quinta-feira, 3 de abril de 2025


03 de Abril de 2025
CARPINEJAR

Dia da verdade

Anteontem foi 1º de abril. E as pegadinhas já não surtem efeito. Restaurantes prediletos dizendo que vão fechar. Artistas avisando que vão abandonar suas redes sociais. Celebridades traçando metas absurdas. Eu não ri de nada, não tinha motivos para rir.

Rolava o dedo na telinha do meu celular com náusea e desconforto.

Há muito tempo, a data deixou de ser engraçada. Não porque é previsível, não porque você acorda antevendo as armadilhas, mas porque a mentira já é tão comum que não mais assusta. Há mais fake news do que fatos. Vivemos num mundo de simulacros para enriquecer facilmente e agradar ao algoritmo.

O que desconcerta é a verdade. Deveríamos criar o Dia da Verdade. Daí sim seria um escândalo. O dia do sincericídio. O dia de abrir o coração. O dia das confissões honestas. O dia da transparência digital. O dia do fair play moral.

Um dia em que você não mais defenderia sua aparência e as pequenas trapaças rotineiras. Um dia em que não mais guardaria os ressentimentos e as sabotagens. Um dia em que pais e filhos diminuiriam a sua distância, expondo efetivamente quem são e o que pensam.

Um dia em que você não procuraria o perdão, qualquer recompensa ou benefício pessoal, só procuraria ser justo. Um dia em que ninguém iria se preocupar em se proteger, e sim em não enganar a si próprio. Um dia em que governantes terminariam com as suas promessas e apresentariam as suas falhas.

Um dia de choque democrático. Os parlamentares explicitariam quais os propósitos das suas emendas um tanto secretas, por que são tão infladas a ponto de consumir R$ 50,4 bilhões do orçamento em 2025, o equivalente à receita de 32 dos 38 ministérios do governo federal. Descomplicariam o rastreamento e acabariam com a fama de balcão de negócios e de instrumento costumeiro para a reeleição.

Currículos seriam refeitos, plágios seriam desmascarados, júris seriam cancelados pela declaração de inocência ou culpa dos suspeitos.

Crimes insolúveis no país, como o de Ana Lídia Braga, menina de sete anos sequestrada e morta em Brasília em 1973, ou do menino Carlinhos, de 10 anos, sequestrado no Rio de Janeiro no mesmo ano e jamais localizado, finalmente encontrariam o seu desfecho e os seus autores.

Um dia em que não faríamos o outro sofrer pelo que ele não sabe. Não haveria mais segredos sujos, deslealdade recalcada entre amigos, infidelidades, inveja, concorrência predatória. Tudo viria à tona em cascatas de vídeos.

Um dia apenas de poses espontâneas, de palavras sem filtro, do constrangimento redentor. Com aquele facho de luz rompendo as borrascas e formando um arco-íris de franqueza e fraqueza no horizonte humano. Daniel Alves, por exemplo, ligaria a sua câmera e contaria o que realmente aconteceu naquele banheiro na discoteca em Barcelona, na madrugada de 31 de dezembro de 2022. _

CARPINEJAR

03 de Abril de 2025
OPINIÃO RBS

Um debate mais maduro

Fez bem o governador Eduardo Leite ao, neste momento, desistir do processo de aquisição de uma aeronave a jato pelo Estado, um dos temas mais comentados pela opinião pública do Estado desde a semana passada. A compra de avião por governos é sempre controversa e normalmente abre margem para versões como a de que o equipamento seria um luxo destinado apenas a garantir maior conforto ao mandatário de plantão em seus deslocamentos e um desperdício de recursos diante de outras prioridades mais urgentes e das limitações do erário.

Discussões dessa natureza muitas vezes são contaminadas por argumentos torcidos, tanto por quem é a favor como pelos que se opõem, por convicção ou conveniência política. Mas o debate faz parte do jogo. É sempre saudável e democrático. Atenta aos diferentes pontos de vista e razões, a sociedade faz o seu juízo.

Ao explicar a desistência, o governador queixou-se de "dados contaminados e viciados, tratados por políticos e pela imprensa". Não é crível que Leite esperasse que a oposição aderisse à ideia da compra sem contestações ou críticas, corretas ou não. E na imprensa viram-se opiniões contrárias, mas também favoráveis à intenção do Piratini. 

Se o governador estava convicto da necessidade de adquirir a aeronave, deveria ter se esforçado mais em apresentar suas justificativas e convencer os gaúchos da importância do negócio, estimado em cerca de R$ 90 milhões. Ainda mais se é verdade, como reforçou Leite, que o processo de obtenção do equipamento poderia demorar mais do que o período que lhe resta como governador, afastando proveitos pessoais.

Há razões bastante plausíveis e nobres para a aquisição da aeronave, como salvar vidas pela agilidade no transporte de órgãos destinados a transplantes. Segundo o Piratini, o avião é uma demanda que vem especialmente da Secretaria da Saúde e há casos de doações de órgãos frustradas pela impossibilidade de deslocamentos em tempo hábil. 

Por outro lado, não são descabidas as ponderações de que a origem dos recursos não deveria ser o Funrigs, composto por parcelas da dívida do Estado com a União que deixaram de ser pagas em função da enchente do ano passado. O fundo foi constituído para ser usado "no enfrentamento das consequências sociais, econômicas e ambientais decorrentes dos eventos climáticos" dos dois anos anteriores. O exame sobre a existência de outras prioridades tampouco pode ser interditado.

Mesmo que Leite tenha recuado do plano, é uma discussão que merece ser retomada, ainda que em outro governo, seja qual for a coloração partidária. Surgirão, novamente, posições alimentadas por falácias difundidas por redes sociais, reprovações políticas e apreciações favoráveis e discordantes na imprensa. 

Mas deve-se crer que a sociedade gaúcha tem condições de conduzir um debate maduro, que restará na vitória dos melhores e mais robustos argumentos e na decisão final do Piratini. É cabível reexaminar, com maior seriedade, se o governo gaúcho precisa de uma aeronave mais moderna, adequada às necessidades da saúde, da segurança ou mesmo para deslocamentos mais ágeis do governante da vez. 

OPINIÃO RBS


03 de Abril de 2025
MERCADO FINANCEIRO

Ministério Público decide investigar acordo entre bancos

Mercado financeiro

Aquisição do Master pelo estatal BRB gerou questionamentos em diversas frentes. Operação, que ainda precisa de aval do Banco Central e do Cade, é estimada em R$ 2 bilhões e foi aprovada na sexta-feira. Instituição privada anunciou que obteve lucro de R$ 1 bilhão em 2024

O Ministério Público do Distrito Federal decidiu investigar a compra de uma fatia do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Um inquérito civil foi aberto por iniciativa da própria procuradoria. O acordo chamou atenção do mercado devido ao rápido crescimento do Master nos últimos anos, além de alertas de operações fora do padrão levados ao Banco Central (BC),

No centro da apuração, está a operação de R$ 2 bilhões aprovada pelo Conselho do BRB, que é um banco estatal, na última sexta-feira. A transação ainda depende de aval do BC e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Os órgãos de controle têm prazo de um ano para definir uma posição.

Pelo acordo firmado, o BRB ficará com 58% do capital total do Master e com 49% das ações ordinárias (com direito a voto) e 100% das ações preferenciais (sem direito a voto) do banco privado.

A negociação prevê que os dois bancos continuem operando separadamente, mas sob a marca BRB. O atual proprietário do Master, Daniel Vorcaro, continuará como controlador e terá 51% de participação na instituição financeira.

"Grande oportunidade"

A compra virou alvo de questionamentos em diferentes frentes. Na Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputados do PT protocolaram pedido de convocação do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Já a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou, na terça-feira, requerimento de informações ao BC.

O Ministério Público de Contas também vai apurar o caso. Além disso, o Sindicato dos Bancários de Brasília pedirá ao BC e ao Cade que rejeitem o negócio.

A entidade manifestou preocupação com possível gestão inadequada por parte do BRB e não descarta entrar na Justiça.

Em entrevista à GloboNews na terça-feira, Costa disse que a compra do Master tem como objetivo diversificar a atuação da instituição pública:

- O Master é uma grande oportunidade para o BRB, que sempre atuou no varejo e nunca conseguiu se posicionar no atacado. Vai agregar atuação em médias e grandes empresas, em mercado de capitais, em câmbio - afirmou.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, reuniu-se esta semana tanto com Costa quanto com Vorcaro para entender o acordo. O BRB é uma sociedade de economia mista, de capital aberto, e o acionista majoritário é o governo do Distrito Federal (71,92%), mas atua em diversos Estados. _

Entenda a polêmica

A negociação é controversa porque o Banco Master levou a cabo, nos últimos anos, uma política considerada agressiva para captar recursos, oferecendo rentabilidades em seus Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de até 140% do CDI - bastante superiores às taxas médias do mercado.

Na terça-feira, o Master divulgou, com um dia de atraso, o balanço de 2024, que aponta lucro de R$ 1 bilhão, quase o dobro dos R$ 523 milhões registrados no ano anterior. Segundo os números, os resultados operacionais e as capitalizações sucessivas fizeram o patrimônio líquido da instituição financeira saltar de R$ 2,3 bilhões em 2023 para R$ 4,7 bilhões em 2024.

O Master enfrenta desconfianças do mercado financeiro. Recentemente, o banco tentou emissão de títulos em dólares, mas não conseguiu captar recursos. Operações do banco com precatórios (títulos de dívidas de governos com sentença judicial definitiva) também aumentaram dúvidas sobre a real situação financeira da instituição.

Recentemente, houve especulações de que outro banco, o BTG Pactual, teria oferecido apenas R$ 1 para assumir o controle do Master e o passivo da instituição. Na noite de ontem, a instituição divulgou um comunicado no qual afirmou que "nunca fez proposta para aquisição de ativos ou de participação no capital social do Banco Master".

Caso se concretize, a compra do Master pelo BRB resultará no nono maior banco em carteira de crédito do país, com um total de 15 milhões de clientes e R$ 112 bilhões em ativos.



03 de Abril de 2025
Conexão Brasília

Aprovação de Lula segue despencando

A pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem não é apenas mais um levantamento que comprova a queda de popularidade do governo Lula. O resultado é um banho de água fria nas expectativas do Planalto, que esperava o oposto após adotar uma série de políticas públicas nas últimas semanas.

Segundo o levantamento, a aprovação de Lula atingiu o pior patamar desde o início da gestão. A desaprovação, que era de 49% em janeiro, passou para 56% no mês de março. A aprovação, por sua vez, caiu de 47% para 41%.

Nos últimos dias, auxiliares do presidente diziam em reservado que a crise do início do ano havia sido vencida, e que esperavam aos poucos estancar a percepção negativa da população sobre os rumos da administração federal.

Além do crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, a expectativa do Planalto era melhorar a avaliação com outras iniciativas, como o envio de um projeto ao Congresso isentando de Imposto de Renda (IR) os salários de até R$ 5 mil. Embora só tenha previsão de entrar em vigor em 2026, a medida foi badalada pelo governo com o objetivo de mobilizar a opinião pública.

O governo também isentou de taxas de importação uma lista de alimentos, começou a verificar queda nos preços de vários produtos pela entrada da nova safra, e consolidou políticas sociais, como o Pé-de-Meia, que paga uma bolsa a estudantes de baixa renda do Ensino Médio. Até agora, no entanto, nada parece ter surtido efeito.

As cartas na manga estão chegando ao fim. Com orçamento apertado e pouca disposição do Congresso em ampliar o rombo fiscal, ficam cada vez mais escassas as alternativas que possam impulsionar a avaliação positiva do governo. _

Esta coluna contém informação e opinião

CONEXÃO BRASÍLIA


03 de Abril de 2025
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Associação do MP pede mais penduricalhos

Senhores professores, senhores brigadianos. Vocês terão dificuldade de acreditar nesta história se não lerem os documentos que atestam sua veracidade. Acreditem, senhoras e senhores. Os membros do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que acabaram de receber a licença compensatória (aquela de um dia de folga para cada três trabalhados, com possibilidade de conversão em dinheiro), querem mais. Muito mais.

A coluna teve acesso a um documento encaminhado em dezembro de 2024 à Procuradoria-Geral de Justiça pela Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul com o título "Considerações sobre a remuneração dos membros do Ministério Público do Rio Grande do Sul". Com fartas referências ao Judiciário, fica claro que é um ponto de partida para que, se o pleito for atendido, Tribunal de Justiça, Defensoria Pública e Tribunal de Contas pleiteiem o mesmo.

Antes de detalhar os pontos mais impactantes do estudo, vamos à conclusão: de penduricalho, o teto real de um procurador chegaria a R$ 74.372,60 líquidos. No início da carreira, iria a R$ 54.687,08.

Como se chegou a esses números? Logo nas páginas iniciais o estudo apresenta as "médias remuneratórias" de membros do MP na comparação com os demais entes federativos, indicando que a do RS seria R$ 35,1 mil a menos do que outros Estados, onde chega a até R$ 90 mil. O documento diz que isso "tem causado desconforto e preocupação aos nossos colegas."

Pelos cálculos dos encarregados do estudo, os "atrasados" do MP com seus membros chegaria a R$ 1,6 bilhão.

Para efeito de comparação, é importante lembrar que o orçamento do MPRS é de R$ 1,3 bilhão por ano. Esse montante contempla os atrasados pelo fim do tempo de serviço quando foi adotado o subsídio.

Quem não tem memória curta lembra que as corporações brigaram pelo subsídio porque à época significou um aumento real na remuneração, com o argumento de que os penduricalhos seriam incorporados para "dar total transparência".

Como o subsídio demorou para ser implantado no RS, a Associação do MPRS cobra R$ 400 milhões de "subsídio retroativo" e R$ 200 milhões de atrasados da "Parcela Autônoma de Equivalência", nome científico de um auxílio moradia pago a quem tem casa própria - às vezes mais de uma. _

Protagonistas na alfabetização são homenageados na Feevale

Nos dias normais de espetáculo no Teatro Feevale, os artistas ficam no palco e a plateia aplaude sua performance. Ontem, os papéis se inverteram: os verdadeiros protagonistas estavam na plateia. Eram representantes de 200 escolas estaduais e municipais premiadas no programa Alfabetiza Tchê porque se destacaram pelos resultados de alfabetização nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

As escolas que ficaram nas melhores posições foram contempladas com valores que variam de R$ 40 mil a R$ 80 mil, enquanto as demais, com mais fragilidades, obtiveram complemento de R$ 20 mil a R$ 40 mil, como compromisso para avançar na aprendizagem.

- O Estado não é apenas gestor da sua própria rede escolar, ele é responsável pela educação gaúcha, que tem as redes municipais como agentes fundamentais no processo de alfabetização. Por isso criamos o Alfabetiza Tchê, para uma colaboração entre Estado e municípios nesta missão tão importante - disse o governador Eduardo Leite.

Estudantes da Escola Oscar Konrath, de Sapiranga, fizeram ainda uma apresentação, recitando textos para demonstrar, na prática, a fluência leitora e os resultados do programa. _

Dmae será alvo de CPI na Câmara

Uma CPI será instalada na Câmara de Porto Alegre para investigar supostas irregularidades no Dmae. O pedido da vereadora Natasha Ferreira (PT) obteve as 12 assinaturas necessárias para abertura da comissão.

As assinaturas vieram de PT, PCdoB e PSOL. No pedido, Natasha cita três situações: a suposta negligência da prefeitura diante de alertas técnicos sobre falhas no sistema antienchentes, uma denúncia de corrupção passiva de um ex-diretor do Dmae e os 2,6 mil cargos vagos na autarquia. A vereadora cita a enchente de maio de 2024 como uma das "principais consequências da má gestão" do Dmae.

- Essa CPI é uma resposta à indignação de quem perdeu tudo por causa da negligência do poder público - alegou.

A comissão terá 120 dias para averiguar os fatos e elaborar um relatório com as apurações. 

Por que Leite desistiu do avião

O jornalista Jocimar Farina deu em primeira mão a notícia sobre a intenção do governo Eduardo Leite de comprar um avião e, ontem, a informação sobre a desistência.

Os adversários do governador, sabendo que ele deseja ser candidato a presidente, espalharam que o avião seria usado para fazer campanha - uma sandice, dado que para concorrer ele terá de renunciar até o início de abril de 2026. Se fosse comprado, o avião dificilmente seria usado antes disso.

Sim, a ideia era um avião que pudesse funcionar como UTI móvel para transportar pacientes em estado grave que precisam ser transferidos. Talvez a maioria dos gaúchos não saiba que o governo gastou R$ 14 milhões em 2024 com a contratação de táxi aéreo, sobretudo para transporte aeromédico.

Havia também a intenção de usar o avião para transporte de órgãos e aumentar o número de transplantes. Por fim, a Secretaria da Segurança usaria o avião para viagens de emergência, mas o governo não teve tempo de explicar.

Leite decidiu encerrar o assunto porque cedeu ao rugido das redes sociais. Seus conselheiros concluíram que se tratava de causa perdida, até porque o Estado recém colocou as contas em dia e que ainda há muito o que recuperar da enchente.

Talvez morram pessoas que poderiam ser salvas por transplante ou pela transferência para hospital mais equipado, mas quem se importa se não for alguém da sua família? _

Conflitos no caminho da fusão

Próximos de uma fusão, PSDB e Republicanos ainda têm arestas a aparar. Na terça-feira, a assessoria do deputado estadual Delegado Zucco (Republicanos) divulgou que, "por unanimidade", a bancada da sigla decidiu apoiar a pré-candidatura de Luciano Zucco (PL) ao governo do Estado.

Entretanto, a informação dos bastidores é de que esta discussão não ocorreu. Além disso, o deputado Sérgio Peres, que representa a ala evangélica da legenda, negou que tenha declarado apoio a Zucco:

- Estamos fazendo parte do governo hoje, não pode ser assim.

A ala religiosa, representada por Peres e Eliana Bayer, é mais alinhada à direção estadual, que está na base do governo Eduardo Leite. Os republicanos que defendem a candidatura de Luciano são da ala bolsonarista: Delegado Zucco (irmão de Luciano), Gustavo Victorino e Capitão Martim.

À coluna, o presidente estadual do partido, Carlos Gomes, afastou qualquer tipo de apoio antecipado, afirmando que não há nenhuma candidatura consolidada no momento. _

POLÍTICA E PODER


03 de Abril de 2025
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

Não houve debate suficiente sobre compra do avião

A grande polêmica que se formou em torno da intenção de compra de um avião a jato pelo governo do Estado não era a aquisição em si da aeronave - tampouco o valor elevado, em torno de R$ 95 milhões.

O questionamento que se impôs era a origem do recurso. Tudo indica que seria usado dinheiro do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), o chamado "fundo da enchente", cujo objetivo fundamental é a reconstrução do Estado.

Essa coluna questionou desde o início: o Rio Grande do Sul não teria necessidades mais urgentes?

A cada temporal, como o de segunda-feira, que acossou Porto Alegre e Região Metropolitana, percebe-se que, sim, tem. Passados 11 meses da grande tormenta de maio de 2024, estamos ainda muito longe do ideal de proteção, resiliência e adaptação a eventos extremos.

No vídeo em que anunciou a desistência da compra da aeronave, o governador Eduardo Leite afirmou:

- O debate sobre o bom uso do dinheiro público é legítimo, mas precisa ser feito com responsabilidade, com base na verdade. No entanto, uma vez que esse tema foi contaminado pelos argumentos viciados e equivocados que foram trazidos na política e na imprensa, estou demandando que encerre o processo da compra da aeronave.

A coluna defendeu o debate desde o início, mas, infelizmente, ele não ocorreu. Não houve nem tempo.

Leite desistiu no meio do diálogo, atribuindo o recuo a argumentos "viciados e equivocados que foram trazidos na política e na imprensa".

Redes sociais

Posições políticas antagônicas sempre vão ocorrer, cada vez mais contaminadas (e barulhentas) pela polarização e pelo ambiente tóxico das redes. Mas é parte do jogo.

Fazer perguntas incômodas, perseguir respostas sobre projetos, questionar o poder e provocar discussões são papéis da imprensa: ser o local, a praça pública, o espaço por excelência para o diálogo da sociedade.

O governador recuou rápido demais, preocupado com a repercussão que o caso ganhou, sem que o debate tenha ocorrido de fato - e com profundidade. _

Chico Paiva, neto de Rubens e Eunice Paiva, será agraciado amanhã com a Comenda Porto do Sol, da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, em ato proposto por Roberto Robaina (PSOL).

Quem é o responsável pela poda das árvores?

No temporal que atingiu a Capital segunda-feira, ruas ficaram tomadas por galhos e troncos, que, em boa parte, entupiram o sistema de drenagem e comprometeram o abastecimento de energia elétrica.

Respostas

Afinal, de quem é a responsabilidade pela poda? A coluna procurou a Secretaria de Serviços Urbanos de Porto Alegre (SMSUrb) e a CEEE Equatorial. A secretaria esclarece que é responsabilidade da prefeitura "realizar a vistoria, emitir parecer técnico e executar o manejo arbóreo em espaços públicos e em áreas privadas classificadas como de baixa renda", em caráter preventivo. Sobre galhos próximos à rede elétrica, a SMSUrb salienta que um acordo foi firmado em abril de 2024, no qual "ficou definido, junto à CEEE Equatorial, ao Ministério Público do RS e o governo do RS, que a concessionária deverá podar as árvores que estejam em contato com a fiação elétrica".

Já a CEEE Equatorial diz que faz "manejo preventivo das árvores em contato com a rede de distribuição", via empresa privada. E citou que "a poda preventiva e o manejo da vegetação em áreas públicas são responsabilidade das prefeituras." _

Vinte anos sem João Paulo II

A morte de um Papa é daqueles fatos marcantes, que fazem a gente lembrar onde estava quando o episódio ocorreu. Era final de tarde de sábado no Brasil, em 2 de abril de 2005, há 20 anos, quando o Vaticano anunciou o falecimento de João Paulo II, e eu estava saindo de casa, em Porto Alegre, para pegar o voo no aeroporto Salgado Filho rumo a Roma.

Desembarquei no coração da fé católica quase 15 horas depois. Ali entendi que a morte de um Papa é apenas o início de uma série de rituais. Foram 18 dias de cobertura que envolveram emoção, noites insones, 14 horas na fila para se aproximar do corpo de João Paulo II, o enterro, o início do conclave e as especulações até a fumaça branca anunciar Josef Ratzinger ungido Bento XVI.

Lembro dessa história não só pela data, mas pelo fragilizado estado de saúde de Francisco. As histórias entre os dois papas cada vez mais se aproximam: como João Paulo II, o primeiro papa não italiano em 455 anos, o argentino é o primeiro oriundo da América Latina. Eles quebraram tradições. O polonês foi o primeiro a se tratar em um hospital - a clínica Gemelli - até então, a saúde dos papas era guardada a sete chaves. O estilo carismático também os aproxima, assim como a busca pelo diálogo interreligioso, a humanização da figura do Pontífice e a humildade. Também os une o papel geopolítico: João Paulo II e Francisco se mostraram à altura dos desafios da humanidade, o primeiro durante a Guerra Fria, e o segundo, na pandemia.

Os dois, entretanto, têm diferenças de enfoque teológico: o polonês era intransigente defensor da tradição, enquanto o argentino vem tentando implementar uma agenda mais inclusiva - a passos lentos, como, aliás, se move a Igreja. _

Atenção a alunos com transtorno do espectro autista

No Dia Mundial da Conscientização do Autismo, comemorado ontem, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) lançou um manual técnico para orientar a alimentação de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em todas as instituições de ensino da rede de Porto Alegre.

O documento fornece um passo a passo para o manejo da alimentação dos 2.815 alunos com autismo. Estima-se que 90% das pessoas com TEA tenham dificuldades na alimentação, e 70% seletividade alimentar.

Nutricionistas

O documento teve origem nos encontros de formação do Grupo de Trabalho criado pelas nutricionistas da Unidade de Alimentação Escolar (UAE) com profissionais do Centro de Referência do Transtorno Autista (Certa) e contou com a colaboração da Coordenação da Educação Especial da Smed, sendo validado pela Secretaria Municipal de Saúde.

- Foram instituídas essas orientações para auxiliar as escolas e garantir a esses alunos uma alimentação mais variada, saudável e inclusiva - afirma o secretário de Educação, Leonardo Pascoal. _

INFORME ESPECIAL

quarta-feira, 2 de abril de 2025



02 de Abril de 2025
ECONOMIA

ECONOMIA

Patamar da pobreza na Argentina cai para 38,1%

A pobreza na Argentina atingiu 38,1% da população no segundo semestre do ano passado, queda de 14,8 pontos percentuais em relação aos seis meses anteriores, informou o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec).

É um recuo significativo em relação aos primeiros seis meses do governo de Javier Milei, quando a pobreza havia disparado para 52,9%.

O número de pessoas nessa condição no país vizinho caiu de 15,7 milhões para 11,3 milhões. A indigência, por sua vez, caiu para 8,2%, ante os 18,1% do semestre anterior.

A melhora reflete o impacto da redução da inflação, que passou de 211% em 2023 para 118% em 2024.

Demissões

O programa econômico do governo, com um ajuste sem precedentes nos gastos públicos, alcançou o primeiro superávit anual das contas em 14 anos. A economia encolheu 1,8% em 2024, o consumo acumula 15 meses consecutivos de queda e houve milhares de demissões devido à eliminação ou à redução de órgãos estatais e à paralisação de obras públicas.

Segundo o Indec, as maiores incidências de pobreza estão nas regiões Norte e Noroeste, enquanto as menores estão nas regiões da Patagônia e Pampeana. 


02 de Abril de 2025
MÁRIO CORSO

Tirania da moda

Quando visito minhas fotos antigas, além da nostalgia, sinto algo entre o embaraço e o riso. O distanciamento deixa transparente a lente da moda.

Acho graça das minhas roupas, do meu cabelo longo e desgrenhado. Não estou sozinho, ora estou acompanhado por senhoras com capacetes de laquê, ora por amigos com calças boca-de-sino e sapatos plataforma.

A moda nos perpassa sempre, mesmo quem nas fotos não estava na moda, estava fora de moda, como era estar fora de moda naquele tempo. Tentar fugir do espírito do tempo, gravado na vestimenta, é uma causa perdida.

A indústria fashion de hoje nos diz que o último grito em serigote chapeado é usar roupas extra largas (oversized). Vendida como novidade, é mera apropriação de movimentos da cultura urbana marginal, como hip hop, grunge e skatewear. Eles usavam roupas largas por praticidade, conforto e por recusar a moda corrente.

A reclusão da pandemia incentivou o uso de roupas largas e confortáveis. Nas telas aparecíamos usando algo no espectro entre um abrigo esportivo e uma roupa velha improvisada como pijama. Depois disso, normalizamos certa informalidade. A nova moda revela uma tendência híbrida, tanto de uma escolha pela praticidade, como produto da moda globalizada.

Quando vejo alguém vestindo a nova moda, me parece uma criança que pegou a roupa do pai ou da mãe. A tendência segue o modo bombacha, mas no sentido que toda a roupa é embombachada.

A tal roupa larga tem suas vantagens, se você engordar ninguém nota, se você emagrecer fica ainda mais na moda. Ainda, se precisar usar fraldas, ninguém fica sabendo.

Calça justa, roupas que mostram e valorizam o contorno do corpo, vão ficar para trás. O oversized da geração Z desafia o padrão do corpo idealizado. Como essas roupas levam o selo da nossa época, obviamente, elas são genderless, isso é, sem gênero.

Com a idade, travamos em um estilo feito de uma colagem do que em algum momento da nossa vida foi moda. Pode acontecer olharmos para o novo com a mesma estranheza que nos vemos nas fotos antigas. Podemos rir da artificialidade das roupas atuais como rimos da artificialidade a que fomos submetidos. Só assim, parcialmente, vencemos a tirania da moda. _

MÁRIO CORSO

02 de Abril de 2025
OPINIÃO RBS

A cada temporal, o despreparo ressurge

O violento temporal que atingiu Porto Alegre e parte da Região Metropolitana na segunda-feira à tarde volta a demonstrar que persistem falhas nos sistemas de alerta, na prevenção e na resposta a eventos climáticos extremos. Por sorte foi um episódio que, a despeito da força, ocorreu de forma isolada, sem estragos disseminados pelo Estado. Ainda assim, reforça que, quase um ano depois da enchente catastrófica de maio de 2024, segue-se longe do necessário em termos de preparação e reação.

Ao longo do dia, é fato, a Defesa Civil do Estado emitiu alertas sobre o risco de chuva e vento fortes. Mas foram avisos que não destoaram muito de advertências em dias anteriores, em casos que sequer a precipitação prevista ocorreu. Os alertas, portanto, não foram ajustados à magnitude da tempestade que chegava à Capital e municípios vizinhos, com rajadas de vento de mais de 100 km/h. 

É preciso calibrar melhor os avisos meteorológicos, o que também contribui para a própria população levar a sério os informes e se precaver de forma adequada, evitando estar nas ruas ou no trânsito, por exemplo. Novos equipamentos foram adquiridos e instalados pelo Piratini para aperfeiçoar as advertências da chegada de tempo severo. O episódio de segunda-feira mostra que ainda falta precisão aos alertas.

Também deixou a desejar a preparação do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) de Porto Alegre. A direção da autarquia alega que ocorreu um problema pontual na casa de bombas 16, que serve a bairros como o Menino Deus, onde dois geradores instalados que deveriam ser acionados automaticamente não ligaram. Mesmo que a pane tenha sido localizada, sem uma falência generalizada do sistema, como ocorreu na cheia de maio do ano passado, não é razoável que um sistema recém instalado falhe tão cedo.

Nos transportes, a população voltou a enfrentar transtornos e desrespeito. A operação do trensurb entre as estações Mercado e Canoas foi interrompida devido ao temporal. Os passageiros, além de não contarem com o serviço, permaneceram um longo período sem qualquer informação da empresa. Ainda tiveram de aguardar em alguns casos mais de quatro horas até conseguirem embarcar nos ônibus providenciados pela estatal federal para os usuários percorrerem o trecho.

Por fim, segue longe do aceitável a velocidade de resposta da CEEE Equatorial para o restabelecimento da energia. Não apenas para as residências e estabelecimentos, mas para as estações de tratamento de água da Capital e semáforos. A direção da companhia que assumiu a concessão em julho de 2021 diz que ainda vai levar outros dois ou três anos para existirem condições de enfrentar melhor as tempestades recorrentes. Por um bom tempo, portanto, restará aos cidadãos apenas reclamar. Até porque a fiscalização dos órgãos reguladores, ao cabo, mostra-se inócua.

Os gaúchos estão fartos de saber que o Estado sofrerá cada vez mais com eventos extremos. Também estão cansados de escutar promessas de autoridades sobre prevenção, enquanto a cada novo temporal o despreparo reaparece. Mas a mobilização da sociedade não deve esmorecer. Diante dos prognósticos, é mandatório ao Rio Grande do Sul ser modelar na resiliência climática. 



02 de Abril de 2025
GPS DA ECONOMIA - Marta Sfredo

Trump conseguiu que o mundo o temesse. E agora?

Se o que Donald Trump desejava era ser temido pelo mundo, como deu a entender ainda desde a campanha eleitoral, conseguiu. Na véspera de seu "Liberation Day", suas ameaças de novas tarifas são o principal assunto do planeta, sem que ninguém saiba de detalhes - nem alguns dos mais próximos aliados.

No Brasil, as reações oscilam entre o pragmatismo de quem sabe que uma retaliação pode ser um tiro no pé, o espanto de quem acreditava que - mais um - moderaria o discurso depois de alcançar o poder e o temor de quem sabia o que esperar ainda antes que começasse.

No Congresso, sob a liderança da insuspeita - no sentido de ter preconceito em relação a Trump - ex-ministra da Agricultura Teresa Cristina, avança uma proposta para dar ao Brasil mais poder de reação. A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado, aprovou ontem, por unanimidade, projeto de lei que permite usar sanções comerciais em países que não mantêm relação de isonomia econômica com o Brasil.

Trump já provocou perdas nas bolsas internacionais, em ações de empresas americanas e tornou toda a dinâmica da economia internacional mais imprevisível - quando estabilidade é o fator mais crítico para que os negócios fluam. Agora, gera mais medo do que expectativa positiva, como ocorria antes da posse. Seu "sucesso" como agente de incerteza cobra um preço alto.

No Brasil, até a segunda-feira ainda havia alguma expectativa de que argumentos racionais pudessem levar a uma negociação. Mas enquanto o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, esperava um telefonema, o United States Trade Representative (USTR) preparava um relatório com 18 páginas apontando problemas nas relações comerciais bilaterais.

Não é que não existam: o Brasil é apontado como um país fechado por interlocutores mais confiáveis. Mas a situação que Trump está impondo ao mundo não torna a América grande de novo - ao contrário - nem melhora o ambiente global de negócios.

Ontem, o que conduziu o mercado financeiro não foi o temor das tarifas, mas dados que mostram a economia americana murchando. O dólar caiu mais 0,39%, voltando à casa de R$ 5,60. Palmas para Trump. _

Banquinho compra um bancão

Desde a segunda-feira, um "negócio" entre bancos provoca polêmica no mercado. O BRB, um banco estatal de pequeno porte, comprou parte do Master, uma instituição financeira maior, por R$ 2 bilhões. Pouco antes, um banco privado, o BTG Pactual, havia oferecido ficar com a totalidade do concorrente por um valor simbólico: R$ 1.

Só nesse detalhe, já se entende que há algo de errado. No mercado, havia preocupação com o Master - nunca manifestada até para evitar um evento de desconfiança. O principal motivo era o fato de a captação do banco (o dinheiro que financia a atividade) ser muito cara.

O Master pagava até 140% na colocação de CDBs (Certificados de Depósito Bancário), muito acima do mercado. Normalmente, quando um cliente é muito bom, recebe pouco acima do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), referência para o sistema financeiro.

Para entender, é útil saber que um banco oferece CDBs no mercado para se financiar. Promete pagar determinado valor se o cliente que tem alguma sobra deixar seu dinheiro lá. É uma forma de "comprar dinheiro". Precisa disso para, no outro lado, o da "venda de dinheiro", conceder crédito cobrando juro de outro tipo de cliente, aquele para quem faltam recursos.

Se fosse um banco privado fazendo apenas um mau negócio, já seria ruim porque o sistema financeiro depende muito da confiança dos correntistas. Como se trata de um banco público, outros alertas soaram por parecer que, mais uma vez, o custo da má gestão privada vai parar no bolso do contribuinte. Agora, o Banco Central (BC) terá de avaliar como lidar com essa encrenca. _

Gigante avança na troca de combustível fóssil por renovável

Uma gigante global fecha acordo para diminuir a emissão de gases do efeito estufa.

A unidade de São Leopoldo da Stihl vai começar a ser abastecida por biometano, substituindo o uso de gás natural, combustível de origem fóssil. O biometano é renovável, portanto menos poluente. É produzido a partir da purificação do biogás, gerado a partir de resíduos que são extraídos do lixo orgânico.

A previsão é dar início ao projeto no segundo semestre e emitir cerca de 4 mil toneladas de CO2 a menos por ano. _

O que falta para que responsáveis antecipem impactos do clima?

Habitual consumidora de informações meteorológicas, a jornalista que assina esta coluna viu, há quase uma semana, que a previsão era de temperatura máxima de 34ºC na segunda-feira e 22ºC ontem. Consciente dos efeitos da mudança do clima, houve uma busca por medidas que prevenissem efeitos de uma tempestade mais severa.

Se um indivíduo medianamente informado pode absorver informações simples de entender, por que quem tem mais estrutura, orçamento e, sobretudo, responsabilidade, não faz o mesmo? Desde a enchente de maio de 2024, que daqui a pouco completa um ano, qualquer chuva mais forte alaga Porto Alegre. Foi assim que o ano começou na capital gaúcha.

A prefeitura, que tem contratado empresas e feito visitas internacionais para aprender a lidar com enchentes, na hora em que o cidadão precisa, o que faz? Pede que atrase a saída de casa para colaborar. A essa altura já com quase quatro anos de conhecimento acumulado sobre as características do Rio Grande do Sul, a CEEE Equatorial segue responsabilizando... as árvores.

O que ainda precisa acontecer em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul e no mundo para dar o senso de urgência necessário aos responsáveis em garantir que as tempestades tenham o menor impacto possível na vida dos cidadão?

Ainda não foi possível entender que vai acontecer de novo? E de novo e de novo? Atuar de maneira responsável é pensar no dia de amanhã e, infelizmente, não há um futuro sem tempestades mais severas e mais frequentes à vista.

Limite superado

A meta das Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, as COPs, ainda é limitar o aumento da temperatura do planeta a 1,5ºC. Em 2024, esse limite já foi superado. Não há outra alternativa: é preciso se preparar com urgência para um clima mais hostil. Se não for assim, será o dia depois de amanhã. _

GPS DA ECONOMIA


02 de Abril de 2025
POLÍTICA E PODER - Rosane de Oliveira

Se nem o básico foi feito, como esperar obras?

Passado o temporal que trouxe no último dia todas as "águas de março" sonegadas ao longo do mês, os porto- alegrenses e moradores da Região Metropolitana têm a sensação de que o despreparo era maior do que se imaginou logo depois da ventania e da bomba d?água. As entrevistas dos responsáveis por serviços afetados pela chuva passam a impressão de que o básico não foi feito - e aqui não se fala de grandes projetos, mas de trabalho de manutenção das redes elétricas, dos bueiros, das bocas de lobo, das casas de bombas.

Comecemos pela CEEE Equatorial. A empresa não tem culpa se o vento chegou a 111km/h, mas o resultado é que mais de 300 mil residências em algum momento ficaram sem energia e 58 mil estavam assim até o final da tarde de ontem. Quem circula pela cidade sabe que a Equatorial tem postes inclinados há meses, alguns sustentados pelo acúmulo de fios que ninguém se responsabiliza por tirar.

A falta de energia é a justificativa do Dmae para a casa de bombas número 16 não ter funcionado, alagando a Cidade Baixa, e para as estações de tratamento de água Moinhos de Vento, São João e Belém Novo terem parado de funcionar, o que deixou milhares de famílias sem água em diferentes bairros de Porto Alegre. Será essa a nossa sina cada vez que chover?

O diretor-geral do Dmae tentou consolar os afetados pelos alagamentos com a explicação de que em outras áreas da cidade, como Sertório e Lindoia, não ocorreram problemas. Os ouvintes do Gaúcha Atualidade correram a explicar que o motivo não tem relação com as bombas (agora com geradores), mas com a escassez de chuva. É que o dilúvio registrado na Zona Sul e na Central não chegou à Zona Norte.

Na Avenida José de Alencar, que o Dmae diz tratar como prioridade, a coluna identificou em bocas de lobo (melhor dizer "de jacarés", pelo tamanho) sacos plásticos, uma planta de pelo menos 20 centímetros e até um cavalete da EPTC. Se a população não cuida, como evitar alagamentos?

Ao longo do dia, sinaleiras em cruzamentos movimentados seguiam apagadas e sem agentes para orientar o trânsito. Exemplo? Ao meio-dia, no cruzamento da Ramiro Barcelos com a Protásio Alves, os semáforos estavam inativos, e atravessar a avenida virou uma roleta-russa pela ausência de azuizinhos.

Para não ficar só nas obrigações da prefeitura, é preciso relembrar que os alertas da Defesa Civil, na véspera, não foram levados a sério nem pelo governo do Estado, que só cancelou um evento ao ar livre no Morro Santa Tereza quando os convidados (entre eles o diretor-geral do Dmae) já estavam a caminho.

Até aqui, o que mais se viu foram reuniões para decidir como tocar a reconstrução do Estado em geral e de Porto Alegre em particular. E os cerca de R$ 6,5 bilhões liberados pelo governo federal para as obras de prevenção às cheias dormindo (e rendendo) à espera dos projetos. _

Thalis será embaixador de jantar do ICD-RS

O primeiro compromisso institucional do marido do governador Eduardo Leite, Thalis Bolzan, desde a sua mudança para Porto Alegre, será no papel de embaixador do jantar anual do Instituto da Criança com Diabetes (ICD-RS), no dia 10 de julho, na Associação Leopoldina Juvenil, na Capital. O jantar conhecido como Ilhas da Gastronomia contará com a participação voluntária de pelo menos 16 renomados chefs de cozinha do Estado.

O convite a Thalis foi entregue ontem pelo presidente do ICD-RS, Balduino Tschiedel, médico endocrinologista.

Natural do Espírito Santo, Thalis foi escolhido por ser marido do governador e por ter especialização em endocrinologia pediátrica pela Universidade de São Paulo (USP), onde também cursou mestrado com foco em obesidade em adolescentes.

No início deste ano, mudou-se para Porto Alegre, onde reside com Leite no Palácio Piratini e tem consultório médico. Thalis oferece atendimento especializado no tratamento de obesidade, complicações associadas e distúrbios endocrinológicos, o que também motivou o convite do Instituto. _

Defensoria Pública regulamentou novo penduricalho

Não são apenas os membros do Ministério Público e os magistrados, como destacou a coluna, que estão usufruindo do novo privilégio chamado licença compensatória. Desde 1º de março, os defensores públicos podem escolher se querem uma folga a cada três dias trabalhados ou se preferem converter a "licença" em dinheiro e ganhar o adicional como verba indenizatória, sem incidência de Imposto de Renda.

É mais um penduricalho isento de IR, mesmo sendo dinheiro que entra na conta de defensores, promotores, procuradores, juízes e desembargadores e engorda o subsídio em um terço.

Cheia de "considerandos", a resolução da Defensoria Pública-Geral do Estado, assim como a do Ministério Público, foi publicada às vésperas do Natal, quando a imprensa está com a guarda baixa - é preciso reconhecer.

Só veio à tona agora, porque chegou a hora de usufruir da vantagem. _

Assembleia vai discutir ferrovias

Por iniciativa do deputado estadual Miguel Rossetto (PT), a Comissão de Finanças da Assembleia discute no dia 9 a situação das ferrovias no Estado, praticamente abandonadas pela Rumo, concessionária do serviço. Rossetto diz que é inadmissível o RS ser desconectado da malha ferroviária federal, situação que se desenha diante do desinteresse da Rumo em continuar explorando o serviço.

A concessão vence em 2027, mas a empresa não fez a recuperação das vias danificadas pela enchente e só demonstra interesse por uma linha, a que liga Cruz Alta a Rio Grande. O vice-governador Gabriel Souza pediu ao Ministério dos Transportes a liberação do trecho usado para o trem turístico, no Vale do Taquari, mas Rossetto entende que não basta:

- O Rio Grande do Sul precisa entrar no Plano Ferroviário Nacional e usar as ferrovias para transportar a produção e receber o que compra de outros Estados. _

Secretário comemora avanço em acessos

Desde que tomou posse na Secretaria de Logística e Transportes em 2019, Juvir Costella assumiu o compromisso de levar acesso asfáltico aos 62 municípios que ainda não tinham. De lá para cá, o governo empenhou R$ 635 milhões para as obras, investimento que é comemorado por Costella como o "maior da história" com recursos próprios do Estado.

Foram 24 novos acessos concluídos nesses seis anos, faltando 38 para completar o mapa. _

mirante

Apesar de a indicação do chefe do Ministério Público não passar pela Assembleia, os candidatos serão convidados a expor seus planos na CCJ.

Mesmo com o Republicanos discutindo fusão ou federação, os cinco deputados estaduais da sigla declararam apoio a Luciano Zucco (PL) para governador.

POLÍTICA E PODER

terça-feira, 1 de abril de 2025


01 de Abril de 2025
CARPINEJAR

Não Olhe para Cima

A grande questão não é se Eduardo Leite deve ou não comprar um jato de, no mínimo, R$ 95 milhões, é se a aquisição constitui uma prioridade do momento diante da reconstrução do Estado.

Acredito que não seja uma urgência. Não transcorreu nem um ano do maior desastre ambiental da história gaúcha. Não estamos em condições de contar vantagem. Pelo contrário, nossa economia não se refez depois do baque monstruoso.

Em coluna anterior, eu até recomendei que o governador andasse menos de helicóptero e mais de carro, para constatar o quanto falta consertar das nossas estradas. São raras as exceções de boa trafegabilidade. Mais de 70% das rodovias se encontram nas categorias de regular, ruim e péssima. Nunca sofremos com tantas fatalidades - de acordo com dados do Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM), houve aumento de 14% de acidentes nos dois primeiros meses em comparação ao início de 2024.

Não é planando no céu que ele testemunhará os buracos, os acessos bloqueados e as vias interrompidas. Certamente, chegará mais rápido a todas as comarcas, mas jamais entenderá o suplício que é chegar até elas.

Ainda mais sabendo que o valor sairá do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), destinado ao enfrentamento da calamidade. O armistício das parcelas não repassadas à União pela suspensão temporária do pagamento da dívida estadual tem que ser usado exclusivamente para esse propósito. Foi criado para esse propósito.

Não faz sentido agora uma aeronave no fim do mandato. O governador estará andando a jato enquanto o Rio Grande do Sul segue com uma velocidade de monomotor para a sua recuperação.

Que ele deixe o próximo mandatário decidir. O investimento vai soar como instrumento para sua campanha eleitoral presidenciável - se seu nome for confirmado na corrida -, justamente no período de convenção e formação de alianças. Como ele não está mais apto a se candidatar ao Piratini, devido a sua reeleição, a oposição pode assumir a narrativa de que será seu transporte para renovar a sua base eleitoral em âmbito nacional.

Milhares de pessoas nem receberam a sua casa após as perdas da enchente. Estamos longe da metade da projeção de 17,3 mil novas residências a desabrigados, prometidas pelo Planalto.

Se o governador pretende acelerar a doação de órgãos ou a remoção de pacientes em estado crítico - já que o avião apresentaria também essa função -, que ele arque com as despesas diretamente de nossa receita e nomeie seu uso somente para tal finalidade nobre, numa espécie de Samu dos céus. Sem que o veículo seja rateado para viagens ou demandas específicas de sua agenda de visitas e cobertura de eventos.

Pela suposição, uma das opções seria o modelo Phenom 300, da Embraer, um dos mais vendidos no mundo, que teria o custo fixo mensal entre R$ 90 mil e R$ 120 mil.

Já temos duas aeronaves: um Caravan e um King Air. É um luxo incrementar a frota. O que precisamos cuidar é de sua fiscalização para voos seguros.

Não é com um aviãozinho seminovo que combateremos futuras inundações e iremos amparar a Defesa Civil, mas com obras no sistema de drenagem, reativação de casas de bombas, desocupação das áreas de risco, abertura de reservas florestais nas margens ribeirinhas para o escoamento das águas, alargamento do canal de Rio Grande, campanhas de despoluição e multas rigorosas a indústrias que despejam resíduos nos rios.

Nossas proteções envelheceram. Parece que está tudo bem, e não está. Continuamos tão despreparados quanto no ano passado para as cheias. Já acenamos demais dos telhados de nossas moradas submersas. Não queremos repetir a cena icônica da tragédia. 

CARPINEJAR


01 de Abril de 2025
NÍLSON SOUZA

Dia de todos

Quem nunca disse uma mentira que lance o primeiro tuíte - o que já será uma falsidade, pois essa mina de ouro do senhor Elon Musk agora se chama X. Bem que as postagens na rede social das ideias curtas podiam ser rebatizadas de xistes. Assim teríamos, pelo menos em português, uma palavra homófona do nosso chiste, que define exatamente a brincadeira, a pilhéria, a mentirinha destinada a fazer rir.

O Dia da Mentira - que a pátria amada e idolatrada celebra em 1º de abril desde muito antes do golpevolução de 1964 - também é conhecido como Dia dos Bobos e Dia dos Tolos. Talvez fosse mais apropriado chamá- lo de Dia de Todos, uma vez que mentir e acreditar fazem parte da natureza humana. Está bem, vamos ser politicamente corretos: Dia de Todos e de Todas.

Dizem os historiadores (dá para crer neles?) que a origem e a data do Dia da Mentira no Brasil são de responsabilidade de um jornal mineiro chamado exatamente A Mentira, cuja primeira edição, em 1828, noticiou "por brincadeira" a morte do imperador Dom Pedro I - que viria a ocorrer mais de seis anos depois, em Portugal. (Antes que os historiadores me devolvam: dá para crer nos jornalistas?)

E nos blogueiros? E nos influenciadores? E no tio do Zap? E na inteligência artificial? A tecnologia digital e as redes sociais ampliaram de tal forma o poder de fogo dos mentirosos que mesmo os setores mais liberais da sociedade clamam por regulamentação. Nesse contexto, o jornalismo profissional - aquele que investiga os fatos com responsabilidade, incomoda os poderosos e ouve todos os lados - tornou-se um dos principais aliados de quem realmente busca a verdade. Claro, agora estou me referindo às mentiras maldosas, criadas, plantadas e divulgadas para enganar crédulos e beneficiar corruptos.

Mas a mentirinha inocente, para celebrar o dia de hoje, está liberada. Postem à vontade. Mas - por favor! - sejam criativos, pois são tantas as mensagens ardilosas que recebemos todos os dias de farsantes, golpistas e criminosos que não vamos cair em qualquer esparrela. Não me venham com a morte do imperador - seja ele quem você imaginar. Nessa não vamos embarcar de novo. Além disso, leva seis anos para acontecer. _

NÍLSON SOUZA

01 de Abril de 2025
OPINIÃO DA RBS

Para recuperar o dinamismo do RS

A preocupação com a perda de participação do Estado no total de riquezas produzidas no Brasil e no sul do país se renova com os números e as constatações trazidos na entrevista da economista Juliana Trece à colunista Marta Sfredo, publicada ontem em Zero Hora. Juliana integra o Núcleo de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e coordena o Monitor da Atividade Econômica da instituição, que fez uma análise sobre o desempenho da atividade regional desde o início do anos 2000. A conclusão é a de que o Rio Grande do Sul tem de encarar as suas fragilidades e reagir para recuperar o dinamismo perdido.

É gritante a discrepância do desempenho do Estado na comparação com Santa Catarina. Enquanto o PIB catarinense avançou a uma média anual de 2,5% entre 2001 e 2024, no Rio Grande do Sul o crescimento foi de 1,5%. Em 2002, os gaúchos representavam 40,9% da economia do Sul, na liderança folgada entre os três Estados. Na última série disponível, de 2022, a fatia era de 35,5%. Há cerca de uma década Rio Grande do Sul e Paraná se alternam na posição de maior PIB. Os paranaenses permaneceram estacionados em termos de participação. O percentual de Santa Catarina pulou de 22,6% para 27,8%.

Algumas das percepções não são novidade, mas convém reforçá-las. Em primeiro lugar, desequilíbrio das finanças públicas prejudica a performance econômica no longo prazo. Outra observação é a de que a grande dependência do Rio Grande do Sul da agricultura passou a ser mais arriscada devido à maior instabilidade climática. Sucessivas estiagens derrubam ou freiam o PIB do Estado nos últimos anos. Passa da hora de depender menos da chuva. Em Santa Catarina, o setor de proteína animal, menos sujeito a oscilações bruscas, iguala-se em peso à agricultura.

Outra conclusão, ligada à anterior, é a premência de diversificar mais a economia, para depender menos do desempenho incerto do campo. Juliana destaca a evolução catarinense em frentes como tecnologia e inovação. "Quando a inovação é forte, a indústria se beneficia", conclui, ao notar um crescimento setorial disseminado em Santa Catarina. O dinamismo atrai mão de obra e aumenta população. Em 2000, o Estado vizinho tinha cerca de 5,3 milhões de habitantes, conforme o IBGE. Em 2022, a estimativa indicava mais 7,6 milhões. Neste intervalo, os moradores do Rio Grande do Sul permaneceram na casa dos 10 milhões.

Diagnósticos não faltam aos gaúchos. Resta dar celeridade à reação, perceptível em alguns aspectos, como o incentivo à inovação e à produção de conhecimento em centros de pesquisa e tecnologia ligados a universidades, indústrias e companhias de outras áreas, além de hubs como o Instituto Caldeira, na Capital, que incentivam o surgimento de negócios disruptivos e ajudam a formar talentos para a nova economia, na qual o Estado deve se inserir com protagonismo. 

Há outras iniciativas do gênero no Interior com o mesmo objetivo. O Pacto Alegre, criado há seis anos para impulsionar o desenvolvimento da capital gaúcha, vai em sentido semelhante. Assim como os esforços para sediar o South Summit, que em breve terá a quarta edição, também se inserem neste contexto de despertar e de agir. 

OPINIÃO DA RBS

01 de Abril de 2025
GPS DA ECONOMIA - Marta Sfredo

Dólar contraria aversão global a risco por Trump

Na antevéspera do 2 de abril, o "liberation day" de Donald Trump, bolsas caíram mundo afora e moedas de países emergentes perderam força ante o dólar. Mas o câmbio andou na contramão da manada: o dólar caiu 0,93% ante o real e fechou em R$ 5,706, por um triz não saindo do patamar de R$ 5,70.

Assim como disse não ter a menor preocupação com o provável aumento de preço dos veículos para os americanos, o presidente dos EUA não tentou colocar nem curativo para estancar a sangria nas bolsas internacionais. Fez questão de negar que as "tarifas recíprocas" serão restritas a países que têm mais superávit nas trocas comerciais, como circulou na semana passada.

Trump ainda insistiu que as alíquotas adicionais levarão em conta barreiras não-tarifárias em outros países, sem detalhar como será feito o cálculo nem definir uma data para essa outra tática comercial:

As bolsas europeias tiveram quedas acentuadas, acima de 1%, como a alemã Dax (1,33%) e a francesa CAC (1,58%), mas nada perto do tombo de 4,05% da japonesa Nikkei. No Brasil, a queda também passou de 1%, mas a B3 costuma ter variação mais intensa do que os pregões de países desenvolvidos.

O governo brasileiro intensificou os contatos com o governo americano nos últimos dias, e estava previsto para ontem telefonema entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o chefe do United States Trade Representative (USTR, principal órgão de comércio internacional dos EUA), Jamieson Greer. Um dos principais objetivos é obter uma quantia mínima (cota) para que o aço brasileiro mantenha o tratamento atual, tal como foi negociado no primeiro mandato de Trump. _

Razões da restrição da concessão de cidadania

Para muitos brasileiros, a decisão do governo da Itália de restringir o direito à cidadania a netos de imigrantes foi uma surpresa. Mas há anos se discutia publicamente no país e, em especial, pelo gabinete de Giorgia Meloni, primeira- ministra que chegou ao poder por meio do partido Fratelli d?Italia, apontado como herdeiro político do fascismo (o original) de Benito Mussolini.

Então, este é um dos primeiros motivos: assim como vários partidos de extrema direita no mundo, o Fratelli tem como lema "Deus, pátria e família". Um dos argumentos do atual governo para cortar o acesso a descendentes é o de que eles não exercem a cidadania de fato, ou seja, não cumprem "os direitos e deveres" de um italiano.

O que é só discurso é a justificativa de que, com as restrições, a Itália quer se alinhar às regras dos demais países europeus. O Fratelli d?Italia é um partido antieuropeísta, ou seja, crítico da União Europeia. Governos muito mais alinhados a Bruxelas não ousaram mexer nas regras de cidadania.

Poucas semanas antes da decisão, foi ao ar edição do programa Presa Diretta, focado em investigação jornalística da RAI, TV pública italiana, focado na questão da cidadania a descendentes de italianos. A reportagem esteve no Brasil e mostrou, em São Paulo, como escritórios transformaram assessoria na obtenção do passaporte em negócio. Mostrou como vivem descendentes de italianos no interior de Santa Catarina, com direito a "Confraria da Polenta" e outros hábitos herdados dos antepassados, mas também uma paulista resumiu assim para a repórter italiana seu interesse em um passaporte:

- Fica mais fácil para viajar a Miami.

O programa deu visibilidade ao efeito de uma regra em particular: se o pedido de passaporte não fosse respondido em até dois anos, o interessado poderia ingressar direto na Justiça, sobrecarregando tribunais das regiões de onde mais saíram italianos, como o Vêneto. Conforme o Ministério das Relações Exteriores da Itália, há 60 mil processos judiciais pendentes para obtenção de cidadania.

Também segundo o ministério, entre 2015 e 2024, o número de cidadãos italianos residentes no Exterior aumentou de 4,6 milhões para 6,4 milhões - 40% em 10 anos. _

Para levantar as sobrancelhas

O anúncio sobre a redução do preço do diesel da Petrobras fugiu do padrão e levantou sobrancelhas no mercado. A diminuição de 4,6% nos valores cobrados pelas refinarias da estatal não foi comunicada por uma nota impessoal, como é padrão na estatal.

Contrariando prática já adotada há muitos anos, desta vez o anúncio foi feito pessoalmente pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante evento no BNDES, "vizinho" da sede da petroleira no Rio de Janeiro. Tratava-se do protocolo de intenções sobre um programa ambiental com o banco público de apoio ao investimento. A executiva avisou que não há planos para baixar a gasolina.

É grave? Não, mas mesmo assim provocou estranhamento no mercado, habituado à liturgia mais impessoal. Atrelar a imagem da presidente da estatal a um anúncio de redução de preço pode ser conveniente. Mas será que também seria dessa forma se fosse aumento?

Neste momento em que o Brasil enfrenta inflação alta, especialmente nos alimentos, o diesel é estratégico. Como cerca de 90% das mercadorias viajam de caminhão no país, a redução do diesel pode amortecer o custo do frete e, por consequência, ajudar a desacelerar os preços da comida. Claro, se for repassado. _

Após cheia, empresa dobra faturamento

Localizada no 4º Distrito, em Porto Alegre, onde a água fez estrago em maio de 2024, a CenterSteel teve de fechar por um mês durante a enchente. Apesar da cheia, a empresa sobrevive. E não só: duplica seu faturamento.

A CenterSteel produz o light steel frame, sistema construtivo que usa peças de aço galvanizado, consome menos água e é mais rápido do que outros padrões de construção. A expansão para o mercado americano fez a empresa aumentar o faturamento, além de expandir em 40% a contratação de mão de obra.

A partir de uma demanda internacional, adaptamos todo o processo interno. Estamos prontos para qualquer outra demanda que chegar dos Estados Unidos - diz o gerente comercial da CenterSteel, Fabio Ghessi.

Além de Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina e Chile, a empresa tem projetos em Massachusetts, nos Estados Unidos. Para 2025, já está em negociação para fornecimento de 180 casas de 400 metros quadrados na Flórida. Ainda prevê entrar no mercado do Texas e da Carolina do Sul. Criada em 2011, a CenterSteel tem operação em Porto Alegre e Piracicaba (SP). _

GPS DA ECONOMIA