Pedidos de recuperação judicial atingiram alta recorde em 2025

Nícolas PasinatoOs processos de recuperação judicial alcançaram, em 2025, o maior número de empresas desde o início da série histórica, em 2012 - foram 2.466, uma alta de 12,9% em relação a 2024. As informações foram divulgadas pela Serasa Experian no início deste mês. No Rio Grande do Sul, a tendência se repete. Conforme dados da Junta Comercial, Industrial e de Serviços do Rio Grande do Sul (JucisRS), houve um total de 200 pedidos de recuperação judicial no Estado no ano passado contra 163 em 2024, o que representa um aumento de 22% de um ano para o outro.
Ainda no primeiro trimestre de 2026, o Estado já registrava 13 empresas em recuperação judicial, o que representa um decréscimo de 43% frente às 23 companhias que estavam nesta condição no Estado no mesmo período do ano passado.
Para o economista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs), Gustavo de Moraes, essa alta está relacionada ao período prolongado em que o País vive com taxas de juros em um patamar elevado. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu, em 18 de março, a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75%, ao ano. No entanto, antes do corte, a Selic estava em 15% ao ano desde junho de 2025. O período de estabilidade ocorreu depois de o BC aumentar a taxa em 4,50 pontos a partir de setembro de 2024. Esse foi o segundo maior ciclo de alta dos juros nos últimos 20 anos, perdendo apenas para a alta de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, que ocorreu após o fim da pandemia.
“As recuperações judiciais no Brasil subiram em função da aceleração na subida dos juros, o que pegou muitas empresas em processo de inversão de estratégia. No início de 2024, esperava-se que a Selic poderia acabar em níveis de até um dígito. Isso foi suficiente para criar uma expectativa favorável”, explica.
Moraes complementa que o cenário posterior não se revelou tão otimista, porém, as companhias já tinham adquirido dívidas. “Mesmo que o ciclo econômico tenha sido positivo, favorecendo as receitas, o peso dos financiamentos acabou por predominar, com Selic estável a 15% por todo 2025”, detalha.
Agropecuária e serviços lideram pedidos de recuperação judicial
Na análise por setor para 2025 no Brasil, o segmento “Agropecuária”, que contempla exclusivamente pessoas jurídicas e é segmentado pelas classificações de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, representou 30,1% (743) CNPJs que buscaram pela recuperação judicial, seguido pelo setor de “Serviços” com 30% (739). Em seguida, vieram “Comércio” (21,7%; 535 CNPJs) e “Indústria” (18,2%; 449 CNPJs). Dados do Rio Grande do Sul não foram mensurados pela Serasa por setor.
“Existe uma questão heterogênea entre os setores, o fato de que alguns setores acabam sofrendo mais durante o período de desaceleração da atividade econômica, acabam operando com margens mais comprimidas, mas também existem outros fatores como, por exemplo, o setor agropecuário que está bastante ligado à imprevisibilidade de questões climáticas e biologia”, afirma, em nota, a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack.
Sobre o segmento mais impactado pelo número de recuperações judiciais, o economista e professor da Pucrs Gustavo de Moraes faz um alerta adicional para a elevação no preço de fertilizantes e combustíveis após a guerra no Oriente Médio, que pode agravar o cenário para o agro brasileiro.

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