Vendas da Agricultura Familiar frustram agroindústrias na Expodireto

Claudio MedagliaRepórterA comercialização de produtos no Pavilhão da Agricultura Familiar anda em ritmo lento na 26ª Expodireto Cotrijal, que termina nesta sexta-feira em Não-Me-Toque. Com menor circulação de público e vendas abaixo das verificadas nos anos anteriores, o impacto das dificuldades enfrentadas pelo agronegócio atinge um segmento tradicionalmente marcado pelo bom desempenho em eventos do setor.
O desempenho nos três primeiros dias frustrou as expectativas dos expositores, que esperavam repetir ou ampliar o faturamento de anos anteriores, mas agora lutam para alcançar resultado semelhante ao de 2025. Nesta edição, 224 agroindústrias familiares estão no evento, representando 119 municípios. Desses, 97 são comandados por mulheres, e 48 participam pela primeira vez.
Isaura Berlamindo, que participa pelo quinto ano consecutivo, trouxe 13 tipos de geleias tradicionais e gourmet, além da expectativa positiva. Em 2025, a Agroindústria Vitória Alimentos, de Pouso Novo, faturou mais do que em todos os anos anteriores, superando metas a cada dia. Mas neste ano a realidade mostrou retração nos negócios.
“Na segunda-feira (9), vendi a metade do que alcançamos no primeiro dia de 2025. E na terça, pouco mais da metade do segundo dia. Ontem (quarta), com muito esforço arranhei a meta. Estamos no limite do orçamento, já que os custos subiram com matéria-prima e insumos”, lamenta Isaura.
Ela aponta a perda de poder aquisitivo dos visitantes como fator determinante para a queda nas vendas. E até mesmo o perfil de público mudou. Os produtos mais elaborados ou diferenciados, como as geleias com pimenta defumada, têm dado lugar às tradicionais, de figo e uva.
“Foi uma surpresa. Nos preparamos para uma comercialização maior, trouxemos mais prpodutos, chamamos uma pessoa para dar apoio no estande, mas acabamos dispensando. A feira não vai dar prejuízo, mas será praticamente para pagar as despesas”, acrescenta a expositora.
A percepção não é diferente para Eliana Beatriz Lenhard de Oliveira, que está na mostra com doce de leite e licor de doce de leite produzidos na agroindústria Estrelat, de Estrela. “Desde 2022, vínhamos crescendo entre 20% e 30% o faturamento a cada ano. Desta vez, vai ser diferente”, avalia.
Ela também fez parceria com produtores de queijos, biscoitos e artesanatos para montar kits de produtos e atrair clientes. Depois de um 2025 “fantástico” em vendas, a expositora faz força para empatar o resultado nesta edição.A exemplo do que ocorreu no ano passado, a organização da Expodireto Cotrijal determinou que números de faturamento não sejam divulgados. Assessor de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado (Fetag-RS) e responsável pelo levantamento dos negócios ao final de cada dia da feira, Jocimar Rabaioli acredita que o resultado possa rondar o alcançado em 2024, quando as vendas no pavilhão chegaram a R$ 3 milhões.
“Os melhores dias da Expodireto costumam ser a quarta e a quinta-feira. Embora o segundo dia tenha sido inferior a 2025, ontem tivemos bons números. Ainda podemos esperar um faturamento próximo ao de 2024”.
O dirigente ressalta que o fluxo de público no parque da Expodireto Cotrijal diminuiu já em 2025. E analisa que esse comportamento reflete as perdas nas lavouras. “Neste ano, a quebra não será tão grande. Mas ainda assim haverá perdas”, conclui.



