terça-feira, 18 de dezembro de 2012



MIRIAN GOLDENBERG

Mulheres desesperadas

Alunas competem para ver quem faz sexo com mais professores; são 'Marias-Apostilas' ou 'Marias-Lattes'

É recorrente, no discurso dos homens que tenho pesquisado, a afirmação de que o sexo está fácil demais. Eles dizem que estão se sentindo intimidados com a agressividade feminina na abordagem sexual.

Um arquiteto de 40 anos diz: "Não existe mais sedução, é tudo muito agressivo. Tenho até medo de dizer que não quero transar e ser xingado. São tão oferecidas que não dá o menor tesão".

Segundo ele, está faltando mulher elegante e interessante no mercado. "A oferta de periguetes está demais, elas abusam de roupas muito curtas e justas, parecem garotas de programa, são muito vulgares."

Um engenheiro de 35 anos conta: "Estava em um restaurante com minha namorada e duas amigas dela. De repente, senti a mão de uma delas me alisando, você sabe onde, sob a mesa. Se eu fizesse isso com qualquer mulher seria preso. As mulheres estão desesperadas".

Depois das "Marias-Gasolinas" e das "Marias-Chuteiras", eles afirmam que estão sendo assediados por outras "Marias".

Um professor de cursinho de 32 anos diz receber cantadas explícitas das alunas. "Elas escrevem nas apostilas: 'Que tal um sexo gostoso, sem qualquer compromisso?' São verdadeiras 'Marias-Apostilas'", afirma.

Um professor universitário de 42 anos conta que ele recebeu a seguinte mensagem de uma aluna, pelo Facebook: "Você vai ao barzinho? Se você for, eu vou sem calcinha".

Esse professor comenta: "Elas competem para saber quem faz sexo com mais professores. São apelidadas de Marias-Lattes, em função do currículo Lattes que temos como pesquisadores".

As periguetes estão na moda: onipresentes nas telenovelas, na performance da cantora Madonna no Rio de Janeiro e nos discursos de homens e de mulheres.

No entanto, a maioria das brasileiras continua dependendo da iniciativa masculina, aguardando ansiosamente o telefonema no dia seguinte e sonhando com o marido fiel.

Algumas mulheres estão invertendo os papéis de gênero e causando muito desconforto por tomarem a iniciativa sexual.

Elas recusam o papel de objetos passivos na conquista amorosa. São chamadas de periguetes, de garotas de programa e de "Marias".

Essas acusações revelam que muitos homens não estão preparados para aceitar o fato de que eles não são mais os únicos caçadores no jogo da sedução.

E você, caro leitor, também acha que as mulheres estão desesperadas?

MIRIAN GOLDENBERG é antropóloga, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora de "Toda Mulher é meio Leila Diniz" (BestBolso);

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