domingo, 9 de janeiro de 2011

Receita abrirá consulta aos lotes do IR de 2010, 2009 e 2008

Consulta poderá ser feita a partir de segunda-feira e deve atingir 115,2 mil contribuintes

Wellton Máximo, da AGÊNCIA BRASIL - Winfried Bruenken/Wikimedia Commons



A Receita deve gastar R$ 193,3 milhões com as restituições

Brasília – Um total de 115,2 mil contribuintes que estavam na malha fina vão receber restituição do Fisco este mês. A Receita Federal libera na segunda-feira (10) consulta ao lote residual do Imposto de Renda da Pessoa Física de 2010, 2009 e 2008. A Receita desembolsará R$ 193,3 milhões com as restituições.

Referente ao exercício de 2010, 79.343 contribuintes serão beneficiados. Eles receberão R$ 130,7 milhões com correção de 7,69%, equivalente à taxa Selic acumulada de maio do ano passado até este mês. O lote de 2009 pagará restituição a 20.247 contribuintes, que receberão R$ 38,7 milhões com acréscimo pela taxa Selic de 16,15% (maio de 2009 a janeiro de 2011).

Em relação ao lote residual de 2008, serão creditadas restituições para 15.673 contribuintes, num total de R$ 23,8 milhões. A correção pela taxa Selic será de 28,22% (período de maio de 2008 a janeiro de 2011).

A relação dos contribuintes beneficiados estará disponível na página oficial da Receita na internet, a partir das 9h de segunda ou no telefone 146. As restituições, no entanto, só serão depositadas no dia 17.

Caso o valor não seja creditado, o contribuinte deverá ir a qualquer agência do Banco do Brasil ou ligar para os telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (deficientes auditivos). Nesse caso, o declarante terá de agendar o crédito em conta-corrente ou poupança, em seu nome, em qualquer banco.
Por que o Walmart precisa mais que descontos para crescer

Sucesso da política de preços baixos lançada no Brasil não depende apenas de saber negociar com fornecedores
Beatriz Olivon, de EXAME.com

Walmart convence fornecedores a repensar processos



Walmart: mais do que vender produtos baratos, a rede vai precisar vender a ideia de que o consumidor encontrará preços baixos sempre

São Paulo – O Walmart apresentou aos brasileiros, nesta semana, seu conceito “every day low price” (preço baixo todo dia). A estratégia foi fundamental para que o Walmart se tornasse a maior rede de varejo do mundo, mas chegou ao Brasil com anos de atraso em relação a outros países.

No México, por exemplo, ela é adotada desde 1999. Por isso, os especialistas afirmam que, aqui, o seu sucesso não dependerá apenas de descontos generosos aos clientes.

A meta do Walmart é trocar os descontos diários pela oferta de produtos mais baratos pelo máximo de tempo possível – de semanas a meses. Por isso, por trás das gôndolas, a rede vai investir na renegociação de contratos com fornecedores.

O foco é diminuir a “verba promocional” que, no Brasil, é o termo usado para os descontos dados pelos fornecedores aos varejistas, quando compram grandes lotes de produtos. Essa mudança pode sustentar preços mais baixos para o consumidor – e é isso que o Walmart pretende.

Mas, para os especialistas, sustentar preços baixos apenas aumentando a pressão sobre os fornecedores para comprar mais barato é uma estratégia limitada. O argumento básico é bem simples: seus maiores concorrentes, Pão de Açúcar e Carrefour, têm tanto peso quando o Walmart para negociar grandes descontos com os fornecedores.

“As três redes têm o mesmo poder de barganha”, afirma Ulysses Reis, coordenador do MBA em Supermercados da Fundação Getúlio Vargas (FGV). E o motivo é óbvio: o mercado varejista está cada vez mais concentrado.

O que mais?

O varejo é, tradicionalmente, um setor de pequenas margens quando comparado com outros. Por isso, para lucrar vendendo barato, a companhia precisa melhorar ao máximo a gestão de custos e recursos. “Mundialmente, o Walmart tem esse foco de redução de custo e busca de máxima eficiência, mas isso tem que ser aliado a grandes volumes de compra, agilidade, excelência na logística e sistemas”, diz o diretor geral da Gouvêa de Souza, Marcos Gouvêa.

O Walmart chegou ao Brasil em 1995. Para acelerar seu crescimento, investiu em aquisições, como a da Rede Bompreço, em 2004, e a da Sonae, em 2005. Parte dos especialistas afirma que essa estratégia de aquisições é o principal desafio para afinar a eficiência operacional do grupo no Brasil.

Redes distintas, com culturas, méritos e ineficiências variados, levam tempo para entrar no mesmo passo, corroendo lucros enquanto isso.
Guerra por segundo escalão envolve cerca de 600 cargos

PT e PMDB estão no centro da disputa pelo controle das estatais
AGÊNCIA BRASIL - A presidente Dilma Rousseff



Partidos aliados da presidente Dilma Rousseff estão de olhonas estatais

São Paulo - A disputa entre os partidos aliados da presidente Dilma Rousseff para manter os postos que já têm no segundo escalão ou abocanhar novos cargos visa o controle de 102 empresas estatais, sendo 84 no setor produtivo e 18 no setor financeiro. Destas, 66 do setor produtivo e sete do setor financeiro dispõem de R$ 107,54 bilhões para investimentos só neste ano.

Ao todo, estão em disputa cerca de 600 cargos. PT e PMDB estão no centro da disputa pelo controle das estatais. É provável que a maioria seja mantida, pela continuidade do governo.

Trata-se de um butim bilionário capaz de levar os partidos a uma batalha política pelos próximos meses, apesar dos apelos de paz feitos pela presidente da República e da suspensão de novas nomeações para o segundo escalão até que sejam feitas as eleições para as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado.

A guerra compreende também postos estratégicos em ministérios e órgãos, como os Correios, que o PMDB perdeu para o PT. Na Saúde, a disputa pela Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) deu origem à guerra do segundo escalão.

Embora os R$ 45 bilhões dessa secretaria não estejam carimbados para investimentos - são repasses ao SUS -, o partido que ocupa o posto tem grande visibilidade no País, o que se traduz em votos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Bem e é evidente que será dificil fechar essa conta sem deixar algumas mágoas, mas enfim..

DAMIÁN TABAROVSKY - tradução PAULO MIGLIACCI

O livro do ano

Mistérios do verão portenho

NUNCA VOTEI em candidato que tivesse vencido uma eleição, e nem em um livro que tenha conquistado o primeiro lugar nas pesquisas que jornais costumam fazer nos finais de ano. Ou mesmo o segundo, ou o terceiro. Quem pode dizer? Tendo em conta os habituais vencedores de votações -políticas e literárias-, talvez eu deva considerar de modo positivo minhas derrotas sistemáticas. Em todo caso, sei perfeitamente quais são os melhores livros da literatura argentina em 2010, se é caso de fazer um balanço.

Um deles é "Qué Hacer", de Pablo Katchadjian. Nascido em 1977, já havia publicado dois romances, divertidos e de tom experimental, interessantes, mas que não deixavam prever o salto em direção a uma obra de arte.

Porque é isso que "Qué Hacer" significa: um romance que se movimenta com perfeição na herança do nonsense, na tradição de [Raymond] Queneau, no jogo de palavras, no humor radical, na engenhosidade. O livro de Katchadjian é um desses raros romances que satisfazem ao leitor mais inteligente.

OUTRO LIVRO DO ANO
Conheço Juan José Becerra -nascido em 1965 e apenas dois anos mais velho que eu -há pelo menos uma década e meia. Trata-se de uma das pessoas mais inteligentes com quem já tive contato na vida. Evidentemente, eu havia lido seus três romances anteriores e diversos de seus livros de ensaios.

Todos me interessaram muito, e escrevi diversas vezes sobre ele, mas sempre tive a sensação de que os livros não atingiam a estatura intelectual do autor, de que ficavam abaixo de Becerra.

Até que, dois meses atrás, apareceu "Toda La Verdad", um romance que mudou a equação: Becerra por fim escreveu um dos livros-chave da literatura argentina contemporânea. A história de um engenheiro milionário que um dia abandona tudo e vai a pé para o campo, onde vive por muito tempo na solidão e na pobreza; depois retorna, escreve um livro de autoajuda e se torna famoso (entre muitas outras peripécias).
O próximo romance de Becerra está anunciado não por uma editora argentina mas na Espanha, antes das traduções que inevitavelmente chegarão.

COM AR CONDICIONADO
Buenos Aires em janeiro é uma cidade deserta. As afortunadas famílias de classe média partem de carro para as praias 400 quilômetros ao sul, a classe média alta voa para Punta del Este e muitos trabalhadores viajam de ônibus para passar o dia em suas províncias de origem.

O asfalto se derrete, não há coisa alguma para fazer e as pessoas como eu, que não saem da cidade, procuram os lugares equipados com ar condicionado: restaurantes, bancos e, por que não, também cinemas.

O bom ar condicionado que existe na sala de cinema do Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires é uma, mas não a única- razão para recomendar uma visita. Em janeiro, o grande cineasta Edgardo Cozarinsky organizou um ciclo chamado "Elogio da Arte Impura", no qual a cada dia são exibidos os melhores filmes do cinema argentino e clássicos do cinema mundial. Estarei lá. Meus amigos também.

MODAS EDITORIAIS
As grandes editoras estavam sossegadamente ganhando fortunas com a publicação de livros chatos e previsíveis contra o governo de Cristina e Néstor Kirchner. Eles são corruptos, malvados, autoritários, e assim por diante.

Escritos habitualmente por jornalistas com sérias dificuldades para conjugar um verbo no infinitivo ou escrever sentença de mais de cinco palavras, esses livros vendiam milhares de exemplares. Tudo corria bem até que Néstor Kirchner morreu, e o clima social mudou (ao menos por enquanto; na Argentina, como dizia Marx, tudo que é sólido se desmancha no ar).

Agora Cristina se tornou viúva e é preciso respeitá-la, e Néstor é quase um mártir de quem é necessário falar bem. Além disso, não há por que descartar a possibilidade de uma vitória de Cristina nas eleições presidenciais deste ano.

Na verdade, os livros é que foram descartados: envelheceram irremediavelmente, de um só golpe. Já não ocupam as primeiras posições nas listas de best sellers, e já não são vistos nas livrarias.

O que farão as grandes editoras agora? Ah, os mistérios do verão em Buenos Aires...

FERREIRA GULLAR

Quando dois e dois são cinco

Olho para ela e pergunto: essa senhora é a presidente do Brasil ou se trata de personagem de novela?

FAZ TEMPO que não toco, aqui, em assuntos políticos e, se volto ao tema hoje, é para refletir, junto com você, leitor, sobre um fato para mim inusitado. Certamente nem todos concordarão comigo ou simplesmente preferirão desconsiderar esse tipo de perplexidade. De qualquer modo, se eu estiver equivocado, peço-lhe desculpas, mas, sinceramente, neste caso, não opino, constato e com espanto.

Constato o seguinte: a eleição de Dilma Rousseff à Presidência da República não me parece real.

Talvez não seja eu o único a pensar assim e que não só a mim a eleição dela pareça inusitada. Tendo a admitir que não. Pode ter ocorrido que, na tropelia da disputa política, meses de propaganda, declarações, acusações, desmentidos, as pessoas se deixaram levar pela paixão e não pararam para refletir sobre o que acontecia.

Disputa seja na política seja no futebol, tende a nos cegar, a nos impedir de refletir e ponderar.

Não me excluo disso, tanto que só depois que a coisa se consumou, que os discursos cessaram, os debates acabaram e a Justiça Eleitoral a proclamou presidente eleita do Brasil é que me dei conta de quão surpreendente era tudo aquilo -isto é, de quão surpreendente é termos Dilma Rousseff como presidente do Brasil e que irá nos governar pelos próximos quatro anos.

Se quiser entender meu espanto, siga este raciocínio: Dilma Rousseff nunca pretendeu candidatar-se a nenhum cargo eletivo. Embora tenha entrado para a política muito jovem, na época da ditadura, e continuado sua militância após a volta da democracia, jamais disputou eleição alguma.

Isso não teria importância em alguém que sempre se manteve à margem da política, o que não é o caso dela; daí a conclusão de que, se nunca se candidatou, foi porque essa não era a sua praia. Em vez disso, estudou economia e se contentou em ocupar cargos oficiais na área de sua especialização, chegando a ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República.

Mas, de repente, essa pessoa que nunca disputou eleição nem para vereadora é lançada candidata à presidência da República. Acredita você que foi por vontade dela? Que um dia acordou e disse a si mesma: "Sabe de uma coisa, vou me candidatar a presidente do Brasil!". Você não acredita nisso, claro, nem eu tampouco. O que aconteceu então?

Todo mundo sabe o que aconteceu: foi Lula quem decidiu isso e impôs a ela a decisão. Como acha você que terá reagido Dilma, ao ouvir de Lula a ideia de candidatar-se ao mais alto cargo eletivo do país, ela, que nunca se candidatou a cargo algum? Estou certo de que pediu um tempo para pensar e mal conseguiu dormir aquela noite. "Lula pirou", terá dito ela a si mesma, imóvel na cama, olhando para o teto. "Eu, presidente do Brasil? É maluquice!"

Claro, estava perplexa, mas, certamente, fascinada pela ideia, como Cinderela ao ver que o sapato da princesa buscada poderia caber em seu pé. Mas tinha dúvida: "Caberá mesmo?". Aquilo mais parecia sonho que realidade.

O mesmo espanto senti eu e muita gente mais quando a coisa se revelou. Lula veio a público dizer que Dilma seria a candidata sua e do PT à Presidência da República. Não dava para acreditar. O PT também reagiu, tentou convencer Lula de que aquilo era um disparate, mas não conseguiu. Como sempre, prevaleceu a vontade do líder absoluto e incontestável.

Tudo isso se sabe, claro, mas pretendo é que avalie bem o que ocorreu. Vamos adiante: porque nunca disputara eleições, era natural que não tivesse eleitores, muito menos para ganhar um pleito presidencial -ou seja, conquistar os votos de mais da metade de 130 milhões de eleitores. E chegou lá graças a Lula, que, para elegê-la, usou toda a máquina estatal e desconsiderou a lei eleitoral.

O resultado é que temos, diante de nós, agora, uma presidente da República que é uma surpresa até para si mesma. Eleita sem ter votos! É quase como um suplente de senador.

Olho para ela e me pergunto: essa senhora é de fato a presidente do Brasil ou se trata de uma personagem de novela? Acredito até que ela, às vezes, se belisca para ver se é mesmo verdade. O que não significa que fatalmente fará um mau governo, já que tudo é possível neste mundo surrealista latino-americano. Desejo-lhe boa sorte.

CLÓVIS ROSSI

Sai a fanfarra, entram os fatos

SÃO PAULO - Já no discurso de posse, Dilma Rousseff fizera um risco no exagerado ufanismo de seu antecessor. Ajuda-memória: Lula cansou-se de proclamar que sua missão na vida era pôr três pratos de comida por dia na mesa do brasileiro. E cantou "missão cumprida" ao fim de seu período.

Aí, Dilma assume e diz a mesma coisa, ou seja, que não vai descansar "enquanto houver brasileiros sem alimentos na mesa". Significa, como é óbvio, que a missão não foi integralmente cumprida, ainda que tenha havido formidável melhora na vida dos brasileiros, pobres ou não.

Agora, Dilma cria o programa de ataque à miséria absoluta, que, também implicitamente, trinca a propaganda ufanista de que milhões de brasileiros deixaram a pobreza e passaram à classe média.

O novo programa começará exatamente por tentar estabelecer o que é pobreza, levando em conta não apenas a renda mas também o acesso a bens públicos como educação, saúde, saneamento.

Se o próprio governo tem a louvável honestidade de admitir que a pobreza no Brasil não está devidamente medida, qualquer afirmação sobre quantos deixaram de ser pobres é no mínimo temerária (chute, mais exatamente).

Se o critério para definir pobreza for o dos Estados Unidos e o de países europeus (é pobre quem ganha menos de x% da renda média do país), ruirá outra propaganda, a da queda da desigualdade.

Por esse metro, haverá fatalmente comparação entre rendas e ficará claro o que tenho escrito reiteradamente nesta Folha e acaba de ser reafirmado por Reinaldo Gonçalves (UFRJ): alterou-se apenas a distribuição de renda na classe trabalhadora (salários, aposentadorias, benefícios), sem alterações substanciais na desproporção entre tais rendas e as do capital (lucro, juro e aluguel).

Bem-vindos, pois, à realidade.

crossi@uol.com.br

ELIANE CANTANHÊDE

A novíssima elite

BRASÍLIA - Tem toda a razão Fernanda Torres ao dizer que "ser considerado parte da elite virou ofensa das mais graves" e em seguida perguntar: "Mas quem é a elite?".
Os bancos, que nunca lucraram tanto, as empreiteiras, eternamente gratas a Lula, a oligarquia, recheada de ministérios? Ou as levas de petistas em todos os escalões?

Há inclusive a elite enxovalhada por Lula e pelos lulistas radicais sempre que lhes falta explicação para alguma peraltice tipo mensalão. Aí, a elite somos nós, que damos um duro danado, ganhamos a vida honestamente, temos apreço aos princípios e exigimos moralidade e exemplo dos governantes.

Hoje, nada encarna melhor a neoelite que o time de Ronaldinhos de Lula -os Lulinhas. Os meninos são uns craques. Entraram pobres em 2003 e saem com seis empresas em 2011, um deles vivendo em apartamento de R$ 12 mil mensais pagos por empresário com contratos, ora, ora, com o governo do pai.

Não se pode discordar de Nelson Jobim quando ele diz que é "ridícula" a crítica a Lula por usar dependências militares para veraneio depois da Presidência.

Também não é totalmente absurda a fala de Marco Aurélio Garcia de que um passaportezinho diplomático a mais ou a menos não faz mal a ninguém, referindo-se ao passaporte exclusivo de autoridades que Lulinhas sacaram no último dia do governo.

São, sim, coisas menores. O problema é a cultura, a soma do veraneio, dos passaportes, da Gamecorp, dos padrinhos, dos atos assinados à sombra, das empresas, do aluguel pago pelo amigo.

O resultado é que Lula se sente dono do Brasil, acha que os filhos têm de aproveitar a "oportunidade" e desconsidera o exemplo que ele dá à nação como mito, como ídolo que é.

Se o presidente pode, a ministra da Casa Civil pode, o amigão Sarney pode, todo mundo pode. É educativo. Ou melhor, deseducativo. Nunca antes neste país se viu uma herança tão maldita.

elianec@uol.com.br

sábado, 8 de janeiro de 2011



09 de janeiro de 2011 | N° 16575
MARTHA MEDEIROS


Terapia alternativa

Uma pia lotada de louça e um tanque transbordando de roupa suja é a metáfora perfeita para a salvação

Conheci Zeca Baleiro no final de 2010 e, além de confirmar seu talento musical, descobri que ele escreve bem e que inclusive publicou um ótimo livro, Bala na Agulha, em que reúne crônicas postadas em seu blog, e também versos e frases soltas.

Entre suas reflexões sortidas, encontrei um poeminha que diz: Terapia/faço em casa/ao pé da pia. Alguns anos atrás escrevi um texto em que defendia essa mesma ideia, a de que lavar louça é uma terapia alternativa das mais eficazes: quando estou com a cabeça encardida de pensamentos inúteis, pego esponja e detergente e começo a lavar todos os copos e pratos empilhados na bancada da cozinha.

É como se eu desaguasse ralo abaixo todas as minhas dúvidas e inquietações.

Dou fim à gordura que se acumula na minha massa cinzenta, as ideias vão ficando mais límpidas e, ao término do serviço, a cabecinha fica pronta pra ser usada de novo, tinindo como um cristal.

Caio Fernando Abreu, a quem ando relendo, também escreveu: “Ninguém enlouquece quando tem um tanque de roupa suja pra lavar”. Ou seja, a vida prática pode nos salvar da loucura.

O fato é que ninguém discorda: a ociosidade é mesmo um passaporte para o universo das caraminholas. A falta de um trabalho e de tarefas a cumprir nos transforma em experts em deduções estapafúrdias e em criadores de problemas inexistentes. Uma pia lotada de louça e um tanque transbordando de roupa suja é a metáfora perfeita para a salvação. Foque no que deve fazer e pare de buscar o sentido da vida.

A loucura tem sempre a ver com excesso, inclusive excesso de tempo livre. É muita angústia, muita cobrança, muita indagação, muita procura de cabelo em ovo.

À medida que usamos nosso tempo para atividades que exigem concentração específica no que se está fazendo, como, por exemplo, um projeto para concorrer ao Nobel de pesquisa científica ou lavar louça, o tempo excedente servirá para descansar e deixar que aflorem apenas os pensamentos mais prioritários. Adeus às elocubrações desnecessárias.

Se mesmo quem possui uma rotina atribulada vive em constante hemorragia mental, imagina quem pode ficar a manhã inteira se espreguiçando na cama, não tem supermercado pra fazer, não precisa ficar atento aos horários dos ônibus e com patrão nenhum exigindo eficiência: acaba mesmo pirando na batatinha. É muita inapetência a serviço do Coisa Ruim.

Portanto, ocupe-se. O trabalho não só dignifica, mas economiza nossos neurônios – não os desperdice matutando, matutando, matutando. Quando estiver pensando muita besteira, amarre um avental na cintura e mantenha sua sanidade.


09 de janeiro de 2011 | N° 16575
David Coimbra


SOB O GUARDA SOL

Esse é o meu garoto!

O Bernardo ganhou uma gatinha na areia. Estava vestido apenas com sua bermuda de surfista decorada com tartarugas verdes, o torso nu, os cabelos em desalinho. Puxava sua retroescavadeira de plástico amarela. Devia estar realmente sedutor, porque foi ela quem se aproximou. Foi ela quem o assediou.

Betina.

Morena. Olhos azuis. Maiô branco cavado. Uma mulher mais jovem, como gosta o Bernardo: tem um ano e 10 meses. Veio sorrindo e gingando. E veio e veio e veio. O Bernardo observava-a, perplexo com sua ousadia. Quando chegou bem perto, Betina abriu os braços. Bernardo vacilou um pouco, mas em um segundo retribuiu o abraço.

Foi uma sintonia perfeita, imediata. Ela tirou o bico, ele tirou o bico. Bernardo tomou-lhe a mão e a conduziu gentilmente para a sombra da barraca. Lá havia tudo de que precisavam para uma tarde a dois: baldinho, pazinhas, carrinhos, fôrmas de peixe, de gato, de cachorro. De coração. Passaram as horas seguintes a brincar juntos. Rolavam pelo chão, lambuzavam-se de água salgada, a areia grudava em seus corpos, loucos, loucos...

Eu observava a alguns metros de distância, tentando não quebrar o encanto do encontro. Confesso que pensei em Gabriela, nissei vizinha de Bernardo que o conhece de toda a vida (ou seja, há três anos) e que o chama com doçura infinita de “meu namolado”. “Onde estará Gabriela agora?”, cogitava eu, puxando o elástico da Bermuda. “Estará pensando nele?”

Enfim, essa é a vida. Encontros. Desencontros. Amores. Desamores. Depois de certo tempo com Betina, Bernardo, percebi, se impacientou. Levantou a cabeça. Olhou para mim. Questionou:

– Papai, ela não fala...

Sorvi mais um gole de caipirinha. Suspirei:

– Um dia você vai considerar isso uma bênção, meu filho...


09 de janeiro de 2011 | N° 16575
MOACYR SCLIAR


A síndrome do ninho vazio – ou a glória dos múltiplos ninhos?

Convenhamos, a independência dos filhos é, ao fim e ao cabo, um triunfo para os pais

Ano-Novo, vida nova, é um dito clássico. Que, contudo, raramente se traduz em mudança real. Na maioria das vezes, continuamos levando nossas vidas, mantendo nossas rotinas, postergando nossos projetos revolucionários. Mas toda regra tem exceção, e o Beto Scliar é disso um exemplo: ele começou 2011 no seu próprio apartamento, por ele muito bem instalado e decorado. Mais do que isso, e ao menos para seus orgulhosos pais e para a Ana, está se revelando um grande dono de casa. Ou seja, é um marco em sua bela trajetória pessoal e profissional.

Em algum momento os filhos têm de sair do reduto paterno-materno. A época para isso varia de acordo com as culturas, com as famílias. Nos Estados Unidos, a independência tradicionalmente ocorre no momento em que o jovem vai para o college, que mais ou menos equivale à nossa universidade. A regra é que isso se faça com mudança de cidade (quanto mais distante melhor), e a partir daí o rapaz ou a moça terão de tomar conta de si mesmos.

Na classe média brasileira, a coisa sempre foi mais flexível, e essa flexibilidade aumentou na medida em que cresceu a expectativa de vida e na medida em que a independência, cada vez mais dependente do diploma, do mestrado, do doutorado, foi sendo adiada. Uma adolescência prolongada, portanto, mas não infinita (ou, parafraseando Vinicius, infinita enquanto dura). De qualquer modo, a ideia da família extensa, que até era um costume no período colonial (entre os ricos ao menos) foi ficando coisa do passado.

Claro, é uma mudança, e toda a mudança tem suas implicações. Amigos nos perguntaram, e com razão, se já estamos com a síndrome do ninho vazio. A expressão, provavelmente de origem americana (“empty nest syndrome”) é muito conhecida; remete a quase 200 mil referências no Google, a dezenas de artigos que analisam esta situação.

Os autores apontam algumas vantagens (o refrigerador não é mais saqueado pelo filho e pelos amigos, a mãe não tem mais que arrumar quartos que parecem um cenário de guerra, a casa fica mais silenciosa), mas reconhecem que esta ordem, esta limpeza, este silêncio podem ter o seu lado melancólico. E aí sucedem-se os conselhos tipo autoajuda, que incluem até indicações de terapia.

Será que é para tanto? Convenhamos, a independência dos filhos é, ao fim e ao cabo, um triunfo para os pais. O ninho poderá ficar um tanto vazio, mas a verdade é que outro ninho surge, não raro vários deles. São casas que acolhem os pais, são lugares que lhe proporcionam surpresas. É a nossa superfície de contato com o mundo que se expande, e isso sempre é consolador.

Não é de admirar, pois, que repetidos estudos realizados a respeito (nos Estados Unidos, obviamente; onde mais?) mostrem que o índice de felicidade conjugal, avaliado através de indicadores, melhora quando os ninhos ficam múltiplos, e quando o casal pode, de certa forma, se redescobrir.

Voar É com os Pássaros era o título de um antigo e clássico filme. Não, voar não é só com os pássaros. Nós também voamos, seja nos aviões (quando os voos não são cancelados), seja através de nossa imaginação. Cada ninho, onde quer que esteja, é uma base para os sonhos. Entre eles, claro, o sonho de nossa própria casa.

A propósito das palavras-chaves da atualidade recebi colaboração de leitores, propondo, entre outros, os termos “bombar” (“A economia está bombando”) e “repaginar”, que é usado numa infinidade de situações, desde roupas, até a vida em geral.

A respeito dos problemas de estradas no RS, o dr. Jaime José Farina, médico e empresário de turismo, propõe duas medidas: a revitalização da BR-116 e o prolongamento da Rodovia do Parque (obra do PAC) até Portão (17 Km), que facilitará o trânsito para a Serra.

Agradeço às mensagens de Mauro Duarte, Maurício Ferreira de Macedo, Antenor E. Fernández, Leandro A. Pereira, Nora Peixoto, Guiherme Giacomolli, Gilda Haubert e Giuliana Ferri.


09 de janeiro de 2011 | N° 16575
VERISSIMO


O homem que casou com sua mão direita

A verdade era que Herculano encontrara na sua mão direita o que nunca encontrara numa mulher

O Herculano era um homem sério, o que tornava suas esquisitices ainda mais divertidas para o grupo. Mesmo quando não estava na roda, o Herculano era assunto da turma. Volta e meia, alguém chegava com uma história nova do amigo, sempre prefaciada com a frase:

– Sabem a última do Herculano?

Pois a última do Herculano ele mesmo anunciou, um dia, ao chegar no bar:

– Pedi a minha mão em casamento.

– O quê?!

– Você vai casar com você mesmo?

– Não, só com a minha mão. Esta.

E Herculano levantou sua mão direita. A noiva abanou para todos na mesa.

Herculano explicou que não tinha sido uma decisão súbita e impensada. Ele e sua mão eram ligados desde pequenos. Tinham se criado juntos. A partir da puberdade haviam começado a fazer sexo regularmente, mas nada sério. Coisa de adolescentes. Com o tempo, no entanto, o relacionamento mudara.

Crescera uma real afeição entre os dois, que aos poucos se transformara em amor. A verdade, contou Herculano, era que encontrara na sua mão direita o que nunca encontrara numa mulher. Além de ser uma companheira constante que jamais o contrariava e fazia todas as suas vontades, era uma amante perfeita. Nenhuma mulher conseguia satisfazê-lo como sua mão direita

– Me apaixonei, pronto – disse Herculano.

Herculano enumerou todas as vantagens de ter sua mão direita como esposa. Ela jamais lhe seria infiel. Ela jamais se recusaria, com um gesto que fosse, a fazer amor com ele. Estaria sempre pronta para o sexo, incapaz de alegar dor de cabeça, tendinite ou o que fosse.

E não esperaria que ele fizesse conversa de neném antes e depois do ato, como algumas mulheres exigem. Sua mão direita não esperaria nada, não exigiria nada, seria uma amante – além de exímia nas artes do amor – silenciosa.

Não era brincadeira. Herculano levou adiante o plano de casar com sua mão direita. Durante algum tempo – o tempo do noivado – a noiva usou duas alianças no seu dedo anular, uma dela e a outra do Herculano.

Depois do casamento, a aliança do Herculano passou para a sua mão esquerda. Todos na roda queriam saber quando seria o casamento, quem seriam os padrinhos etc., mas Herculano informou que a cerimônia seria simples e sem testemunhas.

Ele sabia que não seria difícil arranjar alguém para oficializá-la. Hoje em dia, como se sabe, tem até padre casando surfistas em cima da prancha e pegando onda. Mas Herculano preferiu a discrição. A lua de mel foi em Cancun.

E aconteceu uma coisa que ninguém poderia prever. O Herculano, que nunca fora disso, se revelou num grande ciumento. Continua frequentando a roda, mas, se desconfia que alguém está dando muita atenção à sua esposa, põe a mão no bolso.


09 de janeiro de 2011 | N° 16575
PAULO SANT’ANA


A arte de escrever

Existem os que escrevem sem alma. E existem os que escrevem sem conteúdo.

Conheço alguns autores (livros) que não conseguem ser lidos em duas páginas por seus leitores. O leitor lê algumas linhas e satura-se.

Tirei recentemente uma semana de férias e tive ocasião, portanto, de ler todos os jornais do país.

Vi algumas colunas de jornal que são escritas há anos, todos os dias, e incrivelmente não são lidas por ninguém.

Se eu fosse um desses jejunos de leitura, se ninguém lesse minha coluna, eu teria sido demitido no terceiro mês de trabalho.

Pois há alguns que escrevem por décadas sem serem lidos.

Agora, os meus leitores vão ficar estarrecidos: há outros escritores e jornalistas que escrevem muito bem, têm estilos faiscantes, mas seus textos carecem de qualquer importância porque não possuem substancialidade, conteúdo.

Conheço gente velha de tanto escrever que nunca teve sequer uma frase recordada por seus leitores. O sujeito escreve anos a fio e nunca desenvolveu sequer uma ideia; sempre seus textos são insossos, descerebrados, anestésicos, de uma frivolidade anencéfala.

E é impressionante a facilidade que esses pseudoescritores ou jornalistas têm para escrever.

Aliás, eu sempre desconfiei das pessoas que escrevem por empreitada. Escrevem tanto, que nem têm tempo de pensar.

E para escrever bem é preciso pensar bem. A maioria dos textos que leio (tento ler) não contém raciocínios. A pessoa vai escrevendo ao sabor dos ventos, sem queimar nenhum dos seus neurônios, escreve como se estivesse andando de bicicleta ou comendo gemada, sem ligação nenhuma entre seu texto e a racionalidade construtiva.

Há centenas de medíocres entre as celebridades.

Assim como há, justiça a eles seja feita, milhares de anônimos que nunca alcançarão a celebridade de tantos medíocres.

Já comigo se dá o seguinte: só leio quem tem graça no texto, quem discorre o humor fácil.

Só leio quem pensa e quem por isso me ajuda a também pensar.

Há burros que escrevem lindamente, cuidado com eles.

Assim como há inteligentes que não sabem escrever, tenho pena deles, são como os mudos que não conseguem exprimir no momento exato da conversa a sua ideia rutilante.

Escrever não é para qualquer um, nem para determinados grandes jornalistas ou escritores.

Ruth de Aquino - Época

O “espírito público” dos parlamentares

É emocionante. O espírito público do Congresso ressurgiu com a força das tempestades de verão. O PMDB, muy amigo de Dilma e do povo brasileiro, pressiona por um salário mínimo maior e se lixa para a ameaça de veto do ministro Mantega. O PMDB também se mostra especialmente sensível às necessidades da saúde pública – e só por isso disputa com o PT os cargos no Ministério da Saúde, que tem um orçamento de R$ 77,3 bilhões.

Além dessa preocupação legítima com o trabalhador, os parlamentares vão trabalhar no verão! Bem, na verdade os titulares gozarão de férias, porque deu muito trabalho votar pelo autossubsídio de R$ 26.500. Não é mole reunir em Brasília os congressistas para decidir alguma coisa em dezembro. Com o recesso em janeiro, a Câmara dos Deputados deverá dar posse a 45 suplentes para exercer mandato tampão. O nome é feio, mas a atitude é louvável.

O que seria do Brasil se não tivéssemos esses suplentes em janeiro na Capital ganhando, cada um, R$ 107 mil em subsídios e benefícios? Já que sobra dinheiro no caixa de Dilma e Mantega, e não há risco de inflação, você e eu pagaremos a esses suplentes R$ 4,8 milhões pelo sacrifício de labutar em janeiro. Tutti buona gente, à exceção, claro, de quatro políticos que são réus na Justiça, acusados de participar da máfia dos sanguessugas e do escândalo do mensalão.

Coisas do passado, “fatos históricos” como os desaparecidos na ditadura. Quem perde o sono com Ficha Limpa, se nem o Supremo Tribunal Federal conseguiu bater o martelo até hoje?

Ah, temos ainda os senadores de verão, que custarão cerca de R$ 400 mil aos cofres públicos. São suplentes dos que se tornaram ministros e secretários nos Estados. E, como se viaja bastante a trabalho no mês de janeiro, cada senador suplente receberá passagens no valor de até R$ 23 mil, além do salário, auxílio-moradia e verba indenizatória. Você não se sente culpado de ir para a pousada na praia com a família enquanto esse pessoal dá duro no tampão?

Diante de tudo isso, é injusto que apenas uma parcela ínfima dos brasileiros aprove o empenho dos congressistas. Mas, quem sabe, Collor de Mello possa dar aos companheiros o endereço de seu médico especialista em laser que rejuvenesce e apaga todas as manchas – do rosto e, se possível, do currículo.
O que seria do Brasil se não tivéssemos esses suplentes em janeiro na Capital, cada um ganhando R$ 107 mil?

Leitura essencial é o artigo do expoente-mor do Congresso, José Sarney, em importante jornal nacional. Eis um trecho: “Pode parecer um paradoxo, mas a igualdade que a liberdade traz – com o fundamento de que todos somos iguais perante a lei, detentores dos mesmos direitos – (...) leva à solução dos conflitos e ao caminho do progresso e do desenvolvimento”.

O sábio maranhense admite: “Nem tudo são flores”. Atribui-se a Sarney a autoria da ideia de pressionar pelo mínimo de R$ 560 ou R$ 580. Seria uma manobra para minimizar a repercussão do aumento de 62% dos congressistas. Dando certo, os louros irão todos para o PMDB.

Mas o eleitor lúcido é cético. Nem a bela loura, com sua delicada tatuagem – “Michel” – na nuca, revelada pela trança de Rapunzel, turvou a vista de quem lê as notícias. O marido de Marcela, hoje vice-presidente, pode mandar na jovem primeira-dama do PMDB, mãe de seu filho e discretíssima musa do Jaburu, mas enfrenta clara dificuldade em disciplinar seus correligionários.

“Não tem sentido o PT expulsar o PMDB da Saúde”, disse o líder peemedebista Henrique Eduardo Alves, como se estivesse sendo expulso do paraíso. Investido de mediador, Temer já afirmou que o PMDB não fará chantagem com o mínimo nem votará contra o governo.

O silêncio de Dilma revela a saia justa, mas, se a presidenta já enquadrou um general, bem que poderia dar logo um basta a essa quartelada partidária.

Como um dia disse Lula, lidamos com homens não comuns. Homens cujos filhos marmanjos, de 25 e 39 anos, ganham passaporte diplomático irregularmente. Os passaportes para os Lulinhas foram concedidos pelo Itamaraty “em função de interesse do país” e “em caráter excepcional”. São miudezas irrelevantes.

MARCELA BUSCATO

Chega de enrolar

Novos estudos sugerem que deixar tarefas para depois faz parte do instinto humano. Como evitar esse mau hábito e botar em prática as resoluções de Ano-Novo
Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da revista Época de 8 de janeiro de 2011.

montagem sobre foto getty images


Janeiro é o mês em que as pessoas costumam traçar planos, reavaliar objetivos e pensar nas coisas que gostariam de mudar em sua vida. Assim como Jano, o deus romano de duas faces que dá nome ao mês de janeiro, nesta época olhamos simultaneamente para o passado e para o futuro, animados pela esperança de recomeçar.

Há uma vontade genuína de mudança, mas ela costuma esbarrar, para boa parte das pessoas, numa barreira tão sólida quanto invisível: o hábito de adiar tarefas difíceis ou chatas, deixando-as para amanhã. Ao final de um ano de adiamentos, descobre-se que a vida mudou muito pouco.

Ao contrário do que parece, esse não é apenas um problema seu. Ou apenas de seu filho, que não estuda. Ou da nova garota no trabalho que não cumpre prazos. Empurrar com a barriga é uma tendência universal, profundamente enraizada no comportamento humano. É tão antiga que os romanos já tinham um nome para ela: procrastinar, que significa, literalmente, mover alguma coisa de um dia para o próximo.

Uma pesquisa recente da consultoria Triad PS, de São Paulo, que ouviu mais de 3.500 internautas, sugere que até 70% dos brasileiros postergam a realização de tarefas. Nos Estados Unidos, segundo levantamento do psicólogo americano Joseph Ferrari, pesquisador da Universidade DePaul, pelo menos 20% da população se encaixa na categoria de procrastinadores crônicos - são pessoas que adiam a realização de tarefas compulsivamente, a ponto de atrapalhar a carreira e os relacionamentos pessoais.

Mas nem é preciso ir tão longe para esbarrar com as consequências negativas do hábito de deixar tudo para amanhã. Quem nunca perdeu o sono com o acúmulo de coisas atrasadas, que é o resultado invariável da procrastinação?

Quem nunca se sentiu culpado depois de uma sessão de quatro horas em frente à TV, quando havia tantas coisas urgentes precisando de atenção? Quem não morreu de raiva de si mesmo por ter adiado, sem justificativa, aquele telefonema importante que, depois, acabou esquecido?

A procrastinação deixa de ser apenas mau hábito e se torna um risco quando contamina a vida profissional. Segundo a pesquisa da Triad PS, 64% das pessoas afirmam adiar sistematicamente tarefas no trabalho. Os prejuízos são grandes.

O risco mais óbvio é perder o emprego. “Postergar tarefas é típico de gente acomodada, que não busca soluções para os problemas”, diz Sofia Esteves, presidente da consultoria DM RH. “Não há mais espaço nas empresas para profissionais assim.” Outro problema é criar um clima ruim no ambiente de trabalho. “Hoje, os projetos são feitos sobretudo em equipes”, diz Edson Rodriguez, consultor de gestão de pessoas.

“Ninguém quer pagar pelos atrasos do colega nem empurrá-lo o tempo todo.” O procrastinador limita seu horizonte profissional. Não aprimora seu trabalho porque faz tudo às pressas e tem medo de enfrentar novos desafios – porque conhece sua limitação. Em um mercado competitivo, vai ficar para trás. “As pessoas que chegam ao topo são as que sabem usar seu tempo”, diz o especialista em gestão de tempo Christian Barbosa, da Triad PS.

A boa notícia para todos nós, que temos alguma dessas manchas no currículo, é que especialistas de áreas tão distintas quanto economia, filosofia e psicologia estão debruçados sobre o tema da procrastinação para nos ajudar a conciliar o pouco tempo de que dispomos com a disposição que em geral nos falta.

Uma série de livros recém-lançados ou prestes a chegar às livrarias mostra que é possível dar fim à procrastinação e parar de enrolar.

Sim, existem técnicas para sacudir a preguiça e vencer a tentação de empurrar as tarefas para daqui a pouco. Mas, para conhecê-las, leitor, não deixe a leitura desta reportagem para depois. Esse depois poderá virar nunca!



08 de janeiro de 2011 | N° 16574
NILSON SOUZA


Qual dos dois?

Gosto de indagações. Esta que vem aí faz parte de um poema de Cora Coralina:

“Estavam ali parados. Marido e mulher.

Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça

tímida, humilde, sofrida.

Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,

e tudo que tinha dentro.

Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar

novo rancho e comprar suas pobrezinhas.

O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,

entregou sem palavra.

A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou, se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar.

E não abriu a bolsa.

Qual dos dois ajudou mais?”

De agora em diante é comigo, a poetisa goiana não tem culpa do que virá.

Os homens são assim, diretos, objetivos, confiantes. Acreditam que podem resolver qualquer situação intrincada com um estalar de dedos. Para que ficar ouvindo lamúrias se meia pataca é suficiente para aliviar a dor alheia e apaziguar a própria alma?

As mulheres não hesitam em compartilhar suas dores e as alheias, preferem as palavras ao gesto, a fé à fuga (ainda que a fé, nesta minha mente masculina, também possa ser uma fuga), a emoção à razão.

Nós somos práticos, elas são detalhistas. Nós vamos direto ao ponto, elas dão voltas. Nós jamais admitimos que estamos perdidos, elas perguntam onde fica o destino.

Aprendi que isso vem do tempo das cavernas. Nossos bisavós trogloditas saíam para buscar o alimento da família
Nós edificamos templos, fazemos guerras, governamos nações. Elas constroem sonhos, geram a vida e têm o poder da sedução. E ultimamente também governam nações.

Ainda cabe perguntar qual dos dois ajuda mais? Gosto de indagações, mas nem sempre tenho as respostas.

, tinham que se concentrar no caminho para poder voltar, tinham que apurar a vista para surpreender a caça, tinham que usar a força para se impor sobre as outras espécies. As mulheres ficavam cuidando das crias, providenciando a alimentação, conversando com as outras fêmeas enquanto seus companheiros não voltavam.

Desenvolveram a fala, o olhar periférico, múltiplas habilidades para fazer várias coisas ao mesmo tempo e esta imensa capacidade de expressar sentimentos que o poema singelo da senhora Cora escancara.


08 de janeiro de 2011 | N° 16574
ANTONIO AUGUSTO FAGUNDES


Carreteiros sem charque

Arroz-de-carreteiro sem charque?! Impossível. Mas é o que vamos discutir hoje aqui.

Charque e arroz, no Rio Grande do Sul, combinam tão bem que formam o segundo prato mais famoso da culinária gaúcha. E não exige muita coisa: um pouco de gordura (que pode ser do próprio charque), um guisado de charque bem refogado e um punhado de arroz e água.

Pode haver coisa mais simples? Muita gente, porém, enfeita o rabo do lagarto botando cebola, alho, batatinha e tempero verde, mas nada disso é fundamental. Vamos examinar alguns pratos chamados arroz-de-carreteiro e ver se são de fato a nossa famosa comida tradicional.

1) Arroz com faxina – A faxina é uma tira de carne vacum da grossura de um dedo e com um comprimento de palmo ou mais. Corta-se a faxina da carne do boi, atira-se tudo numa gamela e põe sal grosso. Todas as manhãs, durante três dias, põe-se fora aquele caldo sangrento e salgado que se acumula na gamela.

No começo do quarto dia tira-se as faxinas do recipiente, bate-se o sal grosso e pendura-se as peças numa corda, num arame ou num galho fino de árvore, num lugar de que possam pingar permanentemente, mas onde não tomem sol. Depois de três dias pode-se preparar a comida como um arroz-de-carreteiro comum.

2) Arroz com resto de churrasco – Picar o que restou do churrasco num guisado do tamanho de uma unha, bater bem o sal, passar a carne em água fria, refogá-la em um pouco de gordura, botar o arroz para refogar também e dar uma boa mexida com colher de pau até tudo ficar refogado, com o arroz dourado e bem soltinho.

Aí, deita-se água morna, cobrindo a mistura com um dedo e meio de altura. Quando levantar a fervura, é só provar o sal. Se estiver faltando, botar mais sal até equilibrar. Abaixa-se o fogo e assim, em fogo brando, mais uns quinze minutos e a comida estará pronta.

3) Arroz de geladeira – É assim: pica-se carne verde como se fosse para fazer um arroz-de-carroceiro. Coloca-se a carne picada num pote de louça com sal. Sempre que juntar aquele líquido sanguinolento, é jogado fora. Quando a carne perder a cor vermelha, estará pronta para se fazer um prato assim como se faz o arroz-de-carreteiro. Qualquer pessoa pode ter esse pote de carne na geladeira para fazer com arroz a qualquer hora.


08 de janeiro de 2011 | N° 16574
PAULO SANT’ANA


Pelé matou a questão

Aquela que seria a maior ajuda para Ronaldinho vir para o Grêmio veio ontem de Pelé.

Pelé declarou que não está de acordo com Ronaldinho, isto é, com Assis.

Disse Pelé que, se Ronaldinho gosta mesmo do Grêmio, como tem declarado, tinha de vir jogar de graça no Grêmio. E Pelé acrescentou que jogou um ano de graça pelo Santos porque amava verdadeiramente o Santos.

E Pelé disse mais: se Ronaldinho ama o Grêmio, como declara insistentemente, como é que Assis está fazendo leilão pelo seu passe?

Se ama, disse Pelé, tem de jogar de graça ou por qualquer preço. Dizer que ama o Grêmio e ir jogar pela melhor proposta dos clubes pretendentes, disse Pelé, é hipocrisia e falsidade.

Viu, Assis? Pois então toma jeito, rapaz. Falou Pelé e está falado.

Chega de trairagem!

Correu pelo Centro, à tardinha de ontem, o boato de que havia faltado bacalhau para o célebre bolinho do boteco Tuim, na Rua Andrade Neves.

Fui rápido para o local a fim de certificar-me da tragédia. Pedi ao garçom cinco bolinhos de bacalhau, como sempre faço. O garçom me disse desolado que havia faltado, mesmo, bacalhau para o bolinho.

Gritei estridente para que fosse até lá a Defesa Civil.

Ainda bem que não tinha faltado chope, o mais bem tirado da cidade, no boteco Tuim.

Se tivesse faltado chope, era caso para o prefeito Fortunati decretar estado de calamidade pública.

Não pode faltar bolinho de bacalhau no Tuim. Há certas coisas e certas pessoas que não podem faltar.

Faltar bolinho de bacalhau no Tuim é como faltar entrecot no Panchos ou Lombinho à Paulo Sant’Ana no Barranco.

Faltar bolinho de bacalhau no Tuim é como faltar mil-folhas no Café Press da Hilário Ribeiro ou a polenta fina e trabalhada por horas a fio no Galeto do Marquês, ali defronte onde morava o saudoso Dr. Lia Pires.

Faltar bolinho de bacalhau no Tuim é como faltar o Nelson Sirotsky no Comitê Editorial da RBS ou na turma de tênis na Quadra do Alemão.

Há pessoas e coisas que não podem faltar. Não pode faltar, por exemplo desrespeito mútuo na alcova dos casais.

Uma cama em que o casal se respeite é uma cama fadada ao fracasso.

Não podem faltar cavaquinho no samba, cachaça em velório e briga em gafieira.

Não podem faltar molho de creme de baunilha em sagu, calda no papo de anjo nem gelatina no Rei Alberto.

Não podem faltar bainha em calça, correntinha de ouro no pescoço, cheque sem fundo em caixa de bar.

Não podem faltar colunista em jornal, locutor com voz boa em rádio e caras bonitas na televisão.

Não podem faltar rusgas entre casais, rompimento passageiro entre amigos nem inveja entre irmãos.

Como é, então, que faltou bacalhau para o bolinho do boteco Tuim?


08 de janeiro de 2011 | N° 16574
CLÁUDIA LAITANO


Amor sustentável

Reunidos no programa de Oprah Winfrey para lembrar os 40 anos da estreia de Love Story, os atores Ali McGraw (72 anos) e Ryan O’Neal (69 anos) protagonizaram um encontro docemente melancólico diante das câmeras algumas semanas atrás. Falaram dos amores nem tão perfeitos da vida real, de solidão, velhice e flertaram um pouquinho um com o outro também – que ninguém é de ferro, e os dois estão solteiros.

Oprah, ainda adolescente na época em que o filme arrancava hectolitros de lágrimas de plateias do mundo todo, quis saber o que Ali McGraw pensava de uma frase que viria a se tornar uma das mais conhecidas (e obscuras) da história do cinema: “Amar é jamais ter que pedir perdão”.

A jovem Oprah, como outros espectadores da época, ficou intrigada com a sentença, dita duas vezes no filme e repetida por milhões de namorados sem muita reflexão nos anos seguintes – mesmo contrariando todo e qualquer bom senso.

Como alguém ama ou simplesmente convive com outra pessoa sem nunca pedir desculpas? À luz da maturidade e diante de milhões de espectadores, a atriz admitiu que a frase era mesmo uma asneira e lamentou não ter se dado conta disso antes de eternizá-la no cinema.

Trata-se de um caso curioso de celebridade negativa de uma frase com repercussão quase instantânea – e talvez na mesma proporção do sucesso do filme. Em 1972, na divertida comédia

Essa Garota é uma Parada, em que contracena com Barbra Streisand, Ryan O’Neal faz piada com o diálogo de seu filme mais famoso e decreta: “Essa é a frase mais idiota que eu já ouvi”. Até John Lennon teria dado seu pitaco sobre o assunto na época: “Amar é pedir desculpas de 15 em 15 minutos”.

A ideia de que o amor não só se aperfeiçoa, mas se constrói na comunicação cotidiana (dizendo-se não apenas “perdão”, mas “opa, não gostei” ou “segura essa para mim que eu já volto”) já é lugar-comum, mas na época de Love Story o casamento como o conhecemos hoje, aquele em que os laços das convenções sociais ou da dependência econômica já não são suficientes para justificar sozinhos uma convivência, ainda estava sendo inventado (inclusive por casais como John e Yoko).

Hoje já se fala até em “casamento sustentável”, teoria que toma emprestado o termo ecologicamente correto para tentar explicar por que alguns relacionamentos sobrevivem e outros não – como ecossistemas.

A sustentabilidade, segundo essa teoria, seria proporcional ao ganho individual dos parceiros em um relacionamento – o que parece tremendamente egoísta e antirromântico, mas faz algum sentido.

Se as pessoas já não buscam no casamento apenas a satisfação de necessidades econômicas ou sociais, o que faz com que elas permaneçam juntas em uma época de laços amorosos tão frágeis é, em última instância, a percepção de que o parceiro, de alguma forma, deixa suas vidas mais ricas e interessantes, não apenas pelas afinidades, mas principalmente pelas diferenças.

Amar (sustentavelmente) é dar valor a tudo aquilo que você jamais viveria se não estivesse ao lado de quem está. Já pensou?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011


RICARDO MIOTO - DE SÃO PAULO

Choro de mulher derruba testosterona

Homens expostos a lágrimas femininas tiveram redução na concentração do hormônio, ligado à agressividade

Os homens também perderam o apetite sexual; para chorar, as voluntárias assistiram a um filme dramático

Atenção, mulheres, está demonstrado pela ciência: chorar é golpe baixo.

As lágrimas femininas liberam substâncias, descobriram os cientistas, que abaixam na hora o nível de testosterona do homem que estiver por perto, deixando o sujeito menos agressivo.

Mais: ver uma mulher se acabando de chorar mexe tanto com qualquer marmanjão que ele até deixa de lado sua vontade de fazer sexo com ela para, primeiro, saber o que está acontecendo.

Os cientistas queriam ter certeza de que isso acontece em função de alguma molécula liberada -e não, digamos, pela cara de sofrimento feminina, com sua reputação de derrubar até o mais insensível dos durões.

Por isso, evitaram que os homens pudessem ver as mulheres chorando.

Colocaram, então, várias delas para assistir a "O Campeão" (1979), que conta a vida de um ex-lutador decadente que perdeu tudo, menos o filho, que adora o pai. Mas surge a mãe do guri, rica e malvada, que, apesar de nunca ter se interessado por ele, agora quer tirá-lo do pai.

A mulherada caiu no choro, e suas lágrimas foram coletas e levadas para uma sala com dezenas de homens.

Os cientistas molharam pequenos pedaços de papel, como aqueles utilizados em lojas de perfume como amostra, e deixaram que fossem cheirados pelos homens.

O contato com as lágrimas fez a concentração da testosterona deles cair quase 15%, em certo sentido deixando os homens menos machões.

Ficaram tão sensíveis que, quando foram colocados para assistir à grande obra da história da cinematografia "Nove e Meia Semanas de Amor", filme erótico de 1986, relataram estar bem menos excitados do que os homens de um grupo que não tinha sido exposto às lágrimas.

O filme, que rendeu as sequências "Outras Nove e Meia Semanas de Amor" (1997) e "As Primeiras Nove e Meia Semanas de Amor" (1998), das quais os voluntários foram poupados, conta a relação amorosa e sexual (mais sexual do que amorosa) entre um magnata e a funcionária de uma galeria de arte em Nova York.

"BOYS DON'T CRY"

Os autores do trabalho, liderados por Noam Sobel, do Instituto Weizmann de Ciência, em Israel, publicaram o trabalho na última edição da revista "Science".

Sobel ressalta que faz sentido imaginar que o choro influencie os homens com frequência: "Quando abraçamos alguém amado, colocamos nosso nariz perto do rosto com lágrimas". O efeito acaba alguns minutos após o fim da exposição às lágrimas.

Ele lembra que há perguntas em aberto. Qual, afinal, a molécula presente nas lágrimas? Se fosse isolada, que tipo de produto poderia ser criado? Além disso, o choro masculino comunica algo?

"Nós especulamos que sim, e talvez o choro infantil também." Sobel diz que há, porém, uma dificuldade para fazer estudos assim: é mais difícil fazer homem chorar.

"Se precisássemos de lágrimas masculinas neste estudo, gastaríamos vários anos a mais para terminá-lo", diz.

JOSÉ SIMÃO

Lá vem Ronaldinho Dentucho!

E os italianos são insaciáveis. Já demos o Buscetta duas vezes e eles ainda querem mais!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!

E mais um predestinado. Em Campinas tem um proctologista chamado doutor Dédalo. Deve ser o DÉDALO DE OURO! Rarará!

E janeiro tem tanto tributo que eu já tô ficando triputo. TRIPUTO DA VIDA! E hipertenso é o cara que paga imposto: IPI, IPVA, IPTU e IPERTENSO! Rarará!

E a manchete do Sensacionalista: "Berlusconi não libera Ronaldinho Gaúcho e Cesare Battisti vai pro Grêmio". Aí a torcida do Grêmio ia ficar gritando: "Ô Ô Ô! O Battisti é um terror!" Rarará!

Olha, o Ronaldinho Gaúcho faz tanto floreio, tanta firula em campo que ele devia ir mesmo pra Portela! Sambista da Portela! Ou então malabarista de farol! O Ronaldinho Gaúcho é uma mistura de Michael Jackson com a Mulata Globeleza!

E o Battisti? Eu já falei que o Lula não extradita o Battisti porque ele era membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo: PAC!

E o único italiano que o Lula ama é o Baggio que errou o pênalti e a gente virou tetra. E o único italiano que eu amo é qualquer atendente da Prada! Eu troco o Battisti por dois sapatênis da Prada! Rarará!

E uma amiga disse que o único italiano que ela ama é qualquer italiano. "Extradita ele pra casa que eu boto em prisão domiciliar!"

E diz que o Berlusconi quer vir negociar o Battisti diretamente com a mulher do Temer. Rarará! O Berlusconi não pode ver mulher. Ele devia se chamar Berluscomi. BERLUSCOME TODAS! Rarará!

E os italianos são insaciáveis. Já entregamos aquele mafioso Buscetta duas vezes. Já demos o Buscetta duas vezes e eles ainda querem mais! Rarará!

Socuerro! Começou o ano fiscal. Acabei de receber o IPVA! Devia se chamar Imposto Para Vários Amigos. Tem que fazer vaquinha pra pagar o IPVA, IPVAQUINHA!

Eu acho tão caro que devia se chamar HIPER VA! E com tanta enchente, devia chamar Imposto Para Veículos Anfíbios!

E sabe por que tributo se chama tributo? Porque vem de três em três: IPVA, IPTU e IMF: "IH ME FERREI!".

E com tanta enchente, IPTU devia ser Imposto Para Tetos Úmidos. E IPI devia ser Imposto de Paredes Irrigadas! Rarará!

A situação tá ficando psicodélica! Nóis sofre, mas nóis goza. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

simao@uol.com.br