sexta-feira, 13 de março de 2026

 Vendas da Agricultura Familiar frustram agroindústrias na Expodireto

Isaura Berlamindo pretendia ampliar vendas nesta edição, mas desempenho irá apenas cobrir os custos

Isaura Berlamindo pretendia ampliar vendas nesta edição, mas desempenho irá apenas cobrir os custos

EVANDRO OLIVEIRA/JC

Claudio Medaglia
Claudio MedagliaRepórterA comercialização de produtos no Pavilhão da Agricultura Familiar anda em ritmo lento na 26ª Expodireto Cotrijal, que termina nesta sexta-feira em Não-Me-Toque. Com menor circulação de público e vendas abaixo das verificadas nos anos anteriores, o impacto das dificuldades enfrentadas pelo agronegócio atinge um segmento tradicionalmente marcado pelo bom desempenho em eventos do setor.
O desempenho nos três primeiros dias frustrou as expectativas dos expositores, que esperavam repetir ou ampliar o faturamento de anos anteriores, mas agora lutam para alcançar resultado semelhante ao de 2025. Nesta edição, 224 agroindústrias familiares estão no evento, representando 119 municípios. Desses, 97 são comandados por mulheres, e 48 participam pela primeira vez.
Isaura Berlamindo, que participa pelo quinto ano consecutivo, trouxe 13 tipos de geleias tradicionais e gourmet, além da expectativa positiva. Em 2025, a Agroindústria Vitória Alimentos, de Pouso Novo, faturou mais do que em todos os anos anteriores, superando metas a cada dia. Mas neste ano a realidade mostrou retração nos negócios.
“Na segunda-feira (9), vendi a metade do que alcançamos no primeiro dia de 2025. E na terça, pouco mais da metade do segundo dia. Ontem (quarta), com muito esforço arranhei a meta. Estamos no limite do orçamento, já que os custos subiram com matéria-prima e insumos”, lamenta Isaura.
Ela aponta a perda de poder aquisitivo dos visitantes como fator determinante para a queda nas vendas. E até mesmo o perfil de público mudou. Os produtos mais elaborados ou diferenciados, como as geleias com pimenta defumada, têm dado lugar às tradicionais, de figo e uva.
“Foi uma surpresa. Nos preparamos para uma comercialização maior, trouxemos mais prpodutos, chamamos uma pessoa para dar apoio no estande, mas acabamos dispensando. A feira não vai dar prejuízo, mas será praticamente para pagar as despesas”, acrescenta a expositora.
A percepção não é diferente para Eliana Beatriz Lenhard de Oliveira, que está na mostra com doce de leite e licor de doce de leite produzidos na agroindústria Estrelat, de Estrela. “Desde 2022, vínhamos crescendo entre 20% e 30% o faturamento a cada ano. Desta vez, vai ser diferente”, avalia.
Ela também fez parceria com produtores de queijos, biscoitos e artesanatos para montar kits de produtos e atrair clientes. Depois de um 2025 “fantástico” em vendas, a expositora faz força para empatar o resultado nesta edição.A exemplo do que ocorreu no ano passado, a organização da Expodireto Cotrijal determinou que números de faturamento não sejam divulgados. Assessor de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado (Fetag-RS) e responsável pelo levantamento dos negócios ao final de cada dia da feira, Jocimar Rabaioli acredita que o resultado possa rondar o alcançado em 2024, quando as vendas no pavilhão chegaram a R$ 3 milhões.
Os melhores dias da Expodireto costumam ser a quarta e a quinta-feira. Embora o segundo dia tenha sido inferior a 2025, ontem tivemos bons números. Ainda podemos esperar um faturamento próximo ao de 2024”.
O dirigente ressalta que o fluxo de público no parque da Expodireto Cotrijal diminuiu já em 2025. E analisa que esse comportamento reflete as perdas nas lavouras. “Neste ano, a quebra não será tão grande. Mas ainda assim haverá perdas”, conclui.

Com voto de Nunes Marques, STF forma maioria para manter Vorcaro preso

Para a conclusão do julgamento, resta o voto do minsitro Gilmar Mendes

Para a conclusão do julgamento, resta o voto do minsitro Gilmar Mendes

Fellipe Sampaio/STF/JC

Agências
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira (13), para manter a prisão preventiva do banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O ministro André Mendonça, relator do inquérito na Corte, abriu a votação às 11h e foi acompanhado integralmente pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Resta o voto de Gilmar Mendes.
Ao votar pela confirmação do decreto de prisão de Vorcaro, o ministro enfatizou seus motivos. "Nessa perspectiva, destaco que os crimes investigados envolvem valores bilionários e têm impacto potencial no sistema financeiro nacional. Há, sob outro prisma, evidências de tentativa de obtenção de informações sigilosas sobre investigações em andamento e emonitoramento de autoridades. E existem fortes indícios da existência de grupo destinado a intimidar adversários e a monitorar autoridades, o que revela risco concreto de interferência nas investigações."
O relator explicou porque não aceita medidas alternativas à custódia de Vorcaro e de outros alvos da Compliance Zero. "As medidas menos gravosas previstas em nosso ordenamento jurídico não ostentam, em relação a tais investigados, o condão de obstar o cenário de risco às investigações, à apuração dos produtos ilícitos e à sua futura recuperação, apresentado pela Polícia Federal. A liberdade dos investigados compromete, assim, de modo direto, a efetividade da investigação e a confiança social na Justiça penal."
Na avaliação de Mendonça, "permitir que permaneçam em liberdade significa manter em funcionamento uma organização criminosa que já produziu danos bilionários à sociedade". "Sob outro prisma, há risco concreto de destruição de provas, pois os investigados demonstraram possuir meios de acesso a documentos sensíveis e a sistemas estatais, além do domínio de empresas instrumentalizadas para a prática de ilícitos de seus interesses."
O ministro indica sua preocupação com o poderio do grupo de Vorcaro. "A organização criminosa demonstra altíssima capacidade de reorganização, mesmo após deflagração de operações. Portanto, acaso os investigados permaneçam em liberdade, há o elevado risco de articulação com agentes públicos e da continuidade da prática de ocultação e reciclagem de capitais por meio da utilização de empresas de fachada."
Ele destacou que o banqueiro e seus aliados continuaram a operar mesmo depois de a PF ter deflagrado a primeira fase da Compliance Zero. "No que diz respeito ao elemento da contemporaneidade, as atividades criminosas, tal como demonstrado pela Polícia Federal em sua representação, continuaram a ocorrer mesmo após o início do inquérito e as operações dele decorrentes."
"Com base em tais razões, associadas à minuciosa descrição da prática contínua e reiterada de condutas ilícitas por parte dos investigados, os quais ocupam postos chave na organização criminosa, inclusive, entendo ser o caso de deferimento do pedido de prisão preventiva formulado pela Polícia Federal em relação a Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel (cunhado do banqueiro) e Marilson Roseno da Silva (ex-policial federal)", assinalou o relator.
O ministro observou, no voto de 53 páginas, que o decreto de prisão preventiva exige também a verificação de ao menos uma das quatro hipóteses do "periculum libertatis" (perigo da liberdade, em latim), previstas no artigo 312 do Código de Processo Penal - a prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria e de perigo gerado pelo estado de liberdade do investigado.
Para Mendonça, no caso do banqueiro do Master "está caracterizado o 'fumus comissi delicti' (indícios da prática do delito), consubstanciado nos fundados indícios de participação dos investigados nos graves crimes apurados na Operação Compliance Zero, e estão presentes também os requisitos do 'periculum libertatis', tanto no que se refere à conveniência da instrução criminal, tendo em vista a ampla rede de conexões dos investigados, os indícios de ameaças a pessoas que contrariem os interesses do grupo criminoso, a contínua utilização de mecanismos para ocultar os rastros dos crimes e a elevada possibilidade de eliminação e manipulação de documentos e provas capazes de elucidar detalhes da prática criminosa".
Segundo o ministro, "em relação à garantia da ordem pública, haja vista a necessidade de pacificação social por meio da criação de um sentimento na sociedade de resposta célere do sistema de justiça a um delito de elevadíssima repercussão social, com dimensões bilionárias, o risco de reiteração delitiva e o alcance subjetivo dos ilícitos cometidos, que impactaram a vida de milhões de brasileiros e a credibilidade de instituições financeiras públicas e privadas".
Mendonça apontou para a "futura aplicação da lei penal, uma vez considerados os indícios de continuidade de práticas delitivas com enorme impacto social e econômico, lavagem de capitais e ocultação e dilapidação do patrimônio obtido ilicitamente".
"Evita-se, com a custódia, a destruição ou alteração de provas, a combinação de versões com outros integrantes da organização criminosa, a ocultação de ativos e documentos empresariais, a influência sobre funcionários das empresas investigadas", assinala o relator. Para ele, 'a verificação de apenas um dos três requisitos do 'periculum libertatis' bastaria, em tese, para justificar a medida extrema de segregação cautelar dos investigados, não obstante os três se verifiquem cumulativamente no caso concreto".
Para a conclusão do julgamento, resta o voto do minisitro Gilmar Mendes. A análise ocorre no Plenário Virtual da Corte e teve início às 11h, com duração prevista de uma semana, terminando às 23h59h da próxima sexta (20). 

Especialista diz que corte da Selic pode ser abaixo do esperado por conta da guerra no Irã

Banco Central deve iniciar o ciclo de cortes da Selic em reunião do Copom na semana que vem

Banco Central deve iniciar o ciclo de cortes da Selic em reunião do Copom na semana que vem

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/Divulgação/JC
Cássio Fonseca
Cássio FonsecaRepórterO Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá entre terça (17) e quarta-feira (18) para discutir a situação econômica do País e, ao que tudo indica, iniciar o ciclo de cortes da taxa Selic, que está em 15% desde junho de 2025. Entretanto, o conflito no Oriente Médio pode significar uma queda dos juros abaixo do esperado, por conta das incertezas que a guerra traz, principalmente no preço do petróleo. 
Para a economista-chefe da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS), Patrícia Palermo, pode haver uma queda de 0,25% na taxa, ao invés dos 0,50% previstos.
Com o temor de que a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã se estenda e afete o preço do combustível no Brasil, o Banco Central pode ser cauteloso no corte, prevendo um aumento na inflação. Patrícia destaca, no entanto, que há uma série de filtros que acabam retardando os processos de transferência de aumento de preço do petróleo para o preço da gasolina. 
Isso porque a Petrobras, a maior definidora do preço básico da mercadoria, é uma empresa mista com controle do governo, e está sujeita a vontades políticas, principalmente em ano de eleição, conforme a economista. Além disso, há um amortecedor vindo de impostos. Na quinta, o governo zerou as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre o diesel. “Mas a gente tem toda a camada ainda do ICMS, que também pode ser questionada”, acrescenta.
Ela também aponta que, economicamente, essa guerra é insustentável inclusive para os Estados Unidos, que são a maior potência envolvida. “Nos EUA, se aumenta o preço do petróleo isso se transfere diretamente para a gasolina, que é um item de muito peso na inflação americana. E isso impõe um custo político absurdo para Trump.” 
A economista relata que o debate na Fecomércio é se a guerra vai até seu limite, de pouco mais de um mês, e o quanto ela acaba destruindo a capacidade produtiva dos países envolvidos. “Mas uma extensão maior que isso eu acho muito improvável”, frisa. E além dos impactos aos países diretamente envolvidos, outras potências também estão sendo prejudicadas.
China, por exemplo, está perdendo muito, já que o Irã é um fornecedor de petróleo mais barato que o preço de mercado para o país. O Estreito de Ormuz é onde passa 20% do petróleo mundial, que abastece a Ásia. “Não existe economia no mundo mais dependente de petróleo que a economia chinesa. O braço chinês que poderia estar do lado do Irã, não estará”, aponta Patrícia.
De volta para o Brasil, a análise é que, para o aumento de preço chegar às refinarias, três fatores são decisivos. “Depende da intensidade do conflito, do espalhamento e da duração do conflito. Quanto maiores esses três, maior é a chance disso acontecer.”
Por esses motivos e com a crença de que a guerra no Oriente Médio não se estenderá ao longo do ano, a economista mantém o otimismo para que a Selic feche dezembro em 12%, conforme as previsões do mercado. O que pode acontecer é uma lentidão no processo, ficando mais tempo em patamares mais altos, com efeito negativo sobre a atividade econômica.
No Rio Grande do Sul, Patrícia afirma que além do impacto nos postos de combustível, mais visível para a população, as exportações também são afetadas, já que toda a parte de fretes encarece e começa a impossibilitar círculos de carga. Além da dependência de fertilizantes do Brasil e do Estado, que, em parte, vem do Irã. E, dependendo da alta nos combustíveis, e com a questão das safras, dependendo da dinâmica de abastecimento, também pode ter efeitos negativos.