quarta-feira, 22 de agosto de 2012



22 de agosto de 2012 | N° 17169
PAULO SANT’ANA

O ralo da corrupção

Eu não sabia, mas fiquei agora sabendo pelo relatório do ministro do Supremo Joaquim Barbosa: mais de R$ 100 milhões foram recebidos pelo publicitário Marcos Valério do Banco do Brasil, por inexistentes serviços prestados por sua agência a esse banco.

A seguir, o dinheiro público passou a ser distribuído entre parlamentares, muitos deles agora réus do mensalão, e a parte do leão foi embolsada pelo publicitário e seus dois sócios.

Um mar de dinheiro saído dos bolsos dos brasileiros, enquanto leio que bebês morrem sem atendimento em hospitais gaúchos por carência de UTIs neonatais.

Muitos leitores mandando dizer que apoiam com entusiasmo e incondicionalmente a minha coluna que condenou as Jaris que desconhecem os recursos dos motoristas que são multados indevidamente.

Advogados me escreveram às pencas dizendo que, por mais que se esforcem para provar a inquestionável inocência de seus clientes que são multados no trânsito arbitrariamente, os recursos são sempre estupidamente recusados pelas Jaris.

Mas nesse debate surgiu uma luz no fim do túnel: muitos dos que recorrem às Jaris e veem recusadas peremptoriamente suas razões apelam para a Justiça, que derruba as multas iníquas.

É uma boa dica. Mas chega a ser infame que um injustiçado tenha de percorrer tantas instâncias penosas e caras para provar sua limpa inocência.

Quando é que os governantes vão pôr fim a essa deplorável injustiça?

Esta Londres que acaba de ser visitada por muitos dias pelo David Coimbra, pelo Sérgio Boaz e pelo Tulio Milman, integrantes da cobertura da RBS na Olimpíada, durante séculos não permitiu a existência de cassinos em seu território.

Há cerca de 10 anos, o governo inglês permitiu a instalação de cinco cassinos em Londres, com o que, só com isso, foram criados 200 mil empregos.

Enquanto isso, nada de instalação de cassinos no Brasil, os brasileiros correm para fazer suas apostas em cassinos estrangeiros. Fortunas saem de nosso país, enquanto as emergências dos hospitais estão superlotadas e morrem doentes sem atendimento de saúde.

Não dá para entender: cada vez abrem-se mais cassinos aqui no vizinho Uruguai, parcerias entre o Estado e a iniciativa privada.

E os impostos cobrados dos cassinos são canalizados no Uruguai inclusive para o atendimento de saúde.

Há burrices que duram séculos no Brasil. E fazem milhões de vítimas.

Nenhum comentário: