
10
de abril de 2013 | N° 17398
EDITORIAIS
ZH
MUITO ALÉM DO
TOMATE
Os
sucessivos aumentos que multiplicaram por três o preço do tomate no período de
um ano são apenas a face mais visível de um fenômeno que já desarrumou a economia
brasileira por décadas e está sempre à espreita. A inflação, sob controle há
pelo menos uma década e meia, volta a preocupar governo e população por se
manifestar principalmente na cesta básica, com reflexos diretos na vida de
grande parte da sociedade que vem obtendo ganhos de renda nos últimos anos.
Nada
é mais preocupante do que a ascensão dos preços dos alimentos. Inflação na mesa
significa corrosão do poder de compra do que é essencial, com danos ainda mais
perversos entre as famílias que consomem quase tudo o que obtêm na aquisição de
produtos básicos.
Mas
os preços em alta não atemorizam apenas as camadas mais pobres, mesmo que essas
sejam as mais vulneráveis. Qualquer risco de descontrole no custo de vida se
reflete em insegurança para todos. Quem sobreviveu aos longos períodos de
inflação alta sabe o que tal distorção representa.
A
situação atual, mesmo que não possa ser comparada à registrada até meados dos
anos 1990, é de qualquer forma temerária, por indicar que, pelo segundo ano
consecutivo, o país poderá enfrentar um índice inflacionário acima da meta
fixada pelo Conselho Monetário Nacional. É paradoxal que um país das dimensões
do Brasil, que se prepara para colher uma safra recorde de 185 milhões de
toneladas de grãos, tenha de importar comida para atender à demanda interna e
segurar preços.
É
particularmente esdrúxula a situação que leva o país a comprar polpa de tomate
da China, gastando mais de R$ 12 milhões em apenas dois meses no que poderia
ser produzido aqui. É óbvio que a escassez do produto não explica, sozinha, o
momento de pico inflacionário da cesta básica, assim como a famigerada alta do
chuchu não justificava a inflação dos anos 70.
Mas
é sintomático que o Brasil não tenha se preparado para atender à demanda do
consumo doméstico, apresentando-se assim como exceção na economia global, que
vem registrando, segundo a FAO, queda consecutiva nos preços da alimentação
desde outubro do ano passado.
É
por conta da pressão inflacionária que se prevê a elevação da taxa de juros, o
recurso sempre à mão quando o objetivo é conter os preços pela desaceleração da
economia. Não há como não lamentar que, depois de 12 meses quase sem
crescimento, em 2012, o país se veja obrigado a conviver com uma estratégia que
cobra o alto custo de conter o consumo e, por consequência, segurar a produção.
O
Brasil é um dos poucos países com baixa performance econômica após a crise
mundial do final de 2008. Continuar atribuindo o fraco desempenho do PIB à
persistência da instabilidade na Europa e nos Estados Unidos é como culpar
apenas o tomate pela distorção dos preços.
E
ainda prendem os brasileiros que estão trazendo tomate da Argentina e do
Paraguai e tomam o produto por considerarem contrabando. Vê se pode isso..Além
de serem incompetentes pois o País poderia importar, como importa arroz e trigo
e assim o preço não subiria tanto aqui, ainda usam a máquina pública para
cometer esses absurdos..Para que serve o tomate..? Que eu sei, não é nenhuma
arma ou droga, a menos que alguns políticos estejam com medo de levar centenas
deles nas suas cabeças...Comentário desse Blogger...
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