quarta-feira, 5 de agosto de 2026

05 de Agosto de 2026
OPINIÃO

Suspeitas à espera de esclarecimento

Se as suspeitas existem, não há outro caminho senão tirá-las a limpo. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizou ontem a abertura de um novo inquérito para investigar possível tráfico de influência pelo empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras pessoas terão as condutas analisadas para verificar a suposta busca por vantagens ilícitas em negócios com o governo federal. 

Outras duas investigações envolvendo Lulinha pedidas pela Polícia Federal foram autorizadas na semana passada pelo ministro André Mendonça. São relacionadas ao Ministério da Saúde e à Dataprev, empresa de tecnologia da Previdência. Essas apurações também vão averiguar se houve crime de corrupção, além de tráfico de influência e outras irregularidades.

É preciso elucidar se Lulinha usou ou não a condição de filho do presidente da República para influenciar ministérios ou órgão do governo em benefício de terceiros e o que teria ganhado com isso. Fábio Luís não deve ter tratamento privilegiado ou mais duro pela filiação e, como qualquer investigado, tem direito à ampla defesa e à presunção de inocência. 

Dino autorizou uma quarta investigação, sobre o vazamento de informações do caso. Mas é notório que, pelas implicações políticas, Lulinha terá de se esforçar em dobro para demonstrar que não cometeu irregularidades. A exploração do caso na campanha eleitoral é natural.

Se Dino autorizou o terceiro inquérito é por ter sido convencido de que há elementos que exigem apuração. Aliás, o fato de um indicado por Lula para o STF ter concordado com a investigação enfraquece a tese de que os dois inquéritos anteriores, assentidos por Mendonça, designado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, teriam fundo político. Cumpre lembrar que há duas semanas Mendonça autorizou apuração para averiguar o destino dos repasses de dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, caso que atinge Flávio Bolsonaro, adversário de Lula na disputa presidencial.

Nos inquéritos sobre Lulinha, a personagem comum é a empresária e lobista Roberta Luchsinger, que estaria atrás de contatos privilegiados para intermediar negócios com o governo. Ela prestou serviços ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso em razão do escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias. As investigações sobre Lulinha não são relacionadas ao INSS, mas as suspeitas agora analisadas surgiram ao longo do caso.

O ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, também é implicado nesse terceiro inquérito. Ele recebeu um repasse de dinheiro de Roberta. Alega ter sido um empréstimo, já quitado. As explicações são insuficientes. É preciso comprovar a devolução e demonstrar de forma crível os detalhes da operação. É legítimo estranhar que uma lobista com interesses no governo passe dinheiro a um assessor direto do presidente.

Aguarda-se que as apurações em curso tragam as respostas esperadas pela sociedade. A aproximação das eleições não pode ser motivo para desacelerar nenhuma das investigações que tenham potencial de abalar qualquer uma das candidaturas. _

Opinião do leitor - Escola interditada

A Escola Estadual de Ensino Médio Visconde de Mauá, em funcionamento desde 1938, em Butiá, região carbonífera, não retomará suas atividades após o recesso. A escola está passando por reformas. Porém, antes do recesso foi removida parte do telhado e, com as chuvas, ficou inviável o uso do prédio. A comunidade escolar está revoltada pois, apesar das dificuldades, a escola estava atendendo seus mais de 600 estudantes. É preciso cobrar das autoridades providências imediatas, pois não é justo que os estudantes, crianças e adolescentes, tenham a sua vida escolar interrompida por falta de habilidade na condução das obras. _

Rubens Machado - Professor - Butiá - Pandemia

Em que mundo vivíamos quando médicos foram proibidos de prescrever certos medicamentos para a covid -19, sabendo que milhares de medicamentos totalmente ineficazes, como certas vitaminas, estimulantes e etc., são prescritos a todo o momento sem nenhuma restrição. Que mundo cruel, que caminha cada vez mais de mãos dadas com as ideologias. _

Elio Bessa Florian - Médico urologista - Cruz Alta - Instituto Caldeira

Na edição de 29/7, Felipe Amaral, do Instituto Caldeira, escreveu com muita propriedade o artigo "Três prioridades inegociáveis para a educação gaúcha", sobre a educação pública no RS. Gostaria de "meter minha colher" no assunto. O que está faltando na educação de nossos filhos, para terem um Ensino Médio sem maiores percalços, é a volta do antigo curso ginasial. O aluno saía do Primário (hoje, Fundamental) e, para prosseguir seus estudos, tinha que fazer uma prova de admissão ao Ginásio (uma espécie de vestibular para entrar no curso ginasial). Terminado o Ginásio, o aluno estava apto a frequentar o Segundo Grau, que poderia ser o Científico ou o Comercial. _

Rui Fischer

Escritor e cronista - Taquara - Coluna

Discordo do título - "Acusado, Lulinha precisa provar que é inocente" - e do conteúdo da coluna de Rosane de Oliveira de 1º e 2/8. O mesmo Lulinha já foi intitulado "dono" de uma Ferrari de ouro e da Friboi. As leis de nosso país dizem que quem acusa que prove. O sigilo bancário de Lulinha foi quebrado e nada de irregular foi encontrado. Estranho que ninguém questione a ligação do ministro André Mendonça com a família Bolsonaro. Para mim, seria motivo de ele se declarar suspeito nesse caso. Enquanto isso, estamos há mais de dois meses sem Flávio Bolsonaro sequer ser intimado para explicar e provar o destino dos R$ 61 milhões recebidos do banqueiro corrupto Daniel Vorcaro. _

Luis Alberto Mendonça

Comerciante - Porto Alegre

OPINIÃO

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