sexta-feira, 9 de janeiro de 2009


VINICIUS MOTA

Dor de barriga

SÃO PAULO - Azia, má digestão, enjoos, cólicas... Atire a primeira pedra aquele que nunca penou com esse gênero atroz de males da finitude. Que o digam mais de 300 passageiros que se sentiram mal num navio, atracado na quarta para averiguações em Salvador e já liberado.

Um rotavírus altamente contagioso, uma salmonella, uma intoxicação alimentar. A Anvisa ainda investiga as causas do incidente coletivo. Deveria considerar, também, a hipótese de uma exposição generalizada dessas pessoas ao noticiário.

Não há de ser só o estômago do presidente Lula que se indispõe com a leitura de jornais e revistas e com o acompanhamento de notícias e opiniões pela TV, pelo rádio e pela internet. À revista "Piauí", Lula debochou da mídia. Não acompanha o noticiário por opção; porque tem "problema de azia", fez troça.

Não é de hoje que Lula demonstra, em gestos, biografia e palavras, desprezo solene pela leitura e outros hábitos de instrução e informação. A resposta a quem aponta essa falha, grave num presidente da República, é sempre a mesma: é acusado de elitista e preconceituoso.

"A imprensa brasileira tem um comportamento histórico em relação a mim", disse na entrevista. A indolência, de repente, toma a forma de prevenção contra ataques de um inimigo "histórico", a mídia.

Eis um clássico do escapismo esquerdista. Não me exponho ao diálogo na esfera pública, não cotejo minhas opiniões e minhas atitudes com a crítica porque os meios de comunicação não têm legitimidade; estão entregues à burguesia, ao império, aos bancos, aos tucanos.

E toda essa teoria sobre mídia e parcialismo, lançada por um presidente que deplora a instrução e vive cercado de intelectuais aduladores, terminou com uma atitude. Lula criou a TV Brasil para contar a versão popular da história.

O problema é que quase ninguém assiste à TV de Lula. Talvez a programação esteja enjoativa.

vinicius.mota@grupofolha.com.br

Matt Cardy - 2.jul.05/Getty Images

Mamãe Jolie

No papel de uma mulher que tem o filho de 9 anos sequestrado na Los Angeles de 1928, a atriz estreia "A Troca", de Clint Eastwood, em meio a planos de ampliar a família e trabalhar menos

Angelina Jolie, mãe de seis filhos, com o adotivo Maddox, em 2005, quando ele tinha 3 anos

MARK HARRIS - DO "NEW YORK TIMES"

Angelina Jolie carrega muita bagagem.

Em outubro passado, quando chegou ao Festival de Cinema de Nova York para a première de "A Troca", o novo drama de Clint Eastwood que protagoniza (e que estreia hoje nos cinemas brasileiros), ela trouxe a tiracolo Brad Pitt e os filhos deles, Maddox, 7, e Pax, 5, suas filhas, Zahara, 4, e Shiloh, 2, e os gêmeos Knox e Vivienne.

Os oito tinham vindo de avião da Alemanha, onde se fixaram enquanto Pitt filmava a aventura de Quentin Tarantino ambientada na Segunda Guerra, "Inglorious Bastards".
"Estamos todos com um pouco de jet lag", disse ela, sem dar qualquer sinal de cansaço.

Carregar muita bagagem é algo que Jolie parece fazer com serenidade -como mãe. Como atriz, porém, ela sabe que isso pode ser um problema.

Aos 33, Jolie ocupa um lugar raro no ranking superior das estrelas de Hollywood. Não importa aonde vá ou o que faça, ela não pode escapar de suas várias identidades.
Se ela se irrita com a atenção, é inteligente demais para reclamar disso. Mas admite que a abundância de informações a seu respeito pode criar um dilema com efeitos negativos. Sua fama pode colocar em risco sua capacidade de fazer o público acreditar que ela é outra pessoa. Ou seja, desaparecer.

"Será que consigo? Espero que sim. Eu não me ofereceria para fazer um filme como "A Troca" se achasse que não conseguiria mergulhar as pessoas na história, devido a todas as maneiras como me enxergam."

Em "A Troca", na Los Angeles de 1928, Jolie faz o papel de Christine Collins, supervisora de mesa telefônica e mãe solteira cujo filho de 9 anos é sequestrado (a história tem origem numa série de assassinatos repulsivos que ficaram conhecidos como os "assassinatos do galinheiro em Wineville").

Cinco meses após o desaparecimento do garoto, o Departamento de Polícia de Los Angeles lhe entrega um menino que insiste que é seu filho, mas quando ela diz que não é, policiais do departamento tentam destruir sua vida.

Ela recorda o momento em que leu pela primeira vez o roteiro de "A Troca": "Falei -isto é maravilhoso, mas não vou fazer. Eu não queria voltar minha atenção para o fato de crianças serem sequestradas. Mas não conseguia me esquecer da personagem. Me vi contando a história a Brad e amigos meus".

"A Troca" chegou num momento especialmente doloroso para Jolie. Em janeiro de 2007, sua mãe, Marcheline Bertrand, morreu de câncer do ovário, aos 56 anos. "Ela era uma mulher muito gentil", disse ela.

"Era difícil para ela gritar. Mas, quando era preciso lutar por seus filhos, ela encontrava uma força que nem sempre percebia que tinha. E há uma parte de Christine que eu liguei a ela. Eu guardava fotos de minha mãe nas bolsinhas que a personagem carrega no filme."

Não tão sexy

"A Troca", um drama de grande estúdio em que Jolie precisou esconder a postura carregada de sexualidade que sempre a definiu, é mais um passo para fora de sua zona de conforto -e lhe valeu a indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz dramática.

Mas embora ela discuta o filme com entusiasmo, fica claro que sua atenção não está voltada principalmente para o cinema. Ela prevê que, com o tempo, o trabalho de atriz passará a ter papel menor em sua vida.

Nos últimos meses, desde que os gêmeos nasceram, seus filhos mais velhos vêm tendo aulas em casa "e eles têm tido mamãe e papai com eles em todas as refeições, todos os dias". Decidir aceitar um trabalho "é realmente difícil", diz ela.

"Quem vai estar na escola quando eu fizer o filme? Como vou ter certeza de que não vou ficar longe tempo demais?" Ela e Pitt não pretendem parar depois de seis filhos. "Sei que podemos parecer um pouco malucos tendo um depois do outro, mas a gente planeja, sim.

Há momentos em que olhamos para todo mundo em volta da mesa e parece louco, mas nossa família é a coisa mais bacana que já fizemos na vida."

Tradução de CLARA ALLAIN


09 de janeiro de 2009
N° 15843 - DAVID COIMBRA


Razões para morrer

Luc Ferry diz que o homem ocidental não vive, não morre e não mata mais pelo que já viveu, morreu e matou. É filósofo, Luc Ferry, e já foi ministro da Educação da França. Até esteve entre nós, durante o primeiro e mais bem-sucedido seminário Fronteiras do Pensamento, em 2007.

Segundo Luc Ferry, o homem do Ocidente viveu, morreu e matou pela religião, pela pátria e pelo idealismo. Agora não mais. Agora, o eixo das motivações do Ocidente é outro.

São os filhos. Pelos filhos, o ocidental vive, mata e morre.

Talvez seja a prova de que o homem contemporâneo é muito mais superficial e individualista do que jamais foi em toda a história da Civilização. Compreensível. Afinal, o capitalismo e a democracia, moldes do Ocidente, só vicejam se regados pelo individualismo, e a democracia é mesmo o governo do superficial e do medíocre.

Mas é provável, também, que o homem ocidental tenha se desiludido com suas antigas motivações. A religião, a mais antiga delas, é também a mais arraigada. Por ser impalpável e ameaçadora – o incréu tem sempre pendendo sobre a sua cabeça a espada da vingança de Deus só porque ele duvida de Deus.

O problema é que as religiões não vêm se mostrando eficientes nestes séculos todos. Nenhuma delas garante proteção total aos fiéis contra intempéries, micróbios em geral ou, o pior, a maldade humana. Mesmo que o fiel seja um modelo de crente, um modelo de comportamento.

Aquele menino que morreu arrastado por um carro no Rio, por exemplo, por que as entidades divinas permitiram seu suplício? Ele não devia ter culpa no coração. Ah, aí o religioso alega que existe o livre arbítrio. Não sei o que seria das religiões se não houvesse o livre arbítrio para absolvê-las.

Da mesma forma, as ideologias. A mais generosa delas, o comunismo, não funcionou em lugar algum quando implantada. Ao contrário, transformou seus ideólogos em monstros sanguinários, genocidas frios.

A pátria é ainda mais frágil. A América é a prova geográfica de que pátria não existe. Pois os colonos que vieram da Europa, da África e da Ásia, o que eles são? Filhos de japoneses, italianos, alemães e congoleses, não são também brasileiros, mexicanos, americanos? Por que alguém que nasce no Paraguai é melhor do que alguém que nasce na Bolívia?

Não. Pátria, ideologia e religião falharam como razões da existência.

Mas aí, no fim da primeira década do século 21, o mundo assiste à guerra na Faixa de Gaza, uma guerra motivada, exatamente, por noções de pátria, por ideologia e por religião.

Pode-se empregar todo tipo de argumento numa guerra como esta, a favor e contra os dois lados. Ambos têm suas razões. E não têm nenhuma. Só o que não pode é acontecer o que tem acontecido. Vi uma cena desta guerra. Uma foto de jornal. Uma mãe ao lado do filho que teve as duas pernas amputadas pela explosão de uma bomba.

Que religião, que pátria, que ideologia valem a dor dessa mãe? Viver pelos filhos, realmente, talvez não seja o mais nobre para o espírito humano. Talvez não seja o mais elevado. Talvez não seja nem mesmo o mais belo. Mas, de tudo pelo que já se viveu, morreu e matou, é o mais civilizado e muito, muito mais humano.


09 de janeiro de 2009
N° 15843 - PAULO SANT’ANA


Gaza é aqui

Ontem, fui a uma padaria e comprei meio quilo de pão sovado.

Sempre achei que o pão francês é mais delicioso, mas ele necessita ser esquentado para manter o gosto.

Como não tenho como esquentar o pão francês, compro o pão sovado, que é bom mesmo sem estar quente.

E quando comprei o pão sovado e gastei apenas um minuto para adquiri-lo, voltei meu pensamento para o povo de Gaza, que vive momentos de terror e escassez sob os bombardeios de Israel.

Lá em Gaza, com 700 mortos já contabilizados, depois de 14 dias de guerra, não há mais fornecimento de gás. A população está se valendo de fogões a lenha, insuficientes para conter o frio inclemente do inverno.

Com 6 milhões de habitantes, Gaza tem atualmente só três padarias funcionando.

Em cada padaria, há uma fila de mil pessoas para comprar pão. Isto é desumano, ninguém pode esperar 10 horas para comprar um pão que eu comprei em um minuto ontem numa padaria de Porto Alegre.

Isto é a guerra.

Um miserável pão cuja conquista dura 10 horas.

Eu tenho a mania primordial de me preocupar com a vida dos outros. Então fico eu aqui em Porto Alegre comparando a nossa vida com a vida dos outros povos.

E me apiedo com habitantes de Gaza, todos os dias cheirando aqueles cadáveres enfileirados em macas, prontos para serem enterrados, vítimas de uma guerra que não acaba mais, fermentada pelo ódio.

E comparo o Rio Grande do Sul com Gaza: foi noticiado ontem que a cada cinco horas um gaúcho é assassinado.

São cerca de cinco assassinatos por dia no Rio Grande do Sul. Em 2008, cerca de 1,6 mil gaúchos morreram por homicídio.

Isto é uma guerra. Nós só não nos apercebemos dela porque levamos apenas um minuto para comprar pão e temos gás suficiente em nossa casa para cozinharmos e tomarmos banho quente.

Na minha invectiva de compaixão por Gaza, grito que a guerra no Rio Grande do Sul é pior que a de Gaza. Porque EUA, França, Egito, estão todos empenhados para implantar uma trégua na guerra entre israelenses e palestinos.

Como sempre acontece por lá, morrem centenas, um milhar de pessoas na guerra e logo se estabelece uma trégua, um cessar-fogo, tudo volta ao normal.

Por que a guerra é pior aqui no RS? Porque aqui não há trégua, cada vez mais serão assassinados gaúchos todos os dias dentro de nossas fronteiras. É um ódio assassino incompreensível que faz com que os gaúchos se matem uns aos outros, em todos os recantos do Estado.

Até quando vão tombar pelas balas ou pelas facas os gaúchos nesta série horrenda e diária e permanente de assassinatos?

E se há ódio lá, entre Israel e Gaza, como ignorar que aqui no RS há ódio incessante, dedicado pelos assassinos às suas vítimas?

Porque o ódio é o combustível inseparável das relações humanas. Porque os homens querem assumir o lugar de Deus, num delírio de poder incontível, teimando em tirar a vida dos outros.

Não existe diferença entre o ódio entre judeus e palestinos e o ódio dos assassinos gaúchos contra suas vítimas. Só que lá em Gaza eles dão folga periódica para o ódio, aplacando-o com tréguas.

Mas aqui no Rio Grande do Sul, com 1,6 mil assassinatos por ano, nós não impomos trégua aos revólveres assassinos e às facas de aço frio e incisivo das carniçarias que fazem tombar todos os dias, de cinco em cinco horas, uma vítima, numa guerra mais infindável que a entre judeus e palestinos.

Não há mais fim para a guerra entre todos os homens. Por que não cessa o ódio entre os homens?

09 de janeiro de 2009
N° 15843 - PAULO SANT’ANA


Gaza é aqui

Ontem, fui a uma padaria e comprei meio quilo de pão sovado.

Sempre achei que o pão francês é mais delicioso, mas ele necessita ser esquentado para manter o gosto.

Como não tenho como esquentar o pão francês, compro o pão sovado, que é bom mesmo sem estar quente.

E quando comprei o pão sovado e gastei apenas um minuto para adquiri-lo, voltei meu pensamento para o povo de Gaza, que vive momentos de terror e escassez sob os bombardeios de Israel.

Lá em Gaza, com 700 mortos já contabilizados, depois de 14 dias de guerra, não há mais fornecimento de gás. A população está se valendo de fogões a lenha, insuficientes para conter o frio inclemente do inverno.

Com 6 milhões de habitantes, Gaza tem atualmente só três padarias funcionando.

Em cada padaria, há uma fila de mil pessoas para comprar pão. Isto é desumano, ninguém pode esperar 10 horas para comprar um pão que eu comprei em um minuto ontem numa padaria de Porto Alegre.

Isto é a guerra.

Um miserável pão cuja conquista dura 10 horas.

Eu tenho a mania primordial de me preocupar com a vida dos outros. Então fico eu aqui em Porto Alegre comparando a nossa vida com a vida dos outros povos.

E me apiedo com habitantes de Gaza, todos os dias cheirando aqueles cadáveres enfileirados em macas, prontos para serem enterrados, vítimas de uma guerra que não acaba mais, fermentada pelo ódio.

E comparo o Rio Grande do Sul com Gaza: foi noticiado ontem que a cada cinco horas um gaúcho é assassinado.

São cerca de cinco assassinatos por dia no Rio Grande do Sul. Em 2008, cerca de 1,6 mil gaúchos morreram por homicídio.

Isto é uma guerra. Nós só não nos apercebemos dela porque levamos apenas um minuto para comprar pão e temos gás suficiente em nossa casa para cozinharmos e tomarmos banho quente.

Na minha invectiva de compaixão por Gaza, grito que a guerra no Rio Grande do Sul é pior que a de Gaza. Porque EUA, França, Egito, estão todos empenhados para implantar uma trégua na guerra entre israelenses e palestinos.

Como sempre acontece por lá, morrem centenas, um milhar de pessoas na guerra e logo se estabelece uma trégua, um cessar-fogo, tudo volta ao normal.

Por que a guerra é pior aqui no RS? Porque aqui não há trégua, cada vez mais serão assassinados gaúchos todos os dias dentro de nossas fronteiras. É um ódio assassino incompreensível que faz com que os gaúchos se matem uns aos outros, em todos os recantos do Estado.

Até quando vão tombar pelas balas ou pelas facas os gaúchos nesta série horrenda e diária e permanente de assassinatos?

E se há ódio lá, entre Israel e Gaza, como ignorar que aqui no RS há ódio incessante, dedicado pelos assassinos às suas vítimas?

Porque o ódio é o combustível inseparável das relações humanas. Porque os homens querem assumir o lugar de Deus, num delírio de poder incontível, teimando em tirar a vida dos outros.

Não existe diferença entre o ódio entre judeus e palestinos e o ódio dos assassinos gaúchos contra suas vítimas. Só que lá em Gaza eles dão folga periódica para o ódio, aplacando-o com tréguas.

Mas aqui no Rio Grande do Sul, com 1,6 mil assassinatos por ano, nós não impomos trégua aos revólveres assassinos e às facas de aço frio e incisivo das carniçarias que fazem tombar todos os dias, de cinco em cinco horas, uma vítima, numa guerra mais infindável que a entre judeus e palestinos.

Não há mais fim para a guerra entre todos os homens. Por que não cessa o ódio entre os homens?


UMA QUESTÃO DE LINGUAGEM

Tarde quente. Tento decifrar uma decisão do STF que me foi enviada por um amigo. Entro na Internet em busca de subsídios. Esbarro no juridiquês básico. Abro meu e-mail para pedir ajuda a um colega. Vejo uma mensagem estranha. Quando me dou conta, estou falando javanês.

– C ñ podia me descolá um trampo no CP, Ju?
– Não apito nada – respondi, usando uma linguagem que me pareceu estranhamente anacrônica, embora dois minutos antes ainda estivesse fresquinha na minha cabeça e ultrapassado fosse apenas um colega meu que fala 'que pequena' toda vez que vê uma 'gatinha maneira'.
– Sei, Ju, mas vc trampa no CP, ñ trampa?
– Bem, acho que sim. Quer dizer, trampo (fiquei imaginando o mais-que-perfeito de verbo trampar).
– Então pq ñ faz + força pra me aju. Qro saí de ksa.
– Não entendi bem. Não podes escrever em português?
– Pô, Ju, já te flei pra naum c tiozinho.
– Tenho as minhas limitações.
– :-)
– Hummm...
– Tô 100 $.
– Por que não arranja um emprego.
– :-(
– Qual é?
– É isso. Qro um trampo.
– Não é comigo.
– Pq vc naum xegou na hr q eu t flei.
– Pirou?
– C eh um kra irado, Ju, naum vacila.
– Não, não estou irritado nem irado, moça. Só não sei do que tu estás falando. Para mim, tudo isso aí é grego.
– Naum flei q c tava irtdo. Flei q c eh irado.
– Chega dessa conversa fiada.
– Kd teu humor?
– Não tenho.
– Qro c aki cmg.
– Isso não é chinês. É grego. Ou bula de penicilina. Acho que te falta superego ou uma terapia ocupacional.
– Naum saquei. Axo c tb enrldo.
– Qual é a profissão do teu pai?
– Advgdo.
– :-)
– C vai rapdo, kra!!! Irado!!!!!!!!!
– Teu pai não te corrige quando tu usas esse internetês?
– Naum tem como. Ele usa data vênia em @.
– Ah!
– Ele eh mto 100 noção. Axo esse trampo do vlho doidao.
– O velho é doidão?
– O trampo dele.
– Hummm...
– Adoro qd tu eh clro assim.
– Vai procurar a tua turma, fedelha.
– Pior eh o meu avô.
– Ah, bom! O que ele faz?
– Eh desembargador. Que trampo irado! Muito irado!!!!!!
– Tu és filha de advogado, neta de desembargador e pede trampo para mim. Por que não trampa no Judiciário?
– Kra, agora naum dá +. Depois da súmula vinculante 13, o bixo pgou. Naum tem + mole. Qro um trampo no CP, Ju.

juremir@correiodopovo.com.br

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009



A BUSCA

Qualquer hora dessas, o sol vai deixar de brilhar...
Mas isso não importa, a lua brilhará dia e noite...
Qualquer dia desses, as estrelas vão cair...
Mas ninguém precisa ter medo,
o oceano as receberá em suas águas...
Algumas coisas costumam acontecer na hora errada,
outras coisas acontecem na hora exata.

A sublimidade do ser humano,
é capaz de tornar as coisas perfeitas...
A paz interior de cada um,
e o desejo de busca,
influenciam o encontro...
Mesmo que o encontro seja virtual,
ou imaginário. (Seria a mesma coisa?)
Sei que pode se tornar real,
por causa da sublimidade e da paz interior,
e da busca de felicidade que cada ser tem dentro de si.

Busco sem medo...
Encontro com medo...
Sinto, com desejo...
Às vezes de correr o risco de não encontrar,
é melhor do que nem tentar procurar.
Busquei e te encontrei!
Ou foi você que me encontrou???

Bom, o que importa é que o destino é amigo dos homens,
e os homens são amigos entre si...
Mesmo que o destino se torne nosso inimigo,
nós jamais poderemos fazer o mesmo,
devemos continuar nos amando...
Os amigos se amam. Os verdadeiros...

As estrelas nem vão mais cair,
nem o céu deixará de ter o brilho do sol,
nem as coisas erradas irão acontecer.
Por que o amor e a amizade são maiores,
e dominam o coração e o espaço.
A busca foi verdadeira
e o verdadeiro sentido dessa minha busca..

Pelo espaço e por todos os lugares

é VOCE......

Recebido de minha amiga Clenir C Raimundi

ELIANE CANTANHÊDE

Simples assim: pela paz!

BRASÍLIA - Só fui a Israel uma vez, como turista. Visitei do norte, na fronteira com o Líbano, até o extremo sul, entre Egito e Jordânia, rodando pela Cisjordânia nos limites com a Síria. O que mais impressiona é que judeus e árabes vivem lado a lado, bairro a bairro, numa proximidade inimaginável.

Olhando Jerusalém do alto, é possível distinguir, pela disposição e pela nuance de cores, onde moram uns e outros. E, de baixo, cruza-se o tempo inteiro, ora com as famílias muito claras dos judeus, ora com as famílias morenas dos árabes, ambas geralmente numerosas.

Um judeu ali pelos 70, engraçado e falando várias línguas, levou meu grupo de apenas quatro pessoas a um restaurante árabe. A chegada foi esfuziante, com abraços e sorrisos de velhos conhecidos.

Daí a pergunta: "E numa guerra?". Do nosso companheiro, sem titubear: "Ou eles me matam, ou eu mato eles".

A milhares de quilômetros dessa história, dessa cultura e das dores do Oriente Médio, convém evitar defesas ou acusações apaixonadas e o erro de reagir aos atuais ataques a partir só de 1947, de 1967 ou de 2005, cortes que nos empurram para um lado ou para outro, inevitavelmente.

A questão vem de muito antes, é daquelas em que todos têm razão e ninguém tem razão, enquanto potências movem peças de acordo com suas conveniências.

O que podemos e devemos é discordar tanto dos foguetes inconsequentes do Hamas quanto da "reação desproporcional" de Israel -como acusam os governos, inclusive o do Brasil, que apita pouco, mas não se omitiu e tem sido coerente com sua política externa.

Agiu contra a unipolaridade norte-americana e sua tendência pró-Israel. E respaldou a ação combinada da França e do Egito -os dois países que Celso Amorim primeiro procurou- pelo cessar-fogo e pela reabertura de canais de negociação.

Ou seja, pela paz. Que, aliás, é justamente o que nos cabe fazer nesse momento de sangue e de dor.

elianec@uol.com.br

JOSÉ SIMÃO

IPVA! Meu carro tá implacável!

E o ipê é a árvore-símbolo do país: IPÊva, IPÊtu, IPÊi. Tô com ipêrtensão de tanto ipê a pagar!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! Ano-Novo! Tudo novo! Olha a faixa duma loja: "Em Deus nós confiamos, o resto tem que pagar à vista".

E o Lula de sunga? Um gato! Faça ginástica com o Lula e ganhe uma barriga de chope! E as Maysas? Entre a menina Maísa e a Maysa da Globo, ainda prefiro a do seu Silvio, porque não bebe nem fuma. Rarará! E o ipê é a árvore-símbolo do país: IPÊva, IPÊtu, IPÊi, IPÊRTENSÃO!

Tô com ipêrtensão de tanto ipê a pagar! É tanto tributo que já tô ficando triputo. TRIPUTO DA VIDA! Vou vender o carro pra pagar o IPVA!

E todo mês de janeiro provo que Cristo é brasileiro: vivia fazendo milagre, andava sem dinheiro e se ferrou na mão do governo. E diz que o IPVA está impagável, e o carro, IMPLACÁVEL! Vou entrar em rebelião. Que nem na cadeia.

Vou botar fogo no colchão. Não pago porra nenhuma. IPN: Imposto de Porra Nenhuma! E, como disse o outro, acabaram com o imposto do cheque e incluíram no contracheque! Rarará!

E sabe o que o Zeca Pagodinho falou da minissérie "Maysa"? "Não vejo minissérie de gente que bebe menos que eu." E uma amiga, que nunca tinha ouvido falar na Maysa: "Essa mulher era uma porra louca!".

O Brasil não tá em crise! Pra desespero da Miriam Leitão! Olha o outdoor em Fortaleza: "Comece o Ano-Novo com o pé direito. NA BUNDA DA CRISE!" E essa: "Israel vai fazer pausa diária de três horas nos bombardeios em Gaza".

E aí os Irmãos Bacalhau lançaram aquele antigo comercial de companhia aérea: "360 bombas, 360 bombas, para um pouquinho, descansa um pouquinho, 361 bombas". Quem tava certo sobre guerras era o Ronald Golias, o Bronco: "A civilização não se comportou".

E acredita que, no primeiro dia útil do ano, segunda de manhã com chuva, cidade vazia, uma mulher conseguiu bater no único carro da esquina daqui de casa? Essa entrou o ano com o pé direito. No acelerador! Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou, como diz o outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!

Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês.

É que em Campo Maior, Piauí, tem uma placa num mercadinho: "Vendem-se ovos e outras frutas". Sensacional. Parece Dias Gomes.

Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil! E mais um verbete pro óbvio lulante. "Valisère": vale que o companheiro Lula vai dar pras companhêra comprar calçola pro Carnaval. Rarará!

O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã. Que vou pingar meu colírio alucinógeno!

simao@uol.com.br


08 de janeiro de 2009
N° 15842 - LETICIA WIERZCHOWSKI


Pra começar 2009

Primeiro texto deste ano novinho em folha, e a uma altura dessas você já deve ter comido lentilhas e uvas, pulado sete ondas, vestido vermelho ou branco ou azul na noite da virada, começado uma dieta, cortado os cabelos, pintado as paredes da sala ou, ainda, terminado aquele namoro sem graça.

A gente sempre começa o ano com energia redobrada, cheio de planos e boas intenções pra dar e vender. Sorrir para aquele vizinho bonitão, comer mais legumes, aumentar o saldo da poupança, usar sacolas ecológicas, mudar de cidade, ter um filho.

Tem gente que faz listas, tem gente que não faz planos – somos muitos e muito diversos. Mas todos acreditamos que o princípio de um novo ano traz coisas boas no seu rastro.

Ou, pelo menos, ao bater da meia-noite, temos a certeza de que os velhos problemas foram embora, nem que seja para dar lugar a problemas novos. Enfim, crédulos ou não, estamos aí com um ano inteiro pela frente, e em um ano dá pra fazer muita coisa.

Assim, venho fazer aqui uma sugestão. Anote aí mais um objetivo pro seu ano novo. Depois de ler essas linhas, pegue seu telefone, ligue 051-34336902 e faça uma doação. Seja um dindo do Pão dos Pobres. Adote uma criança dessa instituição contribuindo mensalmente com um valor que você mesmo estipula (são aceitos valores acima de R$ 20 mensais), e faça sim uma coisa boa nesse ano que principia.

Ajude uma outra pessoa. Ajude um menino carente para que ele tenha um futuro. O Pão dos Pobres acolhe 200 meninos entre 8 e 10 anos no projeto de Atendimento Integral – as crianças moram lá de segunda a sexta-feira, frequentam o Ensino Fundamental e recebem aulas de inglês, informática, além de participarem do coral.

Outros 400 adolescentes fazem parte do projeto de Educação Profissional, o qual oferece os cursos de marcenaria, serralheria, mecânina, elétrica e informática.

São 600 crianças longe das nossas esquinas, aprendendo uma profissão e ganhando a chance de uma vida digna, de um futuro cheio de planos e possibilidades.

Faça sua dieta, troque seu emprego, arranje uma namorada, mas dê um ano novo pra uma criança carente.

Eu já virei dinda. Vire dindo você também.

Aproveite o dia - Uma ótima quinta -feira a você.


A ASTÚCIA DA IDEOLOGIA

A Revolução Cubana completou 50 anos. Participei, outro dia, da banca de uma dissertação, defendida por Juan Domingues, sob orientação de Dóris Haussen, sobre o mito Che Guevara como fenômeno de comunicação.

O revolucionário argentino está por toda parte. Quanto mais é declarado morto, mais a sua imagem se dissemina. Quanto mais a sua biografia é revisada para destacar que foi um sanguinário ou um fanático, mais ele se consolida como símbolo de uma liberdade impossível. Parece que, eliminada a causa, o efeito anda sozinho. Hegel falava em astúcia da razão.

Talvez estejamos vivendo a época da astúcia da ideologia. Visto que a ideologia defendida por Che não pode atualmente se exprimir com legitimidade pelas vias tradicionais – partidos, discursos, política –, encontra outros meios para se fazer presente. A ideologia já esteve na mente dos homens. Hoje, está no corpo todo.

Por exemplo, no meio das pernas da top model Gisele Bundchen, no já famoso biquíni com a estampa do guerrilheiro. Nada mal como evolução. Poderia o homem de Sierra Maestra imaginar que um dia teria um suporte de divulgação tão íntimo e privilegiado?

Ele queria ganhar corações e mentes. Foi além. A sua imagem aparece também numa tatuagem no corpo de Maradona. Sem dúvida, um lugar menos interessante ou charmoso que o anterior. Mas não menos impressionante como mídia global. Ou nas bandeiras da torcida Camisa 12 do Internacional de Porto Alegre.

Pelo jeito, por essa astúcia suprema, a ideologia, feito um vírus resistente, contamina a cultura de massa contra a qual Che Guevara investia. Vitória da sua ideologia sob a forma de cooptação do inimigo? Como explicar que personagens da sociedade do consumo e do espetáculo se encantem dessa maneira com um ideólogo marxista?

Muito já se anunciou o fim. Há uma obsessão pelo fim. Mas o fim não quer chegar ao fim. Depois do fim do capitalismo, veio o fim do comunismo. Agora, com a crise americana, fala-se no fim do neoliberalismo. Che Guevara teve o seu fim em 1967. Paradoxalmente, desde a sua execução e da foto que o transformou no 'Cristo de Vallegrande', Che não cessa de retornar por caminhos inesperados.

Alguns entendem que se trata apenas de uma boa jogada de marketing, transformando em objeto de consumo um ícone do anticonsumismo. E se fosse o oposto? E se a tal astúcia da ideologia, na condição metafísica de ação sem sujeito, estivesse apropriando-se da sociedade de consumo ou aparecendo como sintoma de uma falta, de uma insatisfação profunda, um desejo incontrolável de algo que não pode ser ou não será?

O mundo nunca mais foi o mesmo desde que Gisele carregou Che Guevara entre as suas coxas. Esse gesto certamente foi mais importante do que os atentados de 11 de setembro de 2001. Ali algo se quebrou. Talvez quando Gisele ajeitou o biquíni, exibindo um sorriso menos profissional e mais utópico, o neoliberalismo tenha dado o seu último suspiro ou o seu primeiro sinal de esgotamento.

Eu não duvidaria de que a tragédia do subprime seja apenas mais um elo na cadeia iniciada por Gisele. É claro que se pode especular sobre o desconhecimento do verdadeiro Che Guevara por parte de quem o tatua no corpo, cola em bandeiras ou estampa em roupas íntimas.

Essa é uma hipótese inquietante. Pois por mais verdadeira que seja, mais prova o que deseja negar. Nada mais perigoso do que um efeito cuja causa morreu.

juremir@correiodopovo.com.br


08 de janeiro de 2009
N° 15842 - PAULO SANT’ANA


A fuga do tédio

Existem três estados de espírito que podem significar a mesma coisa: tristeza, tédio e aborrecimento.

Mas dou o direito à leitora, ao leitor, de traçar diferenças entre estes três estados de espírito.

Para mim, não têm diferença, foram palavras criadas para definir o mesmo sentimento dominante numa pessoa humana.

O tédio ou o aborrecimento ou a tristeza se caracterizam pelo desalento, pela mágoa, o desgosto, o nojo, o pesar.

Quem tem tédio ou aborrecimento ou tristeza está impedido de ser feliz. Embora possa ainda não se considerar infeliz.

A sensação que impede totalmente uma pessoa de ser feliz é outra: a depressão, também chamada de melancolia.

Neste caso, preteia o olho da gateada. Porque a pessoa tomada por melancolia ou depressão é dominada por uma sensação de incapacidade.

O depressivo ou melancólico revela uma total falta de interesse para viver, ou seja, a vida perde o sentido para ele.

Nada mais grave, até mesmo porque este estado pode levar a outros tipos de doenças mentais que induzem o paciente a pôr fim à sua vida.

Um tipo de depressão curiosíssimo é o da melancolia indefinida. A pessoa a tem mas não sabe por quê. É tão indefinida, que o paciente começa a arrolar todos os seus desfavores, na ânsia de identificar a causa da sua depressão, podendo assim talvez atribuí-la a algum deles.

Mas não, nenhum deles seria suficiente para prostrá-lo assim, de forma deplorável e sem solução.

A tristeza ou o tédio ou o aborrecimento não inviabilizam a vida de ninguém, tanto que não conheço nenhuma pessoa que nunca tenha sido atacada de tristeza ou tédio ou aborrecimento, que são intrínsecos à vida humana.

A chave dessa questão nos distúrbios emocionais ou psíquicos se chama esperança.

Sempre que Paulo está se afundando nas águas da depressão, Pablo de pronto mergulha e vai buscar para ele a boia da esperança.

É preciso, mais que preciso, é imprescindível manter a esperança. Buscar a esperança, fabricar a esperança se ela não existe.

É necessário criar um derivativo sempre que o perigo da depressão estiver a rondar o espírito. Seja lá a prática de um exercício físico, seja lá assistir a um espetáculo, a filmes, arranjar um cachorro para criar, procurar um amigo ou criar um amigo, formar uma roda de amigos para jogar cartas, planejar qualquer viagem, seguir uma religião, estes são apenas alguns exemplos da imensa gama de hipóteses que levam à busca da esperança e a exorcização da depressão.

O que não pode é perder-se a esperança.

O tédio é irmão gêmeo da rotina. A tristeza é irmã gêmea da mesmice.

Para sair deles e não se deixar arrastar para a depressão, na maioria das vezes é preciso a coragem de mudar.

Não existe nada mais difícil na vida do que mudar. Desde deixar de fumar (como é difícil) até sair de um casamento (mais difícil ainda).

Mas é preciso mudar, de endereço, de cidade, de hábitos, de pertences, de paisagem, de ideias, de princípios.

Tem que mudar. É quase impossível, depois que se teceu o emaranhado da vida da gente.

Mas tem que mudar. Alguma coisa diferente tem que ser feita. Não pode continuar assim.

A chave é mudar. Mas para isso é preciso ter um gesto. Nem que pareça louco.


08 de janeiro de 2009
N° 15842 - L.F. VERISSIMO


A prova do angu

Videntes antigos procuravam presságios nas vísceras dos pássaros.

Os que tentam antever como será o governo Barack Obama estudam a sua escolha de secretários como se fossem tripas, pois seu gabinete tem algo de angu à baiana. Há conservadores, centristas e menos progressistas do que se esperava e sua inspiração principal parece ser o governo Clinton – ou seja, mais um passado testado do que o novo prometido.

É difícil deduzir o que vem aí dessa mistura. Uma previsão é de que Barack proporá outro New Deal como o do Roosevelt para enfrentar a crise econômica – o que também não deixará de ser um apelo ao passado – mas nada de dramaticamente muito diferente em outras áreas, como a da política externa. Pelo menos baseada na aparência do angu.

Na questão Israel/palestinos, as opiniões do Barack não divergem da posição da quase totalidade dos políticos americanos, de ajuda incondicional a Israel. Hillary Clinton, sua secretária de Estado, era senadora por Nova York com forte apoio do voto judaico.

A única esperança de que a política americana em relação ao Oriente Médio passe a ser mais equilibrada vem de uma declaração que o Barack fez durante a campanha, segundo a qual ser a favor de Israel não significa ser necessariamente a favor do Likud, o partido de extrema direita tão intransigente nas suas pregações e ações quanto os radicais do outro lado.

O implícito reconhecimento de que a política expansionista e do revide desproporcional é de uma corrente política não favorece a segurança de Israel e portanto não merece apoio incondicional, é um vislumbre de mudança. Se o Baraka não estava apenas fazendo uma frase.

A mistura de conveniência política com ódios irracionais é o que tem de mais repugnante na crise crônica do Oriente Médio. Toda essa gente morrendo para que o Hamas pareça mais duro do que as outras facçõs palestinas contra Israel e o governo israelense pareça duro o suficiente para derrotar o ainda mais duro Bibi Netanyahu nas eleições de fevereiro. As ambições sectárias de lado a lado medidas em crianças mortas.

Se você pode entender a reação de Israel diante do terror palestino, e para isso basta se imaginar vivendo entre vizinhos que simplesmente negam a sua existência, também não pode deixar de lamentar que a retribuição de Israel seja o terror no mesmo nível.

Nenhuma corrente ou facção tem o direito de fazer isto com a reputação de um povo com o passado e o acervo moral do povo judeu. No Oriente Médio se tem o triste espetáculo de uma nação sacrificando sua história para garantir sua geografia.

O que o governo Barack Obama fará a respeito de tudo isso? Bom, isso será a prova do angu.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009


DANIELA ARRAIS - DA REPORTAGEM LOCAL

Astrólogos viram estrelas na internet

ESOTERISMO >> Milhões de pessoas visitam sites que oferecem previsões e trazem dicas sobre a vida profissional e amorosa

Neste começo de ano, milhões de pessoas ao redor do mundo irão digitar ansiosamente o endereço www.astrologyzone.com para saber o que Susan Miller tem a dizer.

A astróloga, em suas extensas previsões, dará as pistas para quem acredita na influência dos astros sobre o dia-a-dia.

E esse é um grupo expressivo -Susan Miller recebe cerca de 18 milhões de visitas por mês em seu site, que oferece combinação de signos, indicações de livros e previsões para saúde e vida profissional.

Há ainda sites que oferecem mapa astral e sintonia amorosa, que avalia as características da combinação de seu signo com o de seu parceiro.

O brasileiro Personare (www.personare.com.br) se propõe a fazer estudos astrológicos que "indicam tendências de comportamento e situações de um determinado período e facilitam a pessoa a tomar decisões de forma consciente".

Tem serviços como mapa astral, mapa profissional, revolução solar (guia para o ano pessoal), que custam entre R$ 24,80 e R$ 48,80.

O site possui 750 mil cadastrados, sendo 77% mulheres, e oferece gratuitamente o Horóscopo Personare. A previsão pode ser lida na internet ou recebida por e-mail.

No Horóscopo UOL, a astróloga Barbara Abramo, que é colunista da Folha, dá dicas sobre amor, finanças, saúde e futuro -os horóscopos são disponibilizados em texto e, também, em voz, por meio de podcasts. "Meus leitores adoram análises que possam ser empregadas em suas vidas cotidianas", diz.

O retorno que ela recebe é intenso. "As pessoas escrevem comentando, pedindo explicações, conselhos, ou criticando, dando ideias e sugestões", afirma a astróloga, que começou a fazer testes com o microblog Twitter (www.twitter.com/barbarabramo).

Para os céticos, que não gostam nem de ouvir falar nesse tipo de serviço, a astróloga deixa claro que não se apresenta como um guru. "Acho que isso é desserviço e enganação, quero fugir dessa caricatura de que o astrólogo é um vidente que fala de um lugar acima da moral, isso é enganar as pessoas. Vejo a astrologia como um serviço de utilidade pública."

Não é brincadeira

Susan Miller também não brinca com astrologia. "Muita gente confunde astrologia com predestinação. Não tem a ver. Vejo áreas de expansão e de contração, mas a decisão final fica a cargo do indivíduo", disse em entrevista à Folha.

"Posso sugerir quando agir e quando voltar atrás. Posso até sugerir que perguntas fazer em determinada situação e quais os melhores métodos para alcançar um objetivo. Sinto que a astrologia pode aumentar a chance de sucesso, mas cada um pode escolher o que achar melhor para fazer."

A ideia de ir para o mundo digital surgiu quando ela percebeu a necessidade que os usuários tinham em receber informações de maneira mais rápida e conveniente. Além do site, Susan disponibiliza previsões por celular, podcast e até TV.

JOSÉ SIMÃO

Socuerro! Chegou a conta dos fogos!

Sabe aquela translumbrante estrela roxa que você achou linda? Era o seu IPVA!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! Ano-Novo! Tudo Novo! Jiboia não tem acento! E diz que o Lula tá mais preocupado com a crase do que com a crise!

E diz que o Lula vai financiar a reforma hortográfica (herrar é umano) em 25 anos. "Cum mais tempo, fica mais FÁFIL DE AFIMILAR!" E um leitor me disse que hífen é como hímen: só serve para atrapalhar. Rarará!

E socuerro! Me bate um abacate com Lexotan! Chegou a conta dos fogos! Começou o ano fiscal! Pensa que os fogos foram de graça? Já vem tudo embutido no imposto.

Sabe aquela translumbrante estrelona roxa que você achou linda? Era o seu IPVA! Era o seu IPVA explodindo! IPVA, IPTU, IPI, IH... ME FERREI!

É o famoso IMF: Ih Me Ferrei! E sabe por que tributo se chama tributo? Porque os carnês vem de três em três. De manhã chegam três, de tarde chegam mais três e, à noite, 33! O Lula tem que lançar um novo PAC: Programa de Ajuda ao Contribuinte! E este ano, que não acaba? Faltam 34 dias úteis pro Carnaval!

Aliás, já tem um bloco no Rio chamado FILHOS DE BAMBI. É a versão gay de Filhos de Gandhy. Com Barack OBAMBI e Mahatma BAMBI!

E já começaram a fazer a clássica pergunta: "Onde vai passar o Carnaval?". Respondo como todo ano: em Curitiba e com a namorada menstruada. Rarará!

Previsão pra 2009! E janeiro é o mês da dieta. Continuo fazendo força pra fechar a calça. De tanto bicho que comi nesse final de ano: peru, galinha, porco, cordeiro.

Parece que engoli um zoológico. E um médico me disse que depois dos 40 a única coisa que você pode comer com gordura é a sua mulher!

Por isso que tá todo mundo de dieta! Rarará! É que um amigo me disse que a mulher dele é tão feia, mas tão feia, que, na hora de descascar cebola, quem chora é a cebola! Rarará!

É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece ! Antitucanês Reloaded, a Missão!

Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Itupeva, no interior de São Paulo, tem uma oficina de consertos chamada Casa das Roçadeiras!

Deve ser um inferninho de sapatas. Mais direto, impossível. Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Encino": assão de tocar cinos. Rarará! É a Reforma Hortográfica no Planalto. O lulês é mais fácil que o ingrêis.

Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! E quem não tiver colírio pode pingar Chocomilk com Grapette quente!

simao@uol.com.br


07 de janeiro de 2009
N° 15841 - MARTHA MEDEIROS


Queridos amigos, de novo

Insistindo no assunto: domingo passado elogiei a minissérie Queridos Amigos, que assisti em DVD quase um ano depois de ela ter ido ao ar. O motivo da crônica era aproveitar essa época de troca de presentes para salientar que bom mesmo é receber algo que faz a gente refletir e se emocionar, como filmes, livros, discos. Não que joias e passagens aéreas sejam desprezíveis. Crise, que crise?

Mas muitos me perguntaram: por que gostei tanto, afinal? Um dos motivos eu já disse: porque enaltece a amizade, e não estou falando de qualquer “oi, tudo bem?” que a gente troca no meio da rua, mas da amizade fundamentada em alicerces sólidos, construída com o tempo, coisa que dificilmente um orkut possibilita (admito, porém, que já iniciei três ou quatro excelentes amizades por e-mail, com desdobramentos ao vivo e a cores).

Outra razão: a história se passa em 1989, ou seja, na idade da pedra, quando ainda se usava máquina de escrever, se falava em orelhão, se ouvia disco de vinil e se era mais politizado.

É tocante ver o drama daqueles amigos que vivenciaram a ditadura tendo que se confrontar com o iminente desaparecimento do idealismo, coisa que acabou se estabelecendo em definitivo entre nós.

Qual é a nossa causa, hoje? Por quem a gente luta? Sejamos honestos: pelo nosso bem-estar e por mais nada. Viramos uns individualistas que até se comovem com o menino miserável que faz malabarismo na sinaleira, mas já não somos capazes de nos mobilizar, de brigar.

Temos consciência ecológica, torcemos pelo Obama, mas são fenômenos midiáticos que não sei até onde nos mobilizam de fato ou simplesmente nos levam de roldão.

Eu me lembro que chorei quando as diretas-já não passaram em 1984, lembro do meu desapontamento quando Tancredo morreu e da minha alegria com o impeachment do Collor, mas a partir daí meus sentimentos foram sendo neutralizados e acabei sendo absorvida por um certo desencantamento, e espero que o nome disso não seja maturidade.

Queridos Amigos é uma bofetada naqueles que chegaram a cantar com Cazuza “ideologia, eu quero uma pra viver”, mas que seguiram vivendo numa boa sem ela.

E como se essas reflexões e alertas não bastassem, a minissérie também é um tratado sobre as relações íntimas e afetivas, sobre como ficamos desarmados diante da traição, da rejeição, do abandono, não importa o quão inteligentes e modernos sejamos – assuntos do coração fragilizam a todos, e talvez esta seja, hoje, a única dor que nos unifica.

Mas quem quer saber disso em tempos de Zorra Total?

Aproveite o dia - Uma ótima quarta-feira para você.


07 de janeiro de 2009
N° 15841 - PAULO SANT’ANA


Mais mortes nas boas estradas

Não tem jeito de sair da minha cabeça este número: somente nas rodovias federais, vejam bem, morreram 435 pessoas em acidentes durante os feriadões de Natal e Ano-Novo.

Foram 16 dias pesquisados. Ou seja, foram 27 mortes por dia só nas estradas federais. Atualmente, a média de mortes por dia no trânsito brasileiro é de cem cadáveres.

E, por ano, morrem 50 mil pessoas em acidentes de trânsito no Brasil, contando aqueles que morrem feridos nos hospitais, depois da ocorrência dos acidentes, que não são computados nos índices oficiais.

Eu me preocupo, talvez tolamente, com esses números. É que não tenho como evitá-los, nada posso fazer para evitar essas cifras superiores às do Iraque e de Gaza.

Nem eu posso fazer nada, nem as autoridades, nem os governos, nem os legisladores.

O que tinham de fazer já o fizeram. O novo Código de Trânsito Brasileiro foi editado em 1998 e saudado com as fanfarras da diminuição das mortes no trânsito.

Depois desse Código, aumentou o número de mortos no trânsito.

Assim foi também com a Lei Seca, todos a festejaram como a Lei Áurea do trânsito.

Pois, depois da Lei Seca, no início, diminuíram as mortes no trânsito.

Mas agora voltaram a aumentar as mortes no trânsito. Os pardais também foram saudados entusiasticamente como os salvadores de vida.

Não salvaram nada. Aumentaram as mortes. Então nada há mais que fazer?

Cheguei a pensar que esse morticínio é tão grande e alarmante, que seremos obrigados a determinar por lei às montadoras que construam carros com capacidade máxima de 110 km/h.

Acho que só essa medida tecnicamente antimercado pode acabar com as mortes.

Porque se todos transitassem a uma média de 80 km/h, as mortes iriam diminuir em 90%.

Tenho certeza de que nós seremos obrigados a isso, embora contrarie todo o bom senso internacional.

Alguma coisa terá de ser feita. Não pode continuar assim.

Não pode morrer a cada ano no Brasil uma população inteira do município de Santiago do Boqueirão (51 mil habitantes).

É demais.

E o pior é que os patrulheiros federais do Rio de Janeiro estão declarando que, quanto melhor for a estrada, mais mortes acontecerão nela.

Um deles disse: “É como se o condutor tivesse mais carinho pela roda de liga leve de seu carro, pelo eixo do seu carro do que pela sua própria família, que vai dentro do carro”.

Ora, se, quanto melhores forem as estradas, mais mortes haverá nelas, se, quanto mais esburacadas forem as estradas, menos mortes haverá nelas, então estamos fritos no futuro, eis que pregamos cada vez melhores estradas.

Sinceramente, eu nunca pensara que, quando suplicamos que os governos dupliquem as rodovias, estamos clamando por mais mortes no trânsito!


07 de janeiro de 2009
N° 15841 - DIANA CORSO


Vida besta

O título do último filme dirigido por Joel e Ethan Coen, Queime depois de Ler, é uma expressão que pode estar no fim de uma importante mensagem secreta, mas também significa que não vale a pena guardar. Opto pela primeira.

Embora as personagens pareçam gente importante, a locação deste filme lembra a América profunda de Fargo.

São pessoas medíocres, fracassadas, falsas ou irrelevantes, que confundem suas pequenas prioridades e impressões com grandes coisas. Obcecadas por sexo, poder, dinheiro e beleza, elas se afogam numa comédia de erros.

As personagens, não somente deste, mas da maior parte dos filmes dos irmãos Coen, são de um universo de toupeiras, que medem a realidade pelo diâmetro de seus túneis escuros. Parte da brincadeira dos diretores foi colocar dois galãs, Pitt e Clooney, no papel de abobados e torna-los convincentes. Como se vê, o charme depende do papel que se desempenhe.

A mesma vontade que temos de sacudir as personagens, para que acordem do pesadelo de non-sense e burrice para o qual nos arrastam, serve para nós mesmos. Vivemos quase sempre cegos para o que ocorre ao redor: aquele que nos ama está mais perto do que pensamos, assim como aquele que pensamos que nos é dedicado sonha longe de nós; a grande conspiração que imaginamos existir é falsa e a que realmente existe nos é desconhecida;

não somos tão feios como nos parece, mas somos menos espertos do que acreditamos; o sexo não significa encontro; e assim por diante. Não adianta sair do cinema pensando que somos inteligentes e as personagens, imbecis. Depois de rir, é difícil queimar em nossa memória um resto amargo que nos identifica com aqueles idiotas.

Desde o começo, a obra dos irmãos Coen é dedicada a revelar nosso imensurável potencial de imbecilidade, por vezes com crueldade, em Onde os Fracos não Têm Vez, outras com certa doçura, como em O Grande Lebowski.

Boa parte das guerras, assim como os piores feitos da humanidade, têm sido obra de idiotas achando-se grande coisa, seguida por outros medíocres que alegavam obediência devida aos primeiros, acompanhados de um bando de espertos com mentes estreitas. E assim seguimos vivendo sem pensar.

Acabamos de ganhar um ano novinho em folha, ano novo é como caderno novo, parece uma chance de melhorar.

Só o tempo dirá o que conseguimos fazer com isso, provavelmente nada que importe. Mas estes filmes ajudam a lembrar que alienação não é um termo filosófico vago, é uma forma de vida ao alcance de todos nós


07 de janeiro de 2009
N° 15841 - DAVID COIMBRA


A estranha vida praiana

Avida praiana não é tão fácil quanto parece. Já foi pior, verdade. Houve tempo em que não existia protetor solar, sabia? Ou não havia por aqui. Ou lá no IAPI não tínhamos notícia da descoberta desse milagre da ciência. Então, eu, um branquicela notório, sofria medonhamente com a vida praiana.

O problema é que sempre quis viver a vida praiana. Era guri e via aqueles comerciais da Imcosul. Sol, sal, sul, Imcosul. Ondas espumavam em todos os programas de TV. O jornal. Pegava o jornal e a cobertura de praia era uma festa.

As mulheres de biquíni, o campeonato praiano, o Carlos Nobre escrevia direto de Tramandaí. Dava vontade de ir à praia. Era lá que as coisas aconteciam. Lá é que as pessoas estavam vivendo, entre camarões fritos e caipirinhas. Só que nós não tínhamos verba para ir à Orla, permanecíamos aqui, na modorra, na canícula.

O pai da Alice tinha. A Alice era a minha namorada, uma morena que usava shortinho branco. Era legal aquele shortinho branco da Alice. Bem curto e apertado e tudo mais. Pois o pai dela era dono de um Fusca verde. Ainda mora lá no IAPI, o pai da Alice. Nos verões, ele pegava a Alice e a mãe da Alice e o Beto Zúqui, irmão da Alice, que era bom meia-direita, ele pegava todo mundo e botava naquele Fusca verde e ia para a praia. Imbituba.

Eu ficava aqui. Eu e os guris que não iam à praia. Curioso: nenhum guri ia à praia; só as gurias. Os guris que iam à praia eram os dos outros bairros. Os da Sogipa. Do Juvenil. Malditos.

Quando a Alice voltava, bronzeada e sorridente, ela contava sobre o que havia feito na praia. Ai, como amo Imbituba, miava. Ai, que saudade de Imbituba. Me dava uma raiva de Imbituba. Um verão ela voltou falando de um certo Éder. Aí eu e o Éder fomos pegar jacarezinho, aí o Éder me falou que da areia do mar se faz o vidro das janelas. O Éder, o Éder, o Éder. Somos só amigos, ela alegava.

Amigos. Sei.

Por tudo isso, por causa do Carlos Nobre em Tramandaí, dos comerciais da Imcosul e da Alice, queria viver a vida praiana. Quando ficamos mais taludos, eu e os guris demos um jeito nisso. Íamos para a Orla de carona. Antes era possível isso, viajar de carona. Ponto para as velhas gerações. Hoje, carona é um perigo. Para quem pega e para quem dá. Na época, que nada. Pendurávamos as mochilas nas costas e tocávamos para a Friuei.

Vinte, 30 guris. Claro, ninguém dá carona para 20. Tínhamos de nos dividir aos pares. Lá ficávamos nós, dedão em riste. Um carro parava. Outro. Mais outro. Em duas horas, todo mundo ia. A volta, por algum motivo, era mais difícil. Uma vez, eu e o Chico Trago só conseguimos carona num DKW Vemaguete de um vendedor de churrasquinho.

O DKW estava cheio de panelas e sacos de farinha e troços de fazer churrasquinho. Eu o Chico e mais o vendedor de churrasquinho tivemos de nos acomodar no banco da frente. O DKW andava a 60 por hora e tinha um buraco no assoalho. Por Deus. O vento que vinha da estrada queimava o pé da gente. Brabeza.

O fato é que era difícil pegar carona na volta. Mesmo assim, nós íamos e retornávamos de carona todos os fins de semana do verão. Chegando lá, corríamos para a arelha da pralha, que alegria.

Passávamos o dia jogando bola e rondando as gurias e bebendo cerveja. De noite, eu estava todo vermelho, meus ombros e meu nariz ardiam, não entendia como é que os outros não se queimavam e eu sim.

Até que arrumei uma namorada. Não a Alice. Outra. Edna. Fomos juntos para a praia. Para um camping em Araranguá. Ela disse que ia cuidar de mim para que não me queimasse. Sabe o que a mina fez? Me untou com Óleo Johnson. Óleo Johnson, cara! Fritou-me, a Edna.

A vida praiana era dura sem o protetor solar. E por outros motivos, alguns deles futebolísticos, dos quais falarei amanhã, na segunda parte da coluna sobre a estranha vida praiana.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009



Imortalidade

Buscamos todos a imortalidade. Não somente a nossa, mas a de todos os que são caros ao nosso coração.

Por isso sofremos tanto quando um dos nossos fica doente ou acontece algo na sua vida que traga a possibilidade que essa pessoa se vá. Nós fomos preparados para a vida, não para a morte.

Nós fomos preparados para vermos coisas surgirem, não desaparecerem.

Fomos preparados para receber, não para ceder.

Controlamos muitos dos nossos atos, mas não a vida.

Não temos esse poder.

Colocamos, com a graça de Deus, vidas no mundo; podemos até tirá-las... Infelizmente!

Mas não temos o poder de guardar o tempo todo perto de nós todas as pessoas que amamos, aquelas às quais prometemos amor eterno ou mesmo às que nunca dissemos nada, mas a ternura que sentimos por elas é palpável e real.

A imortalidade que devemos buscar, para nós e para os outros, é a da alma.

Por isso é importante ser bom, amar e amar e amar!... dar das nossas horas e nossos gestos, do nosso pão e da nossa atenção, até que todos os nossos atos sejam fruto desse amor, ele, imortal. Imortal não é quem não morre, é quem fica depois da morte, acima dela. É o resultado do que fazemos e do que deixamos.

Nunca antecipe sofrimentos. Eles já são cruéis o bastante quando estão presentes.

Só o amor torna imortal uma pessoa.

O que damos e o que recebemos. E o que somos aqui na terra, enquanto temos essa casca da aparência para nos representar, é o que vai nos levar adiante, ao encontro das promessas do Deus-Pai.

JOSÉ SIMÃO

Socuerro! Linguiça não tem mais trema!

Campanha contra a reforma ortográfica: eu quero botar os pingos nos us! Rarará!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! Ano-Novo! Tudo Novo! Linguiça não tem mais trema! Essa é a grande novidade de 2009: linguiça não tem mais trema.

Como é que eu vou conseguir passar este ano todo sem trema?! Campanha contra a reforma ortográfica: eu quero botar os pingos nos us! Rarará! O trauma do trema!

E voo não tem mais acento. Principalmente os da TAM e da GOL! Só dá overbooking! E outra novidade de 2009: já tão chamado o Ronaldo Fofômeno de Ronaldo Judiciário: lento, pesado e demora pra tomar uma decisão.

Rarará! E a piada pronta do ano: "Sandy eleita a personalidade mais importante de 2008!". OBAMA PROTESTA! Rarará! E eu já tô com saudades de 2008!

Principalmente dos últimos dez dias! Depois de comer tudo aquilo voltamos a comer por quilo. Essa é a definição de volta ao trabalho: depois de comer tudo aquilo voltamos a comer no quilo!

Depois da grande virada, todo mundo se virando. Pra pagar as contas! Chegou a conta dos fogos! Pensa que rojão é de graça? Meu IPVA chegou. É Imposto Para Vários Amigos. Tem que fazer vaquinha pra pagar. IPVAquinha!

E aviso aos navegantes: não é reforma pornográfica , é ortográfica. E não vão mexer no hímen, mas no hífen! Reforma ortográfica. Sacanagem, agora que o Lula tava aprendendo, mudaram tudo!

E diz que o Lula, todo confuso, perguntou: "Marisa, caminhão tem acento?". "Depende, é caminhão de quê?". Rarará! Essa é reforma pornográfica: em 2009, faça um 69! E a reforma ortográfica já tá sendo chamada de Reforma pra Encher Linguiça! Ou, numa tradução mais erudita: tiraram as bolas da linguiça. Rarará!

E sabe porque Israel e Hamas voltaram a guerrear? Porque havia AMEAÇA DE PAZ no Oriente Médio! É mole? É mole, mas sobe! Ou, como diz aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão.

Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que, em São Carlos, interior de São Paulo, tem uma boate chamada Boite Viagra. E com a placa: "APEZAR da reforma, estamos funcionando".

APEZAR da reforma ortográfica? Rarará! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Hímen": objeto que o companheiro gruda na geladeira! Rarará! Vendemos himens pra geladeira.

O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! Pra ver se pego no tranco!

simao@uol.com.br