
09
de abril de 2013 | N° 17397
LUÍS
AUGUSTO FISCHER
Simões Lopes Neto lá
Para
alegria dos admiradores de Simões Lopes Neto, a revista Veja desta semana
concede três generosas páginas a sua obra, em particular aos dois volumes de inéditos
que começam a circular, a Artinha de Leitura, uma cartilha escolar, e Terra Gaúcha
– Histórias de Infância, um livro para leitura na escola. É de arrepiar a situação:
o escritor pelotense faleceu há quase cem anos (em 1916), sem ter visto sua
obra circular para além de um âmbito bem restrito, sem sair do Estado e quase
sem sair de sua cidade.
Os
dois volumes, que tive a honra de editar e apresentar, saem agora pela Belas
Letras, em trabalho exemplar; os dois permaneceram no limbo por quase cem anos,
desde sua escritura, ocorrida entre 1904 e 1908, tendo saído agora por interferência
direta de Fausto Domingues e Carlos Francisco Sica Diniz.
E, não
menos, os dois livros agora circulam – centenas de exemplares estão sendo
encaminhados a escolas públicas estaduais, a universidades e ao Instituto Simões
Lopes Neto, e, para venda, a algumas livrarias (também no site da editora) – graças
ao patrocínio do Banrisul e da Banrisul Consórcios, obtido via Lei Rouanet. Somente
este aporte é que garantiu o trabalho de preparação e circulação dos livros de
modo correto, ajustado ao valor do autor.
Valor
que agora ganha um traço talvez novo, com a matéria da Veja. São poucos os
leitores comuns brasileiros que logram ultrapassar as dificuldades impostas
pelo vocabulário localista do mais importante de seus livros, Contos
Gauchescos, assim como impostas pela ousadia da armação literária, presente
nesse livro e em sua outra obra-prima, Lendas do Sul. Mas são muitos os que,
uma vez suplantadas essas barreiras, se encantam com a qualidade de seu
registro da vida, sua capacidade de enxergar e dar a ver a grandeza e a miséria
da vida humana no cenário sulino, seu engenho criativo.
Os
dois livros agora editados permitirão ver de perto a gestação dessa obra maior,
assim como mostrarão um escritor engajado, um ativista de grande qualidade,
jogando todos os empenhos para proporcionar livros inteligentes para as crianças
nas séries iniciais.
Livros que honram a inteligência do autor e que mostram,
no passado, uma utopia genuinamente democrática, de inspiração popular e anseio
universalista. Hora excelente para lembrar, mais uma vez, o grande e saudoso
Carlos Reverbel, que tanto fez para divulgar a obra simoniana, mas que não
chegou a conhecer o que agora se oferece para o leitor.
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