quarta-feira, 13 de maio de 2026

 Infraestrutura e maior representatividade são desafios para o desenvolvimento

Lideranças políticas e empresariais da Fronteira Oeste, regiões Sul, Centro-Sul e Campanha participaram do evento

Lideranças políticas e empresariais da Fronteira Oeste, regiões Sul, Centro-Sul e Campanha participaram do evento

Tânia Meinerz/JC

Luciane Medeiros
Luciane MedeirosEditoraDe Santana do Livramento
Aumentar a representatividade dos produtores rurais, minimizar os problemas de infraestrutura, de mão de obra e avançar em inovação foram alguns dos destaques do terceiro encontro do projeto Mapa Econômico do RS, realizado na tarde desta terça-feira (12) em Santana do Livramento, no Sest Senat. Lideranças políticas e empresariais da Fronteira Oeste, regiões Sul, Centro-Sul e Campanha participaram do evento, uma iniciativa do Jornal do Comércio que debate os desafios e oportunidades para o desenvolvimento do Estado. 
Os painelistas foram o presidente do Sindilojas Livramento, Sérgio Oliveira; a presidente da Associação de Produtores Rurais da APA do Ibirapuitã (Aprai) e da Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável (MBPS), Ana Doralina; e o presidente do Sindicato Rural de Santana do Livramento, Lourenço Acauan. O editor-chefe do Jornal do Comércio, Guilherme Kolling, foi o mediador do painel. 
Na abertura do encontro, o diretor-presidente do JC Giovanni Jarros Tumelero explicou que o projeto Mapa Econômico possibilita comparar as regiões do Estado a partir dos dados levantados. "Espero que a gente possa dar a luz ao que precisa ser feito aqui para o desenvolvimento econômico da região", afirmou Tumelero.
Em mensagem gravada, o governador Eduardo Leite (PSD) lembrou os dados coletados no Anuário de Investimentos no Estado, outro projeto do JC, e o aumento no número de investimentos no Estado nos últimos anos.
O prefeito de Santana do Livramento, Evandro Gutebier, destacou a importância do encontro por se tratar de um painel regional, que debate o desenvolvimento da região. Gutebier, que é produtor rural, citou a pujança do setor primário do município e a importância de parceria com o setor privado. “O público não fica de pé sem o privado, é o privado que desenvolve a economia pujante. Estamos nos desenvolvendo nos últimos anos com os free shops, somos um dos maiores produtores de uvas do Estado no Rio Grande do Sul, mas agradecemos sempre ao setor privado”, afirmou. O prefeito disse que o setor público precisa ser um facilitador para o desenvolvimento. “O Trem do Pampa levou 14 anos para sair”, lembrou.
O editor-chefe do JC, Guilherme Kolling, explicou que o propósito do Mapa Econômico é mapear os desafios e oportunidades a partir de dados. Ao longo dos quatro anos do  projeto, a infraestrutura é o principal desafio, seguido por mão de obra e os eventos climáticos.
Kolling explicou a relação entre clima e o Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul nos últimos seis anos, período em que o Estado enfrentou estiagens e enchentes. "O Rio Grande do Sul representa hoje 5,9% do PIB do Brasil e a relação entre clima e PIB é clara. Em 2019, o RS era 6,5% do PIB do Brasil e agora 5,9%. Quando o PIB sobe significa que choveu adequadamente no RS e o agro vai bem. Quando cai, é o contrário", ressaltou.
Outro desafio é a população. A partir de 2027, o Estado vai começar a perder população. Nos indicadores de oportunidades, o Mapa Econômico identificou mais de 90 oportunidades para o desenvolvimento, uma vez que o Estado tem uma economia. "Na região Norte, o beneficiamento de grãos e o biocombustível é uma oportunidade. Na Serra, pequenas e médias indústrias e a expansão do enoturismo que agrega no agro, na indústria e nos serviços e na hotelaria", exemplificou, entre outros projetos em desenvolvimento.
O primeiro painelista a falar foi Ana Doralina, presidente da Aprai e da Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável. Ana, que é produtora rural, lembrou o trabalho para aumentar a representatividade do setor da região, inserido em uma Área de Proteção Ambiental (APA). Muitas vezes não existe localmente um reconhecimento do que é uma APA, o que é possível produzir e quais as regras para os produtores. Ela pontuou que Santana do Livramento é muito importante dentro da produção pecuária gaúcha: dos mais de 11 milhões de bovinos, 4,6% estão dentro de Livramento e a cidade tem quase 10% de toda produção de ovinos do Rio Grande do Sul.
"Temos que gerar esse reconhecimento e contar nossa história, o quanto nos dedicamos e temos de desafio para conseguir produzir e encontrar o caminho. Precisamos de uma marca coletiva, uma Indicação Geográfica, falar sobre turismo dentro da APA para mostrar o que é uma área de proteção ambiental. Mas não vamos fazer nada sozinhos, temos que construir com a comunidade para que a gente possa se fortalecer", afirmou.
Lourenço Acauan, presidente do Sindicato Rural de Santana do Livramento, também defendeu a importância da representatividade para os produtores rurais da região. A cidade tem em torno de seis mil produtores rurais, mas o número de associados ao sindicato ainda é pequeno, o que dificulta o trabalho 
"Temos muitas oportunidades, desde que implementemos, não só em Livramento como em toda a região, alguma indústria de transformação. Somos produtores de matéria-prima e não temos uma indústria de transformação. Todos os nossos produtos saem do município para outros municípios e não aproveitamos esse plus de rendimento aqui. Esse dinheiro deixa de estar aqui e vai para outra região, até fora do País", afirmou
Um exemplo da falta da indústria de transformação é no setor do enoturismo. Apesar do crescimento, Acauan disse que falta a indústria para terminar o processo de engarrafamento do vinho, entre outros pontos que proporcionam valor agregado aos produtos do segmento. A instalação de indústrias também seria uma forma de manter os jovens na região, já que criaria outras oportunidades de trabalho além das propriedades rurais. "Temos que buscar oportunidades e agregar mais valor aos nossos produtos. Temos o maior rebanho ovino e não temos uma indústria de transformação", salientou.
Ainda no agronegócio, são destaque a produção de azeite, mel e plantio de soja e arroz. Outro setor que vem se destacando em Santana do Livramento é a energia eólica.
Sérgio Oliveira, do Sindilojas, lembrou a questão dos desafios da inovação que atinge o varejo e outros setores, como o agronegócio. "Se não nos preocuparmos com a IA e com que o nosso cliente saiba a experiência positiva que está tendo dentro das nossas lojas, nossos supermercados, se não tivermos essa preocupação com esse viés, estaremos sucumbindo", afirmou. 
O dirigente lembrou que Santana do Livramento tem 67 free shops do lado uruguaio e três do lado de Livramento. "Para o nosso comércio local, há uma concorrência muito forte. Não vendemos mais ar-condicionado porque os free shops vendem com preço R$ 1 mil inferior, e outros produtos da linha branca podem sofrer o mesmo", ressaltou.
Em relação à IA, Oliveira disse que ela não deve ser vista como um fator que vai eliminar o emprego, mas deve estar associada ao negócio para  melhorar a produtividade, proporcionando excelência no atendimento.
Desafios para a economia
Na segunda etapa do evento, os painelistas abordaram os desafios ao desenvolvimento econômico da região. A infraestrutura é um ponto de consenso. Segundo Ana Doralina, a melhora da produtividade esbarra nos problemas de infraestrutura das estradas. "Se nos mobilizarmos todos juntamente com governo, prefeitura, associações, todos juntos, nós vamos avançar. Os problemas existem, mas temos que encontrar soluções."
"Todos os municípios da Metade Sul são prejudicados pela falta de duplicação da BR-290. Com certeza a infraestrutura é um grande ponto. Não temos ferrovias. Se houvesse uma ligação até o Porto de Rio Grande, desafogaria as estradas. Houve uma reunião sobre isso, mas temos avanço?", questionou.
Outro desafio, na visão do presidente do Sindicato Rural, é a mão de obra e a atração de jovens da nova geração. "Não existe renovação, será que não está faltando alguém para mostrar para os jovens o que fazemos lá no campo? Será que não temos que contar uma história diferente para essa geração, que ele pode usar IA, que terá internet, infraestrutura e vai poder aplicar os novos conhecimentos no campo", propôs Acauan.
Oliveira também discorreu sobre a questão da mão de obra, a geração Z e a importância de entender a mente dos jovens. "Essa geração está disposta a enfrentar desafios. Precisamos mudar nosso estilo de pensar", disse.
Dois pontos foram citados por ele sobre as dificuldades do mercado de trabalho. A proximidade com o Uruguai, onde os salários são melhores, é outro fator que leva muitos jovens da região a buscarem emprego no país vizinho. 
A proposta de mudança na jornada de trabalho com o fim da escala 6x1 foi criticada pelo presidente do Sindilojas. "Se formos ver a produtividade do brasileiro e dos norte-americanos, a diferença é de quatro semanas. O que o brasileiro produz em quatro semanas, os norte-americanos produzem em uma. Será que vamos conseguir conciliar essa situação? O funcionário não quer ter essa folga, ele quer ter uma situação financeira melhor, um salário melhor e os governantes querem que o empresariado sofra mais um revés, assim como a reforma tributária será para o setor a partir do ano que vem", comparou.

terça-feira, 12 de maio de 2026

 Banrisul lança a BanriWay, conta digital voltada para crianças e adolescentes

Conta do Banrisul para jovens aposta em educação financeira desde cedo

Conta do Banrisul para jovens aposta em educação financeira desde cedo

/BANRISUL/ DIVULGAÇÃO/ JC
JC
JC
O Banrisul anunciou o lançamento da BanriWay, conta corrente criada especialmente para crianças e adolescentes de 0 a 16 anos. O produto, que pode ser contratado pelos pais diretamente pelo aplicativo do banco ou na rede de agências, foi pensado para acompanhar cada etapa do desenvolvimento, oferecendo uma experiência evolutiva que estimula o público jovem a se relacionar com o dinheiro de forma prática e equilibrada.
A BanriWay oferece cartão de débito físico e virtual, Pix, transferências, recarga de celular e mesada via app. Com a concordância dos pais, o jovem tem rendimento automático sobre o saldo e, a partir de 10 anos, pode obter cartão de crédito adicional dos responsáveis. Pelo app, os responsáveis acompanham todas as movimentações em tempo real, com total controle sobre limites, autorizações e notificações.
De acordo com o presidente do Banrisul, Fernando Lemos, a solução tem o propósito de ser a porta de entrada para uma vida financeira consciente, combinando autonomia progressiva, proteção e aprendizado. “Com a BanriWay visamos conectar famílias ao mercado financeiro desde cedo e ajudar jovens a desenvolver responsabilidade e maturidade econômica. Queremos que essa seja a primeira conta de muitos jovens do Rio Grande do Sul e o ponto de partida para uma jornada financeira saudável”, frisou.
Correntistas da BanriWay também contam com descontos em ingressos de cinema, benefícios em shows e festivais, pré-vendas exclusivas, entre outras vantagens, ampliando o acesso a experiências que fazem parte do cotidiano das novas gerações.

 Geração de empregos avança apenas 1% na Macrorregião Central do RS

Santa Maria, o maior município, concentra 78,6% dos empregos formais do Corede Centro, mas avançou pouco em geração de postos de trabalho proporcionalmente ao seu tamanho

Santa Maria, o maior município, concentra 78,6% dos empregos formais do Corede Centro, mas avançou pouco em geração de postos de trabalho proporcionalmente ao seu tamanho

João Vilnei/Prefeitura de Santa Maria/Divulgação/JC

Ana Stobbe
Ana StobbeRepórter
A Macrorregião Central do Rio Grande do Sul avançou menos do que a média estadual na geração de empregos na comparação interanual entre os meses de janeiro de 2025 e de 2026. Conforme os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), essa porção do Rio Grande do Sul cresceu em apenas 1,06% em volume de vagas ativas, pouco abaixo do próprio Estado, que teve avanço de 1,27%. 
"A grande região se caracterizou por uma proximidade com o resultado geral do Estado. Está em uma posição intermediária, sem um destaque muito grande, diferente da Macrorregião Norte, que foi a que mais cresceu. Está próxima da geração de empregos do Sul e acima da Serra, que esteve estagnada com índice próximo a 0%", avalia o pesquisador do Departamento de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (DEE-RS), Guilherme Xavier. 
Se forem avaliados os seis últimos anos em retrospectiva, sempre tomando o mês de janeiro como referência, é possível perceber um agravamento desse cenário. Afinal, a porção central do Estado perdeu participação na geração de empregos do Estado, caindo de 11,5% para 11,3%. "Cresceu menos do que a média estadual nesse período, avançando apenas 13,1%, enquanto o Rio Grande do Sul avançou 14,3%", explica Xavier. 
Para o especialista, entretanto, é nítido que há diferenças entre cada Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) — sistema criado pelo governo gaúcho que divide o Estado em 28 microrregiões. "O Vale do Taquari teve crescimento de 2,2%, acima da média estadual. Já o Corde Central e o Vale Jaguari tiveram pequenas perdas próximas de zero, mas ficaram negativas", destaca. 
O Vale do Taquari é justamente o grande destaque na Macrorregião Central — além de ter tido crescimento de população em 2,9% entre 2020 e 2025, conforme o levantamento do DEE-RS, também avançou acima da média estadual na geração de empregos.
Lajeado, a principal cidade, que atua como um centro industrial e de serviços é a maior geradora de empregos. Mas Teutônia também chama atenção, principalmente, considerando que, após as cheias de 2024, o município recebeu 800 novas empresas e 3 mil moradores, conforme apuração da edição de 2025 do Mapa Econômico do RS.
Próximo à média estadual ficou o Jacuí Centro, que ampliou em 1,32% o número de vínculos profissionais ativos. Embora, diferentemente do Vale do Taquari, seja uma parte do Estado que sofreu perda populacional nos últimos anos. A principal cidade, Cachoeira do Sul, tem buscado reter a juventude e atrair novos moradores a partir das instituições de ensino superior ali instaladas.
Já a criação de um ambiente de negócios favorável à atração de investimentos empresariais se fortalece a partir da conquista de um novo distrito industrial. Fato é que no município houve um acréscimo de 1,27% no número de postos de trabalho formais. 
Já o Vale do Rio Pardo foi um dos Coredes que se aproximou da estagnação, ampliando em apenas 0,92% as vagas de emprego preenchidas. Lá, enquanto Santa Cruz do Sul, a maior e mais industrializada cidade, lidera no número de vagas, o município de Venâncio Aires se destaca por possuir indicadores positivos constantes. 
"Venâncio Aires se destaca tanto nos valores relativos quanto nos absolutos. Não é o primeiro município em todos os indicadores, mas acaba sendo o com desempenho mais constantemente bom nesse conjunto dos maiores municípios da Macrorregião Central", destaca Xavier. 
O desempenho local foi puxado pelos setores de construção civil, que aumentou 16,1% no comparativo interanual, fabricação de produtos alimentícios e fabricação de produtos de borracha e material plástico. No retrospecto dos últimos seis anos, os serviços criaram 1.096 novos postos de trabalho — um aumento de 30,2% do volume observado em 2020 —, quase o dobro da variação percentual dos outros dois setores de destaque: a indústria moveleira e a fabricação de máquinas e equipamentos. 
O Vale do Jaguari, o menos expressivo entre os Coredes que compõem a Macrorregião Central na geração de empregos, com apenas 16.643 vínculos ativos em janeiro de 2026, teve uma variação negativa. Entretanto, praticamente estagnada, na casa dos 0,0%. Sua maior Cidade, Santiago, apesar disso, cresceu 2,28%. 
A Região Central foi a lanterna, com uma perda de 0,16% dos vínculos celetistas ativos e empregos bastante concentrados em Santa Maria — a maior entre todas as cidades da Macrorregião, onde estão 78,6% dos postos de trabalho no Corede. E nem mesmo ela pôde se destacar. "O município teve o terceiro maior saldo de empregos no período, mas, proporcionalmente, o crescimento foi muito pequeno para o seu tamanho. Foram 6,8% em seis anos, menos da metade da média do Estado", explicou Xavier.