quarta-feira, 9 de janeiro de 2008



CLÓVIS ROSSI

Saudades do mensalão

SÃO PAULO - Se eu fosse do governo, relançaria um esquema tipo mensalão (se é que o modelo não continua, até que Roberto Jefferson resolva detoná-lo de novo). Parece a única maneira de conseguir soldar a base de apoio governista, que anda batendo cabeça de uma forma jamais vista antes.

Estamos assim: o vice-presidente, José Alencar, amigo do presidente, diz que é mero "remendo" a proposta de seu amigo Lula para cobrir parte do buraco deixado pela queda da CPMF. O "remendo" nem sequer foi antecipado ao rapaz que faz a coordenação política do governo, no que parece demonstrar que, como ministro, trata-se de um ótimo cantor amador.

Já o líder do governo no Senado, que, entra governo, sai governo, continua sendo governo, confessa sem ruborizar-se que o presidente faltou com a palavra empenhada ao anunciar que não haveria aumento de impostos, apenas para decretá-lo dias depois.

Claro que sempre haverá poetas capazes de dizer que mensalão é coisa feia e que o amalgama correto para a base governista (ou para a base oposicionista) deveria ser a ideologia, o programa, essas coisas com os quais os políticos enchem a boca, mas não acreditam.

De fato, deveria ser assim, mas ideologia, programa, convicções, seriedade no trato da coisa pública são produtos em absoluta falta no mercado político brasileiro (não só brasileiro, é verdade, mas lá fora o problema é deles).

A queda da CPMF é, talvez, o mais emblemático dos exemplos: foi derrubada pelos partidos que a criaram e foi defendida pelo partido que, quando era oposição, a ela se opunha ferozmente. Não foi criada nem extinta em função de ser um bom ou um mau tributo, mas em função de dar ou retirar dinheiro do governo de turno.

Se não é a mais perfeita escul- hambação, não sei mais o significado de esculhambação.

crossi@uol.com.br

RUY CASTRO

Os vilões de sempre

RIO DE JANEIRO - Os vários Andrés (Gide, Breton, Malraux, Bazin), Jacques Prévert, Sartre, Camus, Boris Vian, Genêt, Merleau-Ponty, Truffaut e demais franceses que fizeram a cabeça do século 20 a partir de uma mesa de café em Paris e de um cigarro na boca seriam, hoje, inviáveis. Se vivessem em 2008, e quisessem continuar filosofando, poderiam tudo, menos fumar.

Em sua época, havia um forte aroma de contravenção no surrealismo, no realismo poético, no existencialismo, na fenomenologia, na Nouvelle Vague e nas outras disciplinas que ficamos devendo a esses homens.

E, embora não existisse nenhuma relação, todos fumavam como se fosse para salvar a vida. Mas teria sido a mesma coisa se, entre um "pourquoi" e um "parce que", em vez do onipresente Gauloise, eles mascassem chicletes ou chupassem jujubas?

A proibição de fumar em lugares fechados na França, a valer desde o primeiro dia do ano, é uma saudável vitória da campanha antitabagista, porque os franceses, de fato, fumam demais -com o mesmo fanatismo com que os americanos comem batata frita com ketchup e os brasileiros bebem cerveja.

Na Inglaterra, por sua vez, o primeiro-ministro Gordon Brown anunciou no mesmo dia que os fumantes britânicos poderão ter "dificuldade de acesso ao sistema nacional de saúde". A idéia é a de que quem não fuma não é obrigado a financiar com seus impostos o tratamento das mazelas de quem fuma.

Dito assim, faz sentido. Mas esse mesmo fumante, e que também paga impostos, será obrigado a financiar o tratamento das mazelas de quem se entope de fast food?

Ou de quem bebe demais ou de quem usa outras drogas? No entanto, Brown não se lembrou de ameaçar os usuários de cheeseburgers, conhaque ou cocaína. Sobrou apenas para os fumantes, os vilões de sempre.

JOSÉ SIMÃO

Buemba! Lula lança IPOD!

O presidente acaba de lançar mais um imposto: Imposto sobre Praias, Ondas e Derivados

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!

E o Lula acaba de lançar mais um imposto: o IPOD! Imposto sobre Praias, Ondas e Derivados! Tributaram o verão!
E já começou o "BBB", Big Bagaça Brasil ou Big Barriga do Bial.

Aliás, o Bial é aquele que escreveu a BIALgrafia do doutor Marinho! E a definição definitiva de reality show: um monte de gente sem nada pra fazer assistindo um monte de gente fazendo nada. Ou, como definiu a Grazi: "O "BBB" é muito bom para o auto-conhecimento de si mesmo".

O que prova que passar pelo "BBB" provoca um alto conhecimento! Rarará! E reality show é ficar trancado no elevador com a Heloísa Helena!

E só dois lugares têm movimento em janeiro: barraca de caipirosca e pedágio.

E eu acho engraçado que agora você pode pagar o pedágio com cartão. Antes você usava o cartão pra ir pra Miami. Agora você usa o cartão pra ir pra Cubatão!

E continua o bolão da Amy Winehouse. Quem acertar a data da morte da Amy ganha um iPod. Com as músicas da Britney Spears. Rarará!

Que aliás foi eleita a mais malvestida do ano passado. E quem está interessado na Britney vestida? Ela tinha que ganhar a MAIS MENOS vestida.

E o Lula tem a língua plesa e o Zé Dirceu tem a língua solta! Aliás, com aquele sotaque do Mazzaropi tá mais pra "sôrta" que pra solta!

É mole? É mole, mas sobe! Ou, como diz aquele outro: "É mole, mas trisca pra ver o que acontece!". Antitucanês Reloaded, a Missão.

Continuo com a minha heróica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". Acabo de receber mais um exemplo hilário de antitucanês.

É que em Ubatuba, aqui no litoral paulista, tem uma pousada chamada Pousada da Charuta, Onestidade e Igiene. Rarará!

Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil! E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio

lulante. "Nostalgia": companheiro com saudades das nozes de Natal. Rarará! O lulês é mais fácil que o inglês. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

E quem não tiver colírio pode pingar silicone com água oxigenada pra ver o mundo loiro e de peitão! E vai indo que eu não vou!

simao@uol.com.br

Neste Dia Internacional do sofá tenhamos todos um bom dia.


09 de janeiro de 2008
N° 15473 - Martha Medeiros


Tudo bem?

Você pergunta se está tudo bem para mais ou menos 25 pessoas a cada dia. Não fiz as contas, mas deve ser esta a média. Seja na rua, no escritório, ao telefone ou dentro do seu prédio, você dispara um monte de "tudo bem?", variando às vezes com um "tudo bom?" ou "como vai?".

Seja quem for o destinatário do seu cumprimento, ele responderá que sim, está tudo bem. Na pior das hipóteses, responderá "tudo indo".

Pode parecer uma resposta mal-humorada, mas é preferível alguém responder "tudo indo" do que desfiar um rosário de queixas. Se não está tudo bem para o indivíduo, ele respondendo "tudo indo" já sabemos que poderia estar melhor, só que ele está nos poupando dos detalhes. É uma criatura educada.

O problema é que a gente se sente meio culpado em ficar quieto depois de um "tudo indo". Tudo indo pra onde? Ribanceira abaixo?

De mal a pior? Seguidamente cruzo com uma moça com quem simpatizo mas não tenho intimidade, e a cada vez que pergunto a ela se está tudo bem, ela me responde "tudo indo" com um jeito de quem vai cair em prantos.

Há pelo menos um ano que está tudo indo pra ela. E eu fico torcendo para que esteja tudo indo às mil maravilhas, que tudo esteja indo de vento em popa, indo melhor do que o esperado. Mas não é nada disso que sugere o olhar sorumbático dela.

Na verdade, todos nós estamos indo, que é melhor do que estar tudo parado. Estamos indo rumo a novas eleições para prefeito, indo rumo a contas mais arrochadas, indo rumo a pessoas que ainda não conhecemos, indo rumo a dias melhores, a dias piores e, encaremos: indo rumo à morte, se me permite ser uma desmancha-prazer. É duro, mas a outra opção é estacionar, não ir a lugar algum.

Eu estou bem e estou indo. Não conheço ninguém que não esteja indo. Não significa que todo "indo" seja um deixar-se levar sem entusiasmo. Estamos indo rumo às férias, rumo ao Carnaval e rumo a novos acontecimentos. Parece bom.

Se eu continuar sem inspiração como hoje, o único rumo que vou tomar é o do departamento de RH para acertar minhas contas. Como você pode comprovar, aqui nest a coluna, tudo indo. Às vezes, sem norte algum, mas indo.


09 de janeiro de 2008
N° 15473 Paulo Sant'ana


O ciumento profissional

H oje vou começar com um tema que me agrada muito, o ciúme, apenas por um ângulo diferente.

Vou analisar um tipo muito freqüente na humanidade, que a minha turma da tardinha na Rua Padre Chagas denomina de ciumento profissional.

O ciumento profissional é aquela pessoa que sente ciúme de todos e de tudo.

O ciumento profissional (todos os meus leitores o conhecem e convivem sempre com ele) é aquele sujeito que acorda mais cedo para ter ciúme durante mais tempo.

Ele tem insônia de propósito para cultivar o seu ciúme doentio até mais tarde.

Há no meu condomínio um ciumento profissional conhecidíssimo. Apesar de ser um homem rico, ele troca todos os anos de carro, mas sempre de carro popular: com a finalidade de poder invejar todos os proprietários de carros do condomínio, que têm, é óbvio, carros melhores.* * *

O pior ciumento profissional que existe é uma flor do lodo que viceja entre os interinos de colunas muito lidas em jornais de grande circulação.

Há uns sete anos, um tipo rondou a direção de Zero Hora com a intenção de ser interino da minha coluna.

Era um tempo em que, de cada 10 colunas minhas, oito eram contra os pardais das nossas estradas e ruas.

No dia que conseguiu ser designado para ser meu interino por eu estar doente, o tipo sorrateiro escreveu aqui neste meu espaço, só meu, uma coluna inteira e veemente a favor dos pardais.

Se eu escrevesse a favor do grande e inesquecível sanitarista Oswaldo Cruz, aquele meu maldito interino escreveria a favor do mosquito.

Há ciumentos profissionais que ficam a tarde inteira bebendo uma só Coca light numa sorveteria, só para invejar as imensas, com bem decoradas coberturas, taças de sorvete devoradas pela clientela.

Há um tipo perverso de ciumento profissional que finge ser contra o cigarro por motivos sanitários, mas na verdade ele tem é ciúme de quem é fumante e pode desfrutar do prazer inefável de fumar.

Mas a mais intrigante espécie de ciumento profissional é a daqueles que têm ciúme do salário dos outros.

Aqui na RBS, há um ciumento profissional que vive me testando, querendo saber quanto eu ganho. Esses dias ele usou uma tática terrível, aproximou-se de mim no bar e me disse mansamente: "É verdade o que vazou do departamento pessoal: Fulano (e citou o nome de um artista) é o maior salário da RBS?".

Confesso que senti ímpetos de enfurecer, mas a tempo percebi que era uma armadilha do ciumento profissional.

Calei-me e fui dormir, sob certo aspecto, um pouco tranqüilo depois da intriga dele.

O ofício do ciumento profissional é o de bisbilhotar a vida de quem ele inveja. Pergunta a todos os que têm cartão de crédito qual o limite de gastos deles, com o fim de conscientizar-se, paranoicamente, que o seu é menor.

Esses dias perguntei a um famoso ciumento profissional se ele era feliz. Resposta dele: "Por que me perguntas? Só o que me faltava é dizeres que tu és!".


09 de janeiro de 2008
N° 15473 - David Coimbra


O Rio Grande é uma ficção

O Rio Grande do Sul não existe. Nem Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina. Os Estados brasileiros foram abolidos na prática por Getúlio Vargas e a Constituição Polaca, em 1937. Hoje subsistem como peso para o contribuinte e como vaga abstração cultural.

Verdade que nem todos. Só Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio, Minas e Bahia têm identidade cultural. Ceará um pouquinho. O resto é Brasil.

Getúlio Vargas extinguiu os Estados, tributariamente falando, e tentou fazê-lo, digamos, ideologicamente. Queimou as bandeiras, obrigou o ensino do português em todas as escolas do país e instituiu a Hora do Brasil, o primeiro jornal nacional.

Conseguiu enfraquecer as identidades regionais, mas não matá-las. Quem fez o serviço foi a Rede Globo.

A Rede Globo realizou o sonho de unificação do Brasil de Getúlio Vargas. Com o Jornal Nacional, com as novelas, com as transmissões via satélite. O Brasil tornou-se um só, enfim.

A prova é o gandula. Não havia isso de gandula, aqui na província. Gandula era no Riosãopaulo. Aqui era marrecão, só. Hoje, nenhum torcedor com menos de 30 anos sabe que marrecão um dia foi algo além de uma ave freqüentadora de rios, lagos e banhados.

A linguagem do futebol, a verdadeira linguagem de massa do Brasil, demonstra: a Rede Globo transformou-nos, a todos, em brasileiros. Para o bem e para o mal.

No princípio, tudo era o Verbo

Antes não tinha marrecão, não tinha gandula, não tinha nada. Quem ia pegar a bola, quando ela escorria pela lateral ou pela linha de fundo, era o jogador mesmo. Ou algum torcedor devolvia, que muitas vezes a torcida assistia ao jogo da beira do campo.

Aí surgiu o Gandulla com dois eles. Bernardo Gandulla. Um argentino que foi jogar no Vasco em 1939. Só tem o seguinte: esse Bernardo Gandulla era um baita pereba. Nunca jogou de titular. Mas, como queria se sentir útil, buscava as bolas durante os jogos. Tanto as do Vasco quanto as do adversário.

A bola saía, o Gandulla corria atrás, pegava, mandava para o campo. Muito solícito. Então, quando pela primeira vez colocaram um guri para buscar as bolas nas partidas, ele logo virou gandula, com minúscula e um ele só, que marrecão não precisa de ele dobrado.

Conto isso porque a CBF agora quer profissionalizar o gandula. Não pode mais ser qualquer um. Tem que ser gente especializada, gente com vocação, gente como aquele argentino, o velho Bernardo Gandulla, que podia não jogar nada, mas que era prestativo, era.

O livro do centenário

O jornalista Cláudio Dienstmann, velho pesquisador do futebol, concluiu recentemente um livro sobre o Inter. Lançá-lo-á em 2009, ano do centenário do clube. Cimentado em consultas em 1.500 documentos originais, Cláudio promete muitas revelações acerca das origens do clube. O livro ainda não tem editora. Algumas disputam-no a tapas.

Os Inters

O Inter de Porto Alegre não tem nada a ver com a Inter de Milão, ao contrário do que foi divulgado pelo site do clube. A Internazionale é apenas um ano mais velha do que o Internacional. Uma é de março de 1908, outro de abril de 1909.

O Inter de Porto Alegre tem a ver é com o Inter de São Paulo, clube fundado em 1898, duas vezes campeão paulista, em 1907 e 1928, quando dividiu o título com o Corinthians.

Ocorre que o fundador do Inter, Henrique Poppe Leão, era sócio e chegou a ser jogador desse Inter de São Paulo. Ao chegar a Porto Alegre, Henrique queria continuar militando no futebol. Como sua filiação no Grêmio não foi aceita, fundou outro clube, e nesse tentou reproduzir em tudo o do seu coração.

Os nomes de ambos eram idênticos: Sport Club Internacional, e nos dois predominava a cor vermelha. Henrique só não conseguiu fazer com que o Inter fosse tricolor, como pretendia - o preto ficou de fora do uniforme.

Esse Inter de São Paulo sucumbiu à profissionalização do futebol. Em 1933, foi fundido ao Antarctica e deu origem ao Clube Atlético Paulista.

Por aqui, Henrique Poppe Leão não chegou a jogar no Inter. Aos 28 anos de idade, achava-se muito velho para correr atrás da bola. Seu irmão, José Poppe (por algum motivo ele não era Leão), e seu primo, Luís Madeira Poppe, esses jogaram. Eram novinhos, 18 anos de idade. Os dois estavam no primeiro Gre-Nal, o primeiro jogo da história do Inter.

José era o goleiro, chamado de Poppe II na escalação. Levou os 10 gols no clássico e desanimou. Luís era ponta-direita, Poppe I, chamavam-no. Chegou a jogar o segundo Gre-Nal, depois parou.

Henrique poderia ter sido o primeiro presidente do Inter. Renunciou à honraria em nome de João Leopoldo Seferin, dono da casa onde se fez a reunião de fundação do clube, na João Pessoa, quase em frente à Redenção, onde hoje existe uma padaria.

Henrique foi o segundo presidente. Morreu aos 35 anos de idade, de uremia, doença braba. Se existe um homem que pode ser considerado O fundador do Inter, esse homem é Henrique Poppe Leão.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008


JOSÉ SIMÃO

Socuerro! Imposto sobre Trio Elétrico!

O Lula vai tributar até o Carnaval. É tanto tributo pra pagar que um amigo meu já está triputo!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
E sabe o nome da repórter da Globo que cobriu o furto dos quadros do Masp? MONALISA Perrone!

E eu acho que o Lula vai tributar até o Carnaval. É o ITE: Imposto sobre Trio Elétrico! Rarará! É tanto tributo pra pagar que um amigo meu já está triputo! Triputo da vida!

E IPVA é Imposto Para Vários Amigos. Agora tem que fazer vaquinha pra pagar o IPVA. Pagar imposto da carona.

E, como diz um amigo meu: meu carro desvaloriza ano a ano, e o imposto sobe ano a ano. Então, vende o carro pra pagar o IPVA!
E todo mês de janeiro eu provo que Cristo é brasileiro: vive fazendo milagre, andava sem dinheiro e se ferrou na mão do governo!

E o IPVA vira impagável, e o carro vira implacável. E é IPTU, IPVA, IPI, IOF e não vou pagar mais IPORRA nenhuma. Rarará!
E adorei a charge do Marco Aurélio: acabaram com o imposto do cheque e incluíram no contracheque! Rarará!

E esta: filho do Lula entra pra comissão técnica do Palmeiras. O filho do Lula é porco. Aliás, o Serra também é porco. Foi o primeiro ministro da Saúde porco. Rarará!

E tem um site inglês fazendo o bolão da Amy Winehouse. Quem acertar o dia, a hora e o mês em que Amy morrer ganha um Ipod. Rarará!

E IOF tá sendo chamado de imposto dos burros. IOOOOOF! IOOOOOF! Parece que tá relinchando! Paga relinchando!

E eu vou lançar a enquete: "Onde você vai passar o Carnaval?". 1) Em Curitiba com a namorada menstruada. 2) No retiro. Retiro e ponho, retiro e ponho. 3) Vou passar no pão porque a manteiga tá muito cara.

Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou, como diz aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão.

Continuo com a minha heróica e mesopotâmica campanha "Morte ao Tucanês". Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Ribeirão Preto tem um bar gay chamado Mister Lady! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Impostor": companheiro criador de imposto!

O lulês é mais fácil que o inglês. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! E vai indo que eu não vou!

simao@uol.com.br

JOÃO PEREIRA COUTINHO

Ouriços e raposas

São dois tipos de personalidade distintos presentes na história intelectual do Ocidente

ONDE ESTÃO os ouriços? Mistério. Uns tempos atrás, passei uma tarde de conversa em casa de um velho professor inglês que me confessou as suas mágoas mais excêntricas. Como o desaparecimento dos ouriços, já noticiado pelos jornais.

Antigamente, era possível caminhar pelo jardim e encontrar dois ou três. Hoje, nem sombra. A poluição urbana, o uso de químicos na agricultura e o avanço do cimento acabaram com a raça. Ele próprio sentia dificuldades em explicar às netas certos personagens das fábulas, em que ouriços falantes abundam.

Ouvi tudo com a educação possível e, quando ele se levantou para recarregar os copos, passei os olhos pelos jornais do dia. E então reparei, surpreso, que passavam dez anos sobre a morte do filósofo Isaiah Berlin.

Sorri. A efeméride era perfeita porque nenhum outro pensador utilizou a palavra "ouriço" com tanta inteligência e propriedade.

Aconteceu em 1953, em ensaio sobre Tolstói. Título? "O Ouriço e a Raposa". E Berlin, socorrendo-se de um aforismo do poeta grego Arquiloco, relembrava: "A raposa sabe muitas coisas, mas o ouriço sabe uma coisa muito importante".

Um jogo de palavras? Mais que isso. Para Berlin, "ouriços" e "raposas" representam dois tipos de personalidade distintos que é possível encontrar na história intelectual do Ocidente -e, naturalmente, nas nossas vidas anônimas e privadas.

Os "ouriços" surgem movidos por uma idéia central, procurando explicar a diversidade do mundo por referência a um único sistema monista. Platão era um "ouriço". Dostoiévski também. Marx idem.

As "raposas", pelo contrário, entendem que a diversidade do mundo não autoriza um único sistema explicativo; são pluralistas porque sabem que os fins são vários e nem sempre compatíveis entre si.

Montaigne, Shakespeare ou Joyce eram "raposas" por excelência. E Tolstói? O drama de Tolstói era ser naturalmente uma "raposa", embora desejando ser um "ouriço".

A divisão acabou por entrar na imaginação popular, e até Woody Allen, em "Maridos e Esposas", filmou Judy Davis em momento de intimidade, mas incapaz de atingir o orgasmo porque demasiado preocupada em separar mentalmente os seus amigos em "ouriços" e "raposas". A piada é boa, claro, mas a herança de Berlin é melhor.

Porque as conseqüências de um jogo aparentemente inocente têm implicações arrasadoras para as grandes construções utópicas que dominaram, de forma particularmente trágica, o século 20.

Hoje, depois da queda do comunismo, é fácil apontar para as ruínas e exclamar que as "utopias" não funcionam. Mas Berlin, que atravessou as ruínas ao fugir da Rússia em 1917, não se limitou a afirmar o óbvio antes de ser óbvio. Berlin foi mais longe e procurou saber por que motivo as "utopias" estavam condenadas a fracassar.

E, para Berlin, as "utopias" estavam condenadas por uma razão conceitual da maior importância. Quando falamos de "utopia", falamos de um estado perfeito: uma realidade onde os valores mais caros à existência humana -a liberdade, a justiça, a igualdade- se encontram na sua expressão máxima. Falamos de uma realidade onde existe a liberdade máxima, a justiça máxima, a igualdade máxima.

Infelizmente, esse mundo não passa de uma ilusão. Não apenas pelas razões empíricas que nos levam a concluir que jamais foi possível habitar tal mundo.

Mas porque os valores mais caros à existência humana são múltiplos e nem sempre compatíveis entre si. Podemos ter alguma liberdade, alguma justiça, alguma igualdade. Mas a liberdade total dos lobos significa apenas a morte dos carneiros.

O que resta, então? Para Berlin, resta a certeza de que é necessário escolher: uma escolha nem sempre fácil e onde a perda é real. Exatamente como nas nossas vidas anônimas e privadas, onde não é possível ter tudo.

Não por sermos fracos, ignorantes ou confusos. Mas porque essa é a natureza dos valores: abraçar uns é excluir outros.

Por isso, as "raposas" levam vantagem sobre os "ouriços" ao aceitarem a perda como inevitável. Para Berlin, os "ouriços" procuram impor a idéia perfeita e redentora que os move.

Mas essa idéia, desde o início, transporta uma bomba-relógio que a acabará por destruir, destruindo todos em volta.

Depois de um século bem utópico e bem tenebroso, o progressivo desaparecimento dos "ouriços" é um fenômeno a festejar. Apesar da tristeza do meu velho professor.

ELIANE CANTANHÊDE

Pra quando o Carnaval chegar

BRASÍLIA - Como bem registrou o "Painel", quando Mantega e Paulo Bernardo anunciaram o "pacote de janeiro", aumentando o IOF e a CSLL, a toda-poderosa Dilma Rousseff tinha acabado de sair de férias. Estava longe de Brasília.

O ex-ministro Rubens Ricúpero dizia que "o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde". No atual governo, a frase lapidar foi adaptada para: "O que é bom a Dilma mostra e, quando é ruim, a gente esconde a Dilma".

Na hora de anunciar e comemorar que a Petrobras descobriu o megacampo de Tupi? Chame-se a Dilma! É para anunciar e chorar que dois impostos serão aumentados? Esconda-se a Dilma!

De férias, a ministra está livre do deus-nos-acuda de Brasília neste início de ano, em pleno recesso parlamentar. O governo perdeu R$ 38 bi sem a CPMF, espera recompor uns R$ 10 bi subindo os dois impostos e precisa passar a tesoura nos gastos para fechar a conta.

Mas ninguém quer saber de tesouradas. Nem os parlamentares, que seguram seus mandatos à custa de emendas ao Orçamento, nem os ministros, que, sem verbas, não são nada.

Então, temos dois contra todos: Paulo Bernardo e José Múcio (da Articulação Política) contra a Esplanada dos Ministérios inteira e mais a Praça dos Três Poderes (incluindo o Judiciário).

Dilma? Não sabe, não viu. Só deve reaparecer lá pelo dia 22, para a festa de um ano do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) -se houver festa. A expectativa é que Lula vá livrar os programas sociais e o PAC, mas ele avisou ontem que será preciso "cortar na veia".

Não fazia sentido (como se viu depois) Lula negar o óbvio aumento de impostos, mas faz todo o sentido tentar preservar o Bolsa Família, que sustenta a popularidade do próprio Lula, e o PAC, que sacode a candidatura Dilma pra quando o Carnaval chegar. O Carnaval de 2010, evidentemente.

elianec@uol.com.br


08 de janeiro de 2008
N° 15472 - Liberato Vieira da Cunha


Luar de verão

Convivo cordialmente com uma Porto Alegre divorciada dos calendários. Por toda esta área do Centro, a paisagem mudou. Quadras inteiras se transformaram em paredões de aço, cimento e vidro, engolindo meias-águas e sobrados.

Há, contudo, um trecho que sobreviveu a andaimes e elevadores. Fica bem aqui perto, em trechos da Demétrio Ribeiro, da Fernando Machado, da General Auto e adjacências.

Supondo que você saiba o que é a palavra adjacência, não deve desconhecer o que venha a ser relíquia. Pois é o que são essas casas das redondezas.

Enxertadas aqui e ali por uns raros edifícios, mantêm-se como eram há 80 ou 90 anos, para ficar apenas nas mais jovens.

Não compõem um bloco harmônico. Um quarteirão pode começar com umas moradas de porta e janela e converter-se sem aviso numa formação de vivendas de três andares.

O que resta, apesar de tudo, é um equilíbrio de modos e de idades absolutamente ausente no sobrante da Capital, descontados os modernos condomínios, mas não é disso que estou falando.

Ao que a paisagem denuncia, houve nas duas ou três décadas iniciais do século passado uma espécie de tranqüilo boom imobiliário.

Senhores de vastos terrenos, nesta zona que não é bem Centro, nem Cidade Baixa, ou preencheram espaços baldios, ou converteram ranchos em habitações dignas do nome, ou, ainda, ergueram, de pisos térreos, solares com o gosto da altitude.

Ainda ontem passei por ali.

Olhei menos a arquitetura em pedra do que essa cimentada em vida.

Naquela esquina deve ter vivido o dono de um armazém de secos e molhados. Chamava-se talvez Manuel e tinha orgulho de seus bigodes e de uma ida noite de paixão com uma Inês, no outro lado do Atlântico.

Num quarto daquela pensão morou um estudante de Farmácia, que mais de fórmulas cuidava do coração de uma vizinha, a qual ele tratava com a infinita aplicação dos enamorados pelas ciências do amor.

E no sótão daquele torreão sobrevivia uma moça tão bela quanto abandonada.

De dia lavava escadas e assoalhos. Mas à noite, por uma mínima janela, flertava, encantada, com o luar de verão.

Uma ótima terça-feira, especialmente a você, mesmo com temperatura acima de 30 graus e com sol forte neste Rio Grande do Sul.


A LITERATURA NOS TEMPOS DO CINEMA

Ver 'O Amor nos Tempos do Cólera', filme de Mike Newell, baseado no livro de Gabriel García Márquez, despertou a minha atenção para três aspectos historicamente relevantes, mas nem sempre destacados pelos observadores:

não é de hoje que Paris atrai as mulheres, especialmente em dois momentos, como promessa de lua-de-mel e quando o casamento vai mal e exige uma medida forte de recuperação; a obrigação ou não de comer berinjela pode abrir ou fechar as portas do paraíso; adaptações de grandes livros normalmente resultam em pequenos filmes.

De qualquer maneira, o filme, a exemplo do livro, consegue fazer mais um inventário da psicologia feminina, tendo como estudo de caso uma bela colombiana do final do século XIX e começo do século XX.

Fermina Daza, a musa de um homem capaz de esperar por ela mais de 51 anos, gostava de Paris, que não conhecia, detestava berinjela, que nunca tinha comido, e amava um rapaz porque não o tinha observado com mais atenção, o que acaba fazendo em menos de 30 segundos – depois de uma longa separação imposta por seu pai –, tempo suficiente para o despachar e cometer o erro da sua vida. Ou da vida dos dois.

Quer dizer, se erro houve, pois, nesse meio tempo, Florentino, o eterno apaixonado, encontrou ânimo para transar com 622 mulheres e tornar-se importante como diretor de uma empresa do seu tio.

Fermina teve muitas dúvidas ao longo da existência. Mesmo assim, conseguiu ter filhos, gostar do marido, sentir ciúmes dele, ser feliz e infeliz como todo mundo.

O mais empolgante de 'Amor nos Tempos do Cólera', além do inglês dos colombianos no filme, é a descrição dos costumes da época em que se passa a história. A liberação sexual feminina era total.

As mulheres agarravam os homens nos barcos, nas ruas, no quarto deles, com a mãe do sujeito na sala, no escritório, enfim, em qualquer lugar.

Bastava um sorriso, um piscar de olhos, uma insinuação e, pronto, já estavam uma mulher e um homem fornicando. Acabava sempre dando certo. Só um homem se indignou e matou a esposa infiel. Mas deixou em paz o amante.

Daí a minha hipótese radical e inovadora, neste ano de comemoração de quatro décadas de 1968: a revolução comportamental não começou no maio parisiense, mas na Colômbia, cem anos antes. Os colombianos, como sabemos, andam sempre na vanguarda.

É uma ilusão imaginar que somos mais liberados do que os nossos antepassados. Na verdade, somos muito mais conservadores. Os gregos e os romanos eram libertinos.

Dizem que a queda do Império Romano começou quando César desabou do colo de um gladiador. A Grécia é o berço da civilização ocidental e a cama do maior número de bibas reflexivas da história universal. Os franceses do século XVIII não ficavam atrás.

Quer dizer, não ficavam só atrás. Qualquer posição era boa para eles. Nos livros de Machado de Assis, para não ir muito longe, o número de cornos e de esposas infiéis é superior a qualquer outra categoria socialmente respeitável.

A convivência, não raras vezes, era pacífica e todos iam juntos ao teatro. Aí está, certamente, uma boa maneira de recuperar o gosto do público pelo teatro nestes tempos de televisão em casa.

As novelas de televisão é que mudaram os costumes. Ou terá sido a redescoberta pelos franceses, em maio de 68, de uma receita colombiana afrodisíaca de berinjela?

juremir@correiodopovo.com.br


08 de janeiro de 2008
N° 15472 - Paulo Sant'ana


Além do limite

A o meu redor, em toda parte que estou ou vou, todas as pessoas se traçam limites. E vão até aqueles limites, não os transpõem.

Traçam limites na bebida, no cigarro, no jogo, na diversão, nos negócios, em tudo as pessoas se regram para não ultrapassarem em sua conduta as promessas que fazem a si mesmas.

Quero dizer que sou igual a essas pessoas todas que se traçam limites, creio que a maioria das pessoas é assim.

Eu também me traço limites. Só que não cumpro nenhum limite que me traço. Transponho todos os limites que marco para mim. Ultrapasso todos os meus limites, fumo mais do que deveria, como mais doces do que deveria, amo mais do que deveria amar, entrego-me como refém dos meus amores e dos meus amigos mais do que deveria me entregar, eu sou um desbragado.

Supero, vou muito além dos meus limites nos cigarros, nos doces, em todos os prazeres e em todos os vícios, nos meus sofrimentos, nas minha aflições, nas minhas preocupações.

Acho que por me recusar a ser limitado.

Atualmente, passo por dificuldades financeiras, que pretendo serem sazonais. Ganho muito bem, mais do que mereço, tenho diversas fontes de renda, mas me apertei. Talvez porque tudo que ganho partilho com outros.

Quem não se aperta neste Brasil infame em que a cesta básica subiu em Porto Alegre no ano de 2007 cerca de 18%? E o governo e seus áulicos dizendo que está tudo bem. Quem não se aperta?

Pois bem, eu me apertei. Estou fazendo das tripas coração para me safar dos meus compromissos.

Como já disse, ganho muito bem. Mas é que nos últimos meses as minhas despesas se tornaram maiores do que os meus ganhos.

Cedo, bem cedinho, com certeza, torço eu, creio eu, estarei me desvencilhando dessa dificuldade financeira.

Enquanto não me desvencilhava, ontem eu estava me barbeando, quando bateram duas vezes na minha porta.

Gritei, perguntando quem era. A pessoa respondeu, do lado de fora da minha casa, gritando: "Uma esmola! Uma moeda!".

E eu, ainda gritando: "Pode botar por baixo da porta".

Parei meu carro na sinaleira da Ipiranga com Erico Verissimo. Abordou-me um rapaz alto, forte, enorme, cheio de saúde.

Pediu-me uma moeda. Eu disse a ele que não era possível dar-lhe a moeda. Ele me perguntou por que não era possível.

Eu lhe disse que passava por 210 sinaleiras por dia, se fosse dar uma moeda para todos que me pedissem nas sinaleiras, iria gastar R$ 210 por dia, por mês seria uma despesa de R$ 6,3 mil.

"Quer dizer então que o senhor nunca dá moeda na sinaleira?", indagou-me o rapagão.

Eu respondi que dou, mas só R$ 2 por dia, duas moedas, uma numa sinaleira, outra na outra.

Ele ainda teve tempo de me dizer: "Então vamos fazer o seguinte: o senhor passa aqui todos os dias. Reserve e dê essas moedas só para mim, sempre, tio?".

Esses dias recebeu da Câmara de Vereadores o título honorário de Cidadão de Porto Alegre o bacharel Cláudio Rihan, meu amigo.

Não pude ir lá, eu estava doente. Mas mando-lhe daqui o meu abraço caloroso pela comenda merecidamente recebida.


08 de janeiro de 2008
N° 15472 - Moacyr Scliar


Nomes

Há uns três anos, viajamos a Boston, onde eu tinha de dar uma conferência. A viagem correu bem, mas, quando chegamos, tivemos uma desagradável notícia: a bagagem se extraviara. No balcão da companhia deram-me um número de telefone e pediram para ligar no dia seguinte. Atendeu-me alguém que se identificou como Simon (pronúncia: Saimon), mas que não era uma pessoa:

tratava-se de um programa de computador, formulando questões às quais eu deveria responder: lugar de origem, número do vôo etc. Simon era tão educado quanto um robô pode ser, mas levou dias até que a bagagem aparecesse. Resultado: fiquei com um trauma em relação ao nome Simon.

Assim vocês podem imaginar qual foi a minha reação quando, precisando de uma informação, liguei para a TAM e ouvi, do outro lado: "Aqui quem fala é o Saimon".

Pensei que estava sofrendo de um delírio paranóico, mas não, o funcionário chama-se mesmo Saimon. Ao contrário de seu homônimo americano, foi muito gentil e prestativo, resolvendo o meu problema. Cheguei a uma conclusão: quando Simon vira Saimon as coisas (com perdão do nosso grande Pedro Simon) melhoram muito.

Nomes que condicionam destinos. O Dr. René Guedes da Luz Filho lança luz sobre o assunto mencionando o nome de um veterinário chamado Dr. Cação. Só não consegui descobrir se ele é ictiólogo, acrescenta o Dr. René.

O Ramão Marques (Caxias do Sul), fala em uma senhora Leda Penteado, que é cabeleireira. O Sergio Aguinsky apresenta-nos um automobilista alemão que se chama Frank Biela.

O Jorge Olintho Pires diz que há um médico anatomista de sobrenome Tirapele. O Dr. Geraldo da Camino, conhecido jurista, lembra o nome do promotor mineiro que investigou a fraude do leite: Cristiano Cassiolato. Numa área similar, a dos nomes que causam constrangimento, o Dr. Nelson Nascimento, advogado, diz que existe uma moça chamada Vaselina Modes (sic).

O Sergio Thomas, que é gaúcho e mora em Natal, viu, num supermercado, o nome da garota do caixa, Jonhyevelita. A Rosiléia Germann conta como nasceu seu nome: "A sugestão veio de um amigo dos meus irmãos, provavelmente fã da Jovem Guarda: Rosiléia = Rosemary + Wanderléa".

O Cleber Zanatta cita outros nomes estranhos: Deyverson (que é filho da Ilvaniana), Anny Christine e Bryan Rodrigues Rodrigues (isto mesmo, dois Rodrigues).

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008


VALDO CRUZ

No reino do faz-de-conta

BRASÍLIA - Triste começo de ano. Saímos de uma encenação e entramos em outra. Nossos atores políticos se mantêm fiéis ao estilo "o que interessa é o meu objetivo particular, que se dane o coletivo".

A guerra verbal segue sem que se consiga elencar pontos mínimos de consenso, sobre os quais o país deveria construir propostas visando um bem comum. A cada dia me convenço mais que se trata de utopia falar disso por estas bandas.

Difícil avaliar quem é o mais responsável por esse clima. Se o governo Lula, com sua performance arrogante, com ares de dono da verdade e de detentor do mapa que nos levará ao paraíso.

Ou a oposição, que deu para vestir um figurino que não consegue disfarçar sua real silhueta. Soa por demais falsa a pregação de alguns de seus integrantes, que sugerem soluções que antes condenavam. Ou descartam conversas que antes prescreviam.

E assim seguimos, com um debate que até pode ser produtivo para este ou aquele partido político, mas que pouca serventia tem para o conjunto da sociedade.

A grande vitória a oposição já a teve. Impôs uma redução da carga tributária. Poderia mudar o discurso e sair na frente na defesa de uma agenda de consenso. Será assim impossível construí-la?

Já o governo experimentou sua pior derrota. Mas parece não ter assimilado a lição. Sua disposição para o diálogo não soa real. Está mais para o confronto, na linha de quem tem uma receita a ser absorvida por todos, nunca manipulada por vários mãos.

Em resumo, o novo ano começa e o Brasil da política continua vivendo no reino do faz-de-conta. Lula fez de conta que não subiria os impostos e subiu.

Pregou o entendimento e enfiou goela abaixo sua receita tributária. A oposição fez de conta que acreditava, mas sabia muito bem o que iria acontecer.

Enquanto isso, o mundo real aguarda que seus políticos acordem desse sonho. Para não pagar sempre a conta no final.


Primeiros anos revelam "outro" Superman

Lançamento traz as 16 histórias iniciais e mostra um super-herói ainda não tão "super" quanto o de hoje

PEDRO CIRNE - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O uniforme já era azul com um "S" no peito e uma esvoaçante capa vermelha, e ele já atendia pelo nome de Clark Kent, sua identidade secreta. Entretanto, quando Jerry Siegel e Joe Shuster criaram o Superman, sete décadas atrás, ele era bem diferente do ícone pop que é hoje, como mostram as histórias de "Superman - Crônicas - Volume Um".

O lançamento traz as 16 primeiras histórias do último filho de Krypton na ordem em que foram originalmente publicadas, de junho de 1938, quando

Superman surgiu no primeiro número da revista "Action Comics", a julho de 1939, mês em que foi lançada a revista mensal do personagem (que está em circulação até hoje e já ultrapassou o número 670).

Essas histórias trazem não só os primeiros passos do Superman mas também do gênero de super-heróis. Já existiam, antes dele, personagens com identidade secreta, "superpoderes" e uniformes coloridos, mas foram nas aventuras do kryptoniano que estas e novas características se juntaram, fazendo com que ele fosse considerado o primeiro super-herói.

E Superman não era tão "super" assim, comparado ao que é hoje. Não voava, mas dava grandes saltos; era forte o suficiente para levantar um carro com as mãos e destruir paredes, mas incapaz de, por exemplo, tirar a Lua de órbita ou transformar carvão em diamante com um apertão.

Também era à prova de balas e mais veloz que uma locomotiva, mas parava por aí. Muitas de suas habilidades (viajar no tempo, "super-hipnose", "supermemória" etc.) só seriam criadas com o passar dos anos.

Mas a maior diferença para o personagem de hoje, considerado a grande referência a todos os outros super-heróis, está no seu comportamento. O Superman do final dos anos 30 não tinha limites: mentia, metia-se em brigas, cometia "vinganças" e, se achasse necessário, seqüestrava um inocente e assumia o seu lugar.

Eram outros tempos, com outros perigos. Ainda não havia o conceito de supervilão, como Lex Luthor. Em uma aventura, Superman resolve combater os motoristas imprudentes. Em outra, derruba uma favela para obrigar o governo a construir casas melhores para os moradores.

Há um momento em que Superman impede um linchamento. Questionado sobre quem é, ele, de uniforme e tudo, responde: "Um repórter". O nome "Superman" e sua roupa típica ainda não significavam nada. E foi em cenas inocentes como essa que tudo começou.

SUPERMAN - CRÔNICAS - VOLUME UM
Autores: Jerry Siegel e Joe Shuster - Editora: Panini - Quanto: R$ 56 (212 págs.)


e palavras...

Em 2008, seja do Marte do bem

Não vou listar os escândalos, as desgraças, os acidentes, a apatia e umas coisas boas de 2007. Não quero aumentar a overdose de retrospectivas. Chega, já estamos doidões com tanta mídia apocalíptica. Muito menos vou arriscar previsões previsíveis e imprevisíveis para a cultura, a política, a economia, o Brasil e o mundo em 2008.

Quero mais é contribuir com algo de bom e positivo para meus queridos, fiéis e pacientes leitores e aplicar-lhes uma saudável e poderosa injeção de ânimo, consciência e alto-astral nestes dias pós-orgias natalinas. Me pretendo cronista moderno, informal, especialista em generalidades.

Vamos, então, sem mais delongas, penetrar direto no ponto W. Antes agradeço aos meus indispensáveis consultores da web, de onde chupei várias informações preciosas.

Vanlá: estamos na Era de Aquário, apesar das opiniões em contrário. Até rimou! 2008 será regido por Marte. Desculpem, gremistas, mas 2008 é Vermelho. Segundo os entendidos, a partir de março, às 5h49min8s, vamos receber as contundentes energias marcianas.

Marte é o deus da guerra, do impulso, da destruição e da agressão. Mas, segundo os astrólogos do bem, tem também o Marte bom, que apresenta autoproteção, construtividade e outros lances legais.

Olha aí, galera, claro que é melhor escolher a parte boa de Marte. Usem a razão e escolham as melhores energias, caso contrário, vocês partirão para a ignorância e poderão se ferrar ou ferrar os outros, que poderão ferrar vocês.

Estamos na Era de Aquário, gente, vamos expandir nossas ilimitadas consciências, juntar razão e emoção, coração e cérebro e desenvolver nossos egos, vaidades, iniciativas, individualidades para o nosso bem e para o melhor futuro do planeta.

Vamos administrar nossos sentimentos negativos, a raiva, o ódio, o rancor e a indiferença para encaminhar tudo para o lado bom.

Precisamos trabalhar nossa agressividade e nossos impulsos ruins de modo adequado, pessoal. Vamos desenvolver a agressividade saudável, como recomendam os sábios doutores da alma. Exemplos: dê tiros na foto do vizinho. Só na foto.

Vingue-se de forma civilizada, educada e mastigue, mil vezes, sem nenhuma pressa, o fígado do inimigo bem geladinho, cortadinho em finas fatias, em forma de carpaccio, acompanhado de alcaparras e azeite de oliva extravirgem, de primeira extração a frio, claro.

Não retribua de imediato as porradas recebidas, a não ser que a legítima defesa deva ser praticada na hora e que você, naquele dia, já tenha esgotado a cota de desaforos de levar para casa.

Aguarde, resignado, com paciência oriental, e observe que o tempo e as forças lá de cima vão dar o troco para o(a) filho(a) da mãe que te prejudicou. Você não vai precisar sujar suas luvas brancas de pelica e nem a pele suave de suas mãos imaculadas.

Pois é, agora finalizando e falando "sério", tomara que 2008 seja ótimo para você e péssimo para os inimigos, com Aquário, Marte, vermelho, bem e mal, razão e emoção, guerra e paz e (ins)pirações simpáticas, tudo numa boa.

Jaime Cimenti

Jaime Cimenti

O brasil vai chegar lá?

No XIX Fórum Nacional de 2007, a questão central foi: o Brasil está em condições de sustentar, no curto prazo, a expansão econômica de 5% ao ano, além de elevá-la gradualmente até atingir o alto crescimento, ombreando-se, neste aspecto, aos outros grandes emergentes? O alentado volume Chegou a vez do Brasil?

Oportunidade para a geração de brasileiros que nunca viu o país crescer, elaborado a partir do XIC Fórum e organizado por João Paulo dos Reis Velloso e Roberto Cavalcanti de Albuquerque, apresenta os pronunciamentos, estudos, depoimentos e debates sobre essa importante pergunta, analisada em seus muitos e complexos desdobramentos.

As cinco grandes partes do livro tratam de caminhos para o alto crescimento; iniciativa, criatividade, oportunidade, idéias-força do desenvolvimento; exame do bloqueio fiscal e questão da previdência como obstáculos ao crescimento; obstáculos ao alto crescimento e à infra-estrutura e à estratégia moderna de desenvolvimento e salto de competitividade em bioenergia, biotecnologia e bioquímica.

Os textos são de autores conhecidos, como Luis Alberto Moreno (presidente do BID), Guido Mantega, Dilma Rousseff, Tasso Jereissati, Aloizio Mercadante, Jorge Gerdau Johannpeter, Alberto Dines, Marcílio Marques Moreira, Paulo Bernardo Silva, Henrique Meirelles, Affonso Celso Pastore, Luciano Coutinho e Benedicto Fonseca Moreira, entre outros. João Paulo dos Reis Velloso foi ministro do Planejamento de 1969 a 1979.

Atualmente, ele coordena o Fórum Nacional e preside o Inae (Instituto Nacional de Altos Estudos) e o IBMEC (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais). Roberto Cavalcanti de Albuquerque dirige o Inae, foi secretário de Planejamento da Presidência da República e é superintendente do Ipea, além de ser professor da Universidade Federal de Pernambuco.

Questões essenciais como o Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Lula, o Projeto de Brasil do Fórum 2006, a Amazônia, a biodiversidade, a inserção internacional do Brasil com ênfase na inovação e na economia do conhecimento, as mazelas fiscais e previdenciárias e outras são analisadas, interpretadas e debatidas com a profundidade merecida, por grandes professores e especialistas.

Em síntese, os trabalhos demonstram que o XIX Fórum voltou-se para propostas concretas no sentido de que o Brasil entre, para valer, na rota do crescimento e do desenvolvimento.

Milhões de brasileiros ainda não tiveram oportunidade de ver o País crescer em níveis semelhantes aos de outros países em desenvolvimento.

Segundo o texto de apresentação do livro, o XIX Fórum se caracterizou principalmente por três coisas: alto nível dos participantes, importância dos temas abordados e questões levantadas e projetos concretos apresentados ao governo e à sociedade. 742 páginas, R$ 85,00. José Olympio Editora, telefone 21-2585-2070.

jcimenti@zaz.com.br


07 de janeiro de 2008
N° 15471 - Kledir Ramil


Previsões para o ano que passou

Corajosamente, como faço toda virada de ano, aqui estou para conferir as previsões que apresentei para o ano de 2007.

Digo "corajosamente" porque muita gente prevê acontecimentos importantes a cada entrada de ano novo e depois, no final do período, disfarça e esquece de verificar se deram certo.

Em artigo que escrevi para a Zero Hora, fazendo presságios para o ano que passou, usei meus conhecimentos de Astrochutolomancia, uma nova ciência, supostamente exata, que utiliza o Chutômetro como instrumento de leitura.

Infelizmente meu texto não chegou a ser publicado, por culpa da desorganização de Edneide, minha secretária particular. Eu havia despedido essa inútil por justa causa, mas a pobre coitada é alcoólatra e foi abandonada pelo marido.

Como o perdão é uma virtude divina, foi readmitida. E dobrei o salário. Espero que o Todo Poderoso esteja observando e tenha contabilizado em meu nome, no seu caderninho, alguns pontos no quesito caridade.

Nessa época de festas de fim de ano, o problema do alcoolismo de Edneide se potencializa e ela tem dificuldade de organizar seus próprios pensamentos. Imagine meus papéis.

Enfim, a louca extraviou o documento, meu artigo não chegou às mãos de minha chefe de redação e as previsões acabaram não sendo publicadas. Mas, por precaução, guardei uma cópia aqui comigo... só não consigo encontrar. De qualquer forma, não se faz necessário, lembro tudo de memória. Vamos ao que interessa.

Os dinossauros voltarão a dominar o planeta Terra - Muitos riram quando fiz essa declaração, mas foi exatamente o que se viu com a volta do Led Zeppelin, The Who, Police, Mutantes e Cat Stevens. E dizem que até o Jackson Five vai voltar. É um Parque dos Dinossauros, o retorno da era Jurássica do show business.

E a voz do rei ecoou ainda mais forte - Juan Carlos de Espanha, em plena reunião de cúpula ibero-americana, perdendo a paciência com o presidente venezuelano Hugo Chaves: "por qué no te callas?".

K&K chegará ao topo do mundo - Alguns especularam que Kleiton & Kledir receberiam o Grammy pelo conjunto da obra, outros chegaram a falar de uma escalada em dupla até o Everest. Na verdade, eu estava me referindo ao Kaká, eleito pela Fifa o melhor jogador do mundo.

Do meio das trevas nascerá a luz - O sol que apareceu todas as manhãs, com exceção dos dias nublados (essa previsão eu repito todos os anos e sempre dá certo).

Feliz 2008. Estou prevendo coisas ótimas para todos nós. Depois eu conto.


07 de janeiro de 2008 | N° 15471
Paulo Sant'ana


Variações cartesianas

É famosa a sentença de René Descartes, o também famoso filósofo e matemático francês: "Penso, logo existo".

Pensei muito sobre este pensamento de Descartes e destrinchei-o em inúmeras variações durante a madrugada insone que tive ontem: Ei-las:

Penso, logo existo (Descartes)

Existo logo que penso... Penso que existo, logo...

Penso logo que existo... Penso que logo existo... Logo que existo, penso

Penso que é lógico que existo

A lógica existe logo que penso Penso lógico. Existo logo... Penso, logo hesito

Hesito logo que tenso...Penso que existo tenso...Penso, logo desisto

Tenso, penso, hesito, intenso... Penso que hesito, insisto tenso... Se tenso, insisto, hesito, penso

Se intenso, insisto que existo... Penso, logo hesito... Logo, penso, hesito, insisto


07 de janeiro de 2008
N° 15471 - Luis Fernando Verissimo


Contemplando o fogo

Sustento que não foi o clima frio que favoreceu o crescimento de civilizações mais avançadas. É que os habitantes de climas frios passaram mais tempo contemplando o fogo.

Os povos de climas quentes tem menos necessidade de fogo para aquecê-los, por isso foram privados das divagações que vêm com a contemplação do fogo e são menos filosóficos e mais superficiais.

Nos climas frios, de tanto olhar as chamas qualquer pessoa acabaria desenvolvendo, se não escatologias ou sistemas ontológicos completos, pelo menos teses. Foi contemplando o fogo de uma lareira, no último inverno, que desenvolvi a minha. Ou teria sido o conhaque?

Os povos de clima quente têm a experiência direta do sol na cabeça, os de clima frio experimentavam o sol armazenado na madeira, portanto o sol intermediado, reciclado pelo tempo. O fogo armazenado é o sol de segunda mão, quase uma versão literária.

Olhar para o sol transformado em fogo domesticado leva a abstrações e ponderações, olhar para o sol original leva à cegueira. Mas tanto o sol vivo no céu quanto o sol ressuscitado no fogo podem destruir o cérebro, um fritando-o e outro levando-o para tão longe que ele se eteriza.

Não há notícia de Einsteins em regiões tropicais, mas também não há notícia de cientistas loucos. Abstrações e ponderações em overdose também podem ser fatais. Contemplar muito o fogo também enlouquece.

A combustão da madeira, sendo consumida pelo fogo do sol que absorveu a vida toda, é uma metáfora para a existência: você também é consumido pelo que lhe dá energia - mais ou menos rapidamente, dependendo de ser graveto ou nó de pinho.

E concluí o seguinte, olhando as chamas: se envelhecer é ir ficando cada vez mais grave, só atingiremos nossa verdadeira seriedade depois de mortos, quando nos juntaremos aos fósseis.

Também levaremos energia aprisionada para baixo da terra e seremos como o carvão, o petróleo e os restos degradados de tudo que já viveu, integrados na capa explosiva do planeta - o que pode ser mais sério?

Toda matéria orgânica, da jabuticaba ao Papa, almeja isso, essa respeitabilidade subterrânea, essa dignidade de mineral depois da frivolidade efêmera da vida. Do barro viemos e ao barro voltaremos, mas agora em outra categoria, depois da nossa temporada ao sol: a de combustível.

Entendo quem prefira a cremação (que é quando a nossa identificação com lenha fica mais completa), mas eu quero tudo a que tenho direito depois de morto. Decomposição, gases - enfim, minha iniciação na nobre irmandade dos inflamáveis.

Olhando o fogo, também pensei em seu poder hipnótico e em como ele devia inflamar a imaginação de quem o contemplava, no tempo das cavernas, e via nele fantasmas e presságios.

O fogo era, de certa forma, a televisão da pré-história - com uma programação muito melhor.