sexta-feira, 31 de agosto de 2012


Jaime Cimenti

Livros, qualidade, quantidade, mortalidade e imortalidade

Em matéria de livros e de muitas outras coisas, acho que o tempo e os leitores-pessoas são os melhores juízes. Nada contra a crítica, as academias, os doutores. Há pouco tempo foram lançadas duas antologias de contos. Uma pretendendo apontar novos valores da literatura brasileira sob um ponto de vista, digamos, da qualidade.

A outra apresentava escritores de grande sucesso popular, sem, digamos, a preocupação de apreciações críticas etc. Debates aconteceram em torno dos livros, com opiniões diversas. Aqui não menciono o nome das antologias e dos opinadores por que acho que não vem ao caso, não precisa.

A discussão sobre qualidade, quantidade, popularidade, mortalidade, imortalidade e genialidade é mais antiga do que a Sé de Braga e, pelo visto, vai continuar. Até aí tudo bem, normal, universal, humano. Não dá para dizer, simplesmente, que autores que vendem muito são ruins e muito menos ficar estabelecendo critérios rígidos para dizer quem é artista e imortal.

Os leitores, o tempo e a liberdade devem se encarregar disso. Sim, claro, as academias e os doutores devem fornecer seus pareceres. Depois de Joyce, Kafka e Marcel Proust - só para citar alguns gigantes mais recentes das letras -, ficou complicado criar novidades em literatura e até falar a respeito.

Dizer que determinados autores são chatos, bons de ler, importantes ou desimportantes é coisa muito pessoal e qualquer juízo sobre isso é precário, acho, nesses tempos ditos pós-modernos. De mais a mais, têm leitores de dez anos, de oitenta e, claro, leituras que a gente faz em diversos períodos da vida, de forma diferente.

Portanto, acho válido opinar, selecionar e publicar antologias, novos autores, comentar, criticar etc. Só penso que nesses tempos é preciso, mais do que nunca, priorizar a liberdade das pessoas, da arte em geral e até do mercado. É preciso democracia, pluralidade. Está bem complicado ditar regras num momento em que todos estão tanto e tão bem informados.

Sim, todo mundo dita regras, fala tudo toda hora, em todo lugar, mas, vamos combinar, o tempo, especialmente, tem de fazer o papel dele. O tempo se vinga das coisas feitas sem a colaboração dele, sabiam? É isso, vamos botar datas e lugares nas opiniões e dar um tempo ao tempo, que ele sempre merece.
Jaime Cimenti

Lua azul Hoje – Segunda lua cheia do mês e a próxima só em 2015. Aproveite para amar..Ame muito..e deixe-se amar também...


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