sábado, 29 de dezembro de 2012



29 de dezembro de 2012 | N° 17297
ARTIGOS -Montserrat Martins*

Te cuida, 2013!

Esperança é a chave para começar o ano novo e para a própria felicidade, sem ela não vamos a lugar algum. No caso de 2013, ela tem de ser contextualizada, para não parecermos ingênuos, porque todos os prognósticos são no mínimo cautelosos: recessão europeia, China “pisando no freio” no seu crescimento, o Brasil sendo desafiado a continuar se mantendo fora da crise e da recessão.

Esperança não parece ter a ver com as frias realidades da economia, ou do “mercado”, como queiram. Mas tem. Questão interessante é o lado psicológico da economia, hoje admitido abertamente pelos especialistas, pois o próprio temor de gastar já induziria à recessão a ser evitada. Para manter o mercado interno aquecido não basta fazer o “tema de casa” econômico, é necessário ainda dar atenção à “psicologia de massas” da opinião pública e suas expectativas, para evitar as ondas de pessimismo.

Nesse sentido, foi eficaz a empatia com o povo do então presidente, em 2008 e 2009, usando expressões como a de que a crise aqui seria só uma “marolinha”, o que os inte- lectuais ironizaram na época.

Não sei quais os seus dilemas pessoais, então vamos falar dos nossos problemas conjuntos, que acabam influindo na sua vida pessoal também. Aliás, fala sério, você não achou mesmo que o mundo ia acabar em 2012, mesmo gostando de fatos “espetaculares” para sacudir o marasmo. Pois a entrada de 2013 traz as mesmas expectativas dos anos anteriores, não há mágicas nem tragédias anunciadas à vista, mas pode ser um ano muito duro, ou um ano que proporcione mudanças promissoras. Algumas das melhores análises do que nos espera em 2013 seguem sendo as de bons intérpretes dos fatos dos últimos anos, sobre a situação global e a local.

Ninguém vai bater à sua porta com “manuais para explicar o mundo”, mas quem tenta entender isso nos traz algumas pistas. Bibiana Medialdea Garcia e colegas espanhóis nos brindaram em fins de 2011 com “Quiénes son lós mercados y cómo nos gobiernam”, explicando aos leigos como funciona hoje o mercado financeiro – o que realmente comanda hoje a economia global.

Na versão brasileira, um cientista político acessível aos leigos é André Singer. Em seu livro sobre o lulismo, ele descreve “a fissura entre o capital financeiro e o capital industrial” no seio da crise, na qual vê o governo em uma coalizão produtivista em confronto com uma “coalização rentista”, quer dizer, capital produtivo versus especulativo.

O paradoxo do fim de 2012 é interessante, porque o crescimento do PIB foi mínimo, mas o da renda familiar foi melhor. Para o economista Marcelo Neri, do Ipea, “o Brasil não vai tão bem como o povo”, enquanto em outras nações costuma ocorrer o contrário. Nos faltam infraestrutura, competitividade, faltam educação e um desenvolvimento sustentável que coíba a devastação das riquezas naturais. A esperança está viva, já esteve pior – quando o país ia bem e o povo ia mal –, e ela diz “Te cuida, 2013!”.

*MÉDICO PSIQUIATRA, BACHAREL EM CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS

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