolo é saber compor espécies que vão ser complementares entre si, e não vão competir - explica, lembrando que o modelo é utilizado há séculos por comunidades tradicionais indígenas.

Segurança alimentar

Os sistemas agroflorestais também servem como estratégia de segurança alimentar. Quando uma das espécies cultivadas sofre com a chuva ou uma praga, por exemplo, as demais permanecem como opção.

De acordo com a coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público (MP), procuradora de Justiça Ana Maria Moreira Marchesan, os SAFs têm potencial para entrar em projetos voltados à recuperação de áreas degradadas. Estão em estudo parcerias com a Emater e com universidades, além do uso do Fundo de Reconstituição de Bens Lesados (FRBL), para o desenvolvimento de novas agroflorestas. _

"Em um canteiro, é possível chegar a colher cinco culturas"

Um exemplar de sistema agroflorestal fica na zona rural de Porto Alegre, no extremo sul da Capital: é o Sítio Natural, no bairro Lami, idealizado por Roger Vianna, 46 anos, e Cristine Saldanha, 44, a partir de 2013. Cinco anos depois, o SAF começou a tomar forma.

- Inicialmente, arrendamos esta terra para ter um espaço na natureza para passar os finais de semana, além de plantar uma horta e pomar. O espaço antes era utilizado para pastagem de vacas, com um solo bem compactado, uma área bem degradada, e também não tínhamos muita água para irrigação - lembra Cristine.

O modelo foi apresentado por um amigo do casal. Eles decidiram, então, realizar um curso e implementar a proposta. Descobriram que era a solução que precisavam e seguem utilizando até hoje, inclusive participando de feiras orgânicas no bairro Tristeza, aos sábados.

- O sistema reduz muito a necessidade de irrigação e insumos, por exemplo. Eu digo hoje que, para a agricultura familiar, não existe sistema melhor que a agrofloresta, principalmente pela diversidade dela. Em um canteiro, é possível chegar a colher cinco culturas - acrescenta.

Atualmente, a propriedade de 10,6 hectares esbanja variedade: há cultivo de bergamotas, bananas, hortaliças, laranja, batata-doce, temperos, chás, maracujá, pimentões, erva- mate, entre outros.

- Estamos sempre fazendo testes, vendo o que é melhor. Vivemos na agrofloresta e eu digo que ela é um vício. Tu não consegues mais parar de fazer - conclui Cristine. 



30 de Julho de 2024
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

A naturalização da ditadura

Observadores podem denunciar, ONGs, espernear, e o governo brasileiro pode tentar ganhar tempo à espera das atas das mesas eleitorais (que, aliás, não aparecerão), mas a verdade é que, daqui algumas horas ou dias, ninguém mais lembrará do arremedo de eleição na Venezuela.

A apatia voltará a tomar conta em um triste processo de naturalização da ditadura bolivariana. Isso até a próxima bravata de Nicolás Maduro, alguma guerra fictícia que inventar nas barbas do Brasil ou uma nova leva de imigrantes venezuelanos, em fuga do regime, transbordar pelas fronteiras. Aí recomeça o ciclo: mais palavras duras, muita retórica, algumas ameaças. E, logo, o esquecimento.

Infelizmente, é assim: ou alguém lembra que um conflito armado segue em curso na Ucrânia ou entre Israel e o grupo terrorista Hamas?

A confirmação pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da vitória de Maduro na eleição de cartas marcadas de domingo, enquanto pesquisas respeitadas mostravam o líder opositor Edmundo González Urrutia com vantagens superiores a 30% não joga a Venezuela na incerteza. O país sul-americano já vive na incerteza há décadas.

Maduro não fez nada diferente do que o regime chavista-madurista vem fazendo há 25 anos: persegue oposição, prende detratores, dificulta a inscrição de candidatos contrários, realiza um pleito de faz de conta, dá um verniz democrático, prometendo respeitar o resultado e, depois, decide o mesmo.

O rei entronado no Palácio de Miraflores sabe que o mundo, ou a chamada comunidade internacional, esquece rápido. Grita-se por alguns dias, ocorrem os "cacerolazos", mas logo passa. Virão novas sanções. Mas também em seguida o regime se adapta. Só quem continua sofrendo são os venezuelanos, acossados pela "Revolução" transfigurada em autoritarismo. _

Entrevista

Carlos André Bulhões - Reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

"Vou fazer o que não fizeram comigo: uma transição decente"

A menos de dois meses de deixar o cargo, o reitor da UFRGS, Carlos Bulhões, recebeu a coluna para uma conversa sobre os quatro anos à frente da universidade. Sinuca de bico para o Brasil no reconhecimento das eleições

A nota divulgada pelo Itamaraty não reconhece a vitória de Maduro - nem cita seu nome - e pede as atas das urnas. Ao mesmo tempo, o assessor internacional da Presidência, Celso Amorim, afirmou a jornalistas:

- É meio difícil ter a proclamação sem ter a transparência, a disponibilidade das atas.

A proclamação ocorreu. Mesmo sem os documentos.

Agora, o Brasil precisa decidir: continuar o discurso de dias atrás que iria respeitar o resultado, ou seguir outros líderes internacionais e contestar o resultado sem a "transparência" pedida. _

INFORME ESPECIAL

segunda-feira, 29 de julho de 2024



29 de Julho de 2024
CLÁUDIA LAITANO

Radical livre

Uma jornalista americana comparou a escolha de J.D. Vance para compor a chapa com Donald Trump nas eleições de novembro à aquisição, por impulso, de um bem de luxo que o comprador no dia seguinte percebe que não vai conseguir pagar. Com a diferença de que Trump não tem a opção de devolver a mercadoria.

O senador J.D. Vance é jovem, articulado, vem de um "swing state" - Ohio, um dos Estados que oscilam entre democratas e republicanos - e ficou famoso com um livro de memórias que virou filme na Netflix (Era uma Vez um Sonho), em que conta como um garoto de uma família pobre do interior chegou a uma universidade de elite. Esses são seus pontos fortes. Ponto negativo: Vance é um radical, com pouca ou nenhuma disposição para amenizar seu discurso. Trump parecia tão convencido de que a eleição contra Biden estava no papo que se deu ao luxo de escolher um vice-presidente ótimo para agitar as bases, mas péssimo para conquistar moderados e indecisos. E então veio Kamala.

J.D. Vance traz para a arena pública ideias que nem mesmo os republicanos conseguem engolir com facilidade. Ninguém precisa ser de esquerda para ser a favor, por exemplo, dos tratamentos de inseminação artificial, da expansão das creches subsidiadas para famílias pobres, do direito ao aborto em casos de estupro ou incesto e de pedidos de divórcio por qualquer motivo ("no-fault divorce"). J.D. Vance é contra tudo isso, e essas nem são suas ideias mais exóticas.

Nos últimos dias, viralizou uma entrevista em que Vance compara Kamala Harris, provável adversária democrata, a uma "velha dos gatos", porque a atual vice-presidente é mulher, trabalha e não tem filhos - o que, na sua cartilha, é uma falha moral imperdoável. "Rezo para que sua filha tenha a sorte de um dia ter seus próprios filhos", respondeu a atriz Jennifer Aniston pelo Instagram. "E espero que ela não precise recorrer à fertilização in vitro como segunda opção, já que você está tentando eliminar também essa possibilidade."

De um lado, J.D. Vance testando a popularidade de algumas das ideias mais misóginas da extrema direita com o pretexto de defender o que ele chama de "família normal". Do outro, Kamala Harris dizendo com todas as letras que é a favor do aborto (como 63% dos americanos) e que "normal" é ter filhos quando se quer e se pode. Muitos outros assuntos vão estar em discussão, mas, no fim das contas, vai caber às mulheres decidir para que lado essa balança vai pesar. _

CLÁUDIA LAITANO


29 de Julho de 2024
ARTIGOS

ARTIGOS

Espaço de dignidade e acolhimento

Vida. Esperança. Recomeço. Essas palavras dão nome aos Centros Humanitários de Acolhimento (CHAs) implementados pelo governo do Estado para acolher quem perdeu tudo nas enchentes. Uma solução transitória, com dignidade e proteção para as famílias enquanto aguardam suas moradias definitivas. Instalados em Porto Alegre e Canoas, os CHAs foram financiados com recursos do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac e são geridos pela OIM, Agência da ONU para Migrações.

Em um esforço conjunto com prefeituras, entidades, ONGs e iniciativa privada, entregamos em pouco mais de um mês os três centros que, juntos, podem acolher mais de 2 mil pessoas. O tempo de quem dorme em espaços improvisados no chão de ginásios e sem nenhuma privacidade é o agora, o imediato. Por isso, um projeto que, em tempos normais, levaria de oito a 10 meses para ser executado foi colocado de pé em semanas.

A colaboração com agências da ONU, como Acnur e OIM, traz expertise valiosa na gestão de crises humanitárias, garantindo que os centros adotem as melhores práticas em acolhimento emergencial. A infraestrutura inclui refeitório, lavanderia coletiva, fraldário, brinquedoteca, banheiros e dormitórios privados, áreas de convivência, internet, três refeições diárias, segurança e assistência médica e social.

No rosto dos acolhidos estão as marcas da superação, de quem perdeu muito - ou quase tudo -, mas tem o bem mais valioso: a vida. Histórias como a da Raquel, do César ou da pequena Helena são distintas e, ao mesmo tempo, comuns: relatos de quem venceu a tragédia e olha para o futuro com esperança para recomeçar.

Mais do que um local transitório, os centros são um apoio para que eles possam dar os primeiros passos e reconstruir suas vidas. A próxima etapa do trabalho nos CHAs será a realização de ações de inclusão, empregabilidade e cursos profissionalizantes. Neste momento em que a solidariedade é tão importante, os centros de acolhimento representam o compromisso com a dignidade humana, garantindo que ninguém seja deixado para trás. _

Gabriel Souza - Vice-governador do Estado

Estrada mais segura, vidas preservadas

Para um país de dimensões continentais, como é o caso do Brasil, as estradas fazem parte da vida das pessoas - conectam destinos, encurtam distâncias, facilitam negócios. No entanto, elas vêm acompanhadas de um lado negativo: acidentes que colocam em risco milhares de vidas.

Não existe mágica para resolver esse problema: é preciso garantir melhores condições de trafegabilidade, com asfalto de qualidade, sinalização completa e serviços eficientes que tragam mais conforto e segurança aos usuários. Em um contexto em que o poder público não dispõe de recursos para fazer frente a essas necessidades, a alternativa está nas parcerias com a iniciativa privada.

Trago como exemplo a Ecosul, que administra 457,3 quilômetros de rodovias no Polo Pelotas, na zona sul do Estado. Divulgado neste ano, um estudo da Agência Nacional de Transportes Terrestres apontou que a empresa teve a mais significativa queda (-46%) no Índice de Segurança Viária (ISV), que avalia os impactos dos serviços e investimentos realizados para a preservação de vidas, entre todas as empresas que administram estradas federais. Além disso, houve redução de 9% na taxa de severidade de acidentes na comparação com 2022, o melhor resultado entre as 24 concessionárias avaliadas.

Tudo isso foi conquistado mesmo com o aumento no volume de tráfego verificado em 2023, quando 15,2% de veículos a mais circularam nos trechos administrados nas BRs 116 e 392. Todas as ações promovidas são, também, resultados de uma iniciativa interna específica criada com esse objetivo, o Programa de Redução de Acidentes (PRA), que analisa todos os acidentes ocorridos e define planejamento e ações, além das campanhas de conscientização sobre o respeito às leis de trânsito.

Felizmente, o Polo Rodoviário Pelotas não teve suas estradas afetadas pela chuva de maio. Mas, resolvemos ajudar na reconstrução e nossas equipes auxiliaram na elaboração de projetos em estradas em outras regiões. A solidariedade nesse momento difícil também gera segurança. Afinal, preservar vidas é o caminho mais importante. _

Fabiano Martins de Medeiros - Diretor-superintendente da Ecosul