terça-feira, 8 de outubro de 2019



08 DE OUTUBRO DE 2019
DAVID COIMBRA

Eu e dois prêmios Nobel

Um senhor de cabelos brancos entrou no elevador em que eu estava, no Dana-Farber Hospital, aqui de Boston. Aparentemente não havia nada de especial nele, mas notei que as pessoas o tratavam com deferência incomum. Quando saiu, elas ficaram balançando a cabeça com óbvia admiração e cochichando elogios. Achei curioso. Perguntei a um médico que conhecia:

- Quem é esse que causou comoção? Ele ergueu o queixo com certa solenidade antes de responder:

- É um Prêmio Nobel! Fiquei encantado. Era a segunda vez que tinha estado tão perto de um Prêmio Nobel. Na primeira foi um Nobel da Paz: Nelson Mandela. Estava tentando entrevistar Brizola, quando ele era governador do Rio, e, devido a certas circunstâncias, vi-me diante dele, Brizola, e de Mandela, no Copacabana Palace. Mandela, alto, magro e simpático, olhava para mim e sorria com condescendência. Poderia estar pensando: "Esse aí não é um Prêmio Nobel".

Não sou mesmo, mas, passados 18 anos, dividi o elevador de um hospital com um Nobel de Medicina, como contei. Acho que isso deve ter alguma importância.

A verdade é que, nesse hospital, o Dana-Farber, você tem boas chances de esbarrar em um Nobel. O vencedor deste ano, inclusive, trabalha lá, sua conquista foi anunciada ontem e foi por isso que lembrei daquela minha subida histórica de elevador. Porque pensei: como se explica que cientistas americanos sejam tão laureados e os brasileiros não? Não temos, no Brasil, um único Nobel, em área alguma? Por quê? É porque os Estados Unidos têm um capitalismo dinâmico e o nosso é atrasado? É porque os empresários americanos são mais abertos ao investimento em pesquisas? É porque a sociedade americana é educada para valorizar a ciência?

Tudo isso pode ser verdade, mas apenas em parte, e uma pequena parte, porque o maior financiador de pesquisas científicas nos Estados Unidos é? o Estado. Quem diria? No país campeão do capitalismo democrático mundial, o Estado financia mais de 40% dos estudos científicos.

Você talvez considere isso um contrassenso. Afinal, o liberalismo acerbo prega que o Estado só atue em áreas específicas, como a segurança pública. Os liberais americanos, porém, sabem o que significa o investimento estatal em pesquisa.

Eles sabem que aquele velhinho que partilhou comigo o elevador talvez tenha passado 20 anos de sua vida pesquisando uma única molécula. E ele não estava sozinho: havia uma equipe que o auxiliava, trabalhando todos os dias em um laboratório sofisticado, e outros cientistas, em outros departamentos, com outras equipes. Isso não é barato. O cálculo é de que uma pesquisa de 15 anos de duração custe pelo menos US$ 800 milhões. Com um detalhe: muitas dessas empreitadas fracassam. Milhares de cientistas, ajudados por milhares de equipes técnicas, consumindo bilhões de dólares, não fazem descobertas geniais e não ganham o Nobel.

Uma empresa privada, com acionistas pressionando pelo lucro, hesita em fazer investimentos desse tipo. Pode fazê-los, mas, em geral, será com apoio de programas do Estado. São esses programas que garantem o bom sucesso da ciência. Que permitem que os cientistas desenvolvam drogas novas e encontrem a cura de doenças que atormentam a humanidade. Que salvam vidas. No final, o dinheiro que foi gasto volta multiplicado: o governo ganha em arrecadação robusta, os laboratórios ganham com lucro certo, os pacientes ganham com tratamentos eficientes. E o velhinho ganha o Nobel. Ele merece.

DAVID COIMBRA

08 DE OUTUBRO DE 2019
OPINIÃO DA RBS

REMÉDIOS INADIÁVEIS


A magnitude da crise das finanças públicas do Rio Grande do Sul há muito exige uma solução estrutural para os gastos com pessoal, principal fonte do desequilíbrio crônico entre receitas e despesas que faz do Estado um ente que hoje vive mais para si do que para servir à maioria silenciosa dos gaúchos. O governador Eduardo Leite deu ontem demonstração de ter essa compreensão e indicou disposição para enfrentar a questão espinhosa com medidas duras, mas inadiáveis e imprescindíveis para que o poder público comece a reverter a situação de penúria e volte a ser um propulsor do desenvolvimento, e não o contrário, uma âncora pesada que trava a atividade econômica, o emprego e a renda.

Acabou a margem para tergiversar, frente à constatação de que os custos com pessoal sugam 82% da arrecadação do Estado. O aceno com iniciativas paliativas e a espera por recursos extraordinários que nunca chegam também, ao longo dos anos, provaram ser vãs esperanças. A matemática pura e simples mostra a premência de dar um basta à permissividade, apesar de o enfrentamento com as corporações que se sentirem prejudicadas tender a ser renhido e desgastante.

Há momentos em que a encruzilhada da História impõe a defesa e a adoção de medidas impopulares. Neste sentido, acerta o governo Leite ao propor extinguir benefícios previstos para o funcionalismo de todos os poderes, como o triênio e o quinquênio, alterar o plano de carreira do magistério e propor modificações no regime de previdência dos servidores, entre outras medidas amargas, mas necessárias. Espera-se, ao mesmo tempo, que a Assembleia mostre outra vez consciência da gravidade do quadro e não ceda a pressões, especialmente de setores mais abastados. No mesmo caminho vai a proposta de reforma administrativa da União, em busca de enxugamento dos gastos com pessoal.

Nas últimas três décadas, nenhum governo, de nenhuma cor ideológica, conseguiu mudar o curso de colisão do Estado contra uma realidade cristalina: o Rio Grande do Sul, por todas as óticas, quebrou pelo excesso de benesses e benefícios a corporações que, ressalve-se, não são culpadas, pois defenderam seus interesses como qualquer outro segmento em uma democracia.

Chegou, então, o tempo da guinada. É preciso que alguns abram mão de vantagens, em nome da maior parte da população gaúcha, principalmente a mais humilde e dependente dos serviços públicos em áreas como educação, saúde e segurança.

OPINIÃO DA RBS


08 DE OUTUBRO DE 2019
SUPOSTOS TÚNEIS NAZISTAS

Tubulação pode ter sido desvendada

Reportagens publicadas em 1979 podem decifrar a misteriosa tubulação subterrânea encontrada na semana passada em Ibirubá, no noroeste do Estado, durante escavação à procura de supostos túneis nazistas. De acordo com a publicação, a prefeitura teria instalado na época ao menos 3.619 tubos de concreto, cada um com um metro de comprimento, nas principais ruas e no interior do município.

A história remete a uma lenda urbana que há décadas intriga a população local. Conforme relatos de moradores mais antigos, a cidade esconderia no subsolo uma rede de túneis usada como abrigo e rota de fuga para nazistas após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Equipes da Secretaria Municipal de Obras e do Corpo de Bombeiros abriram no dia 1o de outubro um buraco na Rua Flores da Cunha, em local onde exames geológicos apontaram a existência de anomalias subterrâneas. A dois metros da superfície, foi encontrada tubulação de concreto com um metro de altura, supostamente desativada. Havia apenas ligação de esgoto residencial desembocando na rede, provavelmente clandestina.

Registros

O caso é acompanhado por ZH e foi exibido em reportagem do Fantástico, da TV Globo, no domingo. Na cidade, o repórter Álvaro Pereira Júnior encontrou recortes de jornal com aquela que pode ser a explicação para a tubulação. De acordo com as matérias publicadas no jornal O Alto Jacuí, em 1979, Ibirubá bateu recorde na instalação de tubos em março daquele ano. A rede alcançou 3,6 quilômetros de extensão, dividida entre as zonas urbana e rural, debaixo de pontilhões. A reportagem, publicada em 9 de março, informa ainda a localização exata de cada tubo.

Ao menos quatro teriam sido instalados na Avenida Getulio Vargas, que é cortada pela Rua Flores da Cunha, onde houve a escavação na semana passada. Ao percorrer parte da tubulação, o bombeiro Bruno Santarém encontrou uma rede em formato de L (ver quadro) e chegou a andar por cerca de quatro metros.

Na ocasião, o prefeito Abel Grave disse que não havia registros de tubulação na área e que a cidade não mantinha rede de tratamento de esgoto, sendo os dejetos recolhidos por meio de fossa sanitária ou sumidouro. Após a descoberta da reportagem d?O Alto Jacuí, a prefeitura diz agora que há registros de tubos subterrâneos, porém só nas avenidas Getúlio Vargas e Sete de Setembro e Rua General Osório.

Outra reportagem, de 30 de março de 1979 do mesmo jornal, relata a compra, pela prefeitura, de fábrica de tubos de concreto. O Executivo agora estuda preços para contratar geólogos e analisar outros locais para futuras escavações. A ideia é usar uma sonda com câmera ou até mesmo um veículo não tripulado que possa percorrer as tubulações já descobertas e averiguar a real extensão.

FÁBIO SCHAFFNER

08 DE OUTUBRO DE 2019
MERCADO FINANCEIRO

BC abre caminho para pessoa física ter conta em dólares



O governo enviou um projeto de lei à Câmara com objetivo de diminuir os custos das empresas e reduzir a burocracia relacionada a operações cambiais. O texto pode abrir caminho para pessoas físicas terem contas em moeda estrangeira no país - possível hoje somente para segmentos específicos, como agentes autorizados a operar em câmbio, emissores de cartões de crédito de uso internacional, sociedades seguradoras e prestadores de serviços turísticos.

Com o projeto de lei, o Banco Central (BC) pode gradualmente expandir a possibilidade de pessoas físicas e jurídicas serem titulares dessas contas. Mas, de acordo com os técnicos da autoridade monetária, a liberação ainda demandaria regulação específica.

- No futuro, sob certas circunstâncias, pode ser liberado - afirma o diretor de regulação do BC, Otávio Damaso. Ele ainda diz que o principal objetivo do projeto é diminuir a burocracia e tornar mais moderno o arcabouço legal sobre o tema, hoje disperso em mais de 400 artigos:

- O primeiro objetivo é a modernização da regulação cambial, pois temos dispositivos com caráter de lei em vigor desde 1920.

Entre os pontos do texto, está também a liberação para que fintechs atuem de forma independente no mercado de câmbio. Hoje, essas empresas precisam estar associadas a instituições financeiras tradicionais (como bancos e corretoras) para operar no mercado. Essa mudança demandará regulamentação.

Vantagens

Para o BC, entre os maiores beneficiados com o projeto de lei estão os exportadores. O texto libera empréstimos de recursos para subsidiárias no Exterior ou ainda para terceiros fora do país. A previsão é de um corte significativo nos custos com as operações cambiais, embora não haja estimativa oficial do quanto seria a redução.

Bancos centrais estrangeiros também poderão abrir contas em reais no Brasil com o projeto. De acordo com os técnicos do BC, existia demanda das organizações para ter contas e aplicar em títulos brasileiros.

Em maio, o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, foi questionado se facilitar a conversibilidade do real poderia gerar dolarização da economia brasileira e reforçou que não há conclusões definitivas sobre isso em nenhum estudo. Segundo ele, em alguns casos o efeito foi o contrário.

- Falar em conversibilidade da moeda não quer dizer que daqui a três meses as pessoas terão conta em dólar. O processo é muito longo. Mas queremos que ele seja mais simples e mais barato - afirmou Campos Neto na época.



08 DE OUTUBRO DE 2019
SORTE DUPLA NA MEGA SENA

Assessor milionário ganhou de novo

Uma semana após virar milionário, um dos vencedores do bolão realizado por integrantes da Liderança do PT na Câmara dos Deputados voltou a ganhar na Mega Sena. A sorte não permitiu que ele acertasse novamente os seis números da maior loteria do país, mas foi suficiente para fechar uma quadra, dissipando qualquer dúvida do apostador de que irá figurar entre os vencedores novamente.

- Tenho certeza de que vou ganhar de novo. Jogo há mais de 20 anos. Não ganhei na sorte, mas na insistência - diverte-se o sortudo assessor parlamentar que pediu para não ter o nome revelado.

O concurso de 18 de setembro sorteou R$ 120 milhões, valor dividido em 49 cotas, pagando R$ 2,4 milhões a cada participante. As dezenas sorteadas foram 04, 11, 16, 22, 29 e 33. Por hábito, o homem seguiu apostando e, em 24 de setembro, ganhou mais R$ 579,20.

Ele conta que, embora prefira a discrição, não está escondendo a novidade de parentes e amigos que o questionam sobre o assunto. Comenta que, em um primeiro momento, os filhos levaram um susto, já que a "ficha demorou a cair". O destino da bolada ainda é incerto. Investiu parte do prêmio em pecuária, mas ainda não sabe o que fará com a maior quantia do dinheiro.

Cautela

Em relação aos demais colegas sortudos, também paira a dúvida sobre o que fazer. A maioria preferiu a cautela, aplicando o dinheiro por períodos curtos enquanto decide. Não houve debandada em massa do serviço, como poderia se supor.

- Não dá para parar de trabalhar com esse valor. Claro que não há mais a preocupação do dia a dia, mas está todo mundo trabalhando - comenta.

Os vencedores do bolão prometem contribuir, em especial, com duas causas distintas. Colegas que não participaram do concurso e que enfrentam dificuldades serão ajudados. Entre as histórias, está o de uma copeira que mora em uma cidade-satélite de Brasília e que vai receber a quantia que falta para terminar as obras de sua casa.

A segunda frente é voltada à defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba desde abril de 2018. Eventos como a realização de caravanas ao local e atos públicos em defesa da bandeira "Lula livre" receberão apoio.

- O partido não exige, não quer e não recebe. A doação voluntária vai direto para campanhas ou para grupos formados. Quando o pessoal vem numa tendência pelo social, gosta de dividir um pouco da sorte com outros - comenta outro ganhador do bolão que pediu não ser identificado.

E quem não ganhou a bolada milionária? Assim como os vencedores, os que não participaram do bolão evitam dar entrevistas. Participantes do rateio relatam que há dois grupos entre os "perdedores": os que estão inconformados por terem ficado de fora e os que ficaram felizes pela sorte dos amigos.

- Quem não jogou tem de ficar feliz, sim, pelos outros. Eu estava de férias, fiquei de fora, mas estou feliz - comenta um colega que segue com o saldo inalterado na conta bancária.

MATEUS FERRAZ


08 DE OUTUBRO DE 2019
CARPINEJAR

O sonho de cozinhar para os avós

Perdi os meus avós cedo, antes dos 10 anos. Morrer, para mim, será cozinhar para eles, coisa que nunca pude fazer. Representará o meu primeiro gesto praticado no além, meu ato fundador no paraíso da memória.

Tenho essa gratidão engasgada. Não contei com idade para retribuir os almoços e jantares deliciosos do Interior, que eles me serviram durante as férias escolares. Ainda são as minhas refeições prediletas, inesquecíveis, insubstituíveis: a galinha recheada, a sopa de calandre, as polentas na chapa com queijo, tudo com gosto de fogão a lenha.

Não me esqueço da sensação de me sentir amado, com a manta no pescoço, ouvindo o crepitar da madeira, enquanto aguardava o meu prato. Eles colocavam uma almofada na cadeira para que parecesse adulto e alcançasse as porções no centro da mesa.

Eu não pretendo repetir a degustação das benesses de minha meninice, empobreceria a experiência que guardo no coração, até porque já fui feliz um dia.

Quero oferecer um banquete aos dois, que cada um fique sentado na cabeceira suportando a surpresa.

Abrirei um vinho, organizarei uma colorida entrada de folhas, não deixarei que se levantem por nada, nem para ajudar buscando algo conhecido na cozinha. Agirão como meus convidados especiais, com a única missão de provar o tempero da minha admiração. Prolongarei as etapas da conversa, com direito a licor e sobremesa.

Haverá uma eternidade para pôr os olhos em dia: molharei os meus olhos castanhos no mel dos olhos deles. Nenhuma urgência nos atrapalhará mais. Não teremos mais pressa para morrer. Não sofreremos de cansaço, nem da necessidade de acordar cedo. Nenhuma doença e câncer nos tirará mais de perto.

Acho que assarei um cordeiro com alecrim e ervas finas, menu ensinado pela minha mãe e dedicado aos domingos. Cortarei fatias finas, para derreterem na boca, absolutamente transparentes. Ao levantar o garfo, poderão enxergar a Lua do outro lado. De doce, conceberei uma ambrosia, imitando visualmente as montanhas de neblina de Guaporé (RS) e reproduzindo o cheiro de canela e cravo da mata da serra.

Mostrarei o quanto foram importantes, devido ao colo e paciência dados, para que enfrentasse os dissabores da cidade grande. Eu beijarei as suas testas, salgando a minha boca de saudade.

Contarei histórias da família, lembrando tudo que eles não viveram conosco, vão rir de como os netos e bisnetos cresceram com personalidades diferentes.

Sou tão esperançoso, que não enxergo fim no fim, mas vida ainda a ser vivida, vida ainda a ser agradecida, vida ainda a ser festejada.

Morrer trará a glória de cozinhar finalmente para os meus nonnos.

CARPINEJAR

segunda-feira, 7 de outubro de 2019


07 DE OUTUBRO DE 2019
DAVID COIMBRA

Hoje é o dia da grande mudança


Hoje ficamos velhos. Exatamente hoje, segunda-feira, 7 de outubro de 2019. Fui informado dessa data extraordinária pela reportagem escrita por Caio Cigana na superedição de Zero Hora do fim de semana. Cientistas sociais estimam que, em algum momento desse dia glorioso, a quantidade de gaúchos com mais de 60 anos de idade superará a dos que estão abaixo dos 14. Como os cientistas sociais conseguiram fazer esse cálculo, isso não sei, mas confiemos neles. Afinal, são cientistas, ainda que sociais.

A possibilidade de se fazer descobertas desse gênero sempre me fascinou. Porque, ainda que as coisas mudem lentamente, existe um instante em que se dá a troca de uma condição para outra. Quando a pessoa nasce, ela é um nenê. Depois, deixa de ser nenê e se transforma em criança pequena. De criança pequena, ela vira criança grande. Em seguida, adolescente, jovem, adulta e, por fim, velha. Você consegue identificar cada uma dessas condições só de olhar. Se o seu filho faz manha, você protesta:

- Tu não é mais um nenê, pra se comportar desse jeito!

Certo. Mas houve um dia em que ele deixou de ser nenê. O dia em que a fronteira foi ultrapassada. Um dia mágico.

Pense em você. Numa determinada manhã da sua vida, você se acorda, levanta-se da cama, caminha para o banheiro, olha-se no espelho e se espanta:

- Meu Deus! Acabei de ficar velho!

É o que está acontecendo conosco nesse histórico 7 de outubro de 2019. Deveria se tornar uma efeméride: "O Dia da Velhice Gaúcha". O que tem vários significados, e há uma entidade em especial que deve ficar atenta a eles: o Mercado.

O Mercado, você já sabe, é muito suscetível. Qualquer coisinha deixa-o nervoso. E ele tem mania de olhar só para os jovens. Ele sempre se pergunta: o que os jovens querem? Quais são os hábitos dos jovens? O Mercado paga caríssimo por pesquisas para saber o que pensam os jovens. Pois bem, querido Mercado, os jovens agora são minoria. Você tem de prestar atenção nos velhos. Tem de prestar atenção EM MIM, embora eu ainda não tenha chegado aos desejáveis 60 anos. Mesmo assim, considero-me um representante da maioria provecta do Rio Grande. E, por isso, posso dizer do que gostamos e o que queremos.

Não me venha, portanto, senhor Mercado, com Black Mirror ou Game of Thrones, nós gostamos de Jeannie é um Gênio, Viagem ao Fundo do Mar e Perdidos no Espaço. No máximo, Friends. Nós gostamos dos Flintstones, dos Jetsons e da Corrida Maluca. Nós gostamos dos desenhos de Hanna & Barbera, não de Peppa Pig! Nós queremos ir ao cinema e botar CDs para rodar. O que nós vamos ouvir nos CDs? PHIL COLLINS! Admito! Admitamos sem vergonha todos nós, velhos do presente e do futuro: nós ouvimos Phil Collins! Vamos cantar juntos: "Take a look at me noooooow?"

Sabe o que nós vestimos, ô, Mercado? Cardigãs! Gola olímpica! Sim, até gola olímpica usamos! Nós chamamos calça jeans de calça Lee. Nós ainda queremos tomar café da tarde e mexer o gelo do uísque com o dedo, nós queremos ler livros clássicos de mistério e jornal de papel. E tem mais: as nossas fotos não estão lá em cima, boiando na maldita nuvem. Estão coladas com toda segurança em um álbum! Vá se acostumando, Mercado, seu biltre: a novidade, a partir de hoje, é ser antigo.

DAVID COIMBRA

07 DE OUTUBRO DE 2019
PERIMETRAL

O primeiro abandonado

Nunca um imóvel de Porto Alegre foi declarado abandonado - esse é o primeiro. Parece absurdo, dada a quantidade de prédios caindo aos pedaços, mas só agora a prefeitura pode fazer isso. ?

Antes, precisava entrar com uma ação na Justiça: o processo levava tanto tempo, que até hoje jamais uma sentença foi proferida. Mas um decreto de Nelson Marchezan, de agosto, permitiu que a prefeitura passasse a resolver a questão sozinha - sem acionar o Judiciário. ?

O prédio da foto, no bairro São Geraldo, deve aparecer como imóvel abandonado no Diário Oficial nos próximos dias. Na prática, a posse do local passa para o município. E a prefeitura pode usá-lo, por exemplo, para abrigar moradores de rua - deve ser esse o destino do imóvel, segundo a Procuradoria-Geral do Município (PGM). ?

Aliás, a pedido da PGM, que teme invasões ao terreno, a coluna não divulga a localização exata do prédio. Mas o imóvel, embora privado, reúne os critérios que o Código Civil estabelece para o município se apropriar dele - além de degradado, são mais de cinco anos sem pagamento de impostos. ?E o proprietário nunca respondeu às notificações.

O advogado Bruno Martins da Costa Silva, com uma década de experiência em Direito Patrimonial, lembra que o decreto de Marchezan se baseia em uma lei federal de 2017: ?

- Não é uma postura invasiva nem arbitrária da prefeitura. Como os espaços urbanos são finitos, o proprietário precisa cumprir a função social da propriedade, prevista na Constituição: é obrigação dar algum tipo de uso a ela.

PAULO GERMANO

07 DE OUTUBRO DE 2019
OPINIÃO DA RBS

DESAFIOS DA LONGEVIDADE


O Rio Grande do Sul ingressa hoje em uma nova era sem estar preparado para as mudanças que se fazem e se farão, cada vez mais, necessárias. A projeção dos dados do IBGE indica que, nesta segunda-feira, nosso Estado passará a ter, pela primeira vez na História, mais habitantes com idades iguais ou superiores a 60 anos do que crianças e adolescentes de zero a 14 anos. Entrevista realizada pelo jornalista Caio Cigana com ex-diretor do programa de envelhecimento da ONU, o médico brasileiro Alexandre Kalache, publicada no final de semana por Zero Hora, alerta para a inexistência de políticas públicas voltadas a essa virada demográfica, que se inicia pelo Rio Grande do Sul mas chegará a todo o país.

Da mobilidade urbana, passando pela educação, pela previdência e chegando à área da saúde, o perfil mais maduro da população exige uma prestação de serviços e um modelo de Estado que já deveria estar sendo debatido e construído. Estamos atrasados e, justamente por isso, o alerta tem a função construtiva de oferecer dados e análises que inspirem decisões e ações urgentes. 

Não é só a esfera pública que precisa prestar atenção a esse fenômeno, que vem se construindo lenta e constantemente há décadas, impulsionado pela expectativa de vida maior e pelo menor número de nascimentos entre os gaúchos. Indústria, comércio, agronegócio e prestadores de serviço têm pela frente o desafio de se adaptar ao público cada vez mais grisalho e diferente do estereótipo do idoso envelhecido e ocioso. Pesquisas mostram que os 60+ de hoje encaram essa fase da vida como um novo momento de realizações, experiências e busca de objetivos. Essa realidade, mostrada em reportagem publicada no caderno Vida do fim de semana, começa hoje a ser analisada em uma série de artigos nas página de Opinião do jornal, no site GaúchaZH e também nas rádios Gaúcha e Atlântida.

Apesar do atraso, existem iniciativas positivas, como a do município de Veranópolis, que já vem se moldando há bastante tempo a essa nova pirâmide etária.

Em meio a necessidades bem mais visíveis e barulhentas, a mudança do perfil etário da população acaba ofuscado. Os números nos mostram que, finalmente, chegou a hora de alçar esse tema ao centro do debate. Não é mais uma questão de vontade, mas sim uma realidade de mercado e uma imposição dos fatos.

OPINIÃO DA RBS


07 DE OUTUBRO DE 2019
PROGRAMA SOCIAL

"Parece pouco, mas representa tanto"

Desde que a crise se instalou no país, o Bolsa Família ficou estável ou caiu em nove dos 10 municípios mais ricos do Rio Grande do Sul. Gravataí, na Região Metropolitana, foi o único fora da curva. De 2013 para cá, o número de lares contemplados saltou de 6,3 mil para mais de 9,8 mil, aumento de 56%.

Nesse grupo em ascendência está Rejane Amaral, 51 anos. Desempregada, entrou para o cadastro há pouco mais de um ano. Recebe R$ 91 por mês, que "parece pouquinho", mas "representa tanto", segundo ela:

- É uma gota d?água quando se está morrendo de sede, sabe?

Rejane divide uma casa alugada, feita de alvenaria e madeira, com uma irmã e uma sobrinha. Dorme em um colchão na sala, que, durante o dia, acomoda em cima de um armário por causa da falta de espaço. Ex-servidora pública, a desempregada sofreu revés que a levou a recorrer à assistência.

- Sou cria da crise - resume.

Após pedir demissão do cargo público, se formou técnica em meio ambiente e partiu em um voo para Aracruz, município capixaba de 100 mil habitantes. No Espírito Santo, tinha a promessa de emprego na Sete Brasil, empresa criada para explorar a camada de pré-sal: em uma plataforma de petróleo, trabalharia 15 dias ininterruptos para outros 15 de folga.

Mas a empresa foi implicada na Operação Lava-Jato e o trabalho nunca apareceu. Após dois anos fazendo bicos de faxineira por lá, retornou a Gravataí para recomeçar. Sem renda, viu no programa um primeiro passo.

- Dizia: "meu Deus do céu, como posso estar recebendo o Bolsa Família?". Mas, ao mesmo tempo, dá uma ajuda para respirar em um momento que se está passando por dificuldade - comenta a mulher sorrindo, sem perder o bom humor.

Ao acompanhar o aumento da assistência em Gravataí, Rejane passou a representar um novo segmento do Bolsa Família. São pessoas que perderam tudo por causa da crise e que têm o pagamento como uma espécie de seguro-desemprego - benefício pago somente por cinco meses - durante a procura por uma oportunidade.

- Sem o benefício, hoje, muita gente não tem com o que viver - avalia a secretária-adjunta da Família, Cidadania e Assistência Social de Gravataí, Joice Michels.

Para além da recessão, a secretária menciona outra causa para o aumento dos pagamentos no município, relacionado à capilarização dos centros de atendimento às famílias. Havia somente um ponto para o cadastramento, no Centro, até que, em 2013, outros quatro foram inaugurados, em áreas periféricas.


07 DE OUTUBRO DE 2019
CLÁUDIA LAITANO

Memórias do tempo das milícias


Houve época em que a palavra "milícia" era associada a quem combatia o crime - e não a quem vivia dele. Era o tempo do imperador (1852), e um rapazote chamado Manuel Antônio de Almeida começou a publicar no jornal carioca Correio Mercantil o folhetim que daria origem ao romance Memórias de um Sargento de Milícias - que por sua vez se passa "no tempo do rei", ou seja, entre 1808 e 1822.

Escrito com a espontaneidade de quem estava protegido pelo anonimato e com o franco objetivo de divertir seus leitores, Memórias de um Sargento de Milícias tornou-se um retrato vivo e saboroso do Brasil do século 19 - ainda hoje muito útil para quem se dedica a estudar a vida cotidiana naquele período.

A mais importante análise do livro seria escrita quase um século depois. No ensaio Dialética da Malandragem (1970), o crítico Antonio Candido mostra como os personagens do romance oscilam, sem culpa, entre a ordem (a lei) e a desordem (a farsa, o jeitinho, a corrupção, o crime). A começar pelo personagem principal, Leonardo, o sargento de milícias do título, típico gaiato folgado que sempre se dá bem e nunca sente remorso. Mais do que a análise literária propriamente dita, Candido extraiu do romance uma interpretação profunda e original sobre o modo como as coisas funcionavam (ou funcionam) no país em que "tutto è burla".

Arqui-inimigo de Leonardo, o personagem major Vidigal pode parecer curiosamente familiar aos leitores de hoje em dia. Vidigal era o mandachuva do pedaço, o "árbitro absoluto" que não apenas caçava os criminosos pelas ruas do Rio de Janeiro como julgava e distribuía as penas.

Passamos boa parte da história sendo convencidos de que Vidigal era uma espécie de paladino da lei e dos bons costumes. Até que, por interesses pessoais não muito nobres, o personagem acaba entregando-se sem culpa à desordem que dizia combater.

Baseado em um personagem real do século 19, Vidigal parece ter inspirado toda uma linhagem de falsos moralistas do século 21. Alguns deles, diga-se, aproximando-se perigosamente daquilo que hoje conhecemos como milícia.

CLÁUDIA LAITANO

domingo, 6 de outubro de 2019

A arte de escolher a carreira errada

Um ser humano adulto faz, em média, 35.000 escolhas por dia; de forma consciente ou não. Você mesmo acabou de decidir que gostaria de ler este texto. Por isso, quero falar com você sobre um assunto com o qual lido diariamente: nossas escolhas profissionais. Por que escolhemos a carreira que escolhemos? E por que essa decisão muitas vezes é incorreta? Como descobrir se essa profissão não é para você? E quais alternativas você tem para descobrir e viver de suas paixões?
Vou tentar responder essas e outras perguntas da melhor maneira possível e espero te ajudar a refletir sobre esse aspecto em sua vida, se assim for necessário para você.
Logo cedo, ainda antes dos 20 anos, somos encarregados de definir qual será a nossa carreira pelo resto de nossas vidas. E, sim, é uma decisão um tanto injusta para alguém que mal sabe o que vai comer no almoço. Há, claro, quem já tenha descoberto sua grande paixão desde de muito jovem e admiro alguém com tamanha sensibilidade. Mas, se não foi assim com você, bem-vindo ao time.
Eu lido com esse assunto todos os dias, pois a missão da Hotmart é permitir que as pessoas vivam de suas paixões, e isso tem uma conexão íntima com suas carreiras. Mas eu te conto como cheguei até aqui.
POR QUE escolhemos a carreira errada?Somos imaturos para tomar uma decisão.
O primeiro e mais óbvio motivo é, também, o mais comum entre os recém-chegados à vida adulta. Lembro-me do Ensino Médio, quando vários testes vocacionais eram aplicados e nós teríamos, então, a resposta para todos os problemas. Ledo engano.
Como sempre fui curiosa e escrevia aparentemente bem, fiz minha escolha sem pensar duas vezes. Depois de optar pelo Jornalismo e entrar na faculdade, descobri que deveria trabalhar em algum jornal, revista ou assessoria. À medida que o tempo passava e eu avançava no curso, o desespero me tomava a cada vez que eu lembrava que não gostava de nada daquilo. Talvez não gostasse nem do Jornalismo em si. Mas eu não podia desistir, afinal, já estava quase me formando e a faculdade não era nada barata. O que eu faria se saísse? E eu nem era boa em mais nada além daquilo. Eu iria jogar tudo fora? Se eu soubesse o que estava por vir, talvez o fizesse.
Não fazemos uma escolha, de fato.
Acredite, ainda é comum que os pais guiem os filhos desde pequenos para que façam uma escolha adequada – de acordo com a opinião deles. Não os julgo; eles desejam que os filhos sejam bem sucedidos e tenham ótima qualidade de vida. Mas aí nos deparamos com uma divergência de gerações: os jovens de hoje têm muito mais opções de carreira que seus pais jamais tiveram, e por um fator simples e, ainda assim, incrível: o avanço tecnológico.
Não ir para a faculdade não é uma opção.
Este é um processo tão natural na sociedade que mal o questionamos. Sem precisar analisar nosso sistema educacional – um tanto polêmico – é fácil concluirmos que há uma falha nisso tudo: simplesmente não existe formação para todas as profissões possíveis no mundo. Nenhum blogueiro fez faculdade de como blogar, certo? E é aí que vamos para o próximo tópico:
Nossa profissão dos sonhos simplesmente não existia.
Saudações à nossa tecnologia. Ela abriu tanto espaço para inovações que algumas profissões que antes nem existiam, hoje estão em alta! Analistas de Marketing, de Redes Sociais, especialistas em SEO, Produtores digitaisAfiliados, Desenvolvedores de aplicativos e Analistas de Big Data eram raríssimos ou nem existiam há 10 anos. E esse é um ciclo natural, que continuará ocorrendo à medida que a sociedade avança.
Sucesso é sinônimo de mundo corporativo.
Ou isso era o que acreditávamos. Ao longo do anos, fui descobrindo que sucesso é um fator íntimo e específico de cada pessoa. Há quem precise de prestígio, reconhecimento e um salário nas alturas para ser feliz. Há quem considere sucesso, fazer aquilo que mais ama, independente do retorno financeiro. Há quem sonhe somente em poder trabalhar de casa e passar mais tempo com a família. A lista é grande e muito particular.
Quando descobri que aquela hierarquia congelada de grandes corporações não era para mim, por um momento, achei que tinha algo muito errado naquilo tudo. Eu nunca iria me encaixar em uma área pela qual fosse realmente apaixonada. Ainda bem que, dessa vez, eu também estava errada.
O que podemos concluir até aqui? Que é extremamente fácil escolher a carreira errada! E você não deveria se culpar por isso. Como pode perceber, existem muitos fatores para deturpar nossa decisão.
A minha situação, então, era: eu ainda era super curiosa com o mundo, gostava de escrever, mas não sabia como transformar aquilo em uma profissão. Definitivamente não seria me tornando uma jornalista. E isso me incomodava muito!
Eu precisava, portanto, identificar se eu realmente havia escolhido a carreira errada, ou se era apenas, uma rebelde sem causa que não gostava de trabalhar.
Se você se identificou até aqui, te conto todos os questionamentos que eu utilizei para chegar à uma conclusão útil, que me fizesse agir em relação à minha situação profissional.
Como identificar se você escolheu a carreira errada?
Você só pensa naquilo.
Para você, o que importa, é que seu salário caia no dia certo em sua conta. Claro, pagar as contas é importante, mas se você foca somente nisso, você tem 29 dias infelizes para esperar por aquele único em que seu salário é creditado.
Você reclama muito.
E aqui você precisa de um tanto de sinceridade para admitir que você reclama. Com seus amigos, parentes e sempre que pode, você fala o quanto não gosta de seu trabalho e se pudesse, largaria. Primeiro, reconheça, depois, continue lendo, pois talvez os próximos tópicos clareem sua mente.

Você pensa constantemente em alternativas.

Você gostaria muito de trabalhar com outra coisa, algo que lhe desse mais prazer, mas não consegue pensar claramente o que poderia ser. Ou ainda: já sabe, mas tem muito medo de arriscar, afinal, teria que começar tudo de novo e isso pode dar certo trabalho.

Você está parado no tempo.

Se você está há muito tempo fazendo a mesma coisa, sem motivação para aprender mais, fazer mais, fique atento! Esse sinal de comodismo pode ser um forte indício de que você não gosta do que faz e sua zona de conforto tem lhe protegido vorazmente desse fato.

Você não tem um propósito.

Tudo bem, encontrar um propósito de vida pode ser extremamente difícil. Mas se você trabalha simplesmente para pagar contas, certamente você não tem um. Incomodada como sou, busco sempre renovar os meus. E eles nunca estão relacionados a dinheiro. Dinheiro pode ser um meio de conquistar seus sonhos, mas nunca uma finalidade a se alcançar.

Você nunca consegue alcançar as expectativas

Aqui você deve ter muito cuidado para saber diferenciar se a carreira escolhida realmente não é para você ou se você está apenas fazendo corpo mole. Nenhuma outra carreira será fácil, se fosse, não teria emoção, não acha?
Eu tive todos esses sintomas e concluí que a tarefa de resolver esse problema era mais que urgente. Por um fator de sorte ou de muita insistência em encontrar uma carreira legal, um amigo me apresentou o Marketing de Conteúdo para internet. E aí tudo mudou. TUDO.
Era um mundo tão novo, tão dinâmico, que se atualiza tão rápido, que eu queria aprender tudo o mais rápido possível, de tão divertido que era. E ainda é. Alguns anos se passaram e mesmo assim sinto que é tudo novidade.
Depois de um tempo na área, vim parar na Hotmart.
E a missão da Hotmart é permitir que as pessoas vivam de suas paixões. Coincidência ou não? (Não conhece a Hotmart? Clique aqui.)
Por isso estou aqui compartilhando minha história com você. Assim como encontrei a minha paixão, quero que outras pessoas também encontrem as delas e as vivam!
E depois dessa caminhada, quero dividir alguns pontos fundamentais para você descobrir suas paixões.
  1. Já percebeu que quando você está apaixonado, não consegue parar de falar sobre a pessoa? Descobrir o que você mais ama fazer é, também, mais ou menos assim. Pense naqueles assuntos que você adora falar, gosta de pesquisar e perde a noção do tempo quando lê a respeito.
  1. Lembre-se daquelas atividades que você tem total controle para executar e não precisa da ajuda de ninguém. E mesmo quando tem alguma dificuldade, consegue resolver facilmente. Pense, por exemplo, em atividades que as pessoas pedem que você as ensine.
  1. Considere todas as opções. Se você descobriu que está no caminho errado, não se limite. Não importa se você precisar começar do zero. Considere mudar de área, de emprego, por que não? Muitos usuários da Hotmart pivotaram suas carreiras de anos para empreender naquela área que mais gostavam, mesmo sem saber empreender! Aprenderam a ser afiliados ou produtores digitais e descobriram um mundo de oportunidades. (E isso também nos inspirou a criar um curso gratuito sobre empreendedorismo para os novos aventureiros, o Hotmart Academy.) Assim como eles, considere empreender! Existe um tabu de que para fazê-lo, é preciso alto investimento, e isso, nem sempre, é uma premissa. Pense em como seus talentos podem transformar o modo como você lida com sua carreira.
  1. Seja realista. Independente da carreira que escolher, você terá altos e baixos. É humanamente impossível fazer com que todos os dias de sua vida sejam incríveis. E você não pode se desanimar por isso, combinado?
  1. Analise se sua suposta paixão, o leva a um propósito. Propósitos são objetivos claros que te fazem mais feliz, completo, realizado. Não existe um limite de propósitos, você pode descobrir que tem vários deles, se desejá-los genuinamente e intensamente. Pode ser construir um negócio que afetará a vida de várias pessoas, ter uma família, viajar pelo mundo, ter uma casa ou qualquer outra coisa que for realmente importante para você. Se sua carreira contribuir para alcançá-los, é um sinal forte de que está no caminho certo.
  1. Não tenha medo de errar. Saber lidar com os erros de forma racional é uma habilidade essencial para evoluir e quanto mais experiência você tiver, mais assertivas serão suas decisões.
Durante minha trajetória, antes de descobrir que eu amava mesmo trabalhar com marketing de conteúdo, também fui professora de dança, criei um canal de música no Youtube e abri um ecommerce de roupas. Considerei todas as opções. Todas eram muito legais, mas nenhuma fez tanto sentido quanto o meu trabalho atual.
Depois de escrever no papel vários objetivos que eu gostaria de alcançar na vida, descobri que até aqui não teve nada de sorte nesse percurso. Teve persistência, muitos questionamentos e um tantinho de paciência.
Em minha entrevista de seleção, falei com uma de nossas recrutadoras que eu gostaria muito de fazer uma mudança significativa na vida de 3 pessoas ao longo da minha vida. E bem, se esse texto fizer sentido para pelo menos 3 pessoas, vou ficar extremamente feliz!
Se você for uma delas, não deixe de me contar e compartilhar este post para que mais pessoas possam refletir sobre suas escolhas profissionais.
Espero que a frase “viva de suas paixões” faça tanto sentido para você quanto faz para mim, para meus colegas de trabalho e para todos os nossos usuários.

sábado, 5 de outubro de 2019

Para uma tarde de sábado, assim chuvosa como essa, nada melhor que música para ver e ouvir. Espero você também goste e curta.



Je n'aurai pas le temps - Michel Fugain


Je n'aurai pas le temps de Michel Fugain - Paty Lac


O Melhor de Ennio Morricone As Melhores Trilhas Sonoras de Filmes [ HD ]


05 DE OUTUBRO DE 2019
LYA LUFT

A casa da vida


Leitores e Zero Hora hão de me perdoar se, na primeira vez em que me sento diante do computador depois que a Senhora Morte não me quis, eu reproduzir aqui trechos de meu livro A Casa Inventada, de dois anos atrás.

A vida precisa de uma porta para espiar o que há dentro: um corredor, o espelho e suas criaturas, a sala da família e um claro quarto, de criança; um porão de aflições que soluçam à noite (mas dizemos: é o vento); um pequeno jardim com três árvores esguias. Num resto de muro, a escada de madeira parece não levar a nada. (Pousado no último degrau, um pássaro de sombra me observa: seu bico é curvo e afiado.)

A porta da frente nos atrai como alguém chamando vem, vem, vem. Curiosidade: o que haverá atrás daquela porta entreaberta mesmo em tempos inseguros e violentos: quem a esqueceu assim? Quem a abriu e vai sair agora? Ou está entreaberta para receber minhas ansiedades? Mas, se eu a criei, como posso não saber?

Invento a secreta casa: beleza e crueldade, o belo sinistro, a vida. Uma casa pode ser um labirinto, porque a gente anda em círculos, procurando a saída, que saída, onde, quando, como? À noite, vendo as luzes da cidade, nunca deixo de imaginar aquelas vidas. O que fazem, dizem, pensam, saboreiam ou sofrem? Quanto deliram, quanto desistem? Uma casa se oferece diante de nós como a alma de alguém: o poeta Rilke, na minha cabeceira, diz: "A alma do outro é uma floresta escura".

Uma casa se projeta com ciência e fantasia; e deve se erguer sobre um fundamento firme. Uma boa casa, que durasse anos ou eternidades. Que perdurasse na memória até depois de desabar. Até se fechar a pálpebra da vida - e tudo ficar tranquilo. Construímos com nossa carne e pensamento cotidiano. Êxtases ou tragédias são tijolos frágeis, cuidado.

Sangue, lágrimas, risadas, esperanças, punhais enterrados no peito, tiros nas costas, carícias maternas ou sensuais, e a necessária alegria. Com sorte superamos as fatalidades: o solo arenoso, o terremoto, o raio, a inundação, a enorme pedra no caminho, as falhas dos operários, nossos próprios erros e desesperos, e pequenas glórias.

Se a casa se completar, a vida terá vencido, ainda que a gente só perceba isso no último instante - pois nunca sabemos se está terminada. Como ninguém conhece os prazos de validade ou de esperança, tudo é muito secreto. Melhor para nós, amadores.

Atravessei todos os aposentos, e cansei dessa andança no esforço de continuar viva. Desço para o minúsculo jardim. Chego junto da escada encostada no muro, e que parece levar a lugar nenhum: quando levanto os olhos, lá em cima está aquele pássaro esquisito, entortando a cabeça como fazem os pássaros, afiando seu bico contra a madeira. E me espia.

Então, já de pé no primeiro degrau, desisto de subir, de saber o que existe por lá. Ainda posso celebrar, com lágrimas ou com espumante, o movimento dessa engrenagem de que somos parte, e que, apesar dos adeuses, se chama - mais do que morte - vida.

LYA LUFT


05 DE OUTUBRO DE 2019
CLAUDIA TAJES

Pode vir quente

Começou a escurecer mais tarde e, ainda mais do que uma prova de que a terra gira, redonda como só ela, esse singelo fato também é uma declaração de vitória: sim, nós vencemos mais um inverno úmido e com temperaturas tanto de bater queixo quanto de suar no casaco de pele falsa - ambas no mesmo dia. Não admira que o estado de saúde do gaúcho seja eternamente gripado. E que a vacina tetravalente tenha desbancado o fondue como grande sucesso da estação.

Nós, que temos casas e cobertas, vencemos o inverno. E, agora, quem não tem poderá dormir pelas ruas de Porto Alegre com um pouco menos de sofrimento, se é que isso é possível. Já que vai levar quase um ano até que os termômetros congelem novamente, bem que a prefeitura e seus órgãos podiam ir pensando desde já em soluções para abrigar as pessoas. A gente ouve cada coisa, se está na rua é por ser drogado e vagabundo, quem mandou não trabalhar etc. Aí passa pelo abrigo Dias da Cruz às 9h e já vê ali, começando a formar uma fila, os que não querem correr o risco de ficar sem uma cama no fim do dia. Como é triste não ter para onde ir.

Mas é fato que os dias estão mais longos e que a vida vai mostrando as caras depois do expediente. São muitos correndo e caminhando nos parques depois de bater o ponto. É a época em que as academias recebem de volta os alunos engolidos pelo frio. Tempo de deixar para trás o vinho tinto, o chocolate, a feijoada e o mocotó que acalentaram não só os corpos, mas os espíritos. Para os que esperam por temperaturas mais amenas para fazer ginástica, a vida é um eterno dia da marmota, começar de novo a cada primavera.

O calor também promove o reencontro com roupas estimadas que passaram meses no fundo da gaveta. E com a sempre presente ameaça de não entrar nelas com tanta facilidade assim. Aperta, te encolhe, força um pouco, que fecha. De todos os white people problems que acometem as gurias, talvez um dos mais bobos, e nem por isso menos chatos, seja o momento de vestir o biquíni do ano passado. Por sorte, o conceito de "ter um corpo para usar biquíni" mudou bastante nos últimos tempos. Hoje, basta ter um corpo e usar biquíni. Agora é botar isso na cabeça e mandar um beijinho no ombro para quem ainda insiste em ser inimigo da autoestima alheia.

E vêm aí as atrações aquelas que todo mundo gosta. A Feira do Livro com seus lançamentos para acompanhar os banhos de sol no clube, na laje, na praia. É bem melhor ler um livro do que mexer no celular, a claridade atrapalhando a visão da tela. As feiras de todos os tipos que se multiplicam quando o sereno se vai. 

As mesas na rua, tão bom sentar ao ar livre enquanto não esquenta demais. Sim, porque em breve estaremos todos reclamando do calor, os mais exóticos suspirando pelo inverno. Desse mal eu não morro. Mil vezes a canícula que a friaca. E isso que ainda nem citei o maravilhoso horário de verão, com o bônus da claridade extra para borboletear por aí. Opa, pera. Não tem horário de verão em 2019. Acabaram com a alegria do pobre. Não há de ser nada. Combateremos, literalmente, à sombra.

Que venham os dias quentes.

CLAUDIA TAJES

05 DE OUTUBRO DE 2019
CARPINEJAR

Não finjo o que não tenho


Eu só entro em lugares que posso pagar. Não invento de sofrer até a fatura chegar. Não banco o magnata de araque.

Não vale a pena economizar no seu pedido, solicitar ao garçom o item mais singelo, tomar água, dispensar a sobremesa, e, no final da noite, alguém ter a maldita ideia de dividir a conta de modo igual a todos presentes. Ou seja, arcará com vinho que não bebeu, com as benesses que não desfrutou, com os caprichos que apenas sentiu o cheiro ao lado.

Enrolou o máximo de tempo para não terminar rápido a sua porção comedida, contentou-se com uma salada que jamais comeria em casa, sufocou a fome, aguentou os vizinhos de cadeiras se servirem à vontade e repetirem as suas oferendas, nem quis o expresso para não sobrecarregar mentalmente a fatura, e caiu no conto da democracia financeira.

Aquele que poupa para si sempre é vítima preferida da mesa. Pelo medo de desagradar, afunda no especial e assume juros incontroláveis. Sustenta a gula alheia com a sua timidez. O que era para ser uma diversão torna-se um tormento.

Não tento exibir mais do que tenho. Acredito que as pessoas gastam fortunas para parecerem ricas.

É um princípio de vida. Sei o meu tamanho e não me perco na inveja. Não chego às raias da avareza, mas tampouco finjo generosidade. A falta de confiança traz constrangimentos letais. Nem sempre fui leal aos meus limites. O orgulho desconhece o fundo da conta.

Lembro que, ainda universitário, saí com a família para comemorar o aniversário da mãe em um restaurante chique italiano. No final, a minha irmã me provocou:

- Hoje é o Fabrício que vai pagar a conta. Óbvio que não podia abraçar a consumação aloprada de 10 convidados. Mas vá explicar isso para a raiva.

Em vez de me recolher a minha insignificância, aceitei a provocação como um desafio e assinei um cheque muito além das minhas economias. Pretendi calar a boca da família sobre a minha instabilidade de estudante de Jornalismo, esconder a penúria de preferir o xerox à aquisição de livros e afundei em uma série de vexames.

Para quê? O cheque voltou, corri atrás do restaurante e tive que renegociar a dívida em humilhantes cinco parcelas. A dona do lugar só faltou me contratar para lavar os pratos.

CARPINEJAR


05 DE OUTUBRO DE 2019
REPORTAGEM

INOVAÇÃO

Mais do que ajudar a modernizar a economia gaúcha, o estímulo à inovação pode evitar a fuga de jovens talentos do Estado, dizem especialistas. Na comparação com outras regiões do país, os gaúchos têm uma vantagem: a rede de universidades e parques tecnológicos vinculados a instituições de ensino.

O potencial do Rio Grande do Sul na área pode ser ilustrado em números. Segundo dados compilados até 18 de setembro, o Estado concentrava 971 startups, terceira maior marca do país. Nesse quesito, os gaúchos só ficam atrás de São Paulo (3,7 mil) e Minas Gerais (1,1 mil). As estatísticas integram pesquisa da Associação Brasileira de Startups (Abstartups).

- O ambiente das faculdades é um dos diferenciais do Rio Grande do Sul, que tem potencial para formar empreendedores. Os centros de inovação, representados pelos parques tecnológicos, geram uma oportunidade bárbara - salienta Ronald Krummenauer, CEO do Transforma RS, movimento de entidades empresariais que busca discutir com o governo estadual temas relacionados ao desenvolvimento gaúcho.

Recentes iniciativas que indicam preocupação em modernizar o ambiente de negócios têm chamado atenção de especialistas. Na Capital, Unisinos, PUCRS e UFRGS uniram-se, em 2018, à prefeitura e a entidades da sociedade civil por meio do movimento Aliança para Inovação, que busca evitar a fuga de talentos do município. Em seguida, a aproximação deu origem ao Pacto Alegre, que formalizou metas para tornar Porto Alegre uma referência em inovação no país.

Na Serra, há iniciativa similar. No ano passado, empresas, entidades representativas, poder público e instituições de ensino criaram o movimento Hélice. A intenção é compartilhar esforços para o desenvolvimento de práticas inovadoras na região.

- O Rio Grande do Sul tem potencial na área. A aliança entre universidades é um sintoma de que tem gente preocupada com inovação. Esses movimentos dependem do apoio do poder público, que tem o papel de ser um facilitador - analisa o economista Ely José de Mattos, professor da PUCRS.

Para Ely, um dos nichos com capacidade de crescimento em inovação, especialmente em Porto Alegre, é o da saúde. Segundo o economista, o potencial decorre do fato de a Capital ser um polo nessa área, reunindo hospitais de referência.

Secretário estadual de Inovação, Ciência e Tecnologia, Luís Lamb acrescenta que o Rio Grande do Sul também pode avançar em setores como o de desenvolvimento de softwares, já que concentra empresas que atuam nesse segmento. Apesar de demonstrar otimismo com o assunto, Lamb reforça que o Estado tem de superar desafios:

- A sociedade precisa enxergar que áreas como computação e robótica podem alavancar o Rio Grande do Sul. Nosso modelo de crescimento pode ser acelerado. As principais empresas do mundo são de tecnologia e inovação.

ENTREVISTA | Pedro Dutra Fonseca, Economista e professor da UFRGS

Um dos economistas mais respeitados no Estado, Pedro Dutra Fonseca avalia que o Rio Grande do Sul tem potencial de avanço em áreas intensivas em conhecimento e tecnologia. Apesar disso, frisa que setores tradicionais da economia gaúcha não podem ser deixados de lado. Nesta entrevista, o professor da UFRGS também sugere que o governo estadual atue como um "incentivador" de parcerias entre empresas e universidades.

QUAIS SÃO OS POTENCIAIS DA ECONOMIA GAÚCHA?

O Rio Grande do Sul tem potencialidades em áreas intensivas em conhecimento. Há uma rede de universidades muito boas na formação de pessoas. Temos áreas fortes, como o setor primário, com peso importante na economia do Estado, além de intensivas em tecnologia. Um diferencial é a rede de formação de pessoas espraiada pelo território. O que seria preciso? Investimento mais forte em ciência e tecnologia.

INVESTIMENTO QUE ENVOLVA PARCERIAS ENTRE OS SETORES PÚBLICO E PRIVADO?

Sim. É onde a parceria pode dar mais certo. Já há uma certa experiência. No setor primário, por exemplo, é muito forte a interação entre a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), as universidades do Interior e a própria UFRGS. Outra questão interessante é a dos investimentos na área de saúde. Há uma rede muito boa de hospitais públicos e privados no Rio Grande do Sul. Temos ótimas faculdades de Medicina, sempre muito bem cotadas em qualquer ranking federal. No Estado são feitos transplantes, cirurgias complexas. Também vejo que essa é uma área com vantagem comparativa. Além dos setores tradicionais, como agronegócio, de calçados, do vinho, as áreas de ponta seriam aquelas intensivas em conhecimento.

QUAIS OS DESAFIOS PARA UNIR A INOVAÇÃO TECNOLÓGICA AO CAPITAL HUMANO?

O Rio Grande do Sul tem universidades de qualidade. O convênio entre UFRGS, PUCRS e Unisinos (movimento batizado de Aliança para Inovação) é superimportante para fazer um trabalho conjunto. Também há iniciativas no Interior. Universidades comunitárias são muito voltadas para suas regiões. São potencialidades, mas o Rio Grande do Sul não pode descuidar daquilo em que já mostrou ter tradição. Por exemplo, fico muito chateado com a perda da indústria de calçados no Estado. É um setor muito importante. Temos, por exemplo, a parte do fumo em Santa Cruz do Sul, o vinho. São indústrias tradicionais. Não podemos ter o fetiche de só pensar no que é de ponta e descuidar daquilo em que historicamente já mostramos ter background. Essas indústrias empregam muita gente.

O QUE É NECESSÁRIO PARA QUE INDÚSTRIAS TRADICIONAIS NÃO PERCAM AINDA MAIS FÔLEGO?

Muitas indústrias tradicionais do Rio Grande do Sul são exportadoras. O Estado sofreu com o dólar baixo. Além disso, tem relação forte com a Argentina, que vive instabilidade. O país teve problema no governo de Cristina Kirchner (2007-2015), e Mauricio Macri (atual presidente) não resolveu. Pelo contrário, piorou. Isso afetou as indústrias do Estado, como a calçadista. O importante é o empresário aprofundar a interação com as universidades e os centros de pesquisa. O governo gaúcho não tem dinheiro. 

O que ele pode ser, por exemplo, é um aglutinador. Um provocador. O governo pode ajudar a promover isso. Há muitos setores da economia do Rio Grande do Sul com vínculos com instituições de pesquisa. Houve uma época em que se acreditava em um governo financiador, que oferecia juro subsidiado ou isentava impostos, criava incentivos fiscais. Hoje, é impossível pensar nessa situação. O Estado está quebrado. Não há mais espaço para fazer renúncia fiscal, nem para aprofundar os gastos públicos. Outra coisa que o Estado pode fazer, e tem gente para isso, é a realização de estudos.