
erapia para falar só do seu par
Você percebe que está se anulando no relacionamento quando passa a usar o espaço da terapia somente para falar do marido ou da esposa
É saudável comentar o casamento numa análise, ou em algumas delas, mas a reincidência do tema ou a sua exclusividade aponta um alto grau de subordinação, de sujeição, de dependência.
Você percebe que está se anulando no relacionamento quando passa a usar o espaço da terapia somente para falar do marido ou da esposa. Gasta toda a sua sessão exorcizando os desentendimentos, a desvalorização, o pouco apreço ao que pede e ao que sente falta.
Transforma-se em reflexo no espelho, em eco de uma ausência. Paradoxalmente, paga o atendimento pelo seu par, medica-se para suportá-lo, esquecendo-se de discorrer sobre si e explorar as suas questões pessoais.
Reduz o divã a um tanque para lavar roupa suja da intimidade, pois fica obcecado em encontrar uma saída que não seja a separação. É saudável comentar o casamento numa análise, ou em algumas delas, mas a reincidência do tema ou a sua exclusividade aponta um alto grau de subordinação, de sujeição, de dependência. Você se revela intoxicado pela neurose.
Desperdiça o intervalo dedicado a se pensar para continuar discutindo com alguém que não está ali — e nem se interessa pelo consenso.
Adaptar-se é uma virtude. Você consegue compor dissidências, interpretar o ponto de vista antagônico, conciliar versões, afastar-se dos seus medos e inseguranças, não reprisar os seus traumas nem alargar as suas feridas. Só que ela não pode ser aplicada com exagero, porque existe diferença entre se adaptar e ser submisso.
Silenciar contrariedades, engolir desaforos, jurar que é capaz de ceder novamente, num rol permanente de privações, não é se ajustar, mas desaparecer. Você atravessa a fronteira quando se preocupa mais com o que seu cônjuge diz a seu respeito do que com suas próprias impressões. Ou quando você se aflige mais com o destino do casal do que em engatar seus projetos e sonhos.
O sinal de perigo surge no momento em que prevalece uma tensa diplomacia para qualquer obviedade, um “tanto faz” da sua interlocução que o obriga a decidir sozinho sempre e arcar, isoladamente, com as consequências de uma escolha que deveria ser a dois.
Amor não é sobrecarga, e sim fermento da multiplicação de focos, leveza no trato, mesmo diante das dificuldades. Cada um contribui com a sua parte, e todos celebram a responsabilidade juntos.
Às vezes nos adaptamos em excesso para garantir a felicidade do outro, e acabamos nos tornando tristes: sem tempo para o autocuidado ou para nos entreter com o que gostamos. Condicionamo-nos a antecipar as críticas, a nos viciar nas respostas e a nos indispor com as perguntas.
A simbiose se acentua com a culpa de procurar os amigos. Você começa a emprestar as amizades para se permitir desfrutá-las. Já não sai desacompanhado, os programas são conjuntos ou não acontecem.
Se tudo é partilhado, significa que você se neutralizou por completo. Na verdade, tudo é pertencimento alheio, dado em troca — inclusive seus amigos antigos, de antes da relação.
A partir dos efeitos das consultas, é possível que você acredite ter obtido maior qualidade na convivência. Porém, não foi quem você ama que melhorou: é você que vem se esforçando mais, preenchendo as lacunas, compensando os vazios.
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