sábado, 2 de maio de 2020


02 DE MAIO DE 2020
É DEMÓÓÓÓIS

SHOW DA VIDA


Nelson Marchezan fez uma live, na tarde de sexta-feira. Falou de sua opção nos decretos para relaxar um pouco o distanciamento social em Porto Alegre. Foi uma longa explanação, revelando diversos detalhes de abertura de lojas e também sobre profissões que estão sendo liberadas. Ainda falta muito, mas os resultados são animadores. Foi a opção pela vida. Temos um número de mortos imensamente inferior do que outras capitais brasileiras, e temos pouquíssima gente ocupando leitos dos hospitais com covid-19.

Com isso, os centros de treinamentos foram liberados, e já na segunda-feira o Inter reinicia seus trabalhos profissionais. Na interessante entrevista do presidente Marcelo Medeiros ao Sala de Redação, foram colocadas diversas situações sobre o retorno e dos máximos cuidados que terá o clube com a saúde de seus jogadores. Chamou atenção que a direção colorada fará, neste sábado, testes dos procedimentos que serão adotados. O Grêmio não confirma o retorno dos jogadores porque os testes adquiridos na Coreia do Sul ainda não chegaram. Tudo isso é possível porque as condições sanitárias de nossa cidade são, apesar de tudo, boas. Eduardo Leite e Nelson Marchezan estão ganhando esta dura partida. Felizmente. O Rio Grande do Sul está assistindo ao show da vida. Mas o jogo ainda é duro.

EMOCIONANTE Confesso que fiquei emocionado quando ouvi de Marcelo Medeiros que o seu Inter estudou todos os processos de protocolo para o retorno dos jogadores junto com o Grêmio. Poucas vezes se viu no nosso futebol dois presidentes tão amigos e possuidores de tanta sensibilidade. Eles sabem que a rivalidade precisa estar em campo, e que fora dele os problemas são muito comuns. Neste caso da crise que estamos vivendo, o fato de estarem juntos, dividindo preocupações e soluções para o enfrentamento das dificuldades, emociona. São adversários, nunca inimigos.O inimigo que está aí é o coronavírus.

ALTERAÇÕES Teremos muitas alterações na volta do futebol. A concentração tradicional não existirá. Quando necessário, será um jogador em cada quarto de hotel. Durante a semana, em dias sem jogos, virão de casa fardados para os treinamentos, sem uso de vestiário ou academias. Toda a preparação física irá para o campo ou aparelhos que cada jogador tiver em casa. O número de jogadores reservas deverá ser menor. Deverão viajar somente os profissionais e dirigentes fundamentais. Devem ser utilizados dois ônibus, para que os passageiros tenham distância entre si. Não creio que teremos abraços nos gols marcados. Enfim, será outro jeito de entender futebol. Tudo isto visando, prioritariamente, a saúde dos jogadores. É a nova realidade chegando entre nós. Será estranho, mas a gente logo se habitua.

PALPITES Foi só falar em volta do futebol e já surgiram os palpiteiros. Formadores de opinião, ocupando espaços importantes da imprensa ou da internet, exaltando opiniões definitivas. Claro que a quase totalidade deles não tem nenhum conhecimento de medicina. Suas opiniões são para se fazerem notar, ou porque têm mania de saber tudo.

Estou entre aqueles que recebem a opinião de autoridades, ou seja, os médicos, os profissionais que estão fazendo protocolos, as secretarias e o Ministério da Saúde. São eles que têm que opinar sobre isto. Os clubes precisam jogar, o futebol pode ser mais um importante aliado do isolamento social, já que o cara fica em casa vendo o jogo, e cuidar da saúde dos jogadores fica com quem sabe. Como os palpiteiros são chatos e definitivos!

PEDRO ERNESTO

  02 DE MAIO DE 2020
ARTIGOS

O INIMIGO DO POVO


Na peça de teatro de Henrik Ibsen (1882) - que se passa numa pequena cidade da Noruega cuja maior fonte de renda advém de sua estação balneária -, Dr. Stock- mann identifica que a água está poluída, aparentemente devido a lançamentos de impurezas dos curtumes da cidade. Médico dedicado à ciência, sente-se no dever de levar a verdade ao povo. A denúncia representará o encerramento do balneário, o que causaria um transtorno para a cidade, que deixaria de lucrar com o turismo. Ele é apontado então como inimigo do povo!

Nesta pandemia, enfrentamos um inimigo invisível que dizima populações. Não é de hoje que decisões duras impostas pelo dilema da preservação da vida e repercussões econômicas vêm ao debate público. A despeito das questões ideológicas, interesses mesquinhos e particulares, devemos entender que a pandemia é única, com padrões de transmissão, distribuição etária e viabilidade no meio externo desconhecidos. Ainda que o curso seja impossível de prever, sabemos que a fase inicial é o momento adequado de agir com celeridade.

Como na prática médica em geral, por vezes, os tratamentos são realizados em etapas ou ciclos e ocorrem em tempos diversos. A primeira etapa envolve conscientização da população, da academia e de toda a sociedade para preparo e entendimento da gravidade. São medidas restritivas severas com repercussões na vida de cada cidadão e na economia. O distanciamento social nunca é popular. E o objetivo não é conter a doença, mas reduzir mortalidade, atendimento hospitalar, mormente tratamento intensivo. Evitar a falência do sistema de saúde e as escolhas de Sofia!

Não podemos "matar da cura", mas temos que evitar de apontar o Inimigo do Povo. Infelizmente com custos para a vida e para a atividade econômica, pois sabemos que são inevitáveis, embora trabalhemos para minimizá-los. Estamos no primeiro ciclo do tratamento e precisamos evoluir para o seu aprimoramento contínuo. Não há caminhos mágicos. A prevenção no tempo certo é a melhor escolha para salvaguardar a vida e, ao mesmo tempo, uma economia voltada a sustentar uma casa compartilhada por todos.

Médico, diretor do Instituto do Cérebro (InsCer), vice-reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) jcc@pucrs.br
JADERSON COSTA DA COSTA

02 DE MAIO DE 2020
OPINIÃO DA RBS

FALTA UM PLANO FEDERAL


O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, parece ter despertado para a dura realidade do país. Ou ao menos sentiu-se um pouco mais encorajado a admitir publicamente que o quadro de aumento acelerado de pessoas infectadas pelo novo coronavírus e a escalada do número de mortes não permite falar neste momento, em nível nacional, em um afrouxamento mais amplo das medidas de distanciamento social. Mesmo que possa contrariar seu chefe, na quinta-feira, duas semanas após assumir, pela primeira vez Teich foi mais enfático na defesa da ideia de que, por enquanto, seria irresponsável tratar de medidas que liberassem um número maior de atividades econômicas devido à curva ascendente de casos no Brasil.

Antes disso, o ministro se limitava a ressaltar a necessidade de ter mais dados sobre a pandemia no país e a comentar medidas como envio de respiradores e equipamentos para os hospitais. Ou seja, transparecia preocupar-se mais com o tratamento dos doentes e o preparo da estrutura de atendimento, o que também é vital, mas silenciava quanto à relevância do distanciamento social e a importância de evitar aglomerações, a melhor prevenção conhecida até agora para deter uma disparada descontrolada dos casos e o colapso da rede de saúde. 

A omissão parecia confirmar as inquietações de que Teich, tutelado, estaria mais interessado em não entrar em colisão com o presidente Jair Bolsonaro. O primeiro compromisso de um ministro da Saúde, no entanto, deve ser o bem-estar da população, e não adular quem o nomeou, ainda mais se o subproduto dessa subserviência for corroborar posturas que colocam brasileiros em risco. A nova postura, porém, traz os primeiros dissabores para o ministro, que passou a ser um novo alvo dos ataques de bolsonaristas mais radi­cais nas redes sociais.

Lamentavelmente, porém, Teich demora em mostrar seu plano de contenção da pandemia e ainda peca pela pouca coordenação com os Estados. Não precisaria muito para ter uma bússola e recomendá-la, no momento possível. O governo do Rio Grande do Sul já ofereceu repetidas vezes sua sensata proposta de distanciamento controlado ao Planalto. Com adaptações, é uma estratégia que poderia ser replicada sem grandes e inúteis complexidades em toda a federação. No Estado, as medidas previstas obedecem a um caminho iluminado pelo farol da ciência, com um planejamento detalhado. São possíveis neste momento pelo número de casos bem abaixo da média nacional e pela disponibilidade de leitos de UTI, mas levando em conta também particularidades regionais e diferentes graus de risco de ati­vidades. Quando chegar a hora, seria um plano de saída viável também para outras partes do Brasil.

Em vez de apresentar ou adotar uma ideia sólida, porém, o Executivo federal segue em sua atitude errática, na qual o ministro da Saúde parece a cada dia mais perplexo com a evolução do coronavírus, e o presidente, cada vez mais preocupado apenas com seu futuro político.




02 DE MAIO DE 2020
DIÁRIOS DO MUNDO - FÁBIO MENDES MARZANO, Embaixador responsável pelo grupo de crise do Itamaraty

"Me sinto muito contente por não deixar nenhum brasileiro para trás"


De uma hora para a outra, brasileiros ficaram sem hospedagem do outro lado do mundo, porque os hotéis em que estavam foram obrigados a fechar as portas por ordem de governos devido à pandemia. Não havia como voltar porque as companhias aéreas cancelaram os voos. Aeroportos estavam desertos, fora de operação.

Esses foram alguns dos desafios enfrentados pelos diplomatas brasileiros para trazer de volta ao país mais de 17 mil cidadãos retidos em cinco continentes por causa da crise do coronavírus.

A maior operação de repatriação da história do Brasil teve a coordenação do embaixador Fábio Mendes Marzano (foto), 55 anos, carioca à frente do G-CON, grupo especial de crise para assuntos consulares e migratórios, criado pelo Ministério das Relações Exteriores. Com a experiência de ter trabalhado em postos de Madri, Lima, Caracas, Washington e Paris, Marzano comandou o fretamento de 23 voos até agora, entre eles seis contratados da TAP para trazer mais de 1,3 mil brasileiros de Portugal. Desde 21 de março, o governo investiu R$ 47 milhões nas operações. Cerca de 3,7 mil cidadãos ainda enfrentam problemas para retornar. Segundo o Itamaraty, não há prazo para o término das repatriações. Em entrevista à coluna, Marzano conta os bastidores da operação, que envolveu 300 diplomatas.

Como o Itamaraty se organizou para repatriar os cidadãos?

Houve pouco tempo. Nosso ministro (chanceler Ernesto Araújo) resolveu estabelecer um grupo de crise, porque começamos a receber informações de consulados e embaixadas que estavam sendo procurados por brasileiros cujos voos haviam sido cancelados. Eles estavam ficando sem opção. O ministro determinou que eu criasse e coordenasse esse grupo, que se estabeleceu rapidamente. Convocamos umas 50 pessoas, hoje temos mais de cem colegas diplomatas trabalhando nas operações em Brasília. A maioria de casa, mas pedimos à administração os números de celulares e, com isso, conseguimos fazer um esquema 24 horas. Colocamos todos esses colegas em uma espécie de plantão intensivo permanente.

E nos consulados e embaixadas como se organizaram?

Se contarmos os colegas nos postos, dá mais de 300 participando desse grupo de crise. Colocamos um formulário online na nossa plataforma consular para que qualquer brasileiro em dificuldade pudesse se inscrever e explicar sua situação, onde estava, informar seu número de passaporte, telefone, e-mail de contato.

Quais foram as dificuldades?

Primeiro havia a dificuldade da demanda em si, atender a tantas pessoas. Foi necessário ter todo esse contingente de colegas atendendo. Nem todos estavam treinados para esse tipo de trabalho consular. Tivemos de, muito rapidamente, explicar como atender ao telefone, o que dizer às pessoas, que dados anotar. A segunda dificuldade foi obter recursos. Fizemos um ofício, pedindo recursos extraordinários. Estimamos que seriam necessários R$ 50 milhões. Encaminhamos para a Economia e, por meio do gabinete de crise da Presidência, o ministério agilizou (a verba). Em poucos dias, tínhamos esse crédito extraordinário. Nossas ações ordinárias do orçamento não permitem esse tipo de gasto. Vencida essa etapa, a terceira foi começar a examinar as possíveis rotas, as situações de maior emergência, os maiores grupos. Tudo isso no mundo inteiro. Não dá para priorizar um país. Pode-se ter apenas cinco brasileiros, mas eles estarem em situação dramática. Então, você tem de atender rapidamente.

Qual foi a operação logística mais complicada?

Acho que foi o voo da Ásia, que envolveu Katmandu (Nepal), Bali e Jacarta (Indonésia). A empresa que fez o menor preço, não sei se não tinha muita experiência, nos deu muito trabalho para conseguir autorizações, sobrevoos, pernoite de tripulação. Teve de mudar de rota. Tivemos de trazer pessoas em outro avião de Katmandu, coordenar horários para que saíssem da aeronave e pegassem outra em Bali. Outros aviões pequenos trouxeram pessoas que estavam em ilhas da Indonésia. Para que, de lá, fossem para Jacarta. 

Foram várias pequenas operações. Tudo tinha de ser muito coordenado, às vezes com poucas horas para coordenação. Outra grande dificuldade foi o fato de os países estarem praticamente sem operação aeroportuária. A empresa (companhia aérea) que você contrata tem de conseguir tripulação, parte está infectada, em quarentena. Os aeroportos não têm toda aquela cadeia logística de apoio. Então, tínhamos, por meio da embaixada, de fazer gestão com o governo local. Não só pedir autorização para sobrevoo, mas para operar os aeroportos. Em todos esses voos, praticamente os aeroportos estavam desertos. Eram abertos somente para nós.

Não foram usados aviões da Força Aérea Brasileira (FAB)?

De Wuhan, aeronaves de reserva da Presidência resgataram aqueles 30 brasileiros. No início de março, houve o caso de um brasileiro retido no Irã, no qual tivemos de atuar. Envolveu várias embaixadas por causa de sobrevoos. Em seguida, começou toda essa operação. A FAB nos ajudou em Cusco (Peru), onde havia brasileiros retidos. Não se conseguia mais voo comercial. A FAB mandou dois Hércules, que conseguiram resgatar todos os brasileiros.

O senhor já havia participado de algo desse tipo?

Havia atuado em algumas operações no passado, na Líbia, mas coordenando todo o esquema, não. Até porque é algo inédito para o Itamaraty. Nunca tínhamos fretado um voo para repatriar brasileiros. Nunca tinha acontecido isso antes na nossa história. Também nunca houve uma pandemia que obrigasse retorno em tão curto prazo de milhares de brasileiros.

Em 2006, o Brasil resgatou brasileiros que estavam no Líbano, durante guerra com Israel. Mas esta operação é diferente.

Pelo ineditismo, pelo tipo de operação, de logística envolvida e negociação. Pela magnitude também. Da noite para o dia, tivemos de acionar, ao mesmo tempo, toda a rede de postos brasileiros em cinco continentes. A vantagem é que temos essa rede habituada a atuar em casos consulares. Mas é como se, de repente, em dois meses, tivessem se concentrado todos os casos consulares de anos. Milhares de pessoas demandando. Não foi só repatriação. Temos gastado com assistência consular. Porque muitos desses brasileiros foram expulsos de hotéis, às vezes já até tendo pago, mas o estabelecimento foi obrigado a fechar as portas pelo governo local. Principalmente em países onde houve toque de recolher mais rígido. Então, a pessoa foi para rua, e a embaixada teve de providenciar abrigo. Pessoas também começaram a ter falta de medicamentos. Não tinham mais recursos, o cartão de crédito já tinha esgotado o limite.

Como foi?

Aconteceu com muita gente. Na Europa, mas também na Ásia. Às vezes, o hotel era obrigado (a fechar). Também aconteceu o contrário: muitos brasileiros que estavam em Cusco não puderam sair do hotel porque foram diagnosticados com o vírus. Nesse hotel, houve até um estrangeiro que morreu. Então, o governo peruano impôs a quarentena, e esse grupo de brasileiros não podia voltar. Não tinham autorização para nem sequer sair do estabelecimento. Tiveram de cumprir a quarentena. Na semana passada, foram liberados, então conseguimos trazê-los.

Como o senhor se sente, do ponto de vista pessoal, ao liderar essa operação?

Me sinto muito contente de ter essa oportunidade, por não deixar nenhum brasileiro para trás. É um aprendizado. A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) tem nos ajudado nos contatos com as homólogas dos outros países, com empresas aéreas. A gente aprende até sobre logística, rotas, aviões. É interessante.

RODRIGO LOPES


02 DE MAIO DE 2020
CORONAVÍRUS

Ferida da desigualdade social deve aumentar na pandemia

Situação desafiará a economia quando a covid-19 passar. Especialistas defendem socorro aos mais vulneráveis neste momento

Considerada uma das grandes feridas sociais do Brasil, a desigualdade deve voltar a crescer em razão do coronavírus. Ao dificultar a vida dos mais pobres, o cenário desafia o desenvolvimento econômico do país como um todo depois da pandemia. Para diminuir os estragos, especialistas destacam a necessidade de medidas de amparo aos mais vulneráveis durante a crise.

Uma das formas de medir o espaço que separa as camadas mais ricas das mais desfavorecidas é o Índice de Gini, que varia em uma escala de zero a um. Quando o indicador sobe, sinaliza aumento na desigualdade da renda do trabalho. Quando baixa, mostra que a diferença entre os ganhos das duas pontas da sociedade ficou menor.

No Brasil, o índice caiu no quarto trimestre do ano passado depois de 18 altas consecutivas, aponta o centro de estudos FGV Social, da Fundação Getulio Vargas. Significa que a última recessão enfrentada pelo país fez a desigualdade subir desde o início de 2015, até finalmente voltar a cair no fim de 2019.

Na ocasião, o Índice de Gini atingiu a marca de 0,6276, recuo de 0,12% frente ao quarto trimestre de 2018. A questão é que a nova crise gerada pelo coronavírus provoca resultados indigestos como o aumento do desemprego. Com a perda de renda em classes mais vulneráveis, nova piora aparece no cenário, diz o economista Marcelo Neri, diretor do FGV Social.

- A tendência é de que a desigualdade volte a subir com a parada ocorrida na economia - frisa o pesquisador, referência na análise sobre distribuição de renda no país.

Um dos motivos que explicam a projeção mais pessimista é o elevado nível de informalidade no Brasil. Com o distanciamento social imposto pela covid-19, trabalhadores sem carteira assinada ou CNPJ viram o faturamento desabar. É o caso, por exemplo, de vendedores ambulantes ou motoristas de aplicativos de transporte.

- Com alto nível de informalidade, países em desenvolvimento tendem a ampliar a desigualdade social. Muitos informais têm o ganha-pão no dia a dia. Precisam estar na rua para conseguir renda. Com o distanciamento, esse público sente mais - pontua o economista Felipe Garcia, professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

O número de informais passou a crescer com a recessão de 2015 e 2016, alcançando no Rio Grande do Sul a marca de 1,9 milhão de trabalhadores no quarto trimestre de 2019, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No país, o dado mais recente corresponde ao período de janeiro a março. No intervalo, o Brasil tinha 36,8 milhões de profissionais sem registro formal. O grupo respondia por 39,9% do mercado de trabalho nacional à época.

- A informalidade é uma das grandes chagas da desigualdade. É causa e consequência desse problema. Trabalhadores autônomos estão sendo muito penalizados pela pandemia - observa o economista Ely José de Mattos, professor da Escola de Negócios da PUCRS.

Na pandemia, o governo Bolsonaro fechou acordo com o Congresso e anunciou o auxílio emergencial de R$ 600, por três meses, para informais. Diante da crise, Neri ressalta a importância da transferência de renda para a população. E ainda alerta sobre postura "ambígua" do Planalto:

- Ao aumentar os gastos fiscais, o governo quer viabilizar a permanência das pessoas em casa, só que o presidente fala em ir para a rua. É como se um carro fosse acelerado e freado ao mesmo tempo.

Nas últimas semanas, o auxílio de R$ 600 gerou filas em agências da Caixa no país. Para Garcia, que foi secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Economia em 2019, a dificuldade para fazer a ajuda chegar a quem mais precisa reflete erros históricos:

- Temos projetos sociais que não se conversam, foram construídos a partir de demandas momentâneas ao longo do tempo. Tanto é que o governo precisou correr para colocar uma porção de gente para dentro do auxílio de R$ 600.

 LEONARDO VIECELI

02 DE MAIO DE 2020
CARTA DA EDITORA

Transformação permanente

A partir deste fim de semana, ocuparei este espaço semanal em substituição ao meu colega Carlos Etchichury, que agora é gerente-executivo de Esporte de GZH, Gaúcha, ZH e DG. Assumo como editora-chefe às vésperas de ZH completar 56 anos (nesta segunda-feira) e num momento atípico e ainda mais desafiador para o jornalismo.

Nestas mais de cinco décadas de existência, foram muitas as transformações do jornal para conseguir acompanhar a evolução da comunicação e se adaptar às necessidades dos leitores. Destes 56 anos, em 25 deles tive a oportunidade de vivenciar essas mudanças.

Comecei em ZH como repórter de política em 1994. Era então o auge de um Rio Grande polarizado politicamente. O rádio e a TV davam as informações do momento. O jornal em papel trazia no dia seguinte as notícias completas, junto com análises e opiniões. Em 1994, a internet engatinhava no Brasil. As redações de ZH, Gaúcha e RBS TV pouco se comunicavam. Chegavam a ser, em determinados momentos, concorrentes.

Ao me tornar editora de Política, em 2012, ZH já tinha profissionais multimídia, que faziam suas reportagens para impresso, rádio e TV, e a mudança nos hábitos de consumo já era uma realidade, embora não ao alcance de todos. Em 2016, quando me transformei em editora de uma área mais ampla de hard news (política, economia, mundo, segurança), o papel de informar já não era mais nosso único foco. Com o bombardeio de conteúdos falsos nas redes sociais, a certificação e a curadoria ganharam relevância. E a integração entre as redações da RBS avançava, mas ainda havia obstáculos a remover. Um grande passo foi dado em 2017, com GaúchaZH, plataforma digital que surgiria da união dos sites de notícias de Zero Hora e Rádio Gaúcha.

Em 2018, mesmo ano em que assumi como coordenadora do Grupo de Investigação da RBS (GDI), os últimos obstáculos foram derrubados. Uma redação integrada começou a surgir, com ZH, Rádio Gaúcha e Diário Gaúcho trabalhando em um mesmo ambiente, tendo GaúchaZH como a mídia agregadora dos conteúdos produzidos por esses veículos. O jornalismo que fazemos não é mais exclusivo de um ou de outro veículo. O que nos diferencia na redação integrada é a forma como entregamos a notícia nas diferentes mídias do Grupo RBS.

Chegamos a 2020 e os desafios continuam. Vivemos momento de incerteza mundial provocada por uma pandemia que nos obrigou a esvaziar momentaneamente nosso ambiente de trabalho. Desde o final de março, somos uma redação integrada virtual, mas que continua fazendo aquilo que sabe fazer de melhor: jornalismo de relevância, que informa, elucida e, sobretudo neste momento, combate a desinfomação.

DIONE KUHN

02 DE MAIO DE 2020
RODRIGO CONSTANTINO

Construir pontes


Dividir para conquistar é uma tática política eficiente desde os romanos. O PT lançou mão dessa estratégia e rachou o país entre ricos e pobres, negros e brancos, homens e mulheres, gays e heterossexuais etc. Demonizaram tanto os adversários, tratados como inimigos cujas intenções seriam malignas, que quando deixaram um rastro de corrupção e caos social, o ódio foi inevitável para muitos.

Em parte isso explica o fenômeno do bolsonarismo. Há uma ala movida basicamente pelo ressentimento, pela raiva, pelo sentimento de vingança. Em vez de querer construir algo positivo, predomina o desejo de destruir o inimigo. Essa turma enxerga traidores por todo canto, exige lealdade plena ao "mito" e trata com desprezo e revolta qualquer um que desvia uma vírgula de sua cartilha.

Esses bolsonaristas só se reconhecem no combate, foram forjados no conflito, e costumam esticar a corda até o limite. O risco é ela se romper. A quantidade de "traidores" não para de aumentar. Alguns pareciam, no começo, oportunistas desmascarados mesmo. Mas, com o tempo, a lista de "comunistas" ou "vendidos" foi aumentando, até incluir o ex-ministro Sergio Moro.

Aquele que era um herói nacional até "ontem" se transmutou, da noite para o dia, num pária infiltrado a ser destruído. Uma coisa é criticar a forma como Moro escolheu sair, atirando no ex-chefe, o que foi criticado inclusive pelo vice Mourão. Militares prezam a fidelidade hierárquica. Outra, bem diferente, é passar a detonar todo aquele que ainda admira Moro.

O deputado Vitor Hugo, porém, publicou mensagens de lamento pela saída de Moro dos deputados do Partido Novo e afirmou que vemos "muitas máscaras caindo". Entre os deputados estava Marcel van Hattem, do RS, um dos mais combativos defensores da agenda reformista do governo, em especial na área econômica. Vitor Hugo é ninguém menos do que o líder do governo na Câmara!

Marcel rebateu, perguntando se o intuito do líder do governo era dividir a direita para devolver o poder ao PT. Uma alfinetada legítima, já que ele, por convicção, tem sido dos mais favoráveis às pautas do governo. Paulo Eduardo Martins, deputado governista que tenta construir pontes, também desabafou: "É impressionante. Não há 12 horas de paz em Brasília". Por que será?

RODRIGO CONSTANTINO

sexta-feira, 1 de maio de 2020


Nesta plataforma você aprende a empreender na internet gratuitamente

Multinacional lança a plataforma Collabplay, com cursos online gratuitos sobre tecnologia, negócios, marketing e design para empreendedores virtuais.

São Paulo – Segundo levantamento realizado pelo Google, 35% dos brasileiros estão aproveitando o isolamento social para estudar ou trabalhar. Cursos online e o termo “como fazer” bateram recorde nessa quarentena. Assim como “home office”, devido ao trabalho remoto forçado. Tudo isso mostra como as circunstâncias mudaram nesses últimos dias, assim como os hábitos das pessoas e, segundo especialistas, esse é um caminho sem volta.
Cientes disso e aproveitando o momento oportuno de restrição de mobilidade, a HostGator, empresa multinacional de hospedagem de sites, lançou há um mês a Collabplay, plataforma de cursos online para empreendedores virtuais sobre tecnologia, negócios, marketing e design.
Com treinamentos destinados a quem deseja iniciar um novo negócio e a quem já tem um e busca aumentar as oportunidades comerciais, as aulas são à distância e com a possibilidade de certificado de conclusão. Somente no primeiro mês, 10.000 pessoas já se inscreveram para receber o conteúdo.

Cursos disponíveis

O site, que nasceu com a proposta de ser totalmente gratuito, já tem duas opções de cursos disponibilizadas: O “Meu site WordPress no ar”, sobre o sistema de gerenciamento de conteúdo utilizado para a criação de páginas eletrônicas e blogs. E o “Boas práticas para expandir seu negócio na internet”, com um passo a passo para ajudar na divulgação do negócio por meio de ferramentas gratuitas.
Segundo a HostGator, outros cursos serão disponibilizados com periodicidade. No momento, os temas em produção são “Introdução ao Google Ads” e “Como criar um site profissional por conta própria”, que devem ser disponibilizados no próximo mês.
Segundo o Gerente de Marketing da multinacional, Ricardo Melo, a necessidade de estar presente na internet nunca esteve tão acentuada como agora. “Sentimos que as empresas que não possuíam, até então, uma presença digital bem estruturada, são as que mais sentiram os impactos da Covid-19. Com a Collabplay, buscamos ajudá-las nessa resolução”, diz.

Como se inscrever

O conteúdo é gratuito e pode ser acessado por meio do site, no qual você cadastra nome e e-mail e recebe as aulas completas na sua caixa de entrada.
Para quem quer complementar as informações, o Collabplay também tem um canal no YouTube, em que a rede de influenciadores digitais parceiros da HostGator compartilham mais dicas. Criadores de conteúdo como Diolinux, Código Fonte, Amarelo Criativo, Brainstorm Tutoriais, Ecommerce na Prática e Tati Uribe publicam treinamentos rápidos em habilidades específicas.

Cursos para todas as necessidades

Veja outras opções gratuitas disponibilizadas para profissionais que desejam se aprimorar nessa quarentena.
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I 5 COMPOSITORI D’OPERA PIÙ CONOSCIUTI


Sebbene il repertorio operistico comprenda una miriade di compositori, i nomi di coloro che hanno davvero contribuito ad esportare la tradizione italiana del belcanto in giro per il mondo si contano sulle dita di una mano.
ROSSINI 2 1308935310056 popup
Il primo, grande nome dell’opera è sicuramente Gioachino Rossini (1792-1868), il maestro di Pesaro che ha contribuito al successo e alla diffusione del melodramma buffo. Chi non ha mai sentito almeno una volta l’overture del Barbiere di Siviglia, o la cavatina di Figaro? Rossini inizia la sua carriera da giovanissimo, vedendo rappresentata la sua prima opera nel 1810, ad appena diciotto anni di età, e continuando a mietere successi fino al 1846.

Tra le sue opere più celebri ricordiamo senza dubbio L’Italiana in AlgeriLa Cenerentola e il Barbiere di Siviglia, messo in scena nel 1816 a Roma e da allora mai scomparso dalle scene italiane.
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Meno prolifico, ma altrettanto celebre, fu Vincenzo Bellini (1801-1835), che in appena 34 anni di vita scrisse alcune delle opere più famose del repertorio italiano, tra cui NormaLa Sonnambula e i Puritani. Nato a Catania, il compositore fu presto avviato alla carriera musicale e grazie all’impresario Domenico Barbaja rappresentò la sua prima opera alla Scala a soli 26 anni (Il Pirata). Purtroppo Bellini morì giovanissimo, stroncato da un’infezione intestinale. Ma il suo talento musicale bastò per farlo entrare nell’Olimpo dei compositori d’opera italiani, e a rendere le sue opere celebri in tutto il mondo (tra cui una che ha persino ispirato il nome di una specialità culinaria della sua sicilia, la Pasta alla Norma, che sembra chiamarsi così proprio per l’omonima opera).

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Colui che chiude il cerchio dei compositori del primo Ottocento è un bergamasco, nato in povertà e capace di studiare musica grazie ad un’istituzione religiosa: Gaetano Donizetti (1797-1848), autore de L’elisir d’amoreLucia di Lammermoor e Don Pasquale, tra le altre. Profondo amante della cultura e della tradizione musicale partenopea, Donizetti si trasferì presto a Napoli, dove fu direttore artistico del San Carlo per ben sedici anni. Possiamo considerarlo uno dei compositori più prolifici: dal 1816 al 1845 scrisse poco meno di settanta opere!

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Dagli anni Quaranta dell’Ottocento, il testimone di maggiore autore italiano d’opera passa da Rossini, Bellini, Donizetti ad un unico compositore, Giuseppe Verdi (1813-1901), ad oggi forse il più famoso musicista italiano e il più celebre operista. La TraviataRigolettoAidaNabucco: anche chi non ha mai messo piede in un teatro d’opera ha sentito, almeno una volta, un’aria di una di queste opere. Nato a Roncole di Busseto, Verdi è avviato fin da piccolo alla carriera musicale ed esordisce ben presto alla Scala di Milano, allora come oggi il principale teatro lirico del mondo. Grazie al supporto dell’impresario Bartolomeo Merelli e al sostegno di Casa Ricordi, la musica di Giuseppe Verdi raggiunge un successo planetario: le sue opere sono infatti rappresentate sin da subito in tutto il mondo, legando indissolubilmente il suo nome a quello dell’opera italiana. Considerando, anche spesso in modo superficiale, un autore legato alla politica risorgimentale, Giuseppe Verdi contribuì senza dubbio a formare culturalmente la neonata nazione italiana, e fu talmente amato dai suoi connazionali che, dopo la sua morte e il funerale privato che ricevette, ne venne celebrato un altro, pubblico, con Arturo Toscanini che dirigeva un coro di 820 cantanti sulle note del Va’ Pensiero, da Nabucco.

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La tradizione operistica italiana si può dire conclusa nel 1926, con la rappresentazione al Teatro alla Scala di Turandot, composta da Giacomo Puccini (1858-1924), venuto a mancare due anni prima.
Il compositore lucchese è infatti l’ultimo dei grandi nomi del melodramma: proveniente da una famiglia di musicisti, studiò composizione a Milano, città che gli permise di conoscere il principale editore musicale dell’epoca, Giulio Ricordi, con il quale strinse un sodalizio artistico che lo potrò alla scrittura di alcune delle sue opere più famose, come La BohèmeTosca e . Le opere di Puccini, molto diversa da quella dei suoi predecessori e slegata dalla tradizione operistica ottocentesca, sono l’ultimo grande esempio di melodramma italiano, diffuse sin dalla loro composizione in tutto il mondo e ancora oggi presenti in tutti i palcoscenici del mondo.

Elena Santoni


Gerard Lenorman - Je n'aurai pas le temps 


Je n`aurai pas le temps... Michel Fugain



Comme un soleil de Michel Fugain




01 DE MAIO DE 2020
DAVID COIMBRA

O mal do presidencialismo

O sistema presidencialista não deu certo no Brasil. Temos de compreender essa verdade o quanto antes, a fim de mudar o quanto antes. Digo que é uma verdade e o provo. Note: nosso modelo de República tem 131 anos. Nesse período, houve um único trecho de 20 anos ininterruptos de normalidade democrática. Um só.

Começamos com os marechais Deodoro e Floriano, que eram, como diria Elio Gaspari, ditadores envergonhados. Depois houve presidentes civis eleitos com alguma legitimidade, alguns fazendo até boa administração, mas a Constituição permitia arroubos que hoje seriam inaceitáveis. Arthur Bernardes, por exemplo, era um homem autoritário e cruel e com crueldade e autoritarismo chegou a abrir um campo de concentração no extremo norte do Brasil, perto do Oiapoque, para onde eram mandados seus adversários políticos.

Outro presidente da época, Delfim Moreira, tinha problemas mentais. Ele assumiu porque o presidente eleito, Rodrigues Alves, morreu vitimado pela gripe espanhola, peste bem parecida com a que ora enfrentamos.

Em 1930, você sabe, houve o golpe, e Getúlio manteve-se por mais 15 anos no poder. Depois, experimentamos uma breve aragem democrática com Dutra e a volta de Getúlio, mas, em agosto de 1954, o pai dos pobres saiu da vida para entrar para a História. E, de novo, mordiscamos um naco de democracia com Juscelino, seguido da renúncia de Jânio, da Campanha da Legalidade, de uma aventura parlamentarista, do retorno ao maldito presidencialismo e... bem, mais um golpe de Estado.

Se a história do Brasil fosse escrita por um ficcionista, ele seria um escritor que odeia seus personagens. Um sádico. Porque, quando finalmente os militares deixaram o poder e ia assumir um presidente civil... o presidente morreu! No momento em que isso aconteceu, em abril de 1985, eu já era jornalista e mal podia crer no que se passava. Imagine: além de Tancredo adoecer um dia antes da posse tão esperada, quem assumiu em seu lugar foi ninguém menos do que Sarney, que até anteontem era da Arena, o partido dos militares. Quer dizer: o Brasil não mudou mudando.

Nosso infortúnio é tamanho que, quando um presidente finalmente foi eleito pelo voto direto, ele não completou o mandato. Sofreu impeachment na metade do caminho. O autor do nosso romance gosta de nos maltratar.

Foi aí, a partir desse ponto, de 1993 a 2013, que vivemos nossos 20 anos de normalidade democrática. E, não por acaso, o Brasil cresceu, se fortaleceu, surpreendeu o mundo. A imagem do Cristo Redentor decolando na capa da The Economist foi o símbolo desse tempo cevado pelo Plano Real e garantido pela continuidade democrática.

Mas, nos últimos sete anos, voltamos à rotina de não ter rotina, de experimentar um solavanco político a cada semana, de esperar eternamente pelo fim de uma crise que só se agrava, em vez de aliviar.

O sistema presidencialista está no centro desse problema. O presidencialismo alonga crises, dá à eleição mais importância do que tem e, principalmente, estimula o populismo.

Nos Estados Unidos, o presidencialismo funciona porque é mitigado pela força dos Estados. No Brasil, a federação só existe no papel. Na prática, os Estados dependem da União. Por isso, o presidente é capaz de dizer, como Bolsonaro disse outro dia:

- Quem manda sou eu! É uma ilusão. Um autoengano. No Brasil, o presidente não manda; ele atrapalha.

DAVID COIMBRA

01 DE MAIO DE 2020
OPINIÃO DA RBS

RESPONSABILIDADE E DISCIPLINA

O plano de liberação gradual da economia e de outras atividades apresentado pelo governo do Estado, que obedece a um princípio chamado de distanciamento controlado, tem coe- rência e é sólido. Segue preceitos científicos sem achismos, observa particularidades regionais, mas, para funcionar, dependerá de uma união de propósitos que precisa ser alicerçada sobre a responsabilidade e a disciplina, tanto de gestores públicos quanto da população e demais lideranças. A adesão às linhas gerais traçadas é essencial. Não é preciso uma convergência absoluta, mas não haverá um bom resultado sem uma mínima conexão entre diferentes esferas de poder, entidades e cidadãos. Até este momento, é preciso ressaltar, o consórcio das ações vem sendo exemplar, deixando ao menos momentaneamente para trás o histórico de embates estéreis que tanto atrasaram o desenvolvimento do Estado.

No pilar da responsabilidade, governantes, parlamentares e mesmo membros do Judiciário não podem tomar decisões baseados em lobbies, impulsos ou emoções. Omissões, iniciativas desajuizadas ou discursos populistas que destoem do norte das medidas previstas no plano do Piratini podem ter consequências graves nas próximas semanas. Ser uma liderança que precisa tomar decisões muitas vezes duras justo no momento em que o mundo enfrenta a maior crise sanitária em um século traz uma responsabilidade que certamente passará pelo julgamento implacável da História. Da mesma forma, é inconcebível terceirizar deveres ou mesmo tentar tirar proveito político de uma emergência. São comportamentos, portanto, que devem ser repelidos e execrados por toda a sociedade.

A disciplina, o outro sustentáculo, exige que o planejamento tenha uma execução e um monitoramento meticulosos. Sem isso, os riscos serão maiores. Mesmo boas intenções e planos solidamente elaborados podem desabar pela falta de comprometimento. Por isso, consciência e colaboração com os passos desenhados são imprescindíveis para uma aplicação exitosa da estratégia de distanciamento controlado. O engajamento de governantes, líderes de entidades, empresários e cidadãos, é preciso outra vez ressaltar, também será decisivo para que as atividades retornem gradualmente com o mínimo possível de efeitos colaterais.

Deve-se lembrar que o espaço para correções de rumo, se forem necessárias, é estreito. Mas, quando precisarem ser feitas, as retificações têm de ser adotadas com firmeza e celeridade. Errar em larga dimensão a dose da flexibilização ou titubear no recuo pode custar um número incontável de vidas e levar ao cenário também indesejado de o Estado demorar ainda mais para sair desta crise já dramática enfrentada pela população gaúcha.


01 DE MAIO DE 2020
RBS BRASÍLIA

Bolsonaro e o centrão

Saem os lavajatistas e entra o centrão. Essa é a conta que Jair Bolsonaro faz ao estreitar cada vez mais os laços com parlamentares de partidos como PL, PP, PSD e Republicanos, em especial depois do traumático rompimento com Sergio Moro. Enquanto o presidente estava em Porto Alegre, reforçando a imagem junto às Forças Armadas, o centrão se movimentava em Brasília. 

A expectativa desses partidos é de ganhar espaços no governo, inclusive no Ministério da Saúde. É a mesma lógica das gestões petistas. Bolsonaro vem sentindo o peso do isolamento e teme perder a governabilidade. As derrotas em série no STF, a crise econômica e a falta de liderança diante de uma pandemia mundial desgastam politicamente o presidente. 

A volta dos panelaços é um exemplo. Ele, no entanto, mantém cerca de um terço de aprovação, alimenta com empenho o apoio da bancada evangélica e usufrui da credibilidade dos militares. Agregar o centrão serve de reforço nessa blindagem. Até agora, Bolsonaro podia ser criticado por vários erros que cometeu, menos de praticar estelionato eleitoral. Se abraçar o centrão, é uma bandeira que vai para a gaveta.

Bom soldado

À coluna, o general Mourão explicou por que nem ele nem Bolsonaro discursaram na cerimônia do Comando Militar do Sul, quando o general Antonio Miotto passou o comando para o general Valério Stumpf:

- Eu estava aqui como ex-comandante e amigo do Miotto, e o presidente, como admirador do trabalho dele. Era uma cerimônia militar, onde o protocolo é claro: fala o que está saindo e o comandante imediato, no caso o Pujol. O presidente, como bom soldado, seguiu o previsto.

CAROLINA BAHIA

 01 DE MAIO DE 2020
+ ECONOMIA

Randon ajuda a fazer respiradores

Como parte de um projeto em parceria com a Universidade de Caxias do Sul (UCS), a Empresas Randon entregou ontem sensores de pressão importados para a montagem de 200 unidades do protótipo de ventiladores pulmonares que a instituição de ensino desenvolve. A peça é fundamental para o funcionamento do equipamento utilizado em pacientes que tenham indicação de entubação.

O protótipo de ventilador pulmonar é desenvolvido por engenheiros, técnicos e outros voluntários, sob a orientação da direção técnica do Hospital Geral de Caxias do Sul e coordenação do Parque de Ciência, Tecnologia e Inovação da universidade - TecnoUCS.

Os equipamentos estão em fase de aprovação pelos órgãos reguladores e a produção seguirá conforme a demanda da rede de saúde.

Entre as ações de apoio à UCS, a Randon também doou embalagens e matéria-prima utilizadas pela equipe do curso de graduação em Farmácia para produzir mil litros de solução higienizadora para as mãos. O produto foi destinado ao Hospital Geral, mantido pela instituição de ensino e pelo Governo do Estado, e também para outras unidades de saúde do município.

Cidade terá monitoramento

Com sede em Santa Cruz do Sul, o Grupo Imply desenvolveu uma plataforma com ferramentas para facilitar o monitoramento de pessoas que estão com sintomas da covid-19, grupos de risco e pacientes recuperados da doença. A cidade na qual a empresa tem sede será a primeira a implementar o método como medida de combate à pandemia no Estado. O projeto foi apresentado ontem.

As informações que compõem o banco de dados do aplicativo Imply Saúde serão gerenciadas pelos órgãos responsáveis dos municípios que utilizarem a plataforma. A identificação é feita por meio do Cadastro de Pessoa Física (CPF). Desta forma, é possível, por exemplo, identificar pessoas que foram diagnosticadas com a doença. Conforme a secretaria da Saúde do município, a utilização da ferramenta ocorrerá com responsabilidade, seguindo a lei de proteção de dados.

MARTA SFREDO

01 DE MAIO DE 2020
EDUARDO BUENO


Vidas paralelas

Ao redor do ano 100 de nossa era, o grego Plutarco vivia na imperial Roma. Versado em matemática e filosofia, após viagem a Alexandria, apaixonou-se pela "sabedoria egípcia" e voltou seus interesses para a História. Em Roma, decidiu escrever o livro que seria a mãe (e o pai) de todas as biografias: Vidas Paralelas. Convencido de que incríveis similaridades uniam grandes figuras gregas e romanas, Plutarco concebeu biografias espelhadas de Alexandre e César, de Demóstenes e Cícero e até de Teseu e Rômulo.

Surpreso com os paralelos que unem duas figuras latino-americanas, peço licença a Plutarco para acrescentar novo capítulo à sua obra e lhe submeto a lista de similitudes entre as trajetórias de um militar venezuelano e um militar brasileiro.

O militar venezuelano nasceu em 1954, numa cidadezinha do interior, em família de classe baixa. Teve cinco irmãos. Amava beisebol e queria jogar no San Francisco Giants, como "Látigo" Chavez. O pai o impediu. Aos 17 anos, ingressou como cadete na Academia Militar.

O militar brasileiro nasceu em 1955, numa cidadezinha do interior, em família de classe baixa. Teve seis irmãos. Amava futebol e queria jogar no Palmeiras, como Jair da Rosa Pinto. O pai o impediu. Aos 17 anos, ingressou como cadete na Academia Militar.

O militar venezuelano formou-se em 1975 e passou a comandar o Batalhão dos Paraquedistas em 1982. Casou-se, teve três filhos. Indignado com os soldos, virou porta-voz do baixo oficialato e era visto com desconfiança pelos superiores. Em fevereiro de 1992, já tenente-coronel, liderou golpe para derrubar o presidente da Venezuela. O golpe fracassou e ele foi preso.

O militar brasileiro formou-se em 1977 e virou paraquedista. Casou-se e teve três filhos. Indignado com os soldos, tornou-se porta-voz do baixo oficialato e era visto com desconfiança por seus superiores. Em setembro de 1986, já capitão, foi preso por insubordinação. Teria planejado então um atentado terrorista pelo qual foi denunciado, julgado e condenado. Foi absolvido em segunda instância.

Ao sair da prisão, desiludido, o militar venezuelano abandonou o Exército e entrou na política. Casou-se de novo e teve dois filhos. O presidente da Venezuela foi afastado por corrupção. O ex-militar candidatou-se à presidência. Em dezembro de 1998, foi eleito com 56,13% dos votos. Atacou a imprensa, a maior rede de TV do país, a Suprema Corte e o Congresso.

Desiludido, o militar brasileiro abandonou o Exército e entrou na política. Casou-se de novo e teve dois filhos. A presidente do Brasil foi afastada por corrupção. O ex-militar candidatou-se à presidência. Em outubro de 2018, foi eleito com 55,13% dos votos.

EDUARDO BUENO

01 DE MAIO DE 2020
INFORME ESPECIAL

Do bem


O Centro de Gestão e Tratamento de Resíduos Químicos da UFRGS está transformando mil litros de bebidas alcoólicas apreendidas pela Receita Federal em etanol. O produto é então enviado para a UFCSPA, que o transforma em álcool gel.

Ventiladores pulmonares estragados estão sendo localizados, consertados e devolvidos aos hospitais de origem, em uma ação conjunta da Secretaria de Governança e Gestão do RS com o Senai, a GM e o Instituto Floresta. Todos os hospitais do Estado podem solicitar o reparo pelo e-mail gabinete@sgge.rs.gov.br. Em um mês de operação, 219 respiradores foram mapeados e 36 já foram reparados e devolvidos aos hospitais.

A pesquisa que valida os testes rápidos para coronavírus na UFCSPA foi possibilitada pela contribuição de R$80 mil feita por Instituto Jama, Instituto Floresta e Maromar Investimentos. Os recursos arrecadados são aplicados na compra de reagentes e outros produtos químicos para o Laboratório de Epidemiologia da universidade, que trabalha em coordenação com a UFPel, que lidera os estudos.

No Morro Santana, em Porto Alegre, a Associação Madre Teresa de Jesus precisa de alimentos e materiais de higiene para apoiar 150 crianças e suas famílias. Informações para entrega de donativos pelo (51) 98418-4067. Contribuições em dinheiro no banco Itaú, agência 1614, conta corrente 21168-6, CNPJ 07.606.497/0001-35

O Hospital de Caridade São Jerônimo recebeu R$100 mil do Instituto Gerdau. A doação foi utilizado na compra de EPIs para os 400 colaboradores da instituição.

A parceria entre o Ministério Público e a Associação do Ministério Público do RS entregou, nessa semana, uma tonelada e meia de alimentos e materiais de higiene para famílias carentes em Porto Alegre. O técnico e ex-jogador de futebol Dunga acompanhou a ação, que continua recebendo doações. Para ajudar: (51) 99582-5930.

TULIO MILMAN