quinta-feira, 27 de junho de 2013

kenneth maxwell

 

27/06/2013 - 03h30

Xingamento e corrupção

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A Fifa aparentemente proíbe xingamentos durante jogos de futebol. Ou é isso que me diz um dedicado torcedor do Vasco. Não sei se é verdade. Parece, no entanto, provável, ainda que eu não veja como uma regra desse tipo possa ser aplicada. Mas imagino, ainda assim, que seja mais fácil para a Fifa proibir palavrões durante os jogos do que a corrupção no futebol.

É uma pena que Nelson Rodrigues não estivesse entre nós na semana passada para comentar sobre os levantes populares no Brasil. Ele usualmente era cético quanto a esses movimentos. "A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem." Dilma Rousseff e "Sepp" Blatter fariam bem em ter considerado esse alerta.

"Sepp" Blatter estará de volta ao Brasil nesta semana para a final da Copa das Confederações. Ele (aparentemente) não está em busca de um "plano B" para a Copa do Mundo do ano que vem caso o Brasil seja considerado incapaz de realizá-la, ainda que Blatter sempre possa encorajar o Qatar a adiantar seus planos (Doha, afinal, tem dinheiro).
O Qatar, um minúsculo emirado no golfo Pérsico, é o maior exportador mundial de gás liquefeito e reservou 40% de seu Orçamento em 2016 para projetos de infraestrutura. A expectativa é a de que invista US$ 220 bilhões nos preparativos para sediar a Copa do Mundo de 2022, entre os quais US$ 5,5 bilhões para criar uma ilha com hotéis flutuantes que abrigariam os torcedores.

No Qatar, a homossexualidade é ilegal. Mas Blatter brincou que os torcedores gays de futebol se absteriam de sexo quando estivessem lá. A Fifa está "investigando" alegações de que subornos foram pagos durante o processo de seleção que resultou na vitória do Qatar. O seu emir transferiu o poder ao seu filho de 33 anos, em uma transição pacífica.

O Qatar tem cerca de 1,9 milhão de habitantes. Bem mais de um milhão de pessoas foram às ruas do Brasil nos protestos da semana passada. A presidente Dilma sugeriu um plebiscito e prometeu mais dinheiro para transporte público e educação. Boa parte disso deve ser financiado (aparentemente) pelos royalties (previstos) do petróleo. Mas as empresas de Eike Batista já enfrentam graves problemas. Como (aparentemente) a Petrobras. Muitos consultores financeiros independentes dizem que o Brasil precisa de menos controle do Estado, mas isso não consta da agenda da presidente.

Nelson Rodrigues disse que "o Maracanã tem a vocação e a nostalgia da vaia. Repito: lá vaia-se tudo, desde o minuto de silêncio. E antes da entrada dos times, vaia-se o gramado".


Depois do que aconteceu em Brasília, vamos ver como as coisas transcorrem neste final de semana no Rio.

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