quinta-feira, 10 de maio de 2018



10 DE MAIO DE 2018
+ ECONOMIA

BATEU R$ 3,60. CHEGA A R$ 4?

Novo salto diário no Brasil abriu o debate sobre o nível que a moeda americana pode atingir ainda neste ano. Com um cenário eleitoral cada vez mais aberto, analistas projetam que a cédula com a efígie de George Washington pode alcançar R$ 4, especialmente durante a corrida pela Presidência. Cristiano Oliveira, economista-chefe do Fibra, pondera que, se o risco país crescer, deve haver maior depreciação do real. Nesse cenário, não haveria surpresa com cotação de R$ 4, embora a projeção do banco para o fim do ano siga em R$ 3,30.

Ontem, o dólar subiu 0,74%, para R$ 3,595, depois de ser negociado acima de R$ 3,60. O principal motivo é o cenário externo, tanto a inquietação com a alta de juro nos Estados Unidos quanto a tensão geopolítica por conta do rompimento do acordo dos EUA com o Irã. Mas também pesaram, por aqui, declarações do presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, que afirmou que só a inflação vai influenciar no corte de 0,25 no juro previsto para a próxima semana.

Com a disparada do câmbio, analistas consideravam que o BC sinalizaria revisão do plano de novo corte do juro. Como isso não ocorreu, investidores resolveram testar a tese, já que parte da alta é resultado de especulação. O raciocínio é de que o dólar pressiona a inflação e, por consequência, o juro. Há três tipos de produtos mais afetados:

1. importados

2. com grande peso de componentes importados, como eletrônicos fabricados no Brasil - TVs, celulares

3. produtos que, mesmo produzidos e manufaturados no Brasil, têm preço definido no Exterior em dólares, caso de gasolina, diesel, açúcar e soja.

Como a inflação acumulada em 12 meses está em 2,68%, ainda muito abaixo do centro da meta perseguido pelo BC, de 4%, Oliveira considera correta a posição de Ilan:

- Não é um corte de 0,25 ponto que vai fazer diferença no câmbio.

O economista adverte, porém, que o risco país subiu mais de 30% em poucas semanas. Se seguir em alta, levará junto a relação entre dólar e real.

Ainda antes do pedido de socorro da Argentina ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o tempo nublou no continente. Mal a região havia visto raios de sol financeiro, em janeiro, depois de uma longa "despiora" houve nova queda do Indicador do Clima Econômico da América Latina - parceria do instituto alemão Ifo com a Fundação Getulio Vargas (FGV).

A "repiora" foi influenciada pela expectativa futura, que recuou 16,6 pontos entre janeiro e abril. A região seguiu a retração do ICE Mundial, mas a média geral desacelerou sem entrar no vermelho. Os maiores recuos de janeiro a abril ocorreram em Argentina (-17,5 pontos), Brasil (-15,7) e Peru (-11,3). Mas Argentina - com FMI e tudo - e Peru seguem no azul. O Brasil pegou temporal. TEMPO FECHADO

OS TEMPOS DESAFIAM A LÓGICA DO MERCADO. QUANDO O DÓLAR SOBE, A BOLSA COSTUMA CAIR, POR CONTA DO BALANÇO DE RISCO. ONTEM, A BOLSA AVANÇOU 1,58%, ABASTECIDA PELA DECOLAGEM DE 10% DA PETROBRAS. A OCTANAGEM DA ESTATAL VEIO DO AUMENTO DO PREÇO DO PETRÓLEO E DO BOM BALANÇO TRIMESTRAL.

marta.sfredo@zerohora.com.br - MARTA SFREDO

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