terça-feira, 1 de fevereiro de 2011



01 de fevereiro de 2011 | N° 16598
CLAUDIA TAJES | CLAUDIA TAJES(Interina)


Presença VIP

Na outra quinta, em uma participação por telefone no programa da Tânia Carvalho, uma ex-BBB contou que sua principal atividade econômica, agora que saiu nas revistas de mulher pelada e andou pelos programas de auditório, é a Presença VIP. Ao apagar das luzes, a ex-quase famosa recebe cachê para frequentar festas de inauguração, desfiles e aniversários, onde come, bebe, é paparicada, distribui autógrafos e posa para fotos feitas com o celular de quem a procura.

Parece uma barbada, mas só parece. Assim como a Medicina, o Direito e o Jornalismo não param de receber recém-formados, o mercado da Presença VIP sofre com a chegada diária de concorrentes. O atual BBB já está despejando novos bonitões e gostosonas, carne fresca para abrilhantar eventos. Isso sem falar nas outras mil formas de se virar VIP, desde beijar o jogador certo na hora certa a se autofilmar em cenas calientes para postar no YouTube. Ter a maior bunda do Brasil garante bons convites.

Ser um homem com cara e corpo de mulher ou uma mulher com cara e corpo de homem também ajuda. E mudar de sexo está em alta. Do jeito que vai, as universidades só não oferecem vestibular para Presença VIP porque esta é uma profissão em que o sucesso deve vir muito antes do esforço. Mas as cadeiras seriam interessantes: Fotografia com Sunga Branca, Discurso Vazio, Dialética para Conquistar Atrizes Mais Velhas. E por aí vai.

Engraçado é ver como o conceito de Presença VIP mudou. Nos aniversários de família, VIP era a madrinha que morava no Rio de Janeiro e vinha de Varig trazendo o chiado adquirido há pouco e uma tanga da marca Bumbum de presente. VIP era o colega de trabalho do marido, razão para a mãe preparar um estrogonofe em pleno almoço de terça.

Ou a namorada catarinense do tio, que as crianças tratavam de monopolizar. Aliás, os VIPs de então sequer eram tratados por VIPs, embora todo mundo intuísse que eles eram pessoas muito especiais. Em lugar de cachê, ganhavam uma ambrosia feita no capricho e a atenção sincera de uma plateia reunida na sala para vê-los brilhar.

Em tempos de VIPs magros, na semana passada me ofereceram cachê para participar da inauguração de uma loja de bijuterias na Grande Porto Alegre. As proprietárias, mãe e filha, tentaram antes presenças VIPs de peso, e fracassaram.

Então alguém lembrou que havia estudado comigo em um colégio da Zona Sul e sugeriu trocar uma visita de duas horas por mercadorias, até um total de R$ 150, mais 10% de desconto no que eu quisesse comprar.

Não rolou. E nem foi porque eu precisaria ir de ônibus, que hoje os coletivos têm ar condicionado e os vales-transporte estavam incluídos na negociação.

Se for para ser VIP um dia, que seja por escrever tão bem quanto o querido titular desta coluna.

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