sábado, 15 de junho de 2013


16 de junho de 2013 | N° 17463
PROTESTOS EM SÉRIE

Uma corrente nacional

Inspirados em Porto Alegre, atos públicos contra reajustes na tarifa de ônibus se fortalecem no país por interação e até “treinamento” entre grupos. “Esse valor é um roubo!”. “Se a passagem não baixar, vamos parar!” Os argumentos se repetem pelo país. Mas não são por coincidência.

A onda de protestos contra os reajustes na tarifa de ônibus, que atinge capitais e cidades do país, começou a ser gestada em Porto Alegre.

Debaixo de chuva, entre os milhares de manifestantes que comemoravam, no início de abril, a liminar que congelou em R$ 2,85 o preço da passagem, também havia paulistas e catarinenses insatisfeitos com o custo e a qualidade do transporte coletivo. E eles não estavam a passeio.

A missão dos “infiltrados” era a de compartilhar, depois, a experiência dos manifestantes gaúchos, que desde janeiro vinham ocupando as ruas, chamando a atenção pelo país. A tarefa foi levada a sério. Tanto que, dois meses depois, no primeiro ato em São Paulo, uma faixa carregada por manifestantes continha os seguintes dizeres: “Vamos repetir Porto Alegre”.

Envolvidos com os protestos desencadeados em São Paulo e Rio de Janeiro, a Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (Anel) e o Movimento Passe Livre (MPL) estiveram entre os que enviaram seus representantes.

Além da experiência in loco, as redes sociais também foram aliadas na articulação que culminou em protestos em sete capitais na quinta-feira.

Para Michel Oliveira, 29 anos, integrante do grupo Vamos à Luta no Rio de Janeiro, Porto Alegre foi mais do que uma inspiração.

– Serviu para que o movimento começasse a se nacionalizar – garante. Segundo ele, mais cidades deverão aderir nos próximos dias, como capitais das regiões Norte e Nordeste.

– Não vamos sair das ruas enquanto a tarifa não baixar – promete. Movimento nega apoiar vândalos

O MPL, criado justamente durante o Fórum Social Mundial, em 2005, na capital gaúcha, se diz “autônomo, independente e apartidário” e está em oito cidades. Conforme Caio Martins, 19 anos, estudante de História da Universidade de São Paulo (USP), a bandeira do grupo é a tarifa zero.

Integrante da executiva nacional da Anel – surgida em 2009 como uma alternativa à União Nacional dos Estudantes (UNE) – Arielly Tavares Moreira, 23 anos, reconhece que depredações registradas em movimentos recentes não são bem vistas pela população, mas pondera:

– São atos individuais, que não nos representam, mas isso não justifica a ação da polícia.


cleidi.pereira@zerohora.com.br

Nenhum comentário: