sábado, 12 de outubro de 2019



PRÓXIMO
12 DE OUTUBRO DE 2019

MUDANÇAS NA GESTÃO

Uma reforma para balançar tabus do servidor federal. Proposta para o funcionalismo deve prever medidas como avaliação de desempenho, fim da estabilidade e redução de salários

Vista como peça prioritária no quebra-cabeça federal para o equilíbrio das contas, a reforma administrativa preparada pelo governo de Jair Bolsonaro vai propor alterações na relação da União com o funcionalismo. O fim da estabilidade e a demissão por baixo desempenho são os principais pontos da proposta em análise pela equipe econômica, que deverá chegar ao Congresso após aprovação da reforma da Previdência no Senado.

O pacote com as mudanças, que ainda passará pelo crivo do ministro da Economia, Paulo Guedes, terá proposta de emenda à Constituição (PEC), leis complementares e ordinárias. Além da aproximação dos salários pagos pelo setor público aos oferecidos no setor privado, técnicos querem rever o número de carreiras vinculadas ao Poder Executivo, alterar matrizes salariais e acabar com progressões automáticas que utilizam o critério de antiguidade.

Abrangência

As mudanças mais radicais atingiriam apenas quem fosse admitido após eventual aprovação. Servidores que já atuam na União poderiam ser afetados, com revisão de benefícios, necessidade de participar de programas de qualificação e potenciais demissões. A proposta ainda prevê a alteração das regras do estágio probatório, hoje de três anos. A intenção é que o período complemente a seleção feita em concurso. A efetivação só ocorreria após análise de desempenho e comprometimento, o que, na prática, não ocorre atualmente.

Critérios mais rígidos e transparentes deverão ser adotados também para analisar o desempenho de setores do serviço público e de carreiras específicas. A ampliação do ponto eletrônico em setores da administração federal, incluindo postos nos Estados, também está nos planos.

O conjunto de mudanças não seria aplicado a todas as carreiras. Profissionais que atuam em funções mais suscetíveis a pressões externas e influência política, como auditores da Receita e diplomatas, devem ser preservados de parte das medidas. Judiciário e Legislativo ficam de fora.

Na quinta-feira, Guedes disse que o governo também estuda a adoção de trava nos reajustes de servidores em entes federativos que gastem mais de 80% com folha de pagamento. Na prática, a medida atingiria municípios, Estados e União.

Concursos

A linha seguida pelo ministério é corroborada por um estudo feito pelo Banco Mundial, a pedido do governo brasileiro. Para a entidade, há "janela de oportunidade" para o país equalizar os gastos com pessoal a partir de reformas estruturais. Entre as recomendações, estão redução dos vencimentos de entrada dos servidores, aproximação dos rendimentos pagos pelo setor privado e avaliação de desempenho para avanços salariais e na carreira. A estimativa de economia com as ações, até 2030, chegaria a R$ 389 bilhões.

Sem previsão para a abertura de concursos públicos, o governo projeta a redução gradual do número de servidores nos próximos anos. Atualmente, dos 705 mil trabalhadores do Executivo - sendo 35 mil no Rio Grande do Sul -, 127 mil reúnem condições para aposentadoria nos próximos cinco anos. O objetivo é fazer análises individuais para que contratações sejam realizadas somente em casos essenciais.

Uma das alternativas para a reposição é a movimentação interna. Para isso, há a intenção de modificar leis e elaborar editais genéricos, quando houver a abertura de novas seleções. A ação evitaria que transferências entre órgãos acabem na Justiça. A redução nas carreiras facilitaria o trânsito entre setores.

O custo mensal médio de um servidor federal é de R$ 12,4 mil. O orçamento para o próximo ano, que ainda não foi aprovado pelo Congresso, não inclui previsão de aumento nas remunerações.

MATEUS FERRAZ | RBS BRASÍLIA

12 DE OUTUBRO DE 2019
RODRIGO CONSTANTINO

Ambientalismo hipócrita

Da mesma forma que o movimento feminista tem mais a ver com o esquerdismo do que com a mulher, e o movimento racial tem mais ligação com a esquerda do que com o negro, o movimento ambientalista sofre da mesma mazela: o que deveria ser uma preocupação legítima com o meio ambiente acabou se transformando num pretexto para a defesa da ideologia socialista.

O leitor duvida? Acha que exagero? Então vejamos: a menina Greta Thunberg, aquela que mata aula para fazer discursos na ONU e virou símbolo da causa ambiental aos 16 aninhos, ataca muito o "sistema capitalista" e os Estados Unidos, mas praticamente nada fala sobre o modelo chinês, dominado pelo PCC. A China é o maior poluente do planeta, mas isso não parece incomodar tanto os fanáticos ambientalistas.

Quer outro exemplo? Vimos a tragédia do óleo que vazou em nossas praias nordestinas, o que, de fato, levantou imediatas críticas ao governo Bolsonaro. Mas tão logo ficou claro se tratar de algo fora do controle do governo, provavelmente um ato criminoso da ditadura socialista venezuelana, o silêncio se abateu sobre o assunto. Os ecoterroristas, que estavam em polvorosa com as queimadas na Amazônia, acharam melhor mudar de assunto, para não detonar o regime "amigo" de Maduro, aliado do PT e do PSOL.

Não é por acaso que muitos chamam essa turma de "melancias", verdes por fora, mas vermelhos por dentro. Antes os socialistas condenavam o capitalismo por não produzir riqueza suficiente para todos; agora alegam que ele produz riqueza demais, o que ameaçaria o planeta. Com esse discurso anticientífico, o movimento ambientalista virou refúgio para as viúvas de Lênin, uma capela onde ainda se encontra pretexto para criticar o capitalismo - do conforto capitalista, naturalmente, já que ninguém é de ferro.

Claro que nem todos os ambientalistas são socialistas hipócritas. Há gente séria genuinamente preocupada com a qualidade de vida na Terra. Mas eis o ponto: esses não precisam apelar para o monopólio das virtudes, acusando todos aqueles que não defendem os mesmos meios - um governo mundial controlando as economias e abolindo o livre mercado - de insensíveis que não se importam com o planeta.

RODRIGO CONSTANTINO

12 DE OUTUBRO DE 2019
INFORME ESPECIAL

Caindo de maduro

O envelhecimento da população do Rio Grande do Sul pode ser uma boa ou uma má notícia. Depende do que a gente fizer com ela. Entre todas as transformações impulsionadas pela mudança do perfil de idade dos gaúchos, uma é especialmente intrigante: os efeitos no mercado de trabalho.

A edição de sexta-feira de Zero Hora publicou um artigo da diretora de uma rede global de universidades amigas dos 60+, a irlandesa Christine O?Kelly. Ela alerta para as imensas oportunidades que as equipes multigeracionais produzem para as empresas. O desfio é formar gestores preparados para liderar grupos plurais, não apenas nos aspectos mais debatidos nos últimos anos - gênero e raça -, mas também em idades.

Os mais jovens trazem energia e rebeldia. Os mais experientes, ponderação, memória e sabedoria. Seria a mistura ideal, não fossem preconceitos e antigas verdades já caducas, mas ainda presentes. Hoje, dar emprego para alguém com mais de 60 anos é confundido com ato de bondade. Em breve, não contar com grisalhos nas equipes será burrice.

Na verdade, já é.

TULIO MILMAN

sexta-feira, 11 de outubro de 2019



11 DE OUTUBRO DE 2019

DAVID COIMBRA


A mulher mais bonita que já vi


"Qual foi a mulher mais bonita que tu já viu em toda a tua vida?"

A pergunta foi formulada assim, com a conjugação gaúcha ("tu já viu") e com a ênfase pleonástica no final ("em toda a tua vida"). Retesei na cadeira, tinha de retesar, porque quem me interrogava era a Marcinha. Quando a sua mulher quer saber algo a respeito de outras mulheres, penso sempre no robô de Perdidos no Espaço: "Perigo! Perigo!".

Fiquei olhando para ela, tentando decidir o que responder, sabendo que estava perto demais das hélices. Antes que chegasse a alguma conclusão, ela acrescentou: - Só valem mulheres que tu viu pessoalmente. Ergui uma sobrancelha. A coisa se complicava. Tornava "a mais linda mulher" próxima de mim.

Outro problema é que gosto de fazer listas. O melhor filme, o melhor livro, o melhor jogador. Se fosse uma cilada, encontrava-me prestes a cair, porque já cogitava qual era a mulher realmente mais linda. Mas tinha que tomar cuidado. Muito cuidado?

- Foi a Gisele? - arriscou a Marcinha. Gisele, no caso, a Bündchen. Usamos dessa intimidade porque ela e Tom são nossos vizinhos aqui em Brookline. Eu a vi em pessoa, de fato. Ela ficou parada bem na minha frente, dentro de umas botas que lhe subiam pelas pernas compridas até a fronteira dos joelhos - gosto de mulheres de botas.

O que mais chamou a minha atenção em Gisele foi a sua cabeleira brilhante e dourada e a sua pele, que também é brilhante e dourada. Uma leoa, uma mulher que impressiona, sem dúvida. Impossível não olhar para ela quando entra em um lugar. Mas não foi a mais bonita que conheci e, num ímpeto de honestidade, disse isso. Ao que a Marcinha abriu a boca:

- NÃO?!? Então, quem é? Quem é essa tão maravilhosa?

Se valessem mulheres que vi em filmes, sei quem escolheria: Jacqueline Bisset. Foi a única mulher de quem levei a foto na carteira. Ao contar esse pormenor, à mesa do jantar, foi o Bernardo quem arregalou os olhos:

- Nem a foto da mamãe tu colocou na carteira?

- Nem? A Marcinha comentou o seguinte: - Humpf! Eu estava horrivelmente sincero naquela noite. - Afinal, quem foi? - insistiu ela.

Pois é. Quem foi? Comecei a pensar em várias mulheres lindas das minhas relações, mas elas eram, todas, bem, das minhas relações. Se você disser para a sua mulher que outra, uma que ela conhece, é a mais linda que você já viu, você nunca mais poderá nem sequer perguntar as horas para a dita cuja.

Fiquei vasculhando o cérebro para encontrar uma saída, enquanto a Marcinha e o Bernardo me encaravam, curiosos. Agora me ocorre que eu podia ter gritado, exultante:

- Yelena Isinbayeva!

Porque, sim, entrevistei Yeleninha depois que ela ganhou uma medalha de ouro de salto com vara. Estive a palmo e meio de distância de seus olhos lilases e podia sentir-lhe o cheiro do hálito de chocolate branco. Mas a questão é que, naquele jantar, não lembrei daquela bela russa e permaneci vacilante, ouvindo a Marcinha repetir:

- Quem? Quem? Foi aí que resolvi fazer um desvio. Uma manobra diversionista, digamos assim. Falei: - Estou em dúvida quanto à mulher, mas sei qual foi o homem mais bonito que já vi.

- Quem? - David Beckham!

E contei das vezes em que vi Beckham, inclusive uma em que eu e o Tulio Milman jantávamos em um restaurante que havia sido feito pelo famoso arquiteto Philippe Starck, em Pequim, e lá estava o bonitão, jantando com dois amigos. Assim que terminou o cafezinho, as pessoas formaram fila para tirar foto com ele. O Tulio propôs:

- Vamos lá tirar foto com o Beckham?

Espetei o indicador para o alto: - Eu, não! Eu sou do IAPI! E não fomos. O Bernardo protestou:

- Devia ter ido, papai!

E esse virou o assunto do resto do jantar. Depois de duas ou três horas, já no quarto, pronto para dormir, deitei a cabeça no travesseiro e sorri, contente com a minha habilidade verbal. A Marcinha, ao lado, fincou um cotovelo no colchão, apoiou o queixo na mão e falou baixinho:

- Tu ainda não disse qual foi a mulher mais bonita que tu já viu em toda a tua vida?

DAVID COIMBRA


11 DE OUTUBRO DE 2019
REDE SOCIAL

Um casal de muitas faces

Parceiros no palco e na vida, Claudia Raia e Jarbas Homem de Mello trarão a Porto Alegre seu novo espetáculo, a comédia musical Conserto para Dois. Em dupla, interpretam múltiplos personagens no Teatro do Sesi, nos dias 7 e 8 de novembro, às 21h. No dia 10, levam a apresentação para Lajeado, no Teatro da Univates, com início às 20h.

Conserto para Dois tem como cenário um luxuoso cruzeiro em que o escritor Angelo Rinaldi (Jarbas) viaja para superar o fim do casamento. Ele não terá muita trégua, porque acaba encontrando a exuberante atriz Luna de Palma (Claudia) - ninguém mais, ninguém menos do que sua ex-esposa. Esse reencontro justifica o "s" no nome do espetáculo, indicando que alguns corações serão remendados.

O musical é inspirado no estilo vaudeville e nas tramas "malucas" de Billy Wilder, que dirigiu Marylin Monroe em Quanto Mais Quente Melhor (1959). Também promete Claudia e Jarbas à vontade no palco: estão juntos há noves anos e já trabalharam nos espetáculos Crazy For You, Cantando na Chuva e Cabaret. Além dos papéis principais, eles se revezam para interpretar o secretário da atriz, uma drag queen, um velho milionário, um repórter, uma camareira indiscreta e outros personagens que acrescentam risos à bagunça.

- É, talvez, o espetáculo mais difícil que já fiz, pela complexidade técnica e pelo ritmo alucinado das trocas de personagens, figurinos e cenários - contou Jarbas à coluna.

Os ingressos para as apresentações em Porto Alegre custam R$ 200 (plateia baixa), R$ 150 (plateia alta) e R$ 75 (mezanino). Para Lajeado, R$ 150 (plateia baixa), R$ 120 (plateia alta) e R$ 75 (mezanino). Já podem ser comprados no site sympla.com.br.

Goethe com novo diretor

O novo diretor do Instituto Goethe de Porto Alegre carrega uma trajetória de mais de 25 anos dedicados à entidade que divulga a cultura alemã pelo mundo. Stephen Hoffmann assumiu o posto no início de outubro em substituição a Marina Ludemann. Natural de Frankfurt e formado em Direito, ele começou na entidade em 1992 como professor de alemão. Em seguida, Hoffmann se acostumaria às idas e vindas das missões no Goethe. Sua primeira experiência no Brasil foi em 1999, quando assumiu o posto de diretor de ensino e cooperação pedagógica em Salvador. Após cinco anos, foi para o Rio e, em 2008, voltou para a Alemanhã. Era diretor de ensino do Goethe em Lisboa quando foi convocado para o cargo em Porto Alegre. Está na Capital há apenas uma semana - só conhecia a cidade de breves viagens:

- Estou curioso. O caráter dos brasileiros é agradável. Gosto muito da ideia de viver aqui - disse ele.

Adriana em série

A cantora Adriana Deffenti tem uma série de datas para divulgar seus novos trabalhos. No dia 21 de outubro, lança o clipe Romance Acidental, primeira música do disco Controversa. É só um "aquece" para que, no dia seguinte, disponibilize o álbum na íntegra nas plataformas de streaming. No dia 13 de novembro, o Controversa poderá ser ouvido ao vivo no palco do Theatro São Pedro, a partir das 21h, com participação especial da cantora Valéria Barcellos. O disco reúne 10 canções e conta com composições próprias e de nomes como Arthur de Faria e Nei Lisboa.

Consumação pelo bem

O tour gastronômico do VIAVIDA tem uma nova parada. Quem frequentar o Gaúcha Sports Bar (Av. Dr. Nilo Peçanha, 3.228, na Capital) no próximo dia 16 vai ajudar a Pousada Solidariedade, já que parte da renda obtida com a consumação será destinada ao projeto que auxilia pessoas sem condições financeiras de arcar com despesas antes e depois do transplante de órgãos. Cerca de 60% desses pacientes da pousada são crianças. Para colaborar, basta consumir qualquer item do cardápio do Gaúcha Sports Bar no dia marcado. Os clientes vão concorrer a três entrecots com queijo.

REDE SOCIAL

11 DE OUTUBRO DE 2019
SUA SEGURANÇA

Cada vez menos roubo sobre rodas


A cautela recomenda não estourar foguetes, mas na Secretaria da Segurança Pública o otimismo virou rotina. Os registros dos crimes não param de cair, embora alguns delitos cresçam. Mas são exceções. Diminuíram ainda mais os homicídios e roubos de veículos, considerados prioridade no combate à criminalidade.

É sobre esse último tipo que resolvi discorrer. O coronel Paulo Roberto Mendes, ex-comandante da BM e hoje juiz, celebrizou a frase "o crime anda sobre rodas". Pregava que o bloqueio à circulação de carros roubados traria a contenção de outros delitos.

Mendes conseguiu bons números na sua época, mas as estatísticas atuais são sonho de governantes. A redução nos roubos de veículos foi de 31% entre janeiro e setembro deste ano, em relação ao mesmo período de 2018. Do total de veículos roubados a menos, 94% ficam nos 18 municípios que têm sido alvo de iniciativas como o cercamento eletrônico. Na SSP, a análise é de que começam a dar frutos as estratégias. Motoristas se irritam, porque as câmeras alertam para irregularidades administrativas. Pensem que é muito pior para o bolso ter o carro levado por ladrões.

O aperto a receptadores, com a Lei dos Desmanches, parece ter contribuído. Agora é manter essa performance e, na medida do possível, reduzir ainda mais os indicadores.

HUMBERTO TREZZI

11 DE OUTUBRO DE 2019
CAROLINA BAHIA

Eduardo será embaixador?

A notícia de que os Estados Unidos não priorizará o ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) também tem efeitos políticos em Brasília. A decisão do governo Trump fragiliza ainda mais a enrolada indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil, em Washington. Há três meses, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a preferência por entregar a função ao filho 02, mas, até agora, o nome não foi enviado ao Senado porque não há garantia de aprovação.

Uma derrota de Eduardo seria um fracasso da articulação do Planalto. Inexperiente na diplomacia, ele investe no corpo a corpo para tentar derrubar desconfianças dos parlamentares e estuda para enfrentar a eventual sabatina. Mas a sinalização negativa do governo norte-americano para o Brasil na OCDE entrega de bandeja aos senadores mais resistentes argumento para questionar o alinhamento com os EUA.

A justificativa de que a família Bolsonaro é "amiga de Trump" não terá o mesmo peso. Se essa negociação já estava custando caro a Bolsonaro, agora, o preço vai aumentar. A indicação de Eduardo ainda não morreu, mas toda essa pressão é prova de que o presidente errou ao apostar na prática do "de pai para filho".

Quem sabe, sabe


Quem acompanhou a visita da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na Expointer, testemunhou que ela fez o possível para que o Brasil não elevasse a cota de exportação de etanol sem tarifas, o que beneficiaria os Estados Unidos. Por várias vezes, ela se ausentou de reuniões para acompanhar as tratativas por telefone. Mas foi em vão e sem garantias de compensações. O ex-ministro da Agricultura Pratini de Moraes já ensinava que negociações internacionais precisam sempre de contrapartidas.

CAROLINA BAHIA


11 DE OUTUBRO DE 2019
EDUARDO BUENO

Imagine

Se vivo fosse - ah, adoro essa expressão, tão frequente em jornais de outrora, e cujas insinuações nunca deixei de completar em silêncio: "Se vivo fosse... morto não estaria".

De todo modo, se vivo fosse, o libriano John Lennon teria feito 79 anos na quarta-feira passada: ele nasceu em 9 de outubro de 1940, na milenar Liverpool. Mas quem assistiu a Yesterday, filme de Dan Boyle, "viu" Lennon vivo: nessa ficção piegas, o beatle-mor leva uma existência pacata e um tanto tediosa num chalé à beira-mar, nalgum lugar da Inglaterra. "Anda dormindo cedo", diria dele o detetive durão de um romance noir.

Pena que não seja verdade. Pois imagino que na semana retrasada, se vivo fosse, o velho e bom John teria rompido o silêncio e saído de seu idílico exílio para botar a boca no trombone depois que um brasileiro, que já fritou hambúrgueres nos EUA, fez self com arminha ao lado da escultura que saúda a não violência, em frente à ONU, na cidade onde Lennon foi assassinado, e depois bostou, ops, postou numa dessas redes que andam por aí dando voz à gente tipo ele: "E se John Lennon estivesse armado?".

Não ouso imaginar o que John faria se "vivo fosse" e uma arma tivesse. Talvez a enfiasse na boca de quem proferiu a frase - só para o sujeito ficar quieto, claro; não para calá-lo de vez... Afinal, embora pacifista, Lennon era estouradinho. Mesmo assim, nunca sugeriu fechar a Suprema Corte dos EUA "com um soldado e um cabo" - até porque foi a Suprema Corte que reverteu a ordem de deportação emitida contra ele.

E sabe quem queria deportar Lennon dos EUA? O ignóbil J. Edgar Hoover, criador do FBI. E sabe no governo de quem? No do iníquo Richard Nixon. E sabe contra quem Lennon estava em campanha ao ser morto? Contra o abjeto Ronald, ator medíocre e delator que virou chefe do sindicato em Hollywood e depois, ao governar a Califórnia, proibiu o LSD - sem nunca escutar Lucy in the Sky with Diamonds. Tudo gente estilo Donald, saca?

Bom, mas se Lennon morto está - assassinado que foi por um desequilibrado armado -, sua esposa Yoko vive. Por isso, penso em retomar minha atribulada relação com Bob Dylan e pedir que ele a avise em que tipo de casamento a música dos Beatles anda sendo... executada. Bob poderia ligar para o Paul também - já que pro Ringo ninguém liga. Mesmo sendo contra a censura, vá que os Beatles decidam proibir certos tipos de escutá-los.

Mas espero que não andem armados. Pois, se a felicidade é uma arma quente, a recíproca não é verdadeira, xará.

EDUARDO BUENO

quarta-feira, 9 de outubro de 2019



09 DE OUTUBRO DE 2019
DAVID COIMBRA

O problema do "Coringa"

Coringa é um problema. Um bom filme, mas, definitivamente, um problema. E não tem nada a ver com ilações ideológicas. Li análises apontando que o filme seria de esquerda ou de direita. Não é nada disso. Coringa apenas cumpre o papel mais importante em um tipo de arte narrativa, como são o cinema e a literatura: o de contar bem uma boa história.

Na arte, ao fim e ao cabo, tudo se resume a isso: contar bem uma boa história. Todas as demais pretensões são subalternas à realização dessa tarefa que parece tão simples.

Há uma outra qualidade que torna um filme superior. É quando ele consegue entrar no espectador, fazendo com que o espectador entre nele.

Acho que a frase ficou confusa. Vou explicar.

É assim: se o filme é superior, você sai do cinema pensando no que viu e continua pensando no dia seguinte. Quer dizer: o filme entrou em você. Mas, além disso, você sai do cinema sentindo o clima da trama, como se fosse um dos personagens. Quer dizer: você entrou no filme.

Coringa alcança essa façanha. A começar pelo cenário. Gotham City é Nova York, mas não a Nova York de hoje, descolada, dinâmica, feérica, a capital do mundo, e sim a dos anos 1970, suja, sombria e perigosa, habitada por pessoas permanentemente tensas, que se deslocam em vagões do metrô pichados de alto a baixo, cheia de becos imundos onde ratazanas bem fornidas passeiam em meio aos sacos de lixo. Para chegar em casa, um apartamento escuro em que a mãe doente o espera na cama, o Coringa tem de subir por uma escadaria que se assemelha à de O Exorcista. Não deve ser por acaso.

Não há sol nessa Gotham triste, não há alegria.

Aliás, a alegria é o tema do filme. Ou, antes, a falta dela. O drama do Coringa é que ele quer ser alegre e não consegue. Sua gargalhada jamais é de felicidade; é de desespero. Ele ri só com o corpo, como se fosse uma convulsão. E aí entra o talento de Joaquin Phoenix. Interpretar vilões caricatos é mais fácil do que expor as emoções de um personagem, digamos, "normal". No vilão caricato, tudo é explosivo e exagerado, não há nuances de sentimentos. Mas o Coringa de Joaquin Phoenix não é assim. Ele é um pobre coitado que se constrói na loucura. Ou se destrói, depende do ponto de vista.

Em certo momento da história, você torce para que ele reaja, para que ele seja mau com quem lhe faz mal, e essa é outra das polêmicas de Coringa. Ao tornar demasiado humano o vilão, o filme não suscitaria uma justificativa para a violência?

A resposta é: bobagem.

Quando uma pessoa é violenta, ela cometerá violências, não importando a causa. Se não for por religião, será por política, ou futebol, ou um filme. Motivo ela encontrará, sem que o motivo tenha responsabilidade por isso.

O problema do Coringa não é nenhum desses que citei. O problema é que o Coringa é um dos arqui-inimigos do Batman, e o Batman é um personagem de história em quadrinhos. Nos quadrinhos, se há mortes, elas são assépticas. No máximo, uma explosão impessoal ou um tiro a distância, de preferência com pouco ou nenhum sangue. Personagens de histórias em quadrinhos não têm entranhas e seu sofrimento é óbvio, em geral causado por um evento traumático. Mas o Coringa sofistica o sofrimento. Ele não sofre grandemente, ele sofre miseravelmente. Ele sofre como um comum. 

Como um de nós. Esse requinte torna o filme maior, mas o remove da categoria em que estava inscrito. Coringa talvez não possa ser considerado um filme que se baseia em uma história em quadrinhos. Ou, o que é mais grave, talvez o Coringa tenha transformado as histórias em quadrinhos. Agora, elas terão de sair da superfície. Terão de ser um pouco mais profundas. É um perigo. Porque alguns, quando querem ser densos, conseguem ser apenas chatos.

DAVID COIMBRA

09 DE OUTUBRO DE 2019
PEDRO GONZAGA

Melodia



O teatro estava lotado. Formavam-se não sei que formandos, a mim cabia cruzar a plateia pela escada central, tocando no sax o tema de Carruagens de Fogo. À medida que se vai descendo na carreira (suponho qualquer carreira) negar um pedido se torna um luxo. Permitam-me uma ofensa branda, mas eta música besta. Sugeri outras melodias famosas, sem sucesso. As moças da comissão estavam convencidas do alto poder de motivação da escolha. Restou-me levar tal empolgação àqueles corações humanos, que estavam mais ocupados com as próprias imagens no telão.

Tempos depois, apareceu-me uma cerimônia de casamento, cachê cintilante. Na reunião preparatória, o noivo disse que queria entrar ao som da abertura do Missão Impossível. Olhei para a noiva. Ela deu de ombros e disse já ter sido uma vitória convencê-lo a não simular uma fuga pela nave. Apelei ao bom senso, mas confiar que as pessoas tenham bom senso, francamente. Salvou-me o padre, um servo de Deus e do bom gosto, proibindo tal patuscada. O Tom Cruise falou até em adiar a festa, mas se contentou com um Roberto Carlos que a sogra escolheu.

Como eu disse, a cada novo rebaixamento na carreira, menor a dignidade. Certa vez, um colega meu de sax, que trabalhava com telemensagens, tocou para uma mulher em pleno serviço, à encomenda do namorado, o clássico do Sérgio Reis, Panela Velha. Teve de ouvir que coroa era a mãe.

Quando sinto saudades de ser músico - e sinto -, penso nos pedidos das gentes, no que ainda me caberia tocar não tivesse desertado. Não há fundo se aceitamos o poder de um sonoro e ativo sim conjugado a um silencioso e passivo não. Por isso, não deixo de me surpreender com os gênios de outras eras, que, sob rígidas encomendas, criaram obras-primas da liberdade do espírito humano.

No entanto, é preciso dizer que mesmo a mais singela melodia, independentemente de adequação e qualidade, é algum milagre, se nela acreditamos. O mal está em tocar o que não se quer, apenas para cumprir uma demanda, para pessoas que pedem músicas que não escutam de fato. Isso leva a uma descrença, hoje espalhada como norma por quase toda a parte. E se pudéssemos tocar sempre fiéis e ouvirmos sempre comunitários, sem nos esquecermos do que uma melodia pode fazer, de como ela é capaz de ressurgir a um mero estímulo? Pensem na parte nananada de Hey Jude.

Só os afetos se instalam assim tão intimamente em nós.

PEDRO GONZAGA

09 DE OUTUBRO DE 2019
+ ECONOMIA

Doce plano de voo


A ampliação do aeroporto Salgado Filho abriu espaço aos passageiros e também para um shopping, que aos poucos, tem configuração definida. Depois da Lojas Renner e da livraria Cameron, é a vez da Lugano, focada em chocolates.

A marca de Gramado acaba de inaugurar espaço em frente ao check in da Latam. É a estreia de seu plano de expansão, com 25 pontos de venda, no modelo de franquia, até o final do ano.

Guilherme Schwingel, diretor da empresa, diz que a escolha do aeroporto foi estratégica, para chegar a todos os destinos. Ainda em 2019, está prevista a abertura de lojas em Holambra (SP), Cascavel e Curitiba (PR) e Blumenau (SC). No próximo ano, planeja entrar em Recife (PE) e Natal (RN).

O objetivo é atingir o número de cem unidades até o final de 2020. A Lugano tem sete lojas próprias, seis em Gramado e uma em São Paulo. A rede tem 500 produtos diferentes, entre chocolates, cafés, cervejas artesanais e lembranças.


Na construção, otimismo com cautela

Sinal de expectativa de retomada na construção civil, Porto Alegre terá um grande lançamento no entorno do Jardim Europa depois de três anos com poucas novidades na área. O Flagship, da RottaEly, tem valor geral de vendas (VGV) de R$ 76 milhões e deve ser entregue em 2022. Pedro Rotta Ely, diretor comercial da empresa, diz mirar em público jovem, com apartamentos de um a três dormitórios, áreas entre 45 e 83 metros quadrados, e preços entre R$ 380 mil e R$ 450 mil.

- Estamos vendo reação em número de lançamentos e vendas em São Paulo, que é um mercado sinalizador. Mas há cenário de cautela, então somos otimistas com cautela.

Na atuação da empresa, isso se traduz na decisão de investir em bairros já consolidados, "imunes à crise", na descrição do executivo, para correr menos riscos. Ele cita Petrópolis, Tristeza e Menino Deus como exemplos.

Neste ano, a RottaEly, que se descreve como uma empresa de médio porte, está com sete canteiros abertos em Porto Alegre, ou 70 mil metros quadrados de obras. - Sempre se leva quatro anos entre aquisição de terreno e entrega no Brasil, e o país passa por uma ou duas crises nesse período - afirma o executivo.

MARTA SFREDO

09 DE OUTUBRO DE 2019
NÍLSON SOUZA

Os novos velhos

Entrei na fila do supermercado atrás de um adolescente. Nem eu nem ele percebemos que era uma caixa preferencial, até mesmo porque a placa indicativa estava semiencoberta. Quando nos aproximamos, a funcionária virou a plaquinha e o garoto percebeu onde estava. Ficou muito constrangido, pediu desculpas à atendente e virou-se para mim como se tivesse cometido uma falta grave. Falei primeiro:

- Não te preocupa, amigão! Também entrei aqui porque não vi que era para idosos.

O menino olhou para a minha barba branca e sorriu amarelo. Não podia saber que era ao mesmo tempo uma autoironia e uma decisão muito pessoal. Evito, mesmo, utilizar certas facilidades asseguradas legalmente a pessoas da minha idade por entender que a legislação existe para beneficiar quem realmente dela necessita. O limite de idade é só um referencial. A vaga no estacionamento perto da entrada, por exemplo, deveria ser utilizada mais por pessoas com dificuldade de locomoção - e menos por atletas sessentões como muitos dos meus companheiros de caminhada matinal.

Como o menino da fila, também me sentia um tanto constrangido em defender essa ideia, pelo temor da má interpretação. Algumas pessoas podem pensar que tento aparentar menos idade, que se trata de hipocrisia ou mesmo que as estou censurando por se beneficiarem da lei. Nada disso. Cada um sabe onde lhe aperta o sapato - e a consciência. Mas fiquei mais confortável depois de ler uma declaração do doutor Emílio Moriguchi, especialista em longevidade como seu pai Yukio, precursor da matéria no Brasil:

- As pessoas (velhas) estão mais saudáveis e conseguem manter suas habilidades. Temos que criar novos espaços para os idosos. Não lugar para sentar ou vaga em estacionamento, pois o que ajuda na longevidade é trabalhar, sentir-se útil.

Sem generalizar, evidentemente. Pessoas com limitações, independentemente da idade, merecem atenção e cuidados diferenciados. E quem trabalhou a vida inteira deve ter o direito de decidir se prefere prolongar a atividade ou simplesmente descansar. Mas a realidade dos idosos saudáveis e produtivos não pode mais ser ignorada.

A série de reportagens do projeto Ideias para o Futuro 60+, do Grupo RBS, mostra que em breve haverá um contingente maior de brasileiros com mais de 60 anos do que com menos de 15. No Rio Grande do Sul, pelo que se noticia, essa virada demográfica ocorreu no início da semana em curso - o que deixa a gauchada com aquela conhecida e levemente exagerada sensação de, mais uma vez, estar servindo de modelo a toda terra. 

Estamos? Tenho lá as minhas dúvidas. Mesmo com a desaceleração demográfica, a maior parte da população do Estado - incluídos os idosos - continua carente de qualidade de vida. É inquestionável que estamos vivendo mais, mas ainda falta muito para vivermos melhor essa prorrogação que a ciência, as mudanças de hábitos e o destino nos oferecem.

Os idosos precisam, acima de tudo, da compreensão dos mais jovens e de oportunidades compatíveis com suas potencialidades.

NÍLSON SOUZA

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Quem estava no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, nesta terça-feira (8), flagrou um Boeing 777 da Latam com pintura bem diferente da usual branca, azul índigo e coral —ou branca, azul e vermelha considerando as cores da antiga TAM.
É que chegou ao Brasil o avião com pintura especial da saga Star Wars, que celebra o parque temático Star Wars: Galaxy’s Edge, no Disney’s Hollywood Studios, em Orlando (EUA). O espaço foi aberto ao público no último dia 29 de agosto.
Pintada em branco e preto, a aeronave foi batizada de “Stormtrooper Plane”, em referência ao exército de clones com armadura branca e preta que serve ao temido Império da franquia cinematográfica.
A pintura foi projetada pela equipe criativa da Disney em conjunto com a Lucasfilm. Foram usados 2.500 litros de tinta em 21 dias de trabalho, que ocorreu em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Este é o terceiro 777 da Latam com as novas cabines da classe executiva, no esquema 1-2-1 que dá acesso direto ao corredor em todos os assentos, e poltronas renovadas na econômica.
O avião tem capacidade para 410 passageiros e será usado na rota Guarulhos-Orlando, mas também em voos para Miami, Madri, Frankfurt, Paris e Londres.