terça-feira, 30 de dezembro de 2025



30/12/2025 - 08h00min
Frei Jaime Bettega

A melhor ótica para olhar a vida é o realismo

Um cuidado necessário: não se fixar apenas nos acontecimentos negativos. Bom Dia! Penúltimo dia do ano... Que alegria ter chegado até aqui... Um cuidado necessário: não se fixar apenas nos acontecimentos negativos, diante do balancete anual... 

O fato de estar vivo já é, por si só, um fato mais do que notável... Sejamos profundamente agradecidos por tudo... Feliz dia!  "Um coração agradecido vê milagres onde o distraído vê rotina."

A melhor ótica para olhar a vida é o realismo. É imprescindível ser realista, pois o bem e o mal convivem diuturnamente. Tenho consciência e, ao mesmo tempo, sou testemunha de que o bem é disparadamente vitorioso. A todo instante vejo milagres acontecendo. Confesso que desconheço a rotina, pois meus dias são cheios de surpresas. Então, sejamos agradecidos. A gratidão não muda os fatos, muda o modo como eles são vistos. Quando o coração aprende a agradecer, a vida ganha profundidade e o cotidiano se transforma em território sagrado. 

O que antes passava despercebido começa a revelar beleza, cuidado e presença. O simples respirar, o amanhecer silencioso, a mesa posta, a palavra recebida no tempo certo, tudo passa a ser reconhecido como dom. A distração, por outro lado, cria pressa, gera insatisfação constante e nos convence de que sempre falta algo. O coração distraído corre atrás do extraordinário e ignora o essencial. Já o coração agradecido descobre que o milagre não está apenas no que foge do comum, mas no que sustenta a vida todos os dias. A gratidão desperta sensibilidade. 

Ela afina o olhar, acalma a ansiedade e ensina a perceber que há muito mais cuidado do que percebemos quando estamos imersos em reclamações ou comparações. Não se trata de negar dificuldades, mas de não permitir que elas nos ceguem para o bem que continua existindo. Mesmo nos dias mais simples, há sinais silenciosos de graça: um gesto de gentileza, uma força interior que sustenta, uma paz que chega sem explicação. 

A gratidão nos educa a viver com mais presença, porque só quem está atento consegue agradecer de verdade. Ela nos devolve ao agora, ao que é possível, ao que está ao alcance. Quando o coração agradece, ele se expande. E nessa expansão, aquilo que parecia rotina revela sua face milagrosa. A vida não muda de cenário, muda de significado. 

O mesmo caminho se torna mais leve, o mesmo dia mais habitável, a mesma realidade mais luminosa. A gratidão é uma escolha diária, um exercício espiritual que transforma o modo de existir. Quem cultiva esse olhar aprende que o milagre não é exceção, é permanência. Ele acontece todos os dias, em silêncio, sustentando cada passo. Basta um coração atento para reconhecê-lo. Bênção! Paz & Bem! Santa Alegria! Abraço!



29/12/2025 - 18h37min
Fabrício Carpinejar 

erapia para falar só do seu par

Você percebe que está se anulando no relacionamento quando passa a usar o espaço da terapia somente para falar do marido ou da esposa

É saudável comentar o casamento numa análise, ou em algumas delas, mas a reincidência do tema ou a sua exclusividade aponta um alto grau de subordinação, de sujeição, de dependência.

Você percebe que está se anulando no relacionamento quando passa a usar o espaço da terapia somente para falar do marido ou da esposa. Gasta toda a sua sessão exorcizando os desentendimentos, a desvalorização, o pouco apreço ao que pede e ao que sente falta.

Transforma-se em reflexo no espelho, em eco de uma ausência. Paradoxalmente, paga o atendimento pelo seu par, medica-se para suportá-lo, esquecendo-se de discorrer sobre si e explorar as suas questões pessoais.

Reduz o divã a um tanque para lavar roupa suja da intimidade, pois fica obcecado em encontrar uma saída que não seja a separação. É saudável comentar o casamento numa análise, ou em algumas delas, mas a reincidência do tema ou a sua exclusividade aponta um alto grau de subordinação, de sujeição, de dependência. Você se revela intoxicado pela neurose.

Desperdiça o intervalo dedicado a se pensar para continuar discutindo com alguém que não está ali — e nem se interessa pelo consenso.

Adaptar-se é uma virtude. Você consegue compor dissidências, interpretar o ponto de vista antagônico, conciliar versões, afastar-se dos seus medos e inseguranças, não reprisar os seus traumas nem alargar as suas feridas. Só que ela não pode ser aplicada com exagero, porque existe diferença entre se adaptar e ser submisso.

Silenciar contrariedades, engolir desaforos, jurar que é capaz de ceder novamente, num rol permanente de privações, não é se ajustar, mas desaparecer. Você atravessa a fronteira quando se preocupa mais com o que seu cônjuge diz a seu respeito do que com suas próprias impressões. Ou quando você se aflige mais com o destino do casal do que em engatar seus projetos e sonhos.

O sinal de perigo surge no momento em que prevalece uma tensa diplomacia para qualquer obviedade, um “tanto faz” da sua interlocução que o obriga a decidir sozinho sempre e arcar, isoladamente, com as consequências de uma escolha que deveria ser a dois.

Amor não é sobrecarga, e sim fermento da multiplicação de focos, leveza no trato, mesmo diante das dificuldades. Cada um contribui com a sua parte, e todos celebram a responsabilidade juntos.

Às vezes nos adaptamos em excesso para garantir a felicidade do outro, e acabamos nos tornando tristes: sem tempo para o autocuidado ou para nos entreter com o que gostamos. Condicionamo-nos a antecipar as críticas, a nos viciar nas respostas e a nos indispor com as perguntas.

A simbiose se acentua com a culpa de procurar os amigos. Você começa a emprestar as amizades para se permitir desfrutá-las. Já não sai desacompanhado, os programas são conjuntos ou não acontecem.

Se tudo é partilhado, significa que você se neutralizou por completo. Na verdade, tudo é pertencimento alheio, dado em troca — inclusive seus amigos antigos, de antes da relação.

A partir dos efeitos das consultas, é possível que você acredite ter obtido maior qualidade na convivência. Porém, não foi quem você ama que melhorou: é você que vem se esforçando mais, preenchendo as lacunas, compensando os vazios.



29/12/2025 - 14h26min
Fabrício Carpinejar

O que eu recomendo para esquecer alguém? 

Homem está inconsolável após término repentino de casamento. Leitor relata que a esposa terminou o relacionamento e ele não consegue esquecer. Abalado com o fim e sem saber como seguir em frente, ele admite que ainda ama a ex-companheira e pede um conselho ao Carpinejar.

No Desafio Sentimental GZH, leitor está inconsolável. A esposa terminou o relacionamento e ele não consegue esquecer, e me pergunta como eu posso esquecer. 

Primeiro, ninguém tem a obrigação de nos amar ou continuar nos amando. Amor é escolha. Você precisa deixar a porta aberta. Todos os dias a porta aberta. Não tem como forçar ou pressionar alguém a gostar de nós. Você não pode ficar com quem está contrariado, a relação nunca mais será a mesma. E não há nada pessoal. Ela não largou você. Ela largou a relação. A relação não serve mais para ela. Não foi algo que você fez ou deixou de fazer. 

O que eu recomendo para esquecer alguém? Não tem como esquecer alguém. As pessoas foram fundamentais e serão fundamentais em nossa vida, representando um momento precioso e decisivo da nossa trajetória. Você não tem como esquecê-la, mas tem como lembrar de você. Lembrar quem você era antes, o que você fazia, o que gostava, o que procurava, como se fazia feliz. Voltar a falar com os amigos, se aproximar da família. Você pode lembrar mais de você do que ela. 

O único jeito para se distanciar da dor da separação é se fazer mais presente, porque você esqueceu de cuidar de você. Quando sofremos por amor, esquecemos quem somos, o que representamos. Vivemos às custas do outro, dependentes do outro, buscando agradar o outro.

Agora é o momento de agradar você, é o momento do seu contentamento, de se fortalecer, de voltar a ser quem você já foi um dia.



29/12/2025 - 19h32min
Fabrício Carpinejar

As pandorgas sem censura

Em Saquarema, acho que pesquei a minha infância de volta. Estive em Saquarema, no interior do Rio de Janeiro. Antes de entrar na tenda da Feira do Livro para dar uma palestra, bastou-me ver o horizonte cheio de papagaios para sentir saudade da minha meninice.

Eu me impressionei com a quantidade de adereços coloridos serpeando pelo alto. Naquele lugar, o céu não fora ainda cancelado para as crianças. Rivalizava com o mar e empatava em número de frequentadores.

Experimentei essa sensação de liberdade, de flutuação, nos anos 70, quando não havia esse emaranhado feio e triste de cabos telefônicos e de energia elétrica em Porto Alegre. Encontrávamos mais espaço na rua, menos prédios, menos carros, mais largura de calçada para correr e avançar em grandes passadas retilíneas.

No solo, andávamos de carrinho de lomba. No céu, empinávamos pandorgas, sem olhar para o chão, sem tropeçar, em amizade leal com os paralelepípedos. Diferentemente da bola, cara e com potencial de destruição, capaz de quebrar vidraças e derrubar o que aparecesse pela frente, a engenhosidade caseira não custava nada e não ofendia ninguém.

Com papel seda, taquara, linha e cola já tínhamos o que precisávamos. Material simples e barato para tanta aventura e alegria, para testarmos nossas habilidades, para aperfeiçoarmos a coordenação motora e a percepção visual brincando. Aprendíamos aerodinâmica sem saber o nome disso.

A taquara era afinada a ponto de cortar como faca. Preparávamos as varetas e depois amarrávamos o cabresto por entre elas. Aos poucos, grudávamos a folha na madeira, esperávamos quinze minutos para fixar, com o relógio do sopro, impacientes.

O segredo estava na rabiola, uma tira longa feita de papel, fita ou tecido, atada à parte de baixo. Ajudava a estabilizar o invento no ar. Permitia que ele durasse. Vencesse o vento. Suportasse o peso. Desafiasse a chuva.

Lutávamos contra a derrota, que significava o estalo seco da ruptura da linha. Uma pipa perdida era um amor não correspondido. Mas a autoridade do menino que fui vinha justamente da dor, de suas experiências malsucedidas. Quanto mais acidentes, mais sábio ficava. Corrigia os defeitos a cada novo modelo.

Voávamos durante horas, com o radar dos nossos olhos acompanhando o objeto de desejo, que desviava dos telhados vizinhos — esses aeroportos de pousos forçados. Travávamos um dueto mudo, inclinando o pescoço para trás até doer. Pegávamos coragem no tranco, no meio do caminho.

Não havia maior sorriso de satisfação do que quando nosso aeroplano alcançava a brisa, encaixava-se certinho numa corrente e surfava a crista invisível das ondas do firmamento. As mãos restavam queimadas pela fricção do barbante. Retornávamos para o lar com o dedão arameado, vermelho, latejando.

Ganhava quem superava os muros, os postes, as árvores e conseguia ultrapassar os três metros de altura. Ganhava quem ia soltando a corda até o fim, como quem pescava as nuvens. Ganhava quem anoitecia, trocando o sol pela lua.

Em Saquarema, acho que pesquei a minha infância de volta.



30/12/2025 - 07h00min
Gisele Loeblein

Como o produtor deve encarar o desafio do juro alto em 2026

Em entrevista ao Campo e Lavoura, economista-chefe da Farsul falou sobre impacto desse cenário à atividade

O pagamento de dívidas altas e de curto prazo deve ser prioridade.

Dee karen / stock.adobe.com

Mesmo que a safra saia conforme projetada, 2026 seguirá sendo um ano de desafios para os produtores do Rio Grande do Sul. Principalmente porque há um passivo a ser resolvido, em um cenário de juro alto. A melhora só deve começar a ser percebida a partir do segundo semestre.

— Ainda assim, estará pior do que hoje, porque, infelizmente, vai piorar. Então, teremos de lidar com uma crise de crédito no ano que vem — pontua o economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Antônio da Luz. 

Ao falar sobre as perspectivas do agro para o próximo ano, no programa Campo e Lavoura da Rádio Gaúcha, ele reforçou que o pagamento de débitos deve ser uma das  prioridades na gestão:

— Vamos lidar com juros altos e precisamos ter uma preferência por quitar dívidas. Sempre começando pelas mais caras e de prazo mais curto. 

O economista explica que "dever muito" e "dever muito em um curto espaço de tempo" são coisas diferentes. Por isso, a prioridade deve ser para as dívidas de prazo menor. E para esclarecer, faz uma comparação. Dever R$ 200 mil em crédito imobiliário com, por exemplo,  30 anos para pagar, tem um peso. No cartão de crédito, outro.

— São os mesmos R$ 200 mil, mas no curto prazo têm um outro impacto. O que estamos vendo hoje é um alto endividamento bancário de curto prazo, fora do sistema financeiro. E temos um juro que eleva o montante dessa dívida todo santo dia — pondera.

A perspectiva é de que haja uma boa colheita, após a sequência de problemas climáticos no Rio Grande do Sul. Em se confirmando a colheita cheia, é importante que o produtos faça escolhas, com a pela liquidez sendo considerada "fundamental".

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025



28/12/2025 - 17h38min
Opinião da RBS

Mortes no trânsito não são fatalidades: é preciso mudar a cultura de mobilidade urbana

Os pedestres têm que ser o centro da mobilidade urbana, não apenas por serem mais numerosos, mas, principalmente, por configurarem a parte mais frágil do sistema

Contam-se aos milhares os acidentes de trânsito nas estradas do país durante o feriado do Natal e a previsão das autoridades policiais é de que o morticínio se repita na virada do ano, devido aos excessos de sempre: imprudência dos motoristas, alta velocidade, desrespeito à sinalização e ingestão de álcool antes de dirigir. Por mais que a fiscalização seja intensificada, os casos fatais costumam crescer nos períodos de grande movimentação. Isso sem contar ferimentos, mutilações e danos materiais. Será essa tragédia nacional uma fatalidade própria de países com grandes frotas de veículos automotores? A resposta é um NÃO! em letras maiúsculas, como demonstram nações detentoras de baixíssimos índices de mortes no trânsito, notadamente o Japão, a Suécia, a Noruega e a Holanda.

Um exemplo bem-sucedido dessa estratégia é o conceito de “visão zero”, criado na Suécia, pelo qual se popularizou a ideia de que nenhuma morte no trânsito é aceitável

O Brasil já avançou muito em termos de legislação preventiva e punitiva, mas ainda tropeça em aspectos essenciais como gestão pública, cultura da mobilidade, infraestrutura viária, fiscalização e, principalmente, prioridade política. É muito fácil atribuir a responsabilidade pelo descalabro no trânsito unicamente aos condutores de veículos, que realmente precisam ser educados e reciclados permanentemente. Não há fiscalização capaz de impedir um acidente quando os motoristas utilizam seus carros como armas. Mas a aplicação de políticas públicas consistentes acaba chegando aos cidadãos de modo a inibir comportamentos inadequados. 

Um exemplo bem-sucedido dessa estratégia é o conceito de “visão zero”, criado na Suécia, pelo qual se popularizou a ideia de que nenhuma morte no trânsito é aceitável. Assim, em vez de o poder público simplesmente responsabilizar os motoristas, assume o compromisso de projetar um sistema capaz de evitar falhas fatais. Claro, isso inclui planejar uma estrutura de trânsito mais amigável, com ruas, esquinas, cruzamentos e rodovias pensados para evitar riscos. A mudança de óptica sobre a fiscalização também conta. No Brasil, parcela expressiva da população vê os fiscais de trânsito como agentes arrecadadores, e não como servidores públicos preparados para proteger os cidadãos. Nos países referidos, a fiscalização é baseada em dados: locais perigosos são constantemente vigiados e a prioridade dos agentes é a orientação, nunca a armadilha à espera de deslizes.

Mudar a cultura, portanto, é a ação que precede as demais, começando pela educação das crianças, dos pedestres e dos condutores. Os pedestres têm que ser o centro da mobilidade urbana, não apenas por serem mais numerosos, mas, principalmente, por configurarem a parte mais frágil do sistema. Se a direção defensiva é essencial como recurso para evitar acidentes mesmo quando o outro motorista se comporta mal, a direção protetiva pode salvar vidas alheias com o uso dos mesmos recursos: atenção permanente ao redor, limitação da velocidade, observação da sinalização e distância do celular.

Acima de tudo, o enfrentamento das tragédias que se repetem periodicamente nas estradas e nas vias urbanas do país é uma questão de prioridade política, de gestão integrada e de ações continuadas — responsabilidade maior do poder público, dos governantes e dos demais representantes políticos.



28/12/2025 - 18h21min
Rosane de Oliveira

Oposição na Câmara vai protocolar mais um pedido de impeachment de Moraes

Deputado Cabo Gilberto dará entrevista coletiva nesta segunda-feira (29) e pedirá suspensão do recesso

Na esteira da crise de imagem pela qual passa o ministro Alexandre de Moraes, o líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto (PL-PB), pretende protocolar nesta segunda-feira (29) um novo pedido de impeachment. Antes, às 16h, o deputado dará uma entrevista coletiva para expor os motivos da oposição para acrescentar mais um pedido de impeachment à pilha que repousa na gaveta do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. 

A oposição também vai defender a suspensão do recesso parlamentar, alegando que o Congresso tem obrigação de investigar as denúncias que pesam contra Moraes.

O movimento da oposição é político, de demarcação de território. Os adversários do ministro sabem que, mesmo diante da acusação de que ele teria pedido ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para autorizar a venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília, as chances de Alcolumbre levar adiante o processo de impeachment são remotas.

Primeiro, que Galípolo não confirmou ter recebido algum tipo de pressão do ministro. Segundo, que o Banco Central liquidou o Master. Significa que se houve algum tipo de pedido, a autoridade monetária não deu atenção. Terceiro, que não há norma que impeça cônjuges ou filhos de ministros do Supremo Tribunal Federal de advogarem. 

O contrato de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master estaria na seara da ética e não do crime de responsabilidade.

Letícia Birkheuer rebate acusações do filho de 14 anos e acusa ex-marido de alienação parental

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Mas quem ousa questionar o deus carecone defensor da democracia comunista??

Denuncias contra Moraes? Tem são jornalistas procurando promoção a base de sangue dos outros, tipo Malu Gaspar, que desde a lava jato só faz jornalismo de teceira catergoria, assim como algumas da RBS, que propagam essas mentiras sem terem provas contra o Ministro do STF. Sem provas é fofoca. Penso que Moraes deva processar todos os que deveram continuidade a essas fofocas daquela jornalista da Globo que, a meu juízo faz o trabalho sujo com vistas e causar conflitos entre poderes da republica. Com quais interesses escusos? 

Quem está a patrocinar aquela jornalista para promover ou tentar promover mais um golpe? Seria a Faria Lima? seriam politicos poderosos que desviam bilhões em emendas parlamentares? Quem mais estaria interessado em desestabilizar a republica? Seria integrantes da familia Bolsonaro?



28/12/2025 - 22h00min
Ticiano Osório

"Tela Quente" exibe filme da Pixar que provocou polêmica

Vai ao ar nesta segunda-feira (29), na RBS TV, "Luca" (2021), animação dirigida por Enrico Casarosa

"Luca", de Enrico Casarosa: protagonista é um monstro marinho que se transforma em humano ao sair da água.

O longa-metragem de animação digital que a RBS TV exibe na Tela Quente desta segunda-feira (29), às 22h20min, é um dos mais polêmicos da Pixar, estúdio pertencente à Disney. Desde a estreia de Luca (2021), críticos de cinema e ativistas LGBTQIA+ perguntaram: é um filme gay? Depende.

Como convém a uma obra de arte, Luca está aberto a interpretações. Que podem variar de acordo com o olhar de cada espectador; podem sofrer o peso da bagagem cultural, emocional e social que cada um de nós carrega quando nos sentamos para ver um filme.

O desenho animado tem elementos — internos e mesmo externos, como a data de lançamento, ocorrida às vésperas do Dia do Orgulho LGBT+, em 28 de junho — que permitiriam trocar a interrogação por um ponto final. Por outro lado, o contexto histórico e o discurso do diretor, o italiano Enrico Casarosa, reforçam a dúvida. Seja como for, estamos diante de um filme extremamente afetuoso e divertido, mas também assertivo em suas mensagens sobre amizade, autoconfiança, preconceito e aceitação.

Luca surgiu em uma sequência de produções da Pixar que procuraram ampliar a diversidade, tanto nas tramas quanto nos bastidores. Viva: A Vida É uma Festa (2017), por exemplo, celebrou a cultura e as tradições do México. O oscarizado curta Bao (2018) foi escrito e dirigido pela chinesa Domee Shi e aborda hábitos familiares e a culinária de seu país. Depois, a mesma diretora assinou o longa Red: Crescer É uma Fera (2022). Soul (2020) trouxe o primeiro protagonista negro (embora caiba dizer que ele passa bastante tempo como uma alminha azul).

Em Luca, a Pixar viajou para a Itália, temperando o inglês do idioma original com músicas de Gianni Morandi e Rita Pavone e expressões e frases como "Santa Mozzarella!", "Silenzio, Bruno", "Ma sei scemo?" ou "Pronti, partenza, via!". Coautor do roteiro e estreante na direção de longas, Enrico Casarosa — indicado ao Oscar de curtas pelo belo A Lua (2011) — situou a história na fictícia Portorosso, cidadezinha litorânea da região de Cinque Terre, perto de Gênova. A diversidade também é temática: a Pixar deixa de lado a morte, o luto, o esquecimento e a obsolescência, tão presentes em títulos como Toy Story, Up: Altas Aventuras, Wall-E, Divertida Mente, Viva, Dois Irmãos, Soul...

Estamos em um lindo verão, realçado pelo laranja do céu, pelo azul do mar e pelo verde das encostas. Luca é um monstro marinho de 13 anos, inventivo e curioso — especialmente sobre o mundo da superfície, apesar (ou por causa) dos alertas de seus pais, Lorenzo e Daniela, sobre o perigo representado pelos humanos. A curiosidade vence o medo e o juízo quando Luca conhece outro adolescente, o independente e entusiasmado Alberto, louco para se divertir em terra firme, tomando gelatos e passeando de Vespa — as célebres motinhos italianas fabricadas a partir de 1946.

Ao saírem da água, Luca e Alberto assumem formas humanas e passam a interagir com a espevitada filha de um pescador, Giulia, uma estudante em Gênova que, nas férias de verão, busca, enfim, ganhar uma competição de triatlo (nadar, pedalar e comer macarronada). Seu maior rival é Ercole, o valentão local, um sujeito mais velho do que aparenta ser (e aqui há um recado de como a infância e a adolescência precisam ser protegidas da intromissão dos adultos). 

É fácil enxergar em Luca uma alegoria sobre a vivência de boa parte da população LGBTQIA+. O tempo todo, Luca e Alberto precisam esconder quem são para serem aceitos. Convivem com o temor de terem sua real natureza — sua real sexualidade, por assim dizer — descoberta. Os pais de Luca, por sua vez, preocupam-se com a possibilidade de a intolerância descambar para a violência.

Já a ambientação na Itália e a aproximação entre Luca, mais imaturo sobre a vida, e Alberto, mais experiente, suscitaram comparações com o romance homossexual vivido por Timothée Chalamet e Armie Hammer em Me Chame pelo seu Nome (2017), filme que, por coincidência, tem como diretor um xará do protagonista da Pixar: Luca Guadagnino. 

Em entrevistas, Enrico Casarosa foi categórico: disse que a história, baseada em suas memórias na mesma região, é "sobre uma amizade antes que namoradas e namorados compliquem as coisas", em um período da vida "anterior ao amor romântico". É um filme sobre crianças quebrando regras e descobrindo que o mundo é maior do que pensamos. 

E, de fato, também é maior o alcance desta fábula. Os monstros marinhos que vivem apartados dos humanos, com medo de serem desprezados, humilhados ou até agredidos, podem ser vistos como minorias étnicas ou religiosas, imigrantes ou refugiados. Mas o diretor diz entender quem vê Luca como uma obra eminentemente gay: "Essas teorias mostram o quanto nós queremos representatividade".

Dito isso, Luca frustra expectativas mas confirma uma tradição. A Disney, dona da Pixar, nunca deu protagonismo a personagens homossexuais — à exceção do curta da Pixar Segredos Mágicos (Out, 2020), que é exatamente sobre a dificuldade de um jovem contar aos pais que tem um namorado. A princesa Elsa, de Frozen (2013), foi reivindicada pelo movimento LGBT+, mas Frozen II (2019) não trouxe nenhum tipo de confirmação, apesar dos versos da canção Into the Unknown (Rumo ao Desconhecido) sugerirem o cruzamento de uma fronteira histórica. 

É verdade que não são muitos os personagens gays em animações. Há o casal de lésbicas April Sink e Miriam Forcible de Coraline (2009), do estúdio Laika, o Mitch de ParaNorman (2012), da mesma produtora, o viking Gobber, da franquia Como Treinar o seu Dragão (2010-2019), da DreamWorks, a Rubi e a Safira de Steven Universo (2019), do Cartoon Network, Katie, a protagonista de A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas (2021), da Sony. Mas a Disney parece ter mais problemas para lidar com o assunto. 

A empresa costuma alardear a presença de personagens gays, a ponto de classificá-los como "primeiro" mais de uma vez — foi assim com a animação Zootopia (2016), com a versão estrelada por atores de A Bela e a Fera (2017) e com Cruella (2021), por exemplo —, mas os momentos dedicados a valorizar a diversidade sexual passam quase despercebidos ou são irrelevantes para a trama. As referências feitas por tipos coadjuvantes são muito sutis, as cenas são muito breves — como o rápido beijo lésbico ao fundo de Star Wars: A Ascensão Skywalker (2019). Ou, então, a Disney emprega pompa e circunstância para anunciar algo que se revela minúsculo — como o homem comum de luto interpretado por Joe Russo em Vingadores: Ultimato (2019), dirigido por ele e seu irmão, Anthony.

É como se a Disney quisesse servir a dois patrões. Por um lado, vende uma imagem de inclusão e diversidade — dois valores em alta no meio empresarial e no tribunal das redes sociais - ao acenar para a comunidade LGBTQIA+. Por outro, cuida para que seus filmes - seus produtos, na verdade  não sofram censura ou boicote nos países (mercados) onde a homossexualidade é inibida ou mesmo criminalizada. 

Aliás, a Disney deu apoio à lei batizada de "Don’t Say Gay", que proíbe as discussões sobre identidade de gênero em escolas dos EUA. E empregados da Pixar afirmaram que a empresa censurou cenas entre personagens LGBQIA+ em diversas produções. Em Luca, a propósito, Giulia era para ser assumidamente lésbica.

Nesse sentido, é exemplar o caso de Artie, o sujeito obcecado por moda de Cruella. O ator que o interpreta, John McCrea, que é gay, declarou o seguinte sobre o personagem (e que, de certa forma, retomando o início deste texto, também vale para Luca):

Depende de para quem você está perguntando, eu suponho, mas para mim, sim, é oficial: ele é homossexual. Mas não vemos seus casos amorosos. Não há aspecto social no personagem. Não é algo que dê para afirmar em cheio.


28/12/2025 - 19h01min
Giane Guerra

Apesar da polêmica, lojas da Havaianas têm alta nas vendas de Natal em Porto Alegre

Três das cinco unidades da marca na Capital registraram crescimento nas vendas de chinelos

Em alguns estabelecimentos, certas numerações se esgotaram, mas foram rapidamente repostas.

A jornalista Isadora Terra colabora com a colunista Giane Guerra, titular deste espaço. 

A campanha publicitária da Havaianas, protagonizada pela atriz Fernanda Torres, vencedora do Globo de Ouro pelo filme Ainda Estou Aqui, gerou críticas e apelos por boicote em setores do eleitorado brasileiro na última semana. Apesar da polêmica, ao menos três das cinco lojas da Havaianas em Porto Alegre registraram aumento nas vendas de Natal. 

Na loja do Barra Shopping Sul, o desempenho foi classificado como “muito positivo”, segundo o gerente Stefan Levi, com vendas superiores às registradas no Natal do ano passado. 

A movimentação e a repercussão dos últimos dias acabaram alavancando ainda mais o fluxo analisou. 

No Shopping Total, a avaliação preliminar da equipe também apontou crescimento nas vendas em relação ao Natal de 2024. As numerações que haviam se esgotado já foram repostas. 

No Shopping Praia de Belas, na véspera de Natal, uma longa fila se formou em frente ao quiosque da marca. Alguns modelos, como os de numeração 36, já estavam esgotados. Situação semelhante foi registrada no quiosque do Bourbon Shopping Ipiranga, onde também havia fila e poucas opções de tamanhos disponíveis. As vendas desta última unidade foram consideradas elevadas. 

Apesar do movimento observado no Shopping Praia de Belas, a equipe da unidade não respondeu aos questionamentos da coluna sobre os números de vendas. A loja do Shopping Iguatemi também não retornou até o fechamento desta coluna. 

Procurada, a Alpargatas, dona da marca Havaianas, informou que os dados consolidados de vendas ainda não foram fechados.

sábado, 27 de dezembro de 2025



27/12/2025 - 04h00min
Fabrício Carpinejar 

A humildade é o nosso pijama

Entenda que a humildade é o nosso caráter, não visível, já a confiança é o nosso rosto, à mostra. Não se subestime. Não se rebaixe. Há pessoas que desejam nos humilhar, que aproveitam a nossa vulnerabilidade para pisar nos calos, nos pontos fracos, para nos expor indevidamente.

Eu me dei conta de que a humildade é um movimento interior, discreto, inflexível. Você só pode praticá-la consigo. Não é para espalhar aos outros: "como eu sou humilde".

Caso a sua intenção seja angariar simpatia, acabará perdendo respeito. Parecerá que aceita tudo, que qualquer coisa serve, que dá pouca importância para o seu dom. O discurso logo desemboca em uma inferiorização súbita, em que você se limita a papéis pequenos, prontificando-se a ser um mero coadjuvante.

Nada disso. Se você não defende o seu valor para o mundo, ninguém mais o fará. Todos querem tirar de você o máximo de trabalho pelo menor preço possível. Todos se deliciam com pretextos para que esteja disponível, para obter um desconto, para arrancar uma barganha.

Transmitirá uma imagem de desespero de opções, desprezo pela autoestima, transparecendo não desfrutar de grandes aspirações. Não convém. O exercício da humildade cabe unicamente dentro da solidão, a partir da labuta, do esforço, da disciplina.

Não se adequa à ostentação, não se trata de uma qualidade que você deve difundir por aí, para influenciar a opinião alheia.

O efeito sempre será o oposto do pretendido. Ao tentar se ver livre da soberba e da arrogância, ao fugir de ser identificado como ególatra ou chamado de megalomaníaco, cometerá o pecado maior de transformar a humildade em vaidade, em propaganda. Por isso existe a expressão "falsa modéstia".

É uma ferramenta que você somente usará para si, para o seu conhecimento, para o desenvolvimento do seu potencial — sem plateia, sem testemunhas. Só você tem condições de concluir se vem sendo humilde ou não. Mas, para fora, mantenha a linguagem da firmeza e da segurança, protegendo a sua riqueza, o seu tamanho, o alcance dos seus projetos.

A humildade é o nosso pijama. Você não sai na rua de pijama. Não frequenta restaurante de pijama. Não comparece a uma festa de pijama. A humildade é exclusivamente para você e para os mais próximos. É restrita para a intimidade, acessível a quem está em casa. É o seu momento reservado, o seu esconderijo de energia e fôlego, o seu reabastecimento de propósito. E, quando você foca naquilo de que depende para crescer, consegue estabelecer as suas prioridades, pôr empenho silencioso para realizá-las, espantar a inércia, concentrar-se nas tarefas mentais, demonstrar disposição, tomar a iniciativa, combater a procrastinação e o amuo.

Não indica uma postura externa, um privilégio para colocar no currículo, para contar vantagens. Não há meios de calcular, medir, explicar ou justificar o quanto você é verdadeiramente singelo.

Quando gostamos de nós mesmos, é fundamental nos elogiar publicamente, incentivar-nos em nosso círculo profissional, falar bem de quem somos e do que descobrimos sobre nós ao longo das árduas experiências e extensas terapias — desse processo duro da vivência de ganhos e sacrifícios.

O discernimento é absolutamente imprescindível: criar um filtro entre o que revelar e o que guardar para si.

Entenda que a humildade é o nosso caráter — não visível —, já a confiança é o nosso rosto — à mostra. A primeira acontece no território da sombra, feita do nosso suor, da fragilidade e insuficiência conscientes; a segunda é destinada a transitar na luz, a brilhar com o nosso invencível sorriso.



Meu ranking afetivo dos filmes lançados no Brasil neste ano tem obras da Austrália, do Brasil, dos EUA, da França e da Itália. Menções honrosas para "F1: O Filme", "Uma Bela Vida", "Sing Sing" e "A Natureza das Coisas Invisíveis"

Os melhores de 2025

Top 10

Filmes estão em exibição nos cinemas ou disponíveis no streaming

10º) "Uma Batalha Após a Outra" (2025)

De Paul Thomas Anderson. As duas horas e 40 minutos passam voando, porque o diretor fez uma mistura fascinante de comédia maluca, comentário político e filme de ação - incluindo sequência antológica de perseguição de carro. Sean Penn rouba a cena na pele do militar Lockjaw, sujeito ao mesmo tempo ridículo e perigoso, reprimido e agressivo. (HBO Max)

9º) "Vermiglio: A Noiva da Montanha" (2024)

De Maura Delpero. Em 1944, a chegada de um soldado desertor da Segunda Guerra Mundial transforma a imensa família do professor de uma vila alpina na Itália. Cesare, o docente, exerce um tipo diferente de patriarcado: não é violento nem chega a ser abusivo, mas rotula os próprios filhos e determina seus destinos. Dino, o mais velho, é tratado pelo pai como uma decepção. Ada, a filha do meio, tem um "limite" na vida escolar. (Canal Filmelier+ do Amazon Prime Video)

8º) "Oeste Outra Vez" (2024)

De Erico Rassi. Filmado na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, é o faroeste dos homens tristes, dos homens patéticos, dos homens que não conseguem falar sobre seus sentimentos. Na trama, Totó (Ângelo Antônio), inconformado pelo fato de a mulher que ama estar agora com outro homem, contrata um velho pistoleiro para tentar matar Durval (Babu Santana). (Telecine)

7º) "Misericórdia" (2024)

De Alain Guiraudie. Jérémie regressa à cidadezinha natal para o funeral do antigo patrão. Lá, ele decide ficar uns dias hospedado na casa da viúva. Sua presença causa estranheza na comunidade. Aconteceu algo no passado? Por que o protagonista não vai embora? Outro enigma a desvendar é sobre o próprio gênero do filme: é um policial? É sobre um romance proibido? É um drama sobre segredos de família? É uma comédia absurda? É uma reflexão sobre culpa e castigo? (Filmicca)

6º) "Pecadores" (2025)

De Ryan Coogler. Pelo menos uma cena desta mistura de drama histórico, musical blues e terror com vampiros já entrou para a história do cinema. É um plano-sequência na noite de abertura do clube dos gêmeos Fumaça e Fuligem (vividos por Michael B. Jordan), uma grande, contagiante e comovente celebração da música como meio de expressão das dores e das alegrias da comunidade negra, a música como veículo de acesso as suas origens e de prospecção por dias melhores, a música como um território de identidade, comunhão e liberdade. (HBO Max)

5º) "A Semente do Fruto Sagrado" (2024)

De Mohammad Rasoulof. O filme se desenrola no contexto dos protestos no Irã nascidos a partir das mortes de jovens que não usaram - ou usaram de forma considerada incorreta - o véu que cobre a cabeça e o pescoço das muçulmanas. O protagonista, Iman, acaba de ser promovido no Tribunal Revolucionário de Teerã. Mas o novo cargo obriga a romper com seus códigos morais e sua ética profissional: ele é orientado a assinar sentenças de morte sem sequer ler os relatórios dos casos. A agitação política nas ruas de Teerã inevitavelmente se reflete no lar de Iman, onde ele mora com a esposa devota, a filha universitária e a caçula, ainda adolescente. (Telecine)

4º) "Faça Ela Voltar" (2025)

De Danny Philippou e Michael Philippou. Após a morte do pai, o adolescente Andy e sua irmã caçula, Piper, são enviados para um lar adotivo, o da excêntrica Laura (Sally Hawkins, em atuação merecedora de indicação ao Oscar), que já acolhe um menino mudo. Logo começam a acontecer coisas estranhas neste filme australiano de terror que tem atmosfera sinistra e despudor para a violência gráfica (para a qual a sonoplastia é fundamental). O ritual macabro na sequência de abertura não é gratuito: deriva de uma dor emocional, é como uma súplica. Prepare-se para ficar perturbado. (HBO Max)

3º) "O Agente Secreto" (2025)

De Kleber Mendonça Filho.

2º) "Foi Apenas um Acidente" (2025) - De Jafar Panahi.

O filme brasileiro e o filme iraniano correm na mesma raia. Os dois podem ser definidos como thriller político; retratam a vida sob um governo autoritário, sempre impregnada pelo medo; mostram como a memória e a verdade podem ser turvas ou até manipuladas; abordam a dificuldade de lidar com um trauma que é tanto pessoal quanto coletivo; têm personagens estranhos uns aos outros que se reúnem por uma causa comum; pontuam a tensão e a violência com momentos cômicos; começam na estrada, seguindo a viagem de um carro; e terminam com uma cena que convida a refletir sobre seu significado. Com um epílogo mais poderoso, Foi Apenas um Acidente fica um degrau acima de O Agente Secreto. (Ambos estão em cartaz nos cinemas)

1º) "Sorry, Baby" (2025)

De Eva Victor. Este filmaço sobre trauma não revela logo de cara que aborda um tema muito sensível, embora equilibrando a contundência com delicadeza, otimismo e até humor. Autora do roteiro, Victor interpreta Agnes, quase 30 anos, professora de Literatura em universidade da zona rural da Nova Inglaterra, nos EUA. Quando o filme começa, ela está recebendo visita da melhor amiga, Lydie (Naomi Ackie), que está grávida. As duas jantam com ex-colegas da faculdade. Esse reencontro denuncia: há coisas do passado não resolvidas. Então, Sorry, Baby recua no tempo no segundo capítulo, O Ano da Coisa Ruim. É o ano em que Agnes, ainda uma brilhante aluna universitária, foi estuprada pelo professor que mais admirava.

A diretora evita a pornografia do trauma: seu foco está como as vítimas processam a violência sofrida e seu impacto emocional contínuo; e como a amizade e a empatia podem salvar vidas. Há um contraste constante no filme: situações de drama, angústia e depressão coexistem com cenas dignas de comédia. "Quem passou por algo parecido sabe que o sarcasmo entra em jogo", justificou Victor.

Vale destacar a estrutura não linear. Ao ir e voltar no tempo, o filme reflete como se sente uma pessoa traumatizada: o passado está sempre à espreita, pronto para reabrir cicatrizes, e a vítima pode girar em círculos, sem conseguir andar para frente. (Em cartaz na Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mario Quintana, às 18h45min).

PARA VER 


27 de Dezembro de 2025
NOTÍCIAS

NOTÍCIAS

Grupo Conceição mostra resultados do atendimento em três turnos

Impacto positivo

Em seis meses, foram realizadas 7 mil cirurgias eletivas e 750 mil exames à noite. Presidente da instituição diz que medida reduziu o tempo de espera

Kathlyn Moreira

O terceiro turno implementado em junho deste ano em quatro hospitais do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, aumentou a oferta de cirurgias, consultas e exames e reduziu o tempo de espera para procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em entrevista ao Gaúcha Atualidade, na manhã de sexta-feira, o presidente do GHC, Gilberto Barichello, confirmou que, em seis meses, foram realizadas 7 mil cirurgias eletivas, metade da meta de 14 mil em um ano - portanto, válida até junho de 2026.

Os procedimentos são executados nos hospitais Conceição (HNSC), Hospital da Criança Conceição (HCC), Cristo Redentor (HCR) e Fêmina. Os centros cirúrgicos funcionam das 19h à 1h, de segunda a sexta-feira, e aos sábados, das 7h às 19h.

- Isso fez impactar, obviamente, o tempo de espera. Diminuiu 82% o tempo de espera de uma cirurgia geral; neurocirurgia, 76%. Urologia diminuiu 36,4%. Otorrino, que são as maiores filas, 57%. Uma cirurgia cardíaca diminuiu 60% - enfatizou.

Barichello atribuiu os resultados promissores aos investimentos do programa Agora Tem Especialistas, do governo federal, que tem como objetivo a redução de filas para consultas, exames e procedimentos cirúrgicos. Segundo ele, com o horário estendido, foram feitos 750 mil exames à noite e mais de 3,5 mil consultas, com um aumento de 69% no formato de telemedicina:

- Uma biópsia intervencionista, um exame que demorava oito meses para a pessoa que veio consultar e precisava do exame, hoje demora 15 dias o seu resultado. Uma ecografia geral de quatro meses (de espera) diminuiu para 20 dias. Uma tomografia de três meses, para dois dias. Um cateterismo cardíaco, de 45 para 10 dias. Ecocardiografia, de 30 para 15 dias. E uma biópsia de mama, de 15 dias passou para quatro dias.

Acolhimento nos postos

A maior oferta para procedimentos eletivos diminuiu em 39% as cirurgias de urgência e emergência no Hospital Conceição, de acordo com Barichello. Ele avalia que isso ocorre porque os pacientes não chegam a cenários graves se conseguem ser atendidos antes.

O horário noturno também teve reflexos na procura pelos postos de saúde que são gerenciados pelo GHC. Conforme Barichello, em seis meses, foram atendidos 17 mil pacientes a mais na Capital. _

Incêndio de grandes proporções atinge prédio de escola em Santa Maria

Região Central

Um incêndio de grandes proporções atingiu o prédio do Colégio Marista Santa Maria na noite de ontem. A escola fica na Rua Floriano Peixoto, no centro do município da região central do Estado. O Corpo de Bombeiros recebeu o chamado às 19h36min.

Em apuração no local, a RBS TV confirmou que não houve feridos. A Brigada Militar isolou o entorno do prédio para garantir a segurança e auxiliar nos trabalhos.

Prefeito de Santa Maria, Rodrigo Décimo disse que a suspeita preliminar é de que uma "pane elétrica" tenha causado o incêndio. Sandro Nunes, secretário adjunto de Segurança de Santa Maria, explicou também à Rádio Gaúcha que, devido à dimensão do incêndio, as autoridades locais receberam apoio de equipes de bombeiros de Júlio de Castilhos, São Sepé, São Pedro, Caçapava e Cachoeira do Sul.

Imagens mostram o fogo atingindo os andares superiores do prédio. Com a força do vento, fumaça e fuligem se espalharam.

Em nota, os bombeiros detalharam que o combate às chamas ocorria com três guarnições e três caminhões autobomba-tanque, sem o uso da escada Magirus. O Estado possui apenas dois exemplares do equipamento, na Capital e em Caxias do Sul.

A direção da escola informou que a unidade passa por obras de manutenção, mas sem relação com a rede elétrica. 


26 de Dezembro de 2025
DIRETO DA REDAÇÃO - Paulo Germano

É disso que a educação precisa

Chega: alguém precisa falar sobre os nomes dos animais marinhos nos desenhos animados. Pelo bem das nossas crianças e da própria ideia de educação, já passou da hora de enfrentar esse descalabro.

Aquele personagem do Pica-Pau, por exemplo, o Leôncio. Com esse nome, qualquer um diria que se trata de um leão-marinho, certo? Errado! O nome original do Leôncio é Wally Walrus, e walrus é morsa, portanto o Leôncio é uma morsa. Só que morsas só existem no polo norte, então imagine a frustração de uma criança ao procurar o bigodão do Leôncio num leão-marinho em Cidreira: ela vê aquela boca mole bocejando e sofre um trauma irreversível.

Um caso semelhante é o da Lula Lelé, que, pelo amor de Deus, não tem nada de lula. Já falei com mais de 10 biólogos, mostrei fotos dos mais variados ângulos da Lula Lelé, e todos me garantiram que se trata de um polvo. Porque o polvo é que tem a cabeça arredondada, enquanto a lula tem formato de tubo. Aliás, o Lula Molusco, do Bob Esponja, é polvo também. Como podem batizar um bicho usando o nome de outro bicho? Ora, francamente.

Ainda tem aquele amigo da Pequena Sereia, o Linguado. Mas da onde que aquilo é um linguado? Vocês já viram um linguado? É um peixe meio sem sorte, pobrezinho: vive se arrastando no fundo do mar, tem o corpo achatado, os dois olhos no mesmo lado da cabeça, uma cor de esgoto, e aí vem a Pequena Sereia chamar de Linguado aquele rococó colorido? Ah, me poupem! E poupem nossas crianças de tanta desinformação! É preciso dar um basta, reagir a essa indecência: estamos criando gerações inteiras sob um regime permanente de confusão zoológica!

Mas preciso reconhecer que já avançamos. Depois de um ano inteiro aprovando projetos que 1) proíbem músicas malcriadas em escolas, 2) mandam gravar tudo o que o professor diz, 3) submetem aos pais qualquer discussão sobre gênero e 4) proíbem a horripilante e pecaminosa linguagem neutra nos colégios, o próximo passo parece evidente: em 2026, nossos políticos hão de combater os nomes dos animais marinhos nos desenhos animados. É disso que a nossa educação precisa! _

DIRETO DA REDAÇÃO

26 de Dezembro de 2025
ARTIGOS

O varejo: aprendizados de 2025 e caminhos para 2026

Otelmo Drebes - Presidente do Grupo Lebes

O ano de 2025 mostrou, mais uma vez, que o varejo está entre os setores mais sensíveis às mudanças do país. Foi um período que colocou à prova nossa capacidade de adaptação, exigindo agilidade para acompanhar avanços tecnológicos e um consumidor cada vez mais exigente, informado e conectado. Some-se a isso desafios já conhecidos, como a pressão tributária e a competição crescente em todos os canais exigindo atuação estratégica e constante reinvenção.

Nesse cenário, a inteligência artificial ganhou protagonismo ao ampliar nosso entendimento dos hábitos de consumo e trazer eficiência a processos antes complexos. Diferentemente do que muitos imaginam, essa evolução não diminuiu o papel das pessoas; ao contrário, reforçou sua importância. Ficou evidente que a tecnologia ganha mais sentido quando aproxima, simplifica e fortalece as relações humanas que sustentam a confiança no setor.

Segundo a Pesquisa Anual de Comércio (PAC 2023) do IBGE, o varejo segue como um dos maiores empregadores do país, reunindo 7,7 milhões de trabalhadores. Essa representatividade evidencia nossa responsabilidade na geração de oportunidades, no desenvolvimento regional e no estímulo à economia local, especialmente em momentos de instabilidade.

Em 2026, o cenário aponta para um varejo mais integrado e ainda mais orientado pela experiência do cliente. Acredito que estarão à frente as empresas capazes de unir inovação com acolhimento, dados com sensibilidade e tecnologia com propósito.

Se 2025 nos ensinou a evoluir sem perder a essência, 2026 chega como um convite para consolidar esse equilíbrio. Será um ano para aprofundar conexões, qualificar entregas e transformar cada ponto de contato em oportunidade de gerar valor real. O Grupo Lebes seguirá atento, próximo das comunidades onde atua e preparado para construir um varejo mais forte, humano e alinhado às expectativas de um Brasil com grandes desafios pela frente. 

Canoas avança e volta a ter rumo, projeto e futuro

Airton Souza - Prefeito de Canoas

Há um ano, Canoas se uniu em torno da organização, do trabalho e da responsabilidade. A enchente histórica que atingiu a cidade nos lançou uma das maiores provas já enfrentadas. Não havia espaço para hesitação. Redesenhamos prioridades e dedicamos cada hora a proteger nossas famílias e reconstruir o que havia sido perdido.

Mesmo nesse cenário, Canoas avançou. Na saúde, zeramos as filas de espera para mamografia e procedimentos de cardiologia. Estamos preparando um HPS à altura de Canoas, com as obras em ritmo acelerado. Entregamos a nova UBS João de Barro, no Niterói. Renovamos a frota do Samu para ampliar a capacidade de resposta. E com os projetos aprovados pelo Novo PAC Saúde, vamos fortalecer a atenção básica com unidades e equipamentos novos.

A proteção da cidade também ganhou centralidade. Com seis frentes de obras nos diques e o Muro da Cassol, reforçamos pontos estratégicos da cidade. Intensificamos a limpeza de bueiros e redes de drenagem, o que já se reflete no dia a dia. Pavimentamos ruas em vários bairros, melhorando a mobilidade, a segurança e a qualidade de vida.

Esse movimento de reconstrução se soma a um ambiente de crescimento econômico. Canoas voltou a atrair empreendimentos, com a chegada da InBetta e o lançamento do Plano Municipal de Atração de Investimentos, o que demonstra a confiança do setor produtivo no potencial da cidade. Isso gera emprego, renda e novas oportunidades.

Também alcançamos um resultado histórico na habitação. Canoas tornou-se a cidade com o maior número de entregas do Minha Casa, Minha Vida no país. Na mobilidade, a prorrogação da tarifa zero do transporte público ampliou o acesso a trabalho, educação, saúde e serviços, garantindo mais autonomia e dignidade aos usuários.

Acreditamos numa Canoas mais forte, segura e feliz. Cada entrega, cada obra só faz sentido quando transforma a vida de moradores. Temos consciência de que há muito a fazer, mas continuamos propondo soluções para seguirmos avançando. 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025


24 de Dezembro de 2025
CARPINEJAR

Um ano de mãos vazias

Odeio carregar sacolas por muito tempo, em especial se não estou de carro.

Só dá B.O. Ou a alça rasga, ou extravio algum objeto pelo caminho, ou é pequena demais e some nas maiores, no efeito matriosca - uma sacola dentro da outra, buscando reduzir volumes, unificar pacotes.

Pela pressa de me deslocar, pelo malabarismo das mãos ocupadas, pela inexatidão de quantos pertences estão agrupados, pela ânsia de sair de aplicativo ou de avião, pelo alvoroço de acomodar o conteúdo debaixo da mesa de restaurantes, são grandes as chances de não retornar com todas as compras.

Costumo trocar presentes de Natal com Zé, meu melhor amigo. Ele é parte da minha família. Eu trouxe um perfume caro, adquirido no free shop, em viagem internacional. Quando cheguei ao meu apartamento, não o achei mais. Revisei mentalmente o trajeto, e não recordei nenhum incidente. Ou havia caído silenciosamente no bagageiro do voo, ou permanecido incógnito no porta-malas do táxi: mais um antecedente criminal a creditar à polêmica e confusa data natalina, na nossa tentativa desesperada de não esquecer os afetos e corresponder às expectativas.

Alguém recebeu um perfume pelas minhas andanças. Isso que eu chamo de Amigo Secreto. Um desconhecido ficará cheiroso com o frasco de 100 mililitros da Ralph Lauren por longos meses.

Natal nos tira do eixo. Não é apenas comprar presentes, é escondê-los para fazer surpresa - ainda mais se você tem criança em casa. E depois precisa saber de memória o esconderijo.

Lembro-me de um Natal em particular, em Rainha do Mar, no litoral gaúcho, durante minha adolescência. A mãe guardou nossos embrulhos num saco de lixo, na área de serviço. Conseguiu arquitetar o plano perfeito. Quem mexeria na sujeira? Ninguém desconfiaria. Ela até lamentou jamais ter pensado naquilo: teria se livrado do sufoco de manter segredo nas comemorações anteriores.

Meu irmão, querendo se mostrar engajado na arrumação da ceia e garantir pontos no comportamento, decidiu levar o lixo para fora por sua deliberada iniciativa. Não se tratava de uma tarefa corriqueira. Na tardezinha de véspera da festa, bancou o adulto responsável, sentiu-se tomado de solidariedade e faxinou as tralhas dos fundos da residência.

Quando a mãe percebeu o desastre, voou obstinadamente para a rua. Um frio percorreu sua espinha ao reparar que a lixeira da calçada já estava vazia. Gritou: - Espere aí! Mas o coletor recém havia passado e arremessado a imensa sacola preta para o interior da prensagem de resíduos do caminhão.

Ela inclusive ouviu os estalos: o papel delicado sendo desfeito, não pelas nossas ansiosas unhas, e sim pelos tentáculos de metal. Não ganhamos presentes naquele ano. Foram triturados. Aprendi na marra o que significa a palavra "desapego". _

CARPINEJAR

24 de Dezembro de 2025
MÁRIO CORSO

Aproveite o Natal

A literatura revela nossos dramas. O autor infantil Dr. Seuss criou um personagem que odeia o Natal. Grinch, esse é o seu nome, é uma criatura verde e peluda que tentou roubar o Natal. Ele não suportava a alegria de quem conseguia se divertir esperando Papai Noel.

Se você não gosta de Natal, faz parte do arco das possibilidades existenciais, sem drama. O problema só começa se teu Grinch interior esverdear tua alma e deixar peludo teu estado de ânimo.

O Grinchismo geralmente apela à razão objetiva. Renas, neve, trenó, nada combina com o Brasil. Certo, e daí? Trata-se de um espaço mágico, pertence à gramática da fantasia, tanto faz o cenário. O gelo contrasta com o quente aconchego do lar. Talvez por ter amadurecido, alguém não recorde o simbolismo, mas todas as crianças do planeta entendem esse dentro e fora do amor/calor familiar da qual a chaminé é testemunha.

Convenhamos, o Natal não é uma data fácil. Ele entra na seara do ranking dos afetos - aquele onde as contas nunca fecham. Ou ainda, o desafio de saber onde cada um está situado na foto da família. O filho que é considerado preferido, mas a que custo? Os que já chegam emburrados, para quem é essa cara? O parente esquecido, que peso alheio ele carrega? Presenteamos por obrigação, culpa ou amor?

A dinâmica de dar e receber presentes - que segundo os antropólogos começou milênios antes do capitalismo -, não é de uma contabilidade simples. Em outras palavras, Natal não é para espíritos fracos, ele exige muito. Entendo quem tem seu pé atrás quando escuta Jingle Bells, entendo a exasperação da pressão por felicidade coletiva.

Mas o Natal funciona como um verbo ativo. "Aproveitar" não é um estado de graça que nos alcança, mas uma decisão que tomamos, um convite que aceitamos apesar de tudo. É atravessar o deserto do desânimo e encontrar, um lampejo do aconchego que a festa promete. Nem que seja vendo a parentada ou os amigos sendo, como sempre, quem são. É o rito, a repetição, que conforta.

Se você é daqueles que não tolera o Natal, tente desafiar suas certezas. Tente roubar de volta uma festa que um dia foi sua. Os instantes de calor compartilhados valem a complexidade do esforço. Feliz Natal a todos! 

MÁRIO CORSO


24 de Dezembro de 2025
HOMENAGENS

Despedida de Ieda Maria Vargas reúne familiares, amigos e fãs

Corpo da Miss Universo foi velado na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre. Personalidades do mundo dos concursos de beleza estiveram presentes

Lembrada pela beleza, Ieda Maria Vargas marcou os filhos por sua alegria, vontade de viver e dedicação à família. A primeira miss universo brasileira pela organização oficial do concurso faleceu na segunda-feira, aos 80 anos. Ela estava internada na UTI do Hospital São Miguel Arcanjo, em Gramado. A causa da morte ainda não havia sido informada até o fechamento da edição.

Na despedida, Ieda recebeu durante todo o dia o carinho de familiares, amigos e fãs em um velório realizado no Salão Julio de Castilhos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. No final da tarde, uma cerimônia de despedida foi realizada no Cortel Metropolitano - Crematório, com acesso restrito à família e a amigos próximos.

Tendo atingido fama instantânea ao receber a coroa em 1963, aos 18 anos, Ieda preferiu uma vida longe dos holofotes que lhe permitisse realizar o seu maior sonho: constituir família e acompanhar de perto o crescimento dos filhos, Fernanda e Rafael, fruto do casamento com o empresário José Carlos Athanásio.

- O maior legado da minha mãe não é aquele que a maioria conhece: é a nossa família - afirma Rafael Vargas Athanásio. - Ela sempre nos colocou em primeiro lugar. Tive a sorte de conviver com ela durante 55 anos e, apesar de estar triste agora, prefiro sorrir pela vida que ela teve.

Sua irmã, Fernanda Vargas Athanásio, lembrará da mãe como uma inspiração pela sua alegria e vontade de viver:

- Ela foi uma guerreira. Já teve alguns problemas anos atrás e sempre levou com muita leveza. A gente se desesperava e ela nos acalmava. Ela amava a vida e lutou, lutou, lutou. Agora, merece descansar um pouquinho e reencontrar o meu pai.

O velório ainda contou com a presença de personalidades do mundo dos concursos de beleza. Uma delas foi Júlia Guerra, a Miss Universe Rio Grande do Sul 2026, que ressaltou a referência que Ieda ainda é para as misses.

- Foi uma grande inspiração, não só por ter sido Miss Universo, mas porque abriu as portas para a gente com esse feito, que nos permitiu sonhar. Eu continuo esse legado e espero continuar construindo uma história bonita como a que ela construiu - destaca Júlia.

Inspiração para as misses

Para a atual detentora da coroa gaúcha, Ieda ensinou que ser miss vai além da beleza: envolve ser uma mulher que representa, de fato, as outras mulheres, com caráter, pluralidade e ações sociais.

Ainda na segunda-feira, o jornalista João Pulita lamentava a partida de Ieda.

- Era reservada para discorrer sobre sua representação magnífica com o título de Miss Universo, mas gostava de falar das flores dos jardins de Gramado e de seu amor pela cultura do Rio Grande do Sul. Nos despedimos de uma grande mulher, de uma dama. O Rio Grande do Sul deve estar triste demais - disse Pulita.

Já a jornalista e fotógrafa Liane Neves, de 67 anos, conheceu Ieda ainda criança, quando ganhou a boneca que representava a miss.

- Lembro que, quando ela ganhou, foi algo super celebrado. Ela era um ícone - relembrou Liane.

Ieda vivia na cidade da Serra desde 2010. Segundo amigos da família, a "eterna miss" tinha vida social ativa e gostava de estar na rua.

Colunista social e amiga próxima, Luísa Rodrigues relembra momentos que teve com Ieda. Segundo ela, a miss adorava passear pela cidade e estar sempre presente nos eventos sociais:

- Ela adorava a cidade. Toda semana, eu, ela e outras amigas nos encontrávamos na Padaria São Pedro para tomar um café. Aos finais de tarde, ela gostava de sentar em alguma mesa na Avenida Borges de Medeiros para tomar um espumante. Ela adorava um cafezinho ou um espumante, sabia viver a vida.

"Todo mundo adorava"

De acordo com o gerente de restaurantes Márcio André Braga, que conviveu com Ieda em Gramado por ao menos uma década, diariamente ela visitava esses estabelecimentos:

- Eu não sei quantas vezes servi ela (risos), mas todo mundo adorava a companhia e a conversa da Ieda.

Para a amiga Luísa, Ieda "nunca precisou da faixa de miss para ser uma rainha":

- Ela era naturalmente tratada assim pela postura. A Ieda se preocupava com as pessoas, inclusive nos ajudava com dicas de moda e conselhos de vida. Além disso, sempre dizia que uma mulher tem que ser tratada como rainha e não pode aceitar menos do que isso. _

Participaram: Gabriel Costa, Isabella Sander e Renata Oliveira Silva


24 de Dezembro de 2025
INFORME ESPECIAL - Rodrigo Lopes

O que, afinal, é narcoterrorismo?

Donald Trump não é o primeiro - e, ao que tudo indica, não será o último - presidente dos EUA a lançar mão da acusação de "narcoterrorismo" para justificar uma guerra. Desde a década de 1980, o termo tem sido invocado pelos inquilinos da Casa Branca para justificar agendas de securitização e militarização. Não é incomum uma "guerra às drogas" se tornar uma "guerra ao terror" - e vice-versa.

A Colômbia que o diga, onde a DEA, agência antidrogas dos EUA, atuou com o exército local para neutralizar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) nos anos 1990.

O próprio termo "narcoterrorismo" surgiu no contexto sul-americano: teria sido usado pela primeira vez pelo então presidente do Peru, Fernando Belaúnde Terry, após o Sendero Luminoso, outro grupo guerrilheiro, maoísta, atacar uma prisão e uma delegacia de polícia em 1982. Ele descreveu o ataque como "narcoterrorismo - a união do vício das drogas com a violência do terrorismo".

Entre as principais características de uma organização narcoterrorista, estão o financiamento de atividades armadas (e atos terroristas) por meio do tráfico de drogas. Há também uso da violência de cunho terrorista para proteger negócios (como cartéis), assassinatos seletivos e massacres para causar pânico e intimidar o Estado. Outro traço é o controle territorial e social, com o domínio de populações, rotas e territórios, estabelecendo um poder paralelo.

Exemplos

Depois do Sendero Luminoso, o termo narcoterrorismo passou a ser utilizado para definir as Farc na Colômbia, grupo guerrilheiro marxista, que se utilizava da violência para fins políticos (conceito de terrorismo aceito pela ONU) e que passou a controlar partes significativas da produção e da rota de cocaína (narcotráfico) para financiar a luta armada contra o Estado. Em 1989, tropas americanas depuseram o general Manuel Noriega, no Panamá, e o levaram a julgamento por narcotráfico, entre outros crimes.

Outros exemplos são o Cartel de Sinaloa e o Cartel Jalisco Nueva Generación (originalmente, grupos narcotraficantes), no México, que usam de violência extrema, exibição pública de corpos e ataques a forças do Estado (terrorismo). Também é citado pelos EUA o Cartel de los Soles na Venezuela, que envolveria altos escalões do governo de Nicolás Maduro.

O conceito é polêmico porque muitas vezes governos o utilizam de forma seletiva ou - no caso, na crise que coloca a América do Sul na iminência de uma guerra - para justificar uma ação armada. No Caribe atual, a grande presença militar dos EUA excede em muito o que seria necessário para operações de combate ao narcotráfico - sem falar nas apreensões de petroleiros em águas internacionais. Daí, a suspeita de que o objetivo da Casa Branca trumpiana não seja acabar com os cartéis, mas mudar o regime em Caracas, capital venezuelana. _

Um bairro mais seguro

Moradores da Rua Santo Inácio, no Moinhos de Vento, em Porto Alegre, estão buscando mobilizar vizinhos para investir em novas tecnologias de segurança. Os mecanismos permitem controle automatizado de acesso de veículos, identificação facial e outros alertas. A proposta inclui as ruas Marquês do Herval, Luciana de Abreu, Barão de Santo Ângelo, Hilário Ribeiro e Engenheiro Álvaro Nunes Pereira. _

Impacto social

A Fundação Marcopolo está entre os vencedores da 15ª edição do Prêmio Brasileiro de Design - BDA (Brasil Design Award). Seu Projeto Amplificador conquistou o destaque prata na categoria Design de Impacto Social - Prosperidade. Outra iniciativa, o motorhome Nômade, também foi agraciado com o destaque prata na categoria Design de Produto. _

Entrevista - Dom Jaime Spengler - Cardeal e arcebispo metropolitano de Porto Alegre

"São uma vergonha algumas posições do nosso parlamento e decisões do Judiciário"

O ano de 2025 para a Igreja Católica foi marcado, principalmente, pelo falecimento do papa Francisco e a eleição de Leão XIV. O arcebispo metropolitano de Porto Alegre, dom Jaime Spengler, viveu esse momento histórico por dentro. Além de ocupar o posto na capital gaúcha, ele esteve na liderança da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam).

O senhor foi criado cardeal em dezembro. Em abril, ocorreu o falecimento de Francisco. Naquele momento, chegou a pensar: "Agora vou participar da escolha de um novo Papa"? Ou o foco era a despedida?

Uma enxurrada de sentimentos. Primeiro, a preocupação com a assembleia da CNBB, que sempre é um evento muito importante e marcante. Depois, o dever de participar do processo de transição - seis meses de quando fomos criados cardeais. Tenho na mente ainda muito presente a cerimônia de exéquias (sepultamento) do papa Francisco, quando vimos aquela praça tomada de gente e depois quando o corpo saiu para ser levado para Santa Maria Maior. 

Depois também, nos dias que antecederam o conclave, poder escutar os cardeais de todo o mundo. Foi uma experiência única. Escutar as expectativas, mas também as dores de cada um, é algo que... Não sei se há outra instituição na sociedade capaz de te dar uma visão geopolítica e eclesial como um evento como este.

Durante o conclave, em algum momento o senhor ficou pensando: "Será que eu estou fazendo certo?". O que passava pela cabeça?

O conclave é uma liturgia: portanto, há um rito próprio. O segundo dado que chamou muita atenção foi quando ingressamos na Capela Sistina cantando a Ladainha de Todos os Santos. Depois, o juramento sobre o Evangelho. Confesso que caminhar, cantando a ladainha, foi de arrepiar. Depois, quando chegamos nos lugares que estavam predispostos para cada um, invocar o Espírito Santo cantando... Eram 133 homens, aquilo é um coro especial. Confesso que aquilo me emocionou, e isso diante do Juízo Final, pintado no fundo da Capela Sistina. A pergunta era: "O que eu estou fazendo aqui? Qual é a minha responsabilidade nesse momento da história? Por onde somos chamados a caminhar?". Acredito que não somos nós que guiamos a Igreja. 

É um outro. E esse outro concede, a cada tempo, uma pessoa à altura. Chegamos à Capela Sistina, e não se falava no nome desse ou daquele (cardeal favorito para ser eleito). Não ouvi ninguém sugerindo uma corrente ou outra. O nome foi despontando, e ele foi crescendo, tomando corpo, até que, naquela bendita última votação, no final da tarde, ele alcançou os 89 votos necessários para a eleição. Me recordo muito bem que, quando iam se aproximando os votos do número necessário para a eleição, eu estava de frente (para o cardeal Prevost), que estava do outro lado da capela. A impressão que dava era de que ele ia murchando, encolhendo-se na cadeira.

Qual a expectativa para 2026?

Gostaria de chegar a dezembro de 2026 com um Brasil mais sereno, onde realmente as condições de vida do nosso povo - e de todo o nosso povo, não só de alguns - pudessem ser melhores do que estão sendo nos dias atuais. Também com uma classe pública marcada pela ética e não tanto pelos jogos de interesses. São uma vergonha algumas posições e expressões do nosso parlamento, mas também algumas decisões que vemos no âmbito do Judiciário.

É verdade também que nesse âmbito temos gente muito dedicada. Tem gente realmente extremamente preocupada com o bem-estar de todos. O nosso povo é pacífico, é bom; tem gente muito boa entre nós e não podemos baixar a guarda em relação a esse modo de ser bom da maioria, da grande maioria do nosso povo. _

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