sexta-feira, 4 de outubro de 2019


04 DE OUTUBRO DE 2019
MERCADO FINANCEIRO

Em nova queda, dólar chega a R$ 4,0894

O cenário externo gerou o principal impacto sobre o dólar ontem. Ao final da sessão, a moeda americana recuou 1,09%, vendida a R$ 4,0894. A queda foi influenciada por sinais de desaceleração da economia dos EUA. Diante da situação, analistas projetam corte mais forte no juro local, o que poderia beneficiar o mercado brasileiro, entre outros emergentes.

Conforme dados divulgados ontem, o crescimento do setor de serviços dos EUA desacelerou em setembro para seu ritmo mais lento em três anos. A atividade mais fraca reforça a preocupação com os desdobramentos da guerra comercial travada com os chineses.

No Brasil, analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) projetam que o dólar fechará o ano em R$ 4. A estimativa integra o relatório Focus - a edição mais recente é de segunda-feira. A previsão anterior para a cotação era de R$ 3,95 ao final de 2019.

Em tese, quando o dólar cai, beneficia segmentos importadores da economia brasileira. Isso tende a ocorrer porque commodities como petróleo e trigo têm seu valor atrelado à moeda americana. Ou seja, o câmbio tem reflexos sobre os preços de itens como combustíveis e alimentos.

No sentido contrário, quando a moeda americana sobe, pode gerar algum estímulo às exportações brasileiras, já que os valores de produtos vendidos a outros países tendem a avançar.

04 DE OUTUBRO DE 2019
MERCADO FINANCEIRO

Atraso em reforma e cenário internacional afetam bolsa

Ameaças no cenário externo e dificuldades encontradas pelo governo Jair Bolsonaro no Congresso preocupam investidores do mercado financeiro. Com a combinação dos dois ingredientes, a bolsa de valores de São Paulo (B3) perdeu fôlego, apesar do alívio na sessão de ontem, que manteve o índice Ibovespa acima da marca simbólica dos 100 mil pontos.

O indicador mede o desempenho das principais empresas. Ontem, apresentou estabilidade ao longo da sessão. Nos momentos finais da jornada, conseguiu engatar alta de 0,48%, a 101.516 pontos.

Segundo analistas, a leve subida esteve relacionada à leitura de que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, poderá cortar o juro americano de maneira mais intensa. Com taxas menores no país de Donald Trump, há possibilidade de investidores correrem mais riscos em busca de melhor retorno financeiro. Isso poderia beneficiar mercados emergentes como o brasileiro.

O avanço de 0,48% ocorreu após o Ibovespa ter queda de 2,9%, na quarta-feira. A redução, a mais intensa desde agosto, refletiu dados que apontam menor vigor da economia mundial, além de revés sofrido pelo governo na tramitação da reforma da Previdência.

Influência

Ao concluir a votação em primeiro turno do projeto de mudança no sistema de aposentadorias, o Senado derrubou alteração na regra do abono salarial. Com isso, a economia prevista pela reforma teve redução de R$ 76 bilhões, para R$ 800 bilhões, em 10 anos.

- A percepção de risco vem aumentando no cenário externo, o que gera angústia entre investidores. Os Estados Unidos e a China travam guerra comercial. Internamente, houve letargia na tramitação da reforma da Previdência, e a proposta foi desidratada. Isso entrou no radar do mercado - avalia o professor de finanças Giácomo Diniz, especialista em investimentos.

Segundo analistas, o humor do mercado financeiro nas próximas sessões deve seguir atrelado a eventuais desdobramentos da agenda de reformas prometida por Bolsonaro. No cenário externo, a guerra comercial e a perda de ritmo da economia global tendem a continuar sob análise.

- O mercado é muito sensível a fatores que podem acontecer de maneira inesperada. Agora, a principal questão é a aprovação da reforma da Previdência. O mercado também vai analisar o comportamento do governo federal em relação a concessões e privatizações - pontua o economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating, Alex Agostini.

A taxa básica de juro da economia brasileira está no menor nível histórico, de 5,5% ao ano. Como a Selic serve de referência para aplicações de renda fixa - entre elas, a caderneta de poupança -, a bolsa poderá ganhar mais investidores em busca de melhor rendimento, dizem analistas.

- Com juro baixo, é preciso repensar investimentos. A questão é que a bolsa tem riscos - pondera o economista Alexandre Espirito Santo, da plataforma Órama.

LEONARDO VIECELI

04 DE OUTUBRO DE 2019
EDUARDO BUENO

A erva sagrada

Para alguns - justamente aqueles que faziam uso dela -, era a erva sagrada. Afinal, energizava, despoluía o organismo, deixava o dia melhor e mais limpo, abatia a tristeza e incensava a alegria. Mas, para outros - a maioria dos quais jamais sequer a havia provado -, era a "erva do diabo": a planta maldita, que entorpecia, viciava, fazia mal para o corpo e para o espírito. Firmes em sua convicção, esses lutaram com fervor para proibi-la, embora seu consumo milenar jamais houvesse causado nenhum problema a milhares de usuários. Entre os quais, aliás, parece que havia os que asseguravam consumi-la diariamente há décadas e, mesmo assim, nunca tinham se viciado...

Os guaranis a batizaram de kaá karai - ou folha sagrada: um presente dos deuses para a nação que a havia domesticado, plantado com paciência e ciência e a sorvia ao longo de séculos. Ela servia para matar a sede, enganar a fome e despertar a mente. Mas não adiantou. Tão logo os jesuítas chegaram ao Paraguai e ao Paraná para catequizá-los, acharam estar diante de mais erva diabólica. A voz da repressão gritou mais alto e em 1610 o padre Ruiz de Montoya excomungou a erva santa das Missões, tornando-a profana e sagrada num só gole.

Mas, tão logo aquela infusão mostrou-se capaz de arrancar do torpor os soldados e aventureiros e criadores de gado que vieram parar nos confins meridionais da América, eles se afeiçoaram a ela. Mas não entenderam bem o que os nativos lhes disseram, nem que bebida era aquela - e a chamaram de "mate". Mas "matty" era apenas a palavra quíchua para "cuia", o recipiente feito de porongo no qual é sorvido o chimarrão - a mágica infusão de erva-mate.

Vencida a resistência inicial, os padres acabaram deixando os índios seguirem com seu "vício", quando não sucumbiram a ele. E, assim que começaram a lucrar com o fruto dos ervais plantados em suas Missões, também passaram a considerá-la erva santa. E foi assim que o mate acabou se tornando, ao mesmo tempo, o chá, o café e o vinho do gaúcho, expandindo-se até virar um dos símbolos da altivez, da liberdade e da solidão dos "centauros dos pampas". Hoje, a erva-mate é indispensável na vida de vastos contingentes populacionais na Argentina, no Uruguai, no Paraguai e no sul do Brasil. Muitos gaúchos - nativos ou adotivos - não vivem sem o chimarrão nosso de cada dia, quando não de cada hora...

Enquanto isso, outras ervas aguardam de bobeira na fila do legalize. Dizem que não são ligantes, como o mate. Mas, como ele, curam vários males.

EDUARDO BUENO

quinta-feira, 3 de outubro de 2019


03 DE OUTUBRO DE 2019
DAVID COIMBRA

Como ser um bom coach


Acho que vou ser coach. É uma profissão moderna e eu sou um cara moderno. Além disso, graças à profunda análise que fiz de entrevistas e palestras com entendidos, descobri os segredos da atividade.

Contarei alguns. Repare, por exemplo, na última pergunta das entrevistas com pessoas bem-sucedidas. É sempre a mesma:

- Que recado você passaria para as novas gerações?

O entrevistado, então, respira fundo, olha para o infinito, pensa por alguns segundos e sentencia:

- Eu diria o seguinte: jamais desista dos seus sonhos.

Antes, eu me irritava com essa resposta. Como assim, "jamais desista dos seus sonhos"? É algo que você diria para o jovem Hitler? Para Jack, o Estripador? Para os cantores de música sertaneja? Você diria isso para o Janot?

Jamais desista dos seus sonhos. Por favor! Muitas pessoas têm de desistir dos seus sonhos, para o bem das outras pessoas, senão da humanidade.

Mais tarde, porém, compreendi a  essência desse conselho. O que ele significa para quem ouve? Coisa nenhuma. Às vezes as pessoas desistem dos seus sonhos porque eles são irrealizáveis, às vezes elas os realizam por sorte, às vezes o melhor para elas é que não se realizem e, o que mais acontece, às vezes o sonho perde a graça depois de realizado. Logo, o conselho é inútil para o ouvinte. Mas não para o conselheiro. Quem diz isso conquista de imediato uma aragem de superioridade. Porque, se disse, é porque o seu próprio sonho se concretizou. Quer dizer: ali está uma pessoa que já fez o que devia fazer na vida. Tanto que ela indica o caminho, ela é professoral, ela ergue uma sobrancelha, balança a cabeça com condescendência e avisa:

- Atenção, novas gerações: agora direi o que vocês devem fazer para se dar bem.

É o máximo. Um coach precisa falar essa frase em todas as oportunidades que tiver.

Há outro ensinamento que o bom coach deve ter eternamente entre os dentes: "Procure a verdade dentro de você, e você a encontrará".

Parece algo denso, quase religioso, e não passa de uma obviedade. Mas não interessa, o seu aluno ficará refletindo a respeito. Se ele perguntar o que exatamente significa isso, não diga nada (até porque você não sabe o que dizer). Apenas insista, desta vez com mais impostação na voz:

- Vou repetir: "Procure a verdade dentro de você, e você a encontrará". Finalmente, há uma outra máxima que tem de fazer parte do repertório do bom coach. É algo bastante usado, mas funciona: "Eu não me arrependo de nada do que fiz; só do que não fiz".

Claro que é uma mentira, porque você se arrepende de um monte de coisas que fez, mas, quando você diz isso, dá a impressão de ser uma pessoa forte, que encara a vida com o queixo erguido e que só olha para a frente, sempre para a frente. Como um bom coach tem de ser.

Se você quiser virar coach, tenho cá dezenas de outras frases que, na aparência, são idiotas, mas que, se você refletir bem, verá que são idiotas mesmo. O que não faz diferença alguma, desde que você as pronuncie no tom certo, com gravidade e um acento sacerdotal na voz. Tipo: "Ria! Ria muito! Ria alto!".

Ou: "Reserve um momento do dia só para você". Ou ainda: "A melhor maneira de conquistar é acreditar que se consegue".

Essas coisinhas. Estou pronto para ser um coach. Se você quiser ser meu aluno, há vagas. E, antes mesmo de começarmos nossas aulas, darei uma dica gratuita. Preste atenção. E pense bastante a respeito. É o seguinte: jamais desista dos seus sonhos.

DAVID COIMBRA


03 DE OUTUBRO DE 2019

O PRAZER DAS PALAVRAS

Este que vos fala

Um sábio provérbio português diz que elogio em boca própria é vitupério. Embora concorde em gênero, número e caso (grau não concorda, mas isso é assunto para outra ocasião), não vejo nada de errado em me gabar quando falam bem do meu trabalho (dos que falam mal, aliás, tenho uma extensa coletânea...). Pois a coluna de hoje responde a dois leitores de fino trato, cujas perguntas, além de interessantes, vieram embrulhadas no papel dourado da gentileza.

A primeira vem de Jorge S., de Porto Alegre; depois de louvar a minha "competente contribuição aos leitores de ZH" (palavras dele), faz um comentário ao emprego da expressão "este que vos escreve", usada por mim um dia desses. Diz ele: "Como o texto é dirigido ao público na segunda pessoa, minha preferência seria "como este que lhes escreve". E conclui, sempre gentil: "É comum assistir o palestrante dizer este que vos fala e não este que lhes fala. Aguardo a fineza do seu retorno esclarecedor".

Caro Jorge: tudo aqui é uma questão de escolha. Deves saber que, no Brasil, optamos livremente por tratar nosso interlocutor por tu ou por você. Ambos representam a 2ª pessoa do discurso, definida, já na antiga Grécia, como "aquele com quem eu falo". O problema é que tu e você, embora representem a mesma pessoa do discurso, utilizam formas de pessoas gramaticais diferentes: tu usa as formas da 2ª, você as da 3ª. "Tu esqueceste teu casaco", mas "Você esqueceu seu casaco"; "Não te obedeço", mas "Não lhe obedeço" - e assim por diante. Ora, se eu me dirigir a vários interlocutores ao mesmo tempo (no plural, portanto), posso tratá- los por vocês ("Este que lhes fala") ou por vós ("Este que vos fala").

É claro que normalmente preferimos optar pela 3ª pessoa, que é muito mais natural - mas nada impede que alguém, por purismo, por cerimônia ou por ironia (como eu fiz), escolha a 2ª. Em ambos os casos, o texto vai se dirigir à 2ª pessoa do discurso, como tu bem dizes; o falante é que vai decidir qual pessoa gramatical vai utilizar.

A segunda vem do José Barrionuevo, nome tão conhecido aqui e alhures que dispensa apresentações. Como não posso melhorar o que já está bom, limito-me a reproduzir verbatim o que ele escreveu: "Bom dia, Moreno. Gosto demais dos teus textos em ZH. Tomo a liberdade de te pedir uma ajuda. Recentemente prestei uma consultoria para o Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada, que é um grande centro de inteligência na fabricação de chips, uma referência na América Latina. A instituição se define como a Ceitec (no feminino), partindo da condição de empresa, imagino. Mas é um centro. Qual é o correto? Meu fraterno abraço e minha admiração".

Caro Barrionuevo, o normal - ou seja, o esperado - é que as pessoas jurídicas (as famosas "pejotas") tenham o seu gênero determinado pelo núcleo que as define: dizemos o IEL porque é um instituto; dizemos o Detran porque é um departamento, mas falamos na Funai porque é uma fundação. Seguindo esse modelo centenário, então, deveríamos ter o Ceitec, por trazer centro no nome.

No entanto, como os caminhos que a língua toma nem sempre estão traçados em linha reta, há várias situações em que o princípio acima não é (ou não pode) ser aplicado. No caso de empresas comerciais, por exemplo, é frequente desconsiderarmos o gênero ou o número do nome para fazermos a concordância com alguma palavra subentendida: no Google, vais encontrar "as (Casas) Pernambucanas abriram novas lojas" lado a lado com "a Pernambucanas está contratando", construção em que o artigo e o verbo no singular indicam que o foco está sendo transferido para empresa.

No caso de uma sigla, em que nem sempre estão bem claras todas as palavras que ela representa, este deslocamento de foco é ainda mais fácil. Todos falam na TAP, indiferentes ao fato de que a razão social por extenso seja Transportes Aéreos Portugueses. Aliás, essa indiferença pode ir até mais longe, ao ponto de ignorar solenemente o núcleo original, como é o caso da Unicef, sigla em que a letra F representa fundo (em Inglês, United Nations Children?s Fund, ou seja, Fundo das Nações Unidas para a Infância), mas ninguém dá a mínima.

Este me parece ser o caso da Ceitec: a julgar pelos textos de seu site, há uma clara intenção de transformar o que era uma simples sigla numa marca de personalidade própria, mais adequada a uma empresa moderna e competitiva. Tu e eu estranhamos este feminino só porque sabemos que dentro da sigla se esconde o substantivo masculino centro; em breve, isso será apagado da memória das gentes e todo o mundo ficará feliz.

CLÁUDIO MORENO

03 DE OUTUBRO DE 2019
OPINIÃO DA RBS


Instabilidade nas regras eleitorais

Virou uma tradição brasileira. A cada ano ímpar, o Congresso se mobiliza, quase sempre movido pelos próprios interesses, para aprovar novas regras eleitorais mirando o pleito seguinte. O que já era ruim ficou pior em 2019. Se antes ao menos era nomeada uma comissão especial para analisar o assunto, agora as alterações em curso avançaram sendo aprovadas de forma esparsa desde o início do ano, dificultando um debate aprofundado e transparente sobre as modificações estudadas.

Não é saudável ter normas para as eleições alteradas a cada dois anos. É uma instabilidade que gera insegurança jurídica e, neste momento, há outros agravantes. Uma parte importante da chamada minirreforma eleitoral traz um flagrante retrocesso ao favorecer a opacidade na prestação de contas dos candidatos e afrouxar uma série de exigências. No início da madrugada de ontem, a Câmara aprovou, por exemplo, projeto de lei que define os limites de gastos para os certames municipais de 2020. Há pressa, porque o Senado também precisa referendar o texto e o presidente Jair Bolsonaro deve sancioná-lo até hoje para que possa valer para o próximo ano.

Apenas para recordar o histórico recente de descontinuidade: nas eleições para prefeitos e vereadores de 2016, valeu a regra de que cada postulante a um cargo poderia gastar até 70% da campanha mais cara na cidade quatro anos antes. A norma caiu em 2017, quando se fixou o teto para 2018. Mas o pleito de 2020 ficou de fora. Agora, definiu-se que valem os valores máximos de 2016, corrigidos pela inflação. Essa inconstância favorece outra prática reprovável, mas usual no Brasil. Os princípios que vão valer acabam sendo definidos pelos vencedores mais recentes dos processos eleitorais. Uma tentação e uma oportunidade e tanto para que busquem beneficiar a si próprios. Até por isso, passou da hora de o país ter regras duradouras.

A minirreforma eleitoral concentrou boa parte das atenções dos deputados e senadores nas últimas semanas para diminuir obrigações, controles e punições para candidatos e partidos. Tudo a toque de caixa, um ritmo que pareceu ser proposital para que não houvesse tempo para a sociedade discutir o tema. Mesmo que o presidente Jair Bolsonaro tenha imposto vetos - que ainda poderiam ser derrubados pela Câmara -, restaram no texto iniciativas que abrem brechas perigosas para o caixa 2 e outras variantes de mau uso do dinheiro público, como aquisição de bens pelas siglas e o pagamento de advogados para membros das legendas, inclusive acusados de corrupção.


03 DE OUTUBRO DE 2019
+ ECONOMIA

Amazon traz robô ao Brasil

Depois de um período de aprendizado dos sotaques do Brasil, Alexa, a assistente virtual da Amazon, desembarca oficialmente no Brasil hoje. Até agora, quem interagia com Alexa no país tinha de usar produtos importados e falar apenas em inglês. Alexa já estreia em serviços da Turma da Mônica, do iFood e até do Porta dos Fundos, canal de vídeos de humor no YouTube e enfim, vai falar português.

Ricardo Garrido, gerente geral para Alexa no Brasil, detalha que a assistente será menos formal do que é na França e no Japão. Vai dizer "tá em vez de "está". Alexa usa inteligência artificial para alimentar a família de dispositivos Echo, que chega ao Brasil com três versões que trazem a assistente virtual integrada: Amazon Echo, Echo Dot e Echo Show 5. 

Os lançamentos fazem parte do agressivo plano de expansão e de investimentos da Amazon no Brasil. Em setembro, quando lançou seu serviço Prime, com entrega gratuita ilimitada em até dois dias úteis em Porto Alegre, derrubou ações das principais redes de varejo cotadas na bolsa.

Depois do italiano, "xis" para o mundo


Abrir um restaurante italiano era um sonho de Carla Tellini, do Grupo Press, realizado com a abertura, hoje, de A Cantina do Press, no Iguatemi Porto Alegre. A 13ª unidade teve investimento de R$ 4,5 milhões e antecede outra do grupo no shopping. A segunda operação de Ô Xiss marca o início da expansão que, a partir de 2020, terá franquia e ambição nacional.

- A Cantina é um italiano diferente, não tem toalhinha xadrez e inclui bar com drinques clássicos italianos e spritzs - diz.

O restaurante será tratado como nova âncora do Iguatemi: vai ocupar a área de 560 m2 que abrigava o Pier X. Prevê receita de R$ 1,2 milhão ao mês.

Além da unidade de Ô Xiss a ser aberta em novembro no Iguatemi, há outra prevista para o Embarcadero, em fevereiro, e mais duas contratadas para 2020. Carla está pronta para lançar o projeto de franquia da marca, com a qual já disse que quer "ganhar o mundo".

- Em Chicago, há grupos gastronômicos multimarcas, com até 40 operações que só atuam na cidade. Brinco que Chicago é aqui. Ô Xiss é uma marca de expansão em volume, fácil de padronizar e treinar. Consultas não faltam - adianta.

Segundo Carla, o Grupo Press dobra de tamanho a cada três anos. Depois de faturar R$ 38 milhões em 2017, projeta R$ 50 milhões em 2020.

MARTA SFREDO

03 DE OUTUBRO DE 2019
PRÊMIO

ABRH-RS reconhece ações que valorizam as pessoas

Quarenta e seis iniciativas que valorizam o ser humano como diferencial estratégico para o crescimento das pessoas e das empresas e ações sociais realizadas por companhias foram reconhecidas ontem, no Grêmio Náutico União, na Capital. Foram entregues as premiações Top Ser Humano 2019 e Top Cidadania 2019, da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RS).

Um dos projetos agraciados foi o "Conexões: a rede interna em movimento para a transformação da RBS". Guiada pela crença de que só a partir do engajamento de suas pessoas é possível fortalecer a conexão com o público e com os clientes, a RBS voltou-se à sua essência para reforçar a ligação com os gaúchos e projetar o futuro.

O Conexões envolveu 100% dos colaboradores da empresa para discutir os atributos da marca (proximidade, confiança, curiosidade, coragem, pluralidade e excelência), empoderando a rede interna e preparando a companhia para o lançamento do posicionamento "A Gente Vive Junto", que ocorreu neste ano.

03 DE OUTUBRO DE 2019
L.F. VERISSIMO

A distância

Li que implantaram um troço no cérebro de um macaco e ele conseguiu mexer outro troço com o pensamento. Um eletrodo acionado por neurônios, ou coisa parecida, permitiu ao macaco deslocar um objeto a alguns metros de distância só com a sua vontade. De certa maneira, isto é o fim de um ciclo que começou na primeira vez que um hominídeo pensou na possibilidade de afetar algo distante dele sem sair do lugar. Pode-se resumir o desenvolvimento da humanidade e da sua ciência no cumprimento dessa vontade de não precisar ir lá. A penúltima fase do processo foi o controle remoto. A última, lógica, fase será a da telepatia. Hoje o macaco, amanhã nós todos.

Sempre defendi a tese de que foi a preguiça que trouxe a civilização. O que foi a invenção da roda se não o prenúncio da charrete e um triunfo do comodismo? Fomos a primeira espécie a criar um jeito de não ir, mas ser levada. A razão do hominídeo para deflagrar o processo que resultou no controle remoto foi prática, a de atingir uma presa sem se arriscar a ser mordido, ou almoçar sem ser almoçado. O primeiro lance do longo processo que terminou com o implante no cérebro foi a pedra arremessada. Depois vieram a lança, o estilingue, o arco e a flecha, a catapulta, as armas de fogo, o foguete intercontinental, o drone - todos engenhos para evitar chegar perto.

A distância sempre foi um inimigo natural do homem, ou pelo menos do homem preguiçoso. Vencê-la foi o nosso grande desafio intelectual, e agora se abre a possibilidade de subjugá-la só com o intelecto, desprezando os instrumentos que, da pedra à internet, nos ajudaram até aqui. Estamos simbolicamente de volta à savana primeva pensando em como empurrar aquele mamute para dentro do fosso sem precisar ir lá, mas agora o pensamento basta. A vontade se realizará sozinha, sem as mãos, sem mais nada. A preguiça cumpriu sua missão histórica.

Agora só precisamos encontrar um jeito de pedir ao macaco que mexa alguma coisa por nós.

Coluna publicada em 28 de setembro de 2017.

O colunista está em férias.

L.F. VERISSIMO

quarta-feira, 2 de outubro de 2019


02 DE OUTUBRO DE 2019
DAVID COIMBRA

Lula não quer ser livre e Moro acabou preso

Nós temos muito a aprender com os grandes acontecimentos da política brasileira. Sério. Podemos adquirir ensinamentos importantes para a nossa vida, olhando para personagens como Lula, Moro, Bolsonaro e Dilma.

Quer ver?

Pense nesse último movimento de Lula: ele não quer sair da cadeia, fala em dignidade e tal. Parece uma tolice orgulhosa. Não é. Se sair da cadeia, ele perde a bandeira. Por que alguém vai gritar "Lula livre", com Lula estando livre?

Na cadeia, Lula é uma causa. Em casa, ele volta para a planície, torna-se um comum.

Lula gosta de se comparar a Getúlio Vargas. O discurso que fez antes de ser preso teve óbvios momentos de inspiração na carta-testamento que Getúlio deixou em 24 de agosto de 1954, quando deu um tiro de 32 no próprio coração. O uso de ideias da carta por Lula foi apropriado, porque sua prisão funcionou como o suicídio de Getúlio. Sem a mesma dramaticidade e sem tanta comoção popular, é claro, mas com efeito semelhante.

O suicídio salvou a imagem de Getúlio e o elevou à condição de vítima no imaginário popular. A prisão de Lula, quase isso. É verdade que a maior parte da população o considera culpado, mas seus apoiadores ganharam um conveniente discurso de perseguidos pelo sistema. Hoje, o único projeto do PT é a libertação de Lula. Na cadeia, Lula é visitado por líderes da esquerda do mundo inteiro, por artistas, por autoridades. Preso, ele concede mais entrevistas do que quando estava solto. E o melhor: só para jornalistas amigos.

Imagine se Lula não tivesse sido preso. Se ele tivesse disputado a eleição. As pesquisas apontavam que iria para o segundo turno, mas será que venceria? Lula nunca fez uma votação como as duas de Fernando Henrique, que se elegeu em primeiro turno. Ele teve de se esforçar para vencer, mesmo na reeleição, contra um candidato insosso, como Alckmin. Em 2018, desgastado, sem o voto da classe média, duvido que conseguisse se eleger, fosse quem fosse seu adversário.

Aliás, pense agora no adversário. Se Lula não tivesse insistido em sua candidatura até o final, Bolsonaro provavelmente não se elegeria. Foi a pressão de Lula, jurando que seria candidato, que assombrou a classe média e fez Bolsonaro crescer. Logo, Bolsonaro deve a Presidência ao grupo político que mais odeia. O PT foi a bênção de Bolsonaro.

Recuando mais um pouco, vamos analisar o caso de Dilma: o impeachment foi a melhor coisa que aconteceu ao PT, antes da prisão de Lula. Se Dilma tivesse completado o mandato, teria saído do governo completamente desmoralizada, em meio à acerba crise econômica e ao total abandono político até do seu partido. Tendo sido impedida, ela saiu queixando-se de ter sido injustiçada e o PT pôde protestar: "É golpe!".

Finalmente, olhemos para Sergio Moro. No momento em que ele aceitou o cargo de ministro da Justiça, gravou um estigma na própria testa. O ministério não foi uma promoção; foi um rebaixamento. As revelações de sua parceria com o Ministério Público seriam inócuas e irrelevantes, se ele tivesse continuado na magistratura. Mas, ao assumir como ministro de Bolsonaro, ele enveredou por um caminho de onde dificilmente encontrará retorno: o da política partidária. Por mais que os políticos o odiassem, Moro era um técnico, seu trabalho era pouco afetado por eles. Hoje, Moro depende deles. Hoje, politicamente, Moro está mais preso do que Lula.

Observe, pois, cada um desses personagens, leitor: o que lhes parecia péssimo acabou sendo bom; o que parecia ótimo acabou tornando-se ruim. Assim é com você, comigo, com todos nós: nem sempre a dor é sinal de doença; nem sempre o riso é sinônimo de felicidade.

DAVID COIMBRA

02 DE OUTUBRO DE 2019
PERIMETRAL

O fim e um recomeço

Apresentado há 37 anos como promessa de inovação, o aeromóvel do Gasômetro será removido nesta manhã em situação bem menos atraente: o veículo de alumínio e madeira, depenado por dentro e vandalizado por fora, se despede sem jamais ter funcionado além de alguns testes.

Mas a empresa Aeromóvel Brasil tem um plano vistoso. Apresentou à prefeitura, no mês passado, uma proposta que vem sendo debatida em vários setores do governo: a ideia é restaurar a estrutura que sustenta os trilhos - ela começa próximo ao prédio da Receita Federal e termina na praça em frente ao Gasômetro - e prolongá-la pela beira do Guaíba.

Seria um meio de transporte turístico, para as pessoas se deslocarem na orla de uma ponta à outra. Vale lembrar que, com a revitalização dos trechos 2 e 3, a nova orla se estenderá até o Parque Gigante. E, na mesma região, o Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, o Harmonia, também deve receber obras de renovação.

- Precisamos, de fato, encontrar uma solução de mobilidade que permita a integração desses parques. Você pode fazer o caminho de patinete ou bicicleta, mas seria a melhor alternativa para uma família? - pergunta o secretário municipal de Parcerias Estratégicas, Thiago Ribeiro.

Segundo Thiago, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) está analisando a proposta da Aeromóvel Brasil - depois, o órgão vai emitir um parecer jurídico. A pergunta que a PGM precisa responder é: poderia a prefeitura conceder uma permissão de uso para a empresa? Essa seria, certamente, a opção mais rápida, porque não haveria necessidade de licitação.

Mas, se a procuradoria concluir que existem outras empresas, além da Aeromóvel, que poderiam oferecer um serviço de transporte semelhante, aí o processo licitatório se tornaria indispensável. E poderia levar meses ou anos.

Por enquanto, o que temos é o fim do veículo que, desde os anos 1980, paira ocioso sobre a cidade. Um guindaste deve removê-lo às 9h de hoje.

PAULO GERMANO

02 DE OUTUBRO DE 2019
NÍLSON SOUZA

Lógica linear

Sei que o fato de ter antepassados açorianos é insuficiente para me absolver de possíveis acusações de xenofobia, mas resolvi me arriscar compartilhando algumas histórias curiosas que li sobre nossos patrícios d?além-mar. São tão inocentes, que até Renato Gaúcho poderia contá-las aos jogadores na preleção do jogo de hoje, para animar o grupo e provocar o treinador Jorge Jesus, com quem o ídolo gremista vem mantendo indisfarçável disputa de vaidade. Se o gajo quiser devolver na mesma moeda com piadas de "zucas" (que é a gíria empregada na península para ironizar os brazucas), ele que se entenda depois com seus comandados.

Elegemos os portugueses como vítimas preferenciais do nosso anedotário porque é assim que os povos colonizados costumam se vingar tardiamente dos colonizadores. É verdade que, às vezes, eles parecem mesmo um tanto ingênuos. Quando querem, porém, sabem ser espertos e irônicos. Esta primeira historinha real mostra bem como eles podem ser rápidos no gatilho. Certa vez, a apresentadora Hebe Camargo, entrevistando o humorista português Raul Solnado, perguntou-lhe se em Portugal também contavam piadas de brasileiro. Ele respondeu com outra pergunta, sarcástica e contundente:

- E precisa?

Muitas vezes, porém, brasileiros e portugueses dialogam em línguas diferentes. Ou exageramos no nosso modo figurado de falar ou, por pura implicância, eles fingem que não nos entendem. Veja-se, para exemplificar, esta deliciosa conversa publicada pelo BuzzFeed e creditada a Nina Paduani:

"Meus pais e meus tios estão em Lisboa. Vão ao restaurante almoçar. No final, o garçom pergunta:

- Café? Meu pai: - Um, por favor!

Meu tio: - Dois! Minha tia: - Três!

Passam alguns minutos e lá vem o garçom.

Com seis cafés".

No mesmo site, tem a conhecida história de outro brasileiro, que interrompeu a passagem de um cidadão em Lisboa e perguntou-lhe se sabia onde ficava o Castelo de São Jorge. O homem, solícito, respondeu:

- Sei. E seguiu adiante em sua caminhada.

Disse que a historinha acima é manjada e me lembrei do saudoso colega Olyr Zavaschi, que editava a coluna Almanaque Gaúcho, hoje assinada pelo igualmente talentoso Ricardo Chaves. Toda vez que um leitor ligava para reclamar que a anedota da página era antiga, Olyr desarmava o crítico com uma brincadeira:

- Não existe piada velha. O que existe é gente velha que conhece a piada.

Pois os episódios aqui relatados demonstram que nem todas as histórias engraçadas sobre nossos irmãos lusitanos são anedotas. Muitas delas retratam a lógica linear dos portugueses, assim definida pelo jornalista e cronista Rui Carvalho, que exemplifica com o relato sobre a comissária de bordo da TAP. Ela pergunta ao passageiro se ele aceita jantar e o homem, distraído, responde:

- Quais são as opções?

A moça nem hesita: - Sim ou não. Rui Carvalho, que nasceu em Portugal e vive no Brasil, inclui em seu texto este primor da autoironia luso-brazuca:

- Qualquer um com um pouco de cultura sabe que piada de português não existe... É tudo verdade.

NÍLSON SOUZA


02 DE OUTUBRO DE 2019
INFORME ESPECIAL

O bispo de alma cigana


Um momento importante para a comunidade católica: o monsenhor gaúcho Jorge Pierozan foi ordenado, neste fim de semana, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo. A cerimônia foi na Catedral da Sé.

Causou surpresa até mesmo para Pierozan, 55 anos, natural de Vanini, no norte do Estado, a indicação do seu nome pelo Papa Francisco. O seu currículo não é exatamente usual: os estudos em teologia estão profundamente ligados à vivência junto aos povos ciganos e circenses. Trabalhou com eles nos anos 1990, por meio de um projeto da Pastoral dos Nômades do Brasil, em São Paulo.

"Eu vivi intensamente junto ao povo cigano. Enquanto estudava teologia no Instituto Teológico Pio XI, morava em acampamento, trabalhava com artesanato e pedras preciosas. À noite, fazia missas na minha tenda. Quando tinha muita gente, a missa era na barraca do chefe, bem maior", conta ele.

No mês passado, antes de assumir a missão de bispo-auxiliar, Jorge esteve em Roma e percebeu na fala do santo padre uma tendência:

"O papa quer bispos do povo, que se identifiquem com as pessoas, não importa quantos diplomas têm. Os craques em teologia têm um trabalho importante a fazer, principalmente em universidades e seminários", lembra Jorge.

Ontem foi seu primeiro dia na cúria central de São Paulo, onde auxiliares ficam até seis anos. Depois, a esperança é retornar para comandar uma diocese em solo gaúcho.

TULIO MILMAN

terça-feira, 1 de outubro de 2019



A prática de atividades de lazer em idosos institucionalizados


A prática de atividades de lazer em idosos institucionalizados
O envelhecimento é um fenômeno multifatorial, natural e irreversível dos seres vivos e que vem tendo projeção mundial devido às características do mundo moderno, como a diminuição da natalidade pelo uso de contraceptivos e o avanço da tecnologia nas áreas da saúde.
Segundo a OMS (2018), a população com idade superior a 60 anos chegará a 2 bilhões até 2050. Atualmente, a população idosa, no Brasil, ultrapassa o número de 30,2 milhões, segundo dados do IBGE (2018). Desse número, cerca de 1% da população idosa brasileira se encontra em Instituições de Longa Permanência (ILPs), devido à diminuição da capacidade funcional, cognitiva e psíquica, que aumenta a dependência e necessidade de cuidados em tempo integral.
Nas ILPs os idosos tendem a ser mais sedentários, limitando-se ao deslocamento entre quarto, refeitório e jardim e, muitas vezes, não há interação entre os colegas da instituição. Além disso, a falta da família e amigos leva o idoso ao isolamento, intensificando as comorbidades decorrentes de doenças crônicas e a incidência de depressão e problemas socioafetivos.
Diante desses fatores, faz-se necessário pensar em programas de lazer que permitam ao idoso exercitar o corpo e a mente, assim como desenvolver também as relações interpessoais.
O lazer tem papel significativo para que os idosos institucionalizados possam se divertir, socializar, compartilhar ideias e experiências, expressar seus sentimentos e expor sua criatividade.
Atividades motoras, artesanato, jogos intelectivos, jogos eletrônicos e acesso à internet são algumas possibilidades de atividades que podem ser ofertadas aos idosos institucionalizados. O uso da internet e redes sociais permite ainda que os idosos estejam sempre informados sobre os temas da atualidade e mantenham o relacionamento com os familiares e amigos.
Dessa forma, é possível afirmar que a oferta de lazer reduz danos cognitivos decorrentes do envelhecimento e promove a prevenção, manutenção e desenvolvimento dos aspectos psicomotores, sociais e cognitivos — fatores importantes para o bem-estar e qualidade de vida dos idosos residentes em ILPs.
Esse tema de grande relevância para a área do lazer e da saúde será discutido no 30o ENAREL (Encontro Nacional de Recreação e Lazer) com o tema “Lazer e Envelhecimento na Era Digital”, que ocorrerá em Curitiba/PR, entre os dias 14 e 16 de novembro de 2019.
Autora: Tatiane Calve é professora nos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física do Centro Universitário Internacional Uninter.

O Idoso Ontem. O Idoso Hoje.


Envelhecer, ficar mais velho, ser mais experiente, amadurecer. São essas algumas definições que ouvimos de muitas pessoas quando tratamos do assunto idoso.
Ser idoso compete ser experiente perante a sociedade, compete ser o mais velho muitas vezes, e também compete amadurecer, porém o amadurecer do idoso nos dias atuais pode se diferenciar muito daquele amadurecer de antigamente, mais ainda quando se analisa as diferenças no âmbito da atividade física.
Para compreender a diferença entre a vida do idoso ontem e hoje é necessário entender que os idosos de hoje estão em maior evidência que os idosos de ontem. Nos dias atuais, os idosos são fruto de pesquisas, elaboração de produtos especiais só para eles, criação de programas especiais em todos os meios comerciais e cada dia mais na medicina busca-se maneiras de encontrar a fórmula da longevidade. Hoje se tornou crescente o termo “qualidade de vida” para o idoso, mas aí cabe a pergunta, se temos idosos desde sempre, só hoje se pensou nisso para o idoso? Infelizmente sim, mas isso se deu por meio do grande aumento da população idosa não só em nosso país como no mundo todo, assim os idosos são hoje uma fatia maior da população, isso gerou grande interesse em se trabalhar com essa faixa etária.

Além disso, a saída das zonas rurais para os grandes centros trouxe grande diferença entre os novos idosos e os velhos idosos, pois, os idosos de antes tinham uma vida no campo regrada a um contexto de trabalho árduo, um convívio mais próximo das atividades com a terra, seus exercícios eram da capinagem a colheita, longas caminhadas, esportes que não lhes ofereciam muita segurança quanto às lesões, nadar em rios, pescar, dentre outras atividades; olhando esse contexto logo pensamos que tais atividades são boas, naturais e a vida é tão saudável! Pode até ser, mas em vista da população de antigamente, vemos que esta não teve uma vida tão longa como encontramos nos dias atuais, e mais a qualidade de vida não era tão plena como encontramos hoje, é claro que há algumas raras exceções, mas fazendo o contraponto em relação à atividade física, hoje os idosos se desenvolvem mais e veremos isso a seguir.
Os idosos hoje vivem mais, isso é um fato. E o que causa a longevidade e o “boom” de idosos no mundo atual? Os avanços tecnológicos, avanços médicos, aumento dos profissionais e modalidades da saúde e as conveniências comerciais são alguns fatores que colaboram para o aumento da longevidade dos idosos. Temos muita tecnologia nos dias atuais que facilitam muito a vida de todos, quanto aos idosos a tecnologia auxilia para que estes não forcem tanto seu corpo evitando lesões no âmbito dos esportes e academias, pois os equipamentos para práticas físicas minimizam totalmente impactos e se tornam um chamariz para que os idosos pratiquem atividades, o que leva a grandes melhorias na sua saúde e evita as doenças que podem acometê-los levando a incapacidade funcional.

Os avanços médicos são importantes, pois quanto mais a medicina avança, melhores serão os tratamentos para evitar as doenças e assim amenizar os efeitos do envelhecimento. O aumento dos profissionais da saúde e os serviços prestados por estes podem aumentar a qualidade de vida dos idosos, alguns profissionais desenvolvem o home care (atendimento em casa), assim o idoso não precisa sair de casa e sua saúde é tratada da melhor forma, isso demonstra que se evolui a maneira de cuidar do idoso perto do que era com o velho idoso. E as conveniências comerciais auxiliam a vida do idoso tornando-a mais prática, e mais uma vez diminui o trabalho para esta população.
O que se vê com tudo isso é que toda a evolução que ocorreu no mundo o idoso se beneficia cada vez mais, sua situação melhora a cada dia, ocorre a maior valorização desta população.
Como educador físico, creio que os idosos de antigamente tiveram sua época e vivências comuns ao seu tempo, suas práticas físicas eram mais naturais, porém os meios que estes utilizavam muitas vezes comprometiam seu corpo e a longevidade passava longe da que vemos hoje, com isso espero que a evolução continue e por meio de práticas saudáveis logo veremos pessoas chegarem aos 150 anos.
Ser idoso compete ser experiente perante a sociedade, compete ser o mais velho muitas vezes, e também compete amadurecer, porém o amadurecer do idoso nos dias atuais pode se diferenciar muito daquele amadurecer de antigamente, mais ainda quando se analisa as diferenças no âmbito da atividade física.
Para compreender a diferença entre a vida do idoso ontem e hoje é necessário entender que os idosos de hoje estão em maior evidência que os idosos de ontem. Nos dias atuais, os idosos são fruto de pesquisas, elaboração de produtos especiais só para eles, criação de programas especiais em todos os meios comerciais e cada dia mais na medicina busca-se maneiras de encontrar a fórmula da longevidade. Hoje se tornou crescente o termo “qualidade de vida” para o idoso, mas aí cabe a pergunta, se temos idosos desde sempre, só hoje se pensou nisso para o idoso? Infelizmente sim, mas isso se deu por meio do grande aumento da população idosa não só em nosso país como no mundo todo, assim os idosos são hoje uma fatia maior da população, isso gerou grande interesse em se trabalhar com essa faixa etária.

Além disso, a saída das zonas rurais para os grandes centros trouxe grande diferença entre os novos idosos e os velhos idosos, pois, os idosos de antes tinham uma vida no campo regrada a um contexto de trabalho árduo, um convívio mais próximo das atividades com a terra, seus exercícios eram da capinagem a colheita, longas caminhadas, esportes que não lhes ofereciam muita segurança quanto às lesões, nadar em rios, pescar, dentre outras atividades; olhando esse contexto logo pensamos que tais atividades são boas, naturais e a vida é tão saudável! Pode até ser, mas em vista da população de antigamente, vemos que esta não teve uma vida tão longa como encontramos nos dias atuais, e mais a qualidade de vida não era tão plena como encontramos hoje, é claro que há algumas raras exceções, mas fazendo o contraponto em relação à atividade física, hoje os idosos se desenvolvem mais e veremos isso a seguir.


Os idosos hoje vivem mais, isso é um fato. E o que causa a longevidade e o “boom” de idosos no mundo atual? Os avanços tecnológicos, avanços médicos, aumento dos profissionais e modalidades da saúde e as conveniências comerciais são alguns fatores que colaboram para o aumento da longevidade dos idosos. Temos muita tecnologia nos dias atuais que facilitam muito a vida de todos, quanto aos idosos a tecnologia auxilia para que estes não forcem tanto seu corpo evitando lesões no âmbito dos esportes e academias, pois os equipamentos para práticas físicas minimizam totalmente impactos e se tornam um chamariz para que os idosos pratiquem atividades, o que leva a grandes melhorias na sua saúde e evita as doenças que podem acometê-los levando a incapacidade funcional.

Os avanços médicos são importantes, pois quanto mais a medicina avança, melhores serão os tratamentos para evitar as doenças e assim amenizar os efeitos do envelhecimento. O aumento dos profissionais da saúde e os serviços prestados por estes podem aumentar a qualidade de vida dos idosos, alguns profissionais desenvolvem o home care (atendimento em casa), assim o idoso não precisa sair de casa e sua saúde é tratada da melhor forma, isso demonstra que se evolui a maneira de cuidar do idoso perto do que era com o velho idoso. E as conveniências comerciais auxiliam a vida do idoso tornando-a mais prática, e mais uma vez diminui o trabalho para esta população.
O que se vê com tudo isso é que toda a evolução que ocorreu no mundo o idoso se beneficia cada vez mais, sua situação melhora a cada dia, ocorre a maior valorização desta população.
Como educador físico, creio que os idosos de antigamente tiveram sua época e vivências comuns ao seu tempo, suas práticas físicas eram mais naturais, porém os meios que estes utilizavam muitas vezes comprometiam seu corpo e a longevidade passava longe da que vemos hoje, com isso espero que a evolução continue e por meio de práticas saudáveis logo veremos pessoas chegarem aos 150 anos.


01 DE OUTUBRO DE 2019
DAVID COIMBRA

Em defesa da morte

Falamos da morte. Estávamos no Timeline, da Gaúcha, entrevistando o médico J.J. Camargo, quando o Potter perguntou algo sobre a morte. Camargo brincou:

- A morte é ruim. Eu sou contra. Apesar de saber que era uma galhofa, aproveitei para defender a morte, essa injustiçada: - Sabe que não? A morte é uma coisa boa!

E é mesmo. Não pude desenvolver o tema a contento na hora (programas de rádio são dinâmicos), mas agora o faço. Porque a morte, mesmo que a gente tente não pensar muito nela, está no centro da vida. Mais: a vida se justifica pela morte.

Imagine uma vida sem morte. No Timeline, o Camargo e o Potter citaram um romance do Saramago, As Intermitências da Morte, no qual ele faz exatamente isso: concebe uma sociedade em que as pessoas não morrem. Mas, na ficção de Saramago, elas continuam envelhecendo e vão ficando decrépitas, até o ponto em que a morte é desejável para elas e para todos os que as cercam.

Mas você pode imaginar o ideal. Pode escrever o seu próprio romance: o de uma vida eterna no auge da saúde física e mental. Fosse assim, me diga: que razão você teria para levantar da cama todas as manhãs? Se você perdesse um dia, não perderia nada. Haveria uma quantidade infinita de dias para substituir aquele que se foi. Que urgência você teria em aprender, em amar, em melhorar como ser humano ou em construir seja o que for, se pudesse fazer isso mais adiante, sempre mais adiante, a perder de vista?

Sem a morte, a vida seria uma sequência aborrecida de tempos iguais. Graças ao ponto final da morte, cada um de nós conta uma história com começo, meio e fim, seja qual for a sua duração. E a beleza dessa história é que nós, os protagonistas, estamos sempre mudando.

Você já percebeu isso? Desde a introdução até o desfecho, nós estamos em transformação. Não existe um único período de estabilidade na sua vida, você está em permanente processo de mudança. Heráclito dizia que é impossível um homem banhar-se duas vezes no mesmo rio, porque, da segunda vez, rio e homem já não serão os mesmos. Pois é assim que é. Olhe para as fotos que você já tirou, da sua infância até hoje. Quem desses que você vê é realmente você? Quem é "mais você"? O último? O de agora? Ou o que estava no ápice da forma física? Todos? Ou nenhum?

Nós mudamos a cada minuto, e isso pode ser uma evolução ou uma decadência. Alguns se tornam mais afáveis, mais tolerantes, outros se tornam amargos e tristes. Mas isso só acontece porque você sabe que, logo ali, há um limite. Você sabe que a trajetória terá um fim. Só não sabe QUANDO será. O que é ótimo. Porque, assim, você pode se esforçar para que cada capítulo seja melhor do que o anterior. No final inesperado, você talvez tenha contado uma linda história. Depende de você.

DAVID COIMBRA

01 DE OUTUBRO DE 2019
OPINIÃO DA RBS

AVANÇO NA AGENDA



Salvo alguma nova e indesejada surpresa, o plenário do Senado vota hoje, em primeiro turno, a PEC da reforma da Previdência. Era uma etapa que já deveria ter sido vencida. Quando a matéria saiu da Câmara, no início de agosto, havia a expectativa até de que as novas regras para as aposentadorias do INSS fossem assunto encerrado também entre os senadores antes do final de setembro.

A votação deveria ter sido realizada na semana passada, mas foi adiada em uma espécie de resposta ao próprio Planalto e ao Supremo Tribunal Federal (STF) à ação da Polícia Federal que mirou o líder do governo na Casa, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). Um revide descabido. Afinal, a reforma interessa ao país, e não a este ou àquele poder, e deve estar acima de escaramuças políticas. 

É indispensável que o Senado conclua a sua parte o mais rápido possível, e sem novas concessões. O déficit da Previdência, verdadeiro calcanhar de aquiles das contas públicas, exige que o texto entre em vigor logo. O que não elimina, é bom lembrar, a importância da tramitação da PEC paralela que, entre outros pontos, trata da inclusão de Estados e municípios no guarda-chuva das novas regras.

Um desfecho também é fundamental para que essa seja uma página virada no Legislativo e parlamentares e Executivo possam concentrar mais energia em outras reformas vitais, como a tributária e a administrativa. É preciso compreensão de que, sem finanças mais sadias, simplificação dos impostos e uma modernização acelerada do Estado brasileiro, dificilmente os investimentos necessários para tirar o país da inércia econômica retornarão no nível desejado. Neste contexto também se insere o esforço pela chamada agenda de transformação, do ministro Paulo Guedes, com iniciativas como medidas para contenção de gastos e o megaleilão de áreas do pré-sal, destravado pelo Congresso na semana passada.

Boa parte do capital externo que buscava ganhos fáceis pelos juros altos no Brasil está batendo asas, migrando para mercados considerados mais seguros, uma vez que o diferencial das taxas deixou de ser considerado vantajoso. Um efeito colateral do bem-vindo ciclo de corte da Selic pelo Banco Central, que felizmente tende a ser mantido. Com essa opção de atração de recursos menos rentável, a melhor maneira de o Brasil voltar a receber grandes fluxos - e de forma ainda mais benéfica - está vinculada à retomada da economia e à aposta em investimentos produtivos, especialmente em infraestrutura. Um cenário que se tornará crível se o país conseguir combinar déficit sob controle, estabilidade política e segurança jurídica.

OPINIÃO DA RBS

01 DE OUTUBRO DE 2019
POLÍTICA +

RS sem perspectiva de salário em dia


Fracassada a tentativa de vender ações do Banrisul, o governo do Estado fechou setembro sem perspectiva de quitação em dia dos salários dos servidores. O calendário de pagamento de setembro, divulgado ontem pela Secretaria da Fazenda, mostra que a situação piorou em comparação com agosto, cuja folha só será quitada em 11 de outubro.

O primeiro pagamento do salário de setembro está previsto para 15 de outubro. Nessa data - Dia do Professor -, receberão os servidores que ganham até R$ 2,5 mil líquidos (54% dos contracheques). Para quem recebe acima desse valor, o governo vai pingar R$ 1 mil em 16 de outubro. A parcela seguinte, de R$ 3.350, virá apenas em 12 de novembro. A quitação total da folha de setembro está prevista para 13 de novembro, a menos que entrem recursos extraordinários.

- Analisando o fluxo de caixa hoje, essas são as datas possíveis para dar previsibilidade de pagamento. Qualquer variação positiva que dê segurança para o depósito de mais uma faixa, será anunciada - disse o secretário da Fazenda, Marco Aurelio Cardoso.

Não há, no horizonte, sinal de retomada dos pagamentos em dia. O governador Eduardo Leite esperava contar com uma espécie de empréstimo do Fundo de Reaparelhamento do Judiciário, mas o presidente do Tribunal de Justiça, Carlos Eduardo Duro, descartou essa hipótese. Resta o regime de recuperação fiscal, cuja adesão não tem data para ocorrer.

Para marcar os quatro anos de atraso nos salários, o Sindicato dos Técnicos Científicos (Sintergs) resolveu fazer uma ironia. Em frente ao Centro Administrativo, distribuiu bolo e refrigerante ao som de Parabéns a você.

ROSANE DE OLIVEIRA

01 DE OUTUBRO DE 2019
CARPINEJAR

Uma mãe menina

Aquilo me marcou para sempre. Estudava em escola pública. Fizemos arrecadação de alimentos para um orfanato do bairro.


No dia da visita, roubei uma boneca da minha irmã Carla para entregar a uma das crianças. Escondi em minha mochila. Procurei alguma que ela não estivesse usando, empoeirada, em cima do armário.

A professora explicou que conheceríamos um lar de transição, de meninos e meninas sem pai nem mãe, que ainda seriam adotados por uma nova família. Jogaríamos futebol, vôlei, brincaríamos no pátio, trocaríamos os nossos sorrisos.

Foi quando conheci Mirela, de seis anos, olhos negros, com tranças longas e um jeito tímido e abafado de conversar. Eu era dois anos mais velho. Não consegui descobrir muito dela, a não ser que gostava de desenhar árvores, a ponto de ultrapassar o tamanho da folha. Ela me mostrou um desenho, onde via apenas um tronco marrom ocupando inteiramente a página em branco. A copa e as folhas não apareciam. A árvore chegava até o céu, de acordo com a sua lógica.

Entreguei o presente para ela, cuidando para não ser visto. Ninguém falou que não poderíamos entregar lembranças, mas ninguém também tinha falado que poderíamos. Não quis puxar o assunto com a professora e sofrer uma possível censura.

Na hora em que eu dei a boneca, ela me devolveu, daí eu dei de novo, e ela me devolveu de novo, até que eu dei e saí correndo. Ficou um empurra-empurra estranho, finalizado porque fugi e não possibilitei mais proximidade para outra devolução.

Evidente que a minha "sora" descobriu, três dias depois, por um evento incomum no orfanato.

Mirela dormiu no chão na noite seguinte à nossa visita, encontrada no piso frio do inverno, encolhida, usando os sapatos de travesseiro. A orientadora do lar deduziu que a queda havia sido provocada por algum pesadelo ou medo de um monstro. Não desconsiderou a hipótese de bullying de seus colegas.

Mas não. Mirela explicou que ofereceu a sua cama quente e seus cobertores fofos para a boneca.

A boneca ficou deitada em seu colchão, enquanto ela se recolheu ao piso. De tanto que gostou do brinquedo, cedeu o que possuía de mais valioso.

Montou um berço para a sua filha recém-chegada. Zelou os cabelos dela. Arrancou dentro de si a mãe que nunca teve na vida para criar um ventre de pano.

Tão franzina, tão pequena, Mirela não fez nenhuma loucura. Fez com a boneca o que sempre sonhou para si.

CARPINEJAR

segunda-feira, 30 de setembro de 2019


30 DE SETEMBRO DE 2019
DAVID COIMBRA

Por que ferver a água do chimarrão

Existe uma crença arraigada de que não se pode derramar água fervendo no chimarrão. "Queima a erva", alegam os incontáveis adeptos dessa corrente. Durante largo tempo aceitei isso como verdade inquestionável, porque era um ensinamento que passava de geração para geração. Mas havia um pormenor que sempre me incomodava, que ficava me sussurrando: "Há algo de errado aí? algo de muito errado?".

Mesmo assim, todas as manhãs, quando preparava meu mate, não deixava a água ferver, em respeito aos meus antepassados. "A chaleira não pode chiar", dizia para mim mesmo, repetindo uma fórmula ancestral, mas, ao mesmo tempo, sem acreditar nela.

Sabe o que me inquietava? A lógica.

Porque o chimarrão, ao fim e ao cabo, é um chá. Uma infusão. E como são preparadas todas as infusões? Com água fervente! Conta-se, inclusive, que o primeiro de todos os chás da humanidade foi bebido na China há 5 mil anos, o que não me surpreende, porque todas as coisas foram inventadas na China há 5 mil anos. Mas o que interessa agora é a forma como o chá foi criado: um imperador chinês estava fervendo água para beber e folhas de uma árvore próxima caíram na panela. O imperador viu que, a partir da fervura, formou-se um líquido de cor amarelada e resolveu experimentá-lo. Gostou e, a partir daí, passou a ferver folhas diariamente.

O chimarrão, portanto, também deveria ser feito com água em ponto de ebulição. Aliás, lembre-se do imperador chinês: ele fervia a água por questões de saúde, para matar todos os microrganismos que porventura estivessem nadando nela. Um grande motivo para nós também fervermos a nossa água, até porque a que vem do Rio Guaíba às vezes tem um cheiro maligno, não é confiável.

Por que, então, disseminou-se pelo Rio Grande a ideia (falsa! Mil vezes falsa!) de que a água do chimarrão não pode ser fervida? Que interesses estão por trás dessa fake news?

Depois de muita pesquisa, encontrei duas explicações: uma à direita e outra à esquerda.

A primeira, a explicação à direita, faz uma revelação alarmante: tudo começou na Escola de Frankfurt. Horkheimer e Habermas, principalmente eles, defendiam que os micróbios sobreviventes na água não fervida contaminariam mais do que estômagos e intestinos gaúchos: contaminariam o próprio sistema capitalista vigente no Estado. Porque, é óbvio, pessoas com dor de barriga são pessoas descontentes. Isso explicaria por que os gaúchos jamais reelegem um governador: os eleitores estão em eterna constipação ou, o que é ainda mais aflitivo, em permanente estado diarreico. E em quem poriam a culpa por tamanho incômodo? No governo, é evidente. Faz sentido. Porque, no Rio Grande amado, os desarranjos intestinais são tão frequentes, que se criou até uma palavra local para defini-los: o popular "churrio".

A segunda explicação, egressa das esquerdas, é igualmente assustadora: o conceito absurdo de que a água do mate não pode ser fervida espraiou-se entre nós por ação do Grande Irmão do Norte. Os Estados Unidos. Para a indústria farmacêutica, é fundamental que as pessoas vivam se queixando de males estomacais. Assim, ela fatura bilhões vendendo suas drogas a preços escorchantes. Os gaúchos acham os remédios caros, mas pagam, porque precisam desesperadamente se aliviar. Não é à toa que há tantas farmácias no Rio Grande do Sul.

Não sei quem está certo, mas eu, aqui, me rebelei. Fervo a água. Sim! Admito! Confesso sem pejo: fervo! Pouco me importam as críticas. Que venham os ataques nas redes sociais!

DAVID COIMBRA