O amor e suas consequências fatais
Com adaptação prevista para o cinema em andamento, Terra Partida, best-seller do The New York Times , é uma história avassaladora sobre amor que leva a consequências fatais. A obra foi publicada em março de 2025 nos Estados Unidos e está sendo considerada um dos grandes lançamentos do ano. Agora o leitor brasileiro tem acesso a ela.
A narrativa é ambientada nas décadas de 1960 e 1970 e tem como centro um casal que tenta se recuperar de um trauma devastador levando uma rotina pacata em sua fazenda no interior da Inglaterra. No entanto, o retorno de uma figura do passado vai abalar as frágeis estruturas da família e provocar rompimentos inimagináveis.
Beth vivia dias tranquilos ao lado do marido, Frank, e do cunhado, Jimmy, na fazenda. Casamento feliz,boa relação com a terra. A superfície aparentemente sólida esconde uma rachadura irreparável: a perda do filho, Bobby, morto em um trágico acidente sobre o qual o casal mantém silêncio. Quando Jimmy atira num cachorro que invadiu a propriedade e atacou seus cordeiros, um golpe do destino atinge a família. O cachorro era de Gabriel Wolfe, o primeiro amor de Beth. Ela deixou seu coração em pedaços uma década antes. Gabriel é um escritor de sucesso, de volta à cidade, divorciado, junto com o filho, o pequeno Leo. Beth sente-se culpada pela morte do cão, aproxima-se do menino , que lembra seu filho falecido. E aí aproxima-se também de Gabriel. Muita coisa vai acontecer envolvendo os quatro adultos e o menino Leo.
Lançamentos
Onde o sol se põe (Viapampa, 306 pág), segundo livro do escritor e jornalista Ricardo Peró Job, com narrativa fluente e envolvente, traz a estória de uma família fronteiriça, envolvendo diversas épocas e acontecimentos históricos do Rio Grande do Sul. "Ricardo desvenda a textura da alma humana, com suas fraquezas e feridas, com seus valores e suas mazelas", disse Colmar Duarte na apresentação.
Os 7 pilares do amor-próprio (L&PM Editores, 248 pág, R$ 64,90), do consagradíssimo escritor, professor universitário e psicólogo Walter Riso, mostra com clareza e objetividade como ter uma relação profunda e enriquecedora consigo mesmo. Amor-próprio, autoaceitação, tratar a si próprio com gentileza, estabelecer limites e libertar-se de apegos e dependências estão na obra.
Todas as filhas de Deus precisam de bons sapatos para a estrada (Pallas Editora, 288 pág), quinto livro de Maya Angelou, norte-americana, cantora, dançarina, atriz, escritora, roteirista e produtora de teatro, TV e cinema, traz relato pungente do período que viveu em Gana, nos anos 1960. Negra, mãe, americana e estrangeira, mesmo assim teve problemas em solo africano.
Meninos, homens e a crise masculina moderna
Nestas últimas décadas, em tempo de pós-feminismo, entre outros movimentos históricos e transformações sociais, muito se tem falado sobre a identidade do homem, crise masculina moderna e caminhos privados e públicos que as novas situações requerem.
Sobre meninos e homens (Avis Rara - Faro Editorial, 272 páginas, R$ 79,90, tradução de Fábio Alberti), de Richard V. Reeves, influente intelectual público e autor, focado em desigualdades sociais e como combatê-las, explica por que a nova geração masculina está ficando para trás e que esta é uma questão que decididamente deve ser enfrentada. Reeves é pai de três filhos, jornalista, ex-Brookings Institution e atual presidente do American Institute for Boys and Men.
Meninos têm sido 50% mais reprovados em matemática, ciências e leitura. No Reino Unido, o suicídio é a principal causa da morte de homens com menos de 45 anos. Esses e outros fatos mostram uma crise instalada no universo masculino: meninos e homens estão em desvantagem em educação, trabalho, saúde mental e família. Para o autor isso tudo resulta de mudanças econômicas, sociais e institucionais profundas que não acompanharam o ritmo masculino.
Reeves comenta que a vida das mulheres avançou significativamente nas últimas décadas, enquanto que a de muitos homens estagnou ou piorou. Políticos de esquerda e direita, presos em disputas ideológicas, falham em oferecer respostas práticas. Para Reeves a sensação de desconforto masculino não é resultado de um colapso psicológico em massa, mas de desafios estruturais mais complexos.
O autor examina a questão da educação masculina, da masculinidade "tóxica", dos impasses políticos, de pensão e guarda de filhos e refere também que mesmo as feministas mais radicais admitem que as meninas estão em melhor situação que os meninos. O autor fala de redshirting para os meninos, ou seja, colocá-los um pouco mais tarde na escola, em torno de um ano a mais de espera.
Reeves aponta que muitos meninos e homens perderam espaço na sala de aula, no trabalho e na família. Reeves aponta as atitudes, instituições e leis que falharam em acompanhar o ritmo para o público masculino. Reeves examina os obstáculos estruturais que meninos e homens enfrentam e apresenta soluções novas e criativas que viram a página da narrativa corrosiva que tem afetado essa questão. O livro argumenta que ajudar a outra metade da sociedade não significa desistir do ideal de igualdade de gênero. Ao contrário, a fortalece.
Reeves cobra liderança responsável sobre o assunto. Aponta que pais e mães se preocupam com seus filhos, os líderes estão presos a posições partidárias. Os progressistas veem qualquer iniciativa para ajudar os homens e os meninos como manobra para desviar das lutas femininas. Os conservadores veem as mudanças para ajudar as meninas e mulheres como um movimento para inferiorizar os homens. Reeves tem esperança que se chegue a um consenso sobre o fato de que muitos dos meninos e homens estão realmente em apuros, sem terem culpa disso, e necessitam de ajuda.a propósito...
Claro que as ideias de Reeves podem ser polêmicas e que podem não ser aplicáveis a todos os lugares do planeta. O certo é que ele toca em alguns pontos cruciais e essenciais de uma crise de identidade masculina que é global e que merece atenção. Interesses partidários e ideológicos devem ficar de fora, isso é certo. Buscar equilíbrio e estar atento ao que está acontecendo é que é obrigação das famílias, das instituições de ensino, da mídia e das autoridades privadas e públicas competentes. É preciso cuidar de todos, com pluralidade, democracia verdadeira e igualdade. O coletivo ficará bem melhor.(Jaime Cimenti)

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