
06 DE JULHO DE 2022
+ ECONOMIA
Dólar reduz risco de calote no Brasil Turistas de fim de semana "redescobrem" Porto Alegre
O número de pessoas que se hospedam em Porto Alegre aos finais de semana cresceu 151,7% nos quatro primeiros meses de 2022 em relação ao mesmo período de 2021, conforme a rede Master Hotéis.
O dado é relacionado à procura por turismo de lazer na Capital. Em abril, houve o maior aumento de hóspedes em finais de semana até agora: alta de 250,3% na comparação com o mesmo mês do ano passado. O diagnóstico da rede é de que Porto Alegre está deixando de ser apenas uma cidade focada em turismo de negócios.
Na avaliação de Lívia Trois, diretora-geral da rede, a mudança é resultado da "modernização" da cidade, com atrações como a maior pista de skate da América Latina e o Cais Embarcadero, entre outros. Em 2020, a executiva confessou que, com a pandemia, chegou a pensar que seria impossível manter a rede hoteleira, que é a maior de Porto Alegre em número de apartamentos: 904.
Os gaúchos são parte da clientela, com 48,67% da ocupação. Em segundo lugar, está o público de São Paulo, com 11,49%, e de Santa Catarina, com 8,99%. Cerca de 70 mil pessoas passaram pelas unidades da rede no último ano. Lívia reforça que ficou no passado quem dizia que viajar para a Capital era apenas para negócios:
- Falo de paulistas, cariocas, curitibanos, brasilienses, sem falar dos gaúchos, que vêm à Capital para conhecer o que há de melhor. Essa movimentação mostra o potencial da cidade.
Na virada do semestre, a Rússia entrou em default (deixou de pagar parte da dívida pública do país) pela primeira vez desde 1998. Sri Lanka, uma pequena ilha ao sul da Índia, descumpriu compromissos com credores pela primeira vez na história.
Nos dois casos, a guerra pesou na inadimplência. No caso da Rússia, as sanções econômicas foram determinantes. Em Sri Lanka, gastos em dólar com a compra de combustíveis afetaram a poupança em dólar. Agora, analistas globais trocam listas sobre supostos próximos candidatos ao calote. Na América do Sul, Argentina e Venezuela estão em alerta vermelho, mas há sinal amarelo para Brasil, Chile, Colômbia e Peru.
Como no caso da Rússia, a escassez de dólares é o caminho mais curto para o calote. Por isso, o Brasil, com suas reservas cambiais de US$ 346,85 bilhões (em abril, dado mais recente), é visto como um país de risco, mas baixo. O problema é que há um caminho mais longo, o do aumento das despesas, como no caso da PEC dos Benefícios (ou Kamikaze, ou Eleitoral), além da alta do juro.
Conforme projeções do Banco Central (BC), a alta na Selic de 9,25% para 12,75% no ano até agora eleva a dívida pública em R$ 117 bilhões ao longo de 12 meses. Corresponde a mais do que o dobro dos gastos extras previstos na PEC.
Depois da crise de 1998/1999, quando o Brasil foi obrigado a recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em busca de financiamento, exatamente por não ter dólares suficientes para bancar seus compromissos, o BC adotou a estratégia de elevar as reservas em moeda estrangeira.
Na série histórica que começa em 1998, a poupança em dólar saiu de US$ 60 bilhões para US$ 350 bilhões em valores nominais (sem correção pela inflação). Houve encolhimento para o piso de US$ 27,5 bilhões, em 2000, e o máximo de US$ 389,43 bilhões, em 2019.
A combinação de gastos extras com a pandemia e com a inflação gerada no período criou um quadro global semelhante ao da crise financeira de 2008. Para tentar conter os estragos da covid-19, os países injetaram bilhões na economia e acumularam dívidas. Aí veio a inflação e foi preciso subir o juro, o que voltou a elevar o endividamento.
Além do muro de dólares, o Brasil tem duas proteções ao temido novo ciclo de calotes de dívidas pelo mundo: produz a maior parte do petróleo que consome e tem a maior parte dos compromissos em reais, ou seja, a dívida interna é maior do que a externa. Isso não impediu, no entanto, que o risco medido em Credit Default Swaps (CDS) disparasse cerca de 30% em junho.
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