
08 DE NOVEMBRO DE 2021
OPINIÃO DA RBS
O 5G E SEUS BENEFÍCIOS
Finalizado o leilão da tecnologia móvel 5G, na sexta-feira, o país agora espera que sejam cumpridos os cronogramas previstos no edital para a implantação do serviço, entre meados do próximo ano e 2029. O prazo é exíguo, especialmente para as Capitais, onde o serviço tem de estar disponível até julho de 2022. Sem contratempos, portanto, em breve ao menos parte da população brasileira poderá começar a usufruir das infinitas possibilidades que se abrem graças às conexões de altíssima velocidade que serão possíveis pela quinta geração da internet.
Uma verdadeira disrupção está a caminho. O 5G, presente em poucos países, como EUA, China e nações da Europa, possibilitará a expansão da internet das coisas (IOT), com várias máquinas e aparelhos, inclusive domésticos, conectados e trocando informações. Procedimentos cirúrgicos delicados poderão ser realizado a distância. Veículos autônomos terão melhores condições de trafegar com segurança. A indústria 4.0 terá mais condições de se desenvolver. As cidades poderão ser verdadeiramente inteligentes, com serviços urbanos como monitoramento, regulação do trânsito e iluminação interligados. Mesmo com mais de um ano de atraso, devido ao cancelamento do leilão no ano passado, por força da pandemia, é o futuro que começa a chegar.
O 5G tem ainda um papel de inclusão a cumprir, incorporado ao edital do certame. Como o de levar internet às escolas e a pontos longínquos com baixa qualidade de sinal, como rodovias e comunidades que sequer hoje dispõem do 4G. No caso das instituições de ensino básico, especialmente da rede pública, a conexão de qualidade é uma exigência dos tempos atuais. É condição essencial para permitir uma formação à altura dos desafios do país e do mercado de trabalho. Afinal, as atividades são cada vez mais digitais e muitos serviços oferecidos pelo poder público à população também migram aceleradamente do físico e presencial para o virtual. Mas o leilão da frequência de 26 GHz, onde estava contemplada esta contrapartida, não teve os resultados esperados. Arrecadou-se pouco mais de R$ 3 bilhões, metade do inicialmente estimado, o que não exime o governo de buscar alternativas para cumprir o compromisso.
Dos quase R$ 47 bilhões que o certame movimentou, a maior parte se refere a obrigações de investimentos. Um volume vultoso, sem dúvida. Criar infraestrutura é sempre um fator dinamizador da economia, pela demanda de produtos e serviços que cria, junto à geração de empregos. Há também este benefício mais do que bem-vindo neste momento de economia vacilante e interrogações à frente.
A possibilidade de desfrutar do 5G da maneira mais prosaica pelos cidadãos será por meio dos aparelhos celulares. Hoje, porém, a grande maioria dos smartphones compatíveis tem preços inacessíveis para a maior parte da população. É de se esperar que, com uma demanda maior e, no futuro, com a normalização da oferta de insumos para os dispositivos, como os chips, os valores possam recuar para custos mais módicos, permitindo a verdadeira popularização da tecnologia. O mesmo vale para os planos de serviços. A internet móvel de quinta geração deve ser um instrumento de inserção, não de exclusão. Ao menos no edital de leilão das frequências, seguiu-se corretamente por este caminho. Disseminar e democratizar os benefícios da nova tecnologia significa incluir economicamente e assegurar cidadania.
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