Candidatos precisam reconhecer avanços na educação
Recomenda-se aos candidatos e candidatas ao governo do Rio Grande do Sul a fineza de estudar os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 antes de colocar em risco um trabalho consistente, mas ainda incompreendido. Não basta semear clichês sobre o ensino, dizer que é prioridade absoluta, como dizem todos os concorrentes a cada eleição, e não ter um projeto de longo prazo.
Foi pela continuidade das políticas públicas que o Ceará e depois outros Estados nordestinos atingiram resultados melhores do que os ricos do Sudeste.
O que se vê nos debates iniciais sobre educação é uma mistura de desinformação, preconceito, discurso fácil e generalização. É verdade que ainda estamos muito distantes do resultado necessário para chegar próximos dos países desenvolvidos. O Brasil está. As escolas públicas precisam evoluir, sem dúvida, as escolas privadas também. Não há sociedade desenvolvida sem educação pública de qualidade.
Feita essa ressalva, é preciso reconhecer que o trabalho da secretária Raquel Teixeira, muitas vezes criticado até por seus pares pela demora em apresentar resultados, aparece no Ideb de 2025 como sinal de que existe um caminho. Os resultados não são maquiados, como disse Luciano Zucco (PL) no debate da Gaúcha, nem mostram que somos os piores, como insiste Juliana Brizola (PDT), comparando os dados de hoje a um tempo em que só a elite ia para a escola e, portanto, nossos letrados brilhavam no céu do Brasil.
Há muito para ser feito no Rio Grande do Sul, mas quem for eleito não pode querer começar do zero. As medidas adotadas por Raquel e sua equipe, que podem e devem ser aperfeiçoadas, produziram um salto no ranking do Ideb, muito menos pela possibilidade de passar de ano com dependência em quatro matérias e mais pela melhora da aprendizagem mesmo. Está bom assim? Não. Bom seria uma nota acima de 8 nas três fases, mas isso nenhum Estado tem.
Precisa de profundidade
O que os candidatos precisam dizer aos eleitores é o que farão de diferente para a rede toda e não para as laranjas de amostra. Como será a prometida "valorização dos professores", em um cenário de orçamento apertado? De que forma acompanharão os resultados, escola por escola, e valorizarão aquelas que melhorarem em comparação com seus próprios resultados? Vão manter programas de retenção dos jovens no colégio por meio de recompensa financeira ou adotarão a máxima de que ninguém deve ganhar para fazer o que é obrigação? _
Juliana Brizola busca aproximação com empresariado
Disposta a dialogar com empresários, normalmente críticos aos candidatos e governantes da esquerda, Juliana Brizola (PDT) foi a Teutônia na sexta-feira para uma reunião com representantes da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) e com o prefeito Renato Airton Altmann (PSD).
Representantes dos setores apresentaram à candidata não só os desafios enfrentados pelo município e do Vale do Taquari, como também as perspectivas de crescimento da região.
Segunda maior economia do Vale do Taquari, Teutônia está entre os municípios do Estado que mais aumentaram sua população nos últimos anos. Hoje, são cerca de 32 mil habitantes, parte deles recém-chegada à cidade, que recebeu novos moradores e empresas da região principalmente após as enchentes de 2023 e 2024.
Na conversa entre Juliana e representantes empresariais, foram abordados temas ligados ao desenvolvimento regional, dentre eles infraestrutura, fortalecimento do setor produtivo, qualificação profissional e prevenção diante dos eventos climáticos extremos. _
Satisfação e futuro
Satisfeita com os resultados do Ideb, depois de cinco anos à frente da Secretaria da Educação, Raquel Teixeira atribui o salto a um conjunto de iniciativas que têm como ponto de partida o trabalho baseado em dados. Ela destaca o sistema de governança, que começa nas escolas e termina no governador, passando pelas coordenadorias regionais de Educação e pela Seduc, todos acompanhando os mesmos indicadores, a começar por frequência e desempenho:
- Hoje, nossas escolas trabalham não apenas com a base curricular comum, mas com protocolos, informações climáticas e habilidades socioemocionais.
Raquel também se orgulha do projeto de educação antirracista, focado na aprendizagem. Outro projeto ao qual ela se dedicou, mas que está mais atrasado, é o da educação indígena - as crianças serão avaliadas no seu idioma materno e na língua portuguesa. _
Com presença pela metade
Apesar das quatro cadeiras dispostas no palco do confronto organizado pela Famurs, com transmissão da TV Pampa, somente duas foram ocupadas, por Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB).
Diante de uma plateia de prefeitos e gestores municipais, os dois responderam a perguntas sobre a relação do governo estadual com os municípios e expuseram suas ideias para infraestrutura, saúde, municipalismo e desenvolvimento regional.
Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) alegaram impossibilidade de participar em razão de outras agendas. Juliana esteve em Teutônia, onde participou de reunião com a CIC, e Zucco ficou em Porto Alegre para reuniões internas da campanha. _
Um exemplo para se inspirar
Em vez de viajar para o Ceará ou para a Finlândia em busca de inspiração, prefeitos que não conseguem bons resultados na educação podem subir a Serra e conhecer um exemplo que dá certo. A cidade é Farroupilha, referência em educação pública. Lá fica a Escola de Ensino Fundamental Santa Cruz, que conquistou de novo o primeiro lugar no Ideb nas duas etapas avaliadas - anos iniciais e anos finais do Ensino Fundamental.
Atenção para as notas obtidas pela Santa Cruz: 9,2 nos anos iniciais e 8,2 nos anos finais.
A título de comparação, a média do RS, somando as redes estadual, municipal e federal e as escolas privadas, é de 6,3 nos anos iniciais e 5,4 nos anos finais. A instituição também é a primeira colocada nas séries iniciais e finais da Região Sul do país.
O que a escola de Farroupilha tem que outras não têm? Em 2024, a diretora da escola deu entrevista à Rádio Gaúcha para explicar o bom desempenho. Em 2023, a Santa Cruz também estava em primeiro lugar no ranking. Não havia nada de milagroso: professores comprometidos, pais envolvidos na educação dos filhos, disciplina e compromisso com aulas interessantes. Antes de virar lei, a escola já tinha proibido o celular em sala de aula.
Nos anos iniciais, três das 10 melhores escolas do Estado são de Farroupilha. _

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