sábado, 29 de junho de 2019


29 DE JUNHO DE 2019
+ ECONOMIA

NO RS, BOA RECEPÇÃO A ACORDO COM EUROPA


Para que entre em vigor, o acordo de livre comércio União Europeia-Mercosul ainda precisa da aprovação nos 28 países europeus (27, se o Reino Unido confirmar a saída) e nos quatro do Mercosul. Mesmo assim, o fim de uma novela de 20 anos foi recebido com expectativa positiva no Estado. Como todo processo de redução de impostos sobre importações, embute riscos e oportunidades. Segmentos industriais menos competitivos dos países sul-americanos podem sofrer com a concorrência de produtos europeus de maior qualidade e menor preço. Indústrias que já disputam o mercado da Europa tendem a ser beneficiadas.

No Estado, além da agropecuária, os dois setores que podem ganhar mais são os de calçados e móveis. Primeiro, porque conforme Frederico Behrends, consultor em comércio exterior que acompanhou de perto a última década das negociações, estão na primeira leva de retirada de alíquotas de importação. Ou seja, assim que o acordo for aprovado pelos 32 (ou 31) parlamentos, entra em vigor a queda da tarifa.

-Estávamos prevendo isso, e como o presidente Bolsonaro concordou em assinar o acordo ambiental, foi possível fechar. É o maior tratado comercial do mundo na história. Ainda é preciso entender melhor os detalhes, mas, na versão mais recente, calçados e móveis estavam entre os segmentos para os quais a queda de tarifa traz vigor de imediato - reforça Behrends.

O especialista detalha que as tarifas caem em prazos distintos, de zero, quatro, oito, 10 e 15 anos. No caso dos que ganham prazo, a queda se dá de forma gradual, ou seja, reduz 25% ao ano, no caso do cronograma de quatro anos. Isso não vai valer para cerca de 10% dos produtos dos dois blocos, os considerados "sensíveis".

Presidente da associação da indústria calçadista (Abicalçados), Heitor Klein avalia que é "muito vantajoso" para o segmento, desde que respeitadas regras de origem e 60% de conteúdo local:

- O calçado brasileiro pode concorrer com qualquer outro. Só é preciso regra de origem para evitar que entrem produtos asiáticos travestidos de europeus.

CRISE? QUE CRISE?

Fintech de antecipação de recebíveis para empresas que precisam de capital. Openbox.ai recebeu cerca de R$ 1 milhão de investidores de países como Espanha, Portugal e Croácia.

A Docile, de Lajeado, é uma das patrocinadoras do Museu Mais Doce do Mundo, atração itinerante que está em São Paulo até 18 de agosto e seguirá para o Rio. Diretor da empresa, Ricardo Heineck estima aumento de 15% nas vendas internas e de 25% nas exportações neste ano.

NA SEXTA-FEIRA, ENTROU EM OPERAÇÃO COMERCIAL A TÉRMICA PAMPA SUL. ABASTECIDA A CARVÃO, A USINA É RESULTADO DE INVESTIMENTO DE R$ 2 BILHÕES DA FRANCO-BELGA ENGIE. A UNIDADE FOI VIABILIZADA EM LEILÃO DE ENERGIA EM NOVEMBRO DE 2014, ANTES DE O GRUPO ENGIE ANUNCIAR SUA ESTRATÉGIA GLOBAL DE SAIR DA GERAÇÃO A CARVÃO. AS OBRAS COMEÇARAM EM JUNHO DE 2015. CONFORME O GRUPO, A VENDA DESSA UNIDADE, ASSIM COM A DE JORGE LACERDA, EM CAPIVARI DE BAIXO (SC), ESTÃO "EM ANDAMENTO".

Embora alguns setores já tenham até balanço de perdas e ganhos com o acordo UE-Mercosul, outros praticamente ignoram seu impacto, até pelo descrédito em torno da concretização, depois de anos de espera. O consultor Frederico Behrends diz estar pronto para sair em missão pelo Rio Grande afora para explicar as oportunidades e os riscos de comprar e vender com menos tributos para a Europa.

MARTA SFREDO

Nenhum comentário: